domingo, 6 de abril de 2025

Amilton Aquino

 Para cada problema complexo, existe uma solução simples… e estúpida, já dizia o jornalista norte-americano H. L. Mencken. E foi exatamente isso que Trump fez nesta semana. O mercado relutou em acreditar, até o último minuto, que algo tão estúpido realmente aconteceria. Mas aconteceu. As bolsas norte-americanas, obviamente, despencaram, arrastando consigo os mercados do mundo todo.


E qual foi a fórmula encontrada por Trump para justificar tais aumentos de tarifas? Simples: ele listou os países com maior superávit percentual com os EUA e aplicou categorias de taxação. As mais altas, como no caso do pobre Camboja, que sofreu uma tarifa de 49%, até as mais baixas, como a de 10% imposta ao Brasil — um dos poucos países com o qual os EUA ainda têm leve superávit comercial.


Genial! Os EUA adotando a fórmula brasileira de industrialização. A economia mais aberta do mundo, com um dos melhores índices de produtividade, imitando uma das mais fechadas, com produtividade estagnada há décadas. Quem diria!


O mundo está mesmo de pernas para o ar. De repente, os EUA — bastião do capitalismo mundial, acusados no passado pela nossa esquerda de querer impor a ALCA à América Latina, defensores do livre mercado e da globalização — seguem hoje na direção oposta. Enquanto isso, a “comunista” China recorre à OMC (organização criada e bancada pelos próprios EUA para promover o comércio global), reclamando do protecionismo norte-americano!


Como chegamos a este ponto?


Basicamente, os orientais aprenderam a criar riqueza como nunca, usando a própria fórmula do liberalismo: produzir mais barato para as massas, com mão de obra e matéria-prima acessíveis. Com os lucros advindos do ganho de escala, investiram em tecnologia e tornaram-se também produtores de inovação.


E o que Trump propõe? Justamente o contrário, atacando os dois pilares da competitividade asiática. Vejamos: ao aumentar as tarifas de importação, ele encarece a matéria-prima utilizada pela própria indústria para gerar produtos de maior valor agregado. E, ao deportar imigrantes, torna a mão de obra ainda mais cara. Ou seja, Trump está criando as condições para o pior dos mundos: a estagflação, a combinação de inflação com estagnação.


Mas voltemos aos asiáticos. Sim, os EUA têm motivos para se sentirem lesados por “financiar” o enriquecimento de seus principais concorrentes — algo que ocorre desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Começando pelo Japão, que recebeu pesados investimentos norte-americanos para contrabalançar a ascensão comunista da China. O Japão aproveitou bem o impulso e se tornou, nos anos 1980, a segunda maior economia do mundo — até que cedeu às pressões dos EUA para reduzir os desequilíbrios e estagnou.


Depois vieram os Tigres Asiáticos: Coreia do Sul, Cingapura, Taiwan e Hong Kong — este último, colônia britânica devolvida à China em 1997. Taiwan já está na fila.


Por fim, a China. Um colosso de 1,4 bilhão de habitantes, rica em recursos naturais e com uma cultura milenar, disciplinada e hierarquizada — ingredientes perfeitos para ascender como potência ao adotar a máquina capitalista de produção de riquezas. E, pasmem, também com ajuda americana!


Inicialmente, copiavam tudo o que o Ocidente produzia de melhor. A qualidade inferior era compensada por preços baixíssimos, resultado de fatores como fretes baratos, controle de câmbio e práticas de dumping.


Enquanto o Ocidente se burocratizava, multiplicando leis, regulações, direitos e restrições ambientais, os chineses nadavam de braçada, tomando mercados e estendendo seus tentáculos em todos os continentes.


Mas não é só a China que lucra com o desequilíbrio global. Há outros emergentes asiáticos, mas quatro grandes economias se destacam no modelo exportador de produtos de alto valor agregado: China, Coreia do Sul, Japão e Alemanha. Em contrapartida, quatro países anglo-saxões — EUA, Reino Unido, Canadá e Austrália — tornaram-se os principais destinos desses produtos, com parte de suas indústrias migrando para os concorrentes.


