terça-feira, 29 de abril de 2025

BDM Matinal Riscala 2904

 *Rosa Riscala: IGP-M, Galípolo, Petrobras e Jolts são destaques*


… Será divulgado hoje nos EUA o primeiro de uma série de indicadores do emprego desta semana, que termina com o payroll. O relatório Jolts (11h) deve mostrar a criação de 7,5 milhões de vagas em março, mantendo o ritmo de fevereiro, que trouxe uma significativa redução. Os dados são importantes para calibrar as expectativas de queda dos juros. Quanto mais fracos, mais aumentam as chances de o Fed agir. Em NY, investidores voltaram a fugir do risco, em meio ao impasse tarifário, derrubando o dólar, os juros dos Treasuries e sem ânimo para as ações, antes dos balanços das big techs. Aqui, Petrobras divulga o relatório de produção e vendas, após o fechamento. São destaques, ainda, o IGP-M de abril e a coletiva de Galípolo (11h) para comentar o Relatório de Estabilidade do BC (8h).


… Nesta 2ªF, Galípolo puxou os juros de curto prazo com declarações surpreendentemente mais hawkish do que sinalizou Diogo Guillen, notório falcão remanescente da equipe de Campos Neto, ao dizer que o ciclo de aperto da Selic ainda não terminou (abaixo).


… O enfraquecimento do dólar, que colocou o câmbio abaixo de R$ 5,65, limitou as altas das taxas futuras, refletindo um momento difícil para os ativos americanos, que enfrentam “greve de compradores estrangeiros”, segundo o Deutsche Bank.


… O chefe de estratégia de câmbio do banco, George Saravelos, analisou os fluxos para uma variedade de fundos que pegam dinheiro do exterior e o canalizam para ações e títulos dos EUA e concluiu que eles mostram uma “parada brusca” nos últimos dois meses.


… “Na melhor das hipóteses, os dados mostram desaceleração muito rápida nos fluxos de capital e, na pior, desinvestimento contínuo em ativos americanos.” O relatório afirma que não houve recuperação nem mesmo nos melhores dias da semana passada.


… Saravelos revisou para baixo sua previsão para o dólar neste mês e prevê queda para US$ 1,30 em relação ao euro e 115 em relação ao iene até 2027, ante cerca de US$ 1,14 e 142 ienes atualmente. A crise não dá sinais de solução no curto prazo.


… Trump continua esperando que a China dê o primeiro passo, enquanto cresce o apoio dos chineses para Xi Jinping resistir.


… Reportagem da Bloomberg afirma que “os ataques de Trump à China estão desencadeando uma onda de apoio nacionalista a Xi”.


… “As pessoas estão realmente dispostas a não se curvar e lutar até o fim”, disse James Zhang, um exportador de móveis de Ningbo, que obtém 60% de sua receita das vendas aos EUA. Segundo ele, “ceder não abre caminho, apenas abre um beco sem saída.”


… Os chineses temem que qualquer concessão aos EUA apenas permitirá a Trump aumentar suas exigências.


… Enquanto Trump enfrenta crescente pressão para recuar, as suas ações contra a China ajudam a reforçar a posição de Xi. O líder chinês tem o apoio até de seus críticos, que querem que o governo se mantenha firme contra um ataque econômico sem precedentes.


… Gigantes da internet chinesa, como Alibaba, JD.com e PDD Holdings, apressaram-se a implementar políticas de apoio aos exportadores, reduzindo as taxas e os custos da plataforma para promoção de produtos e campanhas agressivas de marketing.


… Ainda não está claro quanto tempo durará o momento de patriotismo da China. O verdadeiro teste deve vir com o passar das semanas e dos meses, quando os trabalhadores chineses perderão seus empregos e enfrentarão dificuldades econômicas.


… A Bloomberg Economics calcula que as tarifas nos níveis atuais poderiam eliminar mais de 80% das exportações da China para os EUA, reduzindo dois pontos percentuais do PIB se as fábricas não encontrarem novos mercados para seus produtos.


A BOA NOTÍCIA É QUE… – O governo americano tomará medidas hoje para reduzir o impacto das tarifas sobre a indústria automobilística, confirmou o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, em comunicado.


… Washington deve flexibilizar os impostos sobre carros fabricados no exterior e autopeças importadas.


… Segundo o WSJ, as empresas americanas que pagam tarifas de 25% sobre automóveis importados não precisarão pagar tarifas adicionais, como as aplicadas ao aço e ao alumínio.


… A medida será retroativa e as montadoras serão reembolsadas pelos impostos extras já pagos.


… Essa mudança de postura ocorre neste momento em que Trump se prepara para viajar a Michigan, o coração da indústria automobilística norte-americana, para marcar os 100 dias de seu segundo mandato.


CANADÁ – O Partido Liberal, do atual primeiro-ministro Mark Carney, venceu a eleição. A vitória consagrou uma  reviravolta na campanha, em meio à ameaça de anexação do país pelos EUA e à guerra comercial de Trump.


