segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Semana importante para os juros aqui e nos EUA*


… A agenda para os juros é forte nesta semana, com payroll e CPI nos Estados Unidos, e IPCA, dados do varejo e de serviços no Brasil, enquanto investidores esperam confirmar as expectativas de um corte de meio ponto da Selic em março e as novas apostas de redução do juro também pelo Fed. No Japão, vitória esmagadora de Sanae Takaichi nas eleições parlamentares do fim de semana repercute no iene. Já na B3, a temporada de balanços ganha ritmo, com BTG Pactual (hoje, antes da abertura), BB, Vale e Raízen, sob rumores de recuperação judicial. Amanhã, Petrobras divulga relatório de produção e vendas. O mercado ainda será movimentado por evento do BTG em São Paulo.


O TRIUNFO DE TAKAICHI – O desfecho das eleições parlamentares no Japão, realizadas neste domingo, trouxe uma vitória descrita como impressionante para a coalizão liderada pela primeira-ministra, Sanae Takaichi.


… O Partido Liberal Democrata (PLD) garantiu ampla maioria na Câmara Baixa, consolidando o mandato da premiê para avançar com uma agenda de expansão fiscal, cortes de impostos e fortalecimento da política de defesa.


… O resultado impulsionou o Nikkei, mas manteve desvalorização sobre o iene e elevou os rendimentos dos títulos japoneses (JGB) nos primeiros negócios. A vitória reduz a incerteza política no curto prazo, mas coloca o BoJ em uma posição delicada.


… A autoridade monetária terá de equilibrar a meta de inflação com os planos de gastos do novo governo, enquanto monitora o câmbio, que pode voltar a testar a barreira dos 160 ienes por dólar — um ponto sensível para a política monetária.


A ELEIÇÃO EM PORTUGAL –Ainda no domingo, ocandidato de centro-esquerda António José Seguro venceu a eleição presidencial com 66% dos votos, derrotando de forma expressiva o populista de extrema-direita André Ventura, que obteve 34%.


IRÃ SEM ACORDO –Após negociações indiretas com Washington mediadas por Omã, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã manterá o direito de enriquecer urânio, mesmo sob pressão militar dos Estados Unidos.


… Neste domingo, disse que a principal força do Irã está na capacidade de “dizer não às grandes potências”. O chanceler reiterou que não aceitará a exigência de “enriquecimento zero” e descartou negociar o programa de mísseis.


… Em entrevista à Al Jazeera, Araghchi afirmou que o país prefere a diplomacia, mas está preparado para uma escalada militar. Apesar da ameaça, o petróleo caía durante a madrugada, confiando nas negociações.


UCRÂNIA – Zelensky afirmou que os Estados Unidos deram prazo até junho para alcançar um acordo que encerre a guerra. Segundo ele, Washington pretende intensificar a pressão sobre Kiev e Moscou caso não haja avanços até o início do verão no Hemisfério Norte.


XI NOS EUA – Em entrevista divulgada pela NBC no domingo, Trump confirmou viagem à Pequim em abril e informou que receberá o líder chinês Xi Jinping na Casa Branca no fim do ano, em meio aos esforços para recalibrar relações estremecidas pela guerra comercial.


NO BRASIL – Reunião do Diretório Nacional do PT marcou o fim de semana, com críticas aos juros altos e pedidos de revisão da meta de inflação, fixada em 3%. O partido também defendeu que a crise do Master abre espaço para a discussão sobre a autonomia do BC.


… O líder do partido na Câmara, deputado Pedro Uczai, disse que o episódio expôs falhas de fiscalização e defendeu uma “autonomia relativa”, argumentando que o atual modelo teria se tornado, na prática, uma “autonomia absoluta”, com mecanismos de controle frágeis.


… Segundo ele, a discussão não parte formalmente do governo, mas será levada pela bancada ao Congresso, à sociedade e a Haddad.


… O tema ganhou força após o Diretório Nacional do PT aprovar resolução divulgada no sábado, na Bahia, criticando a política monetária. O texto sustenta que a autonomia do Banco Central atuou contra o “projeto [de Lula] eleito nas urnas”.


O SOCORRO AO BRB –As discussões da equipe econômica devem girar em torno do Master nesta semana, após o Banco de Brasília entregar ao BC o plano para lidar com os impactos da compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras do banco, parte delas sob suspeita de fraude.


… O plano prevê um conjunto de ações preventivas de recomposição de capital a serem implementadas em até 180 dias, caso fique comprovada a necessidade de aporte. De acordo com o mercado, o plano discutido com o regulador envolve um aporte potencial de até R$ 5 bilhões.


… O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou que há um “cardápio” de alternativas para capitalização, incluindo empréstimo junto ao FGC, operações com consórcio de bancos, um fundo imobiliário com ativos do DF e aporte direto do controlador, o GDF.


… Em paralelo, o banco vendeu R$ 5 bilhões em ativos de alta liquidez (carteiras de crédito consignado e antecipação de FGTS) para frear a fuga de recursos após a liquidação do Master e negocia a venda de quase R$ 1 bilhão em carteiras com garantia do Tesouro para Itaú e Bradesco.


… Souza afirmou que o BRB dará “um passo atrás” e voltará a atuar como banco regional de desenvolvimento, afastando a possibilidade de privatização ou federalização. “O objetivo é preservar a solidez e manter os índices prudenciais, em especial o Índice de Basileia.”


… O banco precisa apresentar o balanço de 2025 até 31 de março e espera divulgar os números já com uma solução para os efeitos da operação com o Master, cuja auditoria ainda avalia a qualidade dos ativos recebidos em substituição aos créditos originalmente adquiridos.


… Na manchete do Estadão de hoje, “Maioria da Câmara e do Senado diz apoiar CPI sobre caso Master”.


IPCA E ATIVIDADE – A divulgação da inflação oficial de janeiro amanhã (terça), junto com os dados de serviços (quinta) e as vendas no varejo (sexta), é esperada para validar as expectativas de um corte inicial de 0,50pp da Selic no Copom de março.


