domingo, 8 de fevereiro de 2026

Leitura de sábado 2

 *Leitura de Sábado: privatização da Copasa combina 'filé com osso' e retorno via investimento*


Por Elisa Calmon


São Paulo, 03/02/2026 - A privatização da Copasa combina ativos que, no jargão do mercado, formam um "filé com osso", ao reunir municípios com alto nível de atendimento e áreas com déficits relevantes, sob gestão da subsidiária Copanor. Embora represente um desafio operacional, esse desenho pode abrir oportunidades de ganhos, segundo especialistas.


Na semana passada, a companhia divulgou as primeiras diretrizes sobre o desenho da privatização. O modelo repete a estrutura de follow-on (oferta subsequente de ações) adotada pela Sabesp em 2024 e também prevê a participação de um investidor estratégico. A expectativa é que a operação ocorra entre março e abril.


O projeto de lei que autoriza a desestatização prevê a incorporação da Copanor pela Copasa. Atualmente, a subsidiária é responsável pela operação no Norte e Nordeste de Minas Gerais, regiões em que os indicadores de saneamento estão abaixo das médias estadual e nacional.


Cerca de 83% da população mineira tem acesso à rede de água e aproximadamente  76% conta com coleta de esgoto. Nos municípios do Vale do Jequitinhonha, do Mucuri e em parte do Norte de Minas, cerca de 60% dos domicílios recebem água tratada e aproximadamente 40% dispõem de coleta de esgoto, segundo dados do governo de Minas Gerais e do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).


Por outro lado, Minas Gerais também reúne municípios com indicadores elevados de saneamento. O Estado tem duas cidades entre as 20 melhores colocadas no Ranking do Saneamento 2024 do Instituto Trata Brasil: Montes Claros e Uberlândia. A primeira é atendida pela Copasa. A capital, Belo Horizonte, também sob concessão da companhia, possui 100% da população com acesso à água potável e à coleta de esgoto, também de acordo com o SNIS.


Para Paulo Henrique Dantas, especialista em infraestrutura do Castro Barros Advogados, o principal desafio está em conciliar áreas mais rentáveis com regiões que exigem investimentos elevados e retorno mais lento. "É uma engenharia financeira complexa, porque é preciso universalizar o serviço, atender tarifas sociais e investir pesado antes de começar a capturar retorno", afirma.


Retorno via investimento


Ainda assim, regiões com menor cobertura não inviabilizam a concessão dentro da lógica de remuneração do setor, segundo o analista do UBS BB, Giuliano Ajeje. Ele explica que a tarifa do saneamento é estruturada para cumprir duas funções centrais: assegurar a remuneração do capital investido e cobrir o custo da operação. Como a margem operacional é limitada, os investimentos se tornam um vetor relevante.


"A operação em si tem margem muito pequena. A beleza do saneamento é a necessidade de fazer investimento. Quanto mais a companhia aportar, maior será o retorno", afirma Ajeje.


O analista de infraestrutura do Citi, João Pimentel, acrescenta que esse retorno decorre do modelo regulatório baseado na remuneração da base de ativos. "Todo investimento que você faz vira base de ativos regulatórios, que é remunerada por uma taxa definida pelo regulador", diz. Segundo ele, a tarifa resulta da aplicação do custo médio ponderado de capital (WACC) sobre essa base, o que define a receita máxima da concessionária.


"Se ao longo do tempo você vai investindo, essa base de ativos cresce. Na revisão tarifária seguinte, a taxa regulatória passa a incidir sobre uma base maior", afirma. "Desde que os investimentos sejam reconhecidos pela agência, o resultado econômico cresce ao longo do tempo", acrescenta.


Desafios


Dantas pondera, no entanto, que o retorno dos investimentos tende a ser mais lento justamente porque a infraestrutura precisa estar pronta antes de gerar receita. "Isso alonga o prazo de retorno dos investimentos", diz.


Mas o desenho da privatização, inspirado no modelo adotado na Sabesp, com a entrada de um investidor de referência, ajuda a dar maior previsibilidade à execução dos aportes e à captura do retorno ao longo do contrato, avalia o especialista em infraestrutura.


