sexta-feira, 28 de março de 2025

Fabio Alves

 FÁBIO ALVES: PRECIFICANDO AS TARIFAS APÓS 2 DE ABRIL


Há um sentimento de confusão no mercado, segundo vários analistas, à medida que se aproxima o dia 2 de abril, data prevista para o início da vigência das tarifas de importação recíprocas dos Estados Unidos. E a pergunta que muitos se fazem agora é: estaria o mercado precificando corretamente o nível de tarifas que, de fato, vai prevalecer a partir de 2 de abril? Onde a régua vai parar? No cenário mais otimista, de praticamente nenhum aumento tarifário? Ou no mais pessimista, de uma guerra comercial global de maiores proporções? Ou ainda, um meio termo? Já estamos chegando ao fim deste mês, e ainda não há consenso sobre o que resultará em termos de elevação das alíquotas dessas tarifas de importação. O presidente americano Donald Trump sugeriu que pode haver flexibilidade na adoção das tarifas recíprocas e espaço para negociação. Assim, o mercado vem operando relativamente no escuro, daí o erro de precificação correta do cenário adiante. Inicialmente, os investidores chegaram a duvidar que Trump levasse a cabo seu planto de imposição de tarifas pesadas, deflagrando uma guerra comercial que poderia resultar em inflação mais alta e recessão nos EUA. Depois, houve uma fase de histeria, quando os anúncios se sucederam. Em seguida, os investidores passaram a ignorar esses anúncios, diante dos recuos de Trump, ora assinando decretos de novas alíquotas, ora anunciando pausas na adoção das tarifas. Na quarta-feira, por exemplo, os mercados acionários recuaram quando Trump assinou o decreto impondo a tarifa de 25% sobre os carros importados pelos EUA, mas, no mercado de câmbio, essa notícia praticamente não causou maior estrago. “Talvez o mercado de câmbio esteja lidando com uma fatiga das tarifas, e - para além do que já foi precificado - a pouca reação [às alíquotas sobre automóveis] pode ter sido um reflexo de Trump ter sugerido que as tarifas recíprocas podem ser bem lenientes”, afirmou o chefe global de estratégia e mercados do banco ING, Chris Turner. Já o economista-sênior de mercados da consultoria Capital Economics, Hubert de Barochez, ponderou que os mercados acionários de vários países com peso importante da indústria automobilística sofreram bastante com o anúncio da quarta-feira por Trump. E que os investidores de bolsas não se mostraram indiferentes, como parecia até há pouco tempo. “A diferença é que as ameaças estão se tornando agora cada vez mais concretas”, disse Barochez. Na opinião dele, os mercados globais de ações vão passar por pressão adicional no curto prazo, “talvez até na próxima semana, quando Trump deve finalmente anunciar as tarifas recíprocas”. Segundo Wei Yao, analista do banco francês Société Générale, disse que, considerando tudo o que Trump e seus assessores já falaram até o momento, esperam-se três inciativas a serem anunciadas no dia 2 de abril. “Duas delas sobre o reequilíbrio do comércio (tarifas recíprocas e específicas de setores) e uma sobre geopolítica (tarifas secundárias para os países que importarem petróleo venezuelano)”, explicou Yao. Ainda segundo Yao, Trump sinalizou o foco sobre tarifas recíprocas para 15% dos países que mantêm um desequilíbrio comercial persistente com os EUA. “Nenhuma lista exata foi divulgada, mas devemos esperar que essa lista irá incluir qualquer país [ou região] com superávit comercial com os EUA, os quais, em ordem decrescente, seriam China, União Europeia, México, Vietnam, Japão, Taiwan, Coreia, Canadá, Índia, Tailândia e Suíça”, afirmou a analista do Société Générale. Em resumo: o mais provável é que o nível tarifário que os EUA imporá aos outros parceiros comerciais a partir de 2 de abril fique entre os cenários pessimista e otimista do mercado nas últimas semanas. Resta saber se a precificação está já ajustada a esse eventual meio termo. (fabio.alves@estadao.com) Fábio Alves é jornalista do Broadcast

TAV: Rio SP

 Exclusivo: trem-bala Rio-SP terá passagem a R$ 500, viagem de 105 minutos e investimento de R$ 60 bi


CEO da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo, detalhou o ambicioso projeto que tem previsão de iniciar a operação em 2032


Imagine viajar da cidade do Rio de Janeiro para a cidade de São Paulo em 105 minutos, em um trem-bala que se desloca a 320 km/h, a um custo de R$ 500 pela passagem. Transformar esse sonho antigo do brasileiro em realidade é tarefa do CEO da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo. Economista formado pela Universidade de Brasília (UnB), ele foi diretor da Agência Nacional da Transporte Terrestre (ANTT) e presidente Empresa de Planejamento e Logística (EPL).


Em entrevista exclusiva à EXAME, ele contou os detalhes do ambicioso projeto que tem orçamento estimado em R$ 60 bilhões para construir a infraestrutura necessária ao longo de um traçado de 417 quilômetros e que pretende começar a operação em 2032. A TAV Brasil é a empresa autorizada pelo governo a construir e explorar o projeto pelo período de 99 anos.


A possibilidade de construção do trem de alta velocidade exclusivamente pelo setor privado passou a existir em 2021, com a aprovação pelo Congresso do marco legal ferroviário, que estabeleceu o modelo de autorização.


A legislação permitiu a TAV Brasil celebrar, em 2023, um contrato com o governo para construir e explorar o serviço por 99 anos. Neste modelo não é necessário a licitação de um projeto. Todo esse processo é conduzido pelo operador privado que recebeu a autorização.