… Para o IPCA, a mediana das estimativas apurada em pesquisa Broadcast é de leve desaceleração para 0,32%, de 0,33% em dezembro. Também a média os núcleos – que será mais observada pelos economistas – deve arrefecer de 0,46% para 0,40% em janeiro.


… Em especial, o mercado quer ver se a inflação de serviços confirma a tendência de desinflação no acumulado de 12 meses.


… Já um recuo nas vendas do varejo ampliado — altamente dependentes das condições de crédito — deve reforçar a tese de que a economia está em desaceleração, conforme o prognóstico apontado na ata da última reunião do Copom.


BTG PACTUAL – O mercado também vai monitorar declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que tem presença confirmada em evento do BTG Pactual nesta semana, amanhã (10) e quarta-feira (11), em São Paulo.


… Estão confirmadas ainda a participação de Fernando Haddad, Hugo Motta e do ministro Vital do Rêgo (TCU), além dos gestores André Jakurski (JGP), Luis Stuhlberger (Verde Asset), Rogerio Xavier (SPX Capital) e uma entrevista com Flávio Bolsonaro.


… Scott Bessent, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, aceitou convite para vir ao Brasil para participar da Conference 2026 do banco.


GALÍPOLO – Hoje, o presidente do BC faz palestra em evento da ABBC, em São Paulo, das 9h30 às 10h25.


BALANÇOS NA B3 –BTG Pactual divulga balanço hoje, antes da abertura do mercado. Após o fechamento, saem os resultados de BB Seguridade, Motiva e São Martinho. Amanhã (terça-feira) tem Banco Inter, Suzano e TIM Brasil.


… Na quarta, destaque para Banco do Brasil, além de Klabin, Assaí, Banrisul, Guararapes e Totvs. Na quinta-feira vem Ambev, Jalles Machado, Neoenergia, Raízen, Copasa e Vale, após o fechamento. Usiminas fecha a semana na sexta-feira.


… Em Nova York, estão previstos para terça-feira Coca-Cola, Ford e AIG; para quarta, McDonald´s; e para quinta, Airbnb.


PAYROLL E CPI – Nos Estados Unidos, os dois indicadores mais importantes da semana também podem influenciar as expectativas para o Fed.


… Após dados fracos do mercado de trabalho na semana passada, o relatório do emprego de janeiro, cuja divulgação atrasou devido à paralisação parcial do governo, sairá na quarta-feira, com estimativa de uma taxa de desemprego estável em 4,4%.


… Uma eventual surpresa, indicando enfraquecimento maior, pode aumentar a pressão por cortes do juro antes do fim do mandato de Powell.


… Seja como for, o mercado ainda deverá esperar pela inflação de janeiro (CPI), que será divulgada na sexta-feira.


MAIS AGENDA – Christine Lagarde, presidente do BCE, participa às 13h de sessão plenária no Parlamento Europeu e três Fed boys falam hoje: Christopher Waller (15h30 e 19h00), Stephen Miran (16h30), Raphael Bostic (17h15).


… Ainda nos Estados Unidos, saem vendas no varejo (amanhã), auxílio-desemprego e vendas de moradias usadas (quinta).


… Na China, serão divulgados os dados da inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) de janeiro amanhã, no final da noite. No Japão, um feriado – Dia da Fundação Nacional – deixa os mercados financeiros fechados na quarta-feira.


… Na Europa, são destaques na quinta-feira: o PIB e a produção industrial no Reino Unido, e o relatório de petróleo na AIE. Na sexta, sai o PPI na Alemanha, o PIB e a balança comercial na Zona do Euro. No mesmo dia, o BC da Rússia decide sobre juros.


AQUI – Na sexta-feira, dia das vendas no varejo, sai ainda o IGP-10 de fevereiro.


… Hoje, o BC divulga o Boletim Focus (8h25), com as projeções atualizadas do mercado financeiro para as variáveis econômicas.


LULA – O presidente visita nesta segunda-feira o Centro de Produção de Vacina contra a Dengue do Instituto Butantan, em São Paulo, e, às 10h, anuncia investimentos relacionados à infraestrutura de produção de insumos e imunobiológicos.


NA CÂMARA – O presidente Hugo Motta convocou reunião de líderes para hoje (11h). Entre as prioridades da semana estará a votação do regime de urgência para o projeto de lei que institui o Redata e o mérito do Marco Legal do Transporte Público.


POLITIZAÇÃO DO ENREDO – Pegou mal no DI a polêmica da declaração do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, de que, após o escândalo do Master, o partido quer rever autonomia do BC, que precisa ser “relativa, não absoluta”.


… O ruído de interferência puxou os juros de médio e longo prazo, enquanto os curtos continuaram comportados, porque o mercado está convencido de que o ciclo de queda da Selic vai começar com corte de meio ponto em março.


… O entendimento no mercado é de que, se a ata não corrigiu o tom da comunicação, é porque liberou esta aposta.


… A BuysideBrazil reduziu na sexta-feira a estimativa para o juro deste ano de 12,25% para 12%.


… A nova projeção, abaixo do consenso no boletim Focus (12,25%), é consistente com a perspectiva de trajetória mais benigna da inflação, câmbio menos pressionado e moderação da atividade econômica, segundo a consultoria.


… No Balanço Macrofiscal apresentado na sexta-feira, a Fazenda aumentou marginalmente a sua projeção para a inflação deste ano, de 3,5% para 3,6%, acima do centro da meta, de 3%, mas enfatizou o alívio contra 2025.


… Segundo a pasta, a desaceleração contra a alta de 4,26% do ano passado deve possibilitar redução na taxa Selic.


… Já o Daycoval reduziu a projeção para IPCA de 4,1% para 3,8%. “A desinflação segue ocorrendo em função do comportamento benigno da inflação importada, e os bens industriais e preços administrados são os destaques.”


… Quanto ao PIB, a Secretaria de Política Econômica (SPE) da Fazenda reduziu a estimativa para este ano de 2,4% para 2,3%, diante da inércia em 2026 da desaceleração mais forte que a esperada da atividade no fim de 2025.


