sábado, 25 de abril de 2026

Eita! Modus operanti do PT

 SE FOR CONFIRMADO, SERÁ O PRIMEIRO MINISTRO QUE FRAUDOU UM CONCURSO PÚBLICO.


Toffoli, Messias  


Reprovado no concurso, Messias foi “nomeado” assim mesmo


Por Carlos Newton


Em nome da liberdade de expressão, há alguns dias recebemos e publicamos na Tribuna da Internet um fortíssimo editorial da Gazeta do Povo contra Jorge Messias, afirmando que a aprovação de seu nome para ministro do Supremo Tribunal Federal deve ser considerada “uma traição à Pátria”.


Ao nosso ver, o artigo da Gazeta do Povo estaria exagerando nas críticas, porque Jorge Messias aparentemente não é melhor nem pior do que outros supostos “juristas” que compõem hoje o STF, onde é cada vez difícil vislumbrar a exigência constitucional de notório saber e reputação ilibada.


GRAVE DENÚNCIA –  E agora, na reta de chegada da ascensão do Messias ao Supremo, a Tribuna da Internet recebeu uma grave denúncia contra ele e saiu em campo para investigar em profundidade a trajetória vitoriosa do “petista da vez”, que o presidente Lula da Silva resolveu nomear ao Supremo, com chances absolutas de aprovação pelo Senado.


A apuração transformou-se em enorme surpresa, ao revelar que Jorge Messias teve fraudado seu ingresso no serviço público em 2007 e está envolvido em sucessão de crimes, como Fraude em Certames de Interesse Público (art. 311-A), Usurpação de Função Pública (art. 328) e Falsidade Ideológica (art. 299), que inclui falsificação de dados biográficos em seu currículo.


E tudo isso é absolutamente transparente com as provas que a Tribuna obteve, todas baseadas em documentos públicos federais.


HISTÓRICO – Jorge Messias formou-se em Direito em 2003, na Universidade Federal de Pernambuco. Três anos depois, sem qualquer experiência forense, inscreveu-se no concurso para procurador da Fazenda Nacional, cuja prova final foi realizada em 28 de outubro de 2007.


Havia milhares de inscritos, porque se tratava de um concurso nacional de provas e títulos, para preenchimento de 250 vagas. As chances do jovem Jorge Messias eram mínimas, devido à inexperiência como advogado e por não ter títulos à exibição, num concurso cujas questões abrangiam Direito Constitucional, Tributário, Financeiro, Econômico, Administrativo, Internacional, Comercial, Civil, Processual Civil, Penal, Processual Penal, Trabalho, Processual do Trabalho e Previdenciário.


Sem mestrado, doutorado e pós-graduação, sem haver publicado ensaios nem obras, e também sem experiência no magistério jurídico, o candidato Jorge Messias, que tinha então apenas 26 anos, jamais havia atuado em advocacia, pois seus currículos assinalam que no período de 2002 a 2006 ele trabalhou como “técnico bancário” na Caixa Econômica Federal, em Recife, e simultaneamente como “gerente” do Teatro Marrocos.


CONCURSO ANULADO  – A primeira prova objetiva, com cinco horas de duração, realizou-se em 2 de setembro de 2007, mas foi anulada no dia 20 de setembro pelo Edital nº 90 da Escola de Administração Fazendária (ESAF), que marcou a nova prova para 28 de outubro.


Assinam o edital de anulação o presidente do Conselho Superior da AGU, Evandro Costa Gama; a procuradora-geral da Fazenda, Rosângela Silveira de Oliveira; o procurador-geral da União, Luis Henrique Martins dos Anjos; o consultor-geral da União, Ronaldo Jorge Araújo Vieira Jr.; o corregedor-geral da Advocacia da União, Aldemario Araújo Castro; a representante da carreira de Advogado da União, Tania Patricia de Lara Vaz; o representante da carreira do Procurador da Fazenda Nacional, José Valter Toledo Filho; e a diretora-geral da ESAF (Escola de Administração Fazendária), Maria Cristina MacDowell Dourado de Azevedo.


O edital foi publicado no Diário Oficial da União, de 24 de setembro de 2007, Seção 3.


BRECHA PARA FRAUDE – Essa anulação da prova do concurso público foi exatamente a brecha que possibilitou a fraude.


Numa rapidez impressionante, nove dias depois da realização da  prova final, que ainda nem tinha sido corrigida, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o ministro da AGU, Dias Toffoli, resolveram fazer nomeações ilegais, desprezando a suspensão da validade do concurso e descumprindo a Constituição (Art. 37, inciso IV) e a jurisprudência  do Supremo, que determinam nomeação prioritária pela ordem de classificação.


Foi assim, sem a menor hesitação, que Mantega e Toffoli nomearam ilegalmente dezenas de novos procuradores da Fazenda – entre eles, o inexperiente Jorge Messias.


PORTARIA ILEGAL – Essas estranhas, apressadas e irregulares nomeações foram autorizadas numa Portaria Conjunta assinada pelos dois ministros em 6 de novembro de 2007, antes mesmo de serem corrigidas as provas e avaliados os títulos, repita-se.


Aliás, a divulgação da lista dos aprovados só ocorreria no Diário Oficial em 1º de julho de 2008, quase nove meses depois das nomeações determinadas por Mantega e Toffoli, que não respeitaram a ordem de classificação.


Obviamente, na forma da lei, nenhum candidato  poderia ser nomeado antes da obrigatória publicação da lista de aprovados no Diário Oficial da União.


FALSA JUSTIFICATIVA – Ao cometer a fraude, Mantega e Toffoli tiveram de “inventar” uma justificativa para nomear essa lista de advogados ligados ao PT, que tinham fracassado na primeira prova anulada e sabiam não ter chance na prova final. Um desses advogados protegidos pelo governo  petista era justamente o pernambucano Jorge Rodrigo Araújo Messias.


Na Portaria Conjunta, Mantega e Toffoli decidem “NOMEAR, para cargos efetivos de Procurador da Fazenda Nacional de 2ª Categoria, os candidatos aprovados e classificados no referido concurso público, que requereram sua recolocação no final da lista de aprovados, relacionados em Anexo. ”


Como ocorre na maioria dos atos cotidianos de Mantega e Toffoli, a justificativa não faz o menor sentido. Ora, se esses candidatos petistas já estavam “aprovados e classificados”, por que iriam requerer “sua recolocação no final da lista de aprovados”?


ERROS GROSSEIROS – O pequeno texto de justificativa contém outros erros grosseiros. O principal deles é que, se esses candidatos realmente tivessem solicitado entrar “no final da lista de aprovados”, jamais poderiam ser nomeados, porque à frente deles havia exatos 1.148 concorrentes, sendo 265 “aprovados/classificados” e 883 “aprovados/não-classificados”, segundo a longa lista publicada no Diário Oficial de 1º de julho de 2008.


Este Edital da ESAF que publicou a verdadeira lista cita um a um os 1.148 aprovados e esclarece que os demais, cujos nomes não contam nas duas listas, “são considerados reprovados”.


Entre esses milhares de “reprovados” estava Jorge Messias, porque seu nome não aparece entre os 1.148 “aprovados-classificados” ou “aprovados/não-classificados”.


