terça-feira, 18 de maio de 2021

MACRO MERCADOS SEMANAL 17/05/2021 - CPI DA COVID NO RADAR 17/05/2021

No foco das atenções nesta semana a “arena política”, mais precisamente, a CPI da Covid, com os “depoimentos” do ex-chanceler Ernesto Araújo, dia 18, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, dia 19, e sua assessora direta, Mayra Pinheiro, conhecida como “capitã Cloroquina”, dia 20. Nos mercados, estejamos de olho na trajetória das commodities, a ata do FOMC, os dados chineses e a agenda de reformas no Brasil.

Sobre a CPI, inevitável afirmar que cabe aqui a máxima “quem não deve não teme”. Parece claro que todos possuem alguma responsabilidade neste precipitado diagnóstico de recomendar “tratamento precoce”, uso de Cloroquina e Ivermectina, algo ignorado no mundo. Sabe-se agora que até manual para tratamento precoce o ministério da Saúde encomendou. Outro foco das investigações será a atuação do governo no colapso da rede de saúde em Manaus, onde pacientes morreram asfixiados pela falta de oxigênio.

Pazuello pretende ficar em silêncio, mas o STF determinou que o general terá que responder com a verdade sobre outras questões que digam respeito a terceiros, como o presidente Jair Bolsonaro. Se mentir poderá, sim, ter ordem de prisão decretada. Ernesto Araújo também estará no foco das atenções, nas relações diplomáticas com a China. Relações estas tumultuadas e justificativa para o atraso na entrega de insumos pelos chineses na produção da Coronavac, pelo Instituto Butantan, e AstraZeneca, pela Fiocruz.

Segundo o presidente da Comissão Omar Aziz, em entrevista no fim de semana, “não houve nenhum interesse pela compra de vacinas num primeiro momento”. Como aposta inicial, meio irresponsável, escutando as pessoas erradas, Bolsonaro optou pelo tratamento precoce e ingressou numa espiral de decisões desastradas, como na encomenda de grandes lotes de cloroquina, inclusive, importando “estoques excedentes” dos EUA.

Agora, sob desconfiança e investigação, vem tentando “fugir” e politizar o debate. Drogas contra lúpus e malária, sem a mínima comprovação científica. E o pior, seu total alienamento contra o início do programa de vacinação, argumentando ser contrário à vacina chinesa Coronavac, pelo simples motivo do governador de SP, João Dória, ter partido na frente (alguma teoria da conspiração ou anticomunismo atávico. Nunca se sabe).

Segundo Aziz, “o governo errou desde o primeiro momento. Não apostou no isolamento, não apostou na máscara, no álcool em gel, na vacina, uma série de coisas que poderiam ter ajudado a salvar pessoas. E continua apostando na cloroquina”. Por outro lado, o presidente da comissão apontou que as pessoas que orientaram o presidente devem também ser responsabilizadas. Aqui, incluímos Mayra Pinheiro, a “capitão cloroquina”.

Na Europa, por exemplo, tal tratamento, no uso destes remédios recomendados pelo governo, nunca foi colocado em prática.

Em Portugal, a única solução, com todos os custos sociais, foi o governo parlamentarista adotar, em várias etapas, “planos emergenciais de confinamento”, além da estrita exigência pelo uso de máscaras, álcool gel e isolamento social. Com isso, os lusitanos foram, aos poucos, superando a pandemia e retornando à vida normal, praticamente agora sem mortes e novos casos. E isso foi sendo adotado num crescente, claro que com erros em alguns momentos. Até porque nos confrontamos com algo desconhecido.

Pode-se afirmar que a decisão de manter o confinamento em boa parte do ano de 2020 e nestes primeiros cinco meses acabou por se mostrar acertada, diante do atraso das vacinas, dado o gargalo de oferta existente no mundo.

Há uma “batalha por vacinas”, e os países melhor preparados, mais organizados, com planejamento, atuação incisiva, correram atrás e acabaram beneficiados. Destaquemos a Nova Zelândia, Israel, num “tour de force” gigantesco, já tendo conseguido a imunidade total da população, os EUA na mesma toada, assim como o Reino Unido. Em alguns destes já foi liberada a “obrigatoriedade” no uso de máscaras.

