segunda-feira, 20 de abril de 2026

Leitura de domingo

 *Leitura de Domingo: brasileiro ainda prefere agência física em atividades bancárias complexas*


Por André Marinho


São Paulo, 15/04/2026 -  O brasileiro se mostra aberto a experimentar tecnologias emergentes como a inteligência artificial na gestão de serviços financeiros. Mas na hora de abrir uma nova conta ou receber aconselhamento sobre investimentos, ainda prefere deixar o celular de lado e resolver questões mais complexas na agência física do banco. O comportamento foi captado na edição de 2026 da pesquisa sobre tendências bancárias da Accenture, obtida com exclusividade pela Coluna.


O levantamento consultou 10 mil clientes em 10 mercados globais. No Brasil, onde foram ouvidos mil pessoas, 86% dos participantes disseram que usariam um assistente de IA que respondesse a perguntes e até agisse em nome do usuário (por exemplo, para transferir dinheiro parado). Mais do que isso: quase a metade (47%) dos interessados considerariam até mudar de banco se o serviço não estivesse disponível em sua instituição principal.


Segundo a sondagem, 73% dos indivíduos usariam uma ferramenta de IA para ajudar em tarefas não bancárias, como compra de mantimentos, eletrônicos ou passagens aéreas. Uma parcela similar (75%) também está aberta a um assistente financeiro GPT em plataformas para além das bancárias, o que levanta riscos de desintermediação.


Apesar disso, as agências continuam como o canal preferencial para a realização de atividades complexas. De acordo com a pesquisa, 74% dos clientes brasileiros gostam da ideia de ter um banco físico como um "orquestrador de vida", ou seja, um hub para gerenciar eventos de vida inteira, como a compra de uma casa ou planejamento familiar, em vez de apenas transações financeiras individuais. Ao mesmo tempo, 89% afirmaram que usariam micro agências ou "cabines inteligentes" (quiosques automatizados de pequena dimensão).


Para o líder da área de serviços financeiros da Accenture, Maurício Barbosa, a dinâmica mostra uma mudança significativa na indústria bancária, em que os consumidores têm demanda por melhor atendimento, reconhecimento, recompensa e proteção. "É um momento que pode mudar de forma estrutural a indústria e a relação entre clientes e instituições financeiras. Um momento de reinvenção dos serviços financeiros", ressaltou.


A pesquisa conclui que os bancos devem integrar-se a GPTs e plataformas de mensagens, mantendo a marca visível, além de incorporar assistentes de IA em interfaces móveis e web com proteções claras. Por outro lado, as instituições financeiras não podem "negiglenciar" as agências e devem criar centros que projetem segurança e solidez.


Contato: andre.marinho@estadao.com


Broadcast+

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +1,2% US tech +1,3% US semis +2,4% UEM +2,3% Espanha +2,2% VIX 17,5% Bund 2,96% T-Note 4,27% Spread 2A-10A USA=+54pb B10A: ESP 3,38% PT 3,32% FRA 3,57% ITA 3,68% Euribor 12m 2,68% (fut.2,69%) USD 1,175 JPY 186,8 Ouro 4.793$ Brent 95,5$ WTI 89,1$ Bitcoin -1,6% (74.200$) Ether -1,9% (2.268$)


SESSÃO: Ásia sobe (Japão +0,8%, China +0,6%, Coreia +1,0%...) ignorando o ataque americano a um navio iraniano que transitava por Ormuz. A tensão no Estreito aumenta, que volta a ser bloqueado após uma reabertura fugaz por parte dos iranianos e, com isso, o petróleo avança (Brent +5,5% até 95,5 $) e os futuros antecipam uma sessão de quedas na Europa e nos EUA. É a evolução lógica após as subidas de sexta-feira e à espera de que as negociações em Islamabade retomem. Mas também é razoável esperar uma melhoria do tom ao longo da semana e, no mínimo, uma extensão do cessar-fogo que termine esta quarta-feira.


No plano convencional, a temporada de resultados continuará nos EUA, com destaque para Lam Research, Intuitive Surgical ou Tesla, e ganhará inércia na Europa com L’Oreal, BESI ou SAP. Estima-se um crescimento de EPS de +14% nos EUA e +3% na Europa, embora o realmente importante seja analisar as guias das empresas, para ver se antecipam algum impacto derivado da guerra.


Na macro, os indicadores adiantados (IFO e ZEW alemães) ganharão tração enquanto os intermédios (PMIs) continuarão em terreno de expansão. A expetativa de que o final da guerra possa estar próximo contribui, sem dúvida, para esta evolução. Também servirão de catalisador os dados de IPC de março no Reino Unido (+3,3% estimado desde +3,0%) e Japão (+1,4% desde +1,3%) porque, se cumprirem as expetativas, o seu aumento será testemunhal. 


CONCLUSÃO: Estamos num processo de normalização no Irão, que será instável e irregular, mas parece razoável assumir que o pior já passou. Neste contexto, uma macro construtiva e um crescimento de lucros saudável apoiarão umas bolsas que provavelmente evoluem de menos a mais durante a semana. Começarão penalizadas pelo novo encerramento do Estreito de Ormuz, mas poderão melhorar com o reinício das negociações e a extensão do cessar-fogo.

Ditadura do Judiciário

 https://x.com/i/status/2044426269987684730


"É imperativo reconhecer, que o Brasil habita hoje uma catedral jurídica cujas plantas foram meticulosamente desenhadas por Gilmar Mendes. 


O decano não é apenas um magistrado; é o arquiteto-mor de um sistema normativo tão singular que conseguiu a proeza de tornar a letra da lei um mero detalhe diante da "vontade constitucional". 