PS 1 – Como se vê, a nomeação de Messias para procurador da Fazenda Nacional foi uma fraude monumental, que está impune até hoje e vai possibilitar na digníssima Suprema Corte a posse de um falsário de carteira assinada, digamos assim.


PS 2 – O assunto é apaixonante e voltaremos a ele amanhã, mostrando mais detalhes da fraude cometida por Mantega e Toffoli, assim como as ilegalidades de Jorge Messias, que jamais poderá ser considerado um advogado acima de qualquer suspeita. No entanto, mesmo com essa biografia execrável, ele deverá ser o próximo ministro do Supremo, segundo os prognósticos de toda a mídia. (CN)

Familia, melhor num album ou retrato

 Pai, mãe, irmão, irmã, cachaça e família

Somos herdeiros de fábrica de bebidas, mas, sobretudo, de uma história de amor digna de García Márquez

Por Ruth de Aquino

23/04/2026 16h37  


Você tem duas opções na vida. Não falo de política, direita ou esquerda. Falo de família. Ou se aproxima ou se distancia. Ou ama e releva as diferenças, pessoais e ideológicas. Ou briga, odeia e critica, tornando-se indiferente aos laços de sangue. Família não se escolhe. Não é como amizades.


Passei o fim de semana em Atafona, litoral norte do Rio, vila de pescadores que vem sendo engolida, de maneira implacável, pelo mar amarronzado do rio Paraíba do Sul. Uma vez por ano, a família Aquino se reúne numa assembleia na sede da fábrica da Thoquino, em São João da Barra, onde quase tudo começou para mim.


Foi ali que minha avó Maria Julia e meu avô Joaquim Thomaz de Aquino tiveram 23 filhos e fundaram uma fábrica de bebidas, com o Cognac de Alcatrão e a cachaça Praianinha. A empresa continua familiar e brasileira. Agora com vodka e cerveja premiadas. Completa 118 anos em junho. Nas reuniões anuais, percebemos ser muito mais que acionistas. Somos herdeiros de um romance improvável.


Essa história de amor se iniciou quando minha avó casou, aos 15 anos, com meu avô, sinaleiro de trem, à revelia de sua família. Quase todo ano Maria Julia tinha um filho. Mas não se resignava a parir e criar.


Ajudava o marido no Café Central, primeiro negócio do casal, tocando a moenda do caldo de cana. Fazia pastel. Goiabada cascão. E depois, foi parceira na fábrica de bebidas. O “conhaque do milagre” nasceu de uma fórmula secreta deixada, em sinal de gratidão, por um gringo que aportou doente em São João da Barra e foi tratado por minha avó.


Acreditamos nessa lenda. A família poderia ser personagem do realismo fantástico na Macondo do colombiano García Márquez. Até os nomes repetidos da família Buendía me remetem aos Aquino. Se algum filho de Maria Julia morria, ela batizava um novo com o mesmo nome. Histórias surreais nos parecem normais.


Fui das poucas a nascer no Rio, entre os netos. Eu e minha irmã, cariocas de Copacabana, passávamos os verões em Atafona. Íamos ao encontro de 50 primos, e de ruas de areia e vento. Churrascos, caranguejadas. Frutas exóticas para nós. Ingá, cajá-manga, carambola, abio. E doces muito doces, como chuviscos e cajuzinhos. Andávamos a cavalo. Atolávamos na praia.


Depois, a vida me afastou da família. Por cinco décadas. Morei em Londres, Paris. Casei algumas vezes. Tive filhos. Tive amores, com e sem caráter.


Após a morte de meus pais, voltei a Atafona. E me surpreendi com a força dos laços de sangue dos Aquino. Como se a distância física tivesse sido só um hiato, sem arranhar a essência que nos une. É uma família que ri, chora, briga, faz as pazes, conversa, lembra o passado, e, claro, bebe. Honrando Maria Julia e Joaquim Thomaz.


Não discutimos política. Sabemos, nas entrelinhas, em quem cada um vai votar.


Essa pode não ser a sua história de família. Muitas vezes, a distância se instala e o silêncio se impõe. Ou então a briga, por dinheiro, ciúme ou ideologia, se torna tão amarga que corta a conexão.


Vi o novo filme de Jim Jarmusch, “Pai Mãe Irmão Irmã”. São três histórias familiares, com o humor cortante do diretor do fabuloso “Night on Earth”. Há amor e ternura, mas também um silêncio constrangedor entre filhos e pai, entre filhas e mãe. Como se nada tivessem a falar uns para os outros. Brindam com café e chá.


Os irmãos e irmãs são bem diferentes entre si – como costumam ser no mundo real. Uns falam mais e se preocupam mais com os pais. Outros não estão nem aí. Uns são metódicos, outros são místicos. O fio condutor das histórias é o distanciamento.


Quando nada mais interessa ou quando tudo incomoda, os encontros se tornam formalidades e obrigações. Olhamos a hora de ir embora.


Como será seu Dia das Mães?

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Dilma, auto-exílio

 Essa mulher continua viva e exilada no Banco dos BRICS. Imagino o quanto custa ao país mantê-la nessa situação, e por quanto tempo…

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Dilma, dez anos depois

Rogério Werneck

O Estado de S. Paulo.

24 de abr. de 2026


Uma década após o impeachment, o desastroso mandato e meio de Dilma Rousseff continua a ser um trauma mal resolvido a assombrar o PT. Aferrados ao negacionismo, o presidente Lula e seu partido jamais conseguiram desenvolver uma narrativa apresentável do que ocorreu entre 2011 e 2016. Para efeito externo, Lula continua a se comportar como se o governo Dilma jamais tivesse existido. Um período a ser desconsiderado e, de preferência, jamais mencionado.


Ao mesmo tempo, com a sutileza que a preservação de seu autoengano exige, Lula sempre fez o possível para se dissociar do calamitoso desempenho de Dilma Rousseff. Mas a verdade é que tal dissociação nunca lhe foi fácil. Por pelo menos duas razões.


De um lado, é mais do que sabido que foi de Lula, e só dele, a ideia de alçar Dilma Rousseff à Presidência da República. Um desatino que, em face de tenaz resistência do PT, teve de ser enfiado goela abaixo do partido.


De outro, é preciso ter em conta que Dilma não governou sozinha. Nem errou sozinha. Sua administração foi tripulada de ponta a ponta pelo PT, inclusive com a preservação quase integral da equipe econômica de Lula. Não há como negar que, entre 2011 e 2016, o País foi governado pelo partido.


Como é esse mesmo PT que, desde 2023, voltou a tripular os cargos mais importantes do governo, e voltará a tripulá-los num possível Lula 4, é natural que haja grande apreensão com os nomes que poderão ser escalados e as ideias que acabarão prevalecendo.


O mais grave é que, diante da extensão do comprometimento do PT com o que ocorreu no governo Dilma, o que acabou se impondo foi a aposta no pacto de manter o partido coeso, com olhos fechados para erros e excessos cometidos, em amnésia coletiva, sem recriminações e autocríticas.


