quinta-feira, 10 de abril de 2025

Dan Kawa

 *Dan Kawa: Trump Piscou*


A quarta-feira foi de forte recuperação do mercado, após Trump pausar parte relevante das tarifas anunciadas na semana passada.


Comentei, há poucos dias, que este seria um vetor importante de estabilização ou reversão da dinâmica do mercado: x.com/DanKawa2/statu….


O roteiro dos ciclos econômicos que comentei no final de semana continua sendo respeitado: x.com/DanKawa2/statu….


Nos últimos dias, vimos uma melhora no balanceamento técnico e de valuation do mercado (comentei aqui: x.com/DanKawa2/statu…) que, adicionados a pausa nas tarifas, levou a uma das altas mais relevantes em um dia já vista nos mercados americanos.


Os EUA pausaram a tarifas por 90 dias para todos os países, menos para a China. Agora, contudo, parece haver um caminho desenhando para a solução deste embate.


Além disso, fica claro que o governo americano é sim sensível a movimentos de mercado e que existe uma pressão do empresariado que apoiou Trump contra medidas vistas como excessivamente agressivas e deletérias a economia.


Ainda me parece cedo para acreditar que o cenário tenha "limpado" completamente. Ainda estamos no meio de um período que será marcado por alta volatilidade e incerteza. A parcimônia e disciplina das alocações precisa ser mantida.


Algum estrago ao crescimento, na forma de aperto das condições financeiras e incerteza de sentimento, parece já ter sido feito. Assim, deveremos ver impactos negativos ao crescimento nos próximos meses, que podem ser vistos como baixistas para o mercado de juros.


Movimentos de queda de mercado são normais ao longos dos ciclos econômicos, assim como as recuperações de mercado. Abaixo, temos alguns exemplos de casos como o que estamos vivenciando nos últimos dias.


A história do "Basis Trade" continua no radar dos investidores, mas ainda sem contágio ou um acidente relevante. O tamanho das alavancagens, contudo, precisa ser monitorada.


No mercado de crédito privado americano, o "delta" de piora foi acentuado, mas o patamar ainda é historicamente baixo. Quanto mais tempo durar a incerteza, maior será o aperto das condições financeiras e mais esse spread poderá abrir.


No mercado de ações, como escrevi ontem, já foram perdidos cerca de $10B de capitalização. Isso gera um efeito riqueza negativo, que aperta as condições financeiras e acarreta em pressão baixista ao crescimento e a inflação.


No Brasil, as vendas no varejo ficaram praticamente dentro das expectativas, mostrando um cenário ainda saudável de crescimento, e sem uma rodada adicional de deterioração do crescimento.


https://x.com/DanKawa2/status/1910246585457373549

Não existe almoço grátis

 O mundo está em choque, porque o dono da festa e os garçons resolveram não mais servir de graça. 

Por décadas, a América comprou de todos, sustentou déficits monstruosos, enquanto os demais países surfavam a onda da exportação fácil e da vantagem injusta. 

Aliás, a ditadura comunista chinesa e sua projeção econômica é resultado da ação americana.

Agora que Trump propõe reciprocidade nas tarifas — uma medida que visa reindustrializar os Estados Unidos e devolver empregos — o capital especulativo grita, as bolsas derretem e os parasitas geoeconômicos se desesperam. 

Mas no fundo, o pânico não é pelo “caos econômico”. É pelo fim da mamata.


A melhor forma de explicar isso? Uma caricatura:


“Imagine uma festa luxuosa num grande salão. Os convidados? Os países do mundo. O dono da festa, com seus garçons ? Claro, os Estados Unidos. 

Durante décadas, esses garçons serviram champanhe, caviar e quitutes importados, tudo fiado ou até de graça. 

Os convidados brindavam, dançavam, aplaudiam a generosidade americana — e ainda reclamavam da temperatura do vinho.


Até que, um dia, o dono da festa cansou e orientou os garçons a cobrar o preço justo. Trocou o fraque por uma jaqueta jeans, pegou o microfone da banda e disse: ‘A partir de agora, cada um paga o que consome — e se quiser vender aqui, vai ter que comprar também.’


O salão silenciou. Os especuladores derrubaram as taças, os burocratas cuspiram o “foie gras”. 

A orquestra do mercado financeiro desafinou. 

O dono da festa e seus garçons viraram “os vilões”. Mas no fundo, todos sabiam: a festa estava cara demais — só que ninguém queria ser o primeiro a ir embora.”


A justiça, quando chega, costuma incomodar quem sempre viveu da vantagem e às custas dos outros. Mas talvez tenha chegado a hora do mundo aprender a pagar a própria conta.

E olha que Trump foi tão honesto que desde a campanha dizia que essa farra às custas dos EUA 🇺🇸 iria acabar.

Mas o surreal e até soa como um deboche é ver esquerdopatas alardeando que vão retaliar, ou seja, parece a estória do mendigo que reclama porque o doador diminuiu a oferta (dinheiro), porque a família aumentou e as despesas também, e ainda diz: “você vai fazer economia com meu dinheiro? (Diz o mendigo)”

O mundo está vivendo esse tipo de cinismo. (Autor desconhecido)

Bankinter Portugal Matinal 1004

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Nem 24 horas passaram desde a entrada em vigor dos impostos alfandegários mais restritivos (China, UE…) para que Trump voltasse a recuar, pelo menos parcialmente. Anunciou uma pausa de 90 dias aos impostos alfandegários recíprocos, exceto no caso de China (que os aumenta até 125%), do mínimo global de 10% e sobre aço, alumínio e automóveis anunciados anteriormente. Isto levou a uma forte reação em alta na bolsa americana (+10% S&P 500, +12% Nasdaq 100, +19% SOX), que a Europa não recebeu, visto que o anúncio aconteceu com o mercado fechado. Tampouco teve muito impacto na renda fixa, com o T-Note a continuar a sua escalada na yield (4,32% +3 p.b.), nem no dólar nem no ouro, voltando a superar os 3000 $.