Neste domingo, o Brasil registrou 1.036 óbitos, elevando o total a 435.751. Chegamos a 40.941 casos e o total de infecções a 15.627.475. O Brasil possui o segundo maior número de mortes pela doença no mundo, abaixo apenas dos EUA, e a terceira maior contagem de casos confirmados, só superada pela Índia e os EUA.

Sobre a agenda econômica da semana, atenção para a ata do Fomc nos EUA na quarta-feira, dia 19, e o discurso de Christine Lagarde no dia seguinte (dia 20). No Brasil, estejamos atentos para os avanços das reformas tributária e administrativa, a possível MP da Eletrobras e a arrecadação federal na sexta-feira.

O presidente do Congresso, Arthur Lira, deve agitar o Congresso com as duas reformas em pauta, a administrativa e a tributária. Esta última deve ser fatiada no Senado e a primeira, para a CCJ, com o parecer do deputado Darci de Matos a ser discutido.

Na passagem de domingo para segunda-feira, saíram os dados da China de produção industrial e vendas no varejo de abril, mostrando atividade em recuperação, mas não de forma uniforme e na velocidade esperada.

Pela indústria, a produção veio em bom ritmo, acima das projeções (9,8% contra expectativa de 9,2%), enquanto que pelo varejo as vendas vieram abaixo do esperado (17,1% contra 24,9%). Isso mostra que a economia chinesa perdeu um pouco de tração entre março e abril, desacelerando. Em março, a produção industrial havia avançado 14,1% e as vendas do varejo 34,2%. Importante considerar também a base de comparação muito deprimida nestes indicadores, contra os mesmos do ano passado.

Falando da ata do Fed temos nesta quarta-feira o resgate do debate sobre os rumos da política monetária, embora os indicadores mais recentes afastem o risco de um superaquecimento da economia norte-americana.

BALANÇOS – A temporada termina hoje com os resultados da Gafisa, Linx, Rede D'Or, Boa Vista Serviços e Focus Energia, depois do fechamento do mercado. Promovem teleconferências: Cosan e Banco ABC Brasil (10h) e PDG Realty (11h).

Uma nota de pesar pelo falecimento do prefeito de São Paulo, Bruno Covas. Uma linhagem difícil de encontrar por aí. Fui eleitor do seu querido avô, Mario Covas em 1989, na eleição presidencial, depois polarizada entre Lula e Collor.
Mario Covas, e seu neto Bruno, mostraram ser possível trilhar pelo caminho da seriedade, foco, eficiência e honestidade. Pessoas públicas que fazem muita falta nos dias de hoje.

Bons negócios!

 

Agenda Semanal
2ª feira (17)
(China) 23:00 - Produção Industrial e Vendas no Varejo (Abr); (Br) Boletim Focus; (EUA) Índice Empire State de Atividade Industrial (Mai); Discursos de membros do Fed / FOMC, Clarida e Bostic.

3ª feira (18)
(Br) Leilão Tesouro Nacional NTN -B; (Euro) Empregos (Q1) / PIB (Q1) / Balança Comercial (Mar); (EUA) Licenças de Construção e Construção de Novas Casas (Abr); Discurso de membro do Fed / FOMC, Kaplan.

4ª feira (19)
(Euro) Análise de Estabilidade Financeira do BCE; Estoques de Petróleo em Cushing; (EUA) Leilão de títulos de 20 anos; (EUA) Atas da Reunião do FOMC; Discursos de membros do Fed / FOMC - Bullard e Bostic.

5ª feira (20)
(Br) Leilão Tesouro Nacional LFT, NTN -F, LTN; (EUA) Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego; (EUA) Índice de Atividade Industrial Fed Filadélfia; (EUA) Leilão TIPS a 10 anos; (Euro); Discurso da Presidente do BCE - Christine Lagarde

6ª feira (21)
(Br) Vencimento de Opções; (EUA) PMI Composto Markit, Industrial e o Setor de Serviços (Mai); (Reino Unido) PMI Composto, Industrial e o Setor de Serviços (Mai); (Br) Arrecadação Federal (Abr); (EUA) PMI Composto Markit, Industrial e o Setor de Serviços (Mai); (EUA) Vendas de Casas Usadas (Abr); Contagem de Sondas Baker Hughes; Discursos dos membros do Fed / FOMC – Bostic e Mary Daly.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

MACRO MERCADOS ESPECIAL 17/05/2021 - MAIS UMA SEMANA DE INSTABILIDADE

Foi uma semana intensa, dentre tantas nos últimos tempos. Aliá, não faltam emoções neste cenário de polarização polítca, uma pandemia devastadora.

