domingo, 11 de janeiro de 2026

Leitura de domingo 2

 *Leitura de Domingo: momento para discutir nova reforma da previdência é 2027, dizem especialistas*


Por Anna Scabello, Gabriela Jucá e Fernanda Bompan


São Paulo, 08/01/2026 - Com o rápido avanço das despesas previdenciárias, especialistas consultados pela Broadcast consideram que 2027 será um bom momento para a sociedade brasileira discutir mais uma Reforma da Previdência, no início de um novo governo. A última reforma, aprovada durante a gestão federal de Jair Bolsonaro, em 2019, completou seis anos recentemente e, no entanto, não apresentou a melhoria esperada no médio prazo.


O ex-secretário de Previdência e consultor legislativo Leonardo Rolim considera que há espaço para retomar a discussão de uma nova Reforma da Previdência após as eleições, em 2027, principalmente para voltar a discutir os pontos que foram retirados pelo Congresso na última reforma. “O texto aprovado em 2019 teve um efeito muito bom. Mas, nesse cenário de transição demográfica, com envelhecimento da população, precisamos voltar aos pontos excluídos pelo Congresso”, afirma.


Um dos pontos retirados da versão original previa a adoção de um regime de capitalização, em que cada trabalhador financia a própria aposentadoria em uma conta individual. Segundo Rolim, esse seria o modelo ideal para uma previdência sustentável no longo prazo no País, que hoje tem o regime de repartição. “O primeiro antídoto é criar essa camada de capitalização. Os países com previdências sustentáveis, como Dinamarca, Suécia, e Finlândia, contam com essa camada”, observa.


O diretor-presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Devanir da Silva, afirma que o Brasil precisa iniciar antes o debate sobre uma nova Reforma da Previdência, já em 2026, ano eleitoral, para que mudanças estruturais possam ser implementadas em 2027. “O momento para tratar desse assunto será este ano, uma vez que os candidatos precisam se mostrar comprometidos com uma solução para o Estado brasileiro, com uma reforma previdenciária em 2027”, diz.


Silva sugere que a Abrapp, a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) e a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) podem retomar e atualizar a proposta conjunta apresentada em 2019 de um modelo híbrido, público e privado. Nele, a previdência pública seria baseada em repartição e capitalização, enquanto a previdência complementar privada teria uma parte coletiva e uma individual.


Segundo ele, adiar a discussão trará um risco real de colapso do sistema previdenciário nos próximos anos, visto que a reforma de 2019 foi insuficiente diante do rápido envelhecimento da população e pouco eficaz nos parâmetros da idade de aposentadoria. Silva lembra que o País já gasta cerca de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) com Previdência, nível de países envelhecidos, mesmo com resquícios do bônus demográfico.


“Desde 2010, nós estamos com um índice de natalidade em 1,5 filho por mulher. Nós precisaríamos ter 2,1. A base da pirâmide diminui e o topo aumenta. Essa conta não fecha em um processo de transferência de encargos entre gerações”, explica.


O economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) Fabio Giambiagi também considera que uma nova reforma deveria endereçar pontos que não foram aprovados por falta de quórum político em 2019, como elevar a idade de aposentadoria da Previdência rural; reduzir a diferença da idade de contribuição entre homens e mulheres de 5 para 3 anos de forma gradual; e elevar a idade de aposentadoria do contribuinte urbano.


Giambiagi ressalta que o propósito da reforma de 2019 era apenas desacelerar o avanço dos gastos previdenciários, e não reduzi-los. Fatores como a aprovação da nova lei do salário mínimo em 2023, no entanto, contribuíram para que as despesas voltassem a acelerar, com a junção de uma pressão fiscal adicional a uma pressão demográfica.


“Dois terços dos beneficiários recebem o valor de um salário mínimo, o que, com um aumento real de 1% do salário, resulta em aproximadamente 45% da folha total de pagamentos”, detalha. O pesquisador menciona ainda que, nos últimos anos, o avanço das concessões do auxílio-doença e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) também ajudaram a pressionar as despesas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).


Outro ponto classificado como uma bomba-relógio por Giambiagi é o valor de contribuição dos Microempreendedores Individuais (MEIs) considerando a expectativa de vida dos brasileiros. “O MEI contribui só com 7% do valor presente do que ele vai receber. Isso representa um subsídio de 93%”, estima. “Quando nos debruçamos em cima disso, a impressão que dá é de que ninguém faz contas ao criar uma lei”.