… Na noite de ontem, com os votos ainda sendo contados, a imprensa internacional ponderava que ainda não era possível projetar se os liberais conseguirão formar um governo majoritário no Parlamento canadense.


MAIS AGENDA – O IGP-M de abril (8h) deve se manter em terreno negativo, com o consenso apontando para deflação de 0,09%, após a queda de 0,34% em março e alta de 1,06% em fevereiro. Às 8h30, o BC divulga os dados de crédito referentes a março.


… O diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, participa da entrevista sobre o Relatório de Estabilidade do BC ao lado de Galípolo (11h).


LUPI – Ministro da Previdência comparecerá hoje à Comissão da Câmara para falar sobre a operação da PF e CGU que investiga fraudes no INSS. O Planalto estaria incomodado com postura de Lupi e percepção é que ele deveria pedir demissão (Gerson Camarotti).


… Já fontes do Valor apuraram que Lupi não deve ser demitido por Lula, por enquanto. Avaliação de interlocutores do presidente é de que inquérito da PF não traz qualquer menção ao ministro da Previdência no esquema de corrupção.


LÁ FORA – O dia começa com o índice GfK de maio na Alemanha e a confiança do consumidor de abril na Zona do Euro (7h).


… Nos EUA, sai a balança comercial de março e os estoques no varejo e no atacado (9h30), além de preços dos imóveis em fevereiro (10h) e da Confiança do Consumidor da Conference Board em abril (11h). No mesmo horário sai o relatório Jolts.


… À noite, o Japão divulga a produção industrial e as vendas no varejo (20h50), enquanto na China saem os índices PMI de abril (22h30).


BALANÇOS – Neoenergia, Isa Energia, Marcopolo, Iguatemi, Log ON e Kepler Weber divulgam resultados hoje, na B3. Em Wall Street, são destaques Pfizer, Starbucks e General Motors. No Em tempo os balanços de Gerdau e Metalúrgica Gerdau de ontem à noite.


SÓ ACABA QUANDO TERMINA – Sinalizando que não quer queimar etapas, Galípolo disse que o BC tem certeza razoável de que a Selic está em nível contracionista, mas ainda tenta entender se está restritiva o bastante.


… O presidente do BC está incomodado com as expectativas de inflação “bastante desancoradas” e tenta entender se a estratégia adotada até aqui é suficiente para os preços convergirem ao centro da meta (3%).


… Os comentários, feitos em evento do J. Safra, parecem sugerir que o ciclo de aperto monetário ainda não chegou ao fim, que a barra está alta para um início do afrouxamento, que um corte pode demorar para vir.


… Galípolo soou diferente das falas recentes de Guillen, Nilton Davi e Pichetti, lidas como dovish, mas parte do mercado acha que ele não bateu de frente, embora possa corrigir excessos nas apostas para a taxa básica.


… Apesar da pegada mais hawkish assumida pelo presidente do BC, o Citi reduziu ontem a projeção de alta da Selic na reunião do Copom da semana que vem de 0,75pp para 0,50pp, citando as incertezas externas.


… Na reação inicial a Galípolo, os juros futuros ajustaram a rota nesta 2ªF e chegaram a subir até 18pb no miolo da curva, antes de perderem fôlego e fecharem perto da estabilidade, no dia sem novidades da guerra tarifária.


… No jogo de empurra, para ver quem se dobra antes, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse que a bola da negociações está com a China, que, de seu lado, recomendou aos EUA “pararem de chantagear”.


… No fechamento, o DI para Jan/26 marcava 14,675% (contra 14,630% no pregão anterior); Jan/27, 13,905% (de 13,885%); Jan/29, 13,640% (de 13,590%); Jan/31, 13,930% (de 13,900%); e Jan/33, 14,030% (de 14,020%).


… Positiva para o carry trade, a chance de a Selic levar mais tempo para começar a cair pode ter ajudado a dólar a emplacar a sua sétima queda consecutiva e furar o piso psicológico de R$ 5,65, cotado a R$ 5,6480 (-0,70%).


… Mas, em primeiro plano, foi a fraqueza da moeda americana em escala global que ampliou os ganhos do real. No espaço dos últimos sete pregões, a divisa brasileira registra apreciação de 4%. No acumulado do ano, sobe 8%.


… Quem poderia imaginar que os ativos americanos, historicamente resistentes a tantas crises, teriam que enfrentar o fogo amigo de Trump, que tem se provado um verdadeiro terremoto à segurança dos mercados dos EUA.


… Com a novela protecionista que não se resolve, o índice DXY, termômetro do dólar contra outras seis rivais fortes, recuou 0,54%, aos 98,929 pontos. O euro subiu 0,51%, a US$ 1,1423, e a libra ganhou 0,93%, valendo US$ 1,3439.


… Houve nova rodada de apelo defensivo pelos Treasuries, derrubando o rendimento da Note de 2 anos para 3,693%, contra 3,744% no pregão anterior, e o juro da Note de 10 anos para 4,240%, de 4,211% na última 6ªF.