Por duas vezes, durante a gestão de Dilma Rousseff, o governo tentou, sem sucesso, licitar o projeto. Na primeira tentativa, o Executivo contrataria uma empresa ou consórcio para construir e operar o trem-bala e, como contrapartida, o projeto seria financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Entretanto, o leilão não recebeu propostas efetivas.


Sem sucesso no primeiro modelo, o governo definiu que construiria a infraestrutura e contrataria um operador, que pagaria para explorar o serviço. Mais uma vez, o projeto não saiu do papel.


Quatro estações entre Rio e São Paulo


O projeto do trem-bala entre Rio e São Paulo prevê a construção de quatro estações ao longo do trajeto de 417 quilômetros, afirmou Figueiredo. Além das estações entre Rio e São Paulo, haverá uma parada em Volta Renda (RJ) e outra em São José dos Campos (SP).


Os pontos exatos dependem da aprovação das prefeituras. No caso de Rio e São Paulo, a ideia é que sejam construídas na região central ou aproveitem estruturas já existentes para contribuir no processo de revitalização dessas áreas.


Segundo o CEO TAV Brasil, uma viagem entre todo trajeto tem custo estimado em R$ 500. Quem fizer uma o trajeto de ida e volta entre Rio e São Paulo deve gastar R$ 1.000. Já um deslocamento para Volta Redonda ou para São José dos Campos será a metade do preço: R$ 250 por trecho e R$ 500 ida e volta.


Com 38 milhões de habitantes, 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e mais de 40 destinos turísticos, os dois estados têm potencial de alavancar o crescimento com a execução do projeto. Nas contas TAV Brasil, o trem de alta velocidade tem potencial de adicionar R$ 168 bilhões ao PIB, criar 130 mil empregos diretos e indiretos, além de garantir R$ 46 bilhões em impostos até 2055.


Exploração imobiliária


Diante do custo de R$ 60 bilhões em investimentos para construção das linhas, terminais, compra de trens e sistemas operacionais, o projeto traz uma inovação em relação aos anteriores: a possibilidade de exploração imobiliária nas proximidades das estações. Com isso, o empreendimento passa a gerar receita adicional, com potencial estimado em R$ 27,3 bilhões.


A Lei de Ferrovias permite que terrenos junto às estações sejam desapropriados para criar uma área estendida em que é possível construir empreendimentos imobiliários próximos a ferrovias, como shoppings, centros empresariais e hotéis.


Segundo a TAV, ainda é possível adquirir terrenos privados para desenvolvimento imobiliário ou para evitar altos custos de desapropriação. Por exemplo, negociar com proprietários, áreas para aproveitar o crescimento da operação ferroviária. O mesmo se aplica a outras estações e imóveis estratégicos na faixa de domínio, se vantajoso.


Um caso de sucesso dessa inovação ocorreu na Coreia do Sul, na estação entre as cidades de

Cheonan e Asan, que fica a 100 quilômetros da capital Seoul. A estação foi inaugurada em 2003 e por meio dos empreendimentos imobiliários foi possível criar uma cidade que hoje tem 600 mil habitantes.




Chineses, espanhóis e fundos árabes no páreo


Após garantir a autorização do governo para o projeto, a empresa agora trabalha, segundo Figueiredo, para finalizar o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) para, posteriormente, pleitear licenças prévias, entre elas a ambiental, para iniciar a obra.


Em paralelo, o executivo tem negociado com empresas chinesas, espanhóis e fundos árabes para viabilizar os R$ 60 bilhões em investimentos necessários para obra, compra dos trens e sistemas de operação. Os nomes das companhias não podem ser revelados, diante dos acordos de confidencialidade estabelecidos entre as partes.


“Estamos em conversas com os espanhóis, que construíram muitas linhas de trens da alta velocidade. Também estamos conversando com empresas chinesas, que oferecem um pacote completo de equipamentos, construção e sistemas de operação. Ainda há conversas com fundos árabes. No fim, podemos fechar com um dos três ou ter uma estrutura combinada entre os três”, disse.


Atualmente, segundo Figueiredo, os chineses estão na vanguarda da tecnologia. O primeiro trem de alta velocidade foi inaugurado no Japão, em 1964, com ligação entre a capital Tokio e Osaka. Na Europa, a primeira linha em começou operar na França, entre Paris e Lyon, em 1981.


Os chineses inauguraram a primeira linha em 2008, entre as cidades de Pequim e Tianjing. De lá para cá, a China construiu 40 mil quilômetros de linhas para trens de alta velocidade dos 60 mil quilômetros existentes no mundo.


“Em todas as conversas, os possíveis parceiros apontam a necessidade de apoio local do governo brasileiro. É importante que o governo diga que o projeto é prioritário ou entre no Programa de Aceleração do Crescimento. Isso traz agilidade para os processos de licenciamento, desapropriação e financiamento”, disse.


Segundo Figueiredo, esse pedido formal já foi feito ao Ministério dos Transportes. A pasta avalia o pleito. Pelo cronograma da empresa, o processo de conclusão dos estudos técnicos ocorrerá até o fim de 2026. O planejamento prevê o início das operações em 2032 para, enfim, o sonho do trem-bala se tornar realidade.


https://exame.com/brasil/infraestrutura/exclusivo-trem-bala-rio-sp-tera-passagem-a-r-500-viagem-de-105-minutos-e-investimento-de-r-60-bi/

Tarcísio no game

 Entrada de Tarcísio na disputa pelo Planalto é cenário que se consolida a cada dia, diz vice em SP / Vice-governador de São Paulo acredita que apesar do posicionamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, conjuntura política acabará colocando o atual chefe do Executivo paulista na corrida presidencial de 2026- Estadão 28/3


Por Geovani Bucci (Broadcast) e Daniel Galvão


A entrada de Tarcísio de Freitas (Republicanos) na corrida pelo Palácio do Planalto em 2026 é um cenário que “cada dia mais se consolida”, na opinião de Felício Ramuth, vice-governador de São Paulo. Apesar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) insistir que será candidato, mesmo inelegível, e o próprio governador negar publicamente a intenção de disputar a presidência da República na próxima eleição, Ramuth aposta que a conjuntura política acabará colocando seu companheiro de Palácio dos Bandeirantes na disputa presidencial. É a primeira vez que um integrante da cúpula do governo estadual destaca abertamente a hipótese.