Contato: anna.araia@estadao.com; gabriela.silva@estadao.com; fernanda.bompan@estadao.com


Broadcast+

Leitura de Domingo

 *Leitura de Domingo: momento para discutir nova reforma da previdência é 2027, dizem especialistas*


Por Anna Scabello, Gabriela Jucá e Fernanda Bompan


São Paulo, 08/01/2026 - Com o rápido avanço das despesas previdenciárias, especialistas consultados pela Broadcast consideram que 2027 será um bom momento para a sociedade brasileira discutir mais uma Reforma da Previdência, no início de um novo governo. A última reforma, aprovada durante a gestão federal de Jair Bolsonaro, em 2019, completou seis anos recentemente e, no entanto, não apresentou a melhoria esperada no médio prazo.


O ex-secretário de Previdência e consultor legislativo Leonardo Rolim considera que há espaço para retomar a discussão de uma nova Reforma da Previdência após as eleições, em 2027, principalmente para voltar a discutir os pontos que foram retirados pelo Congresso na última reforma. “O texto aprovado em 2019 teve um efeito muito bom. Mas, nesse cenário de transição demográfica, com envelhecimento da população, precisamos voltar aos pontos excluídos pelo Congresso”, afirma.


Um dos pontos retirados da versão original previa a adoção de um regime de capitalização, em que cada trabalhador financia a própria aposentadoria em uma conta individual. Segundo Rolim, esse seria o modelo ideal para uma previdência sustentável no longo prazo no País, que hoje tem o regime de repartição. “O primeiro antídoto é criar essa camada de capitalização. Os países com previdências sustentáveis, como Dinamarca, Suécia, e Finlândia, contam com essa camada”, observa.


O diretor-presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Devanir da Silva, afirma que o Brasil precisa iniciar antes o debate sobre uma nova Reforma da Previdência, já em 2026, ano eleitoral, para que mudanças estruturais possam ser implementadas em 2027. “O momento para tratar desse assunto será este ano, uma vez que os candidatos precisam se mostrar comprometidos com uma solução para o Estado brasileiro, com uma reforma previdenciária em 2027”, diz.


Silva sugere que a Abrapp, a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) e a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) podem retomar e atualizar a proposta conjunta apresentada em 2019 de um modelo híbrido, público e privado. Nele, a previdência pública seria baseada em repartição e capitalização, enquanto a previdência complementar privada teria uma parte coletiva e uma individual.


Segundo ele, adiar a discussão trará um risco real de colapso do sistema previdenciário nos próximos anos, visto que a reforma de 2019 foi insuficiente diante do rápido envelhecimento da população e pouco eficaz nos parâmetros da idade de aposentadoria. Silva lembra que o País já gasta cerca de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) com Previdência, nível de países envelhecidos, mesmo com resquícios do bônus demográfico.


“Desde 2010, nós estamos com um índice de natalidade em 1,5 filho por mulher. Nós precisaríamos ter 2,1. A base da pirâmide diminui e o topo aumenta. Essa conta não fecha em um processo de transferência de encargos entre gerações”, explica.


O economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) Fabio Giambiagi também considera que uma nova reforma deveria endereçar pontos que não foram aprovados por falta de quórum político em 2019, como elevar a idade de aposentadoria da Previdência rural; reduzir a diferença da idade de contribuição entre homens e mulheres de 5 para 3 anos de forma gradual; e elevar a idade de aposentadoria do contribuinte urbano.


Giambiagi ressalta que o propósito da reforma de 2019 era apenas desacelerar o avanço dos gastos previdenciários, e não reduzi-los. Fatores como a aprovação da nova lei do salário mínimo em 2023, no entanto, contribuíram para que as despesas voltassem a acelerar, com a junção de uma pressão fiscal adicional a uma pressão demográfica.


“Dois terços dos beneficiários recebem o valor de um salário mínimo, o que, com um aumento real de 1% do salário, resulta em aproximadamente 45% da folha total de pagamentos”, detalha. O pesquisador menciona ainda que, nos últimos anos, o avanço das concessões do auxílio-doença e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) também ajudaram a pressionar as despesas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).


