domingo, 1 de dezembro de 2024

Leitura de domingo 0112

 Leitura de Domingo: Empresas preparam nova leva de captações externas apesar de 'risco Trump'


Por Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Júnior


São Paulo, 27/11/2024 - A chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos vem trazendo preocupações de alta na taxa de juros norte-americana, o que normalmente desestimula investimentos em empresas de países emergentes e pressiona as taxas de retorno (yields) dos títulos de dívida (bonds), elevando o custo de financiamento. Mas o tema não deverá prejudicar o acesso das empresas brasileiras ao mercado internacional no início do próximo ano, até porque muitas delas precisam refinanciar dívidas ou captar para bancar projetos e outros gastos. Os grupos brasileiros já se preparam para acessar esse mercado na principal janela para ofertas, que acontece nos meses de janeiro e fevereiro e, segundo fontes próximas ao governo, tem procurado o Tesouro Nacional para buscar uma para buscar uma leitura melhor sobre o apetite dos investidores por papéis de empresas do País em meio às incertezas da gestão Trump.


NA PONTA. O Tesouro costuma abrir a fila de emissões externas, sinalizando para empresas como está o apetite pelos papéis do Brasil. Foi assim neste ano, quando captou US$ 4,5 bilhões no dia 22 de janeiro, com forte demanda. Em seguida, vieram nomes como a Cosan, que captou US$ 600 milhões, e a Ambipar, que fez sua primeira emissão externa.


SONDAGEM. Bancos que costumam assessorar companhias nas emissões externas já enxergam uma fila para ofertas na janela inicial do ano que vem. Segundo uma fonte, há entre "sete a nove companhias" sondando os bancos para emitir no começo de 2025, algumas com a intenção de lançar bônus sustentáveis.


PARA FRENTE. O responsável pelo mercado de dívida no Citi Brasil, Alexandre Castanheira, diz que o mercado já precificou a vitória de Trump e que novas movimentações no câmbio e nas taxas futuras do juro norte-americano devem acontecer quando ficarem mais claras as políticas do novo presidente. Na opinião do executivo do Citi, Trump não deve demorar para apontar a direção de tais políticas, mas que virão após tal janela.


TEM BOLSO. O executivo diz que não faltará dinheiro para as empresas brasileiras, uma vez que há muitos papéis vencendo em janeiro, exigindo que os investidores reciclem os recursos. Ele também chama atenção ao fato de que as empresas brasileiras tiveram amplo acesso ao exterior este ano, apesar de os fluxos para os fundos que investem em mercados emergentes estarem negativo há dois anos.


SALDO. Até agora, em 2024, foram emitidos US$ 20 bilhões em títulos de dívida no exterior pelo Brasil, tanto públicos como privados, num patamar próximo às médias históricas. O númeor supera em 25,9% o valor contabilizado em todo o ano de 2023, segundo dados da Anbima. A última emissão externa foi em outubro, do BTG Pactual, que captou US$ 500 milhões.


ESTREIAS. O apetite dos estrangeiros não se concentrou somente naquelas companhias conhecidas do investidor e oito novos emissores desembarcaram lá fora. Também houve janela para empresas com classificação de risco abaixo do grau de investimento, além de operações com prazo de 30 anos. "Isso dá uma visão de que há apetite dos investidores para estratégias diferentes", diz Castanheira.


Contato: colunabroadcast@estadao.com


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Amilton Aquino

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"Nesta semana, fui surpreendido com uma pesquisa em que Bolsonaro aparece à frente de Lula para 2026. Como explicar a resiliência do bolsonarismo após tudo o que veio à tona?


Na minha opinião, há dois fatores principais. O primeiro, e mais óbvio, é o fenômeno das bolhas de internet: ambientes que funcionam como refúgio para ressentidos de todos os tipos, onde opiniões cada vez mais desconectadas da realidade são retroalimentadas por oportunistas em busca de likes. E, embora este fenômeno seja mais evidente na direita delirante bolsonarista, as bolhas da esquerda são maiores, mais antigas e, pior, mais enraizadas nos formadores de opinião, no meio universitário. Basta observar os defensores do Hamas em universidades norte-americanas.


