sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Bankinter Portugal Matinal 2911

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Fecho de uma semana a meio gás marcada pelo feriado americano e escassas referências macro. O saldo semanal volta-nos a mostrar a dissociação entre as bolsas americanas (+0,5%) e as europeias (-0,6%). 

 

Ontem, Europa, sozinha (EUA fechados devido à Ação de Graças) subiu cerca de +0,5% com a tecnologia a liderar a sessão. Principalmente ASML (+2,4%) e os restantes semicondutores depois de Bloomberg publicar que as restrições dos EUA sobre a venda de chips à China poderão ser mais suaves do que o inicialmente esperado. A macro teve um impacto limitado: (i) o IPC da Alemanha subiu uma décima a menos do que o esperado (+2,2% desde +2,0%) e (ii) Villeroy (BCE) mostrou um tom dovish, afirmando que não descarta ver as taxas de juros abaixo do nível neutral. Consequentemente, as rentabilidades das obrigações cederam (Bund -3 p.b.; Espanha -5 p.b.) e o euro depreciou-se ligeiramente face ao dólar.  

 

Hoje voltaremos a ter uma sessão com baixa atividade. Nova Iorque reabre, mas só a meia sessão e com a atenção nos primeiros dados de vendas de uma campanha de Natal para a qual se esperam crescimentos de +2,5%/+3,5%, segundo National Retail Federation. A única referência importante será a inflação europeia (10h; +2,3% esp. desde +2,0% ant.). Aumentará pelo efeito base de uns preços de energia altos em 2023, mas poderá ser menor do que o esperado, já que ontem o IPC alemão, utilizado para o cálculo europeu, estancou-se em +2,4% (vs +2,6% esperado). Com o mercado já fechado, teremos a revisão do rating de França (S&P: AA-; estável), a qual poderá ter uma tendência negativa dada a instabilidade do país. 

 

Em suma, o padrão que temos visto nas últimas semanas voltará a complicar-se. Estimamos uma sessão fraca na Europa, pelo menos até se conhecer os dados da inflação, e positiva nos EUA, com vontade de subir após o feriado e quedas de quarta-feira. 

 

S&P500, Nq-100, SOX: cerrado. ES-50 +0,5% IBEX +0,3% VIX 13,9% Bund 2,12% T-Note 4,21% Spread 2A-10A USA=2pb B10A: ESP 2,84% PT 2,60% FRA 2,94% ITA 3,34% Euribor 12m 2,46% (fut.12m 2,00%) USD 1,055 JPY 158,6 Ouro 2.661$ Brent 73,31$ WTI 69,04$ Bitcoin +1,3% (96.321$) Ether -0,3% (3.561$) 

 

FIM

BDM Matinal Riscala 2911

 Sexta-feira, 29 de Novembro de 2024.


IMPACTO DO PACOTE NÃO BATE COM CONTAS DO MERCADO

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato**



… Os mercados em NY operam em horários reduzidos nesta Black Friday, com as bolsas fechando às 15h e os Treasuries, às 16h. A agenda internacional prevê o resultado do PIB de alguns países da Europa e a inflação na zona do euro. Aqui, é difícil arriscar uma projeção para o dia, após a violenta reação dos investidores ao pacote de contenção dos gastos públicos. O que era para ser um choque positivo das expectativas, acabou adicionando mais incertezas e piorando a percepção de risco fiscal. A entrevista de Haddad e de técnicos da Fazenda não conseguiu acalmar a turbulência dos negócios. Economistas contestam a economia de R$ 70 bilhões anunciada e apresentam cálculos de um impacto bem menor e insuficiente. Além disso, há dúvidas sobre as chances de as medidas passarem no Congresso.


… A despeito do compromisso de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, que prometeram todo o esforço para votar as propostas ainda neste ano, todo mundo sabe que as matérias do Executivo chegam de um jeito no Legislativo e saem de outro.