Outro ponto classificado como uma bomba-relógio por Giambiagi é o valor de contribuição dos Microempreendedores Individuais (MEIs) considerando a expectativa de vida dos brasileiros. “O MEI contribui só com 7% do valor presente do que ele vai receber. Isso representa um subsídio de 93%”, estima. “Quando nos debruçamos em cima disso, a impressão que dá é de que ninguém faz contas ao criar uma lei”.


Contato: anna.araia@estadao.com; gabriela.silva@estadao.com; fernanda.bompan@estadao.com


Broadcast+

Ouro se valorizando

 https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/01/ouro-pode-valer-40-vezes-mais-se-dolar-perder-status-de-moeda-de-reserva-global.ghtml


*Ouro pode valer 40 vezes mais se dólar perder status de moeda de reserva global*


_Escalada recente levou o metal precioso a ultrapassar o nível de US$ 4,5 mil por onça-troy nesta semana_


Por Gabriel Roca, Valor — São Paulo


As dúvidas sobre se o dólar irá se manter como moeda de reserva global surgem de tempos em tempos, e têm se avolumado nos últimos anos. Com esse cenário em mente, a gestora americana VanEck, que administra cerca de US$ 160 bilhões, tentou responder a uma pergunta específica: qual seria o preço do ouro em um mundo em que o dólar perde seu status de moeda global e o metal precioso passa a funcionar como âncora do sistema monetário?


A resposta varia conforme as premissas, mas, no cenário em que o ouro precisaria equilibrar os passivos monetários amplos (M2) dos bancos centrais, a onça-troy poderia chegar a US$ 184 mil — aproximadamente 40 vezes o preço atual, de US$ 4,5 mil.


O estudo adota um cenário hipotético em que o dólar perde seu status de reserva e todo o ajuste do sistema monetário recai sobre o ouro, sem considerar outras moedas, títulos ou a implementação de controles de capital. Para chegar aos números, os autores Eric Fine, Natalia Gurushina e David Austerweil comparam os passivos monetários dos bancos centrais (M0 ou M2) com suas reservas oficiais de ouro, usando câmbios correntes, e ponderam os resultados globais pela participação no mercado de câmbio.


No primeiro exercício, os profissionais da VanEck dividem, individualmente, o M0 — dinheiro emitido diretamente pelo banco central, como cédulas em circulação e reservas bancárias que aparecem em seus balanços — pelas reservas detidas em ouro por cada autoridade monetária.


Para o conjunto de países observado, o preço do metal que igualaria os dois lados do balanço dos bancos centrais seria, em média, US$ 31,6 mil por onça-troy, contra uma mediana de US$ 18,2 mil. No entanto, ao ponderar os resultados pelo peso de cada moeda no mercado global de câmbio — o dólar responde por cerca de 50% do volume — o valor de referência salta para US$ 39,2 mil por onça.


Para o Brasil, o preço de equilíbrio do ouro seria de US$ 14.376 por onça, abaixo da média e da mediana do estudo. Vale apontar que, quanto maior a distância entre o preço implícito do ouro e o preço de mercado, maior a pressão sobre aquele banco central no caso do cenário de uma “desdolarização” ocorrer.


Reino Unido e Japão aparecem como os países mais frágeis nessa métrica, com preços de equilíbrio de US$ 102.154 a onça e US$ 144.741 a onça-troy, respectivamente.


Cazaquistão e Rússia aparecem na outra ponta do levantamento. “De acordo com os resultados, os países poderiam ter um sistema crível de câmbio fixo contra o ouro, tendo literalmente ouro suficiente para respaldar os passivos em M0, abaixo dos preços atuais de mercado do ouro e de suas respectivas moedas. Os ativos (ouro) são, na verdade, bastante elevados, mas, novamente, é o baixo passivo monetário que é indiscutivelmente mais importante na equação”, afirmam os autores.


Ao se levar em consideração uma métrica mais ampla de dinheiro, o M2, que engloba depósitos à vista, poupança e aplicações líquidas, o preço do ouro que equilibra o balanço dos bancos centrais é de aproximadamente US$ 100 mil por onça. “Quando ponderamos o preço do ouro que iguala o M2 pelas principais moedas de câmbio, essa média ponderada é de US$ 184.211”, afirmam os autores do estudo.