Com a precisão de um engenheiro social, GM transformou o STF no epicentro de gravidade de todos os conflitos nacionais, convertendo o que deveria ser um colegiado de juízes em um sínodo de semideuses da interpretação.


A gênese desse fenômeno remonta à sua formação em Münster, na Alemanha. 


Ao importar o modelo de Direito Constitucional alemão para o solo tropical, GM não trouxe apenas doutrina, mas uma verdadeira "praga" para a tradição da legalidade estrita. Sob o pretexto de conferir "força normativa" à Constituição, ele substituiu o positivismo — onde a lei é a ultima ratio — por um subjetivismo travestido de técnica. Através de conceitos como a proporcionalidade e a ponderação de valores, o intérprete passou a ter o poder de "saltar" sobre o texto legal aprovado pelo Congresso para fazer prevalecer uma visão política e moral própria, erodindo a fronteira entre o julgar e o legislar e elevando o juiz ao posto de Censor da Razão.


As contribuições de GM para essa hipertrofia são estruturais. Como formulador das Leis 9.868 e 9.882 de 1999, ele forneceu as armas processuais (ADI, ADC e ADPF) para que o tribunal interviesse em qualquer ato do Poder Público. No plano constitucional, sua influência foi decisiva na Emenda Constitucional nº 45/2004, que introduziu a Súmula Vinculante e a Repercussão Geral. Enquanto esta última permitiu à Corte selecionar temas por conveniência política, a Súmula Vinculante cristalizou a palavra final do STF, obrigando toda a administração pública e magistrados inferiores a dobrarem-se ao seu entendimento.

 

Sua atuação na "objetivação" do controle de constitucionalidade e na tese da "abstrativização" do controle difuso retirou do Senado prerrogativas históricas, concentrando no STF o monopólio da interpretação final.


Nesse desenho, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) atua como o braço executivo de um centralismo autocrático. Idealizado para a eficiência, o Conselho tornou-se uma ferramenta de controle férreo sobre a base da magistratura. Juízes de primeira instância são monitorados e punidos por "ativismo" ou manifestações políticas, enquanto os ministros do topo gozam de uma liberdade política absoluta, participando de debates partidários e eventos empresariais sem qualquer supervisão ética. Cria-se, assim, uma "mordaça seletiva", onde o CNJ garante que nenhum juiz ouse aplicar contra a cúpula a mesma liberdade interpretativa que os ministros utilizam diariamente para moldar o país.


O que o sistema desenhado por GM e seus pares logrou foi a criação de uma magistratura silenciada e burocratizada na base, enquanto o topo (STF) goza de uma liberdade política absoluta.


A ironia derradeira dessa arquitetura reside na completa subversão de sua finalidade originária. Enquanto na Alemanha o sistema de valores constitucionais emergiu no pós-guerra como um antídoto ao "legalismo bárbaro", impedindo que a letra fria da lei servisse de escudo para atrocidades estatais, em solo brasileiro, a mentalidade importada de Münster por GM sofreu uma mutação adaptativa. O que nasceu para limitar o Estado foi transfigurado em uma ferramenta para blindar a própria Corte.


Sob a retórica de que "defender o ministro é defender a Constituição", operou-se uma simbiose perigosa entre a instituição e seus membros. Essa personificação do Poder Judiciário ergueu uma couraça de impunidade que neutraliza o sistema de freios e contrapesos. O resultado é a institucionalização de anomalias processuais, como a flagrância perpétua e os inquéritos de ofício, que subvertem o sistema acusatório e transformam o julgador em vítima e investigador simultâneos.


Nesse cenário, a Constituição deixa de ser o pacto social escrito pelos representantes do povo para se tornar um organismo maleável nas mãos dos arquitetos de Brasília. A interpretação constitucional não busca mais a vontade do constituinte, mas sim a sobrevivência e a onipotência de uma elite judicial que decidiu que a estabilidade do regime depende, exclusivamente, da manutenção de seu próprio poder absoluto."


https://x.com/i/status/2044426269987684730

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Segunda Feira,20 de Abril de 2.026.


*Irã volta a fechar Ormuz e mercado volta ao risco*


... O mercado inicia a semana diante de uma reviravolta no cenário geopolítico, após o fim de semana desmontar o rali de alívio provocado pela abertura do Estreito de Ormuz. A reversão da decisão pelo Irã, em resposta à manutenção do bloqueio americano, recoloca a incerteza sobre o fluxo global de petróleo e reacende o prêmio de risco nos ativos. Nesse ambiente, a agenda econômica fica em segundo plano, embora traga eventos relevantes, como as vendas no varejo nos Estados Unidos e a sabatina de Kevin Warsh para o Fed. Em Wall Street, balanços das big techs movimentam os negócios. Aqui, a ponte com o feriado de amanhã – 21 de Abril – deve reduzir liquidez e manter a cautela.

 

DO ALÍVIO AO COLAPSO DA NARRATIVA – Depois de encerrar a sexta-feira embalado por um rali de alívio com a guerra no Oriente Médio, o mercado volta a enfrentar hoje a fragilidade de um acordo que, olhando em retrospecto, já nascia frágil.

 

... O anúncio do Irã de reabrir o Estreito de Ormuz foi interpretado como um passo concreto rumo à normalização da oferta global de petróleo, derrubando os preços, reduzindo as expectativas inflacionárias e destravando o apetite por risco.

 

... Mas o que se viu nas horas seguintes — e, sobretudo, ao longo do sábado e domingo — foi menos um avanço diplomático e mais um jogo de pressões cruzadas, com sinais claros de que o “acordo” celebrado pelo mercado estava longe de se sustentar.

