segunda-feira, 20 de abril de 2026

Um tapa na cara

 Era uma vez mais do mesmo, para sempre.


Os identitários estão a cancelar a identidade da literatura, até ontem o mais complexo e fascinante registro da natureza humana.


Paulo Nogueira (cujo último livro é O cancelamento do Ocidente) para o Observador:


Ana Maria Gonçalves tomou posse na Academia Brasileira de Letras (ABL), celebrada como a primeira negra eleita para a instituição. Na solenidade, ela explicou que “fala pretuguês” e escreve “a partir de noções de oralitura e escrevivência”. O segundo candidato mais votado foi a ativista indígena Eliane Potiguara – não perde pela demora, até porque a vencedora prometeu fazer a ABL avançar “naquilo que sempre critiquei: a falta de diversidade”. É a chamada “discriminação positiva” (no mundo do identitarismo, os oxímoros são fofinhos).


Mas há homogeneidade no nível literário da ABL, que é escasso. Inspirada na Academia Francesa de Letras (incluindo a suntuosa “farda” dos acadêmicos, que custa 10 mil euros), a versão brasuca foi fundada em 1897, no Rio de Janeiro, e presidida por Machado de Assis, até hoje o melhor ficcionista nacional. Gago, epiléptico e mulato, ele viveu 49 dos seus 69 anos num Brasil escravocrata, e escolheu para secretário da ABL o seu amigo do peito e abolicionista Joaquim Nabuco, que dirá de Machado: “Mulato? Só vi nele o grego”. Hoje Nabuco é que ver-se-ia grego por causa dessa opinião. (A Guerra e Paz publicou uma antologia de Machado sobre a escravidão – “Pai Contra Mãe” -, com prefácio meu.)


A ABL tem 40 membros – quando um bate a bota, é eleito um sucessor. Os académicos reúnem-se em saraus regados por um agradável chazinho. São admitidos convidados seletos, que talvez pousem nos anfitriões mais antediluvianos um olhar necrófilo. Ou talvez não, porque os académicos autointitulam-se “imortais”, e não com ironia machadiana. Quando perguntado se aquilo não era presunçoso, Machado negou: “O senhor não percebeu. Como escritores brasileiros, somos imortais porque não temos onde cair mortos”.


Hoje, com as ajudas de custo, os membros da ABL auferem 1500 euros mensais. OK, a questão da imortalidade artística é idiossincrática. Woody Allen, por exemplo, confessou: “Não quero ser imortal através da minha obra. Prefiro ser imortal não morrendo”.


Gonçalves é boa de votos: na votação de um jornal sobre as melhores ficções brasileiras deste século, um romance dela ficou em primeiro: “Um Defeito de Cor”, sobre africanos escravizados. Geovani Martins, também naquela rarefeita lista, concorda que “a linguagem oral está à frente da escrita, numa perspectiva afrocentrada”. Talvez tenham razão, embora, que eu saiba, desde a deriva dos continentes o Brasil não faz parte de África.


País independente há 204 anos, no Brasil trata-se ainda hoje de “descolonizar o cânone”, para incluir a inclusão. Certo: a matriz da literatura ocidental (as epopeias homéricas) brotou como narrativa oral, declamada por bardos itinerantes. E a própria poesia era cantada, ao som de uma harpinha – a lira, daí “lírica”. Porém, desde a invenção da escrita, há 5 mil anos, a literatura é sinónimo de texto, de prosa (ainda que Bob Dylan, autor de canções, abotoou-se com o Nobel de 2016). A própria ABL já elegeu Gilberto Gil, cantor e compositor – conquanto nunca tenha escrito uma narrativa de ficção, Gil é melhor ficcionista do que outro imortal, o arcano Paulo Coelho, o qual, em compensação, revelou que é capaz de levitar (mas só na vida real).


A criação literária não prospera numa estufa: é orgânica e histórica, e os autores refletem os respectivos vernáculos. Shakespeare inventou centenas de palavras que não existiam no Inglês da sua época, ainda hoje correntes, como lonely (solitário). E não por ativismo retórico, mas porque a complexidade da obra o exigia – quanto mais amplo o léxico, mais precisa e vívida será a representação verbal. E ninguém fala como escreve, com a eventual exceção dos analfabetos.


Agora, na terra natal do Bardo, universidades permitem aos alunos erros ortográficos, gramaticais e de pontuação. A Universidade de Hull (alma mater do grande Philip Larkin) alega: o que se julga “escrita correta” é só um produto eurocêntrico e elitista. O que conta é a forma espontânea como o aluno se expressa. No fundo, toda a forma de avaliação pedagógica é opressiva e autoritária.


Vivemos numa era em que a ideologia é a alma do negócio, pois tudo é política (sem deixar de ser negócio). O pânico moral contagia autores, editores, agentes, críticos e prémios literários – e quem paga a fava é o degraçado do leitor. As maiores editoras planetárias exigem que o escritor assine “cláusulas de moralidade”, com rescisão por sacrilégio narrativo. Uma cláusula do colosso Harper Collins autoriza-a a romper contratos se o autor “desrespeitar a moral pública”. O que Artaud ou Luiz Pacheco diriam disto? Nicles, pois não seriam publicados, mas arrolhados.


E floresce uma nova casta: a dos “leitores sensíveis”, que “compartilham uma identidade” com um personagem de ficção. Pagos a peso de ouro pelas editoras, esquadrinham à lupa se um manuscrito ofenderá o leitor incauto. É o dogma essencialista de que todas as pessoas da mesma identidade (digamos, amarelos ou lingrinhas) pensam, agem e sentem em uníssono, e que há maneiras “autênticas” e “espúrias” de ser-se amarelo ou lingrinhas. Esses agrimensores ideológicos passam a pente fino nichos tão específicos quanto obesidade ou cultura aborígene. Sem falar no alfabeto LGBTQUIA2+, que nesta altura do campeonato já deu duas voltas ao abecedário.


Como cá se faz, cá se paga, canceladores são cancelados por pares ainda mais sectários. Em 2020, a Penguin publicaria o romance da sino-americana Amélie Zhao, Blood Heir. Antes do lançamento, as redes sociais passaram-se: a trama desenrolava-se num reino imaginário onde a opressão não se baseava na cor da pele. Zhao capitulou, e expiou online a “dor” que a sua prosa inédita infligira a “leitores” que nunca tinham visto a obra mais gorda – lembrando, involuntariamente, Oscar Wilde: “Jamais leio os livros que vou criticar, para não sofrer a sua influência”.


Depois, Kosoko Jackson (negro e gay) autocancelou o seu romance de estreia, “A Place for Wolfes”, pelo ultraje de incluir um vilão muçulmano. Jackson era “leitor sensível” das Big Five, as cinco maiores editoras em língua inglesa – e um dos inquisidores que vetaram o livro de Zhao. Adam Szetela (“That Book Is Dangerous!: How Moral Panic, Social Media, and the Culture Wars Are Remaking Publishing”) chama tal reciprocidade “pelotão de fuzilamento circular”. Já a estreia literária de Keira Drake, “The Continent”, e apesar da beatice identitária da autora, levou com o anátema pela blasfêmia de incluir um “salvador branco”. Branco, hoje, é uma palavra válida apenas em sentido pejorativo.