Os profissionais da VanEck, por fim, notam que os preços mais elevados do ouro não seriam a única implicação do cenário em que o dólar perde seu status de reserva global de valor.


“Esse cenário também levaria a um ajuste relativo maciço das taxas de câmbio individuais em relação ao dólar. Usar os preços do ouro em dólares para cada país pode nos dar pelo menos uma ideia sobre uma nova taxa de câmbio para esses países em relação ao dólar. Nossas estimativas sugerem que algumas moedas podem sofrer valorizações significativas (supondo que não haja intervenção dos bancos centrais), enquanto outras seguirão na direção oposta. Haverá grandes mudanças tanto nos ajustes cambiais quanto nos aumentos do preço do ouro até que se alcance um novo equilíbrio”, afirmam os profissionais.


Falcão Notícias

sábado, 10 de janeiro de 2026

Leitura de sábado

 *Leitura de Sábado: Privatizações e gestões pró-mercado impulsionam estatais estaduais em 2025*


Por Camila Vech


São Paulo, 07/01/2026 - O ano de 2025 trouxe sinais opostos para as estatais: enquanto a pressão sobre commodities e crédito penalizou as federais Petrobras e Banco do Brasil, o quadro regulatório favorável, governadores alinhados ao mercado e a expectativa de privatizações impulsionaram as estaduais como a Copasa, a Sanepar, a Cemig e o Banrisul.


Para especialistas ouvidos pela Broadcast, a disparada tem menos relação com o controlador e mais com o vento setorial positivo, em especial no segmento de saneamento.


"Os governos estaduais podem ser responsáveis por uma parte relevante da explicação da alta de Sanepar e Copasa, não 100%, mas talvez 50%", diz Daniel Utsch, gestor da Nero Capital.


A ação Unit da Sanepar disparou 53% e o papel ON da Copasa saltou 125% no ano passado. Segundo Utsch, o ganho decorre tanto da expectativa por desestatizações quanto dos resultados já obtidos após privatizações bem-sucedidas no setor, como a da Sabesp.


A desestatização da companhia paulista é vista como uma referência no setor e o exemplo máximo de como o Marco do Saneamento é capaz de destravar investimentos bilionários.


A Copasa está na fila da privatização, com projeto aprovado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e expectativa de conclusão da operação ainda no primeiro trimestre de 2026.


A Sanepar também é mencionada pelo mercado como uma potencial privatização. O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), já negou a alienação da companhia, embora tenha adotado uma série de medidas rumo à desestatização, na leitura do mercado.


"A corrida para o governo estadual pode levar os investidores a esperar que a empresa se torne mais eficiente ou tome medidas para a privatização", diz o BTG Pactual, que incluiu a empresa na primeira carteira de recomendação de ações small caps do ano.


"Para Copasa e Sanepar, a visão é de que, privatizando, a probabilidade de ter um benefício grande é muito maior. A Sabesp é uma das grandes contribuições positivas de retorno do Ibovespa. O sucesso da privatização, somado ao novo marco legal de saneamento, fez com que o investimento privado resultasse em ganho de eficiência e aumento de penetração", explica Utsch. Desde a privatização, a Sabesp valorizou 60%.


O gestor da Nero cita Axia (ex-Eletrobras, desestatizada no governo de Jair Bolsonaro, em 2022) e Copel (privatizada em 2023 por Ratinho Junior) como outros exemplos positivos de privatização recente.


Mas mesmo empresas estaduais distantes da privatização tiveram boa performance na Bolsa em 2025.


No caso da mineira Cemig, a ideia de privatização encontrou um clima político desfavorável. Assim, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), propôs sua federalização para abater parte da dívida do Estado com a União. Há, contudo, resistência da ALMG.


O estrategista Ygor Araújo, da Genial, lembra que havia a chance de federalização também da Copasa, o que não se concretizou. "O mercado colocava esse risco no preço. Como não ocorreu com a Copasa, a privatização como solução para a dívida agradou o mercado", diz.


Mesmo assim, os papéis PN da Cemig, mais líquidos, subiram 18,5% em 2025. O racional por trás é que, apesar da frustração com a privatização, a companhia entrega uma boa gestão.


