quarta-feira, 9 de junho de 2021

DIA DE IPCA

Depois de oito pregões em alta era previsível algum ajuste no Ibovespa. Foi o que aconteceu nesta terça-feira, ainda mais com a maior cautela pelo cenário fiscal, depois do ministro Guedes sinalizar a extensão do auxílio emergencial “por dois ou três meses”, talvez até setembro. Tudo irá depender do ciclo de vacinação em curso.

Neste clima de correção, a bolsa de valores caiu 0,76%, a 129.787 pontos, mesmo com a Petr4 em alta, este decorrente da alta do barril de petróleo WTI, acima de US$ 70, pela primeira vez desde outubro de 2018. No mercado de juro futuro, as taxas, de manhã em queda, acompanhando os treasuries americanos, fecharam o dia estáveis.

Tanto no Brasil, como nos EUA, saem índices de inflação que podem alterar o transcurso da taxa de juros nos próximos meses.

Para o presidente do BACEN, Roberto Campos Neto, em seminário, os choques inflacionários devem ser “encarados como temporários”. Para ele, “a curva de juros perdeu um pouco da inclinação recentemente, em função da alta dos juros, mas as commodities em reais se estabilizaram e algumas caíram”. Ele acredita que “seremos capazes de abrir a economia no segundo semestre, o real tem estado mais comportado nas últimas semanas, as expectativas de inflação implícita em 2021 subiram, mas longas se estabilizaram”.

Para Campos Neto, “o BACEN tem sido "bem explícito" que normalização total traria inflação para abaixo da meta de 2022. Estamos 100% comprometido com a meta. No entanto, no problema hidrológico, não se sabe em que nível o impacto da energia vai vazar para 2022”. Por fim, complementou que “teremos reunião do Copom na semana que vem e desde a anterior, muitas coisas aconteceram e serão analisadas. Há preocupação com inflação de serviços, com total reabertura da economia, e, como dito, com o choque tarifário de energia.” 

 Aguardemos então.

terça-feira, 8 de junho de 2021

VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA

Na literatura, um escritor uruguaio de esquerda, muito respeitado no meio literário, Eduardo Galeano, publicou um livro, "Veias Abertas da Américal Latina", que se tornou um marco na região, por descrever, em detalhes, como foi a colonização do continente, muito mais caraterizada pela exploração das riquezas minerais, e pouco pelo povoamento dos países.

Não foi, portanto, uma colonização de povoação, mas apenas de exploração.

Desde então, cada país viveu sua história, sua evolução, suas contradições, no que o filósofo Karl Marx chamaria de "dialética histórica", ou mesmo o saudoso Darci Ribeiro, evoluindo "aos trancos e barrancos".

Países, que tinham um pé na Europa, como Chile e Argentina, modelos consagrados pelos seus sistemas educacionais e suas bem azeitadas economias, basdeadas no setor primário, tomaram rumos diferentes no século XX, e mais se aproximaram, ou se afastaram, do Eldorado do "velho continente".

Na Argentina, a ascenção do Domingues Peron nos anos 40, a influência de Evita, os simbolismos depois como "mãe dos pobres", símbolo do populismo, até a queda de Isabelita nos anos 70 e a ascenção da ditadura militar na Argentina, radicalizada a partir dos anos 1976. Tivemos um interregno, até o retorno da democracia, com a eleição de Raul Alfonsin em 1983.

No Peru, foi realizada mais uma eleição, no dia 6 de junho, Pedro Castillo contra Zeiko Fujimori. Dois extremos. De um lado, Pedro Castillo, professor de ensino médio, ligado aos sindicatos, às esquerdas, aos partidos, aos comunistas; do outro, Keiko, filha do ex-presidente Fujimori, presa no passada, mais ligada à capital, Lima.


Esta corrida eleitoral no Peru, entre dois candidatos polarizados, foi a mais recente de uma série de eventos de risco político, que assombram a América Latina, região que luta para acompanhar seus pares globais apesar do boom das commodities.


Preocupa, no entanto, sua retórica pode ser resumida por 10 pontos importantes do programa ideário da frente "Peru Libre", partido do Pedro Castillo. Esta seleção foi obtida junto ao amigo do FACE, Rodrigo Silva.