 

... A primeira fissura já estava presente na própria sexta-feira: a abertura de Ormuz veio condicionada pelo Irã e, mais importante, acompanhada da decisão dos Estados Unidos de manter o bloqueio naval aos portos iranianos.

 

... Ou seja, o fluxo que o mercado tratou como “normalizado” nunca foi, de fato, livre. Ainda assim, prevaleceu a leitura de que a distensão avançaria rapidamente — uma aposta que ignorava a assimetria do risco geopolítico naquele momento.

 

... O fim de semana desmontou essa narrativa.

 

... No sábado, o Irã voltou atrás e anunciou novo fechamento do Estreito, deixando claro que não aceitaria manter a rota aberta enquanto o bloqueio americano continuasse em vigor.

 

... A resposta dos aiatolás foi direta: “é impossível que outros passem pelo Estreito enquanto nós não podemos”.

 

... A partir daí, o que se viu foi uma rápida deterioração do ambiente — com relatos de disparos contra embarcações, interrupção do tráfego e retorno ao status de restrição na principal rota energética do mundo.

 

... No domingo, a escalada ganhou um novo patamar.

 

... Donald Trump acusou o Irã de violar o cessar-fogo de duas semanas, que se encerra amanhã (21), anunciou a apreensão de um navio iraniano em operação militar e voltou a ameaçar ataques diretos à infraestrutura do país caso Teerã não aceite os termos americanos.

 

... Do outro lado, o governo iraniano respondeu classificando o bloqueio dos Estados Unidos como ilegal e uma violação da trégua, enquanto negava oficialmente uma nova rodada de negociações, apesar de sinais desencontrados sobre encontros no Paquistão nos próximos dias.

 

... Em paralelo, Israel voltou a bombardear o sul do Líbano, quebrando a trégua de 10 dias.

 

... O pano de fundo é um impasse estrutural: os Estados Unidos usam o bloqueio naval como instrumento de pressão para forçar concessões no programa nuclear iraniano, enquanto o Irã utiliza o controle sobre o Estreito de Ormuz como principal alavanca de negociação.

 

... Esse equilíbrio instável torna qualquer trégua extremamente vulnerável, com ambos os lados sinalizando prontidão para retomar o conflito a qualquer momento.

 

... Mais do que a escalada em si, o que muda para o mercado é a quebra da narrativa construída na sexta-feira.

 

... O rali global foi sustentado pela expectativa de um acordo rápido e pela reabertura de Ormuz — e a renovada percepção de risco geopolítico tende agora a ser reprecificada, com impacto direto sobre petróleo, inflação implícita, juros e ativos de risco.

 

... Em suma, o mercado comprou um cenário que não se confirmou — e deve iniciar a semana devolvendo parte relevante desse movimento.

 

... Já na abertura do pregão asiático, o petróleo voltava a subir forte, com o WTI em alta de 5,40% (US$ 88,38) e o Brent, de +4,88% (US$ 94,79), enquanto os futuros de Nova York operavam em queda.

 

AGENDA DA SEMANA – China manteve as taxas de referência (LPR) de 1 e 5 anos em 3% e 3,5%, respectivamente, neste domingo à noite, como esperado. Os juros permanecem nesses níveis desde maio do ano passado.

 

... Decisões de juros também entram no radar em economias emergentes, com reunião na Turquia na quarta-feira e na Rússia na sexta-feira, em um ambiente global ainda marcado por incertezas inflacionárias e pela volatilidade recente nos preços de energia.

 

... Nos Estados Unidos, a semana ganha tração na terça-feira, com a audiência de nomeação de Kevin Warsh no Congresso, evento que pode oferecer pistas importantes sobre a condução futura do Federal Reserve.

 

... No mesmo dia, a divulgação das vendas no varejo de março é um dado-chave para calibrar a leitura sobre a resiliência do consumo — e, portanto, sobre o espaço para ajustes na política monetária.

 

... Ao longo da semana, as prévias dos PMIs de abril ganham relevância, com divulgações na Europa, Estados Unidos e Ásia, ajudando a capturar os primeiros sinais do impacto recente do choque geopolítico sobre a atividade global.

 

... Na quarta, o CPI do Reino Unido traz atualização sobre a trajetória inflacionária numa das economias mais sensíveis ao choque energético.

 

... Ainda no meio da semana, os dados de estoques de petróleo nos Estados Unidos devem ser acompanhados de perto, em meio à volatilidade recente da commodity e à incerteza sobre o fluxo global de oferta.

 

... Na sexta-feira, as vendas no varejo do Reino Unido e o índice de sentimento do consumidor americano da Universidade de Michigan encerram a agenda, com potencial de impacto sobre as expectativas de consumo e inflação.

 

... Discursos de dirigentes do Fed e do BCE completam a agenda e podem calibrar as apostas do mercado para juros.

 

TARIFAS – O governo Trump inicia hoje o processamento de pedidos de reembolso de tarifas consideradas inconstitucionais pela Suprema Corte, com potencial de devolver até US$ 127 bilhões a importadores, em um processo que deve ocorrer de forma gradual.

 

BIG TECHS NO RADAR – A temporada de balanços do primeiro trimestre nos Estados Unidos ganha ritmo ao longo da semana, com destaque na quarta-feira para os resultados de Tesla e da IBM. Na quinta, o foco se estende para Intel.

 

NO BRASIL – Aqui, a semana é mais leve em indicadores, mas traz pontos relevantes no radar do Banco Central, especialmente na preparação para a próxima decisão de juros. O período de silêncio do Copom começa na quarta-feira, antecedendo a reunião do dia 29.

 

... Entre os dados, o destaque fica com as estatísticas do setor externo de março, na sexta-feira, que inclui informações sobre o balanço de pagamentos e o Investimento Direto no País (IDP), ajudando a calibrar a leitura sobre o fluxo de capitais.