Teve CPI da Covid, inflação americana, desconfianças entre Fed e mercado, economia brasileira impactada pelo atraso das vacinas, tensões na relação Israel e Palestina, chegamos na sexta-feira “lambendo as feridas”, avaliando os estragos e tentando enxergar o futuro próximo.

Neste dia, de agenda, destaquemos os dados da economia norte-americana, como as vendas do varejo, a produção industrial e o indicador de confiança do consumidor. No Brasil, repercutem as “oitivas” da CPI da Covid. Foram três depoimentos importantes, do presidente da ANVISA, do ex-secretário de Comunicação do governo e do CEO da Pfizer. Dois deles foram esclarecedores sobre a postura do governo nesta pandemia, outro, acabou constrangedor pelo que não foi dito, ou negado.

Quinta-feira (dia 13) foi um dia de mercados em alta, depois da forte correção do dia anterior, causada pela inflação ao consumidor norte-americana, mais elevada do que o esperado. Tivemos, também, a inflação no atacado (PPI), mas o mercado norte-americano parece que “absorveu bem” estes índices e resolveu acreditar na tese do Fed de que os repiques são temporários, não devendo se propagar nos próximos meses.

Tal movimento nas bolsas de NY, claro, “contaminou” o mercado de ações brasileiro, que operou no azul, embora com as commodities em queda, o que derrubou a Vale e as siderúrgicas. A Petrobras só não caiu porque foi liberado um pipeline de transporte de petróleo nos EUA, fechado no início da semana devido a um ataque hacker. Além disso, boatos indicavam de que a empresa registrou lucro no primeiro trimestre deste ano, contra prejuízo no mesmo de 2020.

Ao fim do dia o Ibovespa ganhou 0,83%, a 120.705 pontos. Já as bolsas de NY operaram em alta. Dow Jones fechou em alta de 1,29%, a 34.021 pontos, S&P subiu 1,22%, a 4.112 pontos, e Nasdaq 0,72%, a 13.124 pontos. Nos mercados de câmbio e de juro, o dia foi de volatilidade, pelos motivos acima expostos, mas também pela pesquisa Datafolha, indicando que o ex-presidente Lula da Silva pode vir a ganhar a eleição do ano que vem já em primeiro turno. Neste clima de incertezas, o dólar, em tendência de queda nos últimos dias, virou um pouco e registrou leve alta de 0,15%, a R$ 5,3133, depois de transitar entre R$ 5,25 e R$ 5,33. No mercado de juro, as taxas fecharam próximas da estabilidade, mesmo que em viés de baixa.

Sobre a inflação norte-americana, como já dito, o que observamos é a existência de alguns gargalos de oferta na economia norte-americana, dada a “forte reabertura” em curso, o que vem pressionando alguns insumos da cadeia produtiva.

Um deles vem das montadoras (produção de automóveis novos), em baixa oferta, pela falta de “condutores eletrônicos”, em sua maioria, produzidos no exterior. Normalizado este fornecimento, os preços destes insumos devem recuar, assim como o dos automóveis, havendo então uma “normalização” neste mercado específico. Assim, a inflação ao produtor, PPI, chegou a 0,6% em abril, contra estimativa de 0,3%, mas deve ceder nos próximos meses, assim como o CPI (0,8% mensal e 4,2% anualizado). Lembremos que este acabou diretamente impactado pelos custos dos automóveis (novos e usados) e seus seguros.