“O cenário político acaba nos empurrando para caminhos que nem esperávamos ou para os quais não estávamos nos preparando. Isso pode acontecer”, afirmou Ramuth durante entrevista exclusiva ao programa ‘Papo com Editor’, do Estadão/Broadcast.


Ramuth, que assumiria o governo do Estado em abril do ano que vem caso Tarcísio se afastasse para disputar o Planalto, reconhece que hoje, mesmo inelegível, a candidatura do ex-presidente Bolsonaro está posta. Mas a situação do ex-presidente pode se agravar ao longo dos próximos meses, à medida em que o Supremo Tribunal Federal (STF) começar a julgar os envolvidos com a tentativa de golpe de 8 de janeiro. Nesta quarta-feira, 26, Bolsonaro foi transformado em réu junto com 7 aliados.


Como mostrou o Estadão, partidos do Centrão têm pressionado Bolsonaro por uma definição e colocam um prazo para que o ex-presidente abra caminho para outro nome: o final deste ano. Bolsonaro, contudo, insiste que se manterá na disputa e registrará a candidatura mesmo estando inelegível. Uma pesquisa feita com manifestantes bolsonaristas em Copacabana, no dia 16, mostrou que a maioria prefere Tarcísio como nome da direita.


Apesar de Tarcísio defender abertamente a sua candidatura à reeleição em São Paulo, Ramuth diz que a política, “muitas vezes, não segue exatamente os nossos desejos”. Para ele, a conjuntura pode fazer com que o governador se torne candidato ao Planalto nas eleições de 2026, mesmo que não haja a intenção do republicano de concorrer de fato.


O vice-governador reconhece que Tarcísio é alinhado com Bolsonaro, mas defende opiniões diferentes do ex-presidente quando julga necessário. O vice-governador cita como exemplo as recentes declarações de Tarcísio sobre as urnas eletrônicas. O governador elogiou o sistema usado no Brasil e disse que elas são “referência” mundo afora, o que contrariou muitos bolsonaristas. “Assim como eu, que fui eleito três vezes por meio das urnas eletrônicas, ele confia nesse sistema”, afirmou o vice.


Ramuth disse também estar “calmo” e “alegre” por pleitearem seu lugar como candidato a vice-governador de São Paulo, numa eventual substituição na chapa da reeleição. Atualmente, há dois nomes que gostariam de concorrer ao lado de Tarcísio nas próximas eleições: o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), e o presidente nacional do próprio partido de Ramuth (e secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado), Gilberto Kassab.


“É claro que existe um cenário natural que é manter a chapa já existente, mas é natural também que outras forças políticas queiram se apresentar neste momento”, disse. “Tenho certeza que todos os nomes citados podem contribuir num futuro governo.”


Vice não defende saída do PSD do governo Lula


Apesar de ser vice de Tarcísio, possível candidato à Presidência em 2026, Felício Ramuth afirmou não ser a favor de uma eventual saída de seu partido do governo federal.


Hoje o PSD tem três ministérios: Minas e Energia, Pesca e Aquicultura e Agricultura. Contudo, seu presidente, Gilberto Kassab, é secretário de Governo e Relações Institucionais de Tarcísio.


Ramuth destacou que há uma diferença de posicionamento entre os quadros políticos do partido marcado pela regionalidade e que o PSD é de “centro”. Enquanto a legenda possui nomes mais alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Nordeste, onde o petismo possui mais força, os partidários de Sudeste e Sul são mais contemplados pela centro-direita e direita.


“Quando o próprio Kassab permanece em São Paulo, à frente de uma secretaria, isso deixa claro que o PSD paulista está mais alinhado à centro-direita”, disse o vice-governador. “Já os que apoiaram a eleição do presidente Lula ocupam hoje cargos nos ministérios – e isso é legítimo, não me causa estranheza.”


Em relação ao presidente nacional de seu partido, Ramuth avaliou que Kassab não quis chamar recentemente o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de “fraco” propriamente, e, sim, que ele é um “ministro enfraquecido”, que não possui respaldo suficiente de Lula para fazer o embate dentro do PT de modo a buscar eficiência no uso de recursos públicos. “Ele expressou algo que, na verdade, se escuta nos corredores de Brasília”, afirmou.


Nesse sentido, Ramuth disse que falta a Lula uma conexão com a sociedade, fator que o petista teria “perdido”. Segundo o vice-governador, projetos como a tentativa de regulamentar o trabalho dos motoristas e entregadores por aplicativo do início do ano passado representam distanciamento e “falta de sensibilidade política”.


“Acho que o presidente Lula está preso ao passado, sem um olhar para o futuro. E isso se reflete em várias decisões do governo”, explicou Ramuth. “Soma-se a isso a prática recorrente de gastar mais do que se deve. E, aliás, com a eleição se aproximando, essa tendência só piora. Já vemos que há alguns planos sendo preparados para manter essa gastança.”

Elio Gaspari

 Elio Gaspari é considerado comunista por esses golpistas saudosista de 64. 


