segunda-feira, 28 de abril de 2025

Editorial OESP

 Brasil precisa de um estadista

Carlos Alberto di Franco


O Estado de S. Paulo.

28 de abr. de 2025


Tenho insistido reiteradamente num ponto que me parece essencial para compreender o impasse histórico em que o Brasil se encontra: faltam-nos estadistas. Sobram políticos. Mas falta-nos aquele tipo humano raro, que pensa o país para além do próprio reflexo no espelho. O Brasil, em sua complexidade e grandeza, não pode ser reduzido à lógica do marketing político, da sobrevivência eleitoral ou do imediatismo oportunista.


Precisamos de alguém capaz de sonhar alto, agir com responsabilidade e cultivar o senso do dever.


O estadista é, antes de tudo, um servidor da nação. Não é movido por vaidades pessoais, mas por um propósito de transformação social e institucional. A história nos mostra que os estadistas são raros – e por isso preciosos. São homens que se projetam não por gritar mais alto ou colecionar curtidas nas redes sociais, mas por oferecerem ao seu tempo uma bússola moral e uma visão de futuro. São figuras que, mesmo envolvidas nas urgências do presente, não se perdem em sua neblina. Sabem onde estão, por que estão e para onde pretendem conduzir o País.


O Brasil vive uma estagnação política e moral. Não por falta de recursos, inteligência ou potencial. Mas porque falta direção. Os ciclos políticos se sucedem sem que um projeto nacional consistente consiga firmar raízes. Oscilamos entre o populismo e o tecnocratismo, entre promessas vazias e reformas apressadas. Há uma ausência inquietante de lideranças que pensem o Brasil para além de quatro anos.


O estadista, ao contrário do político tradicional, não se limita ao calendário eleitoral. Ele planta árvores cujos frutos talvez não venha a colher. Planeja com os olhos postos em décadas. Sabe que governar não é apenas administrar crises, mas construir futuro. O estadista é um artífice da esperança, não um operador da rotina.


É preciso resgatar, com urgência, a ética da responsabilidade. Não se trata de moralismo barato, mas de um compromisso profundo com o bem comum. O estadista não manipula a verdade, não negocia princípios. Pode até perder eleições – e muitas vezes perde –, mas jamais trai sua consciência. Ele sabe que a política, para ser legítima, precisa ser ética. Sem ética, a política degenera em oportunismo, fisiologismo, corrupção.


O Brasil não pode prescindir da esperança. Mas não pode também continuar refém de salvadores da pátria, de mitos forjados em redes sociais ou de líderes cuja única ideologia é o culto à própria personalidade. A saída está no reencontro com a política em seu sentido mais nobre: a arte de servir ao povo com honestidade, competência e visão.


O estadista precisa ser desenvolvimentista – mas um desenvolvimentismo inteligente, moderno, responsável. Que compreenda as potencialidades do País, respeite o meio ambiente, invista em educação, ciência e tecnologia, valorize a indústria nacional e enfrente as desigualdades sociais com coragem. O Brasil não pode continuar sendo um país rico com um povo pobre.


E aqui, a Amazônia assume um papel estratégico e simbólico. Não há projeto de nação sem um olhar lúcido e soberano sobre a maior floresta tropical do planeta. A Amazônia não pode ser reduzida a slogans ou a objeto de disputa de interesses internacionais. Ela é parte vital da nossa identidade, da nossa biodiversidade e do nosso potencial de desenvolvimento sustentável. Como afirma Aldo Rebelo, “além da maior floresta tropical do mundo, a Amazônia também é detentora da maior fronteira mineral e da maior fronteira energética do mundo”. Um estadista entende que proteger a Amazônia é proteger o Brasil, mas compreende também que a presença do Estado, a infraestrutura, a educação e a geração de emprego são essenciais para que os brasileiros que vivem na região deixem de ser invisíveis.


O estadista não teme o enfrentamento. Mas não o procura por vaidade ou beligerância.


Seu combate é por princípios, não por holofotes. Sua autoridade vem do exemplo, não da imposição. Sua força vem da coerência, não do cálculo político.


O Brasil precisa de alguém que compreenda a complexidade do seu tempo, que una competência técnica à sensibilidade social, que alie firmeza a generosidade. Alguém que não precise gritar para ser ouvido. Que não trate o povo como massa de manobra, mas como sujeito de sua própria história.


O estadista não nasce do improviso. É alguém que conhece a alma do seu povo, respeita sua cultura, valoriza sua história. Sim, a história. Porque quem não conhece o passado está condenado a perder o futuro. A ignorância histórica é uma das raízes da superficialidade política e do desprezo pelas instituições. O estadista, ao contrário, sabe que cada passo adiante exige consciência do caminho já trilhado.