O Plano Estadual de Saneamento Básico estima que Minas Gerais demandará cerca de R$ 50 bilhões em investimentos em infraestrutura de água e esgoto entre 2022 e 2033. Em um horizonte mais longo, até 2041, a necessidade de recursos sobe para R$ 70 bilhões.


A título de comparação, o contrato de privatização da Sabesp prevê cerca de R$ 70 bilhões em investimentos até 2029 para antecipar a universalização dos serviços. Com uma população quase duas vezes maior que a mineira, o Estado de São Paulo apresenta níveis de cobertura superiores. Cerca de 95% da população paulista tem acesso à rede de água e 90,5% à coleta de esgoto, segundo dados de 2022 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).


Contato: elisa.ferreira@estadao.com


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Leitura de sábado

 *Leitura de Sábado: Possibilidade de El Niño em 2026 deixa mercado elétrico sob alerta*


Por Luciana Collet


São Paulo, 03/02/2026 - A possibilidade de transição do fenômeno La Niña, atualmente vigente, para o El Niño ao longo dos próximos meses deixa o setor elétrico brasileiro sob alerta, tendo em vista o impacto que pode gerar no balanço energético nacional e no custo da eletricidade no País. Após chuvas abaixo da média ao longo dos últimos meses e previsão de que as águas de fevereiro e março não serão suficientes para eliminar o déficit de precipitações acumulado de outubro até agora, a perspectiva de um fenômeno que tende a elevar as temperaturas e diminuir chuvas em áreas de reservatório aumenta a preocupação com os níveis de armazenamento nas hidrelétricas no final deste ano.


Atualmente, as instituições de acompanhamento climático já observam uma tendência de aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), agência norte-americana conhecida por rastrear os fenômenos climáticos, segue apontando a presença do La Niña, que corresponde a uma anomalia negativa na temperatura oceânica, mas afirma que há 75% de chance de transição para a neutralidade até março. Meteorologistas aguardam o anúncio oficial possivelmente ainda este mês.


E as análises apontam tendência de transição, ainda dentro da neutralidade, para um El Niño fraco ainda no primeiro semestre. Ou seja, haveria uma temperatura acima da média na região central do Oceano Pacífico Equatorial, refletindo em alterações atmosféricas ao longo do segundo semestre.


"No Centro Europeu [de Previsões Meteorológicas], dos 51 cenários que eles rodam, 50 indicam que a gente entra no El Niño, de fraco a moderado, até junho e um cenário aponta julho; o modelo norte-americano indicou, em janeiro, todas as rodadas na neutralidade; e quando olhamos o multimodelo do IRI [International Research Institute for Climate and Society, ligado à Universidade de Columbia], que faz uma combinação de todos os institutos, ele coloca 60% de probabilidade de ter El Niño neste ano, o que é bastante alto", disse o CEO da consultoria Tempo OK, João Hackerott.


O El Niño traria como consequência aumento das chuvas no Sul e seca no Norte e Nordeste. Já a região central do País, onde se concentram os principais reservatórios hidrelétricos, há irregularidade das precipitações e risco de ondas de calor. Hackerott lembra que além do fenômeno, as chuvas no Sudeste sofrem a interferência do comportamento do Oceano Atlântico e outras oscilações. "Estamos preocupados, o sinal de atenção é realista porque pode ter atraso no período úmido se tiver entrada El Niño e Oceano Atlântico mais aquecido, como as projeções estão indicando", disse.


O sócio-diretor e meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, salienta a necessidade de acompanhar o período de transição para confirmar a tendência de configuração do fenômeno, mas considera haver "grande chance" de El Niño no segundo semestre, trazendo desafios adicionais para o sistema elétrico brasileiro.


Ele lembra que as chuvas dos últimos meses foram irregulares, não permitindo boa recuperação do armazenamento nas hidrelétricas até agora. "A gente entra agora no terço final do período úmido e não tem mágica, não tem chuva em abril ou maio capaz de recuperar 10% de reservatório, então de agora em diante vai continuar recuperando reservatório, mas não tanto quanto se tivesse chovido desde dezembro", disse, sugerindo que o volume armazenado tende a ser uma preocupação no fim do período seco, por volta de outubro.