Elio Gaspari escreveu: 


"Débora virou um símbolo espinhoso – Elio Gaspari


Cena 1, janeiro de 1970: Os juízes da 1ª Auditoria do Exército leem a sentença que condena a oito anos de prisão os oito principais autores do sequestro do embaixador Charles Elbrick, ocorrido em setembro do ano anterior.


(A ditadura vivia um pico da sua fase repressiva. Carlos Marighella, patrono involuntário do sequestro, e Virgílio Gomes da Silva, participante da ação, haviam sido assassinados.)


Cena 2, março de 2025: O ministro Alexandre de Moraes condena a 14 anos de prisão a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos. No dia 8 de janeiro de 2023, ela escreveu com batom “Perdeu, mané” na estátua da Justiça em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Moraes foi acompanhado pelo ministro Flávio Dino. 


Débora, mãe de dois filhos menores, está presa desde março de 2023. Ela escreveu uma carta ao ministro Moraes desculpando-se, mas ele acabou dando-lhe 14 anos. Como o ministro Luiz Fux pediu vista, o julgamento não terminou.


Os 14 anos de Débora seguem uma tendência do STF, que vem impondo punições leoninas à infantaria golpista do 8 de Janeiro. O tribunal já condenou 371 pessoas a penas que somam 3,3 mil anos de cadeia, e 71 cumpriam penas em janeiro passado. Seguindo essa métrica, os militares que comprovadamente atuaram na armação de um golpe deveriam receber penas seculares.


O repórter Merval Pereira já mostrou que diversos juristas apontam que os réus têm sido condenados duas vezes pelo mesmo crime: quatro anos por atentar contra o Estado Democrático de Direito, mais cinco por tentar um golpe.


Estão em curso conversas que poderão desembocar na redução das penas. Tudo bem, mas um Judiciário-ventoinha não contribui para o bom andamento dos trabalhos. O país já teve de conviver com a construção e o desmanche da Operação Lava-Jato. Na ascensão, o juiz Sergio Moro e os procuradores tudo podiam. No declínio, nada fizeram de certo. O mané perdeu, e nesse caso ele era o cidadão que acreditava no surto de moralidade em relação ao andar de cima.


Os novos manés esperam que a Justiça cobre um preço aos que tramaram o golpe de Estado de 2022/23 e, pelo andar da carruagem, as coisas não vão bem. As sentenças impostas à infantaria vândala do 8 de Janeiro levam água para aqueles que propagam o delírio de que o Brasil vive uma ditadura. Débora Rodrigues dos Santos, com seu batom, torna-se um símbolo espinhoso. Basta imaginar que o jovem que pichou “Abaixo a ditadura” no Theatro Municipal do Rio em 1968 tivesse sido condenado a pena semelhante.


Com a autoridade que a defesa da democracia lhes concede, os ministros do Supremo podem muito, mas devem cuidar do respeito ao bom senso. Se a senhora do batom merece 14 anos, resta saber quantos merecerá o redator do plano Punhal Verde e Amarelo, impresso no Palácio do Planalto.


O Ministério Público tem a simpatia de boa parte da população, mas acusação não é prova.


As mil páginas do relatório da Polícia Federal e as 272 da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral são contundentes em alguns aspectos e débeis em outros. Havia um golpe em curso, e caberá aos juízes, depois de ouvir a defesa de cada acusado, decidir até onde e como a trama prosperou."


O Globo e  Folha de São Paulo , 26/03/25

Bankinter Portugal Matinal 2803

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: ONTEM foi um dia de fortes retrocessos dos automóveis (VW -1,5%, BMW -2,6%...) devido ao imposto alfandegário de 25% de Trump, aparentemente sem exceções… embora depois comprovaremos se as fará para os seus próprios fabricantes. Esta madrugada na Ásia: Toyota -4,5%, Honda -4,9%, Nissan -3,9%, Mazda -4,2%... Em paralelo, o golpe às companhias áreas já começou, visto que as viagens são a primeira coisa a deteriorar-se quando as coisas dão para o torto: IAG -1,4%, Lufthansa -1,3%, Airfrance KLM -4,3%... Tecnologia também fraca, com redução de posições, como é natural, para reduzir riscos. E isso é mesmo o que estamos a recomendar fazer, embora evitando reagir exageradamente.


Futuros fracos, tanto nos EUA como na Europa: ca.-0,1%/-0,2%. Às 12:30h sairá o Deflator do Consumo (PCE) americano, provavelmente a repetir em +2,5% porque é de fevereiro e isso significa que ainda não receberá tensões inflacionistas renovadas pelos impostos alfandegários, mas, ainda assim, a sua Subjacente parece que aumentará 1 décima até +2,7%, arrefecendo (ainda mais) as expetativas de que a Fed volte a baixar taxas de juros de seguida (nós estimamos que não o fará até setembro, se o fizer) e, por extensão, um pouco as bolsas também. Embora já estejam frias. Depois de subir na sexta-feira (21), segunda-feira (24) e terça-feira (25), Nova Iorque retrocedeu ontem e antes de ontem consecutivamente… logo que os vislumbres de uma realidade incerta regressaram com a aplicação de impostos alfandegários e a desilusão (não poderia ser de outra forma, já o tínhamos dito) face a essa espécie de cessar-fogo confuso no Mar Negro e instalações energéticas que a Rússia só cumpriria se lhe servissem a cabeça de Ucrânia numa bandeja. Ontem à noite, reforçou isto ao reclamar uma “administração provisória” para a Ucrânia.

