sábado, 19 de abril de 2025

Leitura de sábado

 Leitura de Sábado:China não voltará a comprar soja dos EUA como antes, diz professor da Cornell

10:00 19/04/2025 


Por Gabriel Azevedo


São Paulo, 17/04/2025 - O professor de economia aplicada Wendong Zhang, da Universidade Cornell, no Estado de Nova York, avalia que, mesmo que os Estados Unidos e a China cheguem a um acordo para encerrar a disputa envolvendo a questão tarifária, os chineses dificilmente voltarão a importar soja do país nos mesmos volumes de antes. "Não acho que veremos o retorno aos números antigos, a menos que haja uma mudança política dramática", afirma ele, em entrevista ao Broadcast Agro. Nesta semana, o governo Donald Trump afirmou que as tarifas aplicadas contra produtos chineses chegaram a 245%, após sucessivas rodadas de sobretaxas. Do outro lado, a China impôs retaliações, elevando a até 84% taxas de importação sobre bens norte-americanos.


Trump justifica as medidas como forma de pressionar a China por acordos comerciais mais vantajosos. Já Pequim classificou a atitude como "erro sobre erro" e prometeu lutar "até o fim". Em meio a esse embate, o agronegócio brasileiro observa com atenção os desdobramentos. Uma reaproximação comercial entre Estados Unidos e China, como já ocorreu no primeiro acordo entre os dois países em 2020 (chamado de "Fase 1"), poderia afetar diretamente os embarques brasileiros de soja e carne - produtos que hoje lideram a pauta de exportações do Brasil para o mercado chinês.


Zhang é especialista em comércio agrícola, China e política internacional. A seguir, os principais trechos da entrevista:


Broadcast Agro - A China está formando estoques e ampliando o plantio de soja, enquanto aumenta as compras do Brasil. Como o senhor analisa essa estratégia? É uma mudança estrutural ou apenas um reflexo da guerra comercial com os EUA?


Wendong Zhang - Nos últimos anos, a China aumentou seus estoques de soja em mais de 25%, principalmente através da empresa estatal Sinograin. Isso dá ao país margem para pausar ou redirecionar compras em momentos de tensão política. Junto com os esforços para expandir a área plantada internamente, essa estratégia claramente reduziu a dependência chinesa da soja americana no curto prazo. Não é apenas uma questão de estabilizar preços, mas de garantir segurança caso as relações se deteriorem novamente. Ao mesmo tempo, vemos a forte preferência chinesa pela soja brasileira como parte de um realinhamento de longo prazo, não apenas uma reação de curto prazo. Em 2024, o Brasil forneceu mais de 70% de todas as importações chinesas de soja, número que seria considerado alto mesmo uma década atrás. Os importadores chineses preferem os grãos brasileiros não apenas pelo preço, mas pela logística mais previsível e pelas relações comerciais mais amigáveis. Com empresas estatais chinesas investindo diretamente em portos brasileiros, isso parece mais uma mudança estratégica do que um ajuste temporário.


Broadcast Agro - Quanto impacto a guerra comercial de 2018/19 causou às exportações americanas? Os agricultores dos EUA conseguirão recuperar o espaço perdido no mercado chinês?


Zhang - A guerra comercial de 2018/2019 deixou marcas duradouras. As exportações americanas de soja para a China caíram drasticamente, e, mesmo com a recuperação parcial dos volumes, o dano à reputação não foi totalmente reparado. Em 2024, a participação dos EUA nas importações chinesas de soja permaneceu em torno de 26%, bem abaixo dos níveis anteriores à guerra comercial. Um estudo do Centro de Pesquisa Agrícola mostrou que, embora os agricultores americanos tenham recebido dinheiro do governo como compensação, as relações comerciais foram enfraquecidas e a confiança foi perdida. Isso é muito mais difícil de restaurar com um cheque. Nossas projeções indicam que a participação dos EUA nas importações chinesas ficará entre 28% e 32% em 2025/26, dependendo da evolução das tarifas e do clima. Isso está bem abaixo dos níveis de 40-45% antes de 2018. Mesmo com safras americanas mais fortes, não acredito que veremos o retorno aos números antigos, a menos que haja uma mudança política dramática ou um problema grave na oferta de outros países. O mundo mudou - e a forma como a China compra também.


Broadcast Agro - O Brasil conseguirá manter sua posição de liderança, apesar dos problemas de infraestrutura? E como secas ou enchentes extremas podem afetar esse cenário?


Zhang - O Brasil fez progressos reais, não há como negar. A expansão do Arco Norte (sistema de portos nas regiões Norte e Nordeste) e os investimentos em ferrovias ajudaram a aliviar os congestionamentos. Mas gargalos sazonais e custos de frete interno ainda são barreiras. Meus modelos sugerem que o Brasil poderia atingir cerca de 100 milhões de toneladas de soja em exportações até 2026, se tudo correr bem. Mas isso pressupõe investimento contínuo e logística mais eficiente da colheita ao porto. Então sim, a infraestrutura é uma limitação - mas uma que está melhorando com o tempo. Os impactos climáticos são extremamente importantes nessa equação. Vimos isso durante a seca argentina de 2023/24 - a China rapidamente redirecionou compras para o Brasil e, em menor medida, para os EUA. Se Mato Grosso enfrentasse uma seca severa ou inundações, eu estimaria um redirecionamento de 5 a 8 milhões de toneladas de demanda. Os choques climáticos são o fator imprevisível nesse sistema, e eles forçam a China a manter planos B - e fornecedores - alternativos.


Broadcast Agro - Muitos analistas falam em "desglobalização". O senhor concorda? Como essa tendência afeta o comércio agrícola global?