… O primeiro suspense é sobre a compensação da reforma da renda, que isentou faixa do IR até R$ 5 mil.


… Os parlamentares até podem aprovar essa medida que é popular, e implica uma renúncia estimada em R$ 35 bilhões pelo governo, mas quem garante que vão aumentar a tributação dos mais ricos? E se não aprovarem?


… O governo se precipitou em anunciar a reforma em cima de uma variável pela qual não pode responder e agravou a situação fiscal.


… Algumas medidas foram consideradas na direção certa, como a mudança no reajuste do salário mínimo, que limitou o aumento real em 2,5%, e do abono salarial, que passará a ser pago para quem recebe até um salário e meio, e não mais dois salários.


… Já a decisão de manter os pisos da Saúde e da Educação, que deve continuar ameaçando o arcabouço fiscal, foi uma frustração a quem esperava mudanças estruturais. Nem nos números do governo o mercado acreditou.


… Para a Warren Investimentos, a economia do pacote deve ser de 62% do valor anunciado de R$ 71,9 bilhões, ou cerca de R$ 45 bilhões.


… Já economistas do Itaú Unibanco calculam um potencial de economia de R$ 53 bilhões nos próximos dois anos, 2025 e 2026, enquanto nas contas da Monte Bravo, as medidas resultarão numa contenção de despesas em torno de R$ 40 bilhões a R$ 45 bilhões.


… Para Felipe Miranda (Empiricus), o pacote do governo Lula cria uma ponte até 2026, quando será essencial promover uma rediscussão profunda estruturante e reformista. “A partir de 27, independentemente de qual governo for eleito, será inevitável revisitar a questão fiscal.”


.… Depois de esperar um mês, o mercado projeta agora mais inflação e mais juros.


… O ceticismo e o mau humor com o pacote fiscal levou o dólar a bater R$ 6 pela primeira vez desde o Plano Real, enquanto a curva do DI passava a projetar uma Selic terminal de 14,75%, com a aposta de 100pbs em dezembro ganhando força (abaixo).


GALÍPOLO – Cobrado a adotar uma mensagem hawkish, diante da explosão de pessimismo vivida ontem pelos mercados, o futuro presidente do BC não decepcionou em palestra à noite, durante evento do Esfera Brasil, em SP.


… Reconheceu que o BC está incomodado com a desancoragem da inflação corrente e das expectativas, repetiu que meta [de inflação] se cumpre e que cabe ao Copom colocar a Selic em nível restritivo pelo tempo necessário.


… Em dia de estouro do dólar para R$ 6, disse que o real depreciado e a economia aquecida levam a imaginar convívio com juro elevado e que, pior do que o impacto da inflação para a população, seria o BC não subir o juro.


… Em um discurso sem concessões políticas, avisou que elevar a taxa em um mandato de quatro anos é normal. “Se pretende ser Miss Simpatia, lugar não é BC”, observou Galípolo, que assume o comando do BC em janeiro.


… Ele ainda aproveitou para reiterar várias vezes a independência do BC para tocar a política monetária como quiser.


… A ênfase na postura autônoma veio horas depois do desconforto provocado pelos comentários do ministro Rui Costa, que está em “contagem regressiva” para ter um BC dirigido “por quem mora no Brasil e não em Miami”.


… Numa direta para Campos Neto, o ministro da Casa Civil atribuiu o nervosismo no mercado ontem à ação “deliberada” de RCN, que “boicota o governo, cria sensação permanente de instabilidade e só fala mal do Brasil”.


… Segundo Rui Costa, Lula já escolheu os nomes dos novos diretores do BC, que devem ser encaminhados hoje ou, no máximo, na próxima semana. Os mandatos de Otavio Damaso e Carolina Barros terminam no último dia do ano.


… Em discurso fechado no Palácio do Planalto nesta 5ªF, o presidente Lula qualificou o pacote fiscal de “coisa extraordinária” para a contenção do excesso de despesas e para garantir o cumprimento do arcabouço fiscal.