 

CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: O mercado continua a arrefecer. Hoje um pouco mais com os retrocessos dos automóveis na Ásia e provavelmente também com o aumento do Deflator PCE americano (12:30 h). Recordemos que, na segunda-feira, saiu um PMI Industrial americano a retroceder bruscamente até a zona de contração económica (49,8 desde 52,7), e na terça-feira uma Confiança do Consumidor americano mais abalada do que o esperado: 92,9 desde 100,1 (94,0 esperado). São 2 indícios que confirmam a incipiente debilidade do ciclo americano sobre a qual temos vindo a avisar. E na Europa não será diferente, embora os primeiros indicadores o mostrem mais tarde, como sempre. Tal como na geoestratégia, as coisas não só não melhoram, como pioram depois do empenhamento pessoal de Trump de conseguir um cessar-fogo a qualquer custo (inclusive à custa de falta de honra) que só conseguirá dar poder à Rússia enquanto trai os seus aliados (Europa). O prémio de risco deverá, inclusive, aumentar progressivamente. Isso fará com que sexta-feira seja em baixa, de forma que os saldos semanais das bolsas certamente serão negativos esta semana, provavelmente Europa pior do que Wall St. O ouro continuará a subir à medida que as expetativas de inflação voltem a ser revistas em alta como consequência dos impostos alfandegários, já que é um ativo usado como cobertura de inflação.


S&P500 -0,3% Nq-100 -0,6% SOX -2,1% ES-50 -0,6% IBEX -0,1% VIX 19,1 Bund 2,72% T-Note 4,32% Spread 2A-10A USA=+34pb B10A: ESP 3,34% PT 3,23% FRA 3,42% ITA 3,83% Euribor 12m 2,349% (fut.2,199%) USD 1,073 JPY 161,4 Ouro 3.079$ Brent 73,0$ WTI 69,6$ Bitcoin -2,4% (85.222$) Ether -4,9% (1.908$). 


FIM

BDM Matinal Riscala 2803

 *Rosa Riscala: PCE nos EUA e emprego no Brasil fecham a semana*


… Após a revisão para cima do PIB/4Tri dos EUA terem sustentado as apostas de dois ou três cortes do juro americano este ano, a expectativa nesta 6ªF é para o PCE de fevereiro, a medida favorita do Fed para a inflação. Também é importante a confiança do consumidor de Michigan, enquanto os mercados antecipam os impactos da guerra comercial deflagrada por Trump com as tarifas de 25% sobre os automóveis importados. As coisas tendem a piorar a partir da próxima semana, quando serão anunciadas as tarifas recíprocas (02/04) e as possíveis retaliações dos líderes mundiais. Aqui, apesar do peso das incertezas externas, o mercado recuperou posições mais contidas nos juros com o IPCA-15 benigno e hoje espera pelo IGP-M e dados do emprego.


… O IGP-M de março (8h) abre o dia, com a mediana das estimativas apontando para deflação de 0,18%, após a alta de 1,03% em fevereiro, refletindo a queda dos preços industriais no atacado. Em 12 meses, o índice deve subir de 8,44% para 8,76%.


… Ao Broadcast, economistas explicam que o IPA industrial será influenciado pelas quedas do petróleo, gás e minério de ferro. Em contrapartida, os preços agropecuários devem mostrar aceleração, com o avanço de grãos, tomates, café, ovos e suínos.


… Nesta 5ªF, o IPCA-15 de março de 25 desacelerou de uma alta de 1,23% em fevereiro para 0,64% em março, abaixo da mediana (0,68%), revelando ainda recuo nas medidas do núcleo da inflação, em particular, de bens industriais.


… Apesar da pressão dos serviços, o IPCA-15 ajudou o mercado a devolver as apostas que começavam a surgir de um aperto ainda mais rigoroso da Selic (75pbs), com a curva de juros voltando a precificar uma alta de 50pbs em maio (leia abaixo).


… O Relatório de Política Monetária também foi bem recebido ao sinalizar a perspectiva de desaceleração da atividade. A previsão do BC é de que o hiato do produto recue de 0,6% no 1Tri para -0,8% no 3Tri, respondendo à política contracionista.


… Essa leitura, confirmada com ênfase por Galípolo na entrevista, foi interpretada como um sinal de que o BC estaria confortável para encerrar o ciclo de aperto em breve, mantendo os juros elevados por mais tempo para levar a inflação à meta.


… Novo levantamento da AE, após o RPM, revelou que a ampla maioria do mercado manteve a expectativa de elevação da Selic a 14,25% em maio e de 15% em junho e julho, o que projeta um ajuste final de 25pbs para o encerramento do ciclo.


… Por outro lado, o relatório falhou em avaliar o impacto das medidas de estímulo ao consumo, fiscais e parafiscais, que tem sido anunciadas em série pelo governo Lula na tentativa de recuperar sua popularidade e salvar a reeleição.


… A cada nova pesquisa que confirma os níveis elevados de reprovação do governo, seguem-se novas iniciativas populistas.


… Questionado sobre essa preocupação do mercado, Galípolo disse que o modelo do BC – que revisou em baixa a projeção para o PIB deste ano, de 2,1% para 1,9% – não considerou a faixa ampliada de isenção do IR nem o crédito consignado privado.


… Apenas o saque-aniversário do FGTS já está nas projeções da autoridade monetária para a inflação e a atividade.


… E quando o problema não vem do Planalto, vem do Congresso, onde os parlamentares tentaram prorrogar por mais um mês o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), com encerramento previsto para esse mês.


… A lei de abril de 2024 prorrogava o benefício fiscal até 2027 ou até que fosse atingido o limite de R$ 15 bilhões em renúncias, o que a Receita apurou que foi. Em entrevista no final do dia, Haddad negou qualquer possibilidade de ampliar o programa.


