terça-feira, 3 de março de 2026

Decisão de Gilmar Mendes é um escárnio

 *Decisão de Gilmar em socorro de Toffoli é um escárnio*


Decano do STF suspendeu quebra de sigilos da Maridt, empresa que tem seu colega entre os sócios Medida havia sido determinada pela CPI do Crime Organizado; tudo se passou como se houvesse um jogo combinado para Gilmar socorrer Toffoli


2.mar.2026 às 22h00


O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, acrescentou mais uma linha esdrúxula na trama do banco Master, a esta altura já repleta de relações anômalas entre Daniel Vorcaro, controlador da instituição, e as mais diversas autoridades públicas brasileiras.


Na sexta-feira (27), em uma manobra que achincalha os ritos processuais, o decano da corte suspendeu a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt, que tem entre seus sócios o ministro Dias Toffoli. A providência investigativa havia sido determinada dias antes pela CPI do Crime Organizado.


Como se estivesse coberto de razão, Gilmar vociferou em sua decisão. Classificou a quebra de sigilo como "destituída de idoneidade por completa e absoluta ausência de fundamentação válida" e afirmou que ela "apresenta narrativa e justificação falhas, imprecisas e equivocadas".


Sob essa camada de retórica tempestuosa, contudo, encontra-se pouca substância. Pode-se e deve-se, é verdade, discutir os limites de atuação da CPI. Criada com o propósito de esquadrinhar o alcance do crime organizado, a comissão ampliou seu escopo de modo a incluir o banco Master.


Embora sejam convincentes os argumentos parlamentares —é preciso esclarecer se a cúpula do Judiciário se envolveu com o mundo do crime—, as apurações precisam respeitar as normas do Estado de Direito. E cabe ao STF, no fim das contas, frear eventuais ataques às garantias individuais.


Ocorre que o Supremo também deve observar certos procedimentos, mas os ministros amiúde agem como se desconhecessem essa regra rudimentar. Foi precisamente o que fez Gilmar.


Sua canetada favorável à empresa da família Toffoli jamais poderia constar de um manual jurídico. Ela se deu em um mandado de segurança de 2021, impetrado pela produtora Brasil Paralelo no contexto da CPI da Covid. Ou seja, sem nenhuma relação com o Master, Toffoli e a atual CPI. E pior: o processo estava arquivado.


Com a manobra, o pedido da Maridt caiu no colo de Gilmar, dado que ele relatou o caso da Brasil Paralelo. Ou seja, tudo se passou como se houvesse uma jogada combinada nos bastidores para o decano socorrer Toffoli.


E não foi o único gesto recente a evidenciar o espírito de corpo que contamina o Supremo. Na quinta-feira (26), o ministro André Mendonça havia decidido que os irmãos de Toffoli, convocados pela CPI do Crime Organizado, estavam dispensados de cumprir essa obrigação.


É um escárnio. Passou da hora de os membros do STF entenderem que não estão acima das leis e que a sociedade exige respostas satisfatórias sobre os laços pouco republicanos entre Toffoli e Vorcaro. Não é demais lembrar que o ministro é citado em conversas no celular do ex-banqueiro.


As iniciativas em favor de Toffoli são tantas e tão heterodoxas que se torna inevitável perguntar o que ele está escondendo que demanda tamanho esforço.


https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/03/decisao-de-gilmar-em-socorro-de-toffoli-e-um-escarnio.shtml?utm_source=twitter&=social&utm_campaign=twfolha

segunda-feira, 2 de março de 2026

Conselho do Irã

 CONSELHO DO IRÃ ESCOLHE NOVO LÍDER  (NEWS RENATO RIELLA – 2 MAR)


Aiatolá Alizera Arafi foi eleito líder supremo interino do Irã, um dia após a morte do aiatolá Ali Khamenei em ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel. A informação foi divulgada por agências estatais iranianas. 


O porta-voz do Conselho de Discernimento do Interesse do Estado, Mohsen Dehnavi, afirmou que Arafi foi escolhido como membro do conselho interino de liderança, órgão responsável por conduzir o país até a definição de um novo líder permanente.