Assombrado pelo passado, Lula viu seu terceiro mandato como uma oportunidade para insistir em políticas caras ao PT, certo de que isso o redimiria das pechas que lhe foram imputadas na esteira da devastação deixada por sua sucessora. Deixou-se levar pela ilusão de que, ao insistir nas mesmas ideias, poderia convencer a si mesmo e ao País de que, no fundo, não havia nada de errado com elas.


Deu no que deu. Não é por acaso que o grau de descontrole fiscal que agora se vê no Lula 3 já se assemelha ao que se viu no governo Dilma. Se, desta vez, as consequências não chegaram a ser tão dramáticas, foi porque Lula agora defrontouse com um Banco Central autônomo, que já não lhe deixou mais espaço para ser tão vastamente irresponsável como Dilma Rousseff. •

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Sexta Feira,24 de Abril de 2.026.


*Rosa Riscala: Guerra trava negociações e resgata aversão ao risco*


… A piora na percepção sobre o conflito no Oriente Médio recolocou os ativos em modo de aversão ao risco. O impasse entre Estados Unidos e Irã ganhou contornos mais estruturais, com sinais de esvaziamento das negociações, manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz e retomada do discurso militar — combinação que sustenta a alta do petróleo e reacende o risco inflacionário global. No Brasil, a resposta do governo aos combustíveis veio sem efeito imediato e com ruído fiscal. Na agenda, destaque para o sentimento do consumidor americano de Michigan, dados do setor externo, balanço da Usiminas, antes da abertura, e o salto de quase 20% da Intel no after de Nova York.


RISCO DE ESCALADA GANHA CORPO – O mercado passou de um cenário de negociação difícil para um quadro de impasse estruturado, com sinais crescentes de que o conflito no Oriente Médio pode se alongar e, no limite, escalar.


… O gatilho mais direto foi a percepção de esvaziamento do canal diplomático entre Estados Unidos e Irã.


… A notícia de que Mohammad Bagher Ghalibaf, figura central nas negociações, teria deixado a mesa — ainda que contestada por Teerã — foi suficiente para elevar o prêmio de risco, porque reforça a leitura de fragmentação ou, no mínimo, perda de coordenação interna.


… A resposta iraniana veio rápida e reveladora. Em vez de sinalizar disposição para concessões, o regime partiu para uma narrativa de unidade total, com lideranças reforçando coesão interna e negando qualquer divisão entre “moderados” e “linha-dura”.


… Esse tipo de comunicação, em momentos de tensão, costuma indicar preparação para resistência prolongada — não para descompressão.


… No campo operacional, os sinais também pioraram. Relatos de ativação de sistemas de defesa aérea em Teerã, combinados com ataques recentes e a manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz, mostram que o conflito segue ativo, mesmo sob um cessar-fogo.


… Do lado americano, Donald Trump reforçou o caráter assimétrico da negociação. Ao mesmo tempo em que afirma que as conversas continuam, deixa claro que não há pressa para um acordo e volta a mencionar a possibilidade de solução militar.


… Essa ambiguidade impede a formação de um cenário-base e aumenta a sensibilidade dos ativos a qualquer headline.


… Israel adiciona um vetor adicional de risco de cauda. O ministro da Defesa afirmou que aguarda sinal verde de Washington para ampliar a ofensiva, incluindo ataques à infraestrutura energética iraniana e até menção direta à eliminação da liderança do regime.


… Em paralelo, os Estados Unidos reforçam a presença militar com o envio de um terceiro porta-aviões para a região.


… Apesar disso, ainda há um fio diplomático em aberto. Fontes indicam que as negociações seguem, mesmo com entraves relevantes, especialmente o bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos, que Teerã trata como pré-condição para avançar.


… Esse detalhe é importante porque mantém o cenário em aberto — não é ruptura, é um impasse instável.


… O efeito mais relevante não está apenas na geopolítica, mas na forma como ela passou a contaminar os preços.


… O mercado de petróleo virou o principal canal de transmissão — e também o mais sensível à narrativa. A volatilidade disparou para níveis comparáveis aos do início da pandemia, com movimentos abruptos a cada mudança de tom político.


… Há, inclusive, investigação sobre negociações suspeitas que teriam antecipado anúncios de Donald Trump, reforçando a percepção de que o mercado está operando cada vez mais guiado por evento e timing — não por fundamentos.


… Esse padrão cria um ambiente particularmente desafiador: o preço deixa de refletir apenas oferta e demanda e passa a incorporar probabilidade de evento — ataque, acordo, escalada ou recuo. E isso amplifica tanto os movimentos quanto a incerteza.


… O que se consolida agora é uma mudança de regime.


… Sai o cenário de cessar-fogo imperfeito, mas funcional para os mercados, e entra um quadro de conflito prolongado, com negociação travada e risco recorrente de escalada, com três consequências claras:


… 1) O Estreito de Ormuz deixa de ser um risco pontual e passa a ser uma variável estrutural, com impacto direto sobre a oferta global de energia;


… 2) O petróleo se descola de movimentos técnicos e passa a carregar prêmio geopolítico persistente;


… 3) E os mercados entram definitivamente em modo headline-driven, com volatilidade elevada e reação quase imediata a qualquer novo desenvolvimento.


… É esse pano de fundo que explica — e sustenta — o movimento de hoje nos ativos globais.


ISRAEL E LÍBANO – Enquanto as negociações com o Irã seguem estagnadas, Trump anunciou uma prorrogação por três semanas do cessar-fogo entre Israel e o Líbano e disse que trabalha para Beirute se proteger do Hezbollah.


… O presidente americano acrescentou que espera se reunir pessoalmente com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e com o presidente libanês, Joseph Aoun, “em um futuro próximo”, em Washington.


SEM EFEITO IMEDIATO –A tentativa do governo de reagir à alta dos combustíveis acabou gerando ruído no mercado ao longo da tarde, após a sinalização inicial de que a Fazenda anunciaria uma isenção total e imediata de impostos federais sobre a gasolina.


… O problema é que a medida efetivamente apresentada foi bem diferente — e também menos potente.


… Em vez de uma desoneração imediata, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei complementar para permitir o uso de receitas extraordinárias do petróleo na redução de tributos sobre combustíveis, como gasolina, etanol, diesel e biodiesel.


… A proposta busca garantir neutralidade fiscal, ao vincular eventuais cortes de impostos ao aumento de arrecadação com petróleo, incluindo royalties, dividendos e receitas de exportação. Na prática, porém, o desenho retira o principal elemento que se buscava: timing.


… Avaliações no mercado apontam que o uso de receitas extraordinárias pode trazer incerteza sobre a compensação fiscal e ter impacto limitado sobre a inflação, além de abrir precedentes em relação às regras de responsabilidade fiscal.


… Não há medida imediata. Qualquer redução depende da aprovação do projeto no Congresso e, posteriormente, de decreto presidencial — o que empurra o efeito para frente e reduz a eficácia no curto prazo.


… Além disso, os cortes seriam parciais e temporários, com duração inicial de até dois meses, podendo ser renovados conforme a arrecadação.


… Outro ponto que pesou foi a comunicação desencontrada. O próprio governo reconheceu erro no aviso de pauta que indicava anúncio imediato de redução de impostos, reforçando a percepção de improviso, em um momento de alta sensibilidade fiscal.