Como corrigir essas distorções? Eis a questão.


O primeiro passo é refletir sobre os gastos dos próprios EUA. De fato, os americanos não podem continuar se endividando infinitamente. O que fazer, então, para conter os gastos? Nesse ponto, o governo Trump acerta com o chamado DOGE — Departamento de Eficiência Governamental. Não dá mais para continuar bancando a polícia do mundo nem ser, de longe, o maior financiador de organismos internacionais e ONGs que, há décadas, agem contra os próprios interesses dos EUA.


Sim, os EUA têm razão em cobrar maior investimento dos europeus em defesa. Têm razão em criticar a burocracia e as barreiras alfandegárias europeias. No entanto, Trump joga no lixo décadas de esforço para construir uma ordem internacional que garantiu as décadas mais pacíficas e prósperas da história da humanidade. E, de quebra, empurra antigos aliados para os braços da China, ao tratá-los como inimigos da noite para o dia.


Todo mundo sabe que o principal rival é a China. Então, por que taxar todos ao mesmo tempo? Por que comprar briga com todos?


Certamente Trump tenta seguir o conselho de Maquiavel: fazer o bem aos poucos e o mal de uma só vez. Politicamente, até faz sentido. Mas, economicamente, ele está quebrando as cadeias comerciais globais, gerando um nível de incerteza que pode levar o mundo à recessão.


O caminho mais inteligente seria estreitar os laços com aliados históricos, reduzir as disparidades tarifárias e unir forças contra a China — a maior beneficiária da ordem liberal criada pelos EUA e, hoje, uma de suas principais sabotoras, ao lado de Rússia, Irã e Coreia do Norte.


E por falar na Rússia, eis que Trump a isenta do tarifaço. É muito xadrez 4D.


Em meio a toda essa confusão, o Brasil sai bem na foto. Além de receber a menor tarifa, pode até ganhar espaço no mercado global de commodities com as retaliações às exportações norte-americanas. Mas isso nem é o mais importante. O enfraquecimento da economia dos EUA pode antecipar a queda dos juros. Não por acaso, os mercados futuros no Brasil recuaram, reduzindo a pressão sobre o Banco Central para elevar a Selic para os 15% que já estavam precificados. De quebra, provocou uma queda expressiva no preço do petróleo. Um presentão de Trump para Lula!


Enfim, em pouco mais de dois meses, Trump não só feriu de morte a OTAN como desmontou a ordem mundial construída por décadas com base no soft power norte-americano — e está prestes a jogar o mundo em recessão. A esquerda anti-capitalista, anti-globalização e anti-livre mercado deve estar comemorando, de mãos dadas com os reacionários trumpistas que sonham com o retorno à era colonial, a era dos fortões.

sábado, 5 de abril de 2025

Resumo

 📊 Resumo da Semana 


A semana termina com uma guerra comercial declarada entre EUA e China. A disputa entre as duas maiores economias do mundo vem agravar o cenário já preocupante de uma recessão global, desenhado após o anúncio das tarifas “desconcertantes” de Donald Trump, especialmente sobre produtos asiáticos. O Brasil até que saiu relativamente ileso da guerra de Trump, com uma tarifa recíproca de “só” 10%. Mas, a possibilidade de um choque na economia chinesa reacendeu a luz amarela por aqui, visto que o país é o principal mercado de vários produtos brasileiros, especialmente commodities. Até Jerome Powell se viu obrigado a mudar seu discurso, admitindo que a inflação das tarifas poderá não ser “transitória”. Ele também reforçou o “mantra” de que o Fed não tem pressa para mexer na política monetária. 

Bom fim de semana! (Téo Takar)


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sexta-feira, 4 de abril de 2025

Ordem econômica global

 A visão de Scott Bessent e Stephen Miran para remodelar a ordem econômica mundial reflete uma abordagem estratégica que combina políticas econômicas agressivas com uma reorientação do papel dos Estados Unidos no comércio global, embora suas ideias nem sempre estejam perfeitamente alinhadas ou totalmente implementadas na prática pelo governo Trump em 2025. Bessent, como Secretário do Tesouro dos EUA, e Miran, um ex-conselheiro econômico sênior do Tesouro e coautor de um influente artigo econômico, compartilham a crença de que o sistema econômico internacional precisa ser ajustado para priorizar os interesses americanos, mas suas perspectivas diferem em detalhes e execução.