"1. A criação de uma nova constituição, “que debe concluir en el desmontaje del neoliberalismo y plasmar el nuevo régimen económico del Estado”.

2. A estatização "de los sectores mineros, gasíferos, petroleros, hidroenergéticos, comunicaciones, entre otros"

3. Todas as dívidas públicas “deben ser canceladas en el país, previa renegociación de las cifras primarias”.

4. A regulamentação da imprensa, defendendo os "legados de Lenin y Fidel" nessa matéria. O Peru Libre abertamente não defende a liberdade de imprensa.

5. O controle dos salários: "los sueldos de los empresarios deberán ser múltiplos de las remuneraciones de los obreros, así podrá un empresario ganar muy bien, pero pagará a su obrero menos calificado no menos de veinte veces su propio sueldo".

6. A atuação do Estado para garantir empregos: "El Estado socialista debe generar empleo mediante la industrialización del país y tecnificación del sector agrícola, entre otros, para garantizar bienestar al 65% de los peruanos de manera directa e indirecta".

7. A limitação dos lucros das empresas transnacionais. O Estado se apropriaria de 70% a 80% dos ganhos, deixando o setor privado com 20% a 30%.

8. A revisão, regulação ou anulação dos tratados internacionais - econômicos, ambientais, de direitos humanos, etc.

9. A convocação dos países vizinhos para estabelecer uma “zona não negociável” com os Estados Unidos.

10. Dificultar a atuação de ONGs estrangeiras - que nada mais são do que “organizaciones de otros gobiernos en nuestros países”.

Esta é a plataforma da frente "Peru Libre", do presidente eleito Pedro Castillo.

A América Latina já estava mergulhada em agitação social antes que a pandemia de Covid 19 a atingisse. Agora, uma sequência de eleições que se estende para 2022, protestos na Colômbia e turbulências sobre a Constituição do Chile levaram os investidores a se preparar para uma nova onda de incertezas sobre a formulação de políticas.

Além disso, a pandemia ainda devasta a região, com Argentina, Colômbia, Brasil e Chile registrando muito mais casos confirmados por milhão de pessoas do que a Índia.

"A América Latina vive um momento muito difícil. Está tendo eleições em um momento em que (a Covid-19) tem sido tão dolorosa, tão mortal e tão disseminada em tantos países da região que torna possível uma mudança de direção econômica e política."

A economia da América Latina encolheu 7% no ano passado, contração mais acentuada de todas as regiões emergentes, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Crescentes pressões globais de inflação e rendimentos atingiram a região de forma desproporcional, com bônus em moeda forte e local atrasados ante seus pares ​​em 2021 e muitas das moedas regionais apresentando desempenho inferior.

Os preços em alta das commodities não proporcionaram muito alívio a uma região dominada por exportadores de recursos básicos. A previsão de crescimento econômico de 4,7% neste ano depende de que a recuperação continue no caminho certo, apesar do lento progresso da vacinação.

"O aumento da volatilidade política tirou o brilho de muitas coisas positivas no que diz respeito ao impacto do preço das commodities na região".

"Obviamente, tem havido um fluxo de notícias no Peru, há coisas acontecendo no Chile, também estamos entrando em um ciclo eleitoral no Brasil, onde o ex-presidente está de volta à cena."

A moeda do Peru, soles, está em uma montanha-russa, conforme pesquisas mostram que o socialista Pedro Castillo - que quer mais impostos e pagamentos de royalties no setor de mineração.

Gustavo Petro - um ex-insurgente antes próximo ao líder venezuelano Hugo Chávez e cujas propostas de gastos sociais levantam as sobrancelhas da disciplina fiscal - lidera as primeiras pesquisas para a eleição presidencial de 2022 na Colômbia.

O ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva parece ter uma chance de destituir o governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro no ano que vem no Brasil, e a votação do Chile neste mês para uma assembleia constituinte desferiu um golpe no partido de centro-direita do governo antes das eleições presidenciais de novembro.

No Equador, a vitória surpresa de Guillermo Lasso na eleição presidencial de abril foi um raro êxito da direita no atual ciclo eleitoral.