… Do ponto de vista técnico, a proposta também levanta dúvidas. Há avaliação no mercado de que a compensação pode ser incerta, dependendo da forma como a receita extraordinária será apurada — enquanto a renúncia tende a ser mais previsível.


… O anúncio não chegou a fazer preço nos ativos, mas deixou claro que a resposta do governo à alta do petróleo segue limitada.


CRÉDITO RURAL – A Fazenda entrou em campo para tentar conter a pressão do agronegócio por uma solução mais ampla para as dívidas rurais, propondo ao Senado um modelo alternativo ao projeto que prevê o uso de até R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal.


… A proposta substitui a securitização por duas novas linhas de crédito para renegociação, com alcance estimado de R$ 81,7 bilhões. Segundo a equipe econômica, não há impacto orçamentário, já que a reestruturação utilizaria fontes já existentes no sistema.


… Na prática, o governo tenta equilibrar duas frentes: aliviar os produtores e evitar o uso direto de recursos do Pré-Sal — ponto ao qual sempre se opôs. As condições indicam uma solução mais conservadora.


… A linha com recursos controlados prevê juros de 6% ao ano para o Pronaf, 8% para o Pronamp e até 12% para demais produtores, com prazo de até seis anos e exigência de entrada. Já a linha com recursos livres, voltada a grandes produtores, terá taxas de mercado.


… Esse ponto já aparece como foco de resistência. Nos bastidores, o agro avalia que os juros são elevados e que a proposta não atende plenamente ao pleito do setor. Por outro lado, a renegociação não restrita a eventos climáticos amplia o alcance e atende parcialmente às demandas.


… A movimentação também tem leitura política: ao apresentar uma alternativa, a Fazenda tenta esvaziar o avanço da securitização no Congresso, que teria impacto fiscal relevante. O tema segue em negociação, com o relator no Senado devendo discutir ajustes com o governo e o setor.


BC APERTA REGRA APÓS CASO MASTER – O Banco Central avançou na ofensiva regulatória, com duas resoluções do CMN que endurecem regras de captação com garantia do Fundo Garantidor de Crédito e exigências de liquidez para instituições menores.


… Decidiu que captações garantidas pelo FGC que superarem o ativo de referência terão de ser aplicadas integralmente em títulos públicos e estendeu a exigência de índice de liquidez de curto prazo para instituições de menor porte.


CURTAS DA POLÍTICA – O presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que deve criar até esta sexta-feira a comissão especial da PEC que acaba com a escala 6×1, com instalação prevista para a próxima semana.


… A definição de presidente e relator ainda está em aberto, com nomes como Paulinho da Força entre os cotados.


… Já o presidente Lula viaja a São Paulo para realizar dois procedimentos médicos simples — uma infiltração no punho direito e cauterização no couro cabeludo — no Hospital Sírio-Libanês. Os compromissos desta sexta foram adiados.


… Genial/Quaest inicia hoje a coleta de pesquisa eleitoral para Presidência, governo de São Paulo e Senado, a ser divulgada no dia 29.


MAIS AGENDA – A sexta-feira traz como foco o setor externo no Brasil e indicadores de atividade e confiança no exterior.


… Às 8h30, o Banco Central divulga as transações correntes de março, com expectativa de déficit de US$ 5,62 bilhões (mediana do Broadcast), levemente acima do registrado em fevereiro. O IDP deve somar cerca de US$ 6,7 bilhões, mantendo fluxo externo ainda robusto.


… A terceira quadrissemana de abril do IPC-S medido pela FGV abre o dia (8h), enquanto, às 9h20, o BC realiza operação simultânea de venda de dólar à vista com leilão de swap reverso, em volume de até US$ 1 bilhão.


… No exterior, o destaque fica com o índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, às 11h. Mais cedo, serão divulgados o índice Ifo na Alemanha e os dados de varejo no Reino Unido. BC da Rússia anuncia decisão de juros às 7h30.


… Antes da abertura do mercado em Nova York, Procter & Gamble reporta balanço, com expectativa de lucro de US$ 1,56/ação. 


USIMINAS –Também antes da abertura, divulga resultado do 1º trimestre, com expectativa de Ebitda de cerca de R$ 452 milhões, queda de 38% na base anual, mas com melhora na comparação trimestral, puxada pela divisão de aço.


… A companhia realiza teleconferência com analistas e investidores às 11h.


INTEL – Disparou 19,90% no after hours em Nova York após o balanço superar expectativas de receita e lucro ajustado, impulsionado pelo avanço na área de data centers e inteligência artificial, sinalizando reposicionamento competitivo frente a rivais.


CAMPO MINADO – O clima piorou nos negócios à tarde com os relatos de que o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, abandonou as negociações diplomáticas e que Teerã reativou os sistemas de defesa aérea.


… O petróleo engatou o quarto pregão consecutivo de alta, as bolsas americanas interromperam os recordes, o Ibovespa perdeu os 192 mil pontos, o dólar superou os R$ 5 e os juros futuros embutiram prêmio de risco.


… Paralelamente, o ruído fiscal sobre a história dos combustíveis serviu de pressão adicional no cenário doméstico.


… Quem diria que a bolsa, que por um triz não conquistou na semana passada a marca inédita dos 200 mil pontos, cairia tanto e tão rápido nos últimos dias, com o impasse nas negociações da guerra facilitando uma correção.


… No intervalo dos seis últimos pregões, o Ibovespa queimou mais de 7 mil pontos, indo parar ontem nos 191.378 pontos, depois de ter caído 0,78%. O volume de negócios foi mais fraco o que o usual, de apenas R$ 24,7 bilhões.


… O giro menor pode ser uma boa notícia, de menor disposição para venda. Mas o ajuste negativo vai se dando.


…  A Vale teve novo dia de queda firme (-1,43%; R$ 85,97) e foi bem pior do que o minério de ferro (-0,32%).


… Os papéis dos bancos também repetiram o script de baixa: Itaú PN perdeu 1,89% (R$ 44,18); Bradesco PN recuou 2,16% (R$ 19,97); BTG unit caiu 1,72% (R$ 60,96); BB ON, -1,71% (R$ 23,00); e Santander unit, -0,83% (R$ 29,86).


… O estresse nos juros futuros pesou sobre as ações mais sensíveis ao consumo: C&A afundou 5,85% e dividiu com Vamos (-5,68%) as maiores baixas do Ibovespa, ao lado de Cogna (-3,91%), Direcional (-3,88%) e Yduqs (-3,59%).


… Pelo segundo dia consecutivo, Petrobras impediu um recuo mais expressivo do Ibovespa. O papel PN subiu 1,36%, a R$ 47,77, e o ON registrou valorização de 1,13%, para R$ 52,75, colado à nova escalada dos preços do petróleo.


… Com as conversas de paz entre os Estados Unidos e o Irã travadas, o barril emplacou a quarta alta seguida. No pico do nervosismo, o Brent chegou a saltar mais de 5% e superar a marca de US$ 107. Fechou a US$ 105,07 (+3,10%).