… Além do incômodo com o cabo de guerra entre os EUA e a China, que está demorando demais para acabar, também o suspense com a agenda forte da semana em NY justificou a falta de apetite por risco ontem nos negócios.


… O investidor já aciona a contagem regressiva para o payroll e para os balanços de quatro das “Sete Magníficas” do setor de tecnologia esta semana: Apple (+0,41%), Meta (+0,44%), Amazon (-0,70%) e Microsoft (-0,18%).


… Em clima de esperar para ver, as bolsas em NY preferiram não se arriscar ontem: o Dow Jones subiu 0,28%, a 40.227,59 pontos; S&P 500 ficou estável (+0,06%), aos 5.528,73 pontos; e o Nasdaq caiu 0,10% (17.366,13 pontos).


… Também o Ibov não foi longe (+0,21%), embora tenha bancado (por pouco) os 135 mil pontos (135.015,89), com giro de R$ 20,5 bi. Junto com NY, o “efeito Galípolo” pode ter ajudado a inibir a bolsa, que não gosta de juros altos.


… Depois do tombo de quase 3% no pregão anterior, Vale testou alguma reação (+0,35%, a R$ 54,04), desafiando a queda de 0,49% do minério. Petrobras ON (-0,64%, a R$ 32,46) e PN (-0,39%, a R$ 30,40) caíram com o petróleo.


… O barril do Brent recuou 1,51%, a US$ 65,86, de olho em um potencial aumento da oferta pela Opep+, que se reúne no dia 5 de maio, e na disputa de forças entre a China e os EUA, que eleva a incerteza sobre a demanda global.  


… Entre os papéis dos bancos no Ibov, ficaram no lado positivo Santander (+1,29%; R$ 28,24), BB (+1,21%; R$ 28,35) e Itaú (+1,07%; R$ 34,99). No campo oposto, Bradesco caiu: 0,25% (ON, a R$ 11,94) e 0,22% (PN, a R$ 13,35).


EM TEMPO… GERDAU registrou lucro líquido ajustado de R$ 758 milhões no 1TRI, queda de 39% na comparação anual; Ebitda ajustado somou R$ 2,40 bilhões, recuo de 14,6% ante mesmo período de 2024…


… Companhia aprovou a distribuição de R$ 243,5 milhões em dividendos, o equivalente a R$ 0,12 por ação, com pagamento em 19/5…


… Conselho de Administração aprovou a incorporação da subsidiária integral Gerdau Summit Aços Fundidos e Forjados; operação será submetida à deliberação pela assembleia geral extraordinária da companhia, em 30/5…


… Colegiado também aprovou o cancelamento de 517.600 ações ON e de 24 milhões de ações PN; assim, capital social da companhia passou a ser dividido em 718.346.219 de ações ON e 1.309.848.730 de ações PN…


… Empresa concluiu a aquisição das pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) de Garganta da Jararaca e Paranatinga II, localizadas no Mato Grosso, por R$ 441,7 milhões.


METALÚRGICA GERDAU registrou lucro líquido ajustado de R$ 756 milhões no 1TRI, alta de 13,4% na comparação anual; Ebitda ajustado somou R$ 2,4 bilhões, ganho de 0,4% em relação ao mesmo período de 2024…


… Companhia aprovou a distribuição de R$ 79 milhões em dividendos, o equivalente a R$ 0,08 por ação, com pagamento em 20/5…


… Conselho de Administração aprovou o cancelamento de 6 milhões de ações; assim, capital social da companhia passou a ser dividido em 365.111.201 de ações ON e 628.594.603 de ações PN.


YDUQS aprovou a distribuição de dividendos no valor de R$ 150 milhões, o equivalente a R$ 0,5706 por ação, com pagamento em 8/5; ex em 29/4.


COGNA aprovou a distribuição de R$ 120,8 milhões em dividendos, o equivalente a R$ 0,0667 por ação, com pagamento até 30/5; ex hoje.


VIBRA ENERGIA concluiu saída da sociedade ZEG Biogás e Energia, conforme havia divulgado em março.


LATAM fechou o 1Tri com lucro líquido atribuído aos acionistas controladores de US$ 355 milhões, alta de 37,6% na comparação com igual período do ano passado. A receita total no trimestre foi de US$ 3,4 bilhões (+2,7%)…


… O Ebitda ajustado fechou o trimestre em US$ 962 milhões, alta de 20,9% e considerado recorde trimestral.

Josue Leonel

 *Juro reflete Galípolo e Tesouro; dados EUA em foco: Mercado Hoje*


Por Josue Leonel

(Bloomberg) -- Mercado monitora entrevista de Gabriel

Galípolo e Diogo Guillen sobre Relatório de Estabilidade

Financeira, depois que o presidente do BC reiterou ontem a

comunicação recente da autoridade monetária. Juros futuros

também podem refletir oferta de títulos pós-fixados, além do

IGP-M e resultado do governo central. Após o fechamento,

Petrobras divulga resultados de produção e vendas. CEO Magda

Chambriard participa de evento. Ebitda ajustado da Gerdau supera

estimativas.