*Visão de Scott Bessent:* Bessent defende uma reestruturação do sistema econômico global que fortaleça a posição dos EUA, usando ferramentas como tarifas e políticas fiscais para "rebalancear" as relações comerciais. Ele vê as tarifas não como um fim, mas como um meio de pressionar outros países a negociar termos mais favoráveis aos EUA, promovendo o que chama de "interligações que podem ser reordenadas para avançar os interesses do povo americano". Em discursos recentes, como o de março de 2025 no Economic Club de Nova York, ele argumentou que o acesso a bens baratos não é o cerne do "sonho americano", justificando os custos de curto prazo (como preços mais altos) em prol de ganhos estratégicos de longo prazo. Bessent também propôs o "Plano 3-3-3" — reduzir o déficit orçamentário para 3% do PIB, alcançar 3% de crescimento do PIB e aumentar a produção de petróleo em 3 milhões de barris por dia —, visando estabilizar a economia americana enquanto pressiona parceiros comerciais. Ele acredita que essa abordagem, combinada com uma postura firme contra adversários como a China (com tarifas de até 54% em 2025), pode iniciar uma "era dourada" para os EUA, reafirmando sua dominância econômica.


*Visão de Stephen Miran*: Miran, em um artigo de novembro de 2024 amplamente debatido, sugere uma estratégia mais estruturada, inspirada no Acordo de Plaza de 1985, que ajustou moedas globais para beneficiar os EUA. Ele propõe um "Acordo de Mar-a-Lago", um pacto comercial e monetário que enfraqueceria o dólar em relação a outras moedas para impulsionar as exportações americanas e reduzir déficits comerciais, especialmente com países como China e Vietnã. Diferentemente de Bessent, que foca em tarifas como alavanca tática, Miran enfatiza uma coordenação multilateral para redefinir as regras do comércio global, embora reconheça em entrevistas que essa não é a política exata de Trump em 2025. Ele vê as tarifas de Trump como parte de um plano mais amplo para forçar negociações, mas alerta que, sem um acordo formal, o resultado pode ser caótico.


*Convergências e Divergências*: Ambos concordam que o sistema atual, herdado de Bretton Woods, favorece países com superávits comerciais (como China e Vietnã) às custas dos EUA, e que os americanos devem usar seu poder econômico para corrigir isso. Bessent, porém, adota uma postura mais pragmática e unilateral, enquanto Miran busca uma solução mais sistêmica e multilateral. Em 2025, as ações de Trump — como tarifas de 46% sobre o Vietnã e 20% sobre a UE — refletem mais a visão de Bessent de pressão imediata do que o plano coordenado de Miran. Críticos, como o economista Adam Tooze, chamam isso de "sane-washing", sugerindo que se tenta impor racionalidade a decisões impulsivas de Trump.


*Impacto Proposto*: Juntos, eles imaginam um mundo onde os EUA recuperam a liderança econômica, reduzindo a dependência de cadeias de suprimentos estrangeiras e forçando países a alinharem suas políticas aos interesses americanos. Isso incluiria desincentivar a "desdolarização" e conter a ascensão da China como superpotência econômica, embora Miran note que a China, ao contrário do Japão em 1985, não é subordinada militarmente aos EUA, tornando acordos mais difíceis. Em resumo, a visão de Bessent e Miran é ambiciosa, mas enfrenta desafios como resistência global, inflação doméstica e a imprevisibilidade das decisões de Trump.