Zhang - Eu chamaria de desglobalização seletiva ou estratégica. Os países ainda comercializam, mas estão mais cautelosos agora. Após a pandemia, a guerra na Ucrânia e as tarifas EUA-China, as nações importadoras de alimentos estão repensando os riscos. O comportamento de compra da China - construindo estoques, diversificando fornecedores, investindo em logística - mostra uma clara mudança do comércio baseado na busca pelo menor preço para um comércio baseado em segurança. É um padrão que espero que continue. Essa nova lógica mudou fundamentalmente os fluxos globais. Em 2024, a China importou quase 9 milhões de toneladas da Argentina, Uruguai e Rússia - países que vendiam muito menos há uma década. E não são apenas as importações - a China também está investindo em alternativas proteicas e aumentando a produção doméstica de soja. O resultado é um sistema mais flexível e menos dependente dos EUA.


Mesmo que as tarifas desapareçam, não espero que a China retorne aos padrões de compra anteriores a 2017 tão cedo. Nossas simulações mostram que a guerra tarifária custou cerca de 2,5% do PIB aos EUA e ainda mais à China. As exportações agrícolas americanas caíram mais de US$ 25 bilhões entre 2018 e 2020. Os estados do Meio-Oeste americano, onde se concentra a produção de soja, foram os mais afetados, mesmo com os pagamentos do governo. As tarifas chamaram atenção para os desequilíbrios comerciais? Sim. Mas trouxeram mudança estrutural na China? Não, longe disso. No final, os agricultores americanos pagaram um preço alto por uma mensagem política.

Para entender a conjuntura



O livro “Para entender a conjuntura econômica”, de Carmem Aparecida Feijó, Elvio Valente, Fernando Carlos G. de Cerqueira Lima, Márcio Silva Araujo e Paulo Gonzaga Mibielli de Carvalho, é uma obra voltada para quem deseja compreender o comportamento da economia no curto prazo — a chamada conjuntura econômica.


Resenha

Esta obra busca tornar acessível a análise dos principais indicadores econômicos, como inflação, PIB, taxa de juros, taxa de câmbio, saldo comercial, dívida pública, entre outros. Com uma linguagem clara e didática, os autores explicam como esses indicadores interagem entre si e quais são os impactos de políticas econômicas (monetária, fiscal e cambial) sobre o desempenho de uma economia.

O diferencial do livro está em sua abordagem prática e contextualizada: ele conecta conceitos teóricos da macroeconomia com os acontecimentos da economia brasileira, facilitando a compreensão da dinâmica econômica do país. Isso torna a leitura especialmente útil para estudantes de economia, administração e contabilidade, bem como para profissionais e interessados em acompanhar e interpretar a evolução econômica.

Além disso, a obra é publicada pelas editoras Minha Editora e Manole, conhecidas por materiais didáticos de qualidade, o que reforça o caráter educativo do livro.

Pontos fortes:
• Linguagem acessível, sem abrir mão do rigor técnico.
• Aplicação prática dos conceitos à realidade brasileira.
• Útil tanto para iniciantes quanto para quem deseja aprofundar o entendimento da conjuntura.

Se quiser, posso preparar um resumo por capítulo ou destacar os principais conceitos abordados no livro. Deseja isso?


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Mercado chinês

 OPINIÃO: O mercado chinês como alternativa para a diversificação de portfólios


Integração entre Brasil e China cria oportunidades de acesso a ativos em meio ao avanço da IA



O início do segundo mandato do governo de Donald Trump ilustra como estamos vivendo em um mundo de grande incerteza econômica e geopolítica. Tensões comerciais, avanços tecnológicos disruptivos e mudanças nas cadeias produtivas globais reforçam a necessidade de diversificação nos investimentos, à medida que países e empresas buscam novas formas de crescimento e resiliência.


Nesse contexto, um novo estudo publicado pela Itaú Asset Management, em parceria com a gestora chinesa E Fund, analisa como Brasil e China podem desempenhar um papel estratégico na diversificação de portfólios globais. Este white paper (relatório), intitulado “China-Brazil Economic Cooperation – A new era of Growth and Opportunity”, vai além das manchetes habituais, explorando como as duas maiores economias emergentes do mundo não apenas colaboram, mas transformam mercados globais, criando oportunidades de investimento e crescimento econômico.


Brasil x China: um relacionamento promissor


Brasil e China, frequentemente vistas como opostas em sua estrutura econômica, na verdade se complementam de maneira única. O Brasil se destaca como o maior exportador de produtos agrícolas e minerais, mas é um equívoco pensar que esse protagonismo se deve apenas à abundância de recursos naturais. A força do Brasil nesses setores é resultado de décadas de investimento em pesquisa e desenvolvimento, que possibilitaram avanços fundamentais na produtividade e na sustentabilidade.


O país é o único do mundo capaz de colher três safras ao ano, uma conquista viabilizada por tecnologias agrícolas avançadas e práticas inovadoras de manejo do solo. Além disso, o Brasil transformou o Cerrado, antes considerado inadequado para a agricultura, em uma das regiões mais produtivas do planeta.


No setor mineral, o país também se destaca por inovações como a pelotização de baixo carbono, um processo que reduz as emissões de CO₂ na produção de pelotas de minério de ferro, tornando a cadeia do aço mais sustentável. Outra iniciativa importante é o avanço no uso de rejeitos sólidos, que permite um descarte mais seguro e ecologicamente responsável dos resíduos da mineração.


Já a China, além de sua força na manufatura e infraestrutura, avança rapidamente em Inteligência Artificial (IA), semicondutores e tecnologia digital. Um exemplo recente dessa evolução no setor de software é a DeepSeek, empresa que lançou um modelo de inteligência artificial competitivo em escala global. O caso ilustra como a China tem expandido sua presença tecnológica não apenas em áreas como veículos elétricos e baterias, mas também em outros segmentos de alto valor agregado no setor digital.