Dólar, que ontem teve sessão de alívio, volta a subir no

exterior, na véspera da definição da Ptax no mercado doméstico.

Bolsas europeias e futuros de NY ensaiam altas leves com

balanços e indicadores em foco. EUA divulgam dado de emprego

JOLTS e índices da Conference Board. Investidor mantém no radar

a guerra comercial, que tem desdobramentos mistos.

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*T

Às 7:30, este era o desempenho dos principais índices:

S&P 500 Futuro +0,2%

STOXX 600 +0,4%

FTSE 100 +0,3%

Nikkei 225 +0,4%

Shanghai SE Comp. -0,1%

MSCI EM +0,4%

Dollar Index +0,3%

Yield 10 anos +2,3bps a 4,2313%

Petróleo WTI -1,3% a US$ 61,24 barril

Futuro do minério em Singapura +0,1% a US$ 98,5

Bitcoin +0,5% a US$ 94971,56

*T

Internacional

Bolsas sobem com indicadores e balanços em foco

* Bolsas europeias sobem pelo sexto dia e futuros de Nova York

têm ganhos modestos antes de balanços e indicadores, enquanto

mercados monitoram negociações comerciais

* Governo Trump pode aliviar o impacto de suas tarifas

automotivas, com eliminação de alguns impostos sobre peças

estrangeiras para carros e caminhões fabricados nos EUA

** Notícia sugere uma relativa calma nos mercados após a extrema

volatilidade provocada pelos anúncios de tarifas em 2 de abril

* Porém, secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse à CNBC que

os EUA deixaram a China de lado enquanto buscam acordos com

cerca de 15 a 17 outros países

* Além de resultados corporativos, investidores monitoram dados

em busca de pistas sobre a saúde da economia americana e

perspectivas para corte de juros do Fed

** EUA divulgam indicador JOLTS de emprego e índice Conference

Board de Confiança do Consumidor às 11:00

* Índice dólar e rendimentos dos treassuries sobem

* No Canadá, Partido Liberal deve vencer quarta eleição

consecutiva, dando mandato ao ex-banqueiro central Mark Carney

* Petróleo prolonga a queda com perspectiva de demanda

prejudicada pela disputa comercial, com a China intensificando

sua resistência às tarifas do governo Trump

** Diário do Povo, principal jornal do PC Chinês, afirmou na

terça-feira que os EUA deveriam parar com seu erro de impor

tarifas

** Ministro das Relações Exteriores Wang Yi disse também que se

as nações optarem por permanecer em silêncio, se comprometerem e

recuar, isso só levará os “valentões” a fazer mais avanços

* Cobre sobe em Londres e minério de ferro se mantém abaixo de

US$ 100 em Singapura


Para acompanhar

Galípolo, Guillen, Tesouro, governo central, IGP-M;

Petrobras

* Galípolo e diretores Diogo Guillen e Ailton de Aquino

participam às 11:00 de entrevista sobre o Relatório de

Estabilidade Financeira

** Presidente do BC afirmou ontem que comunicação segue vigente

e citou preocupação com a incerteza externa, dinâmica da

inflação e desancoragem das expectativas

* Tesouro oferta pós-fixados; na semana passada, fez oferta

enxuta de 600.000 NTN-B e 900.000 LFT

* NOTA: Vencimento de R$ 154,9 bi em NTN-B em 15/05

* FGV divulga às 8:00 IGP-M de abril; estimativa -0,07%

* Tesouro divulga às 14:30 resultado primário do governo central

de março, estimativa R$ 1,3 bi, anterior -R$ 31,7 bi

* BC oferta 20.000 contratos de swap cambial para rolagem

* Petrobras divulga resultados de produção e vendas para o

primeiro trimestre de 2025, após fechamento

* CEO Magda Chambriard participa de evento com Aloizio

Mercadante, do BNDES, e vice-presidente Geraldo Alckmin, às 9:00

* Balanços hoje: Iguatemi, Isa Energia, Log Commercial,

Marcopolo e Neoenergia


Outros destaques

Lula com sindicatos; Lupi, caso INSS; anistia, Collor

* Lula tem reunião às 15:00 com centrais sindicais

** Lula troca participação no 1º de maio por pronunciamento em

rádio e TV: Valor

* Lupi é esperado hoje na Câmara em meio ao escândalo do INSS:

CNN Brasil

* Alcolumbre pretende apresentar projeto alternativo para

anistia: Valor

* Costura Alcolumbre, Motta e STF mira reduzir pena de

participantes e aumentar dos líderes: Globo

** Bolsonaro indica Tarcísio e mais 14 como testemunhas em

processo no STF: Poder360

* STF decide manter prisão de ex-presidente Collor por 6 votos a

4: Uol

* Governo Lula usa cargos em conselhos para agradar Motta,

Alcolumbre e partidos: Estado

* Uso de recursos parados da Educação volta hoje ao Plenário:

Agência Senado

* CAE pode votar incentivos a bons pagadores: Agência Senado

* Câmara aprova repasses da Lei Aldir Blanc para estados e

municípios: Agência Câmara

* Tarcísio elogia Milei por cortar 5% do PIB de gasto público:

Estado

* Brasil deve ter margem de até 150 produtos em negociação com

os EUA: Globo


Empresas

Gerdau, Eletromidia, Master

* Gerdau: Ebitda ajustado 1T supera estimativas; tarifas

impulsionaram demanda por aço no curto prazo

** Gerdau aprova cancelamento de 24 mi de ações preferenciais

* Eletromidia deixará Novo Mercado após oferta de ações

* Compra do Banco Master pelo BRB depende de autorização da

Câmara do DF, diz consultoria: Estado

* JPMorgan rebaixa Caixa Seguridade a neutra

segunda-feira, 28 de abril de 2025

BDM Matinal Riscala 2804

 _Caros amigos, bom dia!_

_Iniciamos as transmissões do BDM Online com o BDM Morning Call, que traz as expectativas da pré-abertura._


*BDM Morning Call: Semana tem agenda forte em NY*


[28/04/25] Vários indicadores do mercado de trabalho nos EUA podem ajustar as expectativas para o Fed, após Jay Powell ter citado o impacto das tarifas sobre o emprego como a principal variável para decidir uma queda dos juros. O payroll de abril (6ªF) é a maior expectativa, mas antes são importantes o relatório Jolts e a pesquisa ADP. A agenda forte em NY inclui, também, a preliminar do PIB/1Tri e o PCE de março, a medida preferida de inflação do Fomc. No calendário de balanços, destaque para Microsoft, Meta, Apple, Amazon. O feriado de 1º de maio (5ªF) fecha os mercados no Brasil e em alguns países da Europa, mas não em Wall Street. A temporada de resultados ganha ritmo na B3 e, entre os indicadores, atenção para os dados de emprego do IBGE e do Caged, que podem influenciar as apostas ao Copom. *(Rosa Riscala)*


_Leia o BDM Morning Call na íntegra acessando o link_

www.bomdiamercado.com.br

Bankinter Portugal Matinal 2804

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: As bolsas irão subir graças a: (i) uma aparente desescalada alfandegária e (ii) alguns representantes do BCE e da Fed mostram-se a favor de continuar a baixar taxas de juros. Mas foram alívios ocasionais num contexto deteriorado. Não estamos num contexto bom e construtivo que podemos confiar como antes. Por isso, devemos continuar a ter precaução, que não é o mesmo que ter medo. Se continuarmos a assumir riscos quando o contexto se deteriora e se torna confuso, então confiamos tudo à sorte. E já sabemos que há dois tipos de sorte: a má e a boa.


O recente alívio não parece fiável porque, mesmo após a melhor das renegociações possíveis, serão aplicados impostos alfandegários que antes não existiam e isso irá travar o PIB global e reavivar a inflação, forçando, por extensão, uma revisão em baixa dos lucros empresariais. Como prova disto, o PIB 1T’25 americano que será publicado na quarta-feira poderá mostrar uma contração de -2,5%, segundo estima a Fed de Atlanta (em inglês)… embora o consenso do mercado se situe num complacente +0,4%/+0,2%. E não esqueçamos que as revisões em baixa dos lucros empresariais (EPSs 2T e 3T 2025) não serão transmitidas ao mercado até daqui a umas semanas (junho?). isto é ignorado agora, mas acontecerá. Por isso, as subidas parecem um pouco ingénuas se elevarmos a perspetiva… apesar de esta semana poder arrancar em positivo, mas poderia enfrentar um choque de realidade com o PIB 1T americano de quarta-feira e piorar.


CONCLUSÃO: Sejamos céticos em relação às subidas recentes: caminhamos para maior inflação, menor crescimento, lucros empresariais revistos em baixa… e isso não é melhor, pelo contrário. Não é um desastre, mas exige um ajuste de preços/avaliações em baixa para poder voltar a assumir riscos. Faz sentido que Wall St retroceda ca.-6% em 2025, mas não que a Europa suba ca. +5%. Numa aproximação imprudente da nossa parte, arriscamo-nos a afirmar que qualquer ajuste inferior a -15% parece insuficiente, portanto esta semana iremos vigiar especialmente o que acontece com o PIB americano de quarta-feira. Mantenhamos a cabeça fria até que chegue a oportunidade adequada de conclusão do ajuste de preços, considerando uma margem de segurança prudente e que os riscos deixem de ser assimétricos (isto é, caso haja um engano agora, a perda provável é superior ao lucro provável). 


S&P500 +0,7% Nq-100 +1,1% SOX +1% ES50 +0,8% IBEX +1,3% VIX 28,8% Bund 2,47% T-Note 4,25% Spread 2A-10A USA=+49pb B10A: ESP 3,13% PT 3,00% FRA 3,19% ITA 3,58% Euribor 12m 2,082% (fut.1,924%) USD 1,137 JPY 163,2 Ouro 3.293$ Brent 67,3$ WTI 63,4$ Bitcoin +0,7% (94.289$) Ether +1,1% (1.798$). 