Os novos autores são arrumados em cubículos ideológicos cada vez mais claustrofóbicos. Um editor explicou a um promissor escritor gay que este precisava de “gayzar” o manuscrito, porém a resposta mortificou-o: “Mas eu já nasci fora do armário, e só quero escrever sobre zombies!” Bem, a ausência de zombies homoafetivos evidentemente é homofóbica.


Como a narrativa ficcional implica conflitos (ficção é fricção, e não rotina repetitiva), felizmente não faltam malfeitores: ocidentais cis, brancos, cristãos (se não for pedir muito, mortos no happy ending). Já o/a protagonista é sempre um fantoche do/a autor/a, de retidão marmórea e unidimensional, em vez das contradições humanas de luzes e sombras que, precisamente pela sua irredutível singularidade, alcançam ressonância universal. Resultado? Uma maçada: cartas marcadas, maniqueísmo simplório, imprevisibilidade nula. O assassino continua a ser mordomo, só que agora com a libré de um cis lívido.


Matilhas vociferantes exigiram que a Amazon removesse A Birthday Cake for George Washington, de Ramin Ganeshram, ilustrado por Vanessa Newton e editado por Andrea Pinkney. É que a obra “branqueia” a escravidão. E depois se Ganeshram é negra e recebeu sete prêmios da Sociedade de Jornalistas Profissionais? Newton, também negra, foi finalista do NAACP Image Award de Melhor Obra Literária para Crianças. Pinkney, outra negra, venceu o Coretta King Award, e lançou o primeiro selo de livros infantis afro-americanos da Disney. Suponho que no melhor pano caia a nódoa. Talvez fosse melhor reabilitar o critério do julgamento de Salem, EUA, em 1692, quando 200 pessoas (não só mulheres) foram acusadas de bruxaria: atirar o manuscrito à água, para ver se ele flutua. Se boiar, o autor não vendeu a sua alma. Se afundar…


O obscurantismo é retrospectivo. Em 2025, “Mrs. Dalloway”, de Virginia Woolf, fez um século. Na edição comemorativa, a Penguin espetou o dedo nos nossos narizes: “Este romance reflete as mentalidades de sua época!” – como se uma das mais icónicas protagonistas do modernismo fosse uma espécie de Pocahontas. Implícita pulsa a ideia arrogante e obtusa de que, se escrevesse hoje, Woolf expressaria mantras iguais aos dos linchadores online. O próprio conceito de “clássico” (segundo Calvino, uma obra que a cada geração entrega uma mensagem novinha em folha) torna-se repulsivo.


Ficcionistas contemporâneos e os seus personagens contorcem-se de angústia sobre ser uma boa pessoa. Por “boa pessoa” não referem a alguém racional, como Platão; ou compassivo, como Agostinho; ou que considera os outros como fins em si mesmos e não como meios, como Kant; ou que saúda a peculiaridade alheia, como Montaigne.


Não: uma pessoa boa aflige-se 24/7 com o aquecimento global. Ela #acreditaemmulheres, incluindo aquelas que sofrem de problemas na próstata. Queria que Jerusalém tivesse o mesmo presidente de Câmara que Nova York. Reconhece os seus privilégios, pede desculpas de joelhos numa selfie, e promete “fazer a sua parte”. Sabe que é imperioso cancelar os reaças, embora não conheça nenhum (boas pessoas não convivem com a escória).


O autor porreiro não tem opiniões imprevisíveis, não tem amigos de quem discorde sobre nada relevante, não tem pontos de vista que não possam ser reciclados em slogans e estampados em T-shirts da Farfetch. Com tais credenciais, as maiores editoras capitalistas recebem os manuscritos deles de mãos em concha e lambem o chão que pisam.


Se nunca foi fácil escrever ficção que preste, para certos principiantes publicarem-na é hoje quimérico. A censura prescritiva – não só há coisas que não devem ser ditas, como há coisas têm que ser ditas — torna obrigatório tudo o que não é proibido. Há pouco, a Compact publicou o artigo The Vanishing White Male Writer, de Jacob Savage. Em 2012, a tradicional lista anual do “NY Times” de “ficção notável” ainda incluiu sete autores brancos com menos de 43 anos (idade limite para um millennial); em 2013, eram seis. Em 2021, já não havia nenhum escritor millennial branco do sexo masculino. Em 2023 e 2024 houve apenas um último moicano, respectivamente. No ano passado, nem sinal de jovens brancos nas listas das revistas The Atlantic, Vanity Fair e Vulture. A Esquire, destinada a millennials masculinos, selecionou 53 ficcionistas nas suas listas desde 2020 – apenas unzinho tinha aquilo que, no tempo da outra senhora, designava-se por tez de alabastro (mas se calhar era apenas albino).


Entre 2001 e 2011, seis rapazes brancos embolsaram o prêmio Young Lions da Biblioteca Pública de NY para ficção de estreia. Desde 2020, nenhum branco foi sequer indicado (de um total de 25 indicações). No mesmo período, dos 14 finalistas millennials do National Book Award, zero são brancos. A prestigiosa Wallace Stegner Fellowship, uma plataforma para jovens autores, atualmente não tem nenhum bolsista masculino branco (de 25 bolsistas de ficção desde 2020, só um pertencia àquela famigerada categoria). No final do ano passado, o New York Times publicou um texto sobre “o desaparecimento do homem literário” – o tom implícito era de desdém glacial, tipo “já vai tarde”. No século XXI, nenhum homem branco americano nascido depois de 1984 publicou um conto na New Yorker, celeiro da melhor prosa ficcional americana do século 20.


Não é só a nova patologia, que troca a misoginia pela misandria: é que os jovens ficcionistas brancos cis ficaram sem assunto. Afinal, que gajo terá a lata de abordar a sua masculinidade obviamente tóxica? Como notou o Nobel Kazuo Ishiguro, os novos autores são forçados à autocensura. A degenerarem em lemingues literários, precipitando-se em manada para o abismo do silêncio.


Como reza o título do romance de Ana Maria Gonçalves: sim, esses jovens malandros têm um defeito de cor. Se queriam ser ficcionistas no século 21, nasceram no corpo errado. Se calhar por justiça poética, na literatura atual a cor defeituosa mudou, assim como o género e a orientação sexual “problemáticos”. Nada como um dia depois do outro.


Há 24 anos, o afroamericano Percival Everett publicou o romance Erasure. O protagonista da sátira é um talentoso romancista negro que, para finalmente vender uns livritos, finge ser o estereótipo que o progressista branco faz de um minoria oprimida: um preto que só diz asneiras impublicáveis, oriundo de um lar desfeito por drogas e violência. Claro que nenhum autor branco teria descaramento para uma história assim. Os jovens autores brancos heteronormativos estão encarcerados no lado errado da história – até porque, vivos ou mortos, não existem Homens Brancos Bons. E a tal da liberdade de expressão é um luxo que as sociedades genuinamente democráticas não podem conceder-se.