"Operacionalmente, as duas se comportam como empresas privadas: Copasa entrega metas de forma consistente e Cemig reforça governança com gestão técnica", observa Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.


Também longe de uma desestatização, o Banrisul subiu 63% em 2025, numa virada de chave após um 2024 marcado pela tragédia das enchentes no Rio Grande do Sul.


A melhora conjuntural em 2025 já aparece nos números e, segundo os analistas, o banco deveria valer mais quando comparado aos pares. "O Banrisul tem gestão pró-mercado e fundamentos comparáveis. Quando olhamos esse ativo barato, a tendência é investir. Foi o que fizeram fundos de pensão, que trocaram Banco do Brasil por Banrisul", explica Lima, da Ouro Preto. O fluxo comprador também vem de investidores institucionais de olho no caixa e nos dividendos que devem crescer nos próximos anos, dado o valuation descontado.


Ano ruim para as federais


Enquanto as estatais estaduais tiveram um ano de destaque na Bolsa, as duas principais empresas listadas de controle da União amargaram perdas em 2025. A ação ON da Petrobras caiu 9,5%, enquanto a PN recuou 5,6%. O papel ON do Banco do Brasil cedeu 5,3%.


Mas Lima, da Ouro Preto, rejeita a tese de que o simples fato de serem estatais federais explique o mau desempenho de Petrobras e BB. Ele calcula que cerca de "80% da variação negativa de preço" desses papéis em 2025 resulta de fatores conjunturais, como petróleo barato e crise de crédito no agro.


A Petrobras sentiu o impacto da queda internacional do petróleo para a faixa de US$ 60, além de atuar em uma atividade totalmente dolarizada, o que testou a resiliência da petroleira.


O analista da Ouro Preto Investimentos diz que a petroleira historicamente está sujeita a três vetores de volatilidade: grau de interferência política, disciplina de capital e governança. "Mas nestes pontos, a Petrobras trouxe uma clareza maior", avalia.


Para Utsch, da Nero Capital, a empresa segue "operacionalmente eficiente, considerada uma das melhores do mundo" na extração offshore e já está desalavancada. "Interferências políticas, como manter o combustível no limite inferior da banda factível, e eventuais projetos de investimento considerados pouco rentáveis, teriam afetado o preço de forma muito comedida", avalia.


No caso do BB, o impacto nas ações decorre mais da conjuntura nacional de juros altos. A disparada da inadimplência entre pequenos e médios produtores rurais, após a flexibilização das regras de recuperação judicial, contaminou o balanço do banco, especialmente no Sul, elevando provisões e reforçando o peso das judicializações no agronegócio.


Somada a rumores sobre dividendos, Selic elevada e câmbio pressionado, a combinação derrubou as cotações, apesar da percepção do mercado de que a instituição tem menor interferência de Estado do que a Caixa Econômica Federal, por exemplo.