… No fechamento dos negócios, o contrato de DI para Janeiro de 2027 marcava 13,360% (de 13,379% no ajuste anterior). Já o Jan/29 subia a 12,760% (contra 12,727%); Jan/31, a 13,205% (13,148%); e Jan/33, 13,460% (13,383%).


PIQUE NO LUGAR – Fator extra de volatilidade, a temporada dos balanços continua testando os limites do rali do Ibovespa, que já dá alguns sinais de fadiga, mas prova que ainda está no jogo, mesmo com correções pontuais.


… No último pregão, o índice à vista não conseguiu reproduzir a euforia das bolsas americanas, mas resistiu à queda dos bancos e fechou em alta moderada de 0,45%, colado nos 183 mil pontos (182.949,78), com giro de R$ 30 bilhões.


… O Ibovespa driblou o impacto da onda de vendas nos papéis do Bradesco (PN -2,55%, a R$ 20,61, na terceira maior queda do dia; e ON -1,98%, a R$ 17,81), no day after do balanço, com os investidores frustrados pelo guidance.


… O Bradesco informou que projeta lucro líquido de R$ 27,6 bilhões este ano, 4% abaixo do consenso do mercado.


… No auge do estresse, as ações do banco chegaram a derreter mais de 5%. Mas a tensão foi amenizada, em parte, por relatórios do BofA e do Citi mantendo a recomendação de compra para o Bradesco, apesar dos desafios à frente.


… O Citi cortou em 3% a estimativa de lucro do Bradesco em 2026, para R$ 27,8 bilhões, mas reiterou a recomendação de compra para as ações e elevou o preço-alvo de R$ 22 para R$ 24, diante do ciclo de cortes da Selic.


… Ainda no setor financeiro, Santander caiu 1,74% (R$ 33,95) e BB ON perdeu 0,45% (R$ 24,33), às vésperas de seu balanço, na quarta-feira. Já BTG Pactual, que solta resultado hoje, ganhou 2,19% e Itaú subiu 2,70%, para R$ 46,75.


… Vinda de recordes históricos, Vale ampliou a realização de lucro (-0,95%, a R$ 85,63), facilitada pela queda de 1,23% do minério de ferro. Petrobras (ON -1,04%, a R$ 38,87; e PN -0,95%, a R$ 36,65) foi na contramão do petróleo.


… Pesou o comentário do presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, sobre possível multa à companhia, confirmada depois do fechamento dos mercados, por causa do vazamento de fluido de perfuração ocorrido na Foz do Amazonas.


… A empresa foi multada em R$ 2,5 milhões e tem prazo de 20 dias para pagar ou recorrer da decisão.


… Às voltas com este ruído, Petrobras operou desatrelada da alta de 0,74% do Brent, que fechou a US$ 68,05. O barril operou de olho nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã, que se recusa a encerrar o programa nuclear.


… Em outra frente, os americanos anunciaram novas sanções para restringir as exportações de petróleo iraniano.


APESAR DE VOCÊ – O plano de gastos de US$ 600 bi em inteligência artificial pelas big techs este ano mantém a inquietação do investidor sobre a bolha, com a percepção de que a corrida pela IA pode estar ficando cara demais.


… Porém, depois de uma sequência de baixas das gigantes de tecnologia, a fuga foi interrompida e deu espaço para uma recuperação firme em alguns papéis do setor, como Nvidia (+7,78%), AMD (+8,28%) e Broadcom (+7,22%).


… O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou que o enorme investimento em IA é tanto “apropriado” quanto “necessário”, visto que o setor está passando por uma “construção de infraestrutura única em uma geração”.


… Já as ações da Amazon não embarcaram na onda positiva e afundaram quase 6%, refletindo o balanço divulgado na noite anterior, com guidance fraco e previsão elevada de despesas de capital, de US$ 200 bilhões neste ano.


… Mas o pessimismo nas bolsas foi deixado de lado. O Dow Jones avançou 2,47% e quebrou a barreira inédita dos 50 mil pontos (50.115,67). O S&P 500 subiu 1,97%, a 6.932,30 pontos; e o Nasdaq ganhou 2,18%, a 23.031,21 pontos.


… A melhora no apetite por risco observada na bolsa desmontou posições defensivas nos Treasuries e sustentou o juro da Note de 2 anos a 3,495% (contra 3,464% no pregão da véspera) e de 10 anos, a 4,204% (de 4,194%).


… O investidor também vendeu dólar (DXY, -0,20%, a 97,629 pontos), apesar de o secretário Scott Bessent (Tesouro) ter reiterado a política de dólar forte, contrariando comentários recentes de que uma moeda fraca era “ótima”.


… Em relação ao salto de 1.200 pontos do índice Dow Jones na sexta-feira, ele disse neste domingo, em entrevista para a Fox News, ter o entendimento de que a “Main Street”, a economia real, “está prestes a prosperar”.


… Bessent ainda avaliou que o Fed não deve agir rápido para reduzir o balanço patrimonial, mesmo sob o provável comando da instituição por Kevin Warsh, indicado por Trump e crítico às compras de títulos do Tesouro americano.


… Ainda no câmbio, na sexta-feira, o euro subiu 0,32%, a US$ 1,1822, e a libra esterlina ganhou 0,57%, a US$ 1,3617.


… O iene caiu a 157,15/US$. É grande a expectativa para a moeda japonesa hoje, após a vitória histórica da premiê, Sanae Takaichi, que abre caminho para os cortes de impostos prometidos e preocupa os mercados financeiros.


… Aqui, o dólar acompanhou o enfraquecimento da moeda americana no exterior e fechou em baixa de 0,63% na sexta-feira, a R$ 5,2204. A continuidade da entrada de fluxo de k estrangeiro para a bolsa ajudou a fortalecer o real.


CIAS ABERTAS NO AFTER – JBS anunciou a criação de uma nova plataforma multiproteínas em Omã, no Oriente Médio, com investimento de US$ 150 milhões…


… A JBS adquiriu 80% da Oamn Food Capital, ligada ao fundo soberano Oman Investment Authority, e prevê capacidade acima de 300 mil toneladas/ano, ampliando a presença para 26 países.