FIM

Editorial OESP

 Brasil precisa de um estadista

Carlos Alberto di Franco


O Estado de S. Paulo.

28 de abr. de 2025


Tenho insistido reiteradamente num ponto que me parece essencial para compreender o impasse histórico em que o Brasil se encontra: faltam-nos estadistas. Sobram políticos. Mas falta-nos aquele tipo humano raro, que pensa o país para além do próprio reflexo no espelho. O Brasil, em sua complexidade e grandeza, não pode ser reduzido à lógica do marketing político, da sobrevivência eleitoral ou do imediatismo oportunista.


Precisamos de alguém capaz de sonhar alto, agir com responsabilidade e cultivar o senso do dever.


O estadista é, antes de tudo, um servidor da nação. Não é movido por vaidades pessoais, mas por um propósito de transformação social e institucional. A história nos mostra que os estadistas são raros – e por isso preciosos. São homens que se projetam não por gritar mais alto ou colecionar curtidas nas redes sociais, mas por oferecerem ao seu tempo uma bússola moral e uma visão de futuro. São figuras que, mesmo envolvidas nas urgências do presente, não se perdem em sua neblina. Sabem onde estão, por que estão e para onde pretendem conduzir o País.


O Brasil vive uma estagnação política e moral. Não por falta de recursos, inteligência ou potencial. Mas porque falta direção. Os ciclos políticos se sucedem sem que um projeto nacional consistente consiga firmar raízes. Oscilamos entre o populismo e o tecnocratismo, entre promessas vazias e reformas apressadas. Há uma ausência inquietante de lideranças que pensem o Brasil para além de quatro anos.


O estadista, ao contrário do político tradicional, não se limita ao calendário eleitoral. Ele planta árvores cujos frutos talvez não venha a colher. Planeja com os olhos postos em décadas. Sabe que governar não é apenas administrar crises, mas construir futuro. O estadista é um artífice da esperança, não um operador da rotina.


É preciso resgatar, com urgência, a ética da responsabilidade. Não se trata de moralismo barato, mas de um compromisso profundo com o bem comum. O estadista não manipula a verdade, não negocia princípios. Pode até perder eleições – e muitas vezes perde –, mas jamais trai sua consciência. Ele sabe que a política, para ser legítima, precisa ser ética. Sem ética, a política degenera em oportunismo, fisiologismo, corrupção.


O Brasil não pode prescindir da esperança. Mas não pode também continuar refém de salvadores da pátria, de mitos forjados em redes sociais ou de líderes cuja única ideologia é o culto à própria personalidade. A saída está no reencontro com a política em seu sentido mais nobre: a arte de servir ao povo com honestidade, competência e visão.


O estadista precisa ser desenvolvimentista – mas um desenvolvimentismo inteligente, moderno, responsável. Que compreenda as potencialidades do País, respeite o meio ambiente, invista em educação, ciência e tecnologia, valorize a indústria nacional e enfrente as desigualdades sociais com coragem. O Brasil não pode continuar sendo um país rico com um povo pobre.


E aqui, a Amazônia assume um papel estratégico e simbólico. Não há projeto de nação sem um olhar lúcido e soberano sobre a maior floresta tropical do planeta. A Amazônia não pode ser reduzida a slogans ou a objeto de disputa de interesses internacionais. Ela é parte vital da nossa identidade, da nossa biodiversidade e do nosso potencial de desenvolvimento sustentável. Como afirma Aldo Rebelo, “além da maior floresta tropical do mundo, a Amazônia também é detentora da maior fronteira mineral e da maior fronteira energética do mundo”. Um estadista entende que proteger a Amazônia é proteger o Brasil, mas compreende também que a presença do Estado, a infraestrutura, a educação e a geração de emprego são essenciais para que os brasileiros que vivem na região deixem de ser invisíveis.


O estadista não teme o enfrentamento. Mas não o procura por vaidade ou beligerância.


Seu combate é por princípios, não por holofotes. Sua autoridade vem do exemplo, não da imposição. Sua força vem da coerência, não do cálculo político.


O Brasil precisa de alguém que compreenda a complexidade do seu tempo, que una competência técnica à sensibilidade social, que alie firmeza a generosidade. Alguém que não precise gritar para ser ouvido. Que não trate o povo como massa de manobra, mas como sujeito de sua própria história.


O estadista não nasce do improviso. É alguém que conhece a alma do seu povo, respeita sua cultura, valoriza sua história. Sim, a história. Porque quem não conhece o passado está condenado a perder o futuro. A ignorância histórica é uma das raízes da superficialidade política e do desprezo pelas instituições. O estadista, ao contrário, sabe que cada passo adiante exige consciência do caminho já trilhado.


O estadista é, enfim, um construtor. Constrói consensos sem abrir mão de convicções.


Constrói políticas públicas que sobrevivem a governos. Constrói instituições sólidas.