Conselho provisório será formado por três autoridades de alto escalão: o presidente Masoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei, e um jurista do Conselho dos Guardiões. O grupo terá a missão de administrar o país e organizar o processo para que a Assembleia dos Peritos eleja, “o mais rápido possível”, o novo líder supremo.


REPERCUSSÕES – O conflito gera repercussões no mundo e explode o preço do petróleo.

O estreito de Ormuz, dominado pelo Irã, está interditado, prejudicando grande parte das exportações mundiais. Há pelo menos 200 navios interditados.


E o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma que o conflito deve demorar quatro semanas, agora apoiado por Inglaterra, França e países árabes, que sofreram com bombardeios iranianos.      


RECOMENDAÇÃO - Ministério das Relações Exteriores orientou brasileiros a não viajarem para 11 países da região de conflito.. 


Recomenda que viagens para Irã, Israel, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Iraque, Líbano, Palestina e Síria, sejam evitadas. 

Para os brasileiros que já estão nesses países, o Itamaraty recomenda atenção redobrada e o cumprimento rigoroso das orientações das autoridades locais.


Em situações de bombardeio ou ataques aéreos, o ministério orienta que o cidadão dirija-se imediatamente ao abrigo mais próximo. Caso esteja na rua, a recomendação é procurar estações de metrô, viadutos ou estacionamentos subterrâneos.


MANIFESTAÇÃO – Bolsonaristas fizeram ontem manifestações expressivas em 20 cidades brasileiras, inclusive Brasília e principalmente São Paulo.


Levantaram propostas radicais, como “Fora Lula” e prisão para ministros do STF.  O pré-presidenciável senador Flávio Bolsonaro (PL) participou em São Paulo.


ABORTO - Advocacia-Geral da União (AGU) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) manifestação defendendo que o aborto é crime no Brasil e que as interrupções de gravidez autorizadas por lei devem ser realizadas exclusivamente por médicos.


 O documento, que contém informações presidenciais, subsidia o julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1207, na qual diversas entidades tentam ampliar o rol de profissionais de saúde autorizados a realizar o procedimento.


CRIPTO - Bitcoin (BTC) terminou fevereiro como começou o ano: pressionado. A queda no mês girou em torno de 17%, praticamente um déjà vu de novembro, quando o recuo foi de 17,5%, no quinto mês seguido no vermelho – uma sequência que muda o humor até do investidor mais convicto.


Nos últimos dias, houve reação, depois de o preço encostar na faixa dos US$ 62 mil. Ainda assim, o ativo segue cerca de 48% abaixo do topo histórico de US$ 126 mil, alcançado em outubro de 2025. No acumulado de 2026, a baixa já chega a 25%.

 

ARGENTINA – Senado da Argentina aprovou na noite de sexta-feira (27) a reforma trabalhista defendida pelo governo Javier Milei, em sua maior vitória legislativa até agora.

O projeto, já alterado pela Câmara dos Deputados, recebeu 42 votos a favor e 28 contra, após a confirmação da retirada do artigo mais polêmico, que restringia licenças médicas pagas. A aprovação foi viabilizada por acordos entre o governo e setores da oposição.


ECONOMIA - Índice Bovespa, da Bolsa de São Paulo, fechou em 188.787 pontos na sexta-feira (27), com baixa de 1,16%. 


 MUNDO 

⬇ EUA - Dow Jones: -1,05%

⬇ EUA - Nadaq: -0,92%

⬇ EUA - S&P 500: -0,43%

⬇ Europa - Euronext: -0,14%

⬆ China - Xangai: +0,39%

⬆ Japão - Nikkei: +0,16%


MOEDAS – FONTE: BC 

⬇ Dólar Comercial: R$ 5,13 (-0,10%)

⬆ Dólar Turismo: R$ 5,34 (+0,08%)

⬆ Euro Comercial: R$ 6,06 (+0,10%)

⬆ Euro Turismo: R$ 6,32 (+0,26%) 

⬇ Bitcoin: R$ 337,108 (-2,58%).