Contato: camila.vech@estadao.com


Broadcast+

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Simon Schwartzman

Amargo recuo do TCU

 O amargo recuo do TCU no caso Master

Pressionado pela opinião pública e por seus pares, Jhonatan de Jesus suspendeu inspeção no BC para apurar a liquidação do Banco Master, uma decisão que a cada dia parece mais acertada
9 jan. 2026
Estadão Editorial
O ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), recuou da inspeção in loco que havia determinado na sede do Banco Central (BC), em pleno recesso, para verificar os documentos que embasaram a decisão pela liquidação extrajudicial do Banco Master. Pressionado por seus pares na Corte de Contas e isolado após perder o apoio público do presidente do órgão, Vital do Rêgo, o ministro acabou por acatar o recurso do BC e deixar para o plenário de ministros decidir sobre o caso.
No despacho, Jhonatan de Jesus não esconde o incômodo em ter de reconsiderar sua decisão. Na tentativa de manter alguma autoridade, o ministro sustentou que o Regimento Interno do TCU permitia que ele tomasse a decisão monocraticamente, ao contrário do que o BC alegava, ressaltou que o acesso a documentos sigilosos do caso era um pedido da área técnica, e não dele enquanto relator, e insistiu que poderia, se quisesse, rejeitar os embargos apresentados pela autoridade monetária de modo a garantir que a inspeção fosse realizada.
A despeito do longo preâmbulo, Jhonatan de Jesus alegou que a “dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta corte”, o levou a dividir a responsabilidade sobre o caso com o plenário e aguardar o retorno dos trabalhos do tribunal, em meados de janeiro. Pudera. A imprudência do ministro colocou o TCU no centro da crise envolvendo o Banco Master e seu controverso controlador, Daniel Vorcaro.
A cada dia surgem novos fatos a corroborar a decisão do BC pela liquidação da instituição financeira. Como revelou o Estadão, o Master relatou ter firmado 338.608 contratos de crédito consignado entre outubro de 2021 e setembro do ano passado, mas deixou de apresentar documentos comprobatórios em mais de 250 mil deles, ou 74,3% do total. Relatório do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) encontrou um cenário de irregularidades sistemáticas que constitui “falha grave e insanável” e lança “dúvidas fundadas” sobre a existência jurídica e a validade do consentimento dos beneficiários.
Na tentativa de arregimentar a opinião pública a seu favor, o Master teria apelado até mesmo a influenciadores para atacar a credibilidade do Banco Central e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) nas redes sociais. O contrato continha cláusula de confidencialidade e multa de R$ 800 mil a quem revelasse detalhes do chamado “Projeto DV”, designação nada sutil com as iniciais do controlador do banco. Entre os argumentos sugeridos aos influenciadores estava justamente o pedido de explicações que o TCU fez ao BC sobre a liquidação, bem como insinuações de que tudo se devia ao desconforto da concorrência com o crescimento da instituição financeira do sr. Vorcaro.
Em contrapartida, não faltam economistas experientes a apontar os absurdos que envolvem o Banco Master. Ao Estadão, o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda Marcos Lisboa demonstrou espanto com os ataques coordenados ao BC. “O Brasil enfrentou casos de descontrole em bancos privados com sucesso nos últimos 30 anos”, disse ele, “e eu nunca assisti a uma reação como essa”. Já o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga afirmou não haver qualquer sentido nas ações do TCU e do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro arrogou o processo do Master para a Corte e o colocou sob elevado grau de sigilo.
A reversão da liquidação, a essa altura, parece sepultada, mas é com a confusão em torno dessa possibilidade que Vorcaro contava para preservar seu patrimônio perante a Justiça dos EUA. Não à toa, sua defesa mencionou as ações do TCU para alegar que a decisão do BC não é definitiva. Debalde. Na noite de ontem, o juiz Scott M. Grossman, do Tribunal de Falências da Flórida, julgou válida a decisão do BC.
Se há algo que parece inabalável é a rede de contatos que o banqueiro construiu nos últimos anos. Parlamentares do Centrão articularam até uma proposta para permitir a demissão de diretores do BC pelo Congresso para constrangê-los a aprovar a compra do Master pelo BRB. Fato é que, quanto mais o tempo passa, mais surgem indícios favoráveis à liquidação do banco, o que só expõe os agentes públicos e levanta dúvidas sobre os motivos de tanta condescendência com Vorcaro e de tamanha falta de consideração com os clientes que ele prejudicou.

Anderson Nunes

 *ACORDO UE E MERCOSUL E REFORMA MINISTERIAL - MC 09/01/26*

*Por Anderson Nunes - Analista Político*


A sexta feira amanhece sob expectativa do voto decisivo do Conselho Europeu sobre o tratado com o Mercosul, dados de emprego dos EUA e o impacto do pedido de demissão de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça.

*VOTAÇÃO DO ACORDO UE E MERCOSUL*

O Conselho Europeu decide hoje o futuro do tratado comercial com o bloco sul americano sob forte pressão contrária da França e da Irlanda. A aprovação é necessária para a abertura de mercados mas enfrenta resistência política que pode adiar a assinatura oficial prevista para a próxima segunda feira.

*REFORMA NO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA*

Ricardo Lewandowski oficializou seu pedido de demissão do Ministério da Justiça após o enfraquecimento político de sua principal agenda de segurança pública no Congresso Nacional. O movimento sinaliza o início de uma ampla reestruturação ministerial planejada por Lula (leia saída de ministros para desincompatibilização dos cargos para se candidatarem)  e evidencia as dificuldades do governo em consolidar apoio para temas sensíveis.