 

... Na quinta, tem CMN. Na quarta, os números semanais do fluxo cambial. E hoje, a pesquisa Focus (8h25).

 

ENDIVIDAMENTO – A equipe econômica deve anunciar nesta semana o pacote de medidas para conter o endividamento de famílias e empresas, com foco em pequenos e médios negócios, além de iniciativas de crédito para o setor produtivo.

 

... A expectativa é que o anúncio ocorra a partir de quarta-feira, com o retorno do presidente Lula a Brasília, após agendas no exterior.

 

ESCALA 6X1 – A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara pode votar na quarta-feira a admissibilidade da PEC que trata do fim da escala 6x1, em um tema que ganha tração política e expõe divergências entre Legislativo e Executivo.

 

... O governo é contrário à tramitação via emenda constitucional e defende o projeto de lei enviado pelo Executivo, enquanto o presidente da Câmara, Hugo Motta, sinaliza apoio ao avanço da PEC, na disputa pelo protagonismo do tema.

 

... Caso a admissibilidade seja aprovada na CCJ, o texto segue para comissão especial, onde o mérito será discutido, em um processo que deve se estender pelas próximas semanas como prioridade na agenda política.

 

ELEIÇÃO – No Globo, pesquisas recentes indicam desgaste do governo Lula em redutos importantes, com queda de aprovação no Nordeste e fragmentação da base aliada em disputas locais, o que acende alerta para a estratégia eleitoral do PT.

 

... Em SP, levantamento do Paraná Pesquisas, divulgado no fim de semana, mostra Flávio Bolsonaro à frente em um eventual 2º turno, com 48,1% contra 40,3% de Lula, além de empate técnico no 1º turno, reforçando a perda de vantagem do petista fora de seus principais redutos.

 

UM DIA DE CADA VEZ – Calejado contra as reviravoltas da guerra no Irã, o mercado sabia muito bem que sinais de resolução do conflito eram garantia de pouca coisa. Ainda assim, na sexta-feira, o petróleo resolveu apostar alto.

 

... A reabertura do Estreito de Ormuz foi vista como um passo importante, ainda que em um cenário bastante instável, e levou o Brent a derreter para o patamar dos US$ 90 por barril e o WTI mergulhar para a faixa de US$ 83.

 

... Desde que a guerra começou, todas as vezes em que o petróleo registrou uma queda mais expressiva, surgiram fontes nas agências internacionais denunciando negociações atípicas que sugerem o uso de informação privilegiada.

 

... O Investinglive informou na sexta-feira que, cerca de 20 minutos antes de o governo de Teerã ter anunciado a reabertura do Estreito de Ormuz, foi registrada a venda de 7.990 lotes de contratos futuros de Brent.

 

... A exposição vendida foi realizada com “timing impecável”, segundo a plataforma de notícias. Pouco depois, o petróleo embarcou na espiral firme de queda.

 

... O contrato do barril do Brent para junho despencou 9,06% em Londres, para US$ 90,38, enquanto o vencimento do WTI para maio afundou com intensidade ainda maior (-11,45%) em Nova York e fechou cotado a US$ 83,85.

 

... A derrocada do petróleo atingiu em cheio as ações da Petrobras e adiou por mais um dia o sonho da conquista dos 200 mil pontos pelo Ibovespa, que engatou a terceira queda consecutiva, depois da sequência de onze altas.

 

... Descolado do entusiasmo das bolsas americanas, o Ibovespa terminou em baixa de 0,55%, aos 195.733,51 pontos, com volume turbinado de R$ 44,7 bilhões, em dia de exercício de opções sobre ações.

 

... Sob uma forte onda vendedora, os papéis ON da Petrobras devolveram 5,31%, a R$ 50,81, e os PN perderam 4,86%, a R$ 46,22, figurando entre as piores perdas do Ibovespa, na terceira e quarta posições, respectivamente.

 

... A bolsa ampliou o movimento recente de realização de lucro, apesar de a Vale ter emplacado alta firme de 2,64% e fechado na máxima do dia, a R$ 89,75, de olho no Irã e no day after do seu relatório trimestral de produção e vendas.

 

... Entre os principais bancos, Itaú PN caiu de forma moderada (-0,38%, para R$ 46,80), Bradesco PN registrou valorização de 1,97%, a R$ 21,26, BB ON subiu 0,49%, para R$ 24,40, e Santander unit ganhou 0,45% (R$ 31,59).

 

... Embaladas pelos progressos diplomáticos no Oriente Médio, as bolsas americanas ignoraram o tombo de quase 10% da Netflix, que repercutiu o guidance fraco para o segundo trimestre, apesar do balanço melhor que o esperado.

 

... De novo, o S&P 500, em alta de 1,20%, aos 7.126,06 pontos, e o Nasdaq, que avançou 1,52%, para 24.468,48 pontos, renovaram os picos históricos de fechamento. O índice Dow Jones subiu 1,79%, aos 49.447,43 pontos.

 

PREÇO JUSTO? – Para um dia em que o mercado apostou no fim da guerra, dá para dizer que o dólar à vista relaxou muito pouco, só 0,19%, a R$ 4,9833, reforçando as desconfianças de que não vai conseguir cair muito abaixo de R$ 5.

 

... Na mínima intraday (R$ 4,9508), quis furar R$ 4,95, mas não conseguiu, sugerindo que pode estar perto de um patamar de equilíbrio, em meio à percepção de que o movimento de rotação global de ativos está se esgotando.

 

... Não houve maior apetite pelo real, apesar da mudança importante na precificação para o Fed.