Após esta notícia, poderíamos pensar, erradamente, que as tensões alfandegárias alcançaram o fundo. Contudo, não parece esse o cenário, já que a maior parte destes impostos não estão incluídos na pausa de 90 dias, não é descartável que a China volte a atacar com mais impostos alfandegários como resposta. Agora resta ver como evoluem as negociações entre os países. Além disso, tanto a confiança como a economia global ficaram abaladas a curto prazo e isto começará a ser notável nas guias das empresas nos resultados 1T 2025 (como aconteceu ontem com Delta). Amanhã será a vez dos primeiros bancos: Wells Fargo, JP Morgan e Morgan Stanley.


E depois está o impacto atrasado em preços. Hoje teremos um IPC americano que irá moderar-se (+2,5% esp. desde +2,8% ant. geral e +3,0% esp. desde +3,1% ant. subjacente), mas não receberá os primeiros efeitos da política alfandegária de Trump. Portanto, a atenção focar-se-á mais nos indicadores adiantados de confiança e nas componentes de preços, como é o caso da Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan de amanhã. 


CONCLUSÃO: Hoje, a Europa deverá receber na bolsa a notícia da pausa alfandegária. E se o previsto for cumprido na inflação, poderemos ver alguma pausa nos EUA. Contudo, a confiança está abalada, a visibilidade sobre o desenvolvimento alfandegário é limitada e os riscos geoestratégicos elevados. Portanto, mantém-se a pressão sobre as obrigações americanas a longo prazo e, após uma pausa temporária, sobre as bolsas. Os guidance da temporada de resultados irão clarificar mais sobre a confiança investidora a curto prazo.


S&P500 +9,5% Nq-100 +12,0% SOX +18,7% ES-50 -3,2% IBEX -2,2% VIX 33,6 Bund 2,69% T-Note 4,32% Spread 2A-10A USA=+43pb B10A: ESP 3,37% PT 3,25% FRA 3,41% ITA 3,86% Euribor 12m 2,16% (fut. 2,05%) USD 1,097 JPY 161,2 Ouro 3.122$ Brent 65,1$ WTI 62,0$ Bitcoin -1,5% (81.933$) Ether -3,8% (1.673$).


FIM

quarta-feira, 9 de abril de 2025

BDM Matinal Riscala 0904

 *Rosa Riscala: Trump escala a guerra comercial*


… Os produtos chineses importados pelos Estados Unidos já estão custando 104% mais caros, na escalada da guerra comercial que mudou o cenário da economia global, assim como entraram em vigor as “tarifas recíprocas” mais elevadas anunciadas por Trump no Liberation Day. Também hoje começou a ser cobrada a taxa de 25% imposta pelo Canadá aos veículos americanos, enquanto a União Europeia reúne os países-membros para aprovar a lista de contramedidas em resposta à tarifa de 20% que atingiu o grupo. Há ainda o risco de novas retaliações de Pequim, que prometeu “lutar até o fim”. Com o mundo sob ameaça de recessão, o Brasil já dá sinais de que não sairá ileso.


… Se, inicialmente, o mercado comemorou o fato de o País ter ficado com a alíquota mínima de 10%, acreditando que o agronegócio pode ser favorecido, agora teme pelas elevadas incertezas dessa crise, que puxaram o dólar de volta para os R$ 6 (abaixo).


… Os efeitos das tarifas de Trump foram o tema dominante em painel com gestores e empresários em evento do Bradesco BBI nesta 3ªF, em São Paulo, que reuniu mais de mil investidores e 158 empresas de diversos setores.


… A conclusão dos debates foi que o Brasil não é uma ilha e vai ser arrastado junto com uma provável piora da China.


… “Tem um movimento de placas tectônicas muito relevantes”, disse André Lion (Ibiúna Investimentos), acrescentando que o Brasil pode ser duplamente atingido: pela desaceleração da economia dos EUA e pelo impacto na China. “Certamente vai pegar na gente.”


… Leonardo Linhares (SPX) concordou que a China é o canal que mais preocupa, já que o Brasil é muito dependente do comércio daquele país e uma desaceleração afetará os preços internacionais das commodities. “Não vamos ser uma ilha, não.”


… Segundo o gestor, as medidas mais drásticas de Trump provocaram um choque que tem feito empresários segurarem os investimentos e adiar decisões de negócios. Mas, na sua avaliação, “vai demorar um tempo para Trump entender que errou a mão nas tarifas”.


… Ao contrário das quedas de juro que o mercado em NY projeta (agora já são cinco este ano), Leonardo acredita que o Fed deve ser mais prudente, evitando cortar as taxas de forma significativa. “O Fed não vai querer errar de novo, como errou na pandemia.”


… Também presente ao evento do Bradesco BBI, o ministro Fernando Haddad disse que o Brasil precisa ter prudência nesse assunto. “Não é hora de anunciar medidas, é tentar ver se a poeira baixa, de maneira a nos proteger dessa situação que é muito tensa.”


… Observou que a guerra comercial pega o Brasil sem dívida externa, com reservas cambiais expressivas e saldo comercial robusto. Além disso, acrescentou, os juros estão elevados e há espaço para ação da política monetária se for necessário estimular a economia.


… Citando relatos que ouve no setor produtivo, ressaltou que nenhuma economia entrega o retorno oferecido pelo Brasil, de até 15%.


… Mas Haddad admitiu que as tarifas de Trump contra a China afetam o Brasil de alguma maneira, já que atingem nosso principal parceiro comercial. “Não se consegue escapar de lógica que tem China como alvo sem afetar o resto do mundo.”