Acontece que boa literatura não é sociologia: lida com indivíduos ímpares, caleidoscópicos e falíveis (é o erro que nos humaniza), e não conceitos genéricos e abstratos. O protagonista do grande romance sempre aprende uma lição, e ao terminar a história não é a mesma pessoa que nela entrou. Daí que a literatura ativista, preferindo a propaganda, simplifique paisagens morais complexas e se dirija aos leitores como se fossem pré-adolescentes. A indignação moral reduz-se a um onanismo emocional que nos assegura do nosso próprio heroísmo, juntamente com o do autor e o do protagonista.


Onde estão hoje os romances conservadores? Ou simplesmente aqueles que não tomam partido, em vez de recitar o decálogo formulaico? Que questionam premissas através do ambíguo e do matiz? Ainda há exceções, cada vez mais excepcionais. Eu consigo gostar de ficcionistas cujas convicções ideológicas não subscrevo, e não gostar de ficcionistas cujas políticas perfilho – porque a boa literatura jamais é mera propaganda, ou bula de medicamentos.


Nesta era de polarização centrífuga, as pessoas sentem-se cada vez mais desconfortáveis naquele deserto necessário chamado “o meio”, que Lionel Trilling descreveu como “o único lugar honesto para estar-se”. A última esperança é de que, mais tarde ou mais cedo, panfletos esquemáticos sempre ficam datados, rançosos. Hoje, nenhum leitor pega num romance do realismo socialista nem com alicates e uma mola no nariz.


Só esperemos que, quando a maré mudar, o Nobel de literatura já não seja atribuído exclusivamente à Inteligência Artificial.

Elio Gaspari

 Elio Gaspari


A terceira via existe?

Campo tem dois candidatos: Romeu Zema, o ex-governador de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás


19/04/2026 03h30  Atualizado há 9 horas

P

Tentar ler numa pesquisa de abril o comportamento do eleitorado em outubro é pouco mais que um exercício de quiromancia, sobretudo quando a Genial/Quaest registrou que há 62% de indecisos.


Há meses, todas as pesquisas trazem notícias ruins para Lula. Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro ultrapassou-o, (42% x 40%) dentro da margem de erro e em um cenário estimulado. O sabor amargo dessa pesquisa está na rejeição. Lula tem 55% e Flávio tem 52%, novamente dentro da margem de erro.

A terceira via tem dois candidatos: Romeu Zema, o ex-governador de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás. No cenário de uma disputa do segundo turno, Lula patina na faixa dos 40%, enquanto os dois têm leve viés de alta. Zema tem 36% e Caiado, 35%.

Não se pode cravar, mas a terceira via parece existir. Zema e Caiado vieram de governos bem avaliados. O mineiro com 47% e o goiano com 85%. Eles precisam pescar seus votos entre os indecisos e os 42% que estão com Flávio Bolsonaro. Como sua experiência administrativa, ele limitou-se à gestão de um sobrenome e de uma loja de chocolates. A campanha pode favorecê-los.


A ventania das campanhas eleitorais desarruma previsões baseadas só em pesquisas. A sabedoria convencional trabalha com a hipótese de um segundo turno entre Lula e Flávio, mas em 1989 aguardava-se um segundo turno entre Fernando Collor e Leonel Brizola. Em agosto, Lula tinha apenas 5% das preferências, com viés de queda. Em setembro, ele chegou a 16%, ultrapassando Brizola. Dois meses depois, Lula foi para o segundo turno, quando viria a ser batido por Fernando Collor.

(Naquela eleição, Ronaldo Caiado disputou pela primeira vez a Presidência e acabou em 10º lugar, com 0,72% dos votos).


Sidônio na frigideira

Assim como aconteceu com seu antecessor, os ventos da opinião pública sopram contra o Planalto e a responsabilidade é do ministro da Comunicação Social, o marqueteiro Sidônio Palmeira.

Pensando bem, é para isso que serve o ministro da Secom.


BC e o BRB

O Banco Central pode ter demorado para agir sobre o Master, ou não. Uma coisa é certa, o BC não agiu a tempo sobre o Banco Regional de Brasília, que funcionava como vaca leiteira de Daniel Vorcaro.

O presidente do BRB ao tempo de Vorcaro devia ter sido preso há mais de um ano.


Um canalha americano

Sai em setembro nos Estados Unidos “Canalha americano — A Jornada Sombria de Roy Cohn, de Joe McCarthy a Donald Trump”. Pelo autor, Kai Bird, e pelo personagem, tem tudo para ser um grande livro.


Bird escreveu a saga de Robert Oppenheimer que serviu de base para o filme sobre o pai da bomba atômica americana. Antes, ele havia escrito “The Chairman”, uma biografia de John McCloy (1895-1989), o filho de uma cabeleireira, que se tornou a encarnação do andar de cima dos EUA. Advogado e banqueiro, foi conselheiro de todos os presidentes de Franklin Roosevelt a Ronald Reagan. McCloy passou por Pindorama no final de fevereiro de 1964, defendendo os interesses da mineradora Hanna e esteve com o presidente João Goulart.

A jornada sombria de Roy Cohn começou em 1952. Como promotor, ele mandou para a cadeira elétrica um casal acusado de espionar para a União Soviética. Daí, tornou-se a alma danada das investigações do senador Joseph McCarthy (Na sua equipe estava o jovem Robert Kennedy).

Depois da ruína de McCarthy, Cohn submergiu, advogando em Nova York. Jogando pesado, com uma estampa amedrontadora, dada por um par de olhos azuis e uma enorme cicatriz no nariz, meteu-se em extorsões e acabou perdendo a licença para advogar. Entre seus clientes estavam mafiosos, padres e magnatas do mercado imobiliário. Entre eles, Donald Trump, que fez de Cohn uma espécie de tutor, com telefonemas diários. Trump agradou-o presenteando-o com uma abotoadura de brilhante da Bulgari (falsa).


Cohn morreu aos 59 anos, de câncer (segundo ele) e de complicações da Aids (segundo os prontuários médicos). A última pessoa com quem ele falou, ao telefone, foi Donald Trump.


Trump e os delinquentes

Donald Trump repete que muitos imigrantes sem papéis são delinquentes e devem ser deportados.

Tudo bem, mas o governo americano prendeu e soltou o doutor Alexandre Ramagem.

Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por ter se metido na armação do golpe de 2022/2023.


A encrenca do Judiciário

Noves fora as farofas, impropriedades e onipotências de alguns ministros do STF, talvez esta seja a hora de dar um freio de arrumação na magistratura.

Com a Constituição de 1988, perdeu-se a oportunidade de transformar o Supremo em Corte Constitucional. Isso se deveu inclusive ao interesse de alguns ministros que, com a mudança, perderiam poder. Resultado: o Supremo virou uma quarta instância, recebendo litígios triviais e acumulando superpoderes que deram no que deu.

Uma série de circunstâncias e ambições levaram o STF para o centro do palco, um problema inédito e desnecessário.

O Supremo é o topo de uma pirâmide mal ajambrada. Nenhuma magistratura funciona direito com 80 milhões de processos tramitando e com 35 milhões de novos casos a cada ano. Daí advém uma sobrecarga que é metabolizada em penduricalhos y otras cositas más.