Apesar de um padrão de rejeição percebido no mercado financeiro, a ascensão da política de esquerda está longe de ser por regra negativo para os mercados, como mostram o presidente do Equador, Lenín Moreno, ou o mexicano Andrés Manuel López Obrador.

Mas alguns investidores estão receosos de mudanças bruscas de política que ponham o importante setor de mineração na mira, ou coloquem economias no mesmo caminho da Venezuela --onde uma longa crise econômica se transformou em uma crise humanitária--, ou mesmo aproximem os países da situação da Argentina, prejudicada por inflação elevada e dívida sufocantes.

"Os ciclos políticos tendem a ir em ondas, e acho que estamos nos estágios iniciais de uma onda política de esquerda na América Latina", disse Peter Gillespie, gestor de portfólio de ações da Lazard Asset Management que investe principalmente no México, Brasil, Peru e Colômbia.

Vamos conversando.

domingo, 6 de junho de 2021

PERSPECTIVAS PARA JUNHO

No mundo, todas as atenções se voltam para os próximos passos das autoridades monetárias, na conjunção entre retomada da economia global, seu ritmo de crescimento, trajetória da inflação e impacto sobre o mercado de trabalho.

Em outras palavras, como fazer esta “sintonia fina” correta, visando compatibilizar retomada da economia pós-pandemia, pressões inflacionárias relevantes e aumento da oferta de empregos?

No Fed, em “duplo mandato”, tal como o Brasil, o desafio é compatibilizar a velha “curva de Philips”, no tradeoff entre inflação e desemprego. A pressão, no entanto, segue, no mercado por “ajustes” na política monetária (“aperto gradual” ou tapering) contra a “leitura parcimoniosa” do presidente Jerome Powell “de manter a política monetária acomodatícia”, considerando os repiques inflacionários como transitórios, reflexo de desajustes nos gargalos produtivos das diferentes cadeias de empresas e setores.

No mundo, instituições como OCDE, FMI, Banco Mundial e outras, sinalizam uma aceleração do crescimento global, dependendo do ritmo de vacinação em cada país ou região.

Segundo a revista inglesa The Economist já são 2 bilhões de pessoas vacinadas ao redor do mundo, um quarto do total de adultos com a primeira dose. Ainda faltam 13 bilhões de doses.

Em paralelo, observa-se uma tremenda distorção na distribuição das vacinas. Das 2 bilhões de doses dadas, 37% foram concentradas em países norte-americanos e europeus, apenas 18% das 7,6 bilhões de pessoas do mundo. A África Subsaariana fica com 1% do total. Ou seja, quanto mais rico e influente o País, maior o número de vacinas recebidas. Como resposta a isso, a Covax, consórcio dirigido para os países mais pobres, já prometeu disponibilizar US$ 1,8 bilhão para 92 destes países.

Segundo a OCDE, o crescimento previsto para os EUA é de 6,9%, dado o nível mais forte de produção industrial registrado, o maior em 15 anos. Já na China, o crescimento deve passar de 8% ao fim do ano e no mundo, chegar a mais de 4%, pontuado por estes dois países. Daí, a preocupação com a inflação global e o movimento de capitais, administrado pelos bancos centrais (ancoragem das expectativas) sobre o binômio crescimento e inflação.

Nos EUA, sobre o CPI de abril, esperava-se 0,2%, mas veio 0,8%, em 12 meses 4,6%. Já o PCE registrou 0,6%, com o núcleo a 0,7%, na taxa anualizada a 3,1%, contra 1,9% em março. Na Zona do Euro, os índices aceleraram em linha com o mercado, registrando 1,6% em abril em 12 meses, contra 1,2% em março. Recordemos que todas estas instituições trabalham com a meta central de 2,0%, seguindo a conhecida “regra de Taylor”.

Observando os dados, acreditamos haver uma aceleração da inflação no mundo, em diferentes ritmos, dada a retomada, nem sempre homogênea, com diferentes setores respondendo de forma desigual. E isso se explica pelos diferentes ritmos de vacinação e “reabertura”, também diferenciada, uns setores “respondendo” melhor do que outros. Nos inúmeros casos, uma “assincronia” no fornecimento de insumos, como semicondutores nas indústrias automobilísticas, o que vem gerando gargalos de oferta e preços elevados.