MAIS AGENDA – Galípolo, Guillen, Haddad e Tebet participam de almoço da Febraban (11h30).


… Entre os indicadores, o IBGE deve mostrar que o mercado de trabalho brasileiro segue apertado com a divulgação da Pnad Contínua, às 9h.


… Mediana das expectativas em pesquisa Broadcast aponta que a taxa de desemprego deve ter caído para 6,2% no trimestre até outubro, de 6,4% até setembro. As projeções vão de 6,0% a 6,4%.


… Às 8h30, o BC informa o primário do setor público consolidado, que deve mostrar superávit de R$ 40,5 bilhões, após déficit de R$ 7,34 bilhões em setembro. A coletiva do BC sobre os números será às 14h30.


… O Tesouro divulga o relatório mensal da dívida pública de outubro às 15h30, com coletiva às 16h.


… Sem horário definido, a Aneel divulga a bandeira tarifária de dezembro.


LÁ FORA – A zona do euro divulga o CPI preliminar de novembro, às 7h. A expectativa é que o índice cheio acelere de 2% para 2,4% na comparação anual. O núcleo deve subir de 2,7% para 2,9%.


… Vários países divulgam PIB do 3Tri, como França (4h45), Turquia (4h) e Canadá (10h30). No final da noite, saem na China os dados oficiais do PMI da indústria e dos serviços em novembro.


FOGO NA FARIA LIMA – Dólar a R$ 6 e projeção de Selic em quase 15% dão a medida do dia de cão nos mercados, em que o pacote fiscal caiu como uma bomba, na reação potencializada pela medida populista do IR.


… Não bastasse a desconfiança de que o corte de gastos será desidratado e a taxação dos super-ricos enfrentará muitas resistências, também a isenção tributária pretendida antecipa a perda de potência da economia fiscal.


… O desfecho previsível deste quadro negativo, na avaliação do mercado, é que o BC será cobrado a dar uma resposta mais agressiva na política monetária. Estão dizendo que +0,75pp para a Selic em dezembro virou piso.


… Bancos estrangeiros já começam a puxar a régua ontem, antecipando maior pressão fiscal adiante. O JPMorgan passou a apostar em um choque de 1pp no juro mês que vem e revisou a aposta da Selic terminal para 14,25%.


… O Barclays, que ainda confiava que o Copom manteria o ritmo de aperto em meio ponto, passou agora a esperar aceleração da dosagem a 0,75pp, com o ciclo de alta fechando em 13,50% (de 12,75% antes) e com riscos para cima.


… Na curva do DI, sempre na vanguarda do estresse fiscal, alguns contratos já testaram 14% ontem, o que não se via desde o governo Dilma, segundo anotou a jornalista Denise Abarca, no Broadcast. Deu o termômetro do caos.


… No espaço de 24h, as apostas isoladas de alta de 1pp na Selic em dezembro arrancaram de 4% para 28%. Também já é quase majoritária a precificação desta mesma dose de 1pp em janeiro e março, com Selic terminal de 14,75%.


… A perspectiva de um ciclo de aperto mais agressivo e mais longo disparou pressão generalizada no câmbio e DI.


… O contrato de juro para janeiro de 2026 cravou a máxima histórica de fechamento, a 13,91%, contra 13,55% na véspera. Jan/27 foi a 14,040% (de 13,620%) e Jan/29, a 13,910% (pico do dia, contra 13,450% no pregão anterior).


… Na ponta longa, o vencimento para Jan/31 fechou a 13,750% (de 13,290%); e Jan/33, a 13,630% (13,160%).


… Em meio ao estresse, o Tesouro foi malsucedido no leilão de títulos públicos, colocando apenas um lote pequeno de LTN, a metade da oferta, e nada de NTN-F – o papel preferido dos gringos.


… Com o governo riscando o fósforo nos negócios, o dólar atingiu a inédita marca de R$ 6 no pior momento (R$ 6,0036). A moeda americana terminou o dia em alta de 1,29%, a R$ 5,9895, novo recorde histórico nominal.