Por RENATO RIELLA

sábado, 28 de fevereiro de 2026

HALO Trade

  🇧🇷 *Recomendações*


•  PRIO rebaixada a neutra por Bradesco BBI; preço-alvo R$58,00


•  Copasa elevada a neutra por Banco do Brasil; preço-alvo R$32,30


•  Gerdau rebaixada a market perform por Itau BBA; preço-alvo R$24,00

HALO: o novo foco dos bancos estrangeiros

*O Brasil é terreno fértil para o HALO trade.*


O acrônimo HALO significa Heavy Assets, Low Obsolescence — ativos pesados e com baixa obsolescência. É uma estratégia que vem ganhando força em bancos internacionais, como Santander e Goldman Sachs, e reflete uma mudança de foco: sair de empresas altamente expostas à disrupção tecnológica e apostar em negócios com ativos físicos, duradouros e menos vulneráveis à inteligência artificial.


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Por que isso importa?


- Defensividade: setores menos sujeitos à rápida obsolescência tecnológica.  

- Tangibilidade: ativos físicos e essenciais tendem a preservar valor.  

- Regulação: empresas reguladas oferecem previsibilidade.  

- Resistência à IA: negócios menos expostos à substituição tecnológica.


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Brasil e empresas brasileiras


O Brasil é terreno fértil para o HALO trade. Empresas de energia elétrica, petróleo e gás, saneamento e mineração se encaixam perfeitamente nesse perfil. São negócios com ativos físicos robustos, serviços essenciais e alta barreira de entrada. Exemplos claros são Eletrobras e Engie no setor elétrico, Petrobras no petróleo, Sabesp no saneamento e Vale na mineração.


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Impacto para investidores


Para quem investe no Brasil, o HALO significa oportunidade de valorização em setores tradicionais, que podem ganhar protagonismo em tempos de disrupção acelerada. É uma forma de diversificar e proteger a carteira contra volatilidade global, equilibrando apostas em tecnologia com ativos físicos e regulados.


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Conclusão


O HALO mostra que, em um mundo cada vez mais digital, o físico volta a ser rei. Para o investidor brasileiro, olhar para energia, saneamento e mineração pode ser uma estratégia inteligente de longo prazo.  


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Ataque ao Irã

 *ATUALIZAÇÃO DE NOTÍCIAS - LIKUD BRASIL*


✅ *Trump diz que o ataque dos EUA ao Irã pode ou não levar a uma mudança de regime*

Questionado se um ataque militar dos EUA ao Irã levaria imediatamente a uma mudança de regime, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que não, antes de continuar: "Ninguém sabe. Pode ser que sim, pode ser que não."

"Seria ótimo se pudéssemos fazer isso sem armas, mas às vezes é necessário. Temos as melhores forças armadas do mundo. Não há nada que se compare. Eu adoraria não precisar usá-las. Mas às vezes é preciso", acrescentou.


✅ *A Itália insta seus cidadãos a deixarem o Irã, alegando instabilidade no sistema de segurança.*

O Ministério das Relações Exteriores da Itália recomendou na sexta-feira que seus cidadãos deixassem o Irã e aconselhou extrema cautela em todo o Oriente Médio, citando a persistente instabilidade de segurança.


✅ *A França aconselha seus cidadãos a não viajarem para Israel devido às tensões*

O Ministério das Relações Exteriores da França aconselhou, na sexta-feira, seus cidadãos a não viajarem para Israel, citando preocupações com a segurança em meio ao aumento das tensões regionais.


✅ *O ministro das Relações Exteriores de Omã e o vice-presidente Vance discutem o Irã em reunião em Washington*

O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, reuniu-se com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, em Washington, D.C., na sexta-feira, onde "compartilhou detalhes da negociação em andamento entre os Estados Unidos e o Irã e o progresso alcançado até o momento", disse ele em uma publicação no X.


✅ *Trump diz não estar satisfeito com o Irã; novas negociações são esperadas na sexta-feira*

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse a repórteres que não está satisfeito com o Irã, mas que mais conversas deveriam ocorrer na sexta-feira. Quando questionado sobre a possibilidade de usar a força militar contra o Irã, Trump disse que não quer usá-la, mas que às vezes é necessário. Em declarações à imprensa antes de deixar a Casa Branca para uma viagem ao Texas, ele disse que quer fazer um acordo com o Irã e que o Irã não pode ter armas nucleares.