O palhaço Tiririca estava errado: o que vai mal, piorará.


Mariz, 55 anos de advocacia

O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira lança na quinta-feira, em seu escritório de São Paulo, o livro “Casos e causos — A trajetória de um defensor”. São 55 anos de advocacia em 272 páginas e 50 casos.

Tem de tudo. A mulher pobre que mata o companheiro que molestava a filha (absolvida). Como assistente de acusação, Mariz condenou filhos que mataram a mãe, viu ministro do Supremo maltratando advogado e promotores mais interessados em acusar do que em buscar a justiça. Tudo isso e mais uma referência da defesa da princesa Caroline de Mônaco, ofendida por um grã-fino paulista.

Em sete páginas, Mariz conta o seu caso de maior repercussão, a defesa do presidente Michel Temer, em 2017. Os dois partilham “uma amizade que ultrapassa meio século”. Sai mal no episódio o procurador-geral Rodrigo Janot, com sua famosa frase, “enquanto houver bambu, lá vai flecha”.

Mariz critica o tratamento dado ao grampo da conversa de Temer com o empresário Joesley Batista: “Foi apontada a existência de uma série de interrupções e hiatos na gravação”. Com a defesa de Mariz, a Câmara dos Deputados rejeitou a denúncia de Janot. Esse caso/causo chama-se “Em defesa de um amigo”.


“Casos e Causos” repassam 55 anos de trabalho de um advogado que está de bem com a vida. Seus personagens são de carne e osso, mas Mariz pincela passagens com críticas e louvores ao funcionamento do Judiciário. É um curso-relâmpago de Direito.

China, de Walmir Buzzato

 CHINA - Uma viagem (ou duas?) 


Vou começar com um pouco de retrospectiva, mas quem não tiver paciência pode pular para o parágrafo seguinte, não vai perder muito. É que eu gosto de dar o contexto, e muita gente não tem tempo para isso. Bem, vamos lá: eu, como engenheiro eletrônico, especialidade computação (de uma época em que um computador enchia uma sala refrigerada e tinha menos poder de computação que o relógio de pulso que uso hoje), sempre fui ligado no assunto das redes de comunicação, bem antes da internet. Na década de 80 tive minhas primeiras experiências com computação pessoal; na década de 90 a primeira vivência de redes (ainda antes da internet, mas já conversando em BBS - os bulletin board systems, onde você se ligava com um modem e linha discada a um servidor e compartilhava arquivos a papeava com pessoas online); depois a internet, ICQ, Orkut, etc, até chegar, já na primeira década do século XXI ao Facebook, onde acabei criando raízes e meio que ‘parei no tempo’. Não entrei a fundo no Instagram e no Twitter (mas fechei minha conta assim que Elon Musk o comprou e mudou o nome); achei um ‘modus vivendi’ que me satisfaz no Facebook, encontrei antiga amizades perdidas, fiz novas amizades e é disso que vou falar a seguir.


Pronto, se você chegou aqui lendo o parágrafo anterior, parabéns; se veio direto pelo atalho, não tem problema. O importante vem agora.


Fiz muitos amigos no Facebook, a maioria nem conheço pessoalmente, mas sinto grande afinidade com a maioria deles. Verdade que mantenho minha página fechada, uma quase bolha só para amigos, e estes escolho com cuidado. OK, e entre esses amigos tenho Carmen Lícia Palazzo, historiadora, casada com o diplomata Paulo Roberto de Almeida, também meu amigo. Um dia ainda vou pegar um avião e ir a Brasília conhecê-los pessoalmente. Aprendo muito com os dois e respeito o conhecimento deles, com uma educação superior que me faz, às vezes, arrepender de não ter seguido uma carreira de humanas. Carmen Lícia é expert na cultura chinesa e acaba de lançar um livro sobre suas viagens naquele país, que fez no período em que moraram lá por ocasião de uma feira internacional em Shanghai, onde Paulo organizou o pavilhão brasileiro. Acabei de ler o livro em edição Kindle e preciso recomendá-lo fortemente a quem se interessa pela China.


Como falei, conheço - virtualmente - o casal há alguns anos (o tempo passa rápido!) e, quando minha afilhada, médica formada no ano passado, me desafiou a acompanhá-la a Shanghai para uma apresentação que ela ia fazer num congresso médico, caso seu ‘paper’ fosse aceito, minha resposta imediata foi ‘Claro!’. Conheço o trabalho dela, uma pesquisa inédita relacionando a ocorrência de epilepsia em pacientes submetidos a cirurgia crânio-facial (me perdoem a falta de termos mais técnicos), e também sei do empenho dela quando se dedica a uma tarefa. Eu já tinha estado na China brevemente, em 2007, numa visita muito rápida a Beijing para visitar uma feira de máquinas operatrizes, e o que eu vi naquela época não me surpreendeu muito, tirando o trem-bala entre o aeroporto e o centro da cidade. Após me comprometer com a resposta positiva, eu imediatamente entrei em contato com a Carmen Lícia pedindo dicas, pois eu sabia que ela tinha morado justamente em Shanghai, mas isso foi antes da publicação do livro. Ela me deu algumas dicas que obviamente incluí no roteiro. Volto a isso já, antes um comentário sobre a duração da visita.

 

Quando a Daniela (é o nome da sobrinha/afilhada/médica com futuro brilhante) me contou sobre a possibilidade da apresentação de seu trabalho, eu perguntei qual a duração do congresso. ‘Uma semana’, foi a resposta. De posse das datas, reservei as passagens, o hotel, e comecei a pensar no que fazer enquanto ela ia no congresso. A verdade é que ela só ia apresentar o trabalho, um único dia, onde ela teria 3 minutos de espaço na agenda! O resto foi passeio mesmo. Acho que ela, meio sem querer (ou não?) me armou uma armadilha. E foi ótimo assim; se tivesse sabido de antemão que ela teria apenas 3 minutos no congresso, eu teria me questionado se valeria a pena uma viagem daquelas! 


Valeu a pena por dois ou três motivos: em primeiro lugar, a apresentação dela foi um sucesso, e de quebra, fez bons contatos no meio em que ela está se inserindo (cirurgia plástica, tanto corretiva como estética); em segundo ou terceiro lugar, fizemos turismo seguindo as dicas de Carmen Lícia, e foi fantástico. 


Como estaríamos em Shanghai por uma semana, visitar outros locais turísticos na China ficava meio inviável, exigiria longos deslocamentos de avião, mais despesas, etc. A região de Shanghai sozinha já justifica semanas de permanência para conhecer parte da cultura chinesa, seus museus, sua história e seu povo. Visitamos duas cidades recomendas por ela e uma terceira um pouco mais distante em direção Sul para conhecer uma muralha feita pelo mesmo construtor que posteriormente foi contratado pelo governo central para projetar e coordenar a construção da muralha mais famosa no Norte. Todas as viagens foram de um dia: pegávamos o trem cedinho, andando entre uma e duas horas num trem bala (200 a 270 km/h) e chegando lá éramos recepcionados por um guia local que nos levava para conhecer o lugar e suas atrações. A volta a Shanghai era no fim da tarde/início da noite. Falei sobre essa viagem e postei fotos em novembro de 2025, depois vou colocar um link para aquela postagem nos comentários.