Essa complementaridade econômica tem sido acompanhada por um avanço na integração financeira entre os dois países. Desde 2013, quando Brasil e China assinaram um acordo de swap cambial (troca de taxas com o objetivo de proteger o investidor contra variações excessivas) no valor de R$ 60 bilhões para proteger transações comerciais da volatilidade do dólar, as relações financeiras se fortaleceram.


Em 2023, o Acordo de Compensação do Renminbi (RMB) foi um novo passo nessa direção, permitindo que transações comerciais sejam liquidadas diretamente entre real e yuan, sem necessidade de conversão para o dólar, reduzindo custos e facilitando operações em larga escala. Esse ambiente mais integrado abre espaço para novos instrumentos financeiros que permitam aos investidores brasileiros uma exposição mais eficiente ao mercado chinês.


Diversificação de portfólio


Meu colega Ahmad Mourad, analista quantitativo da Itaú Asset, exemplifica os benefícios dessa maior integração financeira e diversificação internacional através de um exercício intuitivo. Mourad construiu um portfólio risk parity utilizando o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, e o CSI 300, que reúne as 300 maiores empresas das bolsas chinesas.


De forma simples, um portfólio risk parity aloca mais capital nos ativos menos voláteis e menos capital nos ativos mais arriscados, garantindo que cada um contribua de forma semelhante para o risco total do portfólio — daí o nome “paridade de risco”. No estudo, a alocação foi ajustada anualmente com base na volatilidade observada no ano anterior.


Os resultados mostram que, enquanto o Ibovespa sozinho apresentou um retorno médio anual de 8% e uma volatilidade de 25%, o portfólio combinado com o CSI 300 em reais apresentou um retorno de 11% e uma volatilidade reduzida para 17%. O índice de Sharpe, que mede a relação entre retorno e risco, passou de 0,32 no caso do Ibovespa sozinho para 0,65 no portfólio combinado com o CSI 300 em reais.


Além disso, para responder à pergunta se os ganhos de diversificação advêm apenas da conversão cambial, Ahmad realizou um exercício fictício comparando o portfólio com o CSI 300 em reais com outro que utilizasse o índice diretamente em moeda chinesa (CNY). Mesmo sem considerar o impacto do câmbio, os resultados evidenciaram ganhos de diversificação significativos, com o índice de Sharpe alcançando 0,6, demonstrando que a baixa correlação estrutural entre os mercados é o principal fator por trás da eficiência do portfólio.


O white paper da Itaú Asset Management, em parceria com a E Fund, destaca como Brasil e China podem desempenhar um papel complementar não apenas no comércio global, mas também na construção de portfólios mais eficientes e resilientes.


À medida que a integração financeira entre Brasil e China avança, novas oportunidades surgem para facilitar o acesso a ativos chineses por investidores brasileiros e vice-versa. Seja por meio de instrumentos financeiros inovadores ou da ampliação do comércio e dos investimentos bilaterais, essa relação estratégica pode ajudar a enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais incerto e dinâmico.


https://einvestidor.estadao.com.br/colunas/artigos-especialistas/mercado-chines-alternativa-para-diversificacao-de-portfolios//?utm_source=instagram&utm_medium=organic&utm_campaign=china-brasil&utm_content=materia

Casos de recuperação judicial

 Coluna do Broadcast: Com St. Marche, casos de recuperação extrajudicial somam R$ 3,3 bi em 2025


Por Cynthia Decloedt e Circe Bonatelli


São Paulo, 18/04/2025 - O volume dívidas sendo renegociadas por meio da recuperação extrajudicial subiu para R$ 3,3 bilhões este ano com a chegada à Justiça de um pedido da rede de supermercados St Marche. Isso representa um crescimento de mais de 800% em relação ao volume do primeiro trimestre de 2024, de acordo com o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre). O Obre nota ainda que a dívida de R$ 528 milhões do St Marche é a segunda maior sendo reestruturada nesta modalidade em 2025, ficando atrás apenas do caso da Araguaia Níquel Metais (R$ 2,3 bilhões). No ano passado, os pedidos de recuperação extrajudicial tiveram um recorde histórico no País. Ao todo, foram 59 novos pedidos, totalizando R$ 39 bilhões em dívidas renegociadas, um aumento de 387,5% em relação a 2023.


Lei foi flexibilizada em 2020


O crescimento nos processos de recuperação extrajudicial reflete flexibilidades realizadas na Lei de Recuperação Judicial e Falências, durante reforma feita em 2020, abrindo espaço para conversas diretas entre devedores e seus credores. Outros exemplos de empresas que optaram pelo instrumento são a Casas Bahia e a Sequoia, de logística.


Instrumento chama menos atenção do mercado 


Uma das principais diferenças é a exigência de um número menor de credores aderentes ao plano de reestruturação tanto na abertura do processo junto ao judiciário, quanto para a sua homologação. O instrumento também é bem recebido por retirar o estigma de uma recuperação judicial e diminuir os holofotes das renegociações das dívidas.


NICHO. O empresário do mercado imobiliário Alexandre Frankel, que está à frente da Vitacon e da Housi, vai lançar sua própria linha de moradias para idosos em São Paulo. O primeiro prédio irá a mercado no segundo semestre, em Higienópolis, com 300 apartamentos de 30 a 60 metros quadrados, e valor geral de vendas estimado em R$ 400 milhões. Outros dois projetos estão em desenvolvimento para o ano que vem nos bairros de Perdizes e Jardins.


EXPERIMENTAÇÃO. O mercado imobiliário brasileiro ainda não tem um conceito amplamente estabelecido de habitação para idosos. Mas, com o envelhecimento da população e a perspectiva de uma demanda crescente por moradias adaptadas, algumas empresas vêm se mexendo para criar produtos que atendam as necessidades dos idosos. Ainda são poucos projetos na área, e o tom é de experimentação.


