segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Lula e Toffoli

 *Lula se irrita com Toffoli e com PF no caso Master*


Na semana passada, Toffoli abriu mão da relatoria do processo após no STF


(Atualizado em 15/02/2026 - 11h01)


O presidente Lula (PT) ficou irritado com a atuação da PF (Polícia Federal) e do ministro do STF Dias Toffoli no caso envolvendo o Banco Master, liquidado em 2025 pelo Banco Central.


Conforme apurou o R7 Planalto, o petista não gostou de a PF ter iniciado uma investigação sobre o ministro sem autorização da PGR ou do STF.


Na semana passada, a instituição entregou um relatório ao presidente da Corte, Edson Fachin, que detalha um suposto envolvimento do ministro com investigados no caso Master.


*Já com relação a Toffoli, o presidente não gostou da atuação do ministro no processo. O petista considera que o magistrado poderia ter se afastado do caso, evitando todo mau estar e “suspeição” sobre si.*


Na semana passada, Toffoli abriu mão da relatoria do processo após reunião com os ministros da Corte. O caso foi redistribuído para o ministro André Mendonça


https://noticias.r7.com/prisma/r7-planalto/lula-se-irrita-com-toffoli-e-com-pf-no-caso-master-15022026/#

Agenda de carnaval

 *CALENDÁRIO DE FUNCIONAMENTO: FERIADOS E MERCADOS GLOBAIS*



​• *Brasil (B3)*: Devido ao feriado de Carnaval, a bolsa brasileira permanecerá fechada na segunda (16) e na terça-feira (17). As atividades serão retomadas na quarta-feira de cinzas (18), com abertura do pregão a partir das 13h00.


​• *EUA – Mercado à Vista (Ações)*: Na segunda-feira (16), a NYSE e a Nasdaq estarão fechadas o dia todo em celebração ao Presidents' Day. O funcionamento normal das bolsas de Nova York retorna na terça-feira (17), das 11h30 às 18h00.


​• *EUA – Mercados Futuros (CME/Globex)*: Na segunda-feira (16), os futuros de índices e juros operam em regime de plantão. As negociações param exatamente às 15h00 e permanecem suspensas durante a tarde, com a reabertura agendada para as 20h00 (horário de Brasília).


​• *Europa (Londres, Frankfurt, Paris)*: As principais praças europeias operam em horário normal durante toda a semana, sem feriados previstos. O pregão ocorre das 05h00 às 13h30 (horário de Brasília), sendo a única referência de liquidez ocidental na manhã de segunda-feira.


​• *China (Xangai e Shenzhen)*: Os mercados chineses estarão fechados durante toda a semana (de 16 a 23 de fevereiro) devido às celebrações do Ano Novo Lunar. O feriado impacta diretamente o volume de negociação de commodities metálicas, como o minério de ferro.



​📚 NEWS + SUMMARY: *DINÂMICA DE LIQUIDEZ E FERIADOS*



*Diferenciação de Ativos*: É fundamental que o investidor separe o mercado de ações do mercado futuro nos EUA. Enquanto as ações não negociam na segunda-feira, os futuros permitem o posicionamento até as 15h00, servindo como o único termômetro de sentimento global antes da reabertura noturna às 20h00.


*​Vácuo Operacional e Ásia*: A paralisação total na China durante a semana do Festival da Primavera remove um importante motor de liquidez do mercado global. Com a China e o Brasil parados simultaneamente na segunda e terça-feira, o volume de negócios em ativos ligados a emergentes deve sofrer uma retração severa, exigindo cautela extra.


*​Retomada de Fluxo*: A normalização completa do fluxo global só é esperada para a quarta-feira, quando a B3 retoma as operações à tarde e os futuros americanos já operam em ritmo de pré-abertura total. O foco do investidor deve se voltar para como os mercados europeus absorveram as notícias do final de semana enquanto o restante do mundo estava em pausa


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Investigações do Master

 *Receita rastreia nomes de 100 familiares e ministros do STF para verificar se houve vazamento*


A pedido de Alexandre de Moraes, órgão checa pais, filhos, irmãos e cônjuges dos 11 ministros da Corte OUTRO LADO: Receita diz que processo está sob sigilo de justiça e que só STF pode autorizar divulgação


15.fev.2026 às 18h16


A Receita Federal faz um rastreamento nos seus sistemas para verificar se houve quebra de sigilo de dados de cerca de 100 pessoas, entre ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e seus familiares.