Por que estou fazendo esta postagem agora? Porque o livro de Carmen Lícia me fez querer voltar pra lá e gastar muito mais tempo na região, e depois viajar para outros lugares relatados por ela no livro e ficar conhecendo melhor aquele país. O livro é curto, eu li em três dias, e terminei agora há pouco. Já estou tentando convencer minha mulher a ir comigo conhecer a China! Para aproveitar melhor uma viagem dessas, é preciso desvincular governo atual, uma ditadura de um partido só, da cultura milenar chinesa, da mesma forma que é preciso desvincular o governo dos aiatolahs do Irã da cultura milenar persa. O povo nas ruas, no seu dia-a-dia, é aquele mesmo que viveu sob diversos tipos de governo; a cultura amadurecida ao longo de milênios é a mesma, seja sob um governo liberal ou sob uma ditadura. O livro de Carmen Lícia passa longe de qualquer avaliação política ou ideológica, focando nos aspectos culturais e religiosos de seu povo. De novo, comprem o livro, seja na versão Kindle ou em papel. Eu já encomendei uma cópia impressa para presentear à minha afilhada Daniela. O risco é ela arrumar outro congresso por lá…

Livrarias

 Saiu no El País texto sobre as (não) vendas de livros em livrarias (não pesquisaram Amazon que, creio eu, por ter preços mais baixos deve ter números de vendas melhores). 

Aqui no Rio, nós "órfãos da Leonardo Da Vinci" (disse um usuário antigo e me inclui na lista), não temos muitas opções, nem bons livreiros que nos auxilie. 


El País: "El dato que alarma a las librerías de España: la mitad de los títulos que tienen disponibles no vende nada

La multiplicación de novedades, la concentración en grandes grupos y los riesgos para la bibliodiversidad preocupan a Cegal, la confederación del sector, cuyo estudio más reciente concluye que solo el 4,5% de las obras supera los 100 ejemplares


Tommaso Koch

Madrid - 12 ABR 2026 


Se supone que un libro quiere ser leído. Igual que una película necesita espectadores. Y un disco, oyentes. Incluso El libro que no quería ser leído, texto infantil del sueco David Sundin, busca lo mismo que cualquier creación cultural: público. Aunque sea una persona. Sin embargo, a cada vez más obras literarias les cuesta hasta eso: el 49,4% de los títulos impresos disponibles en las librerías de España vende cero ejemplares a lo largo de un año. La cifra abarca novelas, ensayos o cómics, incluye novedades y fondo, también de autoedición, en establecimientos independientes, así como en grandes cadenas. No se contabilizan, eso sí, manuales de texto ni Amazon. El dato se reveló hace pocas semanas en el último Congreso de Librerías. Y lleva años subiendo, según Cegal, la confederación de los libreros que organiza el evento. Tanto que la entidad ya ha puesto su foco en analizarlo, desglosarlo y, a ser posible, solucionarlo. Las respuestas llegarán en futuras ediciones de la cita. Pero, mientras tanto, da para unas cuantas preguntas.


Más información

Cada hora se publican en España diez libros nuevos: ¿se editan demasiados títulos?

“En España se venden muchos libros: unos 76 millones de obras impresas en 2025, un 4% más respecto al año anterior, según la consultora GfK. Pero estamos ante un mercado sobresaturado. Salen más novedades de las que se venden y de las que un librero es capaz de seleccionar. Se dejó de velar por la calidad y se decidió apostar por la cantidad”, reflexiona Pilar Asuero, escritora de Las cabras (Altamarea) y editora en Siglo XXI. La facturación de la industria editorial vive tiempos de subida consecutiva, igual que los lanzamientos: más de 90.000 libros al año, en cálculos del sector. Si se criban solo obras literarias con enfoque comercial, la cifra baja: hasta 30.000 o 10.000, en la estimación más conservadora. Significa mínimo 27 novedades al día. Y eso a falta de los miles de títulos del fondo. ¿Hay lector para tanto libro?


“Una clave está en el espacio. Hay títulos que no salen para vender, sino para ocupar sitio en las estanterías, sobre todo por parte de los grandes grupos. A menudo tienen alta rotación, a la semana siguiente les sustituye otro”, tercia Enrique Redel, editor del sello independiente Impedimenta. “No se trata de que quien quiera escribir no pueda. Pero nadie es capaz de asimilar este volumen. Y no tiene sentido meter en el canal un libro que genera cero ventas”, agrega Javier Cámara, encargado del establecimiento en Bilbao que lleva su apellido, y de la exposición donde se abordó el asunto en el congreso. El librero descubrió hace poco el caso de una editorial que bajó el ritmo para centrarse en la calidad, pero reculó a los dos años, porque estaba perdiendo superficie de exposición. Aunque Redel asegura que esa es su apuesta: “Intentamos reducir la producción. Sacamos 25 libros al año, clavados. Queremos arroparlos con la promoción, que las librerías los mantengan y cuidar nuestro nicho fiel de lectores”.


Tanto librero como editor recurren al mismo símil: la aplicación de citas Tinder. Porque cada semana Cámara hojea 300 o más títulos y debe escoger unos 120 para sus estanterías. Dice que algunos los tiene claros, pero la mayoría de la selección se va pareciendo al célebre match sentimental: sí o no, en pocos segundos, y a lo siguiente. El amor literario también va deprisa: flechazo o hasta nunca. Y por más que Impedimenta avise de que no acepta manuscritos, igual que muchas editoriales, recibe unos 10 al día. Por la mesa de Redel pasan entre 600 y 1.000 al año, de los cuales lee 100 y publica una cuarta parte. Así, por ejemplo, se le escapó La temporada de las frutas envenenadas, de Vera Bogdanova: cuando pudo verlo y quiso pujar, tras adorarlo, estaba adjudicado. Las plantillas habitualmente pequeñas de editoriales y librerías independientes tampoco dan para más. Y desde Cegal añaden otra tendencia: aumenta la desaparición de títulos. Demasiado libro hay ya, como para cuidar las viejas perlas. Así puede darse la paradoja de no hallar lo que se busca en un catálogo desmesurado.


“Si como editores disponemos de más tiempo para leer y trabajar los textos, salen mejores obras. Si los y las libreras lo tienen para leer y seleccionar, se construyen escaparates con sentido. Si los lectores reciben una propuesta abarcable, cuentan con más herramientas a la hora de escoger. Aunque parezca contraintuitivo, una oferta exacerbada atenta contra la bibliodiversidad. Se vuelve puro ruido: comienzas a ver siempre los mismos libros en la mesa de novedades y en los suplementos culturales. Y todos leemos lo mismo”, señala Asuero. Otros datos de Cegal lo refuerzan: en librerías, únicamente el 4,5% de los títulos despacha más de 100 ejemplares al año. Y más del 40% de las copias vendidas corresponde a dos grupos, Penguin Random House y Planeta. Los establecimientos independientes duplican a las cadenas en variedad: más de 525.000 títulos, frente a 229.633. Sin embargo, los grandes espacios acaban de adelantarse por primera vez en ejemplares vendidos: el 52% del total. Así, solo unas pocas obras logran un lugar al sol. El resto navega sepultado en el fondo del iceberg. A priori, las oportunidades se han multiplicado. La práctica dice algo distinto. O contrario.