O segundo fator é o saudosismo dos anos 60 e 70, que enxerga com bons olhos a chamada “ditabranda”, instituída como resposta à militância comunista que almejava uma "ditadura do proletariado". Para esses, uma ditadura de direita seria um “mal menor”, um pequeno custo em liberdades em troca da garantia do direito à propriedade, supostamente ameaçado pela redistribuição forçada de riquezas, pelas economias planificadas comunistas.


Portanto, independentemente do que venha à tona sobre planos para consolidar um golpe, essa bolha tende a interpretá-los como um “contra-golpe”, pois boa parte acredita que a eleição foi ilegítima. Esse grupo se ressente, com razão, de que já não vivemos em um Estado democrático de direito, considerando os frequentes episódios de descumprimento da Constituição, sancionados pela Suprema Corte.


Chegamos, assim, a uma bagunça generalizada, onde as regras valem pouco ou quase nada. Tudo se tornou uma questão de narrativa, de reinterpretação da Constituição, onde ambos os lados justificam suas exceções para evitar o "mal maior".


Do lado vencedor, a esquerda, que nunca foi entusiasta dos valores liberais, utiliza cinicamente o discurso da “defesa da democracia”, enquanto reforça laços com ditadores mundo afora, em detrimento das democracias liberais.


Do lado perdedor, assistimos agora a repetição do discurso lulista dos tempos áureos da Lava Jato, onde todas as evidências coletadas eram diminuídas e resumidas como um simples complô contra “o pai dos pobres”. Nada provava nada: delações eram pintadas como “torturas” para embasar as narrativas de que a operação queria emplacar e qualquer indício de desvio de conduta, como conversas entre procuradores e o juiz da operação, eram pintados como provas cabais do complô. Mudem os nomes dos personagens principais e temos o mesmo modus operandi. Bilhões roubados? Nada disso existiu! Tentantiva de golpe? Nada disso existiu. Foi só uma consulta para pôr em prática a GLO, “tudo dentro das quatro linhas”!


Enfim, a hipocrisia de ambos os lados está escancarada, com ambos já em campanha para o próximo embate. Sim, Bolsonaro foi mais tosco e chegou mais perto de um golpe. Mas foi Lula quem semeou o divisionismo que levou parte da sociedade a enxergar Bolsonaro como um mal menor e agora comanda o arranjo promíscuo entre executivo e judiciário que está matando nossa democracia aos poucos, tornando os absurdos tão corriqueiros que já não provocam mais indignação.


Como sair desse círculo vicioso, onde uma aberração justifica a outra?


Primeiro, é preciso extirpar o bolsonarismo. É hora de virar a página do culto a esse incapaz e baderneiro desde os tempos do Exército. Da mesma forma, a esquerda democrática, representada por figuras como Augusto de Franco, Eduardo Jorge, Gabeira e Roberto Freire, precisa prevalecer sobre a esquerda jurássica do PT e os neo-comunistas que alimentam novas bolhas na internet.


Como fazer isso? Com informação, com mais diálogo e menos insultos. Sim, será um processo longo e gradual. Mas não há outro caminho. Desde já, faça sua parte: saia da sua bolha. Ouça também os argumentos de pessoas de centro-esquerda e centro-direita. Não precisamos concordar em tudo, mas reconhecer que o dualismo atual é prejudicial ao país já é um bom ponto de partida para a reflexão. Por fim, sejamos menos torcedores e mais críticos, pois é da indulgência dos eleitores que se alimentam os populistas."