No gráfico a seguir, olhando para os países emergentes, vemos que o Chile, a Índia, Filipinas, Rússia e outros, estão em processo de aceleração inflacionária, enquanto quer outros, como Brasil, pela ação dos BACEN, nas políticas monetárias, estão “dobrando” a curva, com a inflação perdendo força.



Já o gráfico abaixo bem reflete este cenário de “reabertura”, com a inflação aparecendo no cenário através do “Índice de Surpresa Inflacionária” do Citibank. Este mostra como o índice cresce neste ano.

Por aqui, continuamos de olho no IPCA, cada vez mais destoante da meta. O centro da meta, neste ano, é de 3,75% com limite superior de 5,25%. A inflação oficial, medida pelo IPCA, registrou 0,31% em abril contra março, em desaceleração, mas ainda acima do teto da meta em 12 meses (6,76%). Já a prévia de maio, pelo IPCA-15, ficou em 0,44%, abaixo dos 0,60% de abril, mas acumulando 3,27% no ano e 7,27% em 12 meses.




No mercado de trabalho, os dados de emprego nos EUA também vieram diferenciados, surpreendendo os mercados. Foram criados 266 mil em abril, 456 mil agora em maio, segundo informou o relatório payroll, ambos abaixo de março (916 mil vagas). Esses números mostram uma economia ainda abaixo do “pleno emprego” (taxa neutra de desemprego, em torno de 5% da PEA), o que permite ao Fed continuar a manter a política atual, mas haverá o momento em que ele “terá que atuar”. Este é o debate de fundo das economias globais pós-pandêmicas. Quando esta virada irá acontecer? Este processo de transição terá que ser realizado com muito cuidado, muita cautela, evitando o estouro de bolhas e um deslocamento forte de capitais.



No Brasil, saíram os dados do Caged, registrando abertura de 120,9 mil vagas “formais” em abril. O saldo foi o menor do ano de 2021, depois de números mais fortes aparecerem em janeiro (261 mil), fevereiro (398 mil) e março (177 mil). Mesmo com a queda da criação de vagas os resultados foram considerados bons, pois o mês foi marcado pelo avanço da pandemia e por medidas de restrição mais duras em diversas localidades. Com relação ao mesmo mês de 2020, o resultado foi significativamente melhor, quando quase 964 mil vagas foram fechadas em apenas um mês.


Na Política Monetária do presidente Roberto Campos Neto, em maio, na reunião do Copom, tivemos o reajuste da Selic em 0,75, a 4,25% anuais, repetindo a dose da sessão anterior. A próxima reunião, agora em junho, será de um novo ajuste de 0,75 ponto percentual, e depois, em agosto, a dúvida é saber se será de 0,5 ponto percentual, a 5,5% ou a 5,75%, em resposta a inflação que deve ficar neste patamar. Neste caso, temos o conceito do ajuste parcial ou completo, já pensando em “tentar trazer a inflação” para o centro da meta em 2022 (3,75%).

Também há uma preocupação no BACEN de que a taxa de juros Selic não deve subir a ponto de frear a economia, mas também não há garantias de que esta visão não seja alterada. Tudo irá depender do andamento dos indicadores e possíveis descontroles das contas públicas, é o chamado “data dependent”.

Nos mercados, no Brasil seguem os ativos se apreciando, a bolsa de valores superando recordes, o real em valorização, frente ao dólar, e as commodities em bom ritmo. Em maio, o Ibovespa encerrou renovando as máximas históricas, atingindo 126.215 na segunda-feira (31), ignorando a “maldição de maio”, lembrada no relatório anterior. O índice terminou o mês em alta de 6,16%, terceiro mês seguido no azul, depois da alta de 1,94% em abril e de 6,0% em março. No ano, o avanço é de 6,05%. O Ibovespa já acumula 15% desde fevereiro de 2020, pouco antes do último “circuit breaker” da B3.