Matheus Machado, especialista de inteligência de mercado do Grupo Bolt, alerta que o El Niño e o consequente aumento das temperaturas para patamares mais elevados, possivelmente acima da média, pode impulsionar a carga para além do crescimento atualmente projetado para o ano, da ordem de 4,5%. "No global dos últimos 12 meses de temperatura, estamos passando por um período de anomalia negativa, mas quando vem uma onda de calor, a carga responde", disse.


Para ele, teremos um 2026 com diversas pressões de crescimento da demanda. Além do consumidor lidando com picos de calor que elevam o uso de refrigeração, ele cita as elevadas taxas de crescimento observadas no Norte e Nordeste, superiores a 7%. "Temos duas âncoras de carga mais alta que são mais imunes a temperatura, é importante porque só o Nordeste entregou um crescimento 1 gigawatt em janeiro, ou 8%, o que é muito elevado. E pode ter oscilações no Sudeste e Sul, mas comparando com 2025 temos uma carga mais firme", disse.


Já Fred Menezes, diretor de Comercialização da Armor Energia, cita que o aumento das temperaturas, associado com a possibilidade de reservatórios baixos gera alerta especialmente para 2027. De acordo com ele, o aumento das chuvas no Sul, com o El Niño, colaboraria no atendimento do aumento da demanda no Sudeste, mantendo os preços da energia sob controle por um tempo, mas não geraria grandes contribuições para a melhora do armazenamento.


Contato: Luciana.collet@estadao.com


Broadcast+

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Pedro Parente

 


Jonas Federighi

 

Tente explicar isso a um estrangeiro — e observe o absurdo ganhar forma. O Brasil atravessa, segundo as próprias manchetes, um escândalo bancário de proporções históricas, com impacto reputacional direto sobre instituições, reguladores e credibilidade do sistema. Ainda assim, o Congresso sinaliza que o assunto “fica para depois do Carnaval”. Em qualquer país que trate governança como coisa séria, a reação seria imediata: crise não entra em recesso, evidência não espera feriado, risco sistêmico não faz pausa para confete.


A cena é didática porque expõe, sem maquiagem, o que há de mais tóxico na cultura institucional: o calendário como escudo e a protelação como método. Se fosse empresa privada, a comparação é inevitável: a fábrica está em chamas e a diretoria decide discutir o combate ao incêndio depois da folia. O nome disso, em português correto, é negligência institucional — com um agravante: não é desatenção; é escolha. Quando se empurra, empurra-se também a responsabilização, o esclarecimento e a contenção de danos.


O recado internacional é devastador: num país onde o “timing político” vale mais que a urgência pública, a confiança vira variável instável. E confiança é o fundamento do crédito, do investimento e da própria legitimidade. O custo aparece em cadeia: aumenta a percepção de impunidade, cresce a aversão a risco, piora o prêmio exigido por quem financia, o capital encarece, o investimento retrai. O Carnaval, aqui, deixa de ser festa; vira metáfora de um Estado que trata a realidade como encenação.


O ponto central é simples e precisa ser dito sem rodeios: investigação não pode ter data de retorno. “Depois do Carnaval” não é agenda; é álibi. Num país sério, a regra é o inverso: quanto maior o dano potencial, maior a prioridade, maior a transparência, maior a velocidade. Quando o sistema escolhe pausar, a dúvida inevitável — e internacionalmente fatal — é: pausa para quê? E para proteger quem?

Anderson Nunes

 *CPI DO MASTER NA FILA - MC 04/02/26*

*Por Anderson Nunes - Analista Político*

A oposição conseguiu as assinaturas para investigar o Banco Master mas a manobra política de Hugo Motta colocou o processo em uma fila de espera interminável.

*CPI DO MASTER TRAVADA*


O PT protocolou o pedido de investigação mas o presidente da Câmara Hugo Motta afirmou que o colegiado entrará no final de uma fila com outras comissões. Na prática essa decisão enterra a possibilidade de instalação da CPI do Master pois o comando da Casa detém o poder de priorizar quais investigações avançam e utiliza o excesso de pedidos como barreira técnica. O PT usou deste artifício para sair do impasse e das acusações da oposição que não assinava a CPMI, criou outra, que desta vez, ficará na gaveta de Hugo Motta aguardando na fila dos outros pedidos de CPI.