… Para hoje, espera-se mais volatilidade no mercado de câmbio, parte dela atribuída à disputa da taxa Ptax.


… A forte injeção de dinheiro esperada na economia com a isenção tributária para quem ganha até R$ 5 mil traz riscos potenciais à inflação e também pode turbinar o crescimento do PIB, exigindo trabalho dobrado do Copom.


… Às vésperas do PIB/3Tri, que o IBGE solta na próxima 3ªF, o Itaú aponta viés de alta em sua estimativa de 3,2% para o acumulado do ano, caso o Brasil confirme expansão de 0,6% entre julho e setembro, após +1,4% no 2Tri.


STRIKE – Com a confiança do investidor abalada desde a noite anterior, depois do pronunciamento de Haddad, já nos primeiros minutos do pregão, o Ibovespa perdeu os 127 mil pontos.


… Depois da abertura, o índice à vista continuou rolando ladeira abaixo. Furou os 126 mil pontos, para em seguida romper os 125 mil e fechar aos 124.610,41 pontos, num mergulho de 2,40% no dia.


… Foi o menor nível de fechamento em cinco meses (desde 28/6) e a maior baixa porcentual desde 2 de maio (também de 2,4%). Faltando só hoje para fechar novembro, o Ibov acumula queda de 3,93%. No ano, afunda 7,14%.


… O giro de R$ 27,7 bilhões no dia, novamente acima da média recente – mesmo sem a referência de NY -, denunciou o forte movimento de fuga do risco.


… Com o risk-off rodando alto, as blue chips afundaram. Petrobras ON recuou 1,67% (R$ 41,75) e PN (-1,03%; R$ 38,59). Vale perdeu 1,03% (ON, a R$ 57,53), a despeito do minério de ferro estável em Dalian.


… Bancos e papéis sensíveis aos juros foram os grandes perdedores do dia. Bradesco PN caiu 4,20% (R$ 12,76), Bradesco ON, -3,69% (R$ 11,23), Itaú, -3,60% (R$ 32,68), Santander, -3,04% (R$ 24,90); e BB, -2,93% (R$ 24,48).


… MRV liderou as perdas, com -14,10% (R$ 5,30), seguida por CVC (-13,38%; R$ 2,33) e Renner (-10,16%; R$ 14,50).


… Na outra ponta, exportadoras se beneficiaram do dólar caro. No topo da lista positiva, JBS avançou 3,35%, a R$ 36,38. Suzano subiu 3,00%, a R$ 61,53; SLC Agrícola, +2,64%, a R$ 17,52; e Klabin, +1,97% (R$ 21,71).


PETRÓLEO – A cotação do Brent/jan subiu 0,66%, a US$ 72,78 o barril, na ICE, depois de a Opep+ adiar de 1º para 5 de dezembro a reunião que vai decidir se os cortes de produção serão mantidos no início de 2025.


… Apuração da Reuters informou que o cartel está discutindo o adiamento do aumento da produção para o 1Tri25.


… Entre as questões que precisam ser abordadas, está o aumento da produção dos Emirados Árabes Unidos, atualmente programada para começar em janeiro, segundo duas fontes da Opep+ ouvidas pela agência.


… O banco ANZ espera que o cartel e seus aliados adiem o aumento para fevereiro, permitindo que o grupo analise o impacto da nova administração dos EUA sobre comércio e política externa.


THANKSGIVING DAY – Sem negócios em NY e liquidez limitada pelo feriado nos EUA, o índice DXY fechou estável (-0,03%), em 106,048 pontos.


… Depois de forte altas nos últimos dias, em meio à expectativa de elevação de juros pelo BoJ, o iene recuou 0,31%, a 151,546/US$.