A lista inclui pais, filhos, irmãos e cônjuges dos 10 ministros da corte. O pedido de análise das informações foi feito pelo ministro Alexandre de Moraes.


Para finalizar o processo, os auditores da Receita terão que fazer cerca de 8.000 procedimentos de checagem de quebra de sigilo, o que leva tempo, segundo pessoas a par do tema ouvidas pela Folha na condição de anonimato.


O trabalho do Fisco federal envolve dados de 80 sistemas. Os relatórios que ficam prontos já estão sendo remetidos diretamente a Moraes.


O procedimento da Receita se encaixa no contexto da crise institucional entre os Poderes e órgãos públicos provocada pela quebra e liquidação do Master.


O escândalo financeiro do banco de Daniel Vorcaro gerou uma avalanche de desconfianças de todos os lados e suspeitas de vazamentos de informações protegidas por sigilo bancário e fiscal.


Uma guerra foi travada entre o STF e a Polícia Federal, acusada pelos integrantes do Supremo de ter investigado ministros da corte sem amparo da lei. Por outro lado, investigadores do caso consideram que decisões tomadas por Toffoli na relatoria do caso atrapalharam as investigações.


A Polícia Federal não participa dessa busca de possível vazamento, ao menos no momento.


A solicitação de Moraes foi feita, segundo pessoas que acompanham as investigações, no âmbito do inquérito das fake news, aberto em 2019 e que investigou ataques de bolsonaristas aos integrantes do Supremo.


Como mostrou a Folha, ministros do tribunal avaliam uma investigação sobre as condutas da PF e da Receita em uma apuração na corte, segundo três pessoas com conhecimento das discussões.


Como a PF e a Receita estão sob o comando de nomes de confiança do governo, os magistrados estenderam a responsabilidade ao Planalto.


Moraes pediu as informações em janeiro, após a divulgação de informações mostrando ligações entre familiares dele e do colega Dias Toffoli com o Master.


O banco é supeito de estar envolvido numa série de fraudes investigadas pela PF em Brasília, São Paulo e outros estados.


A crise aumentou, na semana passada, depois que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou um relatório de cerca de 200 páginas ao presidente do STF, Edson Fachin, com trocas de mensagens entre Daniel Vorcaro, dono do Master, e seu cunhado, Fabiano Zettel, em que ambos discutem pagamentos para a empresa Maridt, que tem o ministro entre seus sócios.


O ministro Dias Toffoli confirmou, em nota, que "faz parte do quadro societário" da empresa Maridt, que foi uma das donas do resort Tayayá, no Paraná, mas negou que tenha recebido dinheiro de Vorcaro.


Toffoli era o relator do processo no STF, mas deixou a posição, na semana passada, sob pressão, numa reunião fechada com todos os membros da corte. As conversas dos ministros na reunião também estão sob suspeita de terem sido gravadas por Toffoli e repassadas para o site Poder 360, agravando o alcance do escândalo.


Toffoli sofreu uma pressão crescente para se afastar do caso Master, principalmente depois que a Folha revelou conexões entre o ministro, o resort Tayayá e o banco de Daniel Vorcaro.


A abertura de uma apuração foi vista na época como um medida de autoproteção dos magistrados, após a divulgação de informações sobre a ligação de Toffoli com o Tayayá e a reportagem do jornal O Globo que revelou a contratação do escritório da esposa de Moraes pelo Banco Master, por R$ 3,6 milhões mensais.


Na solicitação feita ao Fisco, Moraes não deu nomes, mas incluiu na lista todos os magistrados do STF e as pessoas com os graus de parentesco a serem pesquisadas pela Receita Federal e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O pedido foi encaminhado há cerca de três semanas.


Procurada, a Receita enviou a seguinte nota: "Esse processo está sob sigilo de justiça, só cabe ao STF qualquer autorização de divulgação. A Receita recebe diversas demandas judiciais de informação, não se manifestando sobre elas por conta de sigilo tributário e, muitas vezes, também judicial, como é o caso".