*GOVERNO DESCREVE ABACAXI MASTER*

A ministra Gleisi Hoffmann classificou a situação do Banco Master como um abacaxi que o governo está descascando e negou qualquer constrangimento sobre o encontro de Lula com Daniel Vorcaro, o grande problema é não constar na agenda oficial a reunião ocorrida. O Executivo tenta se descolar de irregularidades financeiras alegando que o investidor foi preso durante a gestão atual no Banco Central e que a fiscalização federal segue firme e decidida.

*ADIAMENTO DE DEPOIMENTO*

O presidente da CPMI do INSS Carlos Viana adiou o depoimento do fundador do Banco Master para o final de fevereiro após fechar um acordo para evitar que a defesa recorresse ao Supremo Tribunal Federal. Essa extensão de prazo reduz a pressão imediata sobre a instituição financeira e permite que os advogados negociem as condições da oitiva de Vorcaro na condição de testemunha.

*MUDANÇA DE PERFIL NO BANCO CENTRAL*

A indicação de Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para a diretoria do Banco Central reforça o caráter acadêmico do colegiado e reduz o número de membros oriundos do mercado financeiro. Embora Mello seja tratado como um desconhecido por senadores da Comissão de Assuntos Econômicos, o governo projeta uma aprovação tranquila para os novos nomes que atuarão nas decisões sobre a taxa Selic.

*CORTE DE MEIO PONTO GANHA FORÇA*

A ata do Copom pavimentou o caminho para uma redução de 0,50 ponto percentual na Selic em março, elevando as apostas do mercado para 92% de probabilidade após o Banco Central não desencorajar o otimismo dos investidores. Essa postura, somada à queda da produção industrial acima do esperado e ao câmbio favorável, consolidou a visão de que o ciclo de queda dos juros será mais veloz do que o previsto anteriormente.

*SENADO AMPLIA GÁS DO POVO*

O Senado Federal aprovou a criação do programa Gás do Povo que agora segue para sanção presidencial com novas modalidades de auxílio direto e incentivo ao uso de biodigestores. A medida fortalece a rede de proteção social ao garantir o repasse de metade do preço do botijão para famílias de baixa renda.

*NATALIDADE REAGE APÓS SEIS ANOS*

O Brasil registrou 2,51 milhões de nascimentos em 2025 marcando o primeiro crescimento desde 2018 apesar do patamar ainda ser 13,5% menor que o período observado antes da pandemia. Esse leve aumento na taxa de reposição populacional é um sinal positivo mas insuficiente para conter o envelhecimento demográfico que ameaça reduzir a oferta de trabalho no futuro.


*GASTANÇA NO LEGISLATIVO*


Deputados e senadores aprovaram aumentos salariais escalonados e o benefício de um dia de folga para cada três trabalhados para funcionários das Casas. O impacto financeiro imediato de R$ 6 bilhões desafia o equilíbrio fiscal em um ano onde a dívida pública deve superar R$ 1 trilhão.


*EXPLOSÃO DE GASTOS NO CONGRESSO*


O governo federal, a Câmara e Senado selaram acordos que somam mais de R$ 10 bilhões em novos gastos para 2026, englobando reajustes salariais para servidores e a criação de 17,8 mil novos cargos públicos. As medidas aprovadas permitem que vencimentos superem o teto constitucional e criam benefícios extras, gerando preocupação sobre a sustentabilidade fiscal no longo prazo.


*JUSTIÇA E REDES SOCIAIS*


O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia o julgamento sobre os limites da atuação de magistrados em plataformas digitais. Ao mesmo tempo o Tribunal Militar acelera as sessões presenciais para julgar a perda de postos de oficiais condenados por atos contra as instituições.


*ALÍVIO EM WASHINGTON E CAUTELA EM TECH*


O presidente Trump encerrou a paralisação parcial do governo americano ao sancionar o projeto de financiamento, deslocando o foco global para os dados de emprego do relatório ADP e para os índices de atividade industrial. Paralelamente, o setor de tecnologia em Nova York enfrenta uma liquidação de ações diante de sinais de saturação no mercado de inteligência artificial, o que pressiona os índices Nasdaq e S&P 500.


*RADAR CORPORATIVO*


1. Walmart atinge valor de mercado de US$ 1 trilhão sendo a primeira varejista a alcançar o marco após valorização de 26% em um ano.

2. PayPal escolhe Enrique Lores como novo CEO buscando acelerar a execução estratégica que estava abaixo das expectativas do conselho administrativo.