… O euro (-0,09%, a US$ 1,0557) e a libra (+0,09%, em US$ 1,2689) fecharam estáveis. Na Alemanha, a leitura preliminar do CPI de novembro acelerou de 2% para 2,2%, na comparação anual, mas abaixo da expectativa de 2,3%.


… Em entrevista, Christine Lagarde chamou atenção para o impacto inflacionário de uma eventual guerra comercial entre EUA e Europa.


… Se os governos europeus retaliarem, desencadeando um conflito comercial transatlântico, haveria um impacto na demanda e na produção econômica global, disse a presidente do BCE.


EM TEMPO… VALE pagará R$ 2,22 bilhões em JCP, no valor bruto de R$ 0,52 por ação. A data de corte é 11 de dezembro; ‘ex’ a partir do dia 12. A data de pagamento está prevista para março de 2025.


ITAÚ aprovou a distribuição de JCP no valor líquido de R$ 0,2639 por ação, com pagamento em 30/4/25; ex em 10/12/24.


ASSAÍ. Sharp Capital Gestora de Recursos atingiu o montante de 69.479.153 ações ON de emissão da companhia, correspondentes a 5,14% dos papéis do tipo.


MRV&CO. A empresa de loteamentos do grupo, Urba Desenvolvimento Urbano, aprovou a 8ª emissão de debêntures, no valor de R$ 150 milhões.


ULTRAPAR aprovou programa de recompra de até 25 milhões de ações, o que representa cerca de 2,29% dos papéis em circulação.

Churchill

 “Não existe opinião pública, existe opinião publicada."- Sir Winston Churchill

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Felipe Moura

 "*Ninguém favoreceu Lula e STF como Jair Bolsonaro.*


Em resumo:


- Botou petista Aras na PGR (acabou com a Lava Jato) e “nosso Kassio” do Centrão no Supremo (votou por validar suspeição de Moro no caso do triplex e retirar delação de Palocci no caso do Instituto Lula, ambos envolvendo Odebrecht);


- Sabotou CPI da Lava Toga, que investigaria Toffoli, inclusive por abrir o inquérito das fake news, o primeiro monstrengo relatado por Moraes; e vetou projeto contra decisões monocráticas (tudo porque Toffoli blindou seu filho Flávio monocraticamente, paralisando investigações de peculato);


- Sancionou jabutis inseridos no pacote anticrime (restrições a prisão preventiva e delação premiada; criação da figura do juiz de garantias) e ajudou a afrouxar leis penais e de improbidade (até para se livrar de processo por sua funcionária fantasma Wal do Açaí);


- Aloprou na pandemia, afastando eleitores moderados;


- Criou, com tramas de golpe, a cortina de fumaça ideal para o avanço da impunidade de criminosos de colarinho branco e para o poder de ministros do STF, que posam de guardiões da “democracia” contra a “extrema-direita” enquanto livram até o petista José Dirceu de condenações e participam de eventos patrocinados pelos irmãos Batista;


- Alimentou a “Rataria” de militares golpistas e de jagunços virtuais que buscam “infernizar” a vida e a família de quem não se curva, tentando assassinar reputações e intimidar os alvos, incluindo comandantes do Exército e da Aeronáutica que recusaram o golpismo, expoentes da Lava Jato, e jornalistas independentes que vigiam Lula, STF e, claro, Bolsonaro;


- Comprou apoio midiático, redistribuindo milhões de reais de publicidade federal para emissoras de empresários amigos, que empregaram blogueiros dispostos a acobertar a sujeira do então presidente em troca de salários altos, microfone em horário nobre, audiência e visibilidade, até a maioria ser demitida na virada do governo, quando a torneira fechou;


- Conseguiu perder a eleição de 2022 para o candidato que ajudou a tirar da cadeia;


- Apoiou a candidatura do irmão de Gilmar Mendes à prefeitura de Diamantino-MT em 2024, além de ter, no governo, distribuído cargos a aliados, advogado e primo do ministro…


E por aí vai, porque a lista é imensa.