*o que pode dar certo e o que pode dar errado na implementacqao atual da estrategia ?*


A implementação da estratégia de Scott Bessent e Stephen Miran, conforme refletida nas políticas econômicas dos EUA em 2025 sob a administração Trump, tem potencial para gerar resultados positivos e negativos, dependendo de como os fatores econômicos, políticos e globais se desenrolam. Aqui está uma análise do que pode dar certo e do que pode dar errado, com base no contexto atual e nas dinâmicas descritas:


*O que pode dar certo:*


*Fortalecimento da Indústria Doméstica*  

*Como*: As tarifas elevadas (46% sobre o Vietnã, 54% sobre a China, 20% sobre a UE) podem incentivar a produção nos EUA, especialmente em setores como manufatura e energia. O aumento de 3 milhões de barris diários na produção de petróleo, parte do plano de Bessent, já mostra sinais de progresso em 2025, com o Texas e o Dakota do Norte ampliando operações.  


*Por quê:* Reduzir a dependência de importações pode criar empregos e fortalecer a resiliência econômica americana, alinhando-se à visão de "America First".


*Pressão Negociadora Bem-Sucedida*  

*Como:* Países como o Vietnã e a UE, enfrentando tarifas punitivas, podem ceder em negociações bilaterais, comprando mais produtos americanos (como LNG ou soja) para evitar perdas maiores. Em março de 2025, o Vietnã já sinalizou interesse em importar mais etanol e equipamentos dos EUA para equilibrar o déficit comercial.  


*Por quê:* Bessent vê as tarifas como uma alavanca tática, e, se bem calibradas, elas podem forçar concessões sem escalar para uma guerra comercial total.


*Estabilização Fiscal e Crescimento*  

*Como:* O "Plano 3-3-3" de Bessent — déficit em 3% do PIB, crescimento de 3% e mais 3 milhões de barris de petróleo — pode ser alcançado se os cortes fiscais propostos (como os 2 trilhões de dólares em debate no Congresso em abril de 2025) estimularem a economia sem disparar a inflação.  


*Por quê:* Um dólar mais competitivo (como sugerido por Miran) e maior produção energética podem atrair investimentos e aumentar as exportações.


*Contenção da China*  

*Como:* Tarifas altas e sanções podem limitar a expansão econômica chinesa, especialmente em tecnologia e manufatura, enquanto os EUA atraem cadeias de suprimentos de volta ao Ocidente ou para aliados próximos.  


*Por quê*: Isso reforçaria a dominância americana e enfraqueceria um rival estratégico, um objetivo central da estratégia.


*O que pode dar errado:*


*Inflação e Custos para o Consumidor*  

*Como:* Tarifas amplas já elevaram os preços de bens importados em 2025 — roupas do Vietnã subiram 15% e eletrônicos da China, 20%, segundo o Bureau of Labor Statistics. Sem alternativas domésticas imediatas, os consumidores americanos arcam com o custo.  


*Por quê*: Bessent minimiza isso como um preço pelo "sonho americano", mas a insatisfação pública pode crescer, pressionando o governo a recuar.


*Retaliação Comercial*  

*Como:* A UE ameaçou em abril de 2025 impor tarifas de 25% sobre carros americanos, e a China pode retaliar reduzindo compras de soja e Boeing, afetando estados agrícolas e industriais dos EUA. O Vietnã, por sua vez, cortou importações de algodão americano em 10% como resposta inicial.  


*Por quê:* Parceiros comerciais não estão passivos, e uma guerra comercial pode reduzir as exportações americanas, anulando ganhos das tarifas.


*Fracasso na Coordenação Global*  

*Como:* O "Acordo de Mar-a-Lago" de Miran exige cooperação multilateral, mas a abordagem unilateral de Trump e Bessent (tarifas primeiro, negociações depois) alienou aliados. A UE e o Japão rejeitaram propostas de ajuste cambial em uma cúpula em fevereiro de 2025.  


*Por quê:* Sem um acordo tipo Plaza, o dólar pode se fortalecer demais (já subiu 5% em 2025), prejudicando exportadores americanos.

*

**Desafios Domésticos e Político*s*  

**Como*: Cortar o déficit para 3% do PIB exige reduzir gastos ou aumentar impostos, mas o Congresso, dividido, resiste. A inflação (4,2% em março de 2025) e os juros altos do Fed (mantidos em 5%) podem frear o crescimento, frustrando o alvo de 3%.  