No Brasil o IBC-Br, indicador do Bacen, veio abaixo das estimativas de mercado (-3,3%), recuando 1,59% em março contra fevereiro. Contra o mesmo mês do ano passado o avanço foi de 6,2%, no primeiro trimestre avançando 2,2% e em 12 meses +3,3%. Ao fim deste ano estamos prevendo o PIB crescente em 3,8%, podendo chegar a 4,2%, dependendo do ritmo das vacinação e da intensidade da reabertura da economia brasileira.

Falando da CPI da Covid, tivemos quinta-feira a audiência com o CEO da Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo, que descreveu, cronologicamente e detalhadamente, a evolução dos contatos da empresa com o governo brasileiro.

Tiveram início em maio de 2020, depois, um esforço de assinatura de contrato em 26 de agosto, na qual uma primeira oferta de 18,5 milhões de doses até o segundo trimestre de 2021, o que, estranhamente, foi ignorado pelo governo, que só retornou o contato em novembro. Neste contato de agosto, o fornecimento de doses era o seguinte: 1,5 milhão em 2020, 3 milhões no primeiro trimestre de 2021 e 14 milhões até o segundo trimestre de 2021. Total 18,5 milhões.



Em verdade, esta relação foi um verdadeiro “gato e rato”, com o governo sempre “fugindo” das sondagens da farmacêutica. Segundo o CEO da empresa, ao longo do ano, foram cinco ofertas, só a última aceita: (1) 14/08; (2) 18/08; (3) 26/08; (4) 15/02/21 e (5) 08/03.



Ou seja, o contrato de compra de vacinas da Pfizer só veio a ser fechado neste ano, em 08/março, num pacote de 100 milhões de doses, a se iniciar a entrega em setembro agora, com 35 milhões.



Surge então a pergunta que não pode ser evitada. Por que o governo não fechou um contrato logo, lá atrás, em meados de 2020, se foram tantas as tratativas? Mais ainda. Quantas mortes poderiam ter sido evitadas se não tivessem ocorrido tantos adiamentos, tantas idas e vindas?



Na verdade, o presidente Bolsonaro tratou a questão das vacinas de forma política e não pelo enfoque sanitário. 18,5 milhões de doses deixaram de ser fornecidas. O governo ignorou também uma proposta inicial de 70 milhões de doses do imunizante em agosto de 2020. Como pode? E tudo está documentado e “narrado” pelo próprio presidente, nos seus desdéns e embates retóricos inúteis.

Como resultado, o desgaste político se torna inevitável e isso já começa a se refletir nas pesquisas de popularidade do governo.

Uma pesquisa Datafolha, divulgada na quarta-feira, mostra que o ex-presidente Lula teria 41% das intenções de voto para o primeiro turno da eleição presidencial de 2022, e o presidente Bolsonaro 22%. Mostra também que a aprovação a Bolsonaro recuou para 24%, menor nível desde o início do seu mandato, e a rejeição pulou a 45%. Indícios de uma série de decisões e posturas erradas.

Finalmente, na agenda do dia, destaque para os dados de atividade dos EUA e de Confiança do Consumidor. Dentre os balanços corporativos, destaque para a CVC, COSAN, COGNA e CEMIG.







quinta-feira, 13 de maio de 2021

SERÁ UMA TENDÊNCIA OU ALGO TRANSITÓRIO?

Iniciamos esta quinta-feira (dia 13) de olho no PPI de abril nos EUA e também no depoimento do CEO da Pfizer. O depoimento de ontem do ex-secretario de Comunicação foi um desastre completo para a imagem do governo. O cidadão entrou em contradição várias vezes, quis "negar" o que disse na VEJA. Ou seja, foi uma biruta doida e não pegou bem.

Sobre o PPI de abril, a expectativa é de desaceleração, mas qualquer resultado inesperado não deve surpreender e pegar, mais uma vez, o investidor de surpresa, já mal humorado pelo CPI de 4,2% pela taxa anualizada. As expectativas de mercado apontam 0,3% em abril, contra 1,0% em março, com perda de ritmo  também no núcleo, 0,7% para 0,4% entre março e abril.

Ontem, a surpresa negativa com a inflação ao consumidor (CPI) caiu como uma bomba nos mercados, desencadeando um "sell-off" nas bolsas em NY e detonando vendas dos Treasuries, com os yields de 10 anos encostando nos 1,70%. Para piorar, à tarde, o déficit recorde nos EUA de US$ 1,9 trilhão, entre outubro e abril só piorou as coisas.