SAÚDE. Neste caso, o projeto foi concebido para que cada prédio tenha uma equipe de enfermagem para atendimentos emergenciais e/ou resgates. Já os serviços de saúde recorrentes de cada morador poderão ser contratados à parte. O projeto para idosos incluirá ainda uma sala para consultas via telemedicina, equipada com aparelho para se medir a pressão arterial e a oxigenação Do sangue, por exemplo.


ATIVIDADES. As áreas comuns terão salas apropriadas para atividades como hidromassagem, fisioterapia e atividades físicas de baixo impacto, como ioga. Outros itens típicos de condomínios também estarão ali, como academia, salão de jogos e áreas verdes.


TENDÊNCIA. "Há muito tempo estamos estudando entrar no senior living. Esse é um setor que tomou proporções enormes", afirma Frankel, em entrevista à Coluna. "Em alguns anos, o Brasil vai ter mais 30 milhões de idosos, mas não dá mais para continuar nas soluções caseiras", diz, citando casos em que os idosos são cuidados por filhos ou acabam indo parar em asilos e casas de repouso.


ESTRUTURA. Neste modelo de negócios, a Housi é a startup responsável pela concepção e gestão do projeto, enquanto a Vitacon faz a incorporação imobiliária e as vendas. Os primeiros dois projetos serão skin in the game, ou "arriscando a própria pele", para Frankel, que é o acionista controlador de ambas as empresas. Mas o plano é comercializar esse projeto para outras incorporadoras.


HISTÓRICO. A Housi surgiu em 2012 a partir de um desdobramento de ativos da Vitacon, fundada em 2009. A Vitacon ficou famosa em São Paulo pelos apartamentos com área inferior a 20 m². A proposta era lançar imóveis mais acessíveis a moradores e investidores. Já a Housi virou uma plataforma online reunindo imóveis residenciais próprios (da Vitacon) e de terceiros para locação, com acréscimo de serviços condominiais pay per use.


AMEAÇA VIRTUAL. O sequestro de dados, conhecido como ataques de ransomware, mais que dobraram no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período no ano passado, somando 2.062 incidentes, de acordo com um levantamento da ISH Tecnologia, companhia nacional de cibersegurança. Durante um ataque de ransomware, dados sigilosos da empresa atingida são roubados por criminosos e têm seu acesso bloqueado, só liberado mediante pagamentos que podem ser milionários.


Contato: colunadobroadcast@estadao.com


Broadcast+

Trump x Powell

 Ameaças de Trump a Powell põem em xeque independência do Fed e preocupam analistas

21:26 18/04/2025 


Washington, 18/4/2025 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem intensificado seus ataques ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Ao mesmo tempo, a Suprema Corte está analisando um caso que pode facilitar a demissão de Powell por Trump.


Isso ocorre diante da turbulência na economia real e nos mercados financeiros, provocada pelas tarifas sobre importações impostas por Trump. A maioria dos economistas e investidores de Wall Street teme que um ataque à longa independência do Fed em relação à política possa desestabilizar ainda mais os ativos e aumentar a incerteza que envolve a atividade.


Em declarações feitas na Casa Branca na quinta-feira, 17, Trump sugeriu que tem o poder de tirar Powell e o criticou por não cortar agressivamente as taxas de juros. "Se eu quiser tirá-lo, ele sairá bem rápido, acredite em mim", disse Trump. "Não estou satisfeito com ele." Nesta sexta-feira, 18, o conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou que Trump "e sua equipe continuarão a estudar o assunto", referindo-se a uma forma de tirar Powell do cargo.


Os economistas há muito tempo preferem bancos centrais independentes, porque eles podem tomar medidas impopulares com mais facilidade para combater a inflação, como aumentar as taxas de juros.


A importância de um Fed independente ficou evidente após o prolongado surto inflacionário das décadas de 1970 e início de 1980. O ex-presidente do Fed Arthur Burns é amplamente responsabilizado por permitir que a inflação daquela época se acelerasse, ao ceder à pressão do então presidente Richard Nixon para manter as taxas baixas antes da eleição de 1972. Nixon temia que juros altos lhe custassem a eleição, que venceu por ampla margem.


Paul Volcker foi nomeado presidente do Fed em 1979 pelo presidente Jimmy Carter, e elevou a taxa de juros de curto prazo do Fed ao patamar de quase 20% (atualmente, está em 4,3%). As taxas altíssimas desencadearam uma recessão aguda, elevaram o desemprego a quase 11% e provocaram protestos generalizados.


Ainda assim, Volcker não recuou. Em meados dos anos 1980, a inflação havia voltado a níveis baixos. A disposição de Volcker de impor sofrimento à economia para conter a inflação é vista hoje pela maioria dos economistas como um exemplo-chave do valor de um Fed independente.


Reação


Uma tentativa de demitir Powell quase certamente faria os preços das ações caírem e os rendimentos dos títulos dispararem, elevando as taxas de juros sobre a dívida do governo e os custos de empréstimos para hipotecas, financiamentos de automóveis e cartões de crédito.


Os investidores preferem um Fed independente, em parte porque ele controla melhor a inflação sem influência política, mas também porque suas decisões são mais previsíveis. Se o Fed fosse mais influenciado pela política, os mercados teriam mais dificuldade em antecipar - ou entender - suas decisões.


Presidentes do Fed como Powell são indicados pelo presidente para mandatos de quatro anos e precisam ser confirmados pelo Senado. O presidente dos EUA também nomeia os outros seis membros do conselho do Fed, que podem cumprir mandatos escalonados de até 14 anos.


Essas nomeações permitem que um presidente do país, ao longo do tempo, altere significativamente as políticas do Fed. O ex-presidente Joe Biden nomeou cinco dos atuais sete membros: Powell, Lisa Cook, Philip Jefferson, Adriana Kugler e Michael Barr. Assim, Trump terá menos oportunidades para nomeações. Ele poderá substituir Kugler, que ocupa um mandato que termina em 31 de janeiro de 2026.