*Por quê:* A estratégia depende de execução precisa, mas a imprevisibilidade de Trump e a polarização política podem descarrilar os planos.


*Resistência da China e Desdolarização*  

*Como:* A China, menos dependente dos EUA que o Japão em 1985, intensificou esforços para usar o yuan em acordos com o Sudeste Asiático e a África, reduzindo o domínio do dólar. Em 2025, 12% do comércio Vietnã-China já é em yuan.  


*Por quê:* Isso mina a alavanca americana e pode levar a uma ordem econômica multipolar, contrária aos objetivos de Bessent e Miran.


*Cenário Balanceado:*


*Sucesso Parcial:* As tarifas podem trazer alguns ganhos (mais empregos em Ohio, por exemplo, com fábricas realocadas), e o petróleo extra pode estabilizar preços energéticos. Mas os custos inflacionários e as retaliações provavelmente limitarão o impacto, enquanto a falta de um acordo global deixa a estratégia incompleta.  


*Risco Principal:* Se a inflação disparar (acima de 5%) ou aliados como a UE se voltarem para a China, a tentativa de remodelar a ordem econômica pode sair pela culatra, enfraquecendo os EUA em vez de fortalecê-los.


A implementação atual é um jogo de alto risco: pode dar certo se os EUA calibrarem a pressão e conseguirem concessões rápidas, mas pode dar errado se o resto do mundo resistir ou se os custos internos se tornarem insustentáveis. Até abril de 2025, os sinais são mistos — crescimento modesto, mas tensões crescentes.

Sthulberger - protecionismo de Trump beneficia Brasil

 *Stuhlberger: Trump trouxe o maior protecionismo da História — mas o Brasil saiu ‘muito beneficiado’*


_CEO da Verde Asset vê avanço do protecionismo americano como chance para o Brasil ganhar espaço no comércio internacional_


Leia mais: https://bit.ly/3FQOxAm


*Exame INSIGHT. Para quem decide*

S&P coloca em observação

 S&P coloca rating do BRB em observação após compra do Master, com incertezas sobre novo banco


17:58 03/04/2025 


Por Matheus Piovesana


São Paulo, 03/04/2025 - A agência de classificação de risco S&P colocou as notas de crédito (ratings) do Banco de Brasília (BRB) em observação devido ao anúncio da compra de 58% do capital do banco Master. De acordo com a casa, os aspectos da transação e a estrutura de capital do novo conglomerado ainda são incertos, o que torna incerto o impacto que a compra terá para o banco público.


"Precisamos de uma maior clareza na estrutura consolidada do grupo após a aquisição, além de detalhes sobre a reorganização do banco Master, para estimar o impacto sobre a estrutura de capital, a exposição de risco e os perfis de negócio e de financiamento do BRB", afirmam os analistas.


A nota global do BRB na S&P é B, e a local é brA+/brA-1. Estas foram as notas colocadas sob observação nesta quinta-feira, 3. O Master não é avaliado pela S&P.


De acordo com a agência, a aquisição, se concluída, poderia gerar um desvio significativo dos fundamentos de crédito do BRB em relação às expectativas anteriores. As mudanças podem atingir a capitalização do banco e também as exposições de risco. Outro fator potencialmente complexo são os riscos envolvidos na integração dos bancos.


Os analistas lembram que nem todos os ativos do Master entrarão no pacote adquirido pelo BRB, com a exclusão dos precatórios, do banco Voiter, do Banco Master de Investimento e da KOVR Participações, entre outros. "No entanto, a aquisição pode incluir outros ativos cujo perfil de risco ainda é incerto para nós", diz a S&P.


Estes ativos podem incluir fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC), que são R$ 10 bilhões dos ativos totais do Master, e fundos multimercado, que somam R$ 8,1 bilhões.


A S&P lembra que o Master teve um forte crescimento nos últimos anos, baseado em aquisições, compra de ativos de alto risco e a emissão de títulos bancários com alto custo. Já o BRB tem uma vantagem competitiva na base de captação mais barata e mais estável, mas viu seus índices de capital recuarem desde 2022 graças ao rápido crescimento da carteira de crédito.