Já a moeda norte-americana vem se desvalorizando continuamente nos últimos dias, dada a trajetória errática da retomada, a inflação americana ainda elevada, o que vem reforçando, em parte, o discurso do Fed de manter a situação atual "acomodada". No fechamento de maio, o dólar fechou a R$ 5,2249, mesmo com a disputa pelo PTAX (R$ 5,2322). Em maio, a moeda norte-americana acumulou queda de 3,8%, a maior baixa mensal desde novembro do ano passado e o segundo mês seguido de queda. 

No mercado de juro, a ponta mais curta segue esticada, pela perspectiva do BACEN de elevar o juro de forma mais intensa até setembro, para depois ancorar as expectativas de uma taxa em torno de 5,5% a 6,5%, derrubando então a inflação à 3,5% a 3,7% no ano que vem. 

Sobre a agenda de reformas, duas importantes reformas ganharam destaque em maio. Uma foi a Tributária, outra a Administrativa. 

Ambas se mostram essenciais para o enfrentamento das consequências econômicas da pandemia. O foco da reforma tributária é a unificação e simplificação dos diversos tributos que atualmente incidem sobre o consumo. O sistema tributário brasileiro é muito complexo e a reforma tem o objetivo de desburocratizar este modelo. A MP da Reforma Tributária foi apresentada e os primeiros passos foram dados, sendo ela fatiada ou não. Já a reforma administrativa também deu seus primeiros passos, mas o presidente Bolsonaro não parece muito convencido da sua urgência, pela proximidade do "ano eleitoral em 2022". 

PARA JUNHO
 
As expectativas são de novos “recordes” nos mercados de ativos, mas ainda atento ao ambiente de volatilidade existente. As commodities devem continuar no seu ciclo de alta, dada a demanda mais forte da China e a retomada da economia global. 










sexta-feira, 4 de junho de 2021

LUANA ARAÚJO, UM FURACÃO

Estas CPIs são meio sacais, meio previsíveis. De repente apareceu a Dra Luana Araújo. O que foi aquilo? A partir daí estabeleceu uma zona de corte. 

Ela disse na CPI várias coisas muito importantes. Vamos a elas: 

"Ciência não tem lado. Ou ela é bem feita ou mal feita" (fala em discurso inicial)

"Pleiteei autonomia, não insubordinação" (sobre possível entrada na Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à covid-19)

"O ministro me chamou e disse que lamentavelmente meu nome não foi aprovado" (sobre sua dispensa após dez dias de trabalho)

"Não temos opinião, mas evidências, e elas são claríssimas, transparentes. Somos a favor de uma terapia precoce que exista. Quando ela não existe, não pode se tornar uma política de saúde pública" (sobre eficácia do tratamento precoce)

"Essa é uma discussão delirante, esdrúxula, anacrônica e contraproducente" (sobre eficácia do tratamento precoce)

"Quando disse, há um ano atrás, que estávamos na vanguarda da estupidez mundial, eu, infelizmente, ainda mantenho isso em vários aspectos" (sobre eficácia do tratamento precoce)

"É como se estivessemos discutindo de que borda da Terra plana vamos pular. Não tem lógica" (sobre eficácia do tratamento precoce)

"Não é porque se mata coronavírus no micro-ondas que pedir para paciente entrar no forno" (sobre eficácia do tratamento precoce)

"A nossa vida seria mais fácil e feliz se isso (cloroquina) funcionasse; infelizmente, não tem (eficácia)" (sobre eficácia do tratamento precoce)

"Deve estar faltando informação de qualidade, porque quando se tem a informação, não é um comportamento que a gente espera que aconteça. A mim, me dói" (sobre diversas declarações e comportamentos do presidente Jair Bolsonaro ao longo da pandemia)

"Se cada um diz uma coisa, em quê acredito?" (sobre orientações divergentes sobre a pandemia)

"Existe dificuldade de entender a diferença entre abordagem e tratamento precoce. A abordagem é o acesso ao diagnóstico imediato, e há dificuldade nesse sentido" (sobre o que se considera tratamento precoce)

"É assim (com a vacinação) que a gente atinge uma imunidade de rebanho. Não posso imputar sofrimento e morte a uma população com uma imunidade de rebanho" (sobre a tese de rebanho)

"(Copa América no Brasil) é um risco desnecessário para se assumir neste momento" (sobre decisão do governo federal de receber a competição)