ACENO À CHINA – Depois de ter ameaçado dobrar a tarifa para a China, Trump não tinha muito o que fazer se Xi Jiping não recuasse. Teve de cumprir a palavra. Mas por duas vezes, nesta 3ªF, o presidente dos EUA lançou acenos ao governo de Pequim.


… Ainda pela manhã, antes de vencer o prazo que deu para a China remover a tarifa de 34%, Trump disse estar esperando um telefonema da China e, à noite, que ainda espera que a China chegue um acordo e que sempre teve “relações muito boas com Xi Jinping”.


… Em um jantar oferecido pelo Comitê Nacional Republicano do Congresso, o presidente acrescentou ainda respeita o México e o Canadá, mas que eles “trapacearam” com os EUA em questões comerciais e seu trabalho não é aumentar o lucro das empresas estrangeiras.


… Trump insistiu que, “na verdade”, estava sendo gentil com as tarifas e que os EUA farão uma fortuna de US$ 2 bilhões por dia com elas. “Muitos países, mais de 70, já demonstraram interesse em negociar conosco. Agora é a nossa vez de tirar vantagem.”


O DILEMA DO FED – Após Trump dobrar a aposta contra a China, a ferramenta do CME Group elevou para mais de 50% a chance de o Fed retomar as quedas do juro em maio (de 38,5% na véspera), reduzindo as chances de manutenção para 49,3%.


… Essa expectativa é um sinal de que os investidores parecem estar mais preocupados com o risco de recessão da economia americana do que os riscos inflacionários. Resta saber se o Fed privilegiará o mandato do emprego.


… Para a Fitch, as tarifas restringem a capacidade do Fed de reduzir ainda mais as taxas de juros, dado os choques esperados nos preços.


… Já a Moody’s afirmou nesta 3ªF que as incertezas já afetam a confiança empresarial, freiam investimentos e elevam a volatilidade nos mercados, com quedas nas bolsas e migração de capitais para títulos do Tesouro dos Estados Unidos.


… Em relatório, o Wells Fargo alerta que se as tarifas forem implementadas nos níveis atuais, a inflação nos Estados Unidos deve disparar nos próximos meses, corroendo a renda real e mergulhando o crescimento nos gastos do consumidor em território negativo.


… O banco também cita a provável recessão, mas espera que o Fed só volte a cortar os juros em junho, com 125pbs até o final de 2025.


… Nesta 3ªF, o Morgan Stanley cortou as projeções para o PIB americano para 0,8% (de 1,5%) este ano e 0,7% (de 1,2%) em 2026.


… O estrategista-chefe de FX do Goldman Sachs, Robin Brooks, disse que as tarifas de 104% para a China são “debilitantes” e provocarão um choque enorme. “O risco de resultados extremos para os mercados aumentou com a última decisão de Trump.”


… Pesquisadores da maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock, estão mais cautelosos em relação às ações americanas. “Adotamos uma postura mais prudente no curto prazo, com um horizonte tático de três meses”, escreveram em relatório a clientes.


… O instituto, que reduziu sua exposição a ações dos EUA de “acima da média” para “neutra”, afirma que quanto mais essa incerteza [das tarifas] se prolongar, maior poderá ser o impacto negativo no curto prazo. Para o longo prazo, mantém visão mais otimista.


ZONA DO EURO – As tarifas de Trump afundarão a zona do euro em uma recessão, alertam economistas da Pantheon Macroeconomics, afirmando que o pacote abrangente de tarifas de 20% impostas por Washington levou a um colapso no sentimento do investidor.


… “Enquanto a Europa prepara sua resposta, a confiança provavelmente só irá cair mais”, prevê a consultoria.


… Em entrevista coletiva nesta 3ªF, Trump disse que a União Europeia terá que se comprometer em comprar US$ 350 bilhões em energia dos EUA para obter um alívio das tarifas. Questionado se isso seria suficiente para ele recuar, disse que não.


… As declarações foram uma resposta à fala da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de que a UE havia se oferecido para reduzir a zero as tarifas do bloco sobre carros e produtos industriais importados dos EUA, se o país retribuísse.


ELON MUSK –Nesta 3ªF, voltou suas críticas contra Peter Navarro, mentor intelectual do plano das tarifas e um dos principais assessores econômicos da Casa Branca, dizendo que ele é um “imbecil”. As críticas foram feitas em sua própria plataforma, o X.


… Musk respondeu a um vídeo em que Navarro rebate suas críticas à política tarifária de Trump e o acusa de proteger interesses próprios, uma vez que as peças dos carros da Tesla vêm de diversos países como México, Japão e China.


… Desde o Liberation Day, o patrimônio de Elon Musk teria caído mais de US$ 30 bilhões, conforme as estimativas do The Guardian. Já no


Washington Post, Musk fez apelos pessoais ao presidente Trump no fim de semana para não implantar as tarifas.


DEMOCRATAS REAGEM – Partido Democrata apresentou na Câmara uma resolução questionando a declaração de emergência nacional usada por Trump para impor as tarifas, na tentativa de deter o presidente em sua política.


… O movimento é liderado pelo deputado Gregory Meeks, de Nova York, e precisa da adesão de republicanos, maioria na Casa.


AGENDA – As vendas no varejo são o principal indicador doméstico (9h), com a mediana das estimativas apontando para expansão de 0,80% no conceito restrito, segundo pesquisa Broadcast, após ter oscilado negativamente (-0,1%) em janeiro.


… Já o varejo ampliado pode mostrar estabilidade em fevereiro (0,0%) frente ao crescimento de 2,3% do mês anterior.


… Mais cedo, sai a primeira quadrissemana do IPC-Fipe de abril (março fechou em 0,62%) e o primeiro IPC-S das Capitais (8h). Às 8h30, o Banco Central divulga o estoque de crédito em fevereiro e os níveis de inadimplência no crédito livre.