… Desta vez, não teve petróleo alto que salvasse o real. O dólar à vista quebrou a tendência de estabilidade dos últimos dias e fechou em alta de 0,60%, retomando a casa dos R$ 5, negociado no fechamento a R$ 5,0036.


… A confusão criada pela informação errada de que o governo anunciaria a isenção de PIS/Cofins sobre a gasolina fez a moeda americana acentuar a alta, junto com os juros futuros, antecipando os impactos fiscais da medida.


… Como os esclarecimentos de que não terá corte de imposto para a gasolina só vieram com o câmbio já fechado, é possível que o dólar queira corrigir na abertura. Outro driver será o leilão simultâneo de swap reverso/venda à vista.


… Mas, em primeiro plano, são as notícias vindas do Oriente Médio que continuam dominando a cena.


… A piora externa e a “lambança” na comunicação da Fazenda sobre os combustíveis puxaram os juros futuros.


… No fechamento, o contrato para Janeiro de 2027 marcava 14,140% (de 13,982% no ajuste anterior); Jan/28, 13,710% (contra 13,423%); Jan/29, 13,575% (de 13,267%); Jan/31, 13,625% (13,360%); e Jan/33, 13,685% (13,461%).


ANDOU PRA TRÁS – O dia já prometia ser comprometido em Nova York pela repercussão ruim aos guidances da Tesla e da IBM. Mas ainda teve o impasse das negociações com o Irã como “plus a mais” para a dose de cautela.


… Este ambiente de negócios mais desafiador veio a calhar para o S&P 500 e Nasdaq interromperem os recordes.


… Testando uma correção, o S&P 500 recuou 0,41%, para 7.108,40 pontos, o Nasdaq caiu 0,89%, a 24.438,50 pontos, e o Dow Jones perdeu 0,36%, para 49.310,32 pontos, com Tesla em queda firme de 3,56% e o tombo de 8,7% da IBM.


 … Na reação clássica de vender risco e comprar proteção, o dólar e juros dos Treasuries ganharam impulso. O DXY subiu 0,2%, a 98,770 pontos, e derrubou o euro (-0,22%; US$ 1,1683), libra (-0,31%; US$ 1,3464) e iene (159,75/US$).


… O Swissquote avalia que a nova onda de pressão nos preços do petróleo pode impulsionar o dólar no curto prazo. Mas alerta que, a longo prazo, a perspectiva econômica dos Estados Unidos também está se deteriorando.


… Sem diálogo com o Irã, a taxa da Note de 2 anos subiu a 3,831% (de 3,799%) e a de 10 anos, a 4,326% (de 4,303%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – Petrobras notificou a Novonor que abriu mão dos direitos de preferência e de tag along previstos no acordo de acionistas vigente da BRASKEM e firmou novo acordo de acionistas com o FIP…


… Apesar do novo acordo, a Petrobras mantém fatia de 36,1% no capital da Braskem, sendo 47% do capital votante.


SUZANO pagará R$ 5,6 milhões em dividendos adicionais (R$ 0,0045 por ação). Ex em 30/4.


BANCO DO BRASIL captou US$ 500 milhões em “nature bond”, com vencimento em 2031 e cupom de 5,625% ao ano.


BRB. Justiça voltou a suspender uso de imóveis públicos para aporte no banco.


GOLDMAN SACHS aprovou liquidação e encerramento de dois ETFs, com negociação até 3 de junho de 2026.


HAPVIDA. Família Pinheiro, fundadora e controladora da operadora, elevou a participação de 51,39% para 55,4% do capital, às vésperas da assembleia para eleição do novo conselho de administração, que acontece no próximo dia 30.


USIMINAS elegeu Elias de Matos Brito como presidente do conselho de administração…


… A Latache, gestora que detém 5% das ações, emplacou um nome para o conselho de administração (Marco Aurélio Luz Gonçalves) e dois para o conselho fiscal (João Arthur Bastos Gasparino da Silva e Andre Leal Faoro).


MAGAZINE LUIZA pagará R$ 63 milhões em dividendos (R$ 0,0813 por ação). Ex em 27/4.


GRENDENE pagará R$ 83,1 milhões em proventos (R$ 0,0909 em JCP e R$ 0,0012 em dividendos) a partir de 13 de maio. Ex hoje. A companhia também informou ter aprovado a incorporação da MHL Calçados.


COPEL pagará R$ 1,35 bilhão em dividendos (R$ 0,4545 por ação) em 30/6.


COPASA. Em mais um passo para a privatização, o governo mineiro publicou o manual da etapa prévia para seleção de investidor de referência, que poderá adquirir participação de até 30% na companhia…


… Expectativa é que a desestatização ocorra até o fim do próximo mês, com movimentação estimada entre R$ 8 bi e R$ 10 bi. O modelo repete a estrutura de follow-on adotada pela Sabesp, prevendo entrada de investidor estratégico.


MATER DEI aprovou novo plano de remuneração baseado em ações.


RNI. Waldemar Verdi Junior foi eleito presidente do conselho de administração.


CORREIOS. O prejuízo triplicou e chegou a R$ 8,5 bilhões em 2025.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Criminalização da democracia

 *A criminalização da democracia*


O Estado de S. Paulo.23 Apr 2026


A PGR tem o dever de rejeitar a inclusão de Romeu Zema entre os investigados no inquérito das fake news. O que ameaça o STF e a democracia não são os discursos políticos, é o abuso de poder


Neste exato momento, a saúde da democracia brasileira está submetida a um exame decisivo. A qualquer hora, a Procuradoria-Geral da República (PGR) opinará sobre uma notícia-crime apresentada pelo ministro Gilmar Mendes ao colega Alexandre de Moraes contra Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais. A depender do parecer do procurador-geral Paulo Gonet, saberemos se o aparato persecutório do Estado ainda faz uma distinção nítida entre discursos políticos – legítimos, mesmo que mordazes ou satíricos – e condutas penalmente reprováveis.


A eventual inclusão de Zema entre os investigados no inquérito das fake news, como quer o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), será mais do que outro desdobramento da eterna investigação relatada por Moraes. Será um novo marco definidor da liberdade de expressão no Brasil. Até que ponto a PGR e a mais alta corte do País estão dispostas a proteger a liberdade de expressão como pilar do Estado Democrático de Direito? Se Zema passar à condição kafkiana de investigado sem ter cometido crime algum, restará evidente que tanto a PGR como o STF estão dispostos a sacrificar o mais cívico dos direitos individuais sob o altar dos interesses particulares de Suas Excelências.


Zema, como se sabe, publicou vídeos satíricos em suas mídias sociais nos quais bonecos de animação caricaturam os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, valendo-se não só de fatos públicos e notórios, como também de decisões judiciais efetivamente tomadas por ambos. Ou seja, Zema não inventou fatos. Ridicularizou-os. E desde tempos imemoriais a sátira é uma das formas mais usuais de criticar os poderosos. Ademais, sátira, por definição, exagera, expõe, distorce. Submetê-la ao crivo penal, além de inútil e descabido, diz muito sobre o mau humor dos satirizados, sem falar no pendor para o autoritarismo.