"Autonomia médica faz parte da nossa prática, mas não é licença para experimentação" (sobre tratamento precoce)

quarta-feira, 2 de junho de 2021

CRESCIMENTO DO PIB

No Brasil, tanto o crescimento de 1,2% do PIB, na margem, como o de 1,0% no confronto com os três primeiros meses de 2020 superaram as medianas das estimativas das Projeções Broadcast, de 0,7% e de 0,6%, respectivamente. Estes dados devem dar esperança de uma recuperação mais rápida do País neste ano

O mercado já contava com esta retomada econômica, com algumas instituições já elevando as projeções para o PIB deste ano para 5% e até 6%. 

O reflexo do entendimento de retomada econômica no Brasil é geral nos índices setoriais da Bolsa, com destaque para o imobiliário, que avança quase 2%, ainda em reação à possibilidade de que o auxílio emergencial torne-se definitivo. 

Além disso, vale mencionar o setor financeiro, que vem custando a engatar recuperação, mas que no dia 01/06 sobiu com força, em alta mínima de 1,55%. A exceção são os papéis do Banco Inter, que cediam 2,85%. "Expectativas de avanço da vacinação no segundo semestre e de que o benefício poderá ser permanente animam o mercado. 

Contra isso, no entanto, temos uma inflação elevada, mas isso não está incomodando.

Com isso, a economia brasileira volta a operar no mesmo patamar do quarto trimestre de 2019, antes da pandemia de covid-19. O resultado foi o terceiro trimestre seguido positivo, depois dos recuos no primeiro (-2,2%) e no segundo (-9,2%) trimestres de 2020, ano em que a economia encolheu 4,1%. Apesar da melhora, o PIB ainda está 3,1% abaixo do ponto mais alto da atividade econômica do País, alcançado no primeiro trimestre de 2014, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

No desempenho do primeiro trimestre, destaque para os investimentos, avançando 4,6% contra o trimestre anterior e 17% contra o mesmo trimestre do ano passado. Na contramão, os consumos das famílias e do governo, meio de lado, decorrente dos atrasos da vacinação e da necessidade de manter alguma disciplina fiscal. 

Ao fim deste ano estamos prevendo crescimento em torno de 5,0%. 



terça-feira, 1 de junho de 2021

MACRO MERCADOS DIÁRIO 01/06/21 - DIA DE PIB

Dia de PIB e as revisões de projeção para cima seguem ocorrendo. Na pesquisa Focus, o crescimetno neste ano já chega a 3,96%, no ano que vem 2,25%. É o ritmo de vacinações dando sua contribuição. Na trajetória de crescimento do trimestre, projeções, como a do Itaú, indicam expansão em torno de 0,6% contra o trimestre anterior. Acha o bancão que o crescimento do País neste ano pode chegar a 5%, desde que não tenhamos uma terceira onda e a vacinação se intensifique.

Já o OCDE acha que o País deve crescer 3,7% neste ano e 2,5% em 2022, impulsionados pela recuperação do consumo das famílias e os investimentos. Já pelo lado da inflação, trabalha-se com 6,2% para este ano e 4,0% no próximo. Isso será perseguido pelo BACEN atuando de forma mais intensa neste ano, com o juro indo a 5,5% e no ano que vem passando de 6,5%. Ou seja, teremos um ciclo completo, na perseguição do centro da meta de inflação, se não no ano que vem, em 2023.

Neste clima, na segunda-feira, dia de feriados nos EUA e no Reino Unido e baixa liquidez nos mercados, a bolsa paulistana B3 renovou mais uma vez seus recordes, ao subir 0,52%, a 126.215 pontos, terceiro ganho seguido mensal no ano. A alta de maio foi de 6,1%, quase que repetindo março. Em abril, a alta foi de 1,9%. No ano, a alta chega também a 6,0%.

Já o dólar fechou o mês em alta de 0,2%, a R$ 5,2254, no mês em queda de 3,8%, decorrente do spread de juro entre EUA e os emergentes. É a maior queda mensal da moeda norte-americana, frente ao real, desde novembro passado (-6,8%) e depois do recuo de abril (-3,5%).