… Ainda na agenda do Brasil, o IBGE informa o Índice de Preços ao Produtor de fevereiro (9h) e a Abraciclo, a produção de motos (11h).


… Finalmente, às 14h30, o BC divulga os dados do fluxo cambial, que na semana anterior teve saldo negativo de US$ 2,0 bilhões.


LULA – Participa da abertura da Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da CELAC, em Honduras (13h).


LÁ FORA – Fed divulga às 15h a ata da última reunião de política monetária, mas que já vem com validade vencida, antes das tarifas de Trump, quando Powell defendeu a tese (já corrigida por ele) de que a inflação poderia ser transitória.


… Às 11h, o Departamento do Comércio americano informa os estoques no atacado em fevereiro, que podem subir 0,5%.


… Às 11h30, é a vez dos estoques de petróleo do DoE, que têm previsão de alta de 2,1 milhões de barris.


… Às 13h30, o presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, discursa em evento do Clube Econômico de Washington.


… Nesta 3ªF, Austan Goolsbee (Fed/Chicago) disse que o sentimento do consumidor sobre a economia americana “está despencando”, mas que, mesmo com uma visão “péssima” sobre o cenário nos EUA, as pessoas ainda continuam consumindo.


ÁSIA HOJE – Bolsas voltaram a registrar quedas firmes na abertura do pregão asiático, reagindo à nova investida de Trump contra a China.


XEQUE MATE – Terminado o prazo dado por Trump, ontem, a China não retirou as tarifas retaliatórias de 34% sobre os EUA. Pequim ainda disse que não aceitaria a “chantagem” dos Estados Unidos e entrou com recurso contra as medidas na OMC.


… Ato contínuo, a Casa Branca anunciou a alíquota adicional de 50% sobre produtos chineses, com taxa total de 104%, e foi o fim de um breve alívio nas bolsas pelo mundo, que pela manhã subiram, quando havia alguma esperança de negociação entre os dois países.


… Sinais de que os EUA iriam flexibilizar as tarifas para o Japão e a Coreia do Sul encorajaram os investidores, mas tudo ficou ainda pior depois que a Casa Branca disse que Trump quer ver os iPhones sendo fabricados pelos americanos.


… Apple, que tem operações na China e vende grande parte de seus gadgets por lá, saiu de uma alta de 4% para uma queda de 5%. Nas últimas quatro sessões, o papel perdeu 23% de seu valor.


… A baixa do papel puxou as perdas do Nasdaq, que caiu 2,15% (15.267,91 pontos) e do Dow Jones (-0,84%; 37.645,59 pontos).


… O S&P 500 fechou abaixo dos 5.000 pontos (-1,57% a 4.982,78), no menor nível em quase um ano. Mais uma vez, o índice ficou muito perto do bear market, terminando o dia 19% abaixo do recorde alcançando em 19 de fevereiro.


… “As pessoas queriam ficar otimistas, mas perceberam que não tinham motivo para isso”, disse Melissa Brown (SimCorp), à Reuters.


… Ela espera ver na temporada de balanços que começa esta semana em NY muitas avaliações sobre o impacto das tarifas nos guidances das empresas. Os primeiros resultados virão na 6ªF com JPMorgan, Morgan Stanley e Wells Fargo.


… A escalada da tensão comercial levou o governo chinês a fazer uma forte depreciação do yuan frente ao dólar, movimento que ajudou a desvalorizar moedas de emergentes exportadores de commodities, em especial o real, que chegou a ser negociado a R$ 6.


… Com alta de 1,48% do dólar, a R$ 5,9979, a moeda brasileira teve o pior desempenho entre as 33 divisas mais líquidas do mundo.


… Ante pares, o dólar cedeu ante da perspectiva de um Fed menos rígido por causa da ameaça de recessão. O índice DXY caiu 0,32%, para 102,924 pontos. O euro subiu 0,16%, a US$ 1,0956; a libra avançou 0,27%, a US$ 1,2771; o iene ganhou 0,96%, a 146,315/US$.


… Apesar do recuo do dólar ante pares fortes, o yuan chinês caiu ao menor nível da história frente ao dólar, cotado a 7,4247 yuans no mercado offshore, ultrapassando pela primeira vez o patamar de 7,4 yuans.


… Nessa perspectiva, os rendimentos das notes de 2 anos caíram para 3,723%, de 3,769% na sessão anterior. Já o yield da note de 10 anos subiu a 4,281% (de 4,177%), enquanto o retorno do título de 30 anos avançou a 4,748% (de 4,624%).


… Segundo analistas nas agências, a fraca demanda em um leilão de notes de 3 anos ajudou a provocar uma liquidação de títulos de longo prazo, especialmente os de 30 anos. Uma preocupação dos investidores é de que a China venda Treasuries em retaliação.


… Na Barron’s, analistas ponderaram que a grande volatilidade vista nos Treasuries e no dólar enviam um alerta sobre eventual recessão, além de um sinal de que os investidores estão perdendo a confiança nos Estados Unidos.


… “A marca Estados Unidos foi manchada. Se estrangeiros com uma enorme de quantidade de ativos americanos decidirem levar o seu dinheiro de volta para casa isso vai se refletir nos Treasuries e no câmbio”, disse Peter Boockvar Bleakley (Financial Group).


… O enfraquecimento da moeda chinesa diminui o seu poder de compra e provoca preocupações sobre a demanda do país por matérias-primas como o minério de ferro. Para o Brasil, que tem elevada exposição à China, é uma preocupação.


… Ruim para a Vale, que caiu 5,48% (R$ 49,20), ajudando a puxar a queda de 1,32% do Ibovespa, aos 123.931,89 pontos. Em Dalian, o preço do minério despencou 3,48%. Petrobras também teve mais um dia difícil, de perdas.