O Congresso, por sua vez, pode definir os objetivos do Fed por meio de legislação. Em 1977, por exemplo, o Parlamento deu ao Fed um "duplo mandato": manter os preços estáveis e buscar o máximo emprego. A lei também exige que o presidente do Fed preste depoimento duas vezes por ano, tanto na Câmara quanto no Senado, sobre a economia e a política de juros.


Powell diz que a lei não permite que um presidente do país demita um presidente da instituição exceto por justa causa. Há certa complicação nisso, pois Powell foi nomeado separadamente como membro do conselho de governadores do Fed e, depois, elevado ao cargo de presidente - por Trump, em 2017.


A maioria dos especialistas jurídicos concorda que Trump não pode demitir Powell do conselho de governadores do Fed, mas há menos consenso sobre se o presidente pode removê-lo da presidência.


Caso Trump tente mesmo demitir Powell, a disputa certamente acabaria na Suprema Corte. Na semana passada, a instituição permitiu que as demissões da gestão Trump permanecessem válidas enquanto analisa o caso. E pode decidir que o presidente, como chefe do Poder Executivo, pode demitir dirigentes de qualquer agência federal, mesmo que o Congresso tenha pretendido que ela fosse independente. / Associated Press

quinta-feira, 17 de abril de 2025

De um amigo da rede...

 De um amigo da rede...


"Há alguns anos alguns "inteligentes" dos EUA anunciaram que o país atingira o grau de economia "pós-industrial". Seria assim um polo desenvolvimento tecnológico de ponta, a viver não mais de produtos industrializados mas de royalties, pagos por consumidores de todo o mundo. Assim, os EUA repassariam a outros países em desenvolvimento as suas indústrias e investiria apenas em inovações tecnológicas nas áreas de TI, informática e diversas outras pesquisas de ponta. Daí a origem do Vale do Silício, na Califórnia.

Durante décadas este modelo funcionou. Creio que até agora, quando surge, de fato e direito, uma potência emergente como a China, a segunda economia do mundo. 

Os EUA que, após a II Guerra Mundial, contava com cerca de 400 estaleiros navais, atualmente tem apenas 30. Um único estaleiro chinês atualmente produz mais navios que estes 30 estaleiros remanescentes dos americanos. A Coreia do Sul já ofereceu exportar 30 'destroyers' à Marinha norte-americana, nestes tempos bicudos, em que a Europa se prepara para a II Guerra Mundial.

A indústria automobilística americana mingou. Até os anos 60 Detroit abastecia o mundo com os seus carros.  Hoje, veículos  japoneses e coreanos, além dos italianos e alemães, ganharam a preferência dos consumidores americanos e do mundo inteiro. Trump almeja reverter este quadro, com a retomada de um parque industrial, como existia na II Guerra. 

A fase pós-industrial dos EUA, entretanto, não deu errado. Os mais recentes dados da economia norte-americana destacam que a California, se fosse um país, atualmente seria o quarto mais rico do mundo. Os cidadãos do estado mais pobre dos EUA, o Mississipi, têm hoje uma renda per capita maior que a dos franceses.

Mas o fato é que deu errado a desindustrialização do país, hoje dependente da produção de chips de Taiwan, ilha cercada pelos chineses, que a tratam como reles província desobediente e ameaçam invadi-la. 

Muitos países, como o Japão e os EUA, querem atrair indústrias produtoras de chips. Um único veículo moderno pode usar mais de mil destes componentes na parte elétrica. A demanda cresce exponencialmente e, no futuro, com a expansão da internet, veículos elétricos, processamento de dados, na aeronáutica, na corrida espacial e na medicina, o mundo está cada dia mais ávido por computadores mais poderosos, e este setor não conseguirá atender a demanda. Já há  aumento do mercado de veículos usados nos EUA e em outros países.

Este quadro explica, em parte, a reviravolta da economia mundial causada por Trump. A dependência do país por itens importados, com tributos cada vez mais altos, causou esta reviravolta. Era agora ou nunca mais!

O Brasil? Ora, continuaremos a exportar matérias-primas, grãos e outras commodities. O parque industrial local míngua a cada dia, e a população prefere viver de repasses oficiais. Há estados com mais habitantes vivendo de bolsa familia que trabalhando com carteira assinada."

BDM Matinal Riscala 1704

 *Rosa Riscala: Feriado prolongado pede cautela*


… Na véspera do feriado da Páscoa, nesta Sexta-Feira Santa, os mercados domésticos devem redobrar a cautela, porque vão permanecer fechados na 2ªF para o 21 de abril, enquanto NY e as praças europeias voltam a funcionar. E você sabe que as coisas lá fora continuam muito feias, sem sinais de acomodação da guerra tarifária entre EUA e China. Hoje, o destaque da agenda é para a reunião do BCE (9h15), que pode voltar a reduzir o juro da zona do euro em 25pbs, para 2,25%, embora parte dos analistas não descarte uma surpresa, diante das elevadas incertezas do cenário econômico global. Powell, por exemplo, disse ontem que vai o Fed vai esperar, e Wall Street surtou.


… Frustrando as esperanças de que agiria rapidamente para acalmar os investidores, Powell afirmou que existem muitas dúvidas sobre o impacto das tensões comerciais no emprego e na inflação, e o que o Fed quer ter mais clareza antes de tomar uma decisão.


… Foi a deixa para que as ações – que já vinham em baixa com a última de Trump de restringir a Nvidia de vender para a China – entrassem em liquidação, enquanto uma nova corrida para os Treasuries, ouro e o franco suíço marcava a volatilidade (abaixo).


… Nas agências internacionais, os executivos de NY manifestavam a decepção, dizendo coisas como “Powell simplesmente jogou as ações debaixo do ônibus” (Adam Philips, EP Wealth Advisors) ou “Deixou os investidores desamparados” (Michael Bailey, FBB Capital).