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✅ *Vídeo gravado com câmera escondida revela suposto plano ligado ao Irã para assassinar Trump*

Um vídeo gravado secretamente e divulgado recentemente, exibido em um tribunal do Brooklyn, mostra um suposto agente ligado ao Irã descrevendo um plano para assassinar Donald Trump em 2024. O agente que, segundo os promotores, tentou contratar dois homens para matar Trump por US$ 5.000 adiantados, demonstrou o plano colocando um cigarro eletrônico em um guardanapo para simbolizar seu "alvo", conforme mostra o vídeo da câmera escondida divulgado pelo New York Post.

Uma reportagem do The Wall Street Journal, com base em conversas com fontes e em relatos da mídia no Irã: o Irã recusou hoje, nas negociações, entregar seus estoques de urânio a outro país, recusou desmontar grandes instalações nucleares, recusou interromper o enriquecimento de urânio e não concorda em impor restrições temporárias ao seu programa nuclear.



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Juízo Final

 *Ordem do Juízo Final” transformará a região em chamas*


Hitler chamou isso de “Decreto Nero”. Em março de 1945, quando os Aliados já estavam em solo alemão a caminho de Berlim, ele assinou uma ordem para queimar todas as pontes, destruir toda a indústria local e deixar a terra arrasada.


Um debate acalorado ocorre nos andares superiores da Kirya e nos níveis inferiores do Pit. Ele diz respeito a saber se existe uma diretiva iraniana paralela, composta por três palavras: “Ordem do Juízo Final”. Se tal coisa existir, não se trata de destruir a infraestrutura iraniana, mas de uma ordem de “ir” para todo o eixo do mal: Hezbollah, Houthis, Hamas e milícias — para disparar tudo o que têm.


Se existir, a implicação não é mais existencial para Israel, já que o Hamas foi eliminado como exército, o Hezbollah foi reduzido em 90% e a Síria não recebe mais ordens de Teerã. Mas é uma dor de cabeça significativa para os militares, um desafio difícil para os sistemas de defesa e um prelúdio para uma operação militar em grande escala no Líbano.


Os defensores da visão dizem: “Esse é o jeito dos fundamentalistas — eles não sabem negociar, e, do ponto de vista deles, que toda a região vá pelos ares”. Os opositores afirmam: “Não há evidência disso e, de qualquer forma, é duvidoso o que exatamente um botão apertado em Teerã realmente desencadeia”.


Mas as ações de Israel na última semana derivam, talvez como resultado das lições de 7 de outubro, da suposição de que isso acontecerá. Esse é talvez um motivo para os ataques cada vez mais escalatórios aos redutos do Hezbollah, com ênfase no arsenal de foguetes.


E também devemos lembrar da ameaça Houthi. Como foi rapidamente esquecida a corrida noturna de milhões para os abrigos por causa de um único míssil. O medo dos fanáticos do Iêmen vai muito além desse incômodo, cujo maior dano até agora tem sido dizimar o turismo por muitos meses. O exército Houthi conta com quase um milhão de combatentes, e seus planos incluem uma incursão em território israelense. Isso não é uma ameaça imediata, é claro, e a distância é grande, mas já aprendemos que planos improváveis (neste caso, uma invasão pela Jordânia) não podem simplesmente ser descartados.


Há uma grande questão que tem acompanhado os líderes do partido nos últimos meses: por que Netanyahu insiste em aprovar uma lei de recrutamento tão odiada, por alguns meses, no máximo? A resposta, sempre em tom misterioso, é “questões de segurança”. Pelo que se sabe, não é apenas a possível guerra com o Irã, mas outra frente. Outra incursão em Gaza? Uma operação terrestre para restabelecer a zona de segurança no Líbano? Talvez um ataque aos Houthis? As possibilidades não faltam.


_A coluna completa: https://go.amitsegal.co.il/e003x6_


_Amit Segal_



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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

6X1

 


Abertura

 *Abertura: IPCA-15 guia apostas para cortes da Selic e exterior adota cautela antes de PPI dos EUA*


São Paulo, 27/02/2026 -


Por Luciana Xavier e Silvana Rocha*


OVERVIEW. O último pregão de fevereiro tem como destaque no exterior o PPI dos Estados Unidos. No Brasil a agenda mais robusta traz o IPCA-15 de fevereiro, que ajudará a balizar as apostas para o ciclo de afrouxamento monetário, ainda que não mude a perspectiva de corte de 50 pontos-base da Selic, para 14,50%, em março. Além disso, ficam no radar as duas reuniões trimestrais de diretores do Banco Central com economistas em São Paulo, a nova bandeira tarifária da Aneel e entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao podcast Flow.