… Em linha com a queda do petróleo, Petrobras ON caiu 3,20% (R$ 34,49) e Petrobras PN, -3,56% (R$ 32,00). Na Ice londrina, o contrato do Brent para junho cedeu 2,16%, com fechamento em US$ 62,82 o barril.


… Em apenas cinco sessões, Petrobras perdeu R$ 80 bilhões em valor de mercado. O market cap está em R$ 429,35 bilhões.


… Operadores relatam saída de capitais de ativos locais. Dados da B3 mostram que os estrangeiros já retiraram R$ 3,605 bilhões da bolsa doméstica em abril, até o dia 4. No acumulado do ano, o fluxo de capital externo está positivo em R$ 7,037 bilhões.


… Bancos também ficaram no vermelho, nesta 3ªF: Bradesco PN (-2,75%; R$ 12,02) e ON (-2,54%; R$ 10,75), Santander (-1,51%; R$ 26,10) e Banco do Brasil (-0,18%; R$ 27,63). A exceção foi Itaú, que ficou estável (+0,03%), em R$ 31,21.


… Magazine Luiza liderou as perdas (-13,41%, R$ 8,78), após o Citi cortar a recomendação do papel e reduzir o preço-alvo para R$ 7,70.


… O câmbio e a aversão global ao risco continuou a acrescentar prêmios de risco nos juros domésticos, que subiram em toda a curva.


… No fechamento, o DI para Jan/26 subiu a 14,765% (de 14,700% na véspera); o Jan/27 avançou a 14,390% (de 14,215%); o Jan/29, para 14,325% (de 14,165%); e o Jan/31, a 14,590% (de 14,480%).


EM TEMPO… PETROBRAS. Ibama informou que houve recebimento em 7/4 da comunicação formal da estatal sobre a conclusão das obras do Centro de Reabilitação e Despetrolização de Fauna de Oiapoque (AP)…


… Órgão disse que solicitação seguirá para avaliação dentro dos trâmites previstos no processo de licenciamento ambiental; data para a vistoria técnica na base ainda será definida.


BANCO MASTER. TCU abriu processo para investigar atuação do Banco Central no caso.


MINERADORAS. STF pode julgar nesta 4ªF seis recursos contra decisão que homologou acordo para reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG)…


… Acordo foi homologado pela Corte em novembro e prevê pagamento de R$ 170 bilhões pelas mineradoras Vale, BHP e Samarco.


BRASKEM. Moody’s rebaixou de Ba2 para Ba3 o Corporate Family Rating (CFR) da companhia e a classificação dos Backed Senior Unsecured Global Bonds da Braskem America Finance Company; perspectiva para ambas foi alterada de negativa para estável.


ELETROBRAS. O advogado Marcelo Gasparino, atual conselheiro da empresa, enviou consulta à CVM questionando regras propostas pelo atual Conselho de Administração para futuras votações no colegiado, a serem acolhidas ou não em assembleia do dia 29/4.


RAÍZEN. Norges Bank Investment Management reduziu participação acionária na companhia de 5,012% para 4,997%, passando a administrar 67.900.514 de papéis PN.


NATURA. Baillie Gifford Overseas Limited atingiu participação de 5,01% na companhia, passando a deter 69,7 milhões de ações ON; segundo dados do formulário de referência mais recente, de 3/4, gestora não detinha participação relevante na empresa.


TENDA registrou Valor Geral de Vendas (VGV) consolidado de R$ 920,9 milhões em lançamentos no 1Tri25, segundo prévia operacional…


… O resultado é 36,3% maior, ante o 1Tri24. O VGV de Tenda somou R$ 818,5 milhões, alta anual de 21,2%. Já a Alea totalizou R$ 102,4 milhões em VGV.


OI. SC Lowy Primary Investments reduziu participação na empresa para 9,8% do capital social, passando a deter 32.339.295 de ações ON.

Bankinter Portugal Matinal 0904

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Europa enganou-se, ontem, ao subir. E quase Nova Iorque também, porque esteve em positivo grande parte da sessão, mas derrubou-se no final. E com alguma força. Agora leem-se artigos bem-intencionados a defender a compra porque são quedas excessivas sem sentido. Estão enganados, porque não realizaram uma análise medianamente reflexiva da situação: o ciclo expansivo está a evoluir para neutro ou até contrativo. Não é algo que poderá acontecer, como há 1 ou 2 meses. Agora é um facto, porque grande parte do dano sobre a confiança está feito. O crescimento económico será muito baixo ou inexistente, a inflação aumentará no 2.º semestre, os bancos centrais não poderão baixar taxas de juros para ajudar (exceto irresponsabilidade monetária, como poderá ser o caso do BCE) e isso acabará por afetar os resultados empresariais (EPS), que são a base do valor das empresas e, por extensão natural, dos índices das bolsas.


A temporada de publicação de resultados americanos começa esta sexta-feira com os bancos (JPMorgan, MStanley e Wells Fargo). De seguida, os restantes setores. Serão resultados do 1T 2025, portanto ainda não estarão afetados. Mas os guidances/guias podem desaparecer, porque as empresas não se atreverão a comprometer-se com nada neste contexto 100% incerto. Isso significa que cancelarão os seus guidances atuais e/ou dirão que ficam sujeitos a revisão total. E as bolsas guiam-se por expetativas, as quais terão desaparecido ou estarão sujeitas a um elevadíssimo grau de confiança. E Trump não retificará a curto prazo. Demonstrou-o ontem à noite, afirmando que os dirigentes de outros países se dirigem a ele a suplicar por acordos.