PETROBRAS. A Namíbia afirmou que não reconhecerá, por ora, a licença de exploração offshore adquirida pela Petrobras e pela TotalEnergies até que o processo legal de aprovação seja cumprido, segundo autoridades locais.


BRADESCO anunciou três novos indicados ao conselho: Paulo Rogério Caffarelli, Ivan Gontijo e Regina Nunes. Os executivos substituirão Samuel Monteiro, Walter Lus Bernades Albertoni e o ex-presidente do banco, Octavio Lazari…


… As nomeações serão votadas em assembleia em março e estão sujeitas à aprovação do Banco Central…


… O Bradesco convocou AGE para 10 de março para deliberar sobre aumento de capital de R$ 6,67 bilhões, por meio da capitalização da reserva legal, para R$ 93,77 bilhões. Não haverá emissão de ações.


BANCO ABC BRASIL. O banco registrou lucro líquido de R$ 275,5 milhões no quarto trimestre de 2025, alta de 13,4% na comparação anual.


BANCO PINE. O banco estrutura oferta subsequente de ações (follow-on), que pode ser lançada após a divulgação dos resultados anuais, marcada para hoje, segundo fontes do Valor…


… A operação, estimada em cerca de R$ 300 milhões, teria como objetivo ampliar a liquidez dos papéis, sem diluição relevante do controle.


GERDAU. A gestora FMR LLC reduziu participação nas ações PN para 4,4% do total.


COPEL. A BlackRock passou a deter 5,17% das ações ordinárias, segundo atualização de participação relevante.


EQUATORIAL. A energia distribuída subiu 4,9% no quarto trimestre de 2025 ante igual período de 2024, para 16.325 GWh; a energia injetada bruta avançou 5,7%, para 19.941 GWh…


… A energia faturada cresceu 1,1% no período; as perdas totais recuaram para 18,1% da energia injetada, 0,2 p.p. abaixo do ano anterior e 2 p.p. inferiores ao nível regulatório consolidado.


ECORODOVIAS. O tráfego de veículos nas concessões cresceu 23,4% em janeiro na comparação anual.


RAÍZEN. Os controladores informaram que seguem avaliando alternativas para redução da alavancagem e fortalecimento da estrutura de capital, sem decisão tomada até o momento.


AZUL. A aérea concluiu oferta privada de US$ 1,375 bilhão em títulos no exterior, com remuneração de 9,875% ao ano e vencimento em 2031, para avançar no processo de saída do Chapter 11.


AXIA. O conselho aprovou a 8ª emissão de debêntures, que pode chegar a R$ 2 bilhões, com prazos de até 15 anos e incentivo fiscal…


… A companhia realizou a primeira edição de programa interno de compra de ações, com adesão de cerca de 1,6 mil funcionários (22% do quadro), que adquiriram 390 mil papéis com desconto de 10%…


… O pagamento será feito em 12 parcelas sem juros, com abatimento em folha; as ações serão transferidas até o fim do mês e o resgate poderá ocorrer após três anos (Lauro Jardim/O Globo).


HYPERA. A companhia reiterou que avalia oportunidades de negócios no setor, mas afirmou não haver qualquer deliberação sobre a compra da Medley.


GUARARAPES. A varejista informou que avalia a possibilidade de realizar uma oferta pública de ações, sem decisão definitiva até o momento.


LWSA. Encerrou-se sem oposição o prazo para contestação da redução de capital; acionistas receberão R$ 0,25 por ação, com pagamento em 20 de fevereiro.


ESPAÇOLASER. O conselho aprovou a ampliação do programa de recompra de ações, elevando o limite para até 10 milhões de papéis.


SEQUOIA. Veículos sob gestão da JiveMauá converteram debêntures em ações e passaram a deter 99,63% do capital social, assumindo o controle da companhia.


ALLIANÇA SAÚDE. O investidor Nelson Tanure deixou de ser o controlador da empresa e perdeu uma fatia que detinha da Light…


… As ações das empresas haviam sido dadas como garantia para um empréstimo feito para a aquisição da Ligga Telecom, por um consórcio formado pelas gestoras de investimento Farallon e Prisma e pelo BTG e Santander…


… Em fato relevante divulgado no sábado, a Alliança informou que fundos ligados a Tanure agora detêm 6,96% da empresa. Anteriormente, a participação beirava os 67%…


… Já a Light informou que o fundo Opus FIP passou a ser dono de 9,9% de suas ações por conta de “excussão de alienação fiduciária”. Em outras palavras, papéis haviam sido dados como garantia a empréstimo, agora executada.


ONCOCLÍNICAS. A empresa afirmou desconhecer negociações entre a IG4 Capital e o Goldman Sachs envolvendo a participação de 21,17% do banco na companhia.


GAFISA. O Tribunal Arbitral deferiu pedido de extinção do procedimento CAM 269/24 em relação ao Águia Dourada FIIA, após acordo entre as partes; o litígio prossegue apenas contra o Esh Theta Master FIM…


… A Fator Capital passou a deter 9,52% do capital social, com 2,33 milhões de ações ordinárias.


SÃO MARTINHO. A companhia concluiu a incorporação da Nova Egito Agrícola após aprovação em Assembleia Geral Extraordinária, com a consequente extinção da empresa incorporada…


… Segundo a empresa, a operação segue os termos já divulgados, não resultou em aumento de capital e não altera a estrutura societária.

Bastidores Israel

 *Li as 55 páginas – de queixo caído*


Li com muito cuidado as 55 páginas que o Primeiro-Ministro autorizou a publicação. Realmente, o que descreviam os superlativos, o choque e os “tremores” que os membros da Knesset, que tiveram acesso ao material antes de mim, relataram estão corretos e são devastadores a ponto de gerar medo. Este é um documento assustador que todo cidadão israelense deve ler. Não deve, não é permitido ou recomendável — deve ler. Leia e não acredite. Esfregue os olhos e se belisque diante da profundidade e magnitude da cegueira dos chefes do aparato de segurança. Leia, choque-se, estremeça e levante-se diante da maldade, hipocrisia e vileza, e da dimensão da injustiça e do mal perpetrados contra o Primeiro-Ministro Netanyahu.