… Um título da Bloomberg resumia o sentimento: “Powell está dizendo ao mercado de ações que está por conta própria”.


… Falando no Clube Econômico de Chicago, Powell enfatizou que o Fed deve garantir que as tarifas não desencadeiem um aumento mais persistente na inflação, ao mesmo tempo em que admitiu que espera volatilidade contínua nos mercados financeiros.


… Muita gente acreditava que o Fed priorizaria o lado trabalhista do mandato se fosse forçado a escolher, mas, nesta 4ªF, Powell sugeriu que a estabilidade dos preços – ou a inflação sob controle – é necessária para manter um mercado de trabalho saudável.


… Na semana passada, Susan Collins (Fed/Boston) alimentou as apostas dizendo que o Fed está “absolutamente preparado” para ajudar a estabilizar os mercados financeiros, se necessário. Mas para Powell ficou claro que esse momento ainda não é agora.


… Também pesou sobre os ativos de risco a Organização Mundial do Comércio (OMC) ter reduzido a sua previsão para o ano, afirmando que o comércio cairia 0,2% em 2025, quase três pontos percentuais a menos do que teria sido sem as novas tarifas.


AS CONDIÇÕES DA CHINA – O desempenho negativo dos Parte inferior do formulário


fabricantes de chips e os comentários de Powell não deram chance à disposição da China de negociar com os Estados Unidos, embora o governo de Pequim tenha estabelecido algumas condições, como o “respeito”.


… Pequim deixou claro que não aceita comentários “depreciativos”, como o que fez o vice-presidente JD Vance, na semana passada, ao se referir chineses como “camponeses”, provocando uma rara repreensão do Ministério das Relações Exteriores da China.


… Outras condições incluiriam a questão de Taiwan, a indicação de uma pessoa responsável pelas negociações pela Casa Branca, além de um compromisso de Washington de que não implementará políticas para suprimir a modernização do país.


… Nos últimos anos, os EUA reforçaram os controles de exportação para a China, em um esforço para impedir que Pequim obtenha chips de ponta e outras tecnologias avançadas. A resposta de Trump foi restringir a venda do chip H20 da Nvidia aos chineses.


… “Há um pouco mais de clareza sobre o que a China busca. Portanto, agora a bola está nas mãos dos EUA para decidir se eles conseguirão atender a essas demandas”, disse Michelle Lam, economista da Grande China no Société Générale.


… Trump impôs tarifas de 145% à China sobre os produtos chineses, dando a XI um amplo apoio público para a retaliação e um incentivo político para rejeitar as repetidas exigências de Trump por um telefonema do líder chinês.


TARIFA DE 245% – O governo Trump confirmou nesta 4ªF que a tarifa básica sobre as importações chinesas para os EUA permanece em 145%, depois que um folheto da Casa Branca causou confusão ao informar que a China enfrenta uma tarifa de até 245%.


… Tal valor leva em conta impostos pré-existentes sobre certos produtos chineses, como veículos elétricos, que já eram taxados em 100% antes do segundo mandato de Trump e que foram adicionados à tarifa de 145%.


CORRIDA ÀS COMPRAS – As vendas no varejo dos EUA aumentaram substancialmente em março, sobretudo de carros e bens eletrônicos, com os consumidores se antecipando às tarifas e aos aumentos de preços esperados. O crescimento de 1,4% foi o maior em dois anos.


… As compras de automóveis lideraram o avanço, com um aumento de 5,3%, à medida que os compradores buscavam contornar as tarifas de 25%. Materiais de construção e artigos esportivos, frequentemente importados da China, também venderam muito.


… As vendas da Honda subiram 13%; da Ford, 19%; e a Hyundai registrou seu segundo melhor mês de todos os tempos em março.


… Um relatório da empresa de pesquisa Anderson Economic Group estimou que as tarifas poderiam adicionar pelo menos US$ 2.500 em custos por veículo na faixa mais baixa do mercado, chegando a até US$ 20.000 para importações de luxo.


MAIS UMA – Grandes ações chinesas, como Alibaba e Baidu, que despencaram com a guerra comercial entre os EUA e a China, podem ser retiradas das bolsas americanas pelo presidente Trump. “Tudo está na mesa”, disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent.


… As companhias negociam ADRs e o Goldman Sachs descreve a exclusão como “um cenário extremo”, afirmando que os investidores dos Estados Unidos teriam que liquidar cerca de US$ 800 bilhões em papéis de empresas chinesas se Trump levar a ideia adiante.


… Outras empresas chinesas são amplamente negociadas em NY: a dona da Temu (PDD Holdings), a NetEase, a Li Auto e a Yum China.


… Na noite de ontem, Intel caiu 0,62% no after hours, após o FT revelar que fabricante de chips informou clientes chineses que também precisará de uma licença para vender alguns de seus processadores de IA.


… De seu lado, a Alcoa informou que sofreu impactos de US$ 20 mi no 1Tri em custos relativos às tarifas de Trump às importações de alumínio do Canadá e que os efeitos negativos devem subir para US$ 90 mi no 2Tri.


… O papel caiu 0,68% no pregão noturno, apesar de a empresa ter revertido prejuízo e registrado lucro líquido trimestral de US$ 548 milhões, enquanto a receita cresceu 29,6% no período, para US$ 3,37 bilhões.


TARIFA SOCIAL – O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou nesta 4ªF a proposta de reforma do setor elétrico, que inclui a nova tarifa social para garantir gratuidade do consumo de energia até 80 kWh/mês.


… Atualmente, o programa oferece desconto de até 65% para famílias de baixa renda com faixa de consumo de 30 a 221 kWh/mês. Esse percentual cai para 40% no consumo de 31 a 100 kWh/mês, e para 10% no consumo de 101 a 220 kWh/mês.