Marcos Lisboa

 https://youtu.be/nNh1M1yTnyo?si=cggB_RnNGNi-8rDo

Amilton Aquino

 "E, como previsto, o pacote de “cortes” de gastos anunciado por Haddad ficou muito aquém do necessário para, ao menos, desacelerar o crescimento explosivo da nossa dívida. É realmente admirável a capacidade da ala mais “progressista” do governo de ignorar a matemática. Pela primeira vez na nossa história, tivemos nesta semana um leilão de títulos pré-fixados sem um único comprador. O que isso significa na prática? Que há tantas opções de investimento mais atrativas hoje para os poucos brasileiros que têm o “mau hábito” de poupar, que nem mesmo títulos pré-fixados a 14% estão conseguindo atraí-los.


Falo por experiência própria. Minha Black Friday foi dedicada à compra de ações baratas. Sim, existe o risco de desvalorizarem ainda mais. Mas minha aposta está apenas em empresas sólidas, que já sobreviveram a crises de todos os tipos e continuam pagando bons dividendos. Se os preços caírem mais, comprarei mais. Recentemente, vendi parte de títulos que rendiam pouco mais que a poupança para investir em outros com juros mais altos e, claro, em ações e fundos imobiliários descontados.


"Mas você não acredita que o Brasil vai virar uma Venezuela?" 


Não. O Brasil já enfrentou situações mais complicadas e sobreviveu. Em algum momento, o país terá que tomar medidas verdadeiramente enérgicas para evitar o colapso. Caso essas medidas não venham do governo, haverá pressão para que o Congresso as implemente. Aliás, os deputados Kim Kataguiri, Pedro Paulo e Júlio Lopes já apresentaram uma PEC alternativa de controle de gastos, que propõe uma economia real capaz de conter o avanço da dívida, que cresceu impressionantes 7% do PIB desde que Lula assumiu, revertendo a trajetória de queda iniciada no governo Temer.


O fato de Haddad admitir, logo após encontro com a Febraban, a possibilidade de medidas adicionais para atender às expectativas do mercado já é um indicativo de que o Congresso possa, como ocorreu com o Arcabouço Fiscal, melhorar ou, pelo menos, suavizar os impactos do atual pacote.


No cenário mais otimista, o governo adotaria, de fato, as medidas necessárias, atraindo investidores estrangeiros de volta com força. Contudo, o mais provável é que continuemos caminhando de forma hesitante, fazendo apenas o suficiente para evitar o colapso total e adiando ajustes estruturais para depois das eleições. Se esse for o caso, resta-me seguir rebalanceando bem minha carteira, aguardando o momento em que as expectativas se revertam após a inevitável adoção de reformas. Quando esse ajuste acontecer, minha rentabilidade será multiplicada, pois é isso que ocorre com quem opta por poupar no presente para colher no futuro — um hábito pouco valorizado em nosso país, cuja cultura está mais voltada a tirar algum tipo de vantagem do “papai Estado”, traço este reforçado pela esquerda paternalista.


Por fim, gostaria de deixar bem claro a conta que o governo atual está jogando para o futuro. Quando eu, um cidadão comum, compro um título IPCA + 7 com resgate para 2045, na prática estou entrando no bolo daqueles odiados “rentistas” que hoje recebem mais de R$ 700 bi de juros por ano. 


“Ain, mas esses juros estão muito altos. O novo diretor do BC indicado por Lula vai baixar os juros e esse custo vai diminuir”.


Ele pode até tentar (para os novos títulos), como fez o indicado por Dilma, que baixou os juros na marra e, logo depois, teve que aumentar ainda mais rápido para atrair compradores para poder rolar a dívida. 


Pois é. O populismo sempre engana por algum tempo, mas a conta sempre chega. Parte dos R$ 700 bi de juros que o governo tem que pagar hoje vieram de títulos vendidos a IPCA + 8 no auge da crise Dilma. Os juros das próximas décadas já estão garantidos, assim como as aposentadorias dos poucos brasileiros que se dispõe a poupar. Mas no futuro, claro, esquerdistas vão continuar cumpando o "rentismo" pelos déficits do governo."