O estadista é, enfim, um construtor. Constrói consensos sem abrir mão de convicções.


Constrói políticas públicas que sobrevivem a governos. Constrói instituições sólidas.


Constrói pontes entre o presente e o futuro. E, sobretudo, constrói confiança. Porque sabe que sem confiança não há coesão social e sem coesão social não há desenvolvimento sustentável.


A hora exige coragem, grandeza e espírito público. A hora exige um estadista. •

domingo, 27 de abril de 2025

Carlos Alberto Sardenberg

 Trump enfrenta choque de realidade

Carlos Alberto Sardenberg

O Globo, sábado, 26 de abril de 2025


Só a reação interna pode deter o presidente americano. Além da sabedoria e da paciência milenares dos chineses

 

Da posse de Trump até ontem, o valor das companhias americanas listadas em Bolsas caiu cerca de 10%. É coisa de trilhões de dólares. Afeta principalmente as empresas que têm cadeias globais de produção, as maiores vítimas do tarifaço.

Mas, se a tendência foi claramente de queda nesse período, a característica principal do mercado foi a volatilidade. A partir não apenas de fatos, mas especialmente das declarações de Trump.

Esta semana foi assim. Começou bem pessimista, repercutindo ainda as falas do presidente ameaçando engrossar com a China e demitir o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central), Jerome Powell, se ele não reduzisse imediatamente a taxa de juros.

Ações desabaram.

Assustados, assessores de Trump chamaram sua atenção. Ele próprio, um homem de negócios, também se inquietou. Resultado: declarações mais amenas dizendo que as negociações com a China começavam e que ele seria “gentil”. Mais: acrescentou que as tarifas de importação sobre produtos chineses ficariam bem abaixo do teto atual de 145%. Já isso de demitir o presidente do Fed, era coisa de uma imprensa que sempre “exagera”.

Acalmou os mercados, Bolsas voltaram a subir, mas isso ficou longe de tranquilizar o pessoal de lá e do mundo todo. Gerou desconfiança, manifestada reservadamente por empresários e executivos americanos. Se a Bolsa oscila na base de declarações, fica óbvio que pode haver manipulação. Se um assessor sabe que Trump desmentirá a ameaça de demissão de Powell, sabe então que as ações subirão. Uma comprinha rápida dá um caminhão de lucros em poucas horas de pregão. Quem soube antes que Trump atacaria o Fed pode ter lucrado duas vezes.

São desconfianças, claro, mas alimentadas pela conhecida falta de escrúpulos de Trump. E de seu pouco apreço pela verdade. Ele não apenas disse que demitiria Powell, como escreveu isso em sua rede social. Ainda o ofendeu, também por escrito, chamando-o de “atrasadão” e “grande perdedor”. Depois, com a maior cara de pau, diz que foi coisa da imprensa.

No caso da China, foi ainda pior. Enquanto Trump afirmava que cabia a Xi Jinping dar o primeiro telefonema e, depois, que negociações estavam em andamento, o governo chinês negou tudo. Segundo Pequim, não há qualquer conversa. Xi não telefonou. E não telefonará enquanto Trump não suspender as tarifas e zerar o jogo. O governo chinês também quer que Washington designe um negociador responsável.

Trump ficou quieto, pelo menos até ontem.

Feitas as contas, a disputa tarifária afeta mais os Estados Unidos que a China. Do total de exportações chinesas, 13% vão para empresas e consumidores americanos. Os outros 87% estão distribuídos por diversos países, praticamente no mundo todo. A China já vinha reduzindo a dependência em relação aos Estados Unidos.

Do outro lado, 15% das importações americanas vêm da China. Outros 15%, do México, mais 14%, do Canadá. Quase a metade das importações vem de três países, todos duramente atingidos pelo tarifaço.

Executivos de supermercados advertiram Washington de que seus consumidores em breve poderiam topar com prateleiras vazias e produtos muito mais caros, uma péssima combinação. Em geral, os executivos evitam entrar em conflito com Trump, dada sua política vingativa. Mas não tiveram como evitar o tarifaço na apresentação de seus resultados trimestrais. Aí apareceram com frequência as palavras inflação e recessão. Eis o ponto: só a reação interna pode deter Trump. Além da sabedoria e da paciência milenares dos chineses.

Por falar em tarifaço e países protecionistas, a Nintendo acaba de lançar seu game Switch nos Estados Unidos por US$ 450. Para o Brasil, o lançamento oficial está marcado para 5 de junho, ao preço sugerido de R$ 4.500. É só fazer as contas para verificar onde está o protecionismo. É curioso: nos meios econômicos brasileiros, a crítica a Trump é praticamente unânime. E os nossos tarifaços?