Afinal, qual é o piso da taxa de câmbio para este ano ? Importante considerar, no entanto, que se os EUA resolverem iniciar seu ciclo de aperto monetário, esta tendência de queda pode reverter.

Todo este bom astral acontece também pela boa evolução das contas públicas em abril, pela arrecadação federal avançar bem, dado o crescimento da economia, e as despesas terem ficado "represadas", pelo atraso na aprovação do Orçamento. Em abril, pelo governo consolidado, o superávit primário foi a R$ 24,2 bilhões e a dívida pública recuou a 86,7% do PIB.

Neste cenário de câmbio acomodado e inflação dentro do controle, a curva de juros perdeu inclinação em maio, com as taxas longas próximas da estabilidade e as curtas em alta, pela antecipação do ciclo de aperto monetário pelo Banco Central, mais agressivo na condução da política monetária (ou mais hawckish).

E isso se dá num ambiente de antecipação para a campanha eleitoral de 2022, com o presidente se movimentando sempre a confrontar e a chamar atenção. Dois fatos amparam esta tese. Um foi resolver aceitar que a Copa América fosse realizada no Brasil, depois da Colômbia e a Argentina terem recusado, decorrente dos riscos de terceira onda do Covid. Outra, foi o ministro Paulo Guedes sinalizar ao Senado de Rodrigo Pacheco, que o presidente não está disposto à deixar tramitar a reforma administrativa, por saber dos seuss custos políticos.

Realmente, qualquer semelhança com o ciclo populista do PT não é mera coincidência. Tanto Bolsonaro, como os ex-presidentes Lula e Dilma, sempre se guiaram pelo populismo, pelas medidas fáceis e paliativas, fugindo sempre de decisões impopulares, mas importantes.

Soma-se a isso o fato de que já existe uma batalha de egos entre Rodrigo Pacheco e Arthur Lira, em busca de protagonismos. Rodrigo parece mais interessado na construção de uma terceira via, Arthur, em viabilizar a candidatura de Jair Bolsonaro. Sua reforma tributária, por exemplo, é tudo menos uma reforma tributária. Totalmente restrita, se torna uma obra de uma só medida, unificar o PIS e o Confins na criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

No front inflacionário, atenção deve ser dada aos reajustes recentes de gás e energia elétrica. Esta, já em bandeira vermelha 2, pela escassez de água nos reservatórios, nas hidrelétricas, deve se manter forte, com o impacto agora em maio chegando a 0,2 a 0,4 ponto percentual no IPCA anualizado.

Hoje é dia de CPI da Covid e a expectativa é o que será dito pela Doutora Nise Yamagushi, uma das defensoras da cloroquina e do tratamento precoce.


segunda-feira, 31 de maio de 2021

MACRO MERCADOS SEMANAL 31/05/21 - AGENDA CHEIA DE INDICADORES DE ATIVIDADE

Este é o último dia útil de maio, segunda-feira, dia 31/05, feriado nos EUA - Memorial Day - e no Reino Unido - Spring Bank Holiday. Aliás, nesta semana são dois dias de feriado, nesta segunda-feira, como citado, e na quinta-feira, com o Corpus Christi no Brasil. Nestes dias de feriado, nos EUA e no Reino Unido, a liquidez tende a ser bem mais baixa, o que se recomenda aos investidores mais cautela, só de olho nos ativos e não operando muito.

Sobre a agenda da semana, há a divulgação de PMIs ao redor do mundo e na sexta-feira o payroll norte-americano de maio, principal indicador de mercado de trabalho. No Brasil, seguem os debates em torno da CPI da Covid e a polarização política nas ruas. 

Saem nesta segunda-feira três indicadores da FGV, que oferecem um bom panorama da economia no primeiro semestre e as expectativas para os próximos meses: o Índice de Confiança Empresarial (ICE) de abril e as Sondagens do Comércio e de Serviços de maio. Ao longo da semana ainda teremos as Sondagens da Construção Civil e da Indústria. 

Segunda-feira é dia também de Indicadores Fiscais Consolidados do Banco Central, quando confirmaremos a boa trajetória do Tesouro em abril, quando a arrecadação federal foi puxada pela economia crescendo mais do que o esperado. Pelo lado das despesas, confirmaremos o impacto do atraso na aprovação do Orçamento da União, o que segurou boa parte das despesas discricionárias e obrigatórias. 