O pior, no entanto, não é o histórico de colaboracionismo do radical do Centrão com o sistema que finge combater, mas o silêncio cúmplice e os panos oportunistas de uma suposta direita que se deixou usurpar."


(Felipe Moura Brasil, O Antagonista)


https://x.com/FMouraBrasil/status/1861758983247200499

Jairo José da Silva

 Golpes de Estado são manobras ilegais para a tomada de controle do Estado e vêm em vários tipos e sabores. Há os amargos e violentos e há os repugnantes e oportunistas.

O golpe desferido pelo STF foi do segundo tipo, o de 64 foi do primeiro. Já o golpe do táxi arrisca ser do tipo ridículo. Ou puramente fantasioso.

Eu não duvido nada que tenha havido militares sonhando com golpe, mas como disse o poeta, há distância entre intenção e gesto.

São duas as precondições de um líder golpista: ter controle de gente e acesso a armas. Ele precisa ter certeza de que a uma ordem sua haverá pessoas armadas sob seu comando dispostas a atirar.

Quais dentre os investigados satisfazem esse critério? Se nenhum, podem engavetar a investigação. Não há tentativa de golpe sem a possibilidade material do golpe. Seria como acusar alguém que apontou o dedo a uma pessoa e disse “bam! bam!” de tentativa de assassinato.

A menos que esse suposto golpe seja só um capítulo de outro, anterior, o golpe do STF.

Aí sim, ele será elevado à categoria de perigo máximo. Com ou sem táxi.

Chega de paliativos fiscais

 https://www.estadao.com.br/opiniao/chega-de-paliativos-fiscais/


*Chega de paliativos fiscais*


_Bloqueios bilionários no Orçamento não resolvem problema estrutural do País, que deve promover um ajuste rigoroso dos gastos públicos, como fez a agora superavitária Argentina_


O crescimento das despesas obrigatórias da União acima do esperado, em especial os gastos com benefícios previdenciários, levou a mais um bloqueio no Orçamento, desta vez de R$ 6 bilhões – e não R$ 5 bilhões, como havia estimado o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Com isso, o total bloqueado para tentar conter o rombo das contas públicas em 2023 no limite de R$ 28,7 bilhões chega a R$ 19,3 bilhões, numa ginástica contábil que evidencia a cada dia a fragilidade do arcabouço sem uma reestruturação total das despesas que Lula da Silva reluta em promover.


Pelos sinais emitidos de forma recorrente pelo Planalto, o mercado aposta em um fôlego curto para o pacote de corte de gastos que o governo está prestes a anunciar, após mais de um mês de expectativas. Algo que trará, no máximo, alívio transitório a um problema que exige solução duradoura e não simples retoques na pintura para apresentar um quadro de déficits tolerados. Como disse em entrevista ao Estadão a professora do Insper Laura Muller Machado, o planejamento deveria envolver menos quais serão os alvos dos cortes e mais qual política pública funciona ou não.


O governo sabe disso e os modelos em discussão no Ministério do Planejamento comprovaram, ao abordar a indexação excessiva dos benefícios sociais, a conta previdenciária impagável e programas ineficientes. Mas, ciente da dificuldade de levar à frente o “corte estrutural” que defende, a ministra Simone Tebet – que, aliás, não participou da reunião ministerial com Lula para apresentar formalmente o pacote – adiantou, no mês passado, que a proposta virá parcelada, com um primeiro conjunto de medidas seguido por “pelo menos outros dois” que ainda serão elaborados.


Parece mais um eufemismo para descrever o acanhamento do governo Lula da Silva quando o assunto é reduzir gastos públicos. Também em entrevista a este jornal, o CEO da Verde Asset, Luis Stuhlberger, definiu com uma conta simples o ceticismo do mercado em relação à possibilidade de o governo limitar o crescimento das despesas a 2,5% ao ano: “O gasto com Previdência está perto de R$ 1 trilhão. Se ele cresce 4% ao ano, como vai caber nos 2,5%?”.