 

... Diante das esperanças de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã, o mercado voltou a cogitar um corte de juro ainda este ano, em dezembro, muito mais cedo do que o cronograma anterior das apostas (metade de 2027).

 

... Aqui, apesar de os juros futuros terem queimado prêmio junto com o petróleo, o mercado não se animou a projetar que o Copom vai acelerar o ritmo de corte da Selic para 0,5 pp semana que vem. A cautela prevalece.

 

... A aposta principal (75%) é de que o BC tem que ir com calma e derrubar o juro em só 0,25 ponto, diante das expectativas inflacionárias, que apontam para rompimento da meta este ano, no cenário agravado pelas eleições.

 

... Em reportagem do Broadcast, economistas e profissionais de renda fixa disseram que a curva de juros não deve voltar ao nível pré-guerra e enxergam poucos vetores que possam ajudar a aliviar as taxas futuras daqui em diante.

 

... Mesmo com a normalização do choque do petróleo na sexta-feira, as taxas longas persistem acima dos 13% e a perspectiva de um “pacote de bondades” em ano eleitoral projeta um quadro mais desafiador à política monetária.

 

... As vitrines populistas do fim da escala de trabalho 6x1, da possível reversão da taxa das blusinhas, do uso do FGTS para quitar dívidas e de outras medidas para reduzir o endividamento das famílias entram no radar de atenção.

 

... No fechamento da sexta-feira, o DI para Jan/27 caiu a 13,910% (de 14,051% no ajuste anterior); Jan/28, a 13,265% (de 13,485% na véspera); Jan/29, a 13,160% (13,336%); Jan/31, a 13,310% (13,428%); e Jan/33, a 13,420% (13,528%).

 

ACREDITA DESACREDITANDO – A iniciativa do Irã de reabertura do Estreito de Ormuz enquanto durasse a trégua entre Israel e o Líbano levou o índice DXY do dólar para bem perto do patamar em que estava antes da guerra.

 

... Mas antes que o dia acabasse, a moeda americana reduziu as perdas, porque não sentiu firmeza em um acordo permanente. O DXY limitou a queda a 0,11%, para 98,098 pontos, com perdas acumuladas de 0,55% na semana.

 

... O euro recuou 0,11%, a US$ 1,1775, a libra teve baixa de 0,07%, a US$ 1,3526, e o iene subiu a 158,56 por dólar.

 

... Embora o presidente do BC japonês, Kazuo Ueda, não tenha descartado explicitamente uma elevação dos juros já este mês, a Mizuho Securities avalia que a taxa pode ficar estável até pelo menos junho, em meio às incertezas.


... Na Europa, dois dirigentes do BCE sinalizaram que também não vem alta agora em abril.

 

... Para Martins Kazaks (presidente do BC Letônia), não é certo que o próximo movimento será de aperto. De seu lado, Martin Kocher (Áustria) recomendou que o BCE não reaja precipitadamente ao conflito no Oriente Médio.

 

... Em sua avaliação, o BCE não vai tolerar uma trajetória de inflação que fuja à meta de 2%, mas, ao mesmo tempo, não é adequado antecipar medidas preventivas, diante de cenários (de guerra) que podem nem se concretizar.

 

... Nos Estados Unidos, as taxas dos Treasuries compraram na sexta-feira o alívio das tensões no Oriente Médio. O rendimento da Note de 2 anos recuou a 3,698%, contra 3,777% na véspera, e o de 10 anos, a 4,242% (de 4,310%).

 

CIAS ABERTAS NO AFTER – Os credores bancários da RAÍZEN apresentaram à empresa uma nova proposta de reestruturação, segundo fontes da Bloomberg...

 

... Como parte do plano, os credores propõem que 30% dos recursos obtidos com a venda de ativos na Argentina sejam usados para amortizar dívidas e pedem que Ometto (Cosan) seja substituído como presidente do conselho...

 

... O pedido ecoa uma proposta anterior dos detentores de títulos.

 

MINERVA fará oferta de debêntures de R$ 1,5 bilhão.

 

ALLOS flexibilizou acordo de acionistas e liberou venda de ações após diluição do controle.

 

CAIXA negou compra de carteiras do BRB e disse que já prestou esclarecimentos ao TCU...

 

... O posicionamento ocorre após o presidente da CAE do Senado, Renan Calheiros (MDB), apresentar dois requerimentos com foco em operações envolvendo o BRB e possíveis conexões com a crise do Banco Master.  

 

ALPARGATAS pagará JCP de R$ 106 milhões (R$ 0,148942/ON e R$ 0,163836/PN) em 15/5.

 

CEEE-D fará emissão de debêntures de R$ 750 milhões.

 

CYRELA teve participação da gestora Absolute elevada para 5,31% das ações preferenciais.

 

GAFISA fará aumento de capital entre R$ 100 milhões e R$ 250 milhões para reduzir endividamento.

 

BANCO DA AMAZÔNIA lucrou R$ 1,11 bilhão em 2025 (-2,4% a/a).

 

FICTOR teve recuperação judicial aceita pela Justiça de São Paulo, com proteção contra credores por 180 dias.

 

AMERICAN AIRLINES negou interesse em fusão com a United Airlines.

sábado, 18 de abril de 2026

Fernando Schüller

 Fernando Schüler: sempre preciso. 👏👇


Nos tornamos uma sociedade do medo 

Por Fernando Schüler (Estadão, 18/4/26)


“”Não podemos deixar de nos furtar a cassar eleitoralmente aqueles que abusaram, atacando instituições”, diz o ministro Toffoli em seu discurso, no STF, contra o relatório do senador Alessandro Vieira. A frase funciona como uma síntese do transe político brasileiro, dos últimos anos. 