Estamos falando dos chefes do aparato de segurança que se opõem a ele e resistem veementemente à ideia de eliminar, “podar” e “decapitar” líderes do Hamas — especialmente Sinwar e Deif — enquanto Netanyahu insistiu repetidamente, por uma década, em tentar implementar isso. Quando Netanyahu insiste, eles dizem a ele: “não é viável” ou “não há maturidade operacional”. Leia e se enfureça com esses oficiais cegos, equivocados, míopes e delirantes que, com sua audácia e negligência, fazem briefings contra Netanyahu; exatamente como dissemos desde o início — eles alertaram principalmente por motivos políticos e argumentaram que a “reforma judicial” ameaça a segurança do Estado. Esses órgãos fizeram briefings, mentiram, ameaçaram e vazaram informações de portas fechadas dizendo que “Netanyahu está bloqueando um acordo” e “abandonando os reféns”.


Chefe do Estado-Maior Zamir: “Não há resposta humanitária para o milhão de pessoas que transferiremos, tudo será complicado. Sugiro que retire a devolução dos reféns dos objetivos da guerra”.

Primeiro-Ministro Netanyahu ao Chefe do Estado-Maior: “O plano que você apresentou não ajudará a trazer os reféns de volta. O plano que acabamos de aprovar atingirá os objetivos da guerra de maneira mais eficiente”.


E sobre a responsabilidade de Netanyahu? Netanyahu não está fugindo da responsabilidade — ele explica seu papel e como agiu ao longo dos anos. Vi citações tendenciosas enfatizando que ele votou, em reuniões do gabinete, contra a ocupação da Faixa; é verdade — Netanyahu também votou contra a ocupação da Faixa. Mas quando o quadro geral mostra que todos os chefes do aparato de segurança e todos os ministros pensavam unanimemente, como os protocolos mostraram, e quando logo após o massacre houve pedidos para interromper a guerra e admitir a derrota, fica claro que uma operação para ocupar a Faixa sem o gatilho de 7 de outubro não teria apoio público. Para comparação: na “Operação Margem Protetora”, a comoção pública subiu aos céus após a perda de soldados, e o público não estava pronto para arcar com os altos custos da guerra — até que 7 de outubro aconteceu e provou o contrário.


No final, o PM não está em cima do muro — ele é alimentado pelas informações que lhe foram passadas pelo aparato de segurança e decide de acordo. Em retrospectiva, é fácil julgar, mas quando você olha para o quadro geral, ele não tinha outra opção. Ele, é claro, assume a responsabilidade ministerial, mas responsabilidade não é necessariamente culpa; também se mede pela forma como você lida após o erro. Quando Netanyahu se levantou das cinzas, enfrentou todos os obstrucionistas, reagiu e virou o jogo — cumpriu sua responsabilidade da forma correta, aos meus olhos. Outros erros ao longo dos anos, como o acordo Shalit, são claros e devem ser examinados.


Leia os protocolos — lá estão todas as respostas a todas as perguntas, em grande detalhe. Por isso o Supremo Tribunal de Justiça interrompeu a revisão do Controlador do Estado; por isso eles têm tanto medo de uma comissão de inquérito justa e imparcial. Porque, assim como na montagem maliciosa de casos, eles não estão interessados em justiça, verdade ou respostas — estão interessados em uma única tarefa que lhes é impossível: derrubar Netanyahu.


Leia, e você não vai acreditar.


_Moti Kastel_



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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Patrocínio do BRB e corrupção

 *Coluna do Estadão: Patrocínios do BRB subiram em 14 vezes sob Ibaneis; banco tem rombo do caso Master*


Investigado pela Polícia Federal no caso Master e com rombo estimado superior a R$ 5 bilhões com compras de ativos da empresa liquidada, o Banco de Brasília (BRB) também é alvo de questionamentos sobre sua política de patrocínios. A instituição estatal aumentou em 14 vezes o gasto com eventos e outros apoios comerciais durante a gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB). Em 2025, reservou R$ 125,8 milhões de gastos para esta rubrica. O valor contrasta com o de uma década atrás, quando o BRB gastava anualmente apenas R$ 1 milhão com patrocínios. A guinada aconteceu nos últimos anos, na gestão Ibaneis, a partir de 2019. No primeiro ano de seu governo, a despesa foi de R$ 7,2 milhões, depois a escalada acelerou. A Coluna levantou os números nos dados oficiais do BRB.


 EXTENSÃO. De janeiro a setembro de 2025, o banco estatal do DF havia desembolsado R$ 82,3 milhões do total previsto para o ano em diversos eventos. Bancou de congresso de procuradores a show do cantor Roberto Carlos na Paraíba.


 PAIXÃO. Em 2020, segundo ano da gestão Ibaneis, o BRB passou a patrocinar o Flamengo, time de futebol do Rio, por R$ 32 milhões anuais. O caso foi parar no Tribunal de Contas do DF a pedido do Ministério Público, que questionou a regularidade do negócio. No ano seguinte, a família Ibaneis adquiriu franquia de revenda de produtos do Flamengo.


 CAIXA-PRETA. O BRB impôs sigilo aos documentos que embasaram o contrato. Alegou que o objetivo dos patrocínios era nacionalizar e fortalecer a marca, “geração de negócios, divulgação de produtos e ampliação de relacionamentos”. O contrato segue ativo e o banco tenta renová-lo.


ADIA. O ministro Luiz Fux, do STF, cancelou uma audiência de conciliação entre o governo federal e representantes de bets para discutir o bloqueio de apostas para beneficiários do Bolsa Família. O encontro estava marcado para a próxima terça-feira, 10. Ele alegou choque de agenda. Na prática, a medida amplia a validade da decisão de Fux que, em dezembro, suspendeu ordem do Ministério da Fazenda que vetou apostas feitas pelos beneficiários do auxílio. Dados do TCU apontam que, em janeiro de 2025, integrantes de famílias com beneficiário do Bolsa Família transferiram R$ 3,7 bilhões a casas de apostas.