… O ministro apenas se comprometeu com uma auditoria para verificar se as estimativas da Receita foram confirmadas. Se o valor ficar aquém dos R$ 15 bilhões, o governo poderá verificar uma forma de compensação para chegar a esse patamar.


EMPREGO – Rumores de que o Caged poderá anunciar hoje (14h30) a criação de 400 mil postos de trabalho com carteira assinada em fevereiro correram o mercado ontem à tarde, contribuindo para reduzir as quedas dos juros futuros.


… A mediana das estimativas indica criação de 225 mil vagas, acelerando o ritmo na comparação com janeiro, que registrou saldo positivo de 137,3 mil vagas. As estimativas para essa leitura variam de 154,9 mil a 330 mil vagas formais criadas.


… A sazonalidade favorável sustenta a expectativa de criação de novos postos de trabalho em fevereiro, segundo economistas.


… Mais cedo (9h), o IBGE deve mostrar leve alta da taxa de desemprego no trimestre encerrado em fevereiro, a 6,8% (de 6,5% no mês anterior). As projeções variam de 6,6% a 7,0%. E para o fim de 2025, a média é de 7,0%.


O MUNDO VS TRUMP – Líderes mundiais foram uníssonos nas críticas à decisão do presidente dos EUA de colocar tarifas de 25% sobre os carros importados, “uma postura agressiva que antecedeu as tarifas recíprocas da próxima 4ªF”, segundo o BBH.


… O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, confirmou que irá retaliar com “medidas de grande impacto”, acrescentando que a relação econômica e militar entre os dois países chegou ao fim. Já levou uma ameaça de Trump.


… Em sua conta na Truth Social, o presidente americano disse que pode impor tarifas de importação ainda maiores para o Canadá e a União Europeia se houver uma colaboração para “prejudicar a economia dos Estados Unidos”.


… O chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, disse que a decisão, de impor tarifas sobre carros é errada e o republicano escolheu um caminho que “só produzirá perdedores”. Emmanuel Macron disse que os europeus “responderão com reciprocidade”.


… E até a líder mexicana, Claudia Sheinbaum, que se dá com Trump, disse dará uma resposta no dia 3 de abril.


… A UE prometeu uma resposta “oportuna e robusta” às tarifas, à medida que a China se dispõe a trabalhar para aprofundar uma cooperação econômica com o bloco. A Coreia do Sul fez uma reunião de emergência e prometeu retrucar às tarifas.


… Também o Japão alertou para o “impacto significativo” das medidas, enquanto o Reino Unido pode revisar os subsídios à Tesla para apoiar melhor sua indústria, disse a ministra das Finanças britânica, Rachel Reeves.


… Segundo a Fitch, os primeiros sinais do efeito das tarifas dos Estados Unidos já começam a aparecer no comércio internacional, com as importações americanas aumentando em janeiro, após empresas ampliarem as compras antes das medidas.


… A agência de análise de risco afirma que Brasil e outros países emergentes, entre eles a Índia e a África do Sul, companheiros do País no Brics, correm um grande risco de serem alvos das tarifas recíprocas, previstas para o dia 2 de abril.


… O risco tarifário deixou a Moody’s mais perto de cortar sua classificação AAA do governo dos EUA esta semana, com a empresa de classificação de crédito emitindo novas previsões sobre déficits mais altos e taxas de juros mais altas.


… De acordo com a Capital Economics, há espaço para o aumento da produção de automóveis nos EUA, mas não o suficiente para substituir as importações e os efeitos inflacionários ameaçam compensar quaisquer aspectos positivos à economia.


… Já o Goldman Sachs afirma que a alta da inflação nos EUA será inevitável com a adoção de tarifas a importados. Só os 25% aos carros fabricados no exterior devem elevar o núcleo dos preços em 0,2 ponto porcentual.


… Para o Barclays, a inflação média no país subirá de 2,9% em 2024 para 3,0% neste ano, e reduzir o PIB de 2,8% para 1,5%.


MAIS AGENDA – Além do IGP-M e dos dados de emprego, o Tesouro divulgará (14h30) o Relatório da Dívida Pública em fevereiro. Já o BC divulga (9h) a Pesquisa Firmus, que capta a percepção de empresas não financeiras sobre as variáveis econômicas.


… No final da tarde (17h), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa do evento Arko Conference 2025.


… O presidente do BC, Gabriel Galípolo, profere aula magna na Faculdade Zumbi dos Palmares (19h).


BALANÇOS – Encerrando a semana, Gol divulga resultado do 4Tri, após o fechamento.


NOS EUA – O PCE de fevereiro (9h30) é o principal indicador da agenda internacional, com potencial para alterar aposta nos juros, se surpreender. A previsão para o índice cheio e o núcleo é de 0,3% na margem e 2,5% e 2,6% na base anual.


… Também é importante o índice de sentimento do consumidor de março medido pela Universidade de Michigan (11h), que pode recuar para 57,9, após ter registrado 64,7 em fevereiro. Junto são divulgadas as expectativas de inflação de 1 e de 5 anos.


… Mais dois Fed boys falam hoje: Michael Barr (13h15) e Raphael Bostic (16h30).


… Nesta 5ªF, Tom Barkin disse que a direção da política monetária do Fed está sendo traçada debaixo de uma densa névoa. “Não um tipo de névoa do dia a dia e difícil de prever. É um tipo de névoa visibilidade zero, encoste e ligue os piscas.”


… Se assumirmos uma tarifa eventual de 20% sobre a China e uma tarifa de 25% sobre o México, Canadá e produtos de alumínio e aço, a taxa média de tarifa aumentaria quase quatro vezes mais do que em 2018 nos EUA, disse ele.