*VETO AOS CONDENADOS DE JANEIRO*

O governo federal vetou integralmente a proposta que flexibilizava as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro durante cerimônia que marcou os três anos da data. A decisão acirra o embate com o Legislativo. A oposição reagiu imediatamente com o protocolo de um novo projeto de lei para anistia dos envolvidos. Para quem acompanhou o episódio do programa Risco Brasil no final de dezembro, na minha participação afirmei o veto total a dosimetria e o dia do anúncio.

*RECUO NO TCU E DISPUTA JUDICIAL NO BC*

O ministro Jhonatan de Jesus suspendeu a inspeção presencial no Banco Central após forte resistência da diretoria e críticas internas no Tribunal de Contas. O recuo evita uma crise institucional mas mantém o foco político sobre a fiscalização da autoridade monetária.

*FREIO LEGISLATIVO EM DONALD TRUMP*

O Senado norte americano aprovou uma medida que impede o presidente dos Estados Unidos de ordenar novas ofensivas militares contra a Venezuela sem o aval prévio dos congressistas. A restrição busca limitar o poder presidencial enquanto a Casa Branca negocia a exploração de petróleo e monitora a libertação de presos políticos na região.


*SUCESSÃO NO FED E TARIFAÇO DE TRUMP*


O governo americano anunciará o novo chefe do Banco Central este mês enquanto aguarda a decisão da Suprema Corte sobre as novas tarifas de importação. Essas definições são os principais gatilhos para a volatilidade dos preços e das moedas globais no curto prazo.


*PAYROLL E O FIM DA NEBLINA AMERICANA*


O relatório de emprego de dezembro deve mostrar a criação de 60 mil vagas e marcar o fim da incerteza gerada pelos atrasos operacionais do governo americano. O dado é crucial porque define se o Fed manterá a pausa nos cortes de juros até o segundo trimestre ou se terá que acelerar a flexibilização.


*DIVULGAÇÃO DOS DADOS DA INFLAÇÃO*


O IBGE publica nesta manhã os números oficiais do IPCA referentes ao encerramento do ano de 2025 com projeções de mercado apontando para um índice dentro da meta. O resultado é determinante para balizar as próximas reuniões do Copom e as expectativas sobre a trajetória dos juros no Brasil.


*RADAR CORPORATIVO*


1. OpenAI disponibiliza a ferramenta ChatGPT Health para fornecer suporte informativo e análise educativa de dados médicos aos usuários.

2. Google implementa recursos de inteligência artificial do Gemini no Gmail para facilitar a criação de resumos de mensagens e o refinamento de textos.

3. Paramount encerra a disputa de preços pela Warner e anuncia que não elevará o valor de sua oferta acima de trinta dólares por ação.

4. Passagens aéreas registram redução média de vinte por cento no preço final segundo levantamento anual da Agência Nacional de Aviação Civil.

5. PETROBRAS: A valorização do petróleo Brent para US$ 61 impulsionou as ações da estatal e garantiu o fechamento positivo do Ibovespa.

6. AZUL: A empresa sofreu uma queda histórica de 90% na bolsa como reflexo da diluição massiva de acionistas necessária para sua reestruturação financeira.

7. GPA: O grupo promoveu uma troca estratégica no comando financeiro após a renúncia de seu diretor e a nomeação de novos executivos para as relações com investidores.

8. MOTIVA E ECORODOVIAS: As companhias oficializaram a criação de uma plataforma conjunta para gerir pagamentos de pedágios com tecnologia de livre passagem.

9. UNIÃO PET: A empresa resultante da fusão entre Petz e Cobasi ajustou o valor das ações para R$ 0,7110 no processo de fechamento de capital.


O Canal Auxiliando usa as seguintes fontes de notícias: 'Monitor do Mercado, BDM, Broadcast, Valor Econômico, Folha de São Paulo, Estadão, O Globo, BM&C, B3, Revista Oeste, Poder 360, Money Times, Agência CMA, Agência Brasil, Bloomberg, Infomoney, CNN, The Washington Post, The Wall Street Journal, Fox Business, Reuters, Oil Price, Investing e Yahoo Finance'.

Pesquisas eleitorais - Luciano Sobral

Dois pitacos rápidos sobre o que já vi de pesquisas eleitorais e mercados: 1. Até as eleições de 2018, a pesquisa do Datafolha era o padrão-...