Na terça-feira saem variados indicadores PMI no exterior e no Brasil o PIB do primeiro trimestre, que deve vir melhor do que o esperado, entre estável, ou pequena queda a crescendo até 1%, o que deve ser um sinal para a revisão do PIB no ano, crescente acima de 4%, com algumas instituições enxergando até 5%. 

Já parece haver alguma unanimidade, dada a velocidade da vacinação no Brasil, de que o segundo semestre deve ser de retomada mais consistente da economia, embora não possamos excluir o risco de uma terceira onda, ainda mais com a cepa indiana à espreita e os problemas políticos de sempre. Já são 462 mil mortos, mas vão caindo as mortes diárias.  

Na quarta-feira é divulgado também o indicador de Produção Industrial de abril, pelo IBGE, para que seja possível uma melhor noção desta situação de retomada. Nos EUA sai o Livro Bege, também um panorama bem amplo sobre o ritmo da economia norte-americana. Por lá  o que se tem é a inflação acelerada, na nossa opinião, mais temporária, pela reabertura e os gargalos de produção em alguns setores, como exemplo, os semicondutores para os automóveis, e a uma economia que retomada lentamente em alguns setores, mais intensa em outros.    

Na quinta-feira, feriado no Brasil de Corpus Christi, mais PMI variados em vários países e os indicadores de geração de emprego no setor privado norte-americano, ADP. Esta é também uma monitorização atenta por lá, pois saberemos com mais exatidão o ritmo da geração de empregos e os impactos paraelelos na inflação. Sexta-feira é dia de payroll e taxa de desemprego, ambos de maio, sendo que muitos esperam chegar a um milhão de vagas geradas, bem mais do que a decepção de abril (266 mil). 

No Brasil, estejamos atentos as discussões em torno das reformas e as privatizações no Congresso, assim como a CPI da Covid e a possível extensão do auxílio emergencial. Temos também as escaramuças em torno da crise hídrica e o uso intensivo de termoelétricas e o ciclo de vacinação. 

Por aqui, a CPI da Covid deve mobilizar muita gente com opiniões controversas, a começar pela médica NISE YAMAGUSHI na terça-feira, defensora do tratamento preventivo e da cloroquina. Será uma semana também em que deve repercutir os recursos que muitos governadores devem apresentar contra o convite para depoimentos.  

Na agenda de reformas, avanços são previstos nas discussões no Senado em torno da MP da Eletrobras e sobre as reformas administrativa e tributária. 

No mercado. Na sexta-feria, o Ibovespa fechou em alta de 0,96%, a 125.561 pontos, na semana com perdas de 1,36%, não apagando a alta de 1,75% no mês. Foi a segunda alta mensal consecutiva do índice, que já havia registrado valorização de 6,0% em março. 

Maio foi marcado pela recuperação econômica dos EUA em meio à vacinação em massa da população e estímulos governamentais. Por aqui, a pauta dominante foi a sanção do Orçamento de 2021, com o veto do governo a R$ 19,8 bilhões em emendas e despesas discricionárias, além de um bloqueio de mais R$ 9 bilhões que podem ser desbloqueados até o fim do ano. 

Já o dólar recuou na sexta-feira 0,77%, a R$ 5,2148, terceira queda na semana, no menor patamar desde janeiro frente ao real, com os mercados ainda embalados por um maior otimismo visto recentemente com a economia brasileira. 

No mercado de moedas virtuais, o bitcoin segue perdendo fôlego, ampliando o declínio em maio para cerca de 40%, com a repressão crescente na China e as preocupações ambientais. Segundo observadores, "o bitcoin está atualmente em um 'modo de espera', negociando na faixa de US$ 34.000 a US$ 40.000". A moeda acumula queda próxima a 40% no mês, o que, se mantido, será seu pior desempenho mensal em vários anos. 

O alívio nas NTN-Bs ficou para trás- Valor

  O alívio nas NTN-Bs ficou para trás- Valor Em dezembro, taxas reais ultralongas chegaram a operar abaixo de 7%, mas foram afetadas pela pi...