Constrói pontes entre o presente e o futuro. E, sobretudo, constrói confiança. Porque sabe que sem confiança não há coesão social e sem coesão social não há desenvolvimento sustentável.


A hora exige coragem, grandeza e espírito público. A hora exige um estadista. •

domingo, 27 de abril de 2025

Carlos Alberto Sardenberg

 Trump enfrenta choque de realidade

Carlos Alberto Sardenberg

O Globo, sábado, 26 de abril de 2025


Só a reação interna pode deter o presidente americano. Além da sabedoria e da paciência milenares dos chineses

 

Da posse de Trump até ontem, o valor das companhias americanas listadas em Bolsas caiu cerca de 10%. É coisa de trilhões de dólares. Afeta principalmente as empresas que têm cadeias globais de produção, as maiores vítimas do tarifaço.

Mas, se a tendência foi claramente de queda nesse período, a característica principal do mercado foi a volatilidade. A partir não apenas de fatos, mas especialmente das declarações de Trump.

Esta semana foi assim. Começou bem pessimista, repercutindo ainda as falas do presidente ameaçando engrossar com a China e demitir o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central), Jerome Powell, se ele não reduzisse imediatamente a taxa de juros.

Ações desabaram.

Assustados, assessores de Trump chamaram sua atenção. Ele próprio, um homem de negócios, também se inquietou. Resultado: declarações mais amenas dizendo que as negociações com a China começavam e que ele seria “gentil”. Mais: acrescentou que as tarifas de importação sobre produtos chineses ficariam bem abaixo do teto atual de 145%. Já isso de demitir o presidente do Fed, era coisa de uma imprensa que sempre “exagera”.

Acalmou os mercados, Bolsas voltaram a subir, mas isso ficou longe de tranquilizar o pessoal de lá e do mundo todo. Gerou desconfiança, manifestada reservadamente por empresários e executivos americanos. Se a Bolsa oscila na base de declarações, fica óbvio que pode haver manipulação. Se um assessor sabe que Trump desmentirá a ameaça de demissão de Powell, sabe então que as ações subirão. Uma comprinha rápida dá um caminhão de lucros em poucas horas de pregão. Quem soube antes que Trump atacaria o Fed pode ter lucrado duas vezes.

São desconfianças, claro, mas alimentadas pela conhecida falta de escrúpulos de Trump. E de seu pouco apreço pela verdade. Ele não apenas disse que demitiria Powell, como escreveu isso em sua rede social. Ainda o ofendeu, também por escrito, chamando-o de “atrasadão” e “grande perdedor”. Depois, com a maior cara de pau, diz que foi coisa da imprensa.

No caso da China, foi ainda pior. Enquanto Trump afirmava que cabia a Xi Jinping dar o primeiro telefonema e, depois, que negociações estavam em andamento, o governo chinês negou tudo. Segundo Pequim, não há qualquer conversa. Xi não telefonou. E não telefonará enquanto Trump não suspender as tarifas e zerar o jogo. O governo chinês também quer que Washington designe um negociador responsável.

Trump ficou quieto, pelo menos até ontem.

Feitas as contas, a disputa tarifária afeta mais os Estados Unidos que a China. Do total de exportações chinesas, 13% vão para empresas e consumidores americanos. Os outros 87% estão distribuídos por diversos países, praticamente no mundo todo. A China já vinha reduzindo a dependência em relação aos Estados Unidos.

Do outro lado, 15% das importações americanas vêm da China. Outros 15%, do México, mais 14%, do Canadá. Quase a metade das importações vem de três países, todos duramente atingidos pelo tarifaço.

Executivos de supermercados advertiram Washington de que seus consumidores em breve poderiam topar com prateleiras vazias e produtos muito mais caros, uma péssima combinação. Em geral, os executivos evitam entrar em conflito com Trump, dada sua política vingativa. Mas não tiveram como evitar o tarifaço na apresentação de seus resultados trimestrais. Aí apareceram com frequência as palavras inflação e recessão. Eis o ponto: só a reação interna pode deter Trump. Além da sabedoria e da paciência milenares dos chineses.

Por falar em tarifaço e países protecionistas, a Nintendo acaba de lançar seu game Switch nos Estados Unidos por US$ 450. Para o Brasil, o lançamento oficial está marcado para 5 de junho, ao preço sugerido de R$ 4.500. É só fazer as contas para verificar onde está o protecionismo. É curioso: nos meios econômicos brasileiros, a crítica a Trump é praticamente unânime. E os nossos tarifaços?

Tiberio Canuto Queiroz

 Não digam que não avisei

A leitura da entrevista  no Globo de Felipe Nunes, - um dos autores do livro Biografia do Abismo, e CEO DO instituto de pesquisa Quaest - deveria ser de leitura mandatória para a esquerda. Segundo ele, enquanto Lula e Bolsonaro estiverem vivos, o país continuará dividido em partes praticamente iguais entre os dois. Sobram cerca de 10% dos eleitores que não são nenhum nem outro. Eles podem pender para um  dos lados, a depender de quem seja o candidato. Com Bolsonaro inelegível, as chances de a direita  sair vitoriosa em 2026 são mais factíveis se seu candidato tiver um perfil mais  moderado, capaz de dialogar com esses 10% dos eleitores. Aí os nomes de Tarcísio e Zema, ainda segundo Felipe Nunes, são os que, nesse espectro político, mais se adequam ao figurino.

