segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Enrolados da Fictor

 *Caso de indústria falida de Alphaville pode arrastar Fictor à falência*


15/02/2026 05h30


*Uma série de ações trabalhistas abertas contra uma indústria de Alphaville pode provocar a falência da Fictor, a holding que pretendia comprar o Master e pediu recuperação judicial no dia 1º de fevereiro*.


Trata-se da Sun7, de Barueri (SP), que fez negócios com a Fictor em 2021: querendo investir na área de alimentos, onde dizia atuar, a holding aportou R$ 7 milhões na indústria gourmet que atendia restaurantes badalados. Era um tipo de empréstimo, chamado "contrato de mútuo".


A Sun7 não quitou a dívida. A Fictor então assumiu o controle do parque fabril e transferiu todos os ativos dela (inclusive a clientela) para a Dr. Foods, que integra a Fictor.


Segundo um memorando assinado entre as empresas em 2023, a Fictor assumiria as dívidas da Sun7, que acabou falindo, em 2024.


Foi nesse contexto que ações trabalhistas, que somam cerca de R$ 7,5 milhões, passaram a pedir para a Justiça reconhecer que diversos CNPJs da Fictor constituem um "grupo econômico" que tem "responsabilidade solidária" sobre as dívidas da Sun7, conta o advogado Lucio Mesquita.


*Integrariam o grupo, segundo as ações*:


Fictor Holding S.A. (CNPJ 08.637.270/0001-10);

Fictor Holding Financeira (CNPJ 48.223.215/0001-06);

Fictor Invest (CNPJ 12.536.691/0001-21);

Fictor AgroHolding (CNPJ 61.816.454/0001-20);

Fictor AgroIndustrial (CNPJ 61.833.951/0001-36);

Fictor Alimentos (CNPJ 55.084.579/0001-00);

Fictor Asset (CNPJ 35.713.661/0001-49);

Fictor Energia (CNPJ 55.064.127/0001-66);

Fictor Infraestrutura (CNPJ 61.725.429/0001-30);

Fictor Lab (CNPJ 46.018.759/0001-00);

Fictor Master (CNPJ 54.884.106/0001-24);

Fictor Pay (CNPJ 45.441.773/0001-41);

Fictor Real State (CNPJ 11.314.889/0001-06);

Fictor & WTT (CNPJ 51.151.729/0001-08);

Dr. Foods (CNPJ 28.169.798/0001-19);

Fredini (CNPJ 20.061.591/0001-14);

Vensa (CNPJ 30.539.900/0001-72).

Até agora, acórdãos no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) vêm concordando:


[...] A prova dos autos demonstra que a intervenção das empresas do Grupo Fictor na gestão da Sun7 excedeu largamente o papel de um investidor passivo, caracterizando efetiva comunhão de interesses e atuação conjunta, nos termos exigidos pelo art. 2º da CLT. [...] Portanto, o juízo de origem atuou corretamente ao reconhecer a formação do grupo econômico e a responsabilidade solidária [...]” Acórdão do TRT de 6 de fevereiro de 2026


Também há pedidos de "extensão dos efeitos da falência" da Sun7 à Fictor —entre eles, um pedido da própria Sun7.


Segundo advogados ouvidos pela reportagem, se o juiz do caso Sun7 assim decidir, a Fictor pode ser arrastada à falência junto.


Uma ironia do destino, visto que, segundo uma das ações trabalhistas, a Sun7 faliu por causa da Fictor.


Quando o Grupo Fictor [...] decidiu por simplesmente encerrar as operações da Sun7 (CNPJ falido) e transferir toda a clientela, parque fabril, know-how, estoque, ativos e direitos [...] para outra empresa de seu grupo econômico [Dr. Foods], o Grupo Fictor contribuiu decisivamente com a falência formal da Sun7” Ação aberta contra Sun7 e Fictor



*É uma história de golpe dentro de golpe*.


A Sun7 nasceu do Grupo Duo, fundado pela família Federico, em 2017. Era uma indústria de sorvetes, salgados e produtos congelados, considerados gourmet, destinados a clientes como restaurantes do chef Olivier Anquier e Paris 6.


Em 2019, o Duo estava se afundando em dívidas com bancos, fornecedores e funcionários. O administrador Osvaldo Federico Junior, diz a ação, "tirou da cartola" um CNPJ aberto em 2009, registrado como uma locadora de veículos, a Fred's.


Em 2020, a Fred's virou a Sun7, que assumiu operações, contratos e clientes do Duo, como se fosse um "rebranding" —para os advogados, foi uma fraude.


Depois de um tempo, cobranças contra o Duo também foram parar na porta da Sun7.


Outro "golpe de mestre" do Duo, diz a ação, seria abraçar a Fictor, tida como "salvação" à época ao injetar R$ 7 milhões no caixa da Sun7.


Acontece que, segundo a ação, após o acordo, sócios da Fictor passaram a frequentar as instalações da Sun7, fizeram reuniões junto a funcionários e passaram a pedir informações de performance de gerentes. Também incluíram no Instagram e no LinkedIn a Sun7 como empresa do Grupo Fictor.


Em 2023, elas assinaram um memorando que, na prática, possibilitou à Fictor assumir a Sun7. Com isso, cobranças contra a Sun7 foram parar na porta da Fictor.


Atualmente, muitas das ações trabalhistas estão paradas esperando decisões no TST (Tribunal Superior do Trabalho).


Já no TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) se espera a decisão que pode puxar a Fictor à bancarrota.


"Extensão dos efeitos da falência é uma situação excepcional, em que consequências da falência de uma empresa falida são estendidas a outras sociedades —e em que o patrimônio de terceiros é atingido para pagamento de dívidas da empresa falida", pondera o advogado Luis Carmona, líder do setor de recuperações judiciais no escritório Costa Tavares Paes Advogados.


"Essa medida, por ser excepcional e até extrema, não é automática, dependendo da prova de má gestão ou de gestão fraudulenta da empresa falida ou, ainda, de desvio de bens para outras sociedades", diz.


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https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2026/02/15/sun7-caso-de-industria-de-alphaville-pode-arrastar-fictor-a-falencia.htm

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