Entonces, ¿cómo conseguirlas? Contratar a un agente aumenta las opciones del escritor y garantiza al editor un filtro de confianza. El anuario estadístico del Ministerio de Cultura ofrece más pistas: el tema es la principal razón para escoger un libro, por delante del autor, las opiniones de amigos y familiares o las redes sociales. Ni el 5% de los encuestados dijo tener en cuenta críticas, publicidad y, menos aún, los premios. Aunque Redel propone lo opuesto: “Cuando estalló el fenómeno de Cincuenta sombras de Grey una revista me preguntó: ‘¿Cuántas novedades eróticas sacas este año?’. Pero nosotros, cuando el tema está de moda, huimos”. Las cifras de Cultura dicen también que triunfa sobre todo la novela contemporánea, en particular histórica y de ficción criminal.


Siempre y cuando se lea, eso sí: lo hace al menos una vez al año el 64,9% de la población, frente al 65,8% en 2018/2019. Un tercio de la ciudadanía lo incluye entre sus costumbres semanales. Pero uno de cada 10, por el contrario, asegura que no le gusta leer, porcentaje idéntico al de los hogares con menos de 10 libros. La mitad de la población (48,8%) tiene menos de 50 en casa. A saber cómo lo encajaría el fallecido Umberto Eco, defensor de la acumulación de libros sin leer. Su “antibiblioteca”, como la bautizó, tenía 50.000 títulos.


“Influyen muchos factores en la venta: desde la editorial en que se publica (si pertenece o no a un gran grupo, su prestigio, los recursos para la promoción, el interés en medios, la fidelidad del público), si a las librerías les gusta, el boca a boca. Pero muchas veces juega el azar. Antes de que Altamarea apostara por Las cabras, otras editoriales lo rechazaron alegando que no tenía trama y no creían que podría funcionar de la mano de una autora novel”, relata Asuero. Pero su ópera prima celebra un impacto de ventas positivo. Y se lo agradece también a muchas bookstagramers (prescritoras de libros en redes sociales): “Influyen porque su contenido se dirige a un público muy lector, las mujeres entre 25 y 35 años”.


El libro, además, puede buscar indicios a su alrededor. El volumen de novedades literarias también abruma y preocupa en otros grandes países de la UE. Y, por comparar, el 60% del cine español exhibido en salas en 2025 vendió menos de 500 entradas, en datos de Cultura. Aun así, la cantidad de novedades fílmicas no para de subir, con semanas donde coinciden hasta 14 o 16. Y eso que, desde hace tiempo, apenas una veintena de películas suele concentrar en torno a la mitad de la taquilla anual. En los videojuegos también se habla de saturación: Steam, la principal plataforma para ordenadores, incorporó 21.551 títulos solo en 2025. Aunque un largometraje que nadie haya disfrutado en la gran pantalla siempre tiene la esperanza de resucitar online: en streaming ya se ve tanto cine como en salas, o más. La mayoría de libros, en cambio, se juega (casi) todo en semanas, con suerte pocos meses, en las estanterías. De ahí, vuelta a las editoriales. Y a las sombras. O incluso la eliminación física. No precisamente el epílogo soñado tras meses o años de esfuerzo de un creador.


“Si en una editorial un libro no vende, puede que otro logre un gran alcance y levante los números (aunque no siempre es así, sobre todo en los sellos realmente independientes). Y si en una distribuidora hay una editorial que no vende mucho, otra lo compensa. Cuando eres autor/a, sobre todo novel, eres tú y tu libro. Puedes dar las gracias si aguanta una semana en la mesa de novedades, es fácil que al mes lo devuelvan, al año destruyan la tirada y quede en el olvido”, subraya Asuero. Para definir al sector editorial se han usado muchas metáforas: bicicleta, rueda del hámster, todo o nada. Se refieren a más y más obras para que el sistema siga adelante y un potencial éxito de mañana cubra los eventuales agujeros de ayer. Aunque el modelo reparte al autor cartas con las que cuesta ganar: adelantos cada vez menores, o hasta inexistentes; una tirada media inferior a los 4.000 ejemplares; y apenas un 10% de ingresos sobre el precio de las ventas. “Quien se mete en esta industria sabe que muchas veces lo que va a moverle es el entusiasmo antes que el dinero. Pero no debería sacrificarse una cosa por la otra. Me entusiasma escribir, pero también poder pagar el alquiler”, agrega Asuero.


“Cualquiera puede editar un libro, pero no significa que sea un autor. Igual que tener una cámara no se traduce en ser fotoperiodista”, matiza Cámara. Hay quien publica por su cuenta, o a través de una editorial que solo ejerce de imprenta; despuntan jóvenes narradores que arrasan primero en plataformas online y luego en papel; y están los autores tradicionales, vinculados a sellos reconocidos. Desde Cegal sospechan que justamente el boom de la autoedición explique en parte por qué tantos libros no venden nada. Pero Redel aplaude también a compañeros de otros sellos: Libros del Asteroide, Acantilado, Sexto Piso, Galaxia Gutenberg, Errata Naturae o Nórdica. Javier Cámara afirma: “Si solo me dejo llevar por la corriente, me convierto en un librero de grandes sellos. Hay que hacer una tarea de independencia”. Y Pilar Asuero agrega: “Como lectores debemos creernos el peso que tenemos en la cadena del libro: sin nosotros, se desmorona. Así que elijamos bien a quién le damos nuestro dinero”. Entre tantísimas opciones, debe de haber una perfecta para cada lector. Se trata de encontrarla."

Comprometimento de renda com divida

 *COMPROMETIMENTO DA RENDA ACIMA DE 70% E JUROS ALTOS LEVAM CALOTE DOS BRASILEIROS A NÍVEL RECORDE*


Por Marcia de Chiara, do Estadão


 São Paulo, 19/04/2026 - Nunca houve tantos brasileiros inadimplentes nem dívidas em patamares tão elevados como agora no País. Pior: o ritmo de crescimento dos débitos já supera a inflação acumulada nos últimos dez anos.


 O que chama a atenção é que esse aperto no bolso do consumidor ocorre mesmo com a taxa de desemprego na mínima histórica, a renda real dos trabalhadores batendo recorde de alta e a economia crescendo.


 Reduzir a inadimplência que afeta hoje 81,7 milhões de brasileiros, com dívidas não pagas que somavam R$ 539 bilhões em fevereiro deste ano, segundo a datatech Serasa Experian, virou foco de preocupação do governo, sobretudo em ano eleitoral.


 Mas o que explica essa aparente contradição entre o bom desempenho da macroeconomia e a dificuldade nas finanças pessoais? O pano de fundo, segundo economistas especializados em crédito ouvidos pelo Estadão, é a elevada taxa de juros.