NO EXTERIOR. Nova York exibe cautela no mercado futuro nesta manhã, sinalizando que pode estender as perdas da véspera diante dos temores relacionados a gastos com inteligência artificial (IA). Os papéis da Netflix, no entanto, saltavam perto de 7%após dizer que não elevará mais sua oferta pela Warner Bros Discovery, abrindo caminho para a Paramount Skydance. Na Europa os sinais são mistos, mas ainda assim caminham para garantir o oitavo mês consecutivo de ganhos. Na China, o banco central começou nesta sexta-feira a tomar medidas para conter o recente avanço do yuan, recorrendo a uma estratégia antiga para reduzir o custo de apostar contra a moeda. E o Politburo do Partido Comunista da China, o mais alto órgão de tomada de decisão do país, reiterou o apoio à política pró-crescimento da economia. O petróleo subia há pouco quase 2%, após a rodada de negociações nucleares entre EUA e Irã terminar sem um acordo. A expectativa é que as conversas sejam retomadas na semana que vem.


POR AQUI. O dia é de vários condutores para os ativos locais. A cautela em NY pode frear o ímpeto do Ibovespa, que termina fevereiro com saldo positivo após vários recordes, com ganhos de 5,32% até o fechamento de ontem, aos 191 mil pontos. Balanços como da Copel e Axia também serão repercutidos (leia mais abaixo em O que Sabemos). A esperada aceleração do IPCA-15, com alta de serviços, preços livres e administrados, pode reduzir o orçamento total de queda da Selic, mas os ajustes podem ser limitados com o primeiro corte, no mês que vem, já bem precificado. O recuo dos rendimentos dos Treasuries e dólar mais fraco no exterior podem tirar pressão da ponta longa da curva. O dólar, no entanto, pode ficar volátil com a disputa pela formação da Ptax do mês. A moeda americana acumula queda de 2,07% no mês. O mercado pode reagir também ao novo levantamento da Paraná Pesquisas, mostrando que o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estão empatados em cenários de primeiro e segundo turno na corrida presidencial.


NA POLÍTICA. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), disse a aliados que será candidato ao governo de São Paulo porque nunca poderia negar um pedido do presidente Lula. Mais cedo ontem, o ministro, no entanto, negou ter definido a candidatura. O partido Novo decidiu que apoiará a campanha de reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e não lançará um candidato próprio. O governo tem uma lista mostrando que 55 apoiadores da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto pagaram para impulsionar publicações contra o presidente Lula nas redes sociais, após o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a quebra dos sigilos bancários, fiscais e telemáticos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O Superior Tribunal Militar (STM) notificou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para que apresente sua defesa no processo que pode resultar na perda de sua patente até o dia 5 de março.


AGENDA.


IPCA-15 E RESULTADO FISCAL NO BRASIL - A agenda desta sexta-feira, 27, tem como destaque a divulgação do IPCA-15 de fevereiro (9h) e do resultado primário do setor público de janeiro (8h30). A Aneel divulga bandeira tarifária de março. O Banco Central realiza sua reunião trimestral com economistas em São Paulo, às 11h e 14 horas, e o Instituto Paraná Pesquisas divulga enquete eleitoral. O vice-presidente Geraldo Alckmin e presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, apresentam novos investimentos na Nova Indústria Brasil (NIB) em entrevista coletiva (15h). O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa do podcast Flow (19h).


PPI DOS EUA É DESTAQUE NO EXTERIOR - No exterior, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos será publicado às 10h30 e depois saem o PMI pelo ISM Chicago (11h45) e os investimentos em construção (12h). O  Presidente dos EUA, Donald Trump discursa no Porto de Corpus Christi (17h). Na Alemanha será divulgado o CPI de fevereiro (10h).


O QUE SABEMOS.