Muitos já começam a achar que este CPI fora do previsto é um indicativo de que o Fed está "atrás da curva", tal qual o Bacen do Brasil há alguns meses atrás. Mesmo assim, o Fed não abandona sua narrativa de que a escalada dos preços é um "fenômeno temporário", que a dinâmica de alta não vem para ficar e tende a se diluir até o fim do ano, confiando na ancoragem das expectativas.

Soma-se a isso, a interpretação dos dados indica que este CPI veio mais forte, impactado pela elevação nos preços dos carros novos, com suas produções atrasadas pela falta de insumos eletrônicos. Passado este desbalanceamento temporário entre oferta e demanda, acredita-se que estes preços devem começar a ceder.

Mesmo assim, parte do mercado já começa a recomendar que a alta do juro nos EUA seja antecipada em um ano, para 2023, e que chairman do Fed, Jerome Powell comece a mudar sua comunicação na reunião de junho, preparando o espírito para reduzir os estímulos do QE.

Para o economista-chefe do Banco Central inglês (BoE), Andy Haldane, "por causa da alta persistente dos preços, é hora de começar a restringir o grau de apoio à economia". Admitiu ele haver “alguns grandes riscos", mas afirmou que "é mais provável que a economia do Reino Unido se recupere, em vez de recair, nos próximos meses, passando rapidamente de uma recuperação para um boom".

Na CPI da Covid, hoje é dia do depoimento do CEO da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, o que deve gerar muito desconforto ao governo, pois ele deve confirmar as sucessivas recusas da compra de vacina. 

Nesta 4ª feira, o clima esquentou em Brasília com o testemunho do ex-secretário de Comunicação Social da Presidência Fábio Wajngarten, em uma sessão marcada por bate-boca, xingamentos e até ameaça de prisão. A tentativa de preservar Bolsonaro, no entanto, não impediu Wajngarten de admitir que uma carta da Pfizer, na qual se dispunha a negociar vacinas, foi enviada ao governo em setembro/2020 e ficou dois meses sem resposta.

Na agenda de quinta-feira, destaque também para o IBC-Br, devendo interromper uma sequência de 10 meses de crescimento na margem e voltar a recuar em março, quando a piora da pandemia de covid-19 provocou aumento de medidas de restrição à circulação. Ontem, apesar de a queda de 4,00% no volume de serviços em março contra fevereiro maior que o esperado, o crescimento de 4,5% contra um ano antes superou as estimativas de mercado. 

BALANÇOS – Além de Petrobras, saem depois do fechamento Sabesp, Bradespar, CPFL, Cyrela, Ecorodovias, Energisa, IRB, Magazine Luiza, Qualicorp e Rumo. 


No exterior, além do PPI, é importante conferir nos EUA os pedidos de auxílio-desemprego, com perspectiva de alta para 500 mil, de 498 mil na semana passada. México (15h), Chile (18h) e Peru (20h) decidem juro.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

CPI DA COVID NO CENTRO DOS DEBATES

 No Brasil, a CPI da Covid no centro das atenções, com o bombástico depoimento de Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação. O que ele dirá? Comprometerá o governo, mais ainda, o ex-ministro Pazuello, chamando-o de incompetente pelas negociações com a Pfizer? Nos EUA, atenção para o CPI, importante para o balizamento de juro do Fed.


Estimativas de mercado apontavam alta de 0,2% em abril e 3,6% na taxa anualizada, contra a base fraca do ano anterior. No núcleo, 0,3% no mês e 2,3% na comparação anual. 

Aguardemos como o Fed deve reagir, dado o intenso fluxo de recursos para os emergentes e que uma mudança de postura de Jerome Powell tudo pode alterar. 

No Brasil, como "pano de fundo", as várias operações de IPOs das empresas, visando se "capitalizar" para o pós pandemia, o aumento nos ingressos externos e no comercial, o superávit da balança causado pelo grande volume de exportações agrícolas para a China. E viva o super ciclo das commodities! 