O gabinete de Moraes também foi procurado, por meio da assessoria do Supremo, mas não se manifestou.



https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/02/receita-rastreia-nomes-de-100-familiares-e-ministros-do-stf-para-verificar-se-houve-vazamento.shtml

Negociação no mercado

 *Blue3 compra Squad Capital e avança para R$ 12 bi sob assessoria em São Paulo*


Por Bruna Camargo


São Paulo, 13/02/2026 - A Blue3 Investimentos, escritório com sede em Ribeirão Preto (SP) e cerca de R$ 45 bilhões sob assessoria, adquiriu a paulistana Squad Capital. O negócio trouxe 35 profissionais, quatro mil clientes e R$ 2,5 bilhões para a carteira da Blue3, e levou a empresa a alcançar R$ 12 bilhões em São Paulo, a maior unidade do grupo.


"São Paulo é a unidade mais relevante e vai continuar sendo, pois sabemos que é o coração do mercado financeiro na América Latina. Não tem como não dar uma atenção mais que especial para a cidade", afirmou Wagner Vieira, sócio-fundador e presidente executivo (CEO) da Blue3, em entrevista à Broadcast.


Segundo Vieira, a Blue3 começou a investida em São Paulo em 2022, quando o executivo abriu a primeira unidade na capital paulista, e vem galgando espaço desde então. Mas foi após a aquisição da CMS Invest que a empresa acelerou no encontro a outras oportunidades. "O Charles [M. Susskind, sócio-fundador da CMS] abriu os olhos de outras operações. E quando eles conhecem nosso ecossistema e tudo que entregamos para facilitar a vida do assessor e para melhorar a experiência do cliente, é difícil não fechar negócio", diz Vieira.


Em movimento de expansão nos últimos anos, as aquisições mais recentes da Blue3 incluem a Únimo Investimentos e a M Capital. Vieira conta que, por enquanto, não há outras aquisições no pipeline, com o foco voltado para contratações, especialmente em São Paulo.


A meta da Blue3 é alcançar R$ 100 bilhões sob assessoria nos próximos três anos.


Contato: bruna.camargo@estadao.com



Broadcast+

Uma reforma urgente

 *Artigo/Henrique Meirelles: reajustes, penduricalhos e uma reforma administrativa urgente* 


Quando terminar o carnaval, uma das inúmeras questões a serem resolvidas pelo presidente Lula será sancionar, não sancionar ou vetar o projeto que concede reajuste salarial aos servidores do Congresso e cria verbas indenizatórias que podem levar a pagamentos acima do teto constitucional, resultando nos chamados supersalários. Independente do mérito dos servidores, a medida vai contra o que o País precisa: uma reforma administrativa para reduzir - não aumentar - o custo da máquina pública.


Estimativas conservadoras dizem que o reajuste custará R$ 790 milhões a mais por ano. No ano passado, o governo gastou R$ 398 bilhões com funcionários públicos, 3% a mais que no ano anterior. Se incluirmos nessa conta sentenças judiciais e precatórios de pessoal mais encargos foram R$ 408 bilhões, 4,3% maior que em 2024.


Quando instituímos o teto de gastos em 2016, as despesas do governo passaram a ser corrigidas apenas pela inflação. As despesas com pessoal tiveram um freio - inclusive as do Legislativo, Judiciário e órgãos que têm autonomia orçamentária.


Uma das mudanças com a troca do teto de gastos pelo arcabouço fiscal, em 2023, é que esses Poderes e órgãos podem ter aumento real de 2,5% ao ano em suas despesas - que são, em sua maioria, com funcionários.


Uma das coisas que aprendi em mais de 20 anos de vida pública é que, se há espaço para gastar, surgirão demandas justificadas e o dinheiro público será gasto. O gasto é inercial, a economia requer um esforço tremendo. Por isso, são necessárias muita energia e regras simples e claras para evitar o aumento das despesas.