AXIA - A Axia Energia encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 1,25 bilhão, alta anual de 141,4%, mas com piora operacional: o Ebitda caiu 9,9% e a receita recuou 11,3%. Em 2025, lucro e Ebitda diminuíram 45,8% e 22,8%, respectivamente, enquanto a dívida líquida subiu para R$ 46,5 bilhões, elevando a alavancagem a 2,4x. A companhia investiu R$ 3,87 bilhões no período e R$ 9,61 bilhões no ano, com foco em transmissão, reforçando a expansão da rede e sinalizando aumento do volume de energia vendida em 2026 e 2027.


EM TESE:  O ADR da empresa caía 1,47% no pré-mercado em Nova York mais cedo, indicando possível queda das ações na B3. Lucro e Ebitda ficaram cerca de 38% e 39% abaixo do consenso, enquanto a receita veio em linha, reforçando a leitura de frustração operacional no curto prazo. Por outro lado, o aumento dos investimentos ajuda a amenizar a avaliação negativa, ao indicar que a pressão sobre resultados e a alta da alavancagem estão ligadas a um ciclo de expansão, sobretudo em transmissão, de receitas mais previsíveis. A sinalização de maior volume de energia vendida em 2026 e 2027 reforça a perspectiva de crescimento futuro. Ainda assim, a reação inicial é adversa, já que os aportes elevam a dívida antes do retorno, com leitura mais favorável no médio prazo caso os projetos se convertam em geração de caixa e melhora operacional.


COPEL - A companhia do setor elétrico do Paraná registrou lucro líquido de R$ 1,06 bilhão no 4T25, alta de 85,4% em um ano, beneficiado também por menor carga tributária. No resultado recorrente, o lucro avançou 29,6%. O Ebitda cresceu 42,3% (16,1% recorrente) e a receita líquida subiu 18,4%, refletindo melhora operacional no período. A Copel avalia que a migração para o Novo Mercado da B3 aumentou a entrada de investidores estrangeiros e impulsionou o desempenho das ações, favorecida pela unificação das classes acionárias e melhora da governança. Em 2026, o papel sobe mais de 20%, superando o Índice de Energia Elétrica, que avança 8,8% no período.


EM TESE: As ações podem subir na B3, conforme sugerem os seus  ADRs com alta de cerca de 1% no pré-mercado em Nova York mais cedo. A Copel apresentou resultados do quarto trimestre de 2025 acima das estimativas, com forte crescimento de lucro, Ebitda e receita, reforçando a melhora operacional. A migração para o Novo Mercado aumentou o interesse de investidores estrangeiros e sustentou a valorização das ações em 2026. Para a empresa, a revisão tarifária e o leilão de capacidade podem ampliar a remuneração dos investimentos e a geração futura de caixa. A leitura tende a ser positiva, com viés favorável para as ações, embora eventos regulatórios sigam como principal fator de risco.


AÉREAS - O CMN aprovou o marco regulatório que destrava até R$ 4 bilhões em financiamentos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) para companhias aéreas, com juros subsidiados entre 6,5% e 7,5% ao ano e regras mais flexíveis. Os recursos poderão financiar compra e manutenção de aeronaves, combustível sustentável (SAF) e investimentos operacionais, reduzindo entraves que vinham atrasando o acesso ao crédito.


EM TESE: A medida amplia a oferta de crédito subsidiado para o setor aéreo, altamente endividado e sensível ao dólar e ao custo do combustível, podendo favorecer melhora gradual da liquidez, alongamento de passivos e financiamento de investimentos. O impacto, porém, não é imediato, pois depende da adesão das companhias, da estruturação das operações, provavelmente via BNDES e agentes financeiros credenciados, e do ritmo de contratação. Desse modo, o efeito sobre as ações pode ser mais limitado no curto prazo, com eventual reprecificação condicionada ao uso efetivo dos recursos e à melhora dos indicadores financeiros.


OVERNIGHT.


TRANSPORTE GRATUITO - O Ministério da Fazenda afirmou que o Marco Legal do Transporte Público não prevê Tarifa Zero, mas diretrizes para melhorar o transporte coletivo, com foco em qualidade, transição energética e redução de emissões. A proposta, já aprovada no Senado e em análise na Câmara, destina recursos para custear gratuidades e tarifas reduzidas. A pasta apoia o projeto com ajustes, enquanto a Tarifa Zero segue em estudo, com atenção aos impactos fiscais e estímulos à mobilidade elétrica e combustíveis renováveis.