Ao alegar que o conteúdo “vilipendia” sua honra pessoal e a imagem do Supremo, Gilmar Mendes reforça a confusão entre a crítica a indivíduos e o “ataque” à instituição. Nos últimos anos, essa mixórdia tem servido para blindar alguns ministros do Supremo da devida responsabilização por sua má conduta. Como quaisquer servidores públicos, Suas Excelências devem satisfações à sociedade por eventuais malfeitos e conflitos de interesses nos quais se deixam enredar. Colocar-se acima desse escrutínio é colocar-se acima das leis. Logo, um comportamento incompatível com a ordem constitucional democrática em vigor.


Eis aí a missão precípua da PGR: defender a ordem jurídica, o regime democrático e os interesses individuais e coletivos indisponíveis. Paulo Gonet está a serviço da sociedade brasileira, não do Supremo nem muito menos de alguns de seus ministros, razão pela qual não só deve opinar contra a inclusão de Zema no inquérito das fake news, como pugnar pelo encerramento da investigação – seja com o arquivamento do feito, seja com o envio dos autos para as eventuais denúncias a serem oferecidas pelo parquet.


Há ainda um problema elementar de competência. Desde que deixou o cargo de governador para disputar a Presidência da República, Zema não dispõe de foro especial por prerrogativa de função. Ainda que se admitisse, em tese, alguma ilicitude nos vídeos que ele publicou, seu julgamento não caberia ao STF, mas à primeira instância. Ao insistir em atrair o caso de Zema para o inquérito das fake news, a Corte não disfarça mais que esse famigerado inquérito se tornou um instrumento de perseguição judicial a seus críticos.


O resultado é a erosão sistemática da credibilidade institucional do Supremo, um mal de consequências imprevisíveis, sobretudo eleitorais, que se espraia a olhos vistos. Já dissemos nesta página que a democracia não pode prescindir de um árbitro visto como imparcial por todos os cidadãos para dirimir a miríade de disputas sociais em jogo numa sociedade plural e dinâmica. Mas, quando o STF age para proteger seus membros em vez de proteger a Constituição, vai no sentido diametralmente oposto, tisnando a confiança que alicerça sua autoridade.


Gonet tem uma excelente oportunidade de defender a sociedade contra os arroubos autoritários do STF. Ao examinar o caso, a PGR deve rejeitar a inclusão de Zema no inquérito das fake news, pois não há crime a apurar, e sim um discurso político a ser resguardado. •

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


*Quinta-feira,23 de abril de 2026*


*Impasse em Ormuz e vacilo das techs desafiam rali*

NY opera com altos níveis de exigência para balanços


… O mercado começa a quinta-feira dividido entre duas forças que caminham em direções opostas. De um lado, Israel e o Líbano se reúnem, e o impasse entre Estados Unidos e o Irã mantém o petróleo acima de US$ 100, com o Estreito de Ormuz praticamente travado e risco crescente de pressão inflacionária global. De outro, Nova York renova recordes, sustentada pela sinalização de que Trump não deixará o conflito sair do controle. O início da temporada de balanços das big techs deu suporte ao rali, mas o after hours não confirmou o entusiasmo. Tesla superou expectativas, mas virou para queda após falas de Elon Musk, enquanto a IBM, que também bateu projeções, caiu após manter o guidance. Hoje tem Intel.


QUEDA DE BRAÇO – Enquanto Nova York renova recordes apostando na capacidade dos Estados Unidos de conter o conflito, o noticiário vindo do Oriente Médio aponta para um impasse cada vez mais explícito entre Washington e Teerã.


… Na prática, o que se vê é uma guerra de posições.


… O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu estender o cessar-fogo por tempo indeterminado, mas retirou qualquer senso de urgência das negociações ao afirmar que não há prazo para que o Irã apresente uma proposta de acordo.


… Washington quer negociar, mas no seu tempo e sob seus termos. O Irã responde na mesma moeda — e com instrumentos reais de pressão.


… Teerã mantém o Estreito de Ormuz praticamente fechado, condiciona qualquer avanço diplomático ao fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos e, na prática, transformou a principal rota energética do mundo em uma alavanca de negociação.


… O resultado é um impasse clássico: nenhum dos lados quer ser o primeiro a ceder.


… Esse jogo de força ganhou contornos mais agudos nas últimas horas, com disparos contra navios comerciais, apreensão de embarcações e relatos de tráfego praticamente zerado na região, por onde passa cerca de 20% do petróleo global.


… Apesar do tom mais agressivo, não há escalada militar direta — o que reforça a leitura de uma disputa controlada, mas longe de resolvida.


… O ponto central é que, embora Trump sinalize disposição para negociar — e até flerte com a possibilidade de novas conversas nos próximos dias —, suas próprias ações ajudam a travar o processo. Ele precisa encerrar a guerra, mas não pode sair derrotado.


… O bloqueio naval segue em vigor, as exigências americanas continuam elevadas (incluindo o programa nuclear iraniano) e há ruído constante entre discurso público e negociações de bastidores, o que alimenta a desconfiança de Teerã.


… Nesse contexto, o Irã parece confortável em sustentar a tensão.


… Há divisões internas entre os aiatolás, mas também uma linha dura ganhando força, defendendo uma postura mais firme nas negociações. E, diferente dos Estados Unidos, o país não enfrenta a mesma pressão imediata do ciclo político ou da inflação doméstica.


… É exatamente aí que entra o descolamento com os mercados.


… Enquanto Wall Street opera na expectativa de que Trump, mais cedo ou mais tarde, será forçado a desescalar, diante do impacto do petróleo sobre a inflação americana, o fluxo de notícias indica que esse caminho pode ser mais longo e errático do que o mercado gostaria.


… O Brent voltou a operar acima de US$ 100, sustentado pelo risco de escassez de oferta e pelo bloqueio em Ormuz, com sinais de aperto também no mercado físico. A leitura dominante é que, enquanto o impasse persistir, o petróleo segue em alta.


… A implicação é direta: mais energia cara, mais pressão inflacionária e menos espaço para cortes de juros.


… No fim, o que se desenha é um cenário em que o mercado aposta no desfecho, mas negocia a incerteza do caminho. E, por ora, esse caminho segue travado em uma queda de braço entre Estados Unidos e Irã, com o petróleo funcionando como o termômetro mais sensível da disputa.


ISRAEL E LÍBANO – Embaixadores dos dois países têm nova reunião marcada para hoje, em Washington. Beirute buscará uma extensão do cessar-fogo de dez dias mediado pelos Estados Unidos, que deve expirar no domingo.


… Na véspera das negociações, ataques israelenses mataram pelo menos quatro pessoas.


BIG TECHS – A temporada de balanços passa a dividir espaço com a geopolítica como principal driver de curto prazo em Wall Street, e pode ser decisiva para sustentar (ou interromper) o rali, em meio ao aumento das incertezas globais.


… A Tesla abriu a rodada após o fechamento com resultados acima do esperado, com crescimento de receita e lucro no primeiro trimestre, impulsionados pelo negócio automotivo e pela estratégia de avanço em veículos autônomos.


… A reação inicial foi positiva, mas perdeu força ao longo do after hours, com as ações virando para queda (-0,29% no fechamento) após o CEO Elon Musk alertar para aumento de investimentos e reconhecer limitações do hardware atual para direção autônoma.