Na semana passada, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, expediu uma liminar que suspende os pagamentos dos chamados penduricalhos - pagamentos feitos além dos salários, que superam o teto - nos Três Poderes. Exigiu também que o Congresso trate do assunto. É um avanço, mas é preciso mais.


A melhor forma de tratar disso é por meio da reforma administrativa. O quadro atual da máquina pública é confuso, com um número excessivo de carreiras, diferentes regras e possibilidades de verbas extras com os mais diversos nomes e justificativas. É urgente uma uniformização e regras claras para todos.


O projeto de reforma administrativa do deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) que está na Câmara tem 70 propostas. Uma delas elimina as verbas extras para pagamentos que superam o teto salarial que está na Constituição. Outra proposta limita o número de cargos comissionados. A reforma administrativa é urgente.


*Henrique Meirelles é ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda. Artigo publicado na sessão de Opinião do Estadão.


Broadcast+

Investimentos na Fictor

 *De R$ 10 mil a R$ 3 milhões: quanto investidores aportaram na Fictor*


Documentação da recuperação judicial revela que a Fictor alcançou investidores de diferentes perfis. Todos agora aguardam ressarcimento


O acordo, de R$ 30 milhões por temporada, tem duração de três anos, prorrogáveis para quatro

O processo de recuperação judicial da Fictor já soma mais de nove mil páginas. A maioria delas são pedidos de investidores para que sejam incluídos na lista de possíveis ressarcimentos. A documentação revela que a Fictor alcançou pessoas de diferentes níveis sociais. O valor dos aportes variam de R$ 10 mil a R$ 3 milhões. Todos, agora, tentam reaver o dinheiro aplicado.


Os contratos assassinados com a Fictor, e anexados aos processos, também revelam que os valores dos rendimentos variavam muito. Há aplicações cujos contratos previam retornos de 2% ao mês, enquanto em média a outros o índice era de 1,16% no mesmo período.


Nos documentos há, ainda, relatos de pessoas que conheceram a Fictor por indicação de amigos e parentes. Mas boa parte dos processos fala de consultores que ofereciam os serviços da Fictor de forma insistente e garantindo segurança na transação.


Como mostrou a coluna, as Sociedades em Conta de Participação, conhecidas pela sigla SCPs, eram o carro-chefe da Fictor. Praticamente todos os investidores que acionaram a Justiça assinaram contratos dentro do modelo.


A SCP permite que investidores aportem capital em um projeto sem se expor, enquanto um sócio ostensivo – a Fictor, no caso – conduz o negócio, dividindo lucros sem chamar a atenção da Receita Federal e da Comissão de Valores Imobiliários (CVM).


A condição de sócio, no entanto, tem sido utilizada pela Fictor para negar uma relação de consumo dos investidores com o grupo, o que pode dificultar — e muito — o ressarcimento de quem aportou dinheiro na Fictor.


Em petição apresentada ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), a Fictor afirmou que a relação dos investidores com o grupo era de sociedade e não de credor e devedor. A interpretação é importante porque, se considerados como sócios da Fictor no processo de recuperação judicial, os investidores vão, na melhor das hipóteses, para o fim da lista de possíveis pagamentos.


“Ora, era formada uma relação contratual por meio de Sociedades em Conta de Participação, onde os sócios participantes contribuíam com aportes de capital social para o desenvolvimento da atividade de comercialização de grãos em que o sócio ostensivo – Fictor Invest – contribuía com os seus serviços gerenciais e o resultado, por sua vez, era partilhado entre as partes na forma de dividendos”, argumentam os advogados advogados da Fictor.


No documento, a Fictor afirma, ainda, que “a relação societária é clara”. “Não há que se falar em ignorância ou desconhecimento da relação contratual vivenciada pelas partes, não se trata de termo de adesão, mas de um contrato de sociedade e que, por sua vez, comportava aportes expressivos.”


A coluna também mostrou que, logo após apresentar à Justiça pedido de recuperação judicial, a Fictor enviou aos investidores um comunicado no qual avisa sobre o distrato do contrato firmado entre a empresa e quem aportou dinheiro no grupo na expectativa de receber rendimentos.