VALE -  A mineradora aprovou a eleição de Marcio Antonio Chiumiento, presidente da Previ, para o conselho de administração, além de aumento de capital de R$ 500 milhões por capitalização de reservas, sem emissão de novas ações. O conselho de administração da companhia também aprovou a incorporação das subsidiárias Baovale Mineração e CDA Logística, em movimento de simplificação societária, sujeito à aprovação em assembleia entre março e abril de 2026.


MINA BORBOREMA - A Aura Minerals firmou acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes para realocar trecho rodoviário que atravessa a Mina Borborema, no Rio Grande do Norte. A medida permite converter recursos em reservas prováveis e elevou em 82% a base de reservas, para cerca de 1,5 milhão de onças de ouro, aumentando o potencial de retorno do projeto.


CONSOLIDAÇÃO - O Bradesco anunciou a criação da Bradsaúde, que reunirá todos os negócios de saúde do grupo sob a Odontoprev, que passará a atuar como consolidora do segmento e poderá mudar de nome. A nova companhia será listada no Novo Mercado da B3, com receita de R$ 52 bilhões, lucro de R$ 3,6 bilhões e ROE de 24% (dados de 2025). A reorganização busca ganho de eficiência e ampliação da oferta integrada em saúde e odontologia. Nos termos da reorganização societária que cria a Bradsaúde, o Bradesco passará a ter participação de 91,35% das ações ordinárias da Odontoprev após a conclusão da operação, segundo fato relevante divulgado hoje. Já os demais atuais acionistas terão 8,65% do capital total e votante.


CAIXA SEGURIDADE - A empresa do ramo de seguros e seguridade da Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido gerencial de R$ 1,12 bilhão no 4T25, alta de 6,4% em um ano, mas leve queda de 1,3% ante o trimestre anterior. Em 2025, o lucro somou R$ 4,3 bilhões, avanço de 14,9%. As receitas operacionais cresceram 4,3%, impulsionadas pelo maior resultado das empresas investidas (+14,1%), enquanto as receitas com comissionamento recuaram 6,9%.


LOCALIZA - A Localiza registrou lucro líquido de R$ 939 milhões no quarto trimestre de 2025, alta anual de 12,1%. O Ebitda avançou 12,1%, para R$ 3,7 bilhões, e a receita líquida cresceu 11,7%, impulsionada pelos segmentos de aluguel e seminovos. Em 2025, o lucro contábil somou R$ 1,8 bilhão, afetado por efeitos fiscais, enquanto o Ebitda anual avançou 15,4%, refletindo melhora operacional.


B3 - A Brasil, Bolsa, Balcão teve lucro líquido de R$ 907,8 milhões no 4º trimestre de 2025, queda de 23% em um ano, impactado por efeito contábil ligado a impostos diferidos. O lucro recorrente avançou, assim como receita e Ebitda, com margem de 69%. Em 2025, o lucro recorrente somou R$ 5,3 bilhões (+10%). A companhia distribuiu R$ 3,6 bilhões no trimestre e R$ 6,3 bilhões no ano aos acionistas.


RAIZEN - A Cosan afirmou que ainda não há aprovações nem decisões vinculantes sobre eventual injeção de capital na Raízen. As discussões seguem com a Shell e o BTG Pactual para reforçar a estrutura de capital. A petroleira busca novos parceiros - como a Mitsui, que não avançou - para evitar assumir controle superior a 50%.


QUALICORP - A Qualicorp teve prejuízo líquido de R$ 10,5 milhões no 4º trimestre de 2025, revertendo lucro de um ano antes. No ano, o lucro ajustado caiu 51%. O Ebitda ajustado cresceu no trimestre, mas recuou em 2025. A receita diminuiu, o resultado financeiro seguiu negativo e a base de clientes encolheu, enquanto a dívida líquida caiu 12%, com alavancagem em 1,45 vez.


COREWEAVE - A CoreWeave ampliou o prejuízo no quarto trimestre de 2025, com perda de US$ 0,89 por ação, apesar da receita crescer 110%, a US$ 1,57 bilhão. As despesas operacionais mais que dobraram, pressionando os resultados. Parceira da Nvidia, a empresa viu as ações caírem cerca de 11% no after hours, mesmo com forte expansão anual de receita.