Nesse sentido, a pontaria de Javier Milei na Argentina tem se mostrado bem mais certeira, com um ajuste fiscal duríssimo, que inclui cortes de subsídios e enxugamento da máquina pública, para reduzir de imediato 35% dos gastos do Estado em relação a 2023. Nos primeiros dez meses do ano, as contas argentinas acumularam superávit primário de 10,3 trilhões de pesos (R$ 59,4 bilhões), um feito em relação ao déficit de 2,9 trilhões de pesos (R$ 16,7 bilhões) no mesmo período de 2023.


Em que pesem todas as ressalvas feitas a “El Loco” – e o também duro custo social do ajuste –, ele tem mostrado consistência na busca pelo cumprimento da meta de déficit zero, em contraste com a débil política fiscal do Brasil. Outras medidas que marcaram sua controversa campanha, como o fechamento do Banco Central argentino e a dolarização da economia, ficaram apenas como bravatas e nada indica que ainda têm chance de serem concretizadas.


Por aqui, Lula da Silva insiste no discurso que baseia o desenvolvimento econômico no Estado gastador, centrado em medidas contra a pobreza e a fome. Decerto políticas de combate à desigualdade social devem figurar entre as prioridades de qualquer governo, mas dentro do limite que a economia é capaz de suportar sem criar inflação, que reduz o poder de compra justamente dos mais pobres.


A pobreza não vai se reduzir pela vontade de Lula. Aliás, o PT de Lula esteve no poder em 15 dos últimos 21 anos e, malgrado alguma melhora superficial, os pobres continuam no mesmo lugar, sem perspectivas e dependentes do Estado em várias regiões do País. Ou seja, só o desejo de justiça social não é capaz de mudar a realidade. É preciso coragem para enfrentar as questões estruturais que emperram o desenvolvimento do País – e isso, já vimos, Lula não tem."

Tony Volpon

 [28/11, 11:08] José Augusto Lambert: 

*ANÚNCIO DO PACOTE FISCAL FOI VÍDEO DE CAMPANHA, NÃO DE MEDIDAS* 

Tony Volpon, analista do CNN Money. critica apresentação das medidas econômicas do governo, destacando a falta de clareza e compromisso com o arcabouço fiscal.

O anúncio do pacote de corte de gastos do governo pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta quarta-feira (27) se caracterizou como um “vídeo de campanha” em vez de um anúncio efetivo de medidas econômicas, disse Tony Volpon.

Segundo o especialista, a forma como o pacote foi divulgado passa a impressão de que o governo, fora da equipe econômica, não compreendeu a importância de vender essas medidas como positivas.

 Volpon argumentou que estas são essenciais para garantir a redução da inflação e a queda sustentável da taxa de juros nos próximos anos.

“Ao invés de vender isso como um ajuste necessário, especialmente no ambiente externo bastante pior do que se imaginava, fica essa bagunça, esse saco de gastos de medidas”, disse.

Ele expressou preocupação com a falta de clareza sobre quais medidas serão aprovadas pelo Congresso, dada a mistura de propostas populares e impopulares no pacote.

O colunista também apontou uma aparente falta de compromisso com o processo de harmonizar os gastos dentro do arcabouço fiscal recentemente aprovado. Esta postura, segundo ele, envia um sinal preocupante para o Congresso e para aqueles fora do governo.

 “Se o próprio PT não está disposto como partido, se o presidente não está disposto a dar sustentação para o arcabouço fiscal, por que eu, que estou fora do governo, ou eu, que estou fora do PT, vou gastar meu capital político aprovando essas medidas, várias delas que são, de fato, impopulares?”, questionou Volpon, destacando o desafio político que o governo enfrentará para aprovar as medidas propostas.


A análise de Volpon sugeriu um cenário complexo para a implementação do pacote fiscal, com potenciais obstáculos tanto na comunicação quanto na articulação política necessária para sua aprovação e efetivação."

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...