 A Selic ficou por muito tempo estacionada em 15% ao ano, o maior nível em duas décadas. Em 18 de março, o juro básico teve um ligeiro recuo para 14,75%.


 Além dos juros elevados, o alto comprometimento da renda dos brasileiros é apontado por especialistas como um fator que turbinou a inadimplência.


 Em meados do ano passado, por exemplo, cada brasileiro estava, em média, com 70,5% da sua renda comprometida com pagamento de dívidas assumidas e com contas básicas do dia a dia, como água, luz, telefone e aluguel, revela pesquisa da datatech.


 Por faixa de renda, o cenário é ainda pior. Quem ganha um salário mínimo por mês (R$ 1.621) tinha 90% da renda comprometida com dívidas e com contas básicas. E quem recebe dois salários mínimos (R$ 3.242), 80%. De acordo com a datatech, 78% dos inadimplentes têm renda de até dois salários mínimos.


“Isso mostra o quanto o brasileiro está supercomprometido e nos ajuda a entender por que estamos no nível recorde de inadimplência no Brasil, mesmo com o mercado de trabalho superaquecido”, afirma a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack.


 O dado sobre comprometimento de renda da Serasa supera de longe o do Banco Central (BC), que não inclui contas básicas. O comprometimento de renda com dívidas, segundo o BC, alcançou 29,3% em janeiro deste ano, maior patamar da série iniciada em 2005, incluindo o financiamento imobiliário. Quando é excluído o crédito para compra da casa própria, o comprometimento da renda recua para 27,1%.


 Luiz Rabi, economista-chefe da Enótita Investimentos, escritório de investimentos da XP, observa que o comprometimento da renda, sem considerar os financiamentos imobiliários, é elevado e cresceu cerca de três pontos porcentuais do final de 2023 até janeiro deste ano, segundo dados do BC.


 Mesmo com a renda aumentando, diz o economista, o serviço da dívida, que é composto pela amortização e os juros, cresceu mais. Por isso, o endividamento está pesando mais no orçamento. “É isso que gera inadimplência: as pessoas acabam comprometendo demais a sua vida com as dívidas, às vezes não por culpa delas, mas por culpa de algo externo, que foi o aumento dos juros.”


Silvanete Almeida Cavalcanti, de 44 anos, pedagoga, mãe de um casal de filhos, por exemplo, sentiu no bolso o efeito bola de neve dos juros altos. Dez anos atrás, ela gastou R$ 300 no cartão de crédito com compras. Na época, perdeu o emprego e não conseguiu pagar a fatura.


 Resultado: a pendência no cartão de crédito estava no mês passado em R$ 10 mil. Por causa dos juros, a dívida começou a crescer de uma forma que ela não conseguiu dar conta.


“Quem paga aluguel, tem filho, tem despesas pessoais, não vai tirar um dinheiro que é usado para cuidar da família para pagar isso aí (a dívida em atraso) que está num valor alto”, diz a pedagoga.


 No mês passado, Silvanete, que toca um negócio próprio vendendo ervas e temperos e tira cerca de R$ 3 mil por mês, conseguiu sair da inadimplência.


 Num feirão de renegociação, obteve um desconto de 99% na pendência. A dívida de R$ 10 mil foi liquidada R$ 157 à vista. Outras dívidas não pagas de compras no varejo e contas de energia elétrica, que somavam R$ 1,8 mil, foram renegociadas com um pequeno abatimento e parceladas em quatro vezes.


 A partir de agora, ela não pretende usar mais cartão de crédito e seguir a vida com mais cautela, sem se endividar. “Conseguir crédito é fácil, difícil é pagar.”


*Oferta de crédito*


 Camila lembra que houve uma grande oferta de crédito nos últimos tempos por causa do avanço da bancarização da população, com novas instituições financeiras, como fintechs e bancos digitais, entrando no mercado.


 Entre 2016 e 2026, por exemplo, a fatia dos bancos e financeiras na inadimplência foi a que mais cresceu, com alta de 14,4 pontos porcentuais. Em 2016, a participação era de 32,7% e subiu para 47,1% em fevereiro deste ano, segundo a Serasa. Isso deixou os tomadores de crédito mais sujeitos à alta dos juros.


 Também a participação das contas básicas na inadimplência aumentou no mesmo período, porém com menor intensidade comparada à dos bancos e financeiras. A fatia das contas básicas na inadimplência estava em 13,9% em 2016 e subiu para 21,4% este ano, uma diferença de 7,5 pontos porcentuais .


*Perspectiva*


 Depois do boom da oferta de crédito ao consumidor com recursos livres, o ritmo das concessões está desacelerando. No acumulado em 12 meses até janeiro de 2025, a aprovação de novos empréstimos avançava 15,2%, mas em janeiro deste ano, cresceu 9,1% na mesma base de comparação, segundo dados do BC.


“As instituições financeiras estão desacelerando o ritmo de concessão, principalmente nas modalidades de juros mais baratos”, observa Camila.


 Isso significa que o brasileiro está se endividando nas linhas de financiamento mais caras, como o crédito rotativo do cartão e o cheque especial, por exemplo. Por isso, a perspectiva é de que tão cedo não ocorra queda na inadimplência, prevê a economista.


 Em março, 80,4% das famílias tinham dívidas em atraso, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Fabio Bentes, economista-chefe da entidade, diz que essa marca recorde já seria preocupante por conta dos juros elevados.


 No entanto, o economista acrescenta outro fator recente que agrava esse cenário e pode turbinar a inadimplência: a alta da inflação, puxada pelo combustível em razão da guerra no Oriente Médio.


 O último Boletim Focus do BC mostra que a inflação esperada pelo mercado para este ano é de 4,7%. Com isso, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a medida oficial de inflação, voltou a ficar acima do teto da meta de 4,5%.


 Se a perspectiva de alta da inflação se confirmar nos próximos meses, o BC deve reduzir o ritmo de corte nos juros. Bentes diz que, antes da guerra, tudo levava a crer que haveria uma trajetória de declínio da inadimplência ao longo de 2026 por conta da queda da taxa básica de juros.


“O que a gente não esperava é que o choque promovido pela guerra no Oriente Médio e, consequentemente, sobre o petróleo e a inflação aqui no Brasil, fosse se dar poucos meses depois como se deu.” Por isso, diz o economista da CNC, nada garante que essa tendência de arrefecimento da inadimplência se confirme daqui pra frente.


*Desenrola 2*


 O governo está prestes a iniciar um novo programa de renegociação de dívidas, batizado informalmente de Desenrola 2, para reduzir a inadimplência.


 Economistas acreditam que o efeito do novo programa será efêmero, como ocorreu no Desenrola 1, em 2023, se não for atacada a raiz do problema da inadimplência elevada, que é o juro alto.


“O Desenrola 1 favoreceu os bancos”, diz Rabi. Como cada inadimplente tem, em média, quatro dívidas, as primeiras pendências renegociadas no Desenrola 1 foram com o sistema financeiro.