Decorrente disso, o dólar já testava os R$ 5,20, não sendo surpresa se recuar abaixo disso.

Ainda sobre o Brasil, outro fato a chamar atenção é a discussão do tal "orçamento paralelo", denunciado pelo Estadão, mas ainda a comprovar. O que se comenta é que variados "projetos" da estatal Eletrobras deveriam ser usados no Norte e Nordeste, como "moeda de troca" com o Centrão.

Sobre a CPI da Covid, foi surpreendente nesta terça-feira o desempenho do presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, elogiado por todos, até por membros da oposição. 

Afirmou ele ter posições bem diferentes do presidente da República, Jair Bolsonaro, em diversos temas, como o uso de máscaras, vacinas e distanciamento social. Bastidores indicavam que esta participação irritou profundamernte o Planalto. Em paralelo, o Ministro da Saúde já anunciou que fechou a compra de 100 milhões de doses da Pfizer. As doses começam a chegar a partir de setembro, mas serão usadas somente em outubro (35 milhões).

Enquanto isso, o ex-ministro Pazuello garantiu junto a AGU habeas corpus para permanecer em silêncio na CPI da Covid, não respondendo a ninguém no seu depoimento do dia 19.

Na agenda deste dia, destaque para os dados do volume de serviços, do IBGE, previsto para recuo de 3,1% na margem. De tarde, temos o fluxo cambial, a derrubar ainda mais a moeda norte-americana.

Nos balanços, Eletrobras, depois do fechamento, junto com BRF, JBS, Cia. Hering, Eneva, Hapvida, MRV Engenharia, Natura & Co, Suzano, Via Varejo e Yduqs.

Nos EUA, atenção para o CPI de abril, também a ser divulgado na Alemanha (3h). A AIE solta seu relatório mensal de petróleo (5h). A commodity poderá ser influenciada também pelo estoques semanais do DoE (11h30).

MACRO MERCADOS DIÁRIO 120521 MAIS SOBRE A ATA DO COPOM

Os mercados continuam operando em torno da trajetória das commodities, com especial atenção para a soja e o minério de ferro no Brasil, e seus possíveis impactos inflacionários. Isso parece ser preocupação no mundo, também no Brasil, sendo que por aqui o BACEN já está agindo, correndo atrás da curva.

Nos EUA, no entanto, o debate segue intenso, com o Fed ainda achando faltar muito para o início do ciclo de aperto monetário, já que, na leitura deles, o desemprego ainda é elevado (em torno de 6,1% da PEA) e as pressões inflacionárias, ainda transitórias. Nesta quarta-feira sai o CPI, na quinta, o PPI.

Por aqui, o BACEN segue atento. Na ata do Copom, divulgada ontem, o board do banco deixou transparecer que o ciclo de ajustes da Selic, neste ano, deve terminar antes de chegar ao patamar neutro, em torno de 6,5%. Este seria aquele que não desestimula a economia, e mantém a inflação sob controle. Teremos um ajuste de 0,75 ponto percentual na próxima reunião do Copom, em junho, a 4,25%, outro ajuste em agosto, na mesma intensidade, a 5,0%, depois mais um, para fechar o ano a 5,5%.

Na ata do Copom, o destaque acabou sendo o parágrafo 14, na qual reitera-se de que “o processo de normalização da Selic será parcial”, argumentando que um ajuste total poderia levar as expectativas de inflação para muito abaixo da meta. “Elevações de juros subsequentes, sem interrupção, até o patamar considerado neutro implicam projeções consideravelmente abaixo da meta de inflação no horizonte relevante”.