… Com as mudanças, o MME estima que 17 milhões de famílias serão beneficiadas, sendo que 4,5 milhões terão a conta de luz “zerada”.


… Silveira explicou, em entrevista aos jornalistas no final da tarde, que o setor arcará com o custo adicional de R$ 3,6 bilhões/ano, que recairá sobre os demais consumidores com aumento médio de 0,9% na tarifa.


… O ministro admitiu que, se as mudanças ocorressem hoje, o impacto médio na conta de luz seria de um aumento de 1,4%, “que tende a ser diluído no longo prazo”.


… Silveira defende que a proposta siga para o Congresso na forma de medida provisória (MP), com aplicação imediata.


… Na entrevista, ele minimizou o ruído com Haddad sobre a mudança no Tarifa Social, na semana passada, atribuindo o episódio a uma “falha de comunicação”. Segundo ele, a Fazenda entendeu que a conta seria paga pelo Fundo Social, com recursos do pré-sal.


… Silveira informou, ainda, que a reforma do setor elétrico prevê o acesso de todos os consumidores ao mercado livre de energia a partir de 2028, garantido hoje apenas aos consumidores de grande porte, por meio da “portabilidade da conta de luz”.


… Questionado sobre a redução do preço dos combustíveis, ele reafirmou que vê “ambiente favorável” com a queda do petróleo.


ISENÇÃO DO IR – Em entrevista à TV Brasil, na tarde desta 4ªF, Fernando Haddad disse que a proposta sobre a reforma do Imposto de Renda deve começar a ser debatida no Congresso depois do feriado prolongado do fim de semana.


… O ministro afirmou estar confiança na aprovação do projeto ainda este ano (para entrar em vigor em 2026), mas disse que a equipe econômica está aberta da sugestões. “Se der pra melhorar, nós vamos melhorar”, mas criticou a proposta elaborada pelo PP.


… “O projeto do PP de reduzir quase a zero a tributação dos super ricos é uma coisa que, na minha opinião, não deveria prosperar. Não dá para reduzir alíquota de quem não paga imposto. Vamos tentar sensibilizar o Congresso a colocar a alíquota mínima.”


… Sobre o empréstimo consignado com garantia do FGTS, Haddad disse que o governo estuda alternativas para quem não é CLT, mas já citou um projeto pronto para ser votado no Senado que beneficia trabalhadores informais e empreendedores.


… “É uma lei que vai abrir um novo campo de oportunidades para quem é informal e já foi aprovada na Câmara no ano passado.”


… O ministro também falou sobre o Orçamento/2026, avaliado como pouco realista no mercado, afirmando que o governo está tomando providências para acertar o projeto apresentado nesta semana à medida “em que cada etapa for cumprida”.


… Ele disse, porém, que a Fazenda ainda não discute a possibilidade de faltarem R$ 10,9 bilhões para os níveis mínimos de gastos com saúde e educação. Essa perspectiva consta das projeções iniciais do governo para 2027 no PLDO de 2026, segundo O Globo.


AGENDA – Único indicador previsto no Brasil é a prévia da inflação paulistana medida pelo IPC-Fipe, às 5h.


… No Planalto, Lula anuncia (9h) o lançamento do “Sinpatinhas”, programa voltado para pets, que terá um registro gratuito para gerar um RG Animal único e intransferível para gatos e cães, e que pode ser usado em caso de desaparecimento do animal.


… Segundo o Valor, a proposta não agradou parte da cúpula do governo, por contrastar com o momento adverso do governo petista, que enfrenta a ofensiva da oposição pressionando o presidente da Câmara, Hugo Motta, para pautar a votação da anistia.


LÁ FORA – Nos EUA, Barr/Fed fala às 12h45. Entre os dados, saem as construções de moradias/março (9h30), auxílio-desemprego (9h30), atividade do Fed/Filadélfia (9h30) e dados de petróleo da Baker Hughes (14h).


… O BC da Turquia divulga decisão de política monetária às 8h.


NO LOOPING DA LOUCURA – Como nada está tão ruim que não possa piorar, NY entrou em choque ontem, quando Powell sinalizou que o Fed ainda não deve mexer nos juros agora, apesar da urgência do momento.


… Poucos dias antes, como todo mundo se lembra, os discursos dovish de Christopher Waller e Susan Collins, de suporte a um relaxamento monetário, haviam despertado a esperança de uma operação-salvamento.


… Nesta 4ªF, antes mesmo dos comentários de Powell, os nervos em Wall St já vinham abalados pela notícia de que os EUA exigirão licença por tempo indeterminado para a exportação de chips da Nvidia e AMD à China.


… A ordem veio um dia depois de Pequim proibir a entrega de jatos da Boeing a companhias áreas chinesas, o que indica que Trump não pensou duas vezes em dar o troco, na escalada rápida da crise de muitos capítulos.


… Ninguém dá o braço a torcer e a guerra sem limites ganha proporções bastante dramáticas.


… Diante da crise que vai cobrar caro, as fabricantes de semicondutores deram um mergulho generalizado nas bolsas em NY: Nvidia afundou 6,8%, AMD levou um tombo de 7,3% e Broadcom e Micron Technology, -2,4%.


… Tesla despencou 4,9%, em meio ao fracasso de vendas de carros elétricos novos registrados na Califórnia. Os investidores também bateram forte ontem nos papéis da Meta (-3,68%), Microsoft (-3,66%) e Apple (-3,89%).


… A espiral pessimista das big techs e o nível de alerta de Powell impuseram quedas expressivas aos índices de ações: Dow Jones, -1,73% a 39.669,39 pontos; S&P 500, -2,24% (5.275,74 pontos); e Nasdaq, -3,07% (16.307,16).