Tiberio Canuto Queiroz

 Não digam que não avisei

A leitura da entrevista  no Globo de Felipe Nunes, - um dos autores do livro Biografia do Abismo, e CEO DO instituto de pesquisa Quaest - deveria ser de leitura mandatória para a esquerda. Segundo ele, enquanto Lula e Bolsonaro estiverem vivos, o país continuará dividido em partes praticamente iguais entre os dois. Sobram cerca de 10% dos eleitores que não são nenhum nem outro. Eles podem pender para um  dos lados, a depender de quem seja o candidato. Com Bolsonaro inelegível, as chances de a direita  sair vitoriosa em 2026 são mais factíveis se seu candidato tiver um perfil mais  moderado, capaz de dialogar com esses 10% dos eleitores. Aí os nomes de Tarcísio e Zema, ainda segundo Felipe Nunes, são os que, nesse espectro político, mais se adequam ao figurino.

Agora entro eu, dizendo algo que meus amigos petistas jamais concordarão. Mas como sou de uma “esquerda positiva”, tipo a de San Tiago Dantas que propunha um caminho moderado a Jango para evitar o golpe de 64, vou insistir na minha tese. Se tivesse juízo, o PT e demais partidos de esquerda deveriam lançar um candidato  com perfil adequado ao figurino de dialogar com os 10%. Este candidato não necessariamente deveria  ter um perfil de esquerda, mas também não poderia ser antiesquerda. Diria, que deveria ter um perfil de centro-esquerda, mas com poder de dialogar com o eleitorado de centro-direita de perfil moderado,  que em 2022, majoritariamente, foi para Lula.

No mercado político brasileiro vejo um nome com esse perfil: Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro.  Aliás, diria que Quaquá, vice-presidente do PT, também enxerga isso. Só que propondo Eduardo Paes  para vice de Lula, em 2026. Quaquá é muito malandro. Quer tirar as castanhas do fogo com a mão dos outros. Dele se fala cobras e lagartos, mas tem faro político.

Pode-se arguir  que Eduardo Paes sequer aparece nas pesquisas a presidente e que hoje apareceria com baixíssima percentagem de intenção de voto. Isso é irrelevante. O importante é que seu nome tem potencial de agregar forças suficiente para uma candidatura altamente competitiva, se a esquerda também estiver nesse barco.

Outro nome seria Simone Tebet, mas ela se anulou no governo. Queimou o capital político  que tinha, ao Lula exilá-la num ministério sem a menor visibilidade e relevância. Não inclui João Campos, um político promissor, antenado com a modernidade e com capacidade de dialogar com amplo espectro político, por ter menos de 35 anos. Não pode, pela constituição ser presidente da República antes de ter essa idade.

Qual a grande dificuldade  para uma saída que chamo de virtuosa para 2026? Ela se chama Lula. Como todo bom caudilho – e Lula é isso, embora meus amigos petistas sintam-se incomodados quando digo isso -  não aceita  uma frente ampla cuja candidatura a presidente não seja a sua. Aliás, Lula não aceita montar um governo verdadeiramente de Frente Ampla – e não montou um terceiro mandato com esse perfil, basta olhar para o núcleo duro do governo, aquele com assento no Palácio do Planalto, constituído  de petistas puro-sangue.

Além do caudilhismo de Lula outro obstáculo difícil de se contornar é o hegemonismo do PT, sempre refratário  a participar de governos ou frentes em que não seja hegemônico. É um mal que vem da origem do PT, da sua postura de fazer do rechaço  o centro de sua política. Foi por isso que não participou, e foi contra, a eleição de Tancredo Neves e fez oposição sangrenta  ao governo FHC, tal qual o Bolsonarismo faz agora ao terceiro governo Lula.

O momento exige uma estratégia defensiva, de a esquerda entender que não é mais hegemônica na sociedade -se é que algum dia o foi -  e montar uma chapa capitaneada com alguém que, de fato,  fuja da armadilha da polarização. Sem isso, o risco de a extrema-direita voltar ao poder e de avançar no Parlamento a ponto de eleger um número de senadores suficientes para aprovar impeachment de ministros do STF, é muito grande. 

No Chile  da Concertacion Democrática e no Uruguai da Frente Ampla nem sempre a esquerda disputou a eleição capitaneado a chapa. Aliás, no interior da frente, esquerda e centro-esquerda se revezaram, com êxito,  no  comando da aliança e, por isso, governaram seus países sucessivamente.