Contato: matheus.piovesana@broadcast.com.br

Mudanças no FGC

 Fontes: Grandes bancos privados pedem ao BC mudanças nas regras do FGC


17:15 03/04/2025 


Por Matheus Piovesana e Cícero Cotrim


São Paulo e Brasília, 03/04/2025 - Os grandes bancos privados querem apertar as regras de contribuição ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por instituições mais expostas. A proposta foi formulada antes da compra do Banco Master pelo BRB, vista nos bastidores do setor como um resgate da instituição comandada por Daniel Vorcaro pelo banco público de Brasília.


Segundo apurou o Broadcast junto a fontes que falaram reservadamente, os grandes bancos solicitam ao Banco Central que seja reduzido de 75% para 50% o volume de captação garantida pelo FGC que obriga uma instituição a fazer contribuições adicionais ao Fundo.


Além disso, os bancos querem aumentar a alíquota adicional de 0,01% dos depósitos garantidos pelo FGC para 0,10% do total. As informações foram antecipadas pela Folha de S.Paulo e confirmadas pelo Broadcast.


O FGC recebe contribuições de todas as instituições financeiras, mas os maiores contribuidores são os grandes bancos do País. Nos últimos anos, porém, cresceu o incômodo dessas instituições com o que consideram um uso indevido da chancela do FGC a determinados investimentos.


Executivos do setor afirmam nos bastidores que a garantia do FGC tem sido utilizada para tornar mais atrativos ao pequeno investidor papéis de bancos nos quais ele provavelmente não teria uma conta corrente, devido ao baixo conhecimento sobre a instituição.


A demanda de contribuição adicional por parte dos bancos menores é antiga, mas os grandes bancos formularam as novas propostas em fevereiro deste ano. O tema ainda não é de conhecimento amplo no setor, e instituições de pequeno e médio portes ainda não tiveram acesso à proposta completa.


Um executivo de um banco que não faz parte do grupo que formulou a proposta considera que seria prejudicial à competitividade do setor. Na visão dele, dada ao Broadcast reservadamente, um aperto como o demandado pelos bancos restringiria a competitividade das plataformas digitais, que também emitem papéis como os certificados de depósito bancário (CDB), e dependem mais deles para obter depósitos que os grandes bancos.


Outro executivo comentou, também sob a condição de reserva, que mesmo entre os médios e pequenos bancos não há consenso entre as mudanças no FGC.

JP Morgan

 JPMorgan aumenta risco de recessão global e dos EUA de 40% para 60% após tarifas


Sydney, 03/04/2025 - Os riscos de uma recessão nas economias global e dos EUA subiu de 40% para 60% com o anúncio esta semana do novo e abrangente regime tarifário de Donald Trump, de acordo com o JPMorgan.


“As políticas disruptivas dos EUA foram reconhecidas como o maior risco para as perspectivas globais durante todo o ano”, disse Bruce Kasman, economista-chefe e chefe de pesquisa econômica global do JPMorgan.


“As últimas notícias reforçam nossos temores, pois a política comercial americana se tornou decisivamente menos favorável às empresas do que havíamos previsto”, acrescentou.


A perspectiva do banco para 2025 reconheceu que o governo Trump agiria agressivamente em várias frentes, mas incorporou seu compromisso subjacente de apoiar os negócios e a vida da expansão econômica, disse Kasman. A questão é que “a combinação de políticas dos EUA parece estar se afastando ainda mais do apoio à expansão atual”, afirmou ele.


O efeito direto seria o maior aumento de impostos sobre as famílias e empresas do país desde 1968, que precedeu a recessão de 1969-70, segundo Kasman.


“Consideramos a implementação total das políticas anunciadas como um choque macroeconômico substancial não incorporado atualmente em nossas previsões... essas políticas, se mantidas, provavelmente levariam a economia dos EUA e possivelmente a economia global à recessão este ano”. Fonte: Dow Jones Newswires.



Broadcast+

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...