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Fabio Alves

 FÁBIO ALVES: A TAL DA DEFASAGEM DO APERTO DO COPOM


Será muito importante para os analistas ajustarem suas projeções para a taxa terminal da Selic, no atual ciclo de aperto monetário, a comunicação do Banco Central nesta semana, com a divulgação da ata da última reunião do Copom, amanhã, e do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), na quinta-feira. Depois da decisão da última reunião do Copom, com a elevação da Selic para 14,25%, o comunicado deu margens para debate se o ciclo poderá ser encerrado em maio, além da magnitude dos últimos ou do último ajuste dos juros. Não à toa, há projeções de taxa terminal a 15,25%, 15% e até 14,75%. De um lado, o comunicado sinalizou que o aperto seguirá em maio, mas com um ajuste de menor magnitude. Citou a desancoragem adicional das expectativas de inflação. De outro, o texto do documento introduziu a expressão "defasagens inerentes", usada habitualmente quando o BC acena para o fim de um ciclo de aperto monetário. Além disso, o Copom citou sinais de "incipiente moderação" da atividade econômica. Será, portanto, um ponto de grande interesse na ata da última reunião do Copom quanto o BC irá detalhar a sua visão sobre esses efeitos da defasagem do aperto monetário adotado até agora. Com base em tal explicação, se houver, poderá o mercado afinar sua aposta para mais duas ou apenas uma alta adicional da Selic? Outro foco de atenção estará na visão do BC sobre a "incipiente" moderação na atividade econômica. E qual o risco de esse esfriamento ganhar velocidade e a desaceleração surpreender mais adiante? Houve também quem considerou que o comunicado foi relativamente econômico ao falar do ambiente externo, especialmente sobre os riscos de baixa à atividade econômica global das tarifas de importação dos Estados Unidos, anunciadas pelo presidente Donald Trump. Talvez, a ata venha expor mais argumentos acerca desse tema. Sem falar na apreciação do real ante o dólar. Em março, até a sexta-feira passada, o dólar acumulava perda de 3,4% ante o real, fechando a R$ 5,7177. Ou seja, como o fator câmbio poderá levar a uma melhora na expectativa inflacionária no curto prazo. E como as projeções de inflação ganharam destaque no comunicado do Copom, aumentou a expectativa em relação ao RTI do primeiro trimestre, que sairá na quinta-feira. Mais especificamente: a estimativa do BC para a inflação no quarto trimestre de 2026, que passará a ser o horizonte relevante da política monetária na reunião do Copom em maio. É bom lembrar que, no comunicado da reunião da semana passada, o Copom revisou de 4,0% para 3,9% a sua projeção para o IPCA no terceiro trimestre de 2026. Estaríamos claramente num ponto de inflexão para as projeções de inflação? Poderá o BC revisar para baixo, no RTI deste primeiro trimestre, a sua estimativa para o IPCA no quarto trimestre de 2026? No RTI de dezembro, a projeção do BC para a inflação no quarto trimestre de 2026 estava em 3,6%. Mantida essa estimativa o cenário de quem tem uma taxa terminal de 15,25% não fica, por enquanto, desautorizado. Uma revisão para baixo dessa projeção poderá deixar a porta aberta para os que apostam numa taxa terminal mais baixa ao fim do ciclo. Também no RTI, os analistas aguardam para ver se o BC vai revisar a sua estimativa para o PIB deste ano. Em dezembro, essa projeção foi elevada de crescimento de 2% para 2,1%. Resta saber se a qualificação de "incipiente" moderação no crescimento resultará num corte da projeção do PIB no RTI, mesmo que levemente. Há ainda a avaliação sobre o nível do juro real neutro, que, no último RTI de dezembro, o BC estimou em 5,0%. Muitos analistas, contudo, não acreditam que o BC irá fazer tão cedo outra mudança na sua estimativa. (fabio.alves@estadao.com) Fábio Alves é jornalista do Broadcast

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