“Por meio do presente, Fictor Invest, na qualidade de sócia ostensiva, vem, formalmente, comunicar a decisão de promover o distrato da Sociedade em Conta de Participação”, diz o texto enviado aos investidores dia 1ª de fevereiro.


No comunicado, a Fictor recorre a uma linguagem empolada e formal ao anunciar a medida aos investidores sem dar qualquer pista sobre a devolução dos valores aplicados. Após anunciar o distrato, o texto lista os motivos que teriam levado a Fictor à recuperação judicial.


“A deliberação decorre do atual cenário enfrentado pelo Grupo Fictor, impactado pelos acontecimentos amplamente divulgados na mídia relacionados à tentativa de aquisição do controle acionário do Banco Master S.A. liderado pelo sócio fundador do grupo. O evento produziu efeitos colaterais relevantes sobre a confiança do mercado e sobre o ambiente reputacional da Fictor, os quais, de maneira reflexiva e inevitável, acabaram por alcançar as Sociedades em Conta de Participação poe ea estruturadas, ainda que tais SCPs não estejam diretamente envolvidas nos fatos que deram origem às referidas notícias”, diz o comunicado.


Em seguida, a Fictor trata os investidores como sócios. “Diante desse contexto, visando preservar o direito e manter equanimidade no tratamento entre os sócios,a sócia ostensiva [Fictor] por entender que a formalização do distrato das SCPs representa a medida mais adequada para preservar a segurança jurídica, os interesses dos sócios participantes e a escorreita prestação de contas, informa desde já a rescisão unilateral por parte da Fictor Invest.”


O texto termina sem dar indicações concretas sobre o destino do dinheiro aportado por investidores da Fictor. “O distrato é válido desde a presente data (1/2), e o seu instrumento será devidamente encaminhado com detalhamento das condições aplicáveis, incluindo, quando pertinente, a forma de encerramento das atividades, eventuais ajustes patrimoniais , quitações, renúncias e demais disposições necessárias.”


https://www.metropoles.com/colunas/dinheiro-e-negocios/de-r-10-mil-a-r-3-milhoes-quanto-investidores-aportaram-na-fictor

Enrolados da Fictor

 *Caso de indústria falida de Alphaville pode arrastar Fictor à falência*


15/02/2026 05h30


*Uma série de ações trabalhistas abertas contra uma indústria de Alphaville pode provocar a falência da Fictor, a holding que pretendia comprar o Master e pediu recuperação judicial no dia 1º de fevereiro*.


Trata-se da Sun7, de Barueri (SP), que fez negócios com a Fictor em 2021: querendo investir na área de alimentos, onde dizia atuar, a holding aportou R$ 7 milhões na indústria gourmet que atendia restaurantes badalados. Era um tipo de empréstimo, chamado "contrato de mútuo".


A Sun7 não quitou a dívida. A Fictor então assumiu o controle do parque fabril e transferiu todos os ativos dela (inclusive a clientela) para a Dr. Foods, que integra a Fictor.


Segundo um memorando assinado entre as empresas em 2023, a Fictor assumiria as dívidas da Sun7, que acabou falindo, em 2024.


Foi nesse contexto que ações trabalhistas, que somam cerca de R$ 7,5 milhões, passaram a pedir para a Justiça reconhecer que diversos CNPJs da Fictor constituem um "grupo econômico" que tem "responsabilidade solidária" sobre as dívidas da Sun7, conta o advogado Lucio Mesquita.


*Integrariam o grupo, segundo as ações*:


Fictor Holding S.A. (CNPJ 08.637.270/0001-10);

Fictor Holding Financeira (CNPJ 48.223.215/0001-06);

Fictor Invest (CNPJ 12.536.691/0001-21);

Fictor AgroHolding (CNPJ 61.816.454/0001-20);

Fictor AgroIndustrial (CNPJ 61.833.951/0001-36);

Fictor Alimentos (CNPJ 55.084.579/0001-00);

Fictor Asset (CNPJ 35.713.661/0001-49);

Fictor Energia (CNPJ 55.064.127/0001-66);

Fictor Infraestrutura (CNPJ 61.725.429/0001-30);

Fictor Lab (CNPJ 46.018.759/0001-00);

Fictor Master (CNPJ 54.884.106/0001-24);

Fictor Pay (CNPJ 45.441.773/0001-41);

Fictor Real State (CNPJ 11.314.889/0001-06);

Fictor & WTT (CNPJ 51.151.729/0001-08);

Dr. Foods (CNPJ 28.169.798/0001-19);

Fredini (CNPJ 20.061.591/0001-14);

Vensa (CNPJ 30.539.900/0001-72).