… Já a presidente do Fed de Boston, Susan Collins, disse que as tarifas do governo Trump aumentarão a inflação nos EUA, mas não está claro quão persistente será essa pressão ascendente. Como Powell, acha que pode ser de curta duração.


EUROPA – O dia começa com o índice GfK de confiança do consumidor de abril na Alemanha e o PIB/4Tri e vendas no varejo no Reino Unido. Na zona do euro saem o índice de confiança do consumidor e índice do sentimento econômico (7h).


DESENCANTOU – Depois de vários testes, o Ibovespa conseguiu romper os 133 mil no fechamento pela primeira vez neste ano. O fluxo gringo, na esteira da rotação global de ativos com as políticas de Trump, tem feito o índice se descolar das baixas em NY.


… Ontem não foi diferente e ainda houve ajuda da baixa dos juros futuros, que passou com louvor pela agenda do dia, incluindo o IPCA-15 abaixo do esperado, com núcleos e serviços em desaceleração, como você leu acima.


… Em alta de 0,47%, o Ibov teve ganho de 0,47%, aos 133.148,75 pontos, e volume financeiro de R$ 20,8 bilhões.


… Além da ajuda de Trump, outro fator importante que tem sustentado fluxo estrangeiro para a B3 neste trimestre é a melhor percepção sobre a economia da China, da qual o mercado brasileiro é visto como ‘proxy’ pela exposição a commodities.


… É certo que a alta do Ibovespa diminuiu ao longo do pregão (na máxima ficou perto dos 134 mil) à medida que os juros também reduziram a queda, em meio a um câmbio mais depreciado e ao rumor de que o Caged deve vir forte, hoje.


… Mas o resultado do dia acabou sendo positivo. Além do IPCA-15 benigno, o leilão de prefixados do Tesouro com o volume bem menor que o normal, o RPM e a entrevista de Galípolo respaldaram o recuo dos juros.


… No fechamento, o Jan/26 caía a 15,100% (de 15,165%), Jan/27 cedia a 15,00% (de 15,145%); Jan/29, a 14,780% (de 14,900%); o Jan/31, a 14,880% (de 14,980%); e o Jan/33, a 14,870% (de 14,950%).


… No câmbio, o dólar até testou uma queda no início do dia, mas sucumbiu à pressão que tomou conta das moedas emergentes em meio à fúria tarifária de Trump. E deve sobrar – mais – para o Brasil.


… Citando fontes da Casa Branca, a Folha informou que Trump pode taxar toda a indústria brasileira no pacote de 2 de abril.


… O dólar à vista subiu 0,36%, a R$ 5,7533, mas ainda recua 2,76% no mês e quase 7% neste ano. A moeda brasileira desvalorizou menos que pares como os pesos mexicano e colombiano por causa da disparada da Selic.


… Em entrevista sobre o Relatório de Política Monetária, Galípolo, afirmou que a aceleração do ciclo de aperto monetário a partir de dezembro mudou a relação de carry trade, o que contribuiu para a apreciação do real ao longo deste 1Tri.


… Lá fora, o índice DXY caiu 0,20%, para 104,335 pontos. O rumo incerto da política econômica americana tem feito o dólar oscilar entre altos e baixos, mas para o Bank of America, a tendência da moeda americana é de alta.


… As tarifas generalizadas e as retaliações resultantes podem desencadear um movimento global de aversão ao risco.


… No retrovisor, a atividade nos Estados Unidos vai bem. O PIB/4Tri foi revisado em alta na leitura final, crescendo 2,4% na base anual, acima dos 2,3% esperados pelo mercado, mas desacelerou frente aos 3,1% do 3Tri.


… O euro subiu 0,41%, a US$ 1,0799; a libra avançou 0,51%, a US$ 1,2955; e o iene teve queda de 0,32%, a 151,036/US$.


… Nas bolsas de NY, o dia foi de baixa moderada. O Dow Jones caiu 0,37% a 42.299,39 pontos, S&P 500 recuou 0,33%, a 5.693,23, Nasdaq perdeu 0,53%, a 17.804,04. Destaques negativos, General Motors caiu 3,12% e Ford perdeu 3,88%.


… Por aqui, a possibilidade de abertura do mercado do Japão para a carne brasileira animou as ações de frigoríficos. JBS puxou os ganhos, com +5,83% (R$ 41,95). O papel teve seu preço-alvo elevado pelo Bank of America de R$ 48 para R$ 55.


… Minerva subiu 4,84%, a R$ 6,07. Ainda se destacaram Hapvida (+5,38%), Cogna (+5,15%) e Yduqs (+4,93%).


… As blue chips foram bem. Petrobras ON, +1,02% (R$ 41,48) e Petrobras PN, +0,75% (R$ 37,67), seguindo o Brent/junho, que subiu 0,38%, a US$ 73,34 o barril, com o mercado monitorando sanções dos EUA contra o petróleo do Irã e da Venezuela.


… Vale avançou 0,80% (R$ 58,15), com alta de 1,28% do minério de ferro em Dalian.


… Os principais bancos fecharam mistos. Santander subiu 0,62% (R$ 27,42), e Itaú teve alta de 0,12% (R$ 32,13). Bradesco ON caiu 0,85% (R$ 11,69), Banco do Brasil baixou 0,42% (R$ 28,69) e Bradesco PN perdeu 0,38% (R$ 13,02).


… Marcopolo liderou o ranking negativo (-4,98%, R$ 6,68), seguido da CVC (-2,58%, R$ 2,27) e Vamos (-2,28%, R$ 5,15).