… Ainda após o fechamento, a IBM também superou as projeções, com números fortes apoiados pela demanda por inteligência artificial e nuvem híbrida, mas viu suas ações afundarem 7,08% no pós-mercado após manter o guidance.


… Para um mercado que opera em níveis elevados e com alta exigência, isso se mostrou insuficiente. A leitura que começa a se desenhar é de uma temporada positiva, mas seletiva: não basta bater estimativas, é preciso sinalizar aceleração.


… No mesmo ambiente, a ServiceNow desabou 12,5% no after hours após indicar impacto negativo em receitas por atrasos de contratos no Oriente Médio, evidenciando que a geopolítica começa a contaminar os balanços.


… O calendário desta quinta-feira traz novos testes importantes, com resultados de Intel, após o fechamento, além de nomes ligados ao ciclo doméstico americano, como American Airlines e First Citizens BancShares, antes da abertura.


B3 – Aqui, a Usiminas abre a temporada de balanços amanhã, sexta-feira (24), com resultado antes da abertura e teleconferência às 11h.


MAIS AGENDA – A quinta-feira combina agenda doméstica enxuta, com indicadores de atividade no exterior, que ajudam a calibrar o pulso da economia global. No Brasil, o destaque fica para os dados do fluxo cambial semanal, que o Banco Central divulga às 14h30.


… Os números são importantes, em meio ao bom desempenho recente do real, sustentado pelo diferencial de juros e pela melhora dos termos de troca com o petróleo. Às 15h, tem reunião do CMN, com a participação do presidente do BC, Gabriel Galípolo.


… O mercado também acompanhará o leilão de títulos prefixados do Tesouro, após o movimento recente de inclinação da curva.


… No exterior, os índices preliminares de atividade (PMIs) concentram as atenções ao longo da manhã, com divulgações na Alemanha, Zona do Euro e Reino Unido no final da madrugada no Brasil, antes do PMI composto dos Estados Unidos, às 10h45.


… Entre os dados americanos, também saem o índice de atividade do Fed de Chicago e os pedidos semanais de auxílio-desemprego, às 9h30, em um momento em que o mercado monitora sinais de resiliência da economia, diante do cenário mais incerto.


CURTAS DA POLÍTICA – A CCJ da Câmara aprovou por unanimidade nesta quarta-feira a admissibilidade da PEC que prevê o fim da escala 6×1, em meio à pressão do governo para avançar com a proposta. O texto segue agora para uma comissão especial, onde o mérito será discutido.


… A expectativa é de debate intenso, diante da resistência de setores produtivos.


… O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que a comissão especial será instalada em breve e que a PEC deve chegar ao plenário ainda em maio. A sinalização reforça o esforço para acelerar a tramitação, apesar do potencial impacto econômico e fiscal da medida.


… O tema também ganha tração no campo político: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai defender o fim da escala 6×1 na propaganda partidária do PT, que começa a ser veiculada nesta quinta-feira, reforçando o engajamento do governo na pauta.


… Estimativas do setor privado indicam custo elevado da mudança, com impacto relevante sobre indústria e serviços, enquanto estudos apontam que os efeitos podem ser comparáveis a reajustes históricos do salário mínimo, o que amplia a disputa em torno do tema.


… Já o relator do marco regulatório dos minerais críticos, deputado Arnaldo Jardim, adiou a apresentação do seu parecer para o dia 4 de maio, após pedido do governo por mais tempo para consolidar sugestões e alinhar a proposta.


… No campo econômico, o governo alterou o decreto da subvenção ao diesel e ao GLP, com efeitos retroativos a 1º de abril, antecipando o início do período de apuração e ajustando prazos de envio de informações à ANP para atender demandas das distribuidoras.


JAPÃO HOJE – A leitura preliminar do PMI composto, medida pela S&P Global, piorou de 53 pontos em março para 52,4 pontos em abril, mas permaneceu acima do patamar neutro de 50, apontando expansão da atividade.


… Já o PMI industrial avançou de 51,6 para 54,9 pontos no mesmo período, também em território de alta, em seu ritmo mais forte desde fevereiro de 2014. O resultado contrariou a previsão dos analistas, de queda a 49,5 pontos.


… O PMI de serviços caiu de 53,4 para 51,2 pontos, abaixo da aposta de 53 pontos, mas em território expansionista.


PRESO AO PASSADO – Apesar de as bolsas americanas terem renovado os recordes históricos ontem, o Ibovespa caiu firme, porque estava devendo o ajuste ao pregão negativo em Nova York durante o feriado de Tiradentes.


… Sem queimar etapas, o índice à vista cumpriu a realização de lucros atrasada, perdeu 1,65% e entregou os 193 mil pontos (192.888,96), com giro de R$ 26,4 bilhões, apesar do alívio frágil da trégua estendida por Trump.


… Participantes do mercado ouvidos pelo Valor disseram que a queda forte dos papéis dos bancos brasileiros no pregão desta quarta-feira pode ter indicado que o fluxo estrangeiro não foi favorável ontem para a bolsa local.


… Segundo eles, a melhora das expectativas de lucro para as empresas de tecnologia americanas atraiu recursos para as ações das big techs em Wall Street, o que pode ter atrapalhado a vinda de capital externo aos papéis brasileiros.


… Houve uma onda de vendas em BB ON (-3,62%, que fechou a R$ 23,40), Santander unit (-3,37%, a R$ 30,11), BTG Pactual (-3,27%, a R$ 62,03), Bradesco PN (-2,95%, cotado a R$ 20,41) e Itaú PN (-2,89%, negociado a R$ 45,03).


… No clima de incertezas sobre a guerra no Irã, as ações da Vale também exibiram recuo expressivo, de 1,70%, e fecharam na mínima do dia, de R$ 87,22, ignorando a alta modesta de 0,32% do minério de ferro.


…O desempenho negativo da bolsa só foi atenuado pelo avanço dos papéis da Petrobras (ON +1,86%, a R$ 52,70; e PN +1,38%, a R$ 47,67), na esteira da valorização do petróleo. O barril voltou a ultrapassar a marca de US$ 100.


… Embora o Ibovespa ainda não tenha conseguido bater a marca inédita dos 200 mil pontos, o BofA continua confiante e alterou ontem a sua projeção para o índice no fim do ano de 180 mil pontos para 210 mil pontos.


… Segundo o banco, uma possível desescalada da guerra levaria à queda dos preços do petróleo e aliviaria a pressão sobre os custos, permitindo que o BC encerre o ano com a Selic em 13,25%; para 2027, juros podem ficar em 12,50%.


… Persistem, porém, as dúvidas sobre a extensão do choque energético com o conflito no Irã. Ontem, como se viu, pela primeira vez em duas semanas, os contratos do Brent voltaram a ultrapassar a barreira simbólica dos US$ 100.


… O barril para junho emplacou a terceira alta seguida e saltou 3,5%, a US$ 101,91, diante da continuidade do bloqueio ao trânsito de navios no Estreito de Ormuz, que Teerã considera como uma violação do cessar-fogo.


… A pressão do petróleo, que significa inflação, puxou os juros futuros, de ponta a ponta. Faltando menos de uma semana para o Copom, é improvável que a guerra caminhe para um desfecho que justifique corte de 0,50pp da Selic.