 APURE. A Justiça de Pernambuco ordenou a retomada da investigação de um suposto esquema de desvio de verbas públicas envolvendo contratos da prefeitura do Recife para a manutenção de prédios. Em nota, a prefeitura disse que não faz parte da investigação formalmente, e que “confia na legalidade das contratações da gestão municipal”.


 GAVETA. O presidente da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), Marcelo Freixo, já tem pronta a documentação para defender o repasse de R$ 1 milhão à escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageará Lula. A ideia é mostrar que o patrocínio às 12 escolas de samba cariocas foi igual a outros anos.


 CALMA. O ministro Aroldo Cedraz, do TCU, negou um questionamento de técnicos do tribunal que apontava possível desvio de finalidade. Ele deu 15 dias para o governo se manifestar, prazo que acaba após o carnaval.


PRONTO, FALEI!


Fabiano Contarato

Senador (PT-SE)

"O ataque promovido pelo governo de Donald Trump contra Barack e Michelle Obama não é apenas um desrespeito institucional. É um ato grave de racismo.”


CLICK


José Múcio

Ministro da Defesa


Em Plymouth, na Inglaterra, durante visita técnica ao navio Oiapoque, que foi adquirido pela Marinha brasileira para ser sua segunda maior embarcação.


(ROSEANN KENNEDY. COM EDUARDO BARRETTO E LETICIA FERNANDES)


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BRB e Master

 *BRB vira dono de concessionária de cemitérios em SP ao assumir ativos do Master*


Master entregou papéis da concessionária de cemitérios Maya, que administra cinco cemitérios em São Paulo


O BRB assumiu uma batelada de papéis do Master após constatar que as carteiras de crédito vendidas por R$ 12 bilhões pelo banco de Daniel Vorcaro eram podres. A substituição, que ocorreu às pressas, foi interrompida pela liquidação extrajudicial do Master, decretada um dia após Vorcaro e outros executivos do banco terem sido presos no âmbito da Operação Compliance Zero.


Na lista de ativos aceitos pelo BRB na tentativa de compensar as perdas com os títulos fraudulentos há de tudo um pouco. Propriedades, fundos, ações, contas no exterior e a empresa Cemitérios São Paulo SA, cujo nome fantasia é Grupo Maya.


Além de vender diversos tipos de serviços funerários, de coroas de flores a traslado de caixões, o Grupo Maya administra cinco cemitérios paulistanos: Campo Grande (foto em destaque), Lageado, Lapa, Parelheiros e Saudade.


Líder de reclamações nos canais da prefeitura de São Paulo, o Grupo Maya é investigado pelo Executivo local por conta da possível fusão informal com outro grupo responsável pela administração de cemitérios na capital paulista, a Cortel.


Ao apurar as denúncias, a prefeitura descobriu que o Grupo Maya fez uma série de empréstimos junto ao Banco Master. A informação é importante porque o empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, aparece no quadro societário da Cortel. Zettel foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero.


*Vende-se*


O Grupo Maya faz parte dos ativos que o BRB espera vender o quanto antes para recuperar o caixa. Na última quarta-feira (4/2), o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, foi até à Faria Lima em busca de compradores.


Na lista de itens à venda também consta um terreno próximo à região da Cidade Jardim, em São Paulo, localização nobre e de alto valor de mercado, além de restaurantes e outros bens. O pacote é avaliado pelo BRB em R$ 21,9 bilhões.


A venda de ativos comprados do Master é, inclusive, uma das opções para recomposição do capital apresentadas pelo BRB ao Banco Central (BC) na última sexta-feira (6/2).


O BC determinou ao banco o provisionamento de R$ 2,6 bilhões, em janeiro deste ano. O BRB, então, estruturou o plano com as seguintes opções:


empréstimo de consórcio de bancos;

empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC);

estruturação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) com ativos imobiliários do Governo do Distrito Federal;

solução de mercado com venda de ativos comprados do Master.


https://www.metropoles.com/colunas/dinheiro-e-negocios/brb-vira-dono-de-concessionaria-de-cemiterios-em-sp-ao-assumir-ativos-do-master

Eleitores endividados

 *Eleitores endividados*


Dados do BC expõem descompasso entre a publicidade lulopetista e a vida real: endividamento elevado corrói a sensação de melhora econômica e pode cobrar seu preço na disputa presidencial de 2026


“Herança maldita”, bradava o comissariado petista em novembro de 2022, durante a transição entre os governos de Jair Bolsonaro e o novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. À época, a caciquia do partido falava em “economia destruída”, alertava que o povo estava “passando fome” e denunciava o avanço do endividamento das famílias. O crédito caro, o rotativo do cartão e o uso crescente do consignado e dos empréstimos pessoais eram apresentados pelo PT como prova de que a economia se tornara hostil aos brasileiros. A promessa implícita era inequívoca: com a volta de Lula ao Palácio do Planalto, a renda cresceria, o aperto diminuiria e a normalidade econômica seria restaurada.


Três anos depois, os dados desmentem essa expectativa. A renda, de fato, cresceu, mas o aperto não deu trégua. Segundo o Banco Central, o endividamento das famílias alcançou 49,8% do rendimento anual, patamar muito próximo do recorde histórico registrado em julho de 2022. Trata-se de um indicador abrangente, que inclui financiamentos imobiliários e de veículos, crédito consignado, empréstimos pessoais e cartão de crédito. Não é um desvio pontual, mas a consolidação de um quadro persistente de pressão sobre os orçamentos domésticos. E a evidência de que o triunfalismo lulopetista está longe de encontrar amparo na realidade.


O contraste com a narrativa oficial é evidente. O governo insiste em destacar indicadores positivos do mercado de trabalho, sobretudo a queda do desemprego e a recuperação da renda média. Esses avanços são reais, mas insuficientes para neutralizar o desconforto econômico percebido pela população. Dívidas elevadas, juros altos e crédito caro corroem o efeito prático da renda adicional e alimentam a sensação difusa de que a vida não está mais fácil.


