terça-feira, 24 de março de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Ofensiva no Irã desafia ata do Copom*


… Os negócios globais vibraram ontem com a trégua temporária ordenada por Trump, que prometeu adiar os ataques contra usinas e a infraestrutura energética do Irã por cinco dias. Depois Teerã desmentiu negociações diplomáticas para o fim da guerra e o barril voltou a saltar na madrugada para perto de US$ 105, após furar US$ 100 mais cedo. Sem a garantia de que o conflito vai terminar, é cedo para contar com um alívio confiável da commodity. No meio das reviravoltas geopolíticas, o investidor tem hoje para ler a ata do Copom (8h). A agenda do dia reserva ainda a arrecadação de fevereiro (11h) e a pesquisa eleitoral Atlas Intel para presidente (sem horário confirmado).


À PROCURA DE RESPOSTAS – O mercado estranhou que, no comunicado da semana passada, o BC apontou a guerra como potencial fator para abrir o ciclo de corte da Selic só com 0,25pp, mas quase não ajustou a inflação projetada.


… Chamou a atenção que a estimativa para o IPCA no horizonte relevante da política monetária (terceiro trimestre de 2027) tenha subido de forma marginal, de 3,2% para 3