EM TEMPO… O governo Lula indicou Nelson Hubner, Silas Rondeau e Maurício Tolmasquim para o Conselho de Administração da ELETROBRAS e Guido Mantega para o Conselho Fiscal. (fontes do Broadcast)


EQUATORIAL. Conselho de Administração aprovou homologação integral do aumento de capital de R$ 111,1 milhões, mediante a subscrição privada de 4.275.569 ações ON; operação havia sido proposta em reunião do colegiado de 7 de janeiro.


PETROBRAS concluiu obras de modernização do Trem 1 da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco; processo de revisão e ampliação (Revamp) recebeu investimento de R$ 93 milhões e expandirá capacidade de 115 mil para 130 mil bpb.


BRASKEM voltou a afirmar por meio de comunicado ao mercado que “não conduz eventuais negociações de compra e venda das ações de sua emissão”, ao responder a questionamento da B3 sobre oscilações atípicas dos papéis.


EVEN registrou lucro líquido consolidado de R$ 13,9 milhões no 4TRI; sem Melnick, lucro ficou em R$ 30,4 milhões, recuo de 22% ante o 4TRI23. Ebitda ficou negativo em R$ 23,2 milhões no 4TRI24 ante dado positivo do 4TRI23.


SER EDUCACIONAL registrou prejuízo de R$ 30,2 milhões no 4TRI, revertendo lucro de R$ 5,7 milhões de um ano antes.


SUZANO confirmou reajustes no preço da celulose a partir de abril.


HYPERA entrou com documento no Cade em que acusa o empresário Carlos Sanchez, da EMS, de “conduta inapropriada” e tentar fazer “uma investida desenfreada” para ter influência na companhia ao comprar ações da farmacêutica no mercado.


TIM distribuirá R$ 2,050 bilhões em dividendos complementares, a R$ 0,282 por ação. Pagamentos serão feitos em três parcelas ainda neste ano: 22 de abril, 23 de julho e 23 de outubro, sem a aplicação de qualquer índice de atualização monetária…


… A tele informou ter aprovado grupamento da totalidade das ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal de emissão, na proporção de 100 para 1, e de subsequente desdobramento: uma ação grupada passará a corresponder a 100 ações.


IPO. A brasileira Global Eggs, dona da Granja Faria, decidiu adiar oferta para abertura de capital nos EUA…


… Grupo prefere primeiro se consolidar depois da aquisição da americana Hillandale Farms, por US$ 1,1 bilhão, para já se mostrar aos investidores em um segundo momento como uma empresa verdadeiramente global.

quinta-feira, 27 de março de 2025

Quase ficção

 Quase ficção

Carlos Andreazza


O Estado de S. Paulo.

22 de mar. de 2025


A aprovação – em março de 2025 – da Lei Orçamentária Anual para 2025 antecipa o conjunto bandalheiro em que consistirá o Orçamento do ano eleitoral, aquele que garantirá os dinheiros à (tentativa de) reeleição de todos. Não será apenas Lula o candidato. Há um esquema de poder a ser prorrogado. O Congresso – o orçamento secreto – também pretende se reeleger.


Farão o diabo. Juntos. Como o feito, com (por) Bolsonaro, em 2022. Você pagará. Depois da eleição. Não existe Gás para Todos de graça. E, se o governo quer dobrar a aposta eleitoreira na gastança, o Parlamento dirá – diz – “tudo bem”; desde que tenha o seu incluído na farra. Para rir, tem de fazer rir.


A embocadura do troço – do pacto pela irresponsabilidade – foi exibida na última quinta. A começar pela forma. Esquema Lira de atropelamento da atividade legislativa. Ninguém leu o texto. São mais de mil páginas. Relatório apresentado no mesmo dia em que seria votado na comissão e no plenário.


O Parlamento aprovou o bicho sem a menor ideia do que chancelava – o que lhe confirma o caráter ficcional. Quase ficcional; porque o Congresso sabia absolutamente o que aprovava – na matéria que lhe interessava. A ficção é para você, mortal. Para eles, concretude – trator e pavimentação. O que lhes interessava: a garantia dos bilhões para emendas parlamentares, fixada a porção que, via emendas de comissão, bancará a versão 3.0 do orçamento secreto.


Serão R$ 50 bilhões para emendas parlamentares, dos quais R$ 11,5 bilhões às de comissão. Assegurado esse espaço, o restante consistiria em erguer peça orçamentária farsante – que, conforme as práticas do governo gastador-inflacionário, superestima receitas e subestima despesas. O Pé-de


Meia, por exemplo, vai pendurado quase todo para fora: a custar mais de R$ 10 bilhões, tem previsto só R$ 1 bilhão.


O relator, Ângelo Coronel, cumprindo o papel de ser mais otimista até do que a HP de Haddad, estima superávit de R$ 15 bilhões. O cronista ora obrigado a registrar que o STF autorizou que o pagamento de precatórios não forme sob o teto de gastos. Contará para o endividamento. Para meta fiscal, somente em 2027 – depois do ano eleitoral. Coincidência; porque o Supremo não faz esse tipo de cálculo.


A turma – Planalto e donos do Congresso – acertou tudo por cima. Gleisi Hoffmann assinou a promissória. Compromisso de pagamento de emendas de comissão ainda de 2024; mais um extra para cada um dos 594 deputados e senadores. Quase R$ 7 bilhões ao todo.


Não lhes faltarão recursos. Tudo assentado para 26. Davi Alcolumbre estava todo pimpão. Teve efeito haver colocado a faca no pescoço do governo – atrasando a existência do Orçamento – pela solução das emendas parlamentares. Afinaramse. O ano começou. Em certo sentido, também acabou. •

Leitura de sábado

 *Leitura de Sábado: Privatizações e gestões pró-mercado impulsionam estatais estaduais em 2025* Por Camila Vech São Paulo, 07/01/2026 - O a...