domingo, 11 de janeiro de 2026

Ouro se valorizando

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*Ouro pode valer 40 vezes mais se dólar perder status de moeda de reserva global*


_Escalada recente levou o metal precioso a ultrapassar o nível de US$ 4,5 mil por onça-troy nesta semana_


Por Gabriel Roca, Valor — São Paulo


As dúvidas sobre se o dólar irá se manter como moeda de reserva global surgem de tempos em tempos, e têm se avolumado nos últimos anos. Com esse cenário em mente, a gestora americana VanEck, que administra cerca de US$ 160 bilhões, tentou responder a uma pergunta específica: qual seria o preço do ouro em um mundo em que o dólar perde seu status de moeda global e o metal precioso passa a funcionar como âncora do sistema monetário?


A resposta varia conforme as premissas, mas, no cenário em que o ouro precisaria equilibrar os passivos monetários amplos (M2) dos bancos centrais, a onça-troy poderia chegar a US$ 184 mil — aproximadamente 40 vezes o preço atual, de US$ 4,5 mil.


O estudo adota um cenário hipotético em que o dólar perde seu status de reserva e todo o ajuste do sistema monetário recai sobre o ouro, sem considerar outras moedas, títulos ou a implementação de controles de capital. Para chegar aos números, os autores Eric Fine, Natalia Gurushina e David Austerweil comparam os passivos monetários dos bancos centrais (M0 ou M2) com suas reservas oficiais de ouro, usando câmbios correntes, e ponderam os resultados globais pela participação no mercado de câmbio.


No primeiro exercício, os profissionais da VanEck dividem, individualmente, o M0 — dinheiro emitido diretamente pelo banco central, como cédulas em circulação e reservas bancárias que aparecem em seus balanços — pelas reservas detidas em ouro por cada autoridade monetária.


Para o conjunto de países observado, o preço do metal que igualaria os dois lados do balanço dos bancos centrais seria, em média, US$ 31,6 mil por onça-troy, contra uma mediana de US$ 18,2 mil. No entanto, ao ponderar os resultados pelo peso de cada moeda no mercado global de câmbio — o dólar responde por cerca de 50% do volume — o valor de referência salta para US$ 39,2 mil por onça.


Para o Brasil, o preço de equilíbrio do ouro seria de US$ 14.376 por onça, abaixo da média e da mediana do estudo. Vale apontar que, quanto maior a distância entre o preço implícito do ouro e o preço de mercado, maior a pressão sobre aquele banco central no caso do cenário de uma “desdolarização” ocorrer.


Reino Unido e Japão aparecem como os países mais frágeis nessa métrica, com preços de equilíbrio de US$ 102.154 a onça e US$ 144.741 a onça-troy, respectivamente.


Cazaquistão e Rússia aparecem na outra ponta do levantamento. “De acordo com os resultados, os países poderiam ter um sistema crível de câmbio fixo contra o ouro, tendo literalmente ouro suficiente para respaldar os passivos em M0, abaixo dos preços atuais de mercado do ouro e de suas respectivas moedas. Os ativos (ouro) são, na verdade, bastante elevados, mas, novamente, é o baixo passivo monetário que é indiscutivelmente mais importante na equação”, afirmam os autores.


Ao se levar em consideração uma métrica mais ampla de dinheiro, o M2, que engloba depósitos à vista, poupança e aplicações líquidas, o preço do ouro que equilibra o balanço dos bancos centrais é de aproximadamente US$ 100 mil por onça. “Quando ponderamos o preço do ouro que iguala o M2 pelas principais moedas de câmbio, essa média ponderada é de US$ 184.211”, afirmam os autores do estudo.


Os profissionais da VanEck, por fim, notam que os preços mais elevados do ouro não seriam a única implicação do cenário em que o dólar perde seu status de reserva global de valor.


“Esse cenário também levaria a um ajuste relativo maciço das taxas de câmbio individuais em relação ao dólar. Usar os preços do ouro em dólares para cada país pode nos dar pelo menos uma ideia sobre uma nova taxa de câmbio para esses países em relação ao dólar. Nossas estimativas sugerem que algumas moedas podem sofrer valorizações significativas (supondo que não haja intervenção dos bancos centrais), enquanto outras seguirão na direção oposta. Haverá grandes mudanças tanto nos ajustes cambiais quanto nos aumentos do preço do ouro até que se alcance um novo equilíbrio”, afirmam os profissionais.


Falcão Notícias

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