… No Broadcast, a curva futura precifica quase 100% de chance de queda de 25 pontos do juro na próxima reunião.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 14,010% (de 13,933% no ajuste anterior); Jan/28 subia a 13,465% (contra 13,312%); Jan/29, 13,305% (de 13,166%); Jan/31, 13,405% (13,260%); e Jan/33, 13,510% (13,366%).


VIVENDO O PRESENTE – Têm circulado avaliações de que o fôlego da rotação de ativos para os mercados emergentes está se esgotando e que o real tem espaço cada vez mais limitado para cair muito abaixo dos R$ 5.


… Mas o fato de o Brasil ser produtor de petróleo tem atuado como um diferencial importante para o câmbio.


… O Bradesco informou em relatório que o País apareceu em destaque como alternativa de investimento tanto em juros quanto em moeda nos encontros de primavera do FMI, realizados semana passada em Washington.


… Descolado da alta no exterior, o dólar à vista fechou estável ontem por aqui, a R$ 4,9740, blindado pelo avanço do petróleo e pela Selic muito elevada, que mantém o carry trade atrativo, apesar do ciclo de calibração do Copom.


… O real se mantém nos melhores níveis em mais de dois anos e acumula ganho de quase 4% no mês e 10% no ano.


… Lá fora, pouco convencido de que Trump e o Irã vão se entender logo, o DXY exibiu uma dose de cautela: +0,2%, a 98,590 pontos. O euro caiu 0,30%, a US$ 1,1708, a libra ficou estável (US$ 1,3501) e o iene subiu a 159,52 por dólar.


… Os relatos de que Teerã só vai sentar novamente à mesa de negociação quando for encerrado o bloqueio aos seus portos levou a alguma procura pelos Treasuries, derrubando os juro da Note de dois anos a 3,799%, contra 3,801%.


… Só mesmo as bolsas americanas ignoraram a dificuldade para um acordo de paz, preferindo antecipar balanços positivos das gigantes de tecnologia. Após três recordes semana passada, S&P 500 e Nasdaq partiram para mais um.


… O S&P500 avançou 1,05% e estabeleceu a mais nova máxima de fechamento aos 7.137,89 pontos, enquanto o Nasdaq subiu 1,64%, para o pico histórico de 24.657,57 pontos. O Dow Jones ganhou 0,69%, aos 49.490,03 pontos.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS divulgará relatório de produção e vendas do 1TRI26 no dia 30/4, após o fechamento. O balanço sai no dia 11/5, após o fechamento; teleconferência será no dia 12/5.


REFINARIA DE MATARIPE reduzirá, pela quarta vez este mês, os preços do diesel S-10 (em 1,05%) e da gasolina (em 1,36%) a partir de hoje; diesel acumula queda de 4% e gasolina de 5,7% no mês.


RAÍZEN disse que não há decisão definitiva sobre reestruturação, mas mantém tratativas com credores.


KLABIN informou que a BlackRock passou a deter 10,003% das ações preferenciais.


USIMINAS realiza hoje AGO e AGE para eleger o conselho de administração por voto múltiplo; Latache Capital pretende emplacar os nomes de Marco Aurelio Gonçalves e Stefan Lourenço de Lima (O Globo).


NEOENERGIA elegeu Carlos Henrique Quadros Choqueta como diretor de Finanças e RI…


… A empresa informou ainda que o reajuste tarifário da Coelba (+5,85%) e Cosern (+5,40%) foram aprovados.


LIGHT ENERGIA elegeu Stefano Miranda como diretor-presidente e Leonardo Gadelha como diretor de RI.


ISA ENERGIA. Axia passou a deter 20,68% do capital total da companhia.


AEGEA disse que mantém fundamentos operacionais sólidos, com crescimento consistente.


LOCALIZA. Norges Bank elevou participação para 5,02% das ações preferenciais.


REDE D’OR aprovou emissão de notas de até US$ 750 milhões, com prazo de até 10 anos e juros de até 7% ao ano.


CARREFOUR teve queda de 0,8% nas vendas no Brasil no 1TRI26.


ALLOS ajustou dividendo intermediário para R$ 0,29193 por ação, de R$ 0,29247; pagamento em 5/5.


GRUPO SBF aprovou emissão de debêntures de R$ 600 milhões.


GOL teve alta de 10% na oferta (ASK) em março na comparação anual.


OI. Após vender as principais linhas de negócios para pagar dívidas no processo de recuperação judicial, a companhia se prepara para a alienação do próximo ativo da fila, a Oi Soluções, que fornece tecnologia da informação…


… O processo deve atrair as grandes operadoras de telecomunicações que também têm braços de TI, como Vivo, Claro e TIM, além de provedores regionais com atuação no setor.


BRISANET pagará R$ 18 milhões em JCP (R$ 0,0410 por ação) em 12/5.


FERBASA. O CEO, Silvano de Souza Andrade, assumiu diretoria de RI, acumulando funções.


EUROFARMA pagará R$ 87,6 milhões em JCP em 27/4.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -0,6% US tech -0,4% US semis +0,5% UEM -0,9% Espanha -0,6% VIX 19,5% Bund 3,01% T-Note 4,28% Spread 2A-10A USA=+51pb B10A: ESP 3,46% PT 3,45% FRA 3,67% ITA 3,44% Euribor 12m 2,70% (fut. 2,72%) USD 1,175 JPY 187,1 Ouro 4.766$ Brent 97,3$ WTI 88,3$ Bitcoin +3,0% (78.045$) Ether +3,1% (2.390$).


SESSÃO: Os futuros de WS avaliam em positivo (+0,6% Nova Iorque; +0,8% tecnologia) após Trump anunciar que prolonga o cessar-fogo no Irão de forma indefinida, embora sem confirmação por parte de Teerão. O problema é que o Estreito de Ormuz, que é o principal foco de risco, continua fechado, por isso, o preço do petróleo ainda está perto do nível psicológico de 100 $/barril e as obrigações não terminam de relaxar-se (yield do Bund alemão perto de 3,0%). As bolsas asiáticas consolidam posições após o rally de abril e o tom na Europa é mais cauteloso do que em WS. 

Ontem, a mensagem de Kevin Warsh perante o Senado bancário dos EUA foi bastante hawkisk/dura, defendendo a independência da Fed em relação à Casa Branca. Na frente empresarial, a maioria das empresas supera as expetativas (Halliburton, RTX, Unitated Health…). ASMI publicou, ontem após o fecho, resultado sólidos e o ADR avança +3,5%. Hoje será a vez de, entre outras, L’Oreal, mas a chave está nos EUA. No fecho, publicação de LAM Research e Tesla. Os seus resultados, principalmente os de LAM, servirão para testar a tecnologia antes de se conhecer os resultados das grandes do setor, na próxima semana.

Em suma, a tendência do mercado é positiva, com a tecnologia a atuar como principal apoio do mercado apesar do risco geopolítico.

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado* Segunda Feira,27 de Abril de 2.026. *Impasse no Oriente Médio pressiona supersemana* A superquarta reúne Fed e Copom, enq...