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sábado, 30 de novembro de 2024

Milei, Javier

 Revista inglesa exalta Milei e diz que libertário conduz “experimento extraordinário” na Argentina


'The Economist' afirma que Milei tem o programa 'mais radical' de liberdade econômica desde Margaret Thatcher, no Reino Unido, na década de 80. Confira!


https://direitaonline.com.br/milei-economist-revista/


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Resumo MZ

 📊 Resumo da Semana 


O governo pagou o preço pela demora em divulgar seu pacote de redução de gastos e pela decisão política de anunciar junto a isenção de imposto de renda para salários até R$ 5 mil e com o aumento da tributação dos mais ricos. Se a ideia da ala política era usar a promessa de campanha de Lula para minimizar o impacto negativo da limitação da valorização do salário mínimo diante do eleitorado e, assim, abrir espaço para a reeleição de Lula ou a eleição de Haddad em 2026, agora terá que arcar com a fama de levar o dólar à marca recorde de R$ 6 e, provavelmente, de empurra a Selic para a casa dos 14% ou mais. Além do tiro no próprio pé, o governo terá ainda que lidar com um cenário externo bastante adverso em 2025, uma vez que a eleição de Donald Trump tende a manter o dólar valorizado e pode levar o Fed a reduzir o ritmo de alívio monetário, dois fatores que prejudicam os mercados emergentes. Há ainda uma série de outras incertezas, como possíveis desdobramentos do conflito entre Ucrânia e Rússia para a já combalida economia europeia, e qual será o ritmo de crescimento da China, especialmente se Trump cumprir sua promessa de protecionismo, elevando as taxas de importação. Bom fim de semana! (Téo Takar)


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Diario de um economista (1)

Não nego. A minha vida nunca foi linear. Tive altos e baixos, mais altos, mas sem hipocrisia, tambem com alguns reveses. Difícil que vc se una a pessoas que pensem como vc.

Também acho que cada um trilha suas histórias, o seu caminho. Cada um tem o seu caminho. Não existe padrão.

Iniciando este ciclo de experiências pessoais. Sim senhores, no alto dos meus 60 anos, isso é permitido. 

O início foi quando eu me formando em Ciências Econômicas, resolvi fazer "mestrado acadêmico". Sim, por que existe também o "profissional". A diferença é que o primeiro te joga no meio acadêmico, mais no experimento, nas evidências empíricas. O segundo, no mercado de trabalho, mais no financeiro, mais do que no meio corporativo. 

Nada contra, mas o problema é que a nossa "lúgubre ciência", às vezes, se divorcia da metodologia científica, visto que por ser "humana", acaba descambando para a imprevisibilidade, as incertezas e as irregularidades.  

Um evento ocorrido pode nunca se repetir de forma regular. Na biologia, na física, estes eventos testáveis se repetem sempre, quase homogêneos. Na economia, isso não acontece.

E isso me perturbava muito enquanto economista.

Fui me lapidando e me tornando pós-keynesiano, embora não um praticante acadêmico. Mais do que isso, me tornei um cardiniano. Sim, porque foi através de Fernando Cardim de Carvalho que passei a ter contato com esta corrente teórica heterodoxa.

A partir, passei a ser um admirador deste grande economista, formado na USP, mas andanças pela Unicamp, e nos EUA. O acompanhei nas suas passagens pela UFF, UFRJ, por NY, Cascais, etc. Foi ali que eu me despedi dele, acometido de uma doença.

Mas posso dizer que Cardim foi um schollar incorruptível, digno e honesto ao ato da cátedra. Cardim foi professor absoluto e dedicado. Por isso, a minha admiração.

Vejo hoje muitos professores que acabam se perdendo, e poucas aulas ministram. Começam a viver em seminários, palestras, e acabam se envolvendo mais nas suas pesquisas. Acabam se esquecendo da sala de aula, preenchida por professores adjuntos e monitores.

Nada contra. Mas Cardim sempre foi um professor integral, orientando seus alunos, dando os caminhos, indicando as teses, os temas das dissertações. Isso não aconteceu com muitos. 

Questão de opções e caminhos. 

Viva Cardim!


Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...