3. Intel diversifica sua produção para unidades de processamento gráfico especializadas em inteligência artificial para desafiar o domínio da Nvidia.

4. OI: A agência S&P rebaixou a nota de crédito da empresa para "default" após o não pagamento de juros de títulos, agravando o cenário da sua segunda recuperação judicial.


O Canal Auxiliando usa as seguintes fontes de notícias: 'Monitor do Mercado, BDM, Broadcast, Valor Econômico, Folha de São Paulo, Estadão, O Globo, BM&C, B3, Revista Oeste, Poder 360, Money Times, Agência CMA, Agência Brasil, Bloomberg, Infomoney, CNN, The Washington Post, The Wall Street Journal, Fox Business, Reuters, Oil Price, Investing e Yahoo Finance'.

Vivara

 Coluna do Broadcast: Vivara reconquista investidores estrangeiros após arrumar a casa


Por Julia Pestana e Aramis Merki II

São Paulo, 05/02/2026 - Após a troca de comando e uma reavaliação positiva da companhia pelo mercado, a Vivara voltou a atrair investidores estrangeiros e passou a figurar como uma das principais teses "em gestação" entre fundos internacionais, segundo analistas. Embora as ações tenham devolvido em janeiro parte do rali recente diante da disparada do ouro, a leitura predominante é que o papel ainda tem espaço para sustentar o fluxo comprador nos próximos trimestres. A joalheria apareceu em 23% das reuniões realizadas pelo Itaú BBA com cerca de 20 investidores nos Estados Unidos, sendo que quatro deles já possuem posição no papel. O porcentual coloca a companhia entre os nomes mais discutidos nas reuniões, atrás apenas do Mercado Livre, citado em 71% dos encontros, e da RD Saúde, com 35%, e à frente de empresas como Lojas Renner (18%) e Smart Fit (12%). O principal fator que ajudou a destravar o interesse pela empresa foi a nomeação de Thiago Lima Borges como diretor-presidente, acompanhada de mudanças na administração, anunciadas em dezembro do ano passado.

Percepção é de que houve avanço na governança

A analista de varejo da XP Investimentos Danniela Eiger relembra que, entre 2024 e 2025, a instabilidade na governança da empresa chegou a afastar investidores, mas avalia que as mudanças recentes recolocaram a companhia no radar dos estrangeiros. "Com a gestão mais próxima do negócio e um presidente com bom histórico, o investidor estrangeiro pode voltar a olhar para a ação", afirmou.

INESPERADO. Segundo o analista do Itaú BBA, Rodrigo Gastim, a Vivara despontou como uma "favorita inesperada" entre estrangeiros. Para ele, a percepção de governança melhorou significativamente e um dos principais atrativos é o fato de a competição online no segmento de joias ser "substancialmente menor do que em outros ramos do varejo".

TURBULÊNCIAS. Desde 2024, a Vivara passou por cinco trocas de presidentes em cerca de dois anos, período marcado também pelo retorno do fundador Nelson Kaufman ao comando do conselho, após mais de uma década afastado da operação. Em julho do ano passado ele deixou o cargo, que passou a ser ocupado por sua filha, Marina Kaufman. As incertezas em torno da governança só começaram a se estabilizar, de fato, após a indicação de um novo presidente.

NEGÓCIO. Além da reorganização na gestão, o desempenho operacional sólido também tem contribuído para a retomada do interesse pelo papel. No terceiro trimestre de 2025, a Vivara registrou lucro líquido de R$ 175,8 milhões, alta de 64,1% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado somou R$ 174,5 milhões, avanço de 37%. A receita líquida cresceu 18% frente ao mesmo período de 2024, para R$ 664,5 milhões.

TOP PICK. O forte desempenho nos números impulsionou as ações, que encerraram 2025 com valorização de 89,15%. A empresa também ganhou atratividade com a entrada na carteira do Ibovespa. Na avaliação de Victor Garcia, da XP Investimentos, a companhia tem fundamentos sólidos, com crescimento consistente das vendas e margens elevadas, enquanto o papel ainda está atrativo mesmo após a valorização recente. Entre 17 bancos e corretoras que acompanham a companhia, 15 instituições têm indicação de compra para o papel.