Nessa situação não é possível pensar que se pode comprar já mais barato simplesmente porque as bolsas caíram rapidamente. Esse não é um argumento suficientemente sólido para um economista medianamente formado. É demasiado fácil dizer que é necessário comprar porque está mais barato. Ainda não chegou o momento. Chegará e haverá uma oportunidade excelente, mas ainda não. Simplesmente porque as avaliações mudaram (isto é, baixaram) sem que ninguém consiga saber exatamente até que ponto. Reconhecer isto é honesto. Por isso, insistimos em refugiar-se para não perder. Porque nem sempre se pode investir para ganhar. Saber quando não fazer nada é a chave para preservar o património e colocá-lo a render, assumindo riscos quando estes podem ser mensuráveis. Fazê-lo quando isso não é possível ou por intuição, simplesmente porque o mercado caiu e pronto, é irresponsável.


Os futuros europeus vêm a cair quase -4% e os americanos quase -2%. Não está de modo algum terminado. Irá agravar-se, a não ser que Trump retifique. Mas só o fará quando começar a ficar sozinho porque os seus acólitos – tão ignorantes quanto ele sobre economia, mas piores do que ele por se terem tornado em súbditos cobardes – sentem uma dor real: perdem dinheiro seriamente (daí Musk já estar assustado e ter mudado a sua mensagem) e a sua reputação pessoal fica destruída ao revelar o seu fracasso por ignorância. Porque o mais perigoso não é não saber, é não querer saber o que se passa. E este é o caso.


Índia e Nova Zelândia baixaram taxas de juros esta madrugada, como esperado e sem que signifique algo em particular. Hoje, às 19 h, Atas da reunião da Fed de 19 de março, que também nos permite ver que, como pensamos, é cada vez mais difícil voltar a baixar taxas de juros perante o aumento da inflação derivado da guerra alfandegária. Amanhã, a inflação americana de março provavelmente retrocederá (+2,6% vs. +2,8%), mas se alguém quiser alegrar-se com isso, enganar-se-ia, porque as tensões inflacionistas não serão percebidas, no mínimo, até ao dado de abril, publicado a 10 de maio. E na sexta-feira, o mais importante: a Confiança da Univ. de Michigan de abril, porque foi o primeiro indicador adiantado americano que, a 14 de março, mostrou um forte debilitamento (57,9 desde 64,7, depois revisto em baixa até 57,0) e com aumentos sérios dos seus componentes de expetativas de inflação a 5 anos (+3,9%, revisto depois até +4,1%) e a 1 ano (+4,9%, também revisto depois até +5,0%). Espera-se 54,5, mas poderá ser pior do que isso e com expetativas de inflação ainda superiores.


Os caçadores de oportunidades enganam-se, porque é cedo, embora isto proporcione uma excelente oportunidade quando for o momento certo… e faremos o impossível para o identificar a tempo. 


S&P500 -1,6% Nq-100 -2% SOX -3,6% ES-50 +2,5% IBEX +2,4% VIX 52,3% Bund 2,63% T-Note 4,44% Spread 2A-10A USA=+66pb B10A: ESP 3,35% PT 3,23% FRA 3,39% ITA 3,85% Euribor 12m 2,107% (fut.2,208%) USD 1,052 JPY 160,7 Ouro 3.017$ Brent 60,4$ WTI 57,1$ Bitcoin -3,8% (76.639$) Ether -7,7% (1.461$). 


FIM

Jornal do Investidor

 🌎🇧🇷🇺🇸 Varejo no Brasil e ata do Fed são destaques do dia


Os produtos chineses importados pelos Estados Unidos já estão custando 104% mais caros, na escalada da guerra comercial que mudou o cenário da economia global, assim como entraram em vigor as “tarifas recíprocas” mais elevadas anunciadas por Trump no Liberation Day. Também hoje começou a ser cobrada a taxa de 25% imposta pelo Canadá aos veículos americanos, enquanto a União Europeia reúne os países-membros para aprovar a lista de contramedidas em resposta à tarifa de 20% que atingiu o grupo. Há ainda o risco de novas retaliações de Pequim, que prometeu “lutar até o fim”. Com o mundo sob ameaça de recessão, o Brasil já dá sinais de que não sairá ileso. (Rosa Riscala)


👉 Confira abaixo a agenda de hoje


Indicadores

▪️ 05h00 – Fipe: IPC da 1ª quadrissemana de abril

▪️ 08h00 – FGV: IPC-S Capitais 1ª quadrissemana de abril

▪️ 08h30 – BC: Estoque de crédito de fevereiro

▪️ 09h00 – IBGE: Varejo e Índice de Preços ao Produtor (fev)

▪️ 11h00 – Abraciclo: Produção e vendas de motos de março

▪️ 11h00 – EUA/Deptº Comércio: Estoques no atacado (fev)

▪️ 11h30 – EUA/DoE: Estoques de petróleo da semana até 4/4

▪️ 13h00 – Rússia/Rosstat: PIB do 4TRI

▪️ 14h30 – BC: Fluxo cambial semanal

▪️ 15h00 – EUA: Ata da reunião de março do Fed

▪️ 22h30 – China/NBS: CPI e PPI de março


Eventos

▪️ 10h00 – Haddad se encontra com o presidente do Comsefaz, Flávio Oliveira

▪️ 11h00 – Gabriel Galípolo (BC) se reúne com Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Luiz Marinho (Trabalho) 

▪️ 13h00 – Honduras: Lula participa da abertura da IX Cúpula de Chefes de Estado da CELAC

▪️ 13h30 – EUA: Tom Barkin (Fed/Richmond) fala em evento


🇺🇸 Dow Jones Futuro cai com a entrada em vigor das tarifas recíprocas de Trump


À meia-noite (horário dos EUA) desta quarta-feira (9), entraram em vigor as tarifas recíprocas impostas pelo presidente Donald Trump, incluindo alíquotas de até 104% sobre produtos chineses. A medida mantém vivos os temores de recessão e abala uma ordem comercial global consolidada há décadas. Os índices futuros de Nova York operam sem direção definida neste momento.