Na verdade, temos como garantido mais um ajuste da Selic em 0,75 ponto percentual na reunião de junho, depois, tudo dependendo do ciclo de vacinação e também de como a economia e a inflação responderão. Isso porque a valorização cambial recente, com o dólar a R$ 5,20, é um fator poderoso de “amortecimento” dos preços tradeables (bens sensíveis ao câmbio), assim como o ritmo de retomada da economia ainda muito desigual e fraco, só devendo deslanchar com o fim do ciclo de vacinação. E este, ao que tudo indica, deve ficar para setembro ou outubro. Entre março e abril deste ano, devido ao atraso destas vacinações e pelo lockdown parcial em alguns e estados, a atividade sentiu o tranco e recuou, com a indústria e o comércio no mensal, em queda

Sobre a inflação, o IPCA de abril registrou 0,31%, desacelerando contra março (0,60%), mas no acumulado em 12 meses em elevação, 6,76%, por substituirmos períodos de baixa do primeiro semestre do ano passado com mais elevados. Até junho este índice do IBGE, em 12 meses, deve chegar a 8%. Analisando o índice por segmentos, observamos recuo nos preços dos bens não duráveis (alimentos), aceleração nos monitorados e os serviços (não comercializáveis) em baixa. Nossa projeção para o final do ano segue em 5,1%, mas devemos estar atentos ao reajuste da energia elétrica, em faixa vermelha, sancionado agora entre abril e maio.

Enfim, acreditamos ter uma leitura do BACEN bem clara sobre como deve atuar na política de juro até 2022. Tentará se antecipar neste ano, elevando o juro a 5,5% até setembro, dar um tempo, observando a atividade e a inflação. Na verdade, seu objetivo é trazer o IPCA, de 8% em junho para próximo ao centro da meta (3,75%), mesmo elevando o juro real a 4% e a Selic a 6,5%.
























terça-feira, 11 de maio de 2021

MACRO MERCADOS DIÁRIO 11/05/2021 - DIA DE ATA DO COPOM

Iniciamos esta terça-feira atentos ao que será dito na ata do Copom, embora já pareça consenso a estratégia de “ajustes parciais” do Banco Central, pelo menos até a Selic atingir 5,5% e depois se “aguardar como a atividade econômica deve transcorrer, assim como o ciclo de vacinações”.

Sobre a pandemia, há um certo desconforto no ar, pois não conseguimos ainda sair das 750 mil aplicações diárias de vacina. No balanço do dia 10 são 889 óbitos diários, acumulando 423 mil até o momento. A média de novos casos segue estabilizada, mas hoje o total foi muito influenciado pelo Paraná. São 25.200 novos casos e 13,5 milhões de recuperados.

Como dito acima, na vacinação não estamos bem. Estacionamos em 750 mil doses diárias, e deveríamos estar no dobro disso. A China está vacinando mais de 7 milhões por dia, a Índia e os EUA 2 milhões e a Alemanha 800 mil. Israel já terminou o ciclo de vacinações e ao que parece, retorna a vida normal, mesmo que num novo olhar, pela ausência de mortes e novos casos.

Nesta segunda-feira, dia 10, os mercados se movimentaram de forma “estreita”, diante da agenda pesada desta semana. Na terça, dia 11, destaquemos a ata do Copom, na quarta-feira o IPCA, dados de atividade de Serviços, balanços corporativos e ao longo da semana a CPI da Covid.

Nos EUA, o movimento das T-notes deu uma estressada diante da intensificação do debate do Fed sobre se seria o momento de começar a discutir um corte nas compras de bônus. Isso jogou pressão sobre as bolsas de forma geral, mas os papéis de tecnologia foram os que mais sentiram, e a Nasdaq caiu mais de 2,5%.

Enquanto isso, no entanto, apesar dos ruídos políticos vindos da CPI da Covid e da revelação sobre um "orçamento secreto", feita no fim de semana, os juros futuros de curto prazo seguiram perto da estabilidade, à espera da comunicação do Banco Central logo cedo.

Esse ambiente de cautela fez o real ser capturado pelo movimento lateral da divisa americana ao redor do globo, o que resultou em discreta valorização de 0,07% no mercado à vista, a R$ 5,2320, a despeito de nova redução de posições contra a moeda brasileira na B3 e em Chicago. Já o Ibovespa não escapou do comportamento “morno” dos demais ativos, ao terminar com perda de 0,11%, a 121.909 pontos, apesar do avanço de bancos e Petrobras. Nem mesmo a disparada dos preços do minério de ferro teve força para sustentar Vale, o que ajudou a segurar o índice.