O roteiro é conhecido: denunciar condutas dos ministros equivale a um ataque ao Tribunal, como “instituição”. E logo, uma agressão à própria democracia. O ministro também afirma que “sabe” por que o senador fez aquele relatório: uma “aventura para obter votos”. E daí a ponte para o crime eleitoral. O desfecho semanal do caso todos conhecem. O senador passou ele mesmo à condição de investigado. E a partir daí seu futuro político é incerto.


Observem que há um padrão, nisso tudo. O ministro Toffoli foi o mesmo que abriu o inquérito sobre fake news, no início de 2019. Alguém lembra do motivo? Não havia nada em especial. Eram os mesmíssimos “ataques” aos integrantes do Tribunal, cuja conduta – seja ela qual for – passa sem muitas sutilezas a se confundir com a “instituição”, e logo com a “democracia”. 


O primeiro ato é a censura da Revista Crusoé. Se há realmente um risco às instituições, o que deveria impedir a censura a uma revista? Por vezes me pergunto se teríamos chegado ao ponto em que chegamos se, ao invés de censurar aquela investigação jornalística, tivéssemos feito o contrário. Levado a sério. Ido adiante. Investigado, de fato, o que havia para investigar. Em uma democracia, é assim que funciona. 


O jornalismo produz pistas, mas não dispõe de poder. Se a máquina do Estado não se move, é provável que muita coisa vai se acumulando debaixo de um enorme tapete. E por vezes é a imagem que me surge, quando penso no Brasil de hoje. 


Depois daquele episódio, o padrão se fixou. Foram anos de censura e coisas piores a quem praticasse qualquer modalidade de “ataque” ao Tribunal ou a seus integrantes Na maior parte das vezes, coisas bizarras. O ativista que aponta o dedo médio para o prédio do Supremo (não é piada), o PCO, pequeno partido comunista, com seu tuíte que (quase) ninguém leu, dizendo alguma coisa sobre o STF que ninguém se lembra; a família de turistas que diz algum impropério em um tom mais elevado, em um aeroporto europeu. 


O padrão se seguiu com o caso Tagliaferro. Sua crítica não era feita de xingamentos ou palavrões. Era uma denúncia sobre um sistema de abuso de poder. Alvos pré-definidos (como aquela “revista conservadora”), produção de provas, perseguição de pessoas por suas opiniões políticas, quebra do devido processo legal. 


Tagliaferro era um funcionário público e trabalhou no núcleo do poder. Suas denúncias têm fundamento? Não há como saber. Ao invés de investigar, é o denunciante que é convertido em réu. Novamente, o “padrão”. O sistema de poder se fecha, rechaça – com uma nota – qualquer responsabilidade. Se volta contra o elemento “crítico”. E de novo me pergunto se não estaríamos melhor caso tivéssemos levado à sério, investigado com isenção aquelas denúncias, ao invés de empurrar para debaixo do tapete. E mais uma vez, não encontro uma boa resposta. 


O padrão, por estes tempos, segue intacto. Um jornalista ou blogueiro, no Maranhão, arrisca investigar um carro usado pelo ministro e termina na Polícia Federal. Mesmo destino do presidente da Unafisco. Sua crítica de que há mais medo de se investigar certas autoridades do que o crime organizado deveria preocupar o País. Mas ela era um “ataque”, não é mesmo? E era crucial, para nossa democracia, que ele também terminasse de bico fechado. 


Tudo isso para dizer que não há grande novidade neste processo que agora se abre contra o senador Alessandro Vieira. Ele se converte, na prática, em nosso novo Tagliaferro. Ao sugerir uma investigação dos “de cima”, torna-se ele mesmo o “investigado”. E por aí seguimos. 


Uma sociedade democrática vive da controvérsia e do risco. A imunidade parlamentar, em especial, é um tipo de licença que a Constituição garante inclusive para o “erro”. Pela razão simples de que sem a possibilidade do erro, não há tomada de risco. O senador pode estar errado em seu relatório. Em uma democracia, haverá sempre uma divergência sobre temas como este. Mas é seu direito, sua função e sua prerrogativa dizer o que pensa, em um relatório. Sem isso, não há parlamento que possa funcionar. 


Se um senador é punido por uma opinião, em um relatório, a pergunta correta a fazer: qual o efeito inibidor que isto tem sobre os demais parlamentares? É o mesmo padrão que se viu na censura a Cleber Cabral: qual o efeito sobre os demais líderes associativos? E sobre o “blogueiro” do Maranhão: que impacto sobre os demais jornalistas independentes, que pensam em arriscar alguma investigação? 


O resultado disso é a criação de uma sociedade do medo. No fundo, é este o problema com o “padrão”. Ele irradia um efeito inibidor, na sociedade. E vai consolidando a ideia de que temos por aqui um tipo de poder imensamente personalista e imune a qualquer suspeita. A qualquer hipótese de investigação. De um modo mais amplo, imune ao sistema de freios e contrapesos, que define a alma da vida republicana.”

Corrupção pura e simplee

 Corrupção pura e simples


Prisão do ex-presidente do BRB sugere que o banco do Distrito Federal foi parte ativa do esquema criminoso do Master, e não apenas vítima de negligência administrativa ou má governança


18 abr. 2026

Estadão Editorial 


Até ontem, o governo federal não havia respondido ao pedido do Distrito Federal para ajudar no plano de socorro ao Banco de Brasília (BRB), que é estatal. A governadora do DF, Celina Leão (PP), queixou-se de que falta “boa vontade” ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ora, o problema do BRB é do DF, e não da União, razão pela qual faz bem o presidente Lula de nem sequer responder ao desarrazoado pedido. Ainda mais na semana em que o País teve a confirmação de que o BRB entrou em colapso não somente como consequência de barbeiragens administrativas, mas sobretudo porque se deixou envolver em relações corruptas com o Banco Master.