Temos no Brasil uma experiência exitosa de “estratégia defensiva”. Assim foi na resistência à ditadura, por meio da Frente Democrática  liderada pelos liberais. Foi ela que levou ao fim da ditadura. Não foi a  estratégia do “rechaço”, do apelo às armas e da pregação do voto nulo. Esses foram derrotados política e militarmente.

A realidade hoje exige que a esquerda deixe de lado a contradição de falar em Frente Ampla mas   realizar um governo do PT, como ressaltou Felipe Nunes em sua entrevista. É preciso ter a humildade de entender que 56% da população acha que o governo Lula vai na direção errada e que a derrota em 2026 bate à sua porta, se continuar se guiando pelo hegemonismo.

Sei que é esperar muito de nossa esquerda. Também sei que prego no deserto, mas prefiro a nadar contra a corrente a me omitir. Se o pior acontecer em 2026, não digam que não avisei.

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Encerramento semanal

 *Encerramento das transmissões do BDM Online*


_Mais uma semana termina sem que Donald Trump consiga avançar em sua guerra comercial contra a China. Apesar do republicano ter dito algumas vezes que as negociações entre os dois países estão acontecendo e que até recebeu uma ligação de Xi Jinping para tratar das tarifas, Pequim tratou de desmentir as declarações do presidente americano, afirmando que é tudo “fake news”. Passados 100 dias de governo Trump, parece que o mercado está se ajustando aos fatos, ou melhor, à ausência deles, entendendo que Trump faz muito barulho por nada. Ele já recuou das tais tarifas recíprocas, concedendo 90 dias para os países negociarem, e nada impede que esse prazo seja prorrogado indefinidamente. Se depender de Pequim, logo Trump também terá que dar um passo atrás em sua briga com os chineses. Quem sabe, quando a folhinha virar para maio, o “reality show” de Trump termine e o mundo retorne à sua programação normal. O BDM Online voltará a ser atualizado na 2ªF, às 7h. Bom fim de semana!_ (*Téo Takar*)

Agenda 2504

 *Agenda: Semana termina com dados do IPCA-15 e do sentimento do consumidor de Michigan*


*Indicadores*

▪️ ANEEL: Definição da bandeira tarifária de energia elétrica

▪️ 03h00 – Reino Unido: Vendas no varejo 

▪️ 05h00 – FIPE: IPC semanal

▪️ 07h30 – Rússia:  decisão de taxa de juros

▪️ 08h00 – Turquia: ata da reunião de política monetária

▪️ 08h00 – FGV: INCC-M e Sondagem da construção de abril

▪️ 09h00 – IBGE: IPCA-15 de abril

▪️ 09h00 – México: Índice Geral de Atividade Econômica (IGAE) de fevereiro

▪️ 11h00 – EUA: sentimento do consumidor de Michigan de abril

▪️ 14h00 – EUA/Baker Hughes: poços e plataformas de petróleo em operação     


*Eventos*

▪️ 07h00 – Washington: Galípolo participa de reuniões do FMI

Josue Leonel 2504

 *IPCA-15 baliza aposta na Selic; bolsa reflete Vale: Mercado Hoje*


Por Josue Leonel

(Bloomberg) -- Juros futuros reagem ao IPCA-15, em meio às

apostas recentes em alta menor da Selic diante da expectativa de

efeito da guerra comercial sobre o Brasil e de falas de

dirigentes do BC vistas como mais brandas. Índice deve recuar em

abril sobre março, mas mantendo nível substancialmente acima da

meta na comparação anual. Aneel decide sobre bandeira tarifária

da energia. Ações da Vale reagem ao resultado da mineradora, que

frustrou estimativas com preços fracos do minério de ferro.

Nubank tem aprovação inicial do México para licença bancária. 

No exterior, futuros das bolsas chegaram a subir com

apostas em corte dos juros, reforçadas por sinalizações de

integrantes do Fed, mas perderam força após China negar

negociações sobre tarifas com EUA. Investidores monitoram dados

da Universidade de Michigan nesta sexta-feira, antes de números

de emprego na próxima semana.

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Brasil hoje da Bloomberg em português e receba o conteúdo

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*T

Às 7:26, este era o desempenho dos principais índices:

S&P 500 Futuro +0,1%

STOXX 600 +0,4%

FTSE 100 +0,1%

Nikkei 225 +1,9%

Shanghai SE Comp. -0,1%

MSCI EM +0,3%

Dollar Index +0,4%

Yield 10 anos -1,2bps a 4,303%

Petróleo WTI -0,2% a US$ 62,64 barril

Futuro do minério em Singapura -1% a US$ 98,5

Bitcoin +0,4% a US$ 93783,06

*T

Internacional

Futuros sobem com apostas em cortes do Fed; dólar avança

* Futuros das bolsas dos EUA operam sem tendência clara com as

perspectivas de que o Fed possa cortar taxas de juros mais cedo

do que o esperado contrabalançadas por incertezas sobre a guerra

comercial

* Dólar se fortalece contra iene e franco suíço com a queda da

demanda dos investidores por ativos considerados portos seguros

fora dos EUA

* Rendimento dos treasuries de 10 anos tem baixa leve


Diretor do Fed Christopher Waller disse que apoiaria cortes

de juro caso tarifas agressivas prejudiquem o mercado de

trabalho

* Mercados precificam corte de 0,25pp em junho, totalizando três

reduções desse tipo até final do ano

* No front da guerra comercial, Bloomberg informou que a China

considera suspender sua tarifa de 125% sobre algumas importações

dos EUA, mas porta-voz do Ministério das Relações Exteriores,

Guo Jiakun, reafirmou que Pequim não está em negociações sobre

tarifas

* EUA e a Coreia do Sul poderiam chegar a um acordo “acordo de

entendimento” sobre o comércio já na próxima semana, disse o

Secretário do Tesouro Scott Bessent

* Agenda nos EUA destaca dados de sentimento do consumidor e

expectativa de inflação da Universidade de Michigan de abril

* Petróleo opera de lado, enquanto minério de ferro e cobre

recuam

** Preço do minério pode ter atingido um pico desde ano, com

preocupações sobre corte da produção pela China e incertezas

relacionadas a tarifas, segundo a Mysteel Global


Para acompanhar

IPCA-15 testa alívio nos juros; bandeira da Aneel

* IPCA-15 de abril, que IBGE divulga às 9:00, deve desacelerar

para de 0,42% na comparação mensal e acelerar para 5,48% no

comparativo anual, segundo economistas


“A alta anual dos preços de remédios e alguma pressão

persistente dos custos de alimentos vão manter a inflação cheia

pressionada, apesar de algum alívio nos transportes”, segundo

Adriana Dupita, da Bloomberg Economics

* IPC-Fipe +0,45% na 3ª quadrissemana

* FGV divulga às 8:00 custos de construção de abril

* Brasileiro gasta mais na Páscoa, mas compra menos produto:

Valor

* Alívio externo e comentários lidos como “dovish” por parte de

diretores do BC ajudaram os ativos domésticos nesta quinta-

feira, reduzindo apostas em alta da Selic

** Curva embutia no fechamento de ontem aumento menor que 40

pontos em maio, contra 42 na quarta-feira, e cerca de 30 pontos

de corte nas últimas reuniões do ano

* Diante da incerteza global, recomendação do BC é ir devagar e

ser transparente, disse ontem o diretor do BC Diogo Guillen

** Taxas contracionistas estão funcionando; cenário base é

moderação do crescimento e inflação estável

* Galípolo segue nas reuniões do FMI

* Brasília em Off: O momento do estrago na política fiscal

* Aneel anuncia bandeira para maio

* Vale: Teleconferência às 11:00


Outros destaques

Prisão de Collor reforça temor de aliados de Bolsonaro

* Ex-presidente Fernando Collor é preso em Alagoas: Estado

** Na noite de quinta-feira os advogados do ex-presidente

disseram em nota que receberam “com surpresa e preocupação” a

decisão de Alexandre de Moraes, que rejeitou, de forma

monocrática, o cabível recurso de embargos de infringentes

apresentado

* Prisão de Collor reforça temor de aliados de Bolsonaro de que

Moraes vai tentar dar um rápido desfecho às investigações da

trama golpista e não vai tolerar recursos considerados meramente

protelatórios: Globo

** Bolsonaro nega as acusações

* Motta esfria andamento da anistia e busca acordo: Globo

* Avanço de investigação sobre INSS pressiona ministro: CNN

Brasil

* Um ano após fiasco, Lula decide não ir a ato de 1º de Maio das

centrais sindicais: Folha

* Lula chega a Roma para funerais do papa Francisco

* Haddad tem reuniões com setores de energia solar e tecnologia

da informação


Empresas

Vale, Nubank, Raízen

* Vale: Ebitda pró-forma 1T frustra estimativas

* Nubank recebe aprovação inicial para licença bancária no

México

* Raízen prevê moagem de cana de 700.000 t no 4º trimestre

* Usiminas rebaixada a underperform por Safra

* Prio obtém anuência para workover dos poços em Tubarão Martelo

* CMA conclui compra de fatia da Santos Brasil; realizará OPA

* Multiplan: Lucro líquido 1T supera estimativas

BDM Matinal Riscala 2504

 IPCA-15 calibra expectativas ao Copom

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[25/04/25]


… Um salto nos lucros da Alphabet garantiu o fechamento forte das bolsas em NY, enquanto a Intel divulgava um balanço fraco e caía nas negociações do after hours. No impasse das tarifas, a China desmentiu Trump, dizendo que não está negociando com o governo dos Estados Unidos, mas o mercado resolveu apostar que a Casa Branca acabará “piscando” primeiro nessa queda de braço para ver quem vai recuar. Em paralelo, as apostas de que Powell antecipará a queda dos juros para preservar o emprego foram reforçadas pelo Fed boy Christopher Waller e ajudaram o dia. Hoje, a agenda prevê o sentimento do consumidor americano em abril, medido por Michigan, junto com as expectativas de inflação. Aqui, sai o IPCA-15 (9h), enquanto a B3 repercute o balanço de Vale ontem à noite.


… A controladora do Google registrou uma alta de 46% no lucro do 1Tri (US$ 34,54 bilhões), com o lucro por ação de US$ 2,81 superando as estimativas do mercado (US$ 2,01). A receita avançou 12% (US$ 90,23 bilhões) também acima do previsto (US$ 89 bilhões).


… A receita do Google subiu 9,8%, do YouTube avançou 10,3% e da Cloud – que inclui iniciativas em IA – teve ganho de 28%.


… Já a Intel reportou alta de 115% no prejuízo do 1Tri (US$ 821 milhões) e no after market a ação caiu 5,0%. O novo CEO, Lip-Bu Tan, disse que vai cortar empregos para ajustar os custos da empresa. Segundo a Bloomberg, a demissão pode atingir 20% do pessoal.


… As ações de Alphabet subiram 4,82% no after hours, mas já tinham valorizado bastante no pregão regular (2,53%).


… No final da noite, foi a vez de a Vale divulgar seu balanço do 1Tri, com lucro líquido de US$ 1,394 bilhão, baixa de 17% em relação ao 1Tri de 2024. Na comparação trimestral, a mineradora reverteu o prejuízo de US$ 694 milhões reportado no 4Tri/24.


… O lucro ficou abaixo das estimativas de analistas consultados pelo Valor (US$ 1,65 bilhão), enquanto a receita líquida (US$ 8,119 bilhões) caiu 4% sobre o 1Tri/24 e 20% sobre o 4Tri/24 e o Ebtida (US$ 3,115 bilhões) teve queda anual de 9% e 18% na base trimestral.


… A receita líquida ficou acima do previsto (US$ 7,63 bilhões) e o Ebitda ajustado veio em linha com as previsões.


… Segundo a Vale, os maiores volumes de vendas e menores custos unitários em minério de ferro, combinados com o melhor desempenho da Vale Base Metals, compensaram “parcialmente” o impacto dos menores preços de minério e níquel.


… No after hours, o ADR de Vale fechou em leve baixa de 0,36% (US$ 9,72). Na B3, Vale ON subiu 1,56% (R$ 55,31) antes do balanço.


… Além de Vale, também a Multiplan divulgou balanço após o fechamento. Confira abaixo no Em tempo…


… No encerramento da semana, não há balanços relevantes previstos para hoje em NY, nem na B3.


IPCA-15 – Na agenda dos indicadores domésticos, a prévia da inflação de abril deve desacelerar para 0,43% no consenso dos analistas de mercado, após registrar 0,64% em março. Confirmada a expectativa, o IPCA-15 em 12 meses subirá para 5,49% (5,26% até março).


… Existe ainda a expectativa de que a Receita divulgue a arrecadação de janeiro (14h30), que registrou R$ 261,3 bilhões em dezembro.


… Nesta 5ªF, declarações do diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, derrubaram as taxas de juros futuros, após ter confirmado uma postura dovish, afirmando que “há uma percepção de que a política monetária está funcionando”.


… Em evento da XP realizado em Washington, Guillen destacou a moderação da atividade, projetando que o hiato do produto deverá ser revertido para “negativo” em 18 meses, com a política monetária contracionista levando a inflação para a meta de 3%.


… A avaliação foi entendida como um sinal de que o BC deve pegar mais leve no aperto dos juros (leia abaixo). Já na véspera, o diretor de Política Monetária, Nilton David, tinha ido na mesma linha, reconhecendo os efeitos da política monetária na economia.


FAKE NEWS – Em mais uma demonstração de que continua na dela e muito segura, a China fez dois desmentidos sobre as declarações do presidente Trump, que, sem dar detalhes, relatou negociações com Pequim na manhã desta 5ªF.


… Mas a narrativa durou pouco, só até o tempo de o porta-voz do Ministério das Relações Exterior da China, Guo Jiakun, convocar coletiva de imprensa para dizer que as notícias eram “fakes”, que a China não está envolvida em negociações tarifárias com os EUA.


… “A China e os EUA não realizaram consultas ou negociações sobre a questão tarifária, muito menos chegaram a um acordo.”


… A mesma mensagem foi transmitida pelo Ministério do Comércio da China, que negou ter mantido negociações comerciais com os EUA.


… “Quaisquer alegações sobre o progresso de negociações econômicas e comerciais entre a China e os EUA são infundadas, não têm base factual”, disse o porta-voz He Yadong, acrescentando que seu país está aberto ao diálogo, “com base no respeito mútuo”.


… “Se os Estados Unidos realmente quiserem resolver o problema, devem levar a sério as vozes racionais da comunidade internacional e de setores nacionais e eliminar completamente todas as medidas tarifárias unilaterais contra a China.”


… O presidente Trump foi então à sua rede Truth Social e voltou a atacar a China, dizendo que a Boeing “deveria dar calote nos chineses” que não quiserem receber os aviões “lindamente finalizados que eles se comprometeram a comprar”.


VLADIMIR, STOP – No mesmo post, Trump cresceu em cima de Putin: “Não estou satisfeito com ataques russos em Kiev. Desnecessários e em péssimo momento. Vladimir, PARE! 5.000 soldados estão morrendo por semana. Vamos CONCLUIR o Acordo de Paz!”.


… Na Bloomberg, os EUA exigirão que a Rússia aceite o direito da Ucrânia de desenvolver seu próprio exército e indústria de defesa, como parte de um acordo de paz, rejeitando a insistência de Putin para a desmilitarização do país, um dos seus principais objetivos da guerra.


Parte inferior do formulário


… O governo Trump também quer que Moscou devolva a usina nuclear ucraniana de Zaporizhzhia, que ficaria sob controle dos EUA, e as terras na região de Kharkiv, ocupadas pela Rússia. Se não conseguir o acordo, Trump ameaça abandonar as negociações.


MAIS AGENDA – O sentimento do consumidor de Michigan de abril, com expectativas de inflação para 1 ano e 5 anos, sai às 11h. Baker Hughes solta os dados de petróleo às 14h e o BC da Rússia decide juro às 7h30.


… Aqui, a prévia do IPC-Fipe abre o dia (5h). À tarde, a Aneel define a bandeira tarifária de energia elétrica.


OTIMISMO CAUTELOSO – Ninguém mais acredita em Trump, que só prega uma peça atrás da outra. Mesmo assim, a conversa dele de que em “duas a três semanas” pode rever as tarifas comerciais com a China animou.


… De concreto, não há nada. Mas o investidor parece estar apostando que, nesta disputa de força, o presidente pode levar a pior, forçado por Pequim a um recuo tático, depois de ter colocado o mundo inteiro em apuros.


… Depois de todas as ondas de choque causadas por Trump, o mercado também começa a alimentar a esperança de que o risco de recessão e as demissões em massa apressem o Fed a cortar os juros.


… Reportagem da Reuters apontou que, nas duas últimas semanas, mais de 30 empresas em todo mundo retiraram seus guidances ou reduziram suas previsões por conta do quadro de incertezas da guerra tarifária.


… Alarmados pelos ajustes nas expectativas dos balanços corporativos, dirigentes do Fed voltam a colocar no radar o impacto de uma desaceleração econômica, embora Powell ainda continue em clima de esperar para ver.


… Ontem, o diretor do Fed Christopher Waller disse estar pronto para votar por um corte de juro se as demissões crescerem. A colega Beth Hammack também não descartou um desaperto na reunião de junho.


… Em NY, as bolsas emplacaram o terceiro dia seguido de alta, embora não dê para confiar no movimento como tendência. O Ibov fechou no melhor nível desde setembro, perto dos 135 mil pontos, e o dólar furou R$ 5,70.


… A aposta de que a China acabará colocando Trump em córner animou os papéis das gigantes de tecnologia norte-americanas: Nvidia, +3,57%; Meta, +2,48%; Amazon, +3,29%; Tesla, +3,50%; e Microsoft, +3,45%.


… O Dow Jones ganhou 1,23% e rompeu o patamar dos 40 mil pontos (40.093,40); o S&P 500 avançou 2,03%, para 5.484,77 pontos, e o Nasdaq registrou valorização de 2,74%, chegando aos 17.166,04 pontos no fim do dia.


… No wishful thinking de que o Fed possa antecipar um corte do juro, as taxas dos Treasuries e o dólar caíram.


… O índice DXY recuou 0,54%, para 99,306 pontos. O euro subiu 0,58%, a US$ 1,1392, a libra esterlina ganhou 0,65%, a US$ 1,3343, o iene registrou valorização para 142,65/US$ e o franco suíço avançou para 0,8272/US$.


… O yield da Note de 10 anos caiu a 4,311%, contra 4,393% na véspera, e o de 2 anos foi a 3,797%, de 3,885%.


ATÉ TU? – Aqui os juros futuros operaram em queda, embalados pelo clima externo e o comentário dovish do falcão Guillen, que deu a entender que o ciclo de alta da Selic está no fim. O Copom de maio vai dar jogo.


… Estão praticamente empatadas agora as apostas para +0,5pp (52%) e +0,25pp (48%). Deve ser com emoção!


… No fechamento, o DI para Jan/26 caía a 14,600% (de 14,665% no dia anterior); Jan/27 recuava a 13,860% (de 14,015%); Jan/29, a 13,600% (de 13,855%); Jan/31, 13,930% (de 14,190%); e Jan/33, 14,050% (14,310%).


… A sessão de apetite por risco, com a expectativa de um desfecho da guerra comercial, levou o dólar a completar ontem cinco pregões seguidos em queda, a R$ 5,6912 (-0,49%). A reação do petróleo também ajudou.


… O Brent para julho (+0,72%, a US$ 65,65) interrompeu as perdas provocadas um dia antes pelos relatos sobre um potencial aumento da oferta pela Opep+ em junho. O grupo vai se reunir em 5 de maio para definir o plano.


… Na direção inversa do petróleo, Petrobras fechou no vermelho: ON, -0,73%, a R$ 32,52; e PN, -0,46%, a R$ 30,43. Parte do mercado se queixa que já passou da hora de a companhia reajustar o preço da gasolina.


… A falta de fôlego dos papéis da Petrobras não comprometeu o Ibov, que esteve a um triz de cravar os 135 mil pontos na máxima intraday (134.937) e fechou em alta de 1,79%, a 134.580,43 pontos, com giro de R$ 26,7 bi.


… A queda do DI animou ações relacionadas ao consumo, disparando Magazine Luiza (+10,80%) e Petz (+9,65%).


… Entre os principais bancos, BB destoou dos pares e caiu 1,21%, a R$ 27,70. Santander puxou os ganhos: 3,81% (R$ 28,07). Itaú registrou +1,94% (R$ 34,75); Bradesco ON, +1,88% (R$ 11,91); e Bradesco PN, +1,60% (R$ 13,36).


EM TEMPO… MULTIPLAN teve lucro líquido de R$ 234,044 milhões no 1TRI25, queda de 12,4% na comparação com 1TRI24; receita líquida subiu 0,4%, para R$ 525,677 milhões; Ebitda aumentou 2,5%, para R$ 400,615 milhões.


ELETROBRAS. O banqueiro Juca Abdalla Filho e o grupo ligado a Marcelo Gasparino, com menos de 7% do capital votante, disputam duas das dez vagas do conselho e articulam composição com o governo (Painel S.A/Folha)…


… Eles trabalham para destituir o atual presidente, Ivan Monteiro, segundo apurou a coluna; a assembleia de acionistas que decidirá a nova composição do conselho está marcada para o dia 30.


COPEL aprovou a distribuição de R$ 1,25 bilhão em dividendos adicionais, o equivalente a R$ 0,3974 por ação ON e R$ 0,4372 por papel PN, com pagamento em 15/5; ex em 25/4.


AUREN ENERGIA aprovou a distribuição de R$ 59,6 milhões em dividendos obrigatórios, o equivalente a R$ 0,0570 por ação, com pagamento em 5/5; ex em 25/4.


MAGAZINE LUIZA celebrou junto à International Finance Corporation (IFC), do Banco Mundial, operação de captação de recursos (“loan agreement”) no valor de US$ 130 milhões…


… Recursos captados serão utilizados para financiar a maior parte dos investimentos em tecnologia do Magalu, incluindo a evolução da plataforma de marketplace e dos serviços de Advertising, Fintech, Fulfillment e Cloud.


PRIO recebeu autorização do Ibama para manutenção em poços no campo de Tubarão Martelo.


HAPVIDA aprovou a 9ª emissão de debêntures, no valor total de R$ 1,5 bilhão.

Nova tarifa global

 *Capital Economics: Nova tarifa global dos EUA deve elevar sobretaxa efetiva para 14,5%* Por Gustavo Boldrini São Paulo, 21/02/2026 - O aum...