🔎 Veja os principais indicadores às 5h30 (horário de Brasília):


🌏 EUA

* Dow Jones Futuro: -0,58%

* S&P 500 Futuro: -0,30%

* Nasdaq Futuro: +0,12%

🌏 Ásia-Pacífico

* Shanghai SE (China), +1,31%

* Nikkei (Japão): -3,93%

* Hang Seng Index (Hong Kong): +0,68%

* Kospi (Coreia do Sul): -1,74%

* ASX 200 (Austrália): -1,80%

🌍 Europa

* STOXX 600: -3,13%

* DAX (Alemanha): -3,00%

* FTSE 100 (Reino Unido): -2,75%

* CAC 40 (França): -2,76%

* FTSE MIB (Itália): -2,88%

🌍 Commodities

* Petróleo WTI, -3,56%, a US$ 57,46 o barril

* Petróleo Brent, -3,37%, a US$ 60,67 o barril

* Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -2,68%, a 689,00 iuanes (US$ 93,88)

🪙 Criptos

* Bitcoin, +0,65%, a US$ 77.165,53


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terça-feira, 8 de abril de 2025

Bastidores do poder

 O Banco que Fez o Mercado Parar: Os Bastidores do Caso Master


7 de Abril, 2025


SÃO PAULO — O caso do Banco Master escancarou um desconforto antigo do sistema financeiro: mesmo uma instituição média, longe dos holofotes e praticamente desconhecida do público, pode se transformar num vetor de risco sistêmico e mobilizar o alto comando do mercado.


Entre 2019 e 2024, o banco multiplicou por quase trinta vezes sua carteira de crédito, passando de R$1,4 bilhão para mais de R$40 bilhões. Sustentado por uma estratégia agressiva de captação via CDBs de alto rendimento e forte exposição a precatórios, que tem baixa liquidez e alto risco fiscal, o Master até opera com lucros, mas sobre uma fundação de ativos ilíquidos e custo de funding elevado.


A combinação despertou a atenção do Banco Central, do FGC e dos principais players do setor. A partir de 2023, cresceu a pressão de reguladores e do mercado por uma solução: ou o banco se capitalizava, ou seria vendido.


A primeira proposta de aquisição supostamente veio do BTG Pactual, uma oferta de R$1, um valor simbólico, mas com disposição de arcar com o risco e explorar os ativos judiciais do banco, especialmente a carteira de precatórios. Mas foi o BRB (Banco Regional de Brasília) quem formalizou a proposta vencedora onde se propôs pagar até R$2 bilhões por 58,6% do Banco Master, em uma operação condicionada à auditoria e ainda sujeita à aprovação do Banco Central.


O Master, até então discreto, virou protagonista de um enredo que envolve reuniões emergenciais com o BC, divergência entre os grandes bancos privados e articulações políticas em torno de uma operação que pode consumir até 40% do caixa do FGC.


Quem é o Banco Master?


O Banco Master não é exatamente novo, mas sua relevância no sistema financeiro é recente. Fundado há mais de cinco décadas como Banco Máxima, a instituição passou por uma reestruturação completa em 2021, quando adotou o novo nome e uma nova estratégia, sob a liderança de Daniel Vorcaro.


A partir daí, o Master passou a operar com foco na captação de varejo, oferecendo CDBs com taxas acima da média de mercado, em alguns casos, bem acima. Em 2024, os ativos totais saltaram de R$36,1 bilhões para mais de R$63 bilhões, um avanço de 74% em doze meses. O lucro líquido acompanhou o ritmo e dobrou no período, de R$532 milhões para R$1,068 bilhão.


Um modelo que parecia funcionar — até parar de funcionar


Todo esse crescimento foi sustentado por uma lógica simples: captar caro e emprestar ainda mais caro. O banco oferecia CDBs com rentabilidades de até 140% do CDI — em um mercado em que bancos grandes remuneravam a 100%, no máximo 110%. Essa diferença de prêmio trouxe uma multidão de investidores pessoa física, principalmente via plataformas digitais, muitos deles atraídos pela chancela do FGC.


Do outro lado do balanço, o banco alocava esses recursos em duas frentes: crédito consignado para servidores públicos, um mercado com margens apertadas, e, principalmente, precatórios. Segundo executivos que acompanharam a operação por dentro, até 2023 quase metade da carteira de crédito do banco estava vinculada a precatórios federais e estaduais, boa parte ainda sem trânsito em julgado ou com pagamento incerto.


Com essa estratégia, o Master conseguiu crescer sem depender de grandes linhas de crédito interbancárias ou funding institucional. Mas criou, em paralelo, uma fragilidade estrutural, os passivos eram curtos, caros e voláteis; os ativos, longos, incertos e ilíquidos.


O lucro anual bilionário de 2024 impressiona, mas o número tem nuances. Parte expressiva do resultado vem da marcação de ativos a valor de face — prática comum, mas que, em casos como os precatórios, pode inflar artificialmente o balanço. O mesmo vale para operações com fundos de direitos creditórios (FIDCs), em que o risco permanece com o originador, mas os ativos são registrados fora do balanço principal.


Quando o risco deixou de ser apenas contábil



Nos bastidores, o Banco Central vinha acompanhando a escalada do risco com crescente preocupação. Ainda em 2023, técnicos da supervisão do BC passaram a monitorar com mais cuidado a liquidez do banco. O FGC, por sua vez, já havia mapeado que uma liquidação forçada do Master exigiria algo entre R$35 bilhões e R$45 bilhões em cobertura — o que drenaria mais de um terço do caixa disponível do fundo, estimado hoje em R$107,8 bilhões.