Investigações da Polícia Federal encontraram indícios robustos de que, em troca de um punhado de apartamentos de luxo, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, teria aceitado transformar o banco público no rim que manteria vivo o organismo do Master, que respirava à base de papelório fraudulento e fundos picaretas.


Quando anunciou a operação de compra de parte do Master, em março do ano passado, Costa declarou que o negócio casava com a estratégia de crescimento do BRB, banco regional que buscava converter-se em nacional.


Na decisão em que autorizou a prisão do ex-presidente do BRB, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou que Costa “teria colocado a presidência do BRB a serviço da manutenção da liquidez do Master” e, ao mesmo tempo, sido “beneficiário direto de vantagem indevida”. Ademais, a atuação de Costa, segundo Mendonça, “não se limita a uma negligência administrativa ou deficiência de governança, mas alcança, em tese, a adesão consciente ao arranjo criminoso”.

Barrada pelo Banco Central, que posteriormente decretou a liquidação extrajudicial do Master, a compra desse banco pelo BRB foi desde o início vista com suspeição pelo mercado financeiro. Temia-se, não sem razão, que recursos públicos estivessem sendo empregados para salvar um empreendimento privado gerido de forma temerária, para dizer o mínimo.


Mas as investigações da PF que resultaram na prisão de Costa, contudo, sugerem que algo ainda pior teria ocorrido: o BRB, até então um banco sólido, foi conscientemente utilizado em uma trama que buscava, apenas e tão somente, encobrir as falcatruas do Master.


Em vez de ganhar musculatura nacional, o BRB agora precisa desesperadamente encontrar uma salvação para si mesmo, missão que já era difícil e que, com a prisão de seu ex-presidente, torna-se ainda mais complicada.


Embora o Banco Central tenha reiterado que não pretende tomar decisões extremas em relação ao BRB, a possibilidade de que a instituição do Distrito Federal acabe, ironicamente, tendo o mesmo destino do Master e sendo liquidado extrajudicialmente não é desprezível.


A esta altura dos eventos, muito dificilmente um grupo privado se comprometeria com um banco tão encalacrado quanto o BRB, cujo balanço, que nem sequer foi divulgado, está contaminado pelos ativos podres do Master e cujo rombo é provavelmente superior a R$ 5 bilhões.


O futuro pouco alvissareiro do BRB está entrelaçado à decisão passada de se envolver com o Master. Está cada vez mais evidente que não se tratava de um negócio, mas de negociata. Consta que o agora preso ex-presidente do BRB andou espalhando que seu celular reúne provas contra outras pessoas supostamente envolvidas. Pode ser estratégia para buscar proteção e algum acordo, como está fazendo o próprio dono do Master, Daniel Vorcaro, e pode ser apenas bravata. Mais uma razão para alimentar o clima de tensão em Brasília.


De concreto, independentemente de eventuais revelações comprometedoras de Costa, sabe-se que durante a gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) no Distrito Federal houve grande empenho para que o negócio entre BRB e Master saísse do papel.


Inicialmente, a gestão de Ibaneis encaminhou a compra do Master sem a anuência prévia da Câmara Legislativa local. Esta, por sua vez, quando finalmente teve a oportunidade de tratar do assunto, aprovou o negócio a toque de caixa.


Ibaneis jura de pés juntos que não tem nada a ver com o escândalo do Master. •

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Leblon Equities

 📈 *Para a Leblon Equities, alta até agora é ‘recuperaçãozinha’ perto do que está por vir-Valor*


_Para Pedro Rudge, sócio-fundador da casa, o fluxo estrangeiro não deixou as ‘large caps’ caras; apenas diminuiu a gordura que havia nas ações_


Por Bruna Furlani e Maria Fernanda Salinet


Depois de o Ibovespa bater recordes em abril e acumular alta de mais de 22% no ano, a avaliação da equipe de gestão da Leblon Equities que a disparada do índice não foi um “exagero” e que o movimento foi reflexo de uma “recuperaçãozinha” no tamanho da alocação em açõ brasileiras dentro dos portfólios globais, segundo o sócio-fundador da casa, Pedro Rudge.


Em entrevista ao Valor, o executivo diz que o Brasil “saiu de moda” das carteiras dos investidores internacionais nos últimos anos, mas que necessidade de diversificação e a guerra fizeram o país voltou a chamar atenção, sendo reconhecido como um “polo” capaz de atrair recursos. Embora a maior parte dos fluxos de alocadores estrangeiros tenha ido para “large caps”, as empresas de maior valor de mercado, Rudge avalia que esse tipo de papel segue atrativo.


*Valor*: _A alta recente da bolsa tem um pouco de exagero ou há fundamento?_


*Pedro Rudge*: Acho que não tem exagero. O movimento do Ibovespa foi muito concentrado nos nomes mais líquidos, como Vale, Petrobrás e bancos, e achamos que o índice não representa bem a economia. Quando olhamos, ainda tem várias oportunidades na bolsa; tem muita co que continua barata. Por exemplo, empresas menores mais sensíveis a juros ainda não tiveram esse impacto do fluxo inicial do estrangeiro podem se favorecer em uma segunda onda [de alocação de capital]. Temos Priner, Mills, Brisanet, Lojas Renner e BeMobi como exemplos empresas que vemos grande potencial.