AMEAÇA. O valor médio das transações digitais identificadas e bloqueadas por fraude no comércio eletrônico brasileiro subiu 38,3% em 2025, na comparação com o ano anterior, a R$ 1.678,94. A informação foi levantada pela Equifax Boa Vista, que analisou mais de 440 milhões de transações digitais sob suspeita. Já o valor das tentativas de golpe chegou a R$ 194 milhões, uma alta anual de 15,3%.


DEFESA. Por outro lado, a Equifax Boavista informa que houve uma redução no volume de transações fraudulentas no e-commerce. O total de transações bloqueadas foi 16,7% menor em 2025 na comparação com o ano anterior. Também foi apresentada redução no índice de fraude, que é a relação entre transações bloqueadas e total de transações monitoradas. Em 2025, este indicador foi de 3,3%, enquanto em 2024 foi de 3,55%.


Contato: colunabroadcast@estadao.com


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BDM Matinal Riscala

 Análise Bankinter Portugal 


NY -1,2% US tech -1,4% US Semis -0,06%  UEM -0,7% España -1,9% VIX 21,77% +3,13pb. Bund 2,86%. T-Note 4,19%. Spread 2A-10A USA=+72,3pb B10A: ESP 3,23%  ITA 3,47%. Euribor 12m 2,23% (fut.12m 2,34%). USD 1,178. JPY 184,9. Ouro 4.845,52$. Brent 68,36$. WTI 64,12$. Bitcoin -13,1% (63.120$). Ether -13,1% (1.847$).

SESSÃO: Ontem, continuaram as vendas num mercado que continua a ter dúvidas em relação aos possíveis investimentos excessivos em IA e na capacidade de os monetizar a médio prazo. Se ontem avaliavam com quedas os investimentos de Alphabet, hoje trata-se de Amazon (investimentos +50% até 200.000 M$ em 2026), que tem caindo -11% no mercado fora de hora. Além de Amazon, ontem à noite ficamos a conhecer números de duas empresas de segurança: Fortinet e Gen Digital (em ambos os casos apresentaram bons resultados e as guias sobem +5% e +10%, respetivamente no mercado fora de hora). Além disso, esta manhã, Sabadell publicou resultados (cumpre expetativas, mas com menor inércia comercial e anuncia mudança de CEO, portanto, poderá sofrer na avaliação hoje).

Na frente macro, ontem, BCE e BoE cumpriram as expetativas e mantiveram as taxas de juros. Tampouco houve surpresas nas mensagens. Esta madrugada, foi a vez do banco central da Índia, que também manteve taxas de juros em 5,25%, como esperado. Para a sessão de hoje, não teremos os dados de emprego, que foram adiados após o último encerramento da administração americana. Apenas será publicada a Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan (espera-se um ligeiro corte até 55,0 vs. 56,4 anterior), embora a sua capacidade de impactar no mercado seja limitada. 


CONCLUSÃO: As últimas quedas do mercado deixam umas bolsas um pouco mais limpas de sobreavaliações e começam a deixar os preços de entrada mais atrativos. Já advertimos que o mercado estaria muito pendente das guias do futuro, mais do que os resultados, e isso foi precisamente o que aconteceu. Resultados que batem (EPS: 4T´25: +15,1% vs. +8,8% esp.), mas guias que, em alguns casos, não convencem. Em todo o caso, vemos também aspetos positivos que convidam a pensar que poderíamos ter um melhor tom para os próximos dias: o índice de semicondutores, ontem, conseguiu fechar plano e Alphabet foi reduzindo as quedas ao longo da sessão, até fechar quase sem queda (-0,5%). A correção do mercado pode ser considerada razoável e até saudável (por exemplo, os semicondutores, em janeiro, tinham subido +13%). Passou apenas um mês de 2026 e ao longo do exercício é mais provável que continuamos a ver vaivéns de mercado (afetados pela geoestratégia e saídas à bolsa da IA para o final do ano). A médio prazo, os fundamentos deverão impor-se e demonstrar que o fundo do mercado continua a ser sólido. 


FIM

Pesquisas eleitorais - Luciano Sobral

Dois pitacos rápidos sobre o que já vi de pesquisas eleitorais e mercados: 1. Até as eleições de 2018, a pesquisa do Datafolha era o padrão-...