As pesquisas de opinião captam esse descompasso. Levantamentos recentes, como os do Ideia e da Quaest, mostram que uma parcela expressiva dos brasileiros acredita que a economia piorou ou permaneceu estagnada, apesar do discurso autoelogioso do governo. A avaliação do desempenho econômico figura de forma recorrente entre os principais fatores de insatisfação. Custo de vida e insegurança financeira ancoram tais temores. Não por acaso, a aprovação do governo oscila em patamar mediano, distante do apoio que costuma sustentar projetos de reeleição.


Esse cenário expõe os limites da estratégia petista de terceirizar permanentemente a responsabilidade pelos problemas econômicos. Não é novidade. Entre 2002 e 2003, ao chegar à Presidência pela primeira vez, Lula também classificou como “herança maldita” a economia recebida de Fernando Henrique Cardoso – como se a gestão tucana, apesar de sucessivas crises internacionais, não tivesse pavimentado o caminho que permitiria o sucesso econômico do primeiro mandato petista.


Essa marotagem tem prazo de validade. Lula governa há tempo suficiente para que os resultados, positivos ou negativos, sejam atribuídos majoritariamente às escolhas de sua própria administração. Persistir na lógica da herança eterna soa cada vez menos convincente e mais como fuga de responsabilidade. Os números divulgados pelo Banco Central reiteram essa constatação.


O endividamento elevado vai além da estatística. Restringe o consumo, amplia a vulnerabilidade das famílias a choques econômicos e limita a eficácia de políticas baseadas quase exclusivamente em transferências de renda. Em ano pré-eleitoral, esse quadro se converte em risco político concreto para um presidente que aposta na memória afetiva de mandatos passados e na ideia de que sua presença no poder, por si só, melhora a vida do cidadão comum.


A economia tende a ser o eixo central da disputa de 2026 não por ideologia, mas por experiência concreta. O eleitor decide menos pelo discurso e mais pelo que sente no bolso. Se quiser evitar que a dívida das famílias se torne símbolo de frustração eleitoral, o Planalto precisará ir além da retórica e enfrentar o problema com seriedade. Até lá, os números do Banco Central seguirão lembrando que a economia real não se deixa moldar por slogans – e que a política da negação pode cobrar seu preço nas urnas.



https://www.estadao.com.br/opiniao/eleitores-endividados/?srsltid=AfmBOorVNAzGbILW2dgUnsQg12OV8cARpi4ytQ6UVlSqy8ZuG_bLXxUF

Leitura de sábado 2

 *Leitura de Sábado: privatização da Copasa combina 'filé com osso' e retorno via investimento*


Por Elisa Calmon


São Paulo, 03/02/2026 - A privatização da Copasa combina ativos que, no jargão do mercado, formam um "filé com osso", ao reunir municípios com alto nível de atendimento e áreas com déficits relevantes, sob gestão da subsidiária Copanor. Embora represente um desafio operacional, esse desenho pode abrir oportunidades de ganhos, segundo especialistas.


Na semana passada, a companhia divulgou as primeiras diretrizes sobre o desenho da privatização. O modelo repete a estrutura de follow-on (oferta subsequente de ações) adotada pela Sabesp em 2024 e também prevê a participação de um investidor estratégico. A expectativa é que a operação ocorra entre março e abril.


O projeto de lei que autoriza a desestatização prevê a incorporação da Copanor pela Copasa. Atualmente, a subsidiária é responsável pela operação no Norte e Nordeste de Minas Gerais, regiões em que os indicadores de saneamento estão abaixo das médias estadual e nacional.


Cerca de 83% da população mineira tem acesso à rede de água e aproximadamente  76% conta com coleta de esgoto. Nos municípios do Vale do Jequitinhonha, do Mucuri e em parte do Norte de Minas, cerca de 60% dos domicílios recebem água tratada e aproximadamente 40% dispõem de coleta de esgoto, segundo dados do governo de Minas Gerais e do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).


Por outro lado, Minas Gerais também reúne municípios com indicadores elevados de saneamento. O Estado tem duas cidades entre as 20 melhores colocadas no Ranking do Saneamento 2024 do Instituto Trata Brasil: Montes Claros e Uberlândia. A primeira é atendida pela Copasa. A capital, Belo Horizonte, também sob concessão da companhia, possui 100% da população com acesso à água potável e à coleta de esgoto, também de acordo com o SNIS.


Para Paulo Henrique Dantas, especialista em infraestrutura do Castro Barros Advogados, o principal desafio está em conciliar áreas mais rentáveis com regiões que exigem investimentos elevados e retorno mais lento. "É uma engenharia financeira complexa, porque é preciso universalizar o serviço, atender tarifas sociais e investir pesado antes de começar a capturar retorno", afirma.


Retorno via investimento


Ainda assim, regiões com menor cobertura não inviabilizam a concessão dentro da lógica de remuneração do setor, segundo o analista do UBS BB, Giuliano Ajeje. Ele explica que a tarifa do saneamento é estruturada para cumprir duas funções centrais: assegurar a remuneração do capital investido e cobrir o custo da operação. Como a margem operacional é limitada, os investimentos se tornam um vetor relevante.


"A operação em si tem margem muito pequena. A beleza do saneamento é a necessidade de fazer investimento. Quanto mais a companhia aportar, maior será o retorno", afirma Ajeje.


O analista de infraestrutura do Citi, João Pimentel, acrescenta que esse retorno decorre do modelo regulatório baseado na remuneração da base de ativos. "Todo investimento que você faz vira base de ativos regulatórios, que é remunerada por uma taxa definida pelo regulador", diz. Segundo ele, a tarifa resulta da aplicação do custo médio ponderado de capital (WACC) sobre essa base, o que define a receita máxima da concessionária.


"Se ao longo do tempo você vai investindo, essa base de ativos cresce. Na revisão tarifária seguinte, a taxa regulatória passa a incidir sobre uma base maior", afirma. "Desde que os investimentos sejam reconhecidos pela agência, o resultado econômico cresce ao longo do tempo", acrescenta.


Desafios


Dantas pondera, no entanto, que o retorno dos investimentos tende a ser mais lento justamente porque a infraestrutura precisa estar pronta antes de gerar receita. "Isso alonga o prazo de retorno dos investimentos", diz.