FRANÇA - O Produto Interno Bruto (PIB) da França cresceu 0,2% no quarto trimestre de 2025 ante os três meses anteriores, segundo revisão divulgada pelo instituto de estatísticas do país (Insee). O resultado confirmou a estimativa preliminar e veio em linha com a projeção de analistas consultados pela FactSet.


E NOS MERCADOS.


FUTUROS DE NY  - Os índices futuros das bolsas de Nova York operam em baixa, sinalizando que Wall Street pode estender perdas de ontem, quando foi pressionada por temores relacionados a gastos com inteligência artificial (IA). Nos negócios do after hours, a Netflix saltou 8,5% após dizer que não elevará mais sua oferta pela Warner Bros. Discovery, abrindo o caminho para que a Paramount Skydance compre a empresa. Às 7h10 (de Brasília), no mercado futuro, o Dow Jones caía 0,51%, o S&P 500 recuava 0,35% e o Nasdaq perdia 0,30%.


BOLSAS DA EUROPA - As bolsas europeias operam com sinais mistos, mas seguem rumo ao oitavo mês seguido de alta, apoiadas principalmente por mineradoras. Resultados fortes de HSBC e Nestlé sustentam o mercado, apesar de temores sobre IA e tarifas do governo Donald Trump. Investidores aguardam dados de inflação da Alemanha e dos EUA, enquanto o PIB da França cresceu 0,2% no 4º tri de 2025. Às 7h10, a Bolsa de Londres subia 0,45%, a de Paris caía 0,11% e a de Frankfurt avançava 0,22%.


TREASURIES  - Os rendimentos dos Treasuries operam em baixa, estendendo perdas de ontem, enquanto investidores aguardam dados dos EUA, incluindo números da inflação ao produtor (PPI). Às 7h13, o juro da T-note de 2 anos caía a 3,403% (de 3,438% no fim da tarde de ontem), o da T-note de 10 anos recuava a 3,985% (de 4,010%) e o do T-Bond de 30 anos diminuía a 4,646% (de 4,664%).


MOEDAS - O dólar opera perto da estabilidade ante outras moedas de economias desenvolvidas em meio a expectativas por dados de inflação ao consumidor (CPI) da Alemanha e ao produtor (PPI) nos Estados Unidos. Na China, o banco central (PBoC) tomou medidas para conter o recente ímpeto de valorização do yuan. O BC chinês anunciou que diminuirá a taxa de reserva de risco para instituições financeiras que realizam operações de câmbio a termo de 20% para zero, uma medida que efetivamente torna a compra do dólar mais barata. Às 7h13, o euro caía a US$ 1,1797 (de US$ 1,1804), a libra cedia a US$ 1,3479 (de US$ 1,3491) e o dólar recuava a 156,01 ienes (de 156,09 ienes). Já o índice DXY do dólar - que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes - tinha leve baixa de 0,02%, a 97,770 pontos.


PETRÓLEO - Os contratos futuros do petróleo sobem, após terminar sem acordo a rodada de negociações nucleares entre EUA e Irã, em Genebra, ontem. A expectativa é que as conversas sejam retomadas na semana que vem. Às 7h15, o barril do petróleo WTI para abril subia 1,84% na Nymex, a US$ 66,42, enquanto o do Brent para maio avançava 1,74% na ICE, a US$ 72,08.


BOLSAS DA ÁSIA - As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta sexta-feira, apesar da queda de quase 5,5% da Nvidia em Nova York na véspera. Segundo o Deutsche Bank, a falta de detalhamento em teleconferência sobre as perspectivas de receita futura pesou sobre a ação. Em Tóquio, o Nikkei subiu 0,16%, renovando recorde, enquanto o Hang Seng, em Hong Kong, avançou 0,95%. Na China continental, o Xangai Composto ganhou 0,39% e o Shenzhen Composto, 0,30%, apoiados por sinalização pró-crescimento do governo chinês. Na contramão, o Kospi, em Seul, caiu 1% por realização de lucros após forte rali. Na Austrália, o S&P/ASX 200, de Sydney, avançou 0,25%.

Fernando Gabeira

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