Até agora, acórdãos no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) vêm concordando:


[...] A prova dos autos demonstra que a intervenção das empresas do Grupo Fictor na gestão da Sun7 excedeu largamente o papel de um investidor passivo, caracterizando efetiva comunhão de interesses e atuação conjunta, nos termos exigidos pelo art. 2º da CLT. [...] Portanto, o juízo de origem atuou corretamente ao reconhecer a formação do grupo econômico e a responsabilidade solidária [...]” Acórdão do TRT de 6 de fevereiro de 2026


Também há pedidos de "extensão dos efeitos da falência" da Sun7 à Fictor —entre eles, um pedido da própria Sun7.


Segundo advogados ouvidos pela reportagem, se o juiz do caso Sun7 assim decidir, a Fictor pode ser arrastada à falência junto.


Uma ironia do destino, visto que, segundo uma das ações trabalhistas, a Sun7 faliu por causa da Fictor.


Quando o Grupo Fictor [...] decidiu por simplesmente encerrar as operações da Sun7 (CNPJ falido) e transferir toda a clientela, parque fabril, know-how, estoque, ativos e direitos [...] para outra empresa de seu grupo econômico [Dr. Foods], o Grupo Fictor contribuiu decisivamente com a falência formal da Sun7” Ação aberta contra Sun7 e Fictor



*É uma história de golpe dentro de golpe*.


A Sun7 nasceu do Grupo Duo, fundado pela família Federico, em 2017. Era uma indústria de sorvetes, salgados e produtos congelados, considerados gourmet, destinados a clientes como restaurantes do chef Olivier Anquier e Paris 6.


Em 2019, o Duo estava se afundando em dívidas com bancos, fornecedores e funcionários. O administrador Osvaldo Federico Junior, diz a ação, "tirou da cartola" um CNPJ aberto em 2009, registrado como uma locadora de veículos, a Fred's.


Em 2020, a Fred's virou a Sun7, que assumiu operações, contratos e clientes do Duo, como se fosse um "rebranding" —para os advogados, foi uma fraude.


Depois de um tempo, cobranças contra o Duo também foram parar na porta da Sun7.


Outro "golpe de mestre" do Duo, diz a ação, seria abraçar a Fictor, tida como "salvação" à época ao injetar R$ 7 milhões no caixa da Sun7.


Acontece que, segundo a ação, após o acordo, sócios da Fictor passaram a frequentar as instalações da Sun7, fizeram reuniões junto a funcionários e passaram a pedir informações de performance de gerentes. Também incluíram no Instagram e no LinkedIn a Sun7 como empresa do Grupo Fictor.


Em 2023, elas assinaram um memorando que, na prática, possibilitou à Fictor assumir a Sun7. Com isso, cobranças contra a Sun7 foram parar na porta da Fictor.


Atualmente, muitas das ações trabalhistas estão paradas esperando decisões no TST (Tribunal Superior do Trabalho).


Já no TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) se espera a decisão que pode puxar a Fictor à bancarrota.


"Extensão dos efeitos da falência é uma situação excepcional, em que consequências da falência de uma empresa falida são estendidas a outras sociedades —e em que o patrimônio de terceiros é atingido para pagamento de dívidas da empresa falida", pondera o advogado Luis Carmona, líder do setor de recuperações judiciais no escritório Costa Tavares Paes Advogados.


"Essa medida, por ser excepcional e até extrema, não é automática, dependendo da prova de má gestão ou de gestão fraudulenta da empresa falida ou, ainda, de desvio de bens para outras sociedades", diz.


Reportagens especiais e exclusivas com o selo UOL Prime, o melhor do jornalismo do UOL


https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2026/02/15/sun7-caso-de-industria-de-alphaville-pode-arrastar-fictor-a-falencia.htm

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