… Foi dia de fugir do risco e correr para a segurança, elevando o apelo por ativos defensivos como o ouro, que rompeu o recorde histórico, ultrapassou US$ 3.340 a onça-troy e fechou cotado a US$ 3.346, salto de 3,27%.


… O investidor também buscou proteção no franco suíço, que subiu 1,23%, a 1,23/US$. O dólar continuou perdendo prestígio com a guerra tarifária e levou o índice DXY (-0,83%) a furar a linha dos 100 pontos (99,393).


… Apesar do consenso de que o BCE baixará o juro, o euro subiu de forma expressiva (+0,90%), a US$ 1,1382.


… Por aqui, o dólar não fugiu à regra global e se enfraqueceu: -0,44%, a R$ 5,864. Indicadores que evidenciaram o ritmo forte de crescimento da China ajudaram a dar fôlego extra às moedas de produtores de commodities.


… No movimento de “flight to quality” desencadeado por Powell e pelas restrições de Trump às exportações de chips, o investidor comprou Treasuries, derrubando a taxa da Note de dez anos de 4,339% para 4,282%.


… Até onde deu, a curva do DI acompanhou a queda do dólar e das taxas dos títulos do Tesouro dos EUA, mas fechou de lado, contaminada pelos ruídos fiscais de que a arrecadação no Orçamento/26 esteja superestimada.


… No fechamento, o DI para Janeiro/26 estava em 14,740% (contra 14,725% no fechamento anterior); Jan/27, a 14,235% (14,225%); Jan/29, a 14,125% (14,110%); Jan/31, a 14,380% (14,380%); e Jan/33, a 14,440% (14,460%).


… A percepção de que a tendência de queda das commodities com Trump possa proporcionar um canal desinflacionário levou o Itaú a revisar ontem em baixa a estimativa para o IPCA do ano, de 5,7% para 5,5%.


… A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse nesta 4ªF que quer evitar trazer a guerra comercial (“uma confusão que não é nossa”) para a discussão sobre os preços dos combustíveis no mercado interno.


… Um dia antes, ela lembrou que o último ajuste do diesel foi em 1º de abril e já era hora de olhar de novo. Petrobras operou ontem na contramão da força do petróleo: ON, -0,87% (R$ 33,07); e PN, estável (R$ 31,00).


… O disparo de 1,82% do Brent para junho, a US$ 65,85, teve como gatilho as sanções impostas pelos EUA contra as importadoras chinesas que compram petróleo iraniano, em mais um obstáculo a ser precificado.


… Se comparado ao grau de nervosismo em NY ontem, dá para dizer que a queda do Ibov foi moderada: -0,72%, aos 128.316,89 pontos, com giro de R$ 25,1 bilhões. A maior vilã do dia foi a Vale (-2,32%), cotada a R$ 52,56.


… O mercado reagiu com decepção à produção de minério de ferro nas prévias operacionais do 1Tri.


… Entre os bancos, Santander (+0,71%, a R$ 27,12) e Bradesco ON (+0,26%, a R$ 11,41) se equilibraram no azul,  mas BB ON perdeu 0,43% (R$ 27,65), Bradesco PN caiu 0,16% (R$ 12,72) e Itaú recuou 0,15% (R$ 32,69).


EM TEMPO… PETROBRAS confirmou a reeleição de Pietro Mendes como presidente do Conselho de Administração da estatal em assembleia geral ordinária (AGO) realizada nesta 4ªF (16)…


… Como membros do colegiado, foram eleitos, por voto múltiplo, Aloisio Macário Ferreira de Souza, Bruno Moretti, José Fernando Coura, José João Abdalla Filho, Magda Chambriard, Pietro Mendes, Rafael Dubeux e Renato Galuppo…


… Desse grupo, foram qualificados como conselheiros independentes Aloisio Macário Ferreira de Souza, José Fernando Coura, José João Abdalla Filho, Rafael Dubeux e Renato Campos.


VIBRA ENERGIA aprovou a distribuição de R$ 1,63 bilhão em proventos…


… Desse total, R$ 1,07 bi será pago até 29/8 a título de JCP; o restante de R$ 561,5 mi, o equivalente a R$ 0,5043 por ação, será distribuído em dividendos, com pagamento em 28/11; ex a partir desta 5ªF (17)…


… Empresa lançou programa de emissão de ADRs; cada ADR passível de emissão no âmbito do programa será lastreado em duas ações ON da companhia…


… JPMorgan é a instituição depositária dos papéis, que estarão admitidos à negociação no mercado de balcão, com o ticker VBREY.


NATURA contratou Santander como instituição intermediária para realizar a aquisição das ações no âmbito de seu programa de recompra; programa teve início em 17 de março e será encerrado em 17 de março de 2026…


… Nele, a empresa poderá recomprar até 52.631.578 ações ON, correspondentes a 3,8% do total e 6,2% dos papéis em circulação.


KLABIN assinou contratação de empréstimo de US$ 300 milhões no formato de “pré-pagamento de exportação”, com amortizações no 5º, 6º e 7º anos…


… Segundo a companhia, também foi realizada operação de swap para taxa fixa em dólar com custo de dólar mais 5,12% ao ano.


REDE D’OR e fundo Opus venderam empresa de banco de sangue GSH por R$ 1,6 bilhão à CVC Capital…


… Grupo hospitalar detinha fatia de 41% do negócio, o fundo, que entrou no negócio há oito anos, possuía 39% e o restante pertencia aos fundadores e executivos; do valor total, será descontada a dívida de cerca de R$ 500 milhões.


ITAÚSA. BlackRock reduziu participação na empresa de 5,075% para 4,94% dos papéis PN, passando a deter 356 mi das ações do tipo.


BANCO MASTER. A auditoria do Banco de Brasília (BRB) sobre os ativos da instituição financeira deve terminar na próxima semana, segundo o Estadão, e aponta que o BRB tem interesse em R$ 33 bilhões da carteira.

Paulo Cursino

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