sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Vivara

 Coluna do Broadcast: Vivara reconquista investidores estrangeiros após arrumar a casa


Por Julia Pestana e Aramis Merki II

São Paulo, 05/02/2026 - Após a troca de comando e uma reavaliação positiva da companhia pelo mercado, a Vivara voltou a atrair investidores estrangeiros e passou a figurar como uma das principais teses "em gestação" entre fundos internacionais, segundo analistas. Embora as ações tenham devolvido em janeiro parte do rali recente diante da disparada do ouro, a leitura predominante é que o papel ainda tem espaço para sustentar o fluxo comprador nos próximos trimestres. A joalheria apareceu em 23% das reuniões realizadas pelo Itaú BBA com cerca de 20 investidores nos Estados Unidos, sendo que quatro deles já possuem posição no papel. O porcentual coloca a companhia entre os nomes mais discutidos nas reuniões, atrás apenas do Mercado Livre, citado em 71% dos encontros, e da RD Saúde, com 35%, e à frente de empresas como Lojas Renner (18%) e Smart Fit (12%). O principal fator que ajudou a destravar o interesse pela empresa foi a nomeação de Thiago Lima Borges como diretor-presidente, acompanhada de mudanças na administração, anunciadas em dezembro do ano passado.

Percepção é de que houve avanço na governança

A analista de varejo da XP Investimentos Danniela Eiger relembra que, entre 2024 e 2025, a instabilidade na governança da empresa chegou a afastar investidores, mas avalia que as mudanças recentes recolocaram a companhia no radar dos estrangeiros. "Com a gestão mais próxima do negócio e um presidente com bom histórico, o investidor estrangeiro pode voltar a olhar para a ação", afirmou.

INESPERADO. Segundo o analista do Itaú BBA, Rodrigo Gastim, a Vivara despontou como uma "favorita inesperada" entre estrangeiros. Para ele, a percepção de governança melhorou significativamente e um dos principais atrativos é o fato de a competição online no segmento de joias ser "substancialmente menor do que em outros ramos do varejo".

TURBULÊNCIAS. Desde 2024, a Vivara passou por cinco trocas de presidentes em cerca de dois anos, período marcado também pelo retorno do fundador Nelson Kaufman ao comando do conselho, após mais de uma década afastado da operação. Em julho do ano passado ele deixou o cargo, que passou a ser ocupado por sua filha, Marina Kaufman. As incertezas em torno da governança só começaram a se estabilizar, de fato, após a indicação de um novo presidente.

NEGÓCIO. Além da reorganização na gestão, o desempenho operacional sólido também tem contribuído para a retomada do interesse pelo papel. No terceiro trimestre de 2025, a Vivara registrou lucro líquido de R$ 175,8 milhões, alta de 64,1% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado somou R$ 174,5 milhões, avanço de 37%. A receita líquida cresceu 18% frente ao mesmo período de 2024, para R$ 664,5 milhões.

TOP PICK. O forte desempenho nos números impulsionou as ações, que encerraram 2025 com valorização de 89,15%. A empresa também ganhou atratividade com a entrada na carteira do Ibovespa. Na avaliação de Victor Garcia, da XP Investimentos, a companhia tem fundamentos sólidos, com crescimento consistente das vendas e margens elevadas, enquanto o papel ainda está atrativo mesmo após a valorização recente. Entre 17 bancos e corretoras que acompanham a companhia, 15 instituições têm indicação de compra para o papel.


AMEAÇA. O valor médio das transações digitais identificadas e bloqueadas por fraude no comércio eletrônico brasileiro subiu 38,3% em 2025, na comparação com o ano anterior, a R$ 1.678,94. A informação foi levantada pela Equifax Boa Vista, que analisou mais de 440 milhões de transações digitais sob suspeita. Já o valor das tentativas de golpe chegou a R$ 194 milhões, uma alta anual de 15,3%.


DEFESA. Por outro lado, a Equifax Boavista informa que houve uma redução no volume de transações fraudulentas no e-commerce. O total de transações bloqueadas foi 16,7% menor em 2025 na comparação com o ano anterior. Também foi apresentada redução no índice de fraude, que é a relação entre transações bloqueadas e total de transações monitoradas. Em 2025, este indicador foi de 3,3%, enquanto em 2024 foi de 3,55%.


Contato: colunabroadcast@estadao.com


Broadcast+

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Pedro Parente