Na agenda de balanços corporativos da semana, na terça-feira, Carrefour, BTG PACTUAL, Klabin, Banco Inter, Telefônica, Petrobras e Sul América; na quarta-feira Eletrobras, Suzano, Rumo, MRV, JBS, BRF, LOCAWEB e YDUQS; na quinta, MAGALU, IRB, BRMALLS, RENNER e Natura, e, finalmente, na sexta, CVC, COSAN, COGNA e CEMIG.

TERÇA-FEIRA NO MERCADO

Nos EUA, a inflação continua no radar dos investidores, no Brasil o câmbio segue “derretendo”, dado o carry trade em curso e o ingresso de recursos externos, devido às concessões, fusões e exportações de agronegócio. Por outro lado, seguem as incertezas fiscais e os ruídos políticos. Nesta terça-feira, atenção para a ata do Copom e o IPCA.

O IPCA deve registrar algo em torno de 0,3% a 0,4%, num ritmo de desaceleração, mas em 12 meses ainda muito elevado. Sobre a ata, o segredo será saber o que o Bacen deve decidir da sua “normalização parcial” da taxa Selic, quando boa parte do mercado esperava que a expressão fosse retirada na reunião do dia 5. O Copom de junho deve registrar mais um ajuste de 0,75 ponto percentual, a 4,25%, depois mais um, de 0,75 p.p., e outro, de 0,5 p.p., até a Selic fechar o ano em 5,5%.

Na 2ª feira, em NY havia uma releitura do payroll (266 mil), considerando que os números fracos podem ter sido distorcidos pelo auxílio garantido pelo pacote fiscal de Biden, que desestimularia a procura por emprego (abaixo). Esperava-se algo em torno de 1 milhão.

Falando da pandemia, e do ciclo de vacinação, há alguma frustração com o ritmo de 750 mil, enquanto o ideal seria o dobro. No stress entre governo federal e os chineses o problema é o atraso das remessas, afetando o cronograma de imunização a partir de junho. A expectativa é de que o insumo seja liberado até 5ª feira, chegando até dia 18, mas o envio ainda não confirmado.

Nesta semana, o Instituto Butantan deve entregar mais um milhão de doses (amanhã) e um 1,1 milhão na 6ª feira, direcionadas para as capitais que estão retomando a aplicação da segunda dose da Coronavac. Em nota ontem à noite, a Anvisa pediu suspensão imediata da vacina da AstraZeneca para grávidas, após a morte de uma gestante no Rio de Janeiro que havia tomado o imunizante. O caso está sendo investigado.

Retonamos também a CPI da Covid, com o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, questionado principalmente sobre a Sputnik V. O testemunho do ex-chanceler Ernesto Araújo, na 5ª feira, parece muito aguardado, após notícias de que ele mobilizou o Itamaraty para conseguir cloroquina, quando o medicamento já era considerado ineficaz contra a covid.

Por fim, o ex-ministro Pazuello continua tentando escapar da CPI, agora recorrendo ao STF para depor na condição de investigado, e não testemunha, o que lhe daria o direito de permanecer em silêncio para não se autoincriminar.

Em Brasília, continua a repercutir negativamente o tal “tratoraço”, um acordo com os deputados e senadores do Centrão, para a criação de um orçamento paralelo, mobilizando R$ 3 bilhões.

Sobre a agenda de reformas, “meio de lado”, Arthur Lira defende uma “reforma tributária possível”, dividida em duas partes. A reforma administrativa deve ser entregue pela Câmara ao Senado em um mês e meio e ainda o debate sobre as privatizações. Segundo ele, “a pauta econômica tem que ser destravada este ano, porque 2022 é ano eleitoral”.

MAIS AGENDA – Influenciado pela gasolina mais barata, o IPCA de abril (9h) deve perder fôlego, de 0,93% em março para 0,3% a 0,4%.

Na agenda de balanços corporativos da semana, na terça-feira, Carrefour, BTG PACTUAL, Klabin, Banco Inter, Telefônica, Petrobras e Sul América; na quarta-feira Eletrobras, Suzano, Rumo, MRV, JBS, BRF, LOCAWEB e YDUQS; na quinta, MAGALU, IRB, BRMALLS, RENNER e Natura, e, finalmente, na sexta, CVC, COSAN, COGNA e CEMIG.

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