Mas o desenho da privatização, inspirado no modelo adotado na Sabesp, com a entrada de um investidor de referência, ajuda a dar maior previsibilidade à execução dos aportes e à captura do retorno ao longo do contrato, avalia o especialista em infraestrutura.


O Plano Estadual de Saneamento Básico estima que Minas Gerais demandará cerca de R$ 50 bilhões em investimentos em infraestrutura de água e esgoto entre 2022 e 2033. Em um horizonte mais longo, até 2041, a necessidade de recursos sobe para R$ 70 bilhões.


A título de comparação, o contrato de privatização da Sabesp prevê cerca de R$ 70 bilhões em investimentos até 2029 para antecipar a universalização dos serviços. Com uma população quase duas vezes maior que a mineira, o Estado de São Paulo apresenta níveis de cobertura superiores. Cerca de 95% da população paulista tem acesso à rede de água e 90,5% à coleta de esgoto, segundo dados de 2022 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).


Contato: elisa.ferreira@estadao.com


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Leitura de sábado

 *Leitura de Sábado: Possibilidade de El Niño em 2026 deixa mercado elétrico sob alerta*


Por Luciana Collet


São Paulo, 03/02/2026 - A possibilidade de transição do fenômeno La Niña, atualmente vigente, para o El Niño ao longo dos próximos meses deixa o setor elétrico brasileiro sob alerta, tendo em vista o impacto que pode gerar no balanço energético nacional e no custo da eletricidade no País. Após chuvas abaixo da média ao longo dos últimos meses e previsão de que as águas de fevereiro e março não serão suficientes para eliminar o déficit de precipitações acumulado de outubro até agora, a perspectiva de um fenômeno que tende a elevar as temperaturas e diminuir chuvas em áreas de reservatório aumenta a preocupação com os níveis de armazenamento nas hidrelétricas no final deste ano.


Atualmente, as instituições de acompanhamento climático já observam uma tendência de aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), agência norte-americana conhecida por rastrear os fenômenos climáticos, segue apontando a presença do La Niña, que corresponde a uma anomalia negativa na temperatura oceânica, mas afirma que há 75% de chance de transição para a neutralidade até março. Meteorologistas aguardam o anúncio oficial possivelmente ainda este mês.


E as análises apontam tendência de transição, ainda dentro da neutralidade, para um El Niño fraco ainda no primeiro semestre. Ou seja, haveria uma temperatura acima da média na região central do Oceano Pacífico Equatorial, refletindo em alterações atmosféricas ao longo do segundo semestre.


"No Centro Europeu [de Previsões Meteorológicas], dos 51 cenários que eles rodam, 50 indicam que a gente entra no El Niño, de fraco a moderado, até junho e um cenário aponta julho; o modelo norte-americano indicou, em janeiro, todas as rodadas na neutralidade; e quando olhamos o multimodelo do IRI [International Research Institute for Climate and Society, ligado à Universidade de Columbia], que faz uma combinação de todos os institutos, ele coloca 60% de probabilidade de ter El Niño neste ano, o que é bastante alto", disse o CEO da consultoria Tempo OK, João Hackerott.


O El Niño traria como consequência aumento das chuvas no Sul e seca no Norte e Nordeste. Já a região central do País, onde se concentram os principais reservatórios hidrelétricos, há irregularidade das precipitações e risco de ondas de calor. Hackerott lembra que além do fenômeno, as chuvas no Sudeste sofrem a interferência do comportamento do Oceano Atlântico e outras oscilações. "Estamos preocupados, o sinal de atenção é realista porque pode ter atraso no período úmido se tiver entrada El Niño e Oceano Atlântico mais aquecido, como as projeções estão indicando", disse.


O sócio-diretor e meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, salienta a necessidade de acompanhar o período de transição para confirmar a tendência de configuração do fenômeno, mas considera haver "grande chance" de El Niño no segundo semestre, trazendo desafios adicionais para o sistema elétrico brasileiro.


Ele lembra que as chuvas dos últimos meses foram irregulares, não permitindo boa recuperação do armazenamento nas hidrelétricas até agora. "A gente entra agora no terço final do período úmido e não tem mágica, não tem chuva em abril ou maio capaz de recuperar 10% de reservatório, então de agora em diante vai continuar recuperando reservatório, mas não tanto quanto se tivesse chovido desde dezembro", disse, sugerindo que o volume armazenado tende a ser uma preocupação no fim do período seco, por volta de outubro.


Matheus Machado, especialista de inteligência de mercado do Grupo Bolt, alerta que o El Niño e o consequente aumento das temperaturas para patamares mais elevados, possivelmente acima da média, pode impulsionar a carga para além do crescimento atualmente projetado para o ano, da ordem de 4,5%. "No global dos últimos 12 meses de temperatura, estamos passando por um período de anomalia negativa, mas quando vem uma onda de calor, a carga responde", disse.


Para ele, teremos um 2026 com diversas pressões de crescimento da demanda. Além do consumidor lidando com picos de calor que elevam o uso de refrigeração, ele cita as elevadas taxas de crescimento observadas no Norte e Nordeste, superiores a 7%. "Temos duas âncoras de carga mais alta que são mais imunes a temperatura, é importante porque só o Nordeste entregou um crescimento 1 gigawatt em janeiro, ou 8%, o que é muito elevado. E pode ter oscilações no Sudeste e Sul, mas comparando com 2025 temos uma carga mais firme", disse.


Já Fred Menezes, diretor de Comercialização da Armor Energia, cita que o aumento das temperaturas, associado com a possibilidade de reservatórios baixos gera alerta especialmente para 2027. De acordo com ele, o aumento das chuvas no Sul, com o El Niño, colaboraria no atendimento do aumento da demanda no Sudeste, mantendo os preços da energia sob controle por um tempo, mas não geraria grandes contribuições para a melhora do armazenamento.


Contato: Luciana.collet@estadao.com


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Nova tarifa global

 *Capital Economics: Nova tarifa global dos EUA deve elevar sobretaxa efetiva para 14,5%* Por Gustavo Boldrini São Paulo, 21/02/2026 - O aum...