Agora entro eu, dizendo algo que meus amigos petistas jamais concordarão. Mas como sou de uma “esquerda positiva”, tipo a de San Tiago Dantas que propunha um caminho moderado a Jango para evitar o golpe de 64, vou insistir na minha tese. Se tivesse juízo, o PT e demais partidos de esquerda deveriam lançar um candidato  com perfil adequado ao figurino de dialogar com os 10%. Este candidato não necessariamente deveria  ter um perfil de esquerda, mas também não poderia ser antiesquerda. Diria, que deveria ter um perfil de centro-esquerda, mas com poder de dialogar com o eleitorado de centro-direita de perfil moderado,  que em 2022, majoritariamente, foi para Lula.

No mercado político brasileiro vejo um nome com esse perfil: Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro.  Aliás, diria que Quaquá, vice-presidente do PT, também enxerga isso. Só que propondo Eduardo Paes  para vice de Lula, em 2026. Quaquá é muito malandro. Quer tirar as castanhas do fogo com a mão dos outros. Dele se fala cobras e lagartos, mas tem faro político.

Pode-se arguir  que Eduardo Paes sequer aparece nas pesquisas a presidente e que hoje apareceria com baixíssima percentagem de intenção de voto. Isso é irrelevante. O importante é que seu nome tem potencial de agregar forças suficiente para uma candidatura altamente competitiva, se a esquerda também estiver nesse barco.

Outro nome seria Simone Tebet, mas ela se anulou no governo. Queimou o capital político  que tinha, ao Lula exilá-la num ministério sem a menor visibilidade e relevância. Não inclui João Campos, um político promissor, antenado com a modernidade e com capacidade de dialogar com amplo espectro político, por ter menos de 35 anos. Não pode, pela constituição ser presidente da República antes de ter essa idade.

Qual a grande dificuldade  para uma saída que chamo de virtuosa para 2026? Ela se chama Lula. Como todo bom caudilho – e Lula é isso, embora meus amigos petistas sintam-se incomodados quando digo isso -  não aceita  uma frente ampla cuja candidatura a presidente não seja a sua. Aliás, Lula não aceita montar um governo verdadeiramente de Frente Ampla – e não montou um terceiro mandato com esse perfil, basta olhar para o núcleo duro do governo, aquele com assento no Palácio do Planalto, constituído  de petistas puro-sangue.

Além do caudilhismo de Lula outro obstáculo difícil de se contornar é o hegemonismo do PT, sempre refratário  a participar de governos ou frentes em que não seja hegemônico. É um mal que vem da origem do PT, da sua postura de fazer do rechaço  o centro de sua política. Foi por isso que não participou, e foi contra, a eleição de Tancredo Neves e fez oposição sangrenta  ao governo FHC, tal qual o Bolsonarismo faz agora ao terceiro governo Lula.

O momento exige uma estratégia defensiva, de a esquerda entender que não é mais hegemônica na sociedade -se é que algum dia o foi -  e montar uma chapa capitaneada com alguém que, de fato,  fuja da armadilha da polarização. Sem isso, o risco de a extrema-direita voltar ao poder e de avançar no Parlamento a ponto de eleger um número de senadores suficientes para aprovar impeachment de ministros do STF, é muito grande. 

No Chile  da Concertacion Democrática e no Uruguai da Frente Ampla nem sempre a esquerda disputou a eleição capitaneado a chapa. Aliás, no interior da frente, esquerda e centro-esquerda se revezaram, com êxito,  no  comando da aliança e, por isso, governaram seus países sucessivamente.

Temos no Brasil uma experiência exitosa de “estratégia defensiva”. Assim foi na resistência à ditadura, por meio da Frente Democrática  liderada pelos liberais. Foi ela que levou ao fim da ditadura. Não foi a  estratégia do “rechaço”, do apelo às armas e da pregação do voto nulo. Esses foram derrotados política e militarmente.

A realidade hoje exige que a esquerda deixe de lado a contradição de falar em Frente Ampla mas   realizar um governo do PT, como ressaltou Felipe Nunes em sua entrevista. É preciso ter a humildade de entender que 56% da população acha que o governo Lula vai na direção errada e que a derrota em 2026 bate à sua porta, se continuar se guiando pelo hegemonismo.

Sei que é esperar muito de nossa esquerda. Também sei que prego no deserto, mas prefiro a nadar contra a corrente a me omitir. Se o pior acontecer em 2026, não digam que não avisei.

Nova tarifa global

 *Capital Economics: Nova tarifa global dos EUA deve elevar sobretaxa efetiva para 14,5%* Por Gustavo Boldrini São Paulo, 21/02/2026 - O aum...