*Valor*: _Mesmo em meio à guerra, o que fez a bolsa local continuar a subir?_


*Rudge*: Boa parte do fluxo dos investidores nesses últimos anos foi muito canalizado para as empresas de tecnologia, para a economia americana. De alguma maneira, todos esses movimentos mais recentes, seja de imposição de tarifas comerciais, seja dessa postura um po mais belicosa do governo americano com os parceiros, fez com que os investidores tivessem uma sensação de um risco e de uma incertez um pouco maior, fazendo com que economias emergentes que estavam um pouco esquecidas ganhassem atenção, principalmente entre o de 2025 e início deste ano.


*Valor*: _O que favoreceu essa procura por investidores estrangeiros?_


*Rudge*: Nesses primeiros quatro meses do ano, o Brasil foi bem beneficiado por esse fluxo estrangeiro. O ‘valuation’, ou seja, o preço dos ativos brasileiros, estava bastante descontado em relação aos últimos três ou quatro anos, o que ajudou. O país também é um produtor de commodities e aqui, principalmente com a guerra, entendeu-se que nós poderíamos ser beneficiados. Nós exportamos petróleo e o agronegócio é muito forte. Tem ainda o fato de estarmos com um patamar de juros muito elevado. O movimento de queda da Selic, que começou recentemente, também pode continuar, e ainda tem a possibilidade de mudança de governo. Juntando tudo isso, o Brasil acaba sendo um polo que atrai fluxo.


*Valor*: _O Brasil virou um “porto seguro” enquanto a América Latina virou um “óasis” de segurança com a guerra?_


*Rudge*: Não dá para usar esses adjetivos tão fortes. O investidor estrangeiro sabe que somos um país e uma região voláteis. Porém, dada conjuntura, alguns países da América Latina acabaram sendo reconhecidos como um polo atrator de recursos. Talvez o Brasil esteja sendo beneficiado um pouco mais entre os emergentes por causa dos últimos anos de queda do mercado, além de uma visão positiva sobre a eleição, que pode mudar a percepção de risco. Quando o investidor coloca isso nas contas, o Brasil se torna um mercado interessante para aumentar exposição. É bom lembrarmos que o Brasil ‘saiu de moda’ desde 2021. O país já foi muito mais relevante no portfólio do investido global do que está agora, mesmo com essa ‘recuperaçãozinha’. A exposição dos investidores estrangeiros estava e ainda está muito peque em ações brasileiras e esse aumento da posição ainda é muito inicial.


*Valor*: _Esse fluxo estrangeiro para o país é mais tático ou estrutural?_


*Rudge*: Para ser estrutural, é preciso mais tempo. É um movimento oportunístico. Se o fluxo estrangeiro vai continuar ou não, um pouco da resposta está no contexto global; a outra parte está aqui se fizermos o dever de casa, se os juros caírem, se o governo ‘endereçar’ a questã fiscal. Tem fatores externos que não controlamos que podem ajudar ou dificultar um pouco, mas tem também o nosso dever de casa para tornar esse movimento mais estrutural.


*Valor*: _As ‘large cap’s estão caras agora?_


*Rudge*: ‘Large caps’ não estão caras. Acho que diminuiu a gordura que tinha nelas, mas ainda encontramos empresas interessantes. Falo considerando a média, porque você pode ver uma ou outra ação que já esteja bem precificada. O Ibovespa sobe perto de 22% no ano, poré tem empresa que está crescendo, então o preço delas devia realmente estar subindo. Não acho que dá para falar que o mercado está caro. Acho que são cenários. Se os juros continuarem em um patamar alto por muito tempo e as empresas ficarem mais endividadas, algumas d ficarão caras, assumindo uma manutenção do cenário atual. Porém, se imaginarmos que os juros vão cair e que as empresas continuarão performar bem operacionalmente, ganhando ‘market share’ [participação de mercado] e margem, penso que as ações têm espaço para continuar apreciando. Acho que a Vale e algumas companhias elétricas podem ter ficado mais caras. Em algumas empresa é preciso assum premissas mais positivas para que elas continuem atrativas.


*Valor*: _A gestão ainda vê oportunidade nas ações de estatais?_


*Rudge*: Continuamos a ter posição em Banco do Brasil e Petrobras, mas acho que não dá para entender as duas de forma igual. A Petrobras, apesar de ser estatal, andou muito porque o petróleo está acima de US$ 100 e o governo precisa dos seus dividendos, então, de uma certa maneira, o risco de ser uma estatal diminui um pouquinho. Acho difícil essa afirmativa de que as estatais estão mais bem precificadas do que já foram no passado. A Petrobras está muito valorizada por que o petróleo saiu de US$ 60 e foi para US$ 100. Já o papel de Banco do Brasil continua com bastante desconto. Uma parte dele justificável pelo desempenho sofrível da carteira de crédito do agro. Tem também o componente político. Se houver alguma mudança, esse risco poderia diminuir, mas não é por isso que temos a ação. Gostamos porque está barata e o mercado precifica que vai demorar muito tempo para o banco se recuperar, o que não achamos.


*Valor*: _Como está o portfólio?_


*Rudge*: Um terço do fundo está em empresas, como Netflix, Uber, TSMC, Micron, Google, que carregamos no longo prazo, porque envolvem movimentos transformacionais. Outro terço está em ‘large caps’: Petrobras, B3, BTG Pactual, Rede D'Or e um pouco de Vibra. Já a última parte está em empresas menores, como Priner.


*Valor*: _O investidor local pode voltar para a bolsa se houver mais clareza com as eleições?_


*Rudge*: Mesmo que haja uma melhor clareza em relação à eleição, os juros seguem altos. É claro que atrairia algum fluxo, mas a eleição é incerta. Está muito polarizado e, se continuar assim a definição será próxima de outubro.

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado* Terça Feira,28 de Abril de 2.026. *IPCA-15 testa o Copom sob pressão da guerra* O dia será, ainda, movimentado pela expec...