 Isso porque o inadimplente tenta recuperar primeiro o crédito bancário, como o cartão de crédito e o cheque especial, por exemplo, para ter margem de manobra, a fim de pagar outras dívidas, como as contas de telefonia, de varejo, por exemplo, nas quais as penalidades por causa do calote são menores. “Se uma pessoa não paga o banco, ela perde o cheque especial, o cartão de crédito e o transtorno é maior.”


O Desenrola 1, segundo Rabi, não teve fôlego muito grande para diminuir a inadimplência de forma geral. O programa reduziu o calote junto aos bancos. Passados alguns meses, a inadimplência voltou a subir. Isso porque o ponto central não foi atacado: a redução da taxa básica de juros.


“Desenrola funcionou como uma limpeza pontual de carteira, sem alterar os determinantes estruturais do endividamento, como o nível de juros, o comprometimento de renda, o acesso ao crédito rotativo de alto custo”, escreveu o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, no último relatório da consultoria sobre a conjuntura.


 Um estudo realizado por Vale mostra que o programa de renegociação de dívidas “produziu uma redução estatisticamente significativa e economicamente relevante na inadimplência das famílias de baixa renda, da ordem de 2 a 3,5 pontos porcentuais nas linhas de crédito sem garantia”.


Segundo o economista da MB, o efeito na redução da inadimplência foi temporário e acabou 18 meses após o lançamento do programa. “A inadimplência retornou, em muitos casos, superando os níveis pré-programa.”


Se seguir os moldes do Desenrola 1, o novo programa do governo para renegociação de dívidas deve aliviar a situação da inadimplência no curtíssimo prazo, diz Bentes da CNC. Mas não irá atacar, na sua opinião, o ponto central que não é o desequilíbrio no orçamento das famílias, mas sim o desequilíbrio no orçamento do governo. “A taxa de juros está lá em cima porque o governo ainda não conseguiu convencer os agentes sobre a sustentabilidade das contas públicas.”

Leitura de domingo

 *Leitura de Domingo: brasileiro ainda prefere agência física em atividades bancárias complexas*


Por André Marinho


São Paulo, 15/04/2026 -  O brasileiro se mostra aberto a experimentar tecnologias emergentes como a inteligência artificial na gestão de serviços financeiros. Mas na hora de abrir uma nova conta ou receber aconselhamento sobre investimentos, ainda prefere deixar o celular de lado e resolver questões mais complexas na agência física do banco. O comportamento foi captado na edição de 2026 da pesquisa sobre tendências bancárias da Accenture, obtida com exclusividade pela Coluna.


O levantamento consultou 10 mil clientes em 10 mercados globais. No Brasil, onde foram ouvidos mil pessoas, 86% dos participantes disseram que usariam um assistente de IA que respondesse a perguntes e até agisse em nome do usuário (por exemplo, para transferir dinheiro parado). Mais do que isso: quase a metade (47%) dos interessados considerariam até mudar de banco se o serviço não estivesse disponível em sua instituição principal.


Segundo a sondagem, 73% dos indivíduos usariam uma ferramenta de IA para ajudar em tarefas não bancárias, como compra de mantimentos, eletrônicos ou passagens aéreas. Uma parcela similar (75%) também está aberta a um assistente financeiro GPT em plataformas para além das bancárias, o que levanta riscos de desintermediação.


Apesar disso, as agências continuam como o canal preferencial para a realização de atividades complexas. De acordo com a pesquisa, 74% dos clientes brasileiros gostam da ideia de ter um banco físico como um "orquestrador de vida", ou seja, um hub para gerenciar eventos de vida inteira, como a compra de uma casa ou planejamento familiar, em vez de apenas transações financeiras individuais. Ao mesmo tempo, 89% afirmaram que usariam micro agências ou "cabines inteligentes" (quiosques automatizados de pequena dimensão).


Para o líder da área de serviços financeiros da Accenture, Maurício Barbosa, a dinâmica mostra uma mudança significativa na indústria bancária, em que os consumidores têm demanda por melhor atendimento, reconhecimento, recompensa e proteção. "É um momento que pode mudar de forma estrutural a indústria e a relação entre clientes e instituições financeiras. Um momento de reinvenção dos serviços financeiros", ressaltou.


A pesquisa conclui que os bancos devem integrar-se a GPTs e plataformas de mensagens, mantendo a marca visível, além de incorporar assistentes de IA em interfaces móveis e web com proteções claras. Por outro lado, as instituições financeiras não podem "negiglenciar" as agências e devem criar centros que projetem segurança e solidez.


Contato: andre.marinho@estadao.com


Broadcast+

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +1,2% US tech +1,3% US semis +2,4% UEM +2,3% Espanha +2,2% VIX 17,5% Bund 2,96% T-Note 4,27% Spread 2A-10A USA=+54pb B10A: ESP 3,38% PT 3,32% FRA 3,57% ITA 3,68% Euribor 12m 2,68% (fut.2,69%) USD 1,175 JPY 186,8 Ouro 4.793$ Brent 95,5$ WTI 89,1$ Bitcoin -1,6% (74.200$) Ether -1,9% (2.268$)


SESSÃO: Ásia sobe (Japão +0,8%, China +0,6%, Coreia +1,0%...) ignorando o ataque americano a um navio iraniano que transitava por Ormuz. A tensão no Estreito aumenta, que volta a ser bloqueado após uma reabertura fugaz por parte dos iranianos e, com isso, o petróleo avança (Brent +5,5% até 95,5 $) e os futuros antecipam uma sessão de quedas na Europa e nos EUA. É a evolução lógica após as subidas de sexta-feira e à espera de que as negociações em Islamabade retomem. Mas também é razoável esperar uma melhoria do tom ao longo da semana e, no mínimo, uma extensão do cessar-fogo que termine esta quarta-feira.


No plano convencional, a temporada de resultados continuará nos EUA, com destaque para Lam Research, Intuitive Surgical ou Tesla, e ganhará inércia na Europa com L’Oreal, BESI ou SAP. Estima-se um crescimento de EPS de +14% nos EUA e +3% na Europa, embora o realmente importante seja analisar as guias das empresas, para ver se antecipam algum impacto derivado da guerra.


Na macro, os indicadores adiantados (IFO e ZEW alemães) ganharão tração enquanto os intermédios (PMIs) continuarão em terreno de expansão. A expetativa de que o final da guerra possa estar próximo contribui, sem dúvida, para esta evolução. Também servirão de catalisador os dados de IPC de março no Reino Unido (+3,3% estimado desde +3,0%) e Japão (+1,4% desde +1,3%) porque, se cumprirem as expetativas, o seu aumento será testemunhal. 


CONCLUSÃO: Estamos num processo de normalização no Irão, que será instável e irregular, mas parece razoável assumir que o pior já passou. Neste contexto, uma macro construtiva e um crescimento de lucros saudável apoiarão umas bolsas que provavelmente evoluem de menos a mais durante a semana. Começarão penalizadas pelo novo encerramento do Estreito de Ormuz, mas poderão melhorar com o reinício das negociações e a extensão do cessar-fogo.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal  NY -0,2% US tech -0,2% US semis +0,5% UEM -1,2% Espanha -1,2% VIX 18,9% Bund 2,98% T-Note 4,25% Spread 2A-10A U...