A gravidade do cenário não era apenas técnica. O perfil dos investidores — em sua maioria clientes de varejo, com tíquetes de até R$250 mil — transformava o caso em uma bomba política. Um calote, ainda que temporário, poderia levar a uma corrida por saques em bancos médios e fintechs, derrubando a confiança no segmento mais frágil do sistema bancário brasileiro.


Diante disso, começou uma corrida contra o tempo para encontrar uma solução de mercado. 


O BTG ofereceu R$ 1?


Segundo diversos jornais, o BTG Pactual teria feito uma oferta simbólica de R$1 pelo controle do banco, assumindo o risco judicial da carteira de precatórios e, com ajuda do FGC, ele estruturaria uma operação de salvamento, evitando a liquidação. Em troca, o BTG passaria a deter um portfólio que, mesmo com risco elevado, poderia render retornos relevantes — estimativas indicam que só a carteira de precatórios do Master, em valor de face, pode ultrapassar os R$20 bilhões.


Alguns relatos de bastidores, mostraram que a proposta pode ter esbarrado em dois fatores: imagem e controle. Vorcaro relutava em aceitar a venda por um valor simbólico, que poderia ser lido como confissão de insolvência. Além disso, o acordo previa ingerência direta do BTG sobre os ativos do banco, o que esvaziaria por completo a gestão atual.


A operação do BRB: política, risco e oportunidade



Paulo Henrique Costa, presidente do BRB

Enquanto o BTG esperava o avanço de negociações com apoio de bancos grandes — já que a proposta previa injeção emergencial de liquidez via FGC — o BRB apareceu com uma proposta alternativa. Oficializada em 28 de março de 2025, a proposta do banco estatal previa o pagamento de até R$2 bilhões por 58,6% do capital do Master, sendo 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais. A operação foi estruturada com prazo de seis anos para pagamento, condicionada a auditoria e excluindo da transação os ativos ilíquidos mais arriscados, como os precatórios e parte dos FIDCs.


No papel, a proposta do BRB era mais robusta. Mas levantou questionamentos imediatos sobre motivação, governança e riscos potenciais. O banco é controlado pelo governo do Distrito Federal e presidido por Paulo Henrique Costa, ex-Banco do Brasil, homem de confiança do governador Ibaneis Rocha (MDB). Segundo fontes de mercado, parte da diretoria técnica do BRB demonstrou resistência à aquisição, mas a decisão avançou com respaldo político direto do Palácio do Buriti.


A proposta prevê o pagamento escalonado de até R$2 bilhões, diluído ao longo de seis anos, e está condicionada a uma auditoria detalhada nos ativos adquiridos. Ficaram de fora da operação os principais elementos de risco do balanço: precatórios em tramitação e fundos de direitos creditórios com baixa liquidez. O BRB também exigiu a separação jurídica das entidades adquiridas — Master, Will Bank e corretora, por exemplo — em estruturas distintas, blindando riscos cruzados.


Ao fim, o BRB assumiu a parte “bancável” da operação: estrutura tecnológica, canais de distribuição, a carteira de crédito consignado e o relacionamento com o Will Bank — banco digital do grupo com mais de 6 milhões de clientes. Internamente, a aposta é que o braço digital tenha potencial de expansão nacional, com tecnologia madura e presença crescente nas plataformas digitais.


Enquanto isso, R$23 bilhões em ativos de risco seguem sob o guarda-chuva do Master original. Com a separação, a instituição deverá funcionar como uma espécie de “bad bank” informal: sem operação corrente, dedicada exclusivamente à monetização judicial desses ativos ao longo do tempo. 


Nos bastidores, a leitura é de que o governo do Distrito Federal busca posicionar o BRB como protagonista nacional em tecnologia bancária, mesmo que isso signifique correr riscos considerados elevados por instituições privadas.


O Banco Central pode barrar?



Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central

Sim. A autoridade monetária tem poder de veto sobre operações societárias no sistema financeiro nacional. Mais do que isso, pode condicionar a autorização à apresentação de garantias adicionais, reforço de capital ou ajustes na governança.


Fontes próximas à autarquia indicam que há grande desconforto com a exposição pública da operação e com a forma como ela foi conduzida. O temor é de que uma eventual deterioração da carteira do Master — caso ocorra após a venda — recaia sobre o BRB, comprometendo recursos públicos.


Risco sistêmico? Ainda não. Mas o precedente preocupa.


O modelo e o problema


O caso do Banco Master não é isolado. Ele simboliza uma tendência que se espalhou no pós-pandemia: a multiplicação de bancos médios e plataformas de crédito operando no limite da alavancagem, captando recursos com promessas agressivas de retorno, alavancando via FIDCs e ignorando os fundamentos prudenciais tradicionais.


Em tempos de juros altos, esses modelos crescem rápido. Mas, se o funding encolhe ou a inadimplência sobe, o castelo de cartas desaba. Foi assim com outros bancos médios nos anos 90, no pós-Real. A diferença, agora, é que a exposição ocorre via produtos pulverizados — CDBs vendidos a investidores de varejo com a promessa de segurança.


O que está em jogo agora não é só o futuro do Master ou o preço pago pelo BRB. É a reputação do sistema, a confiança nas emissões bancárias e o papel do Banco Central como guardião do risco sistêmico.


A história ainda não acabou. Mas o roteiro, para quem acompanha o mercado de perto, é inquietantemente familiar.



https://bastidoresdopoder.com/o-banco-que-fez-o-mercado-parar-os-bastidores-do-caso-master/

Deonísio da Silva

 Um libelo contra essa modinha nefasta e autoritária do politicamente correto, que quer impor sua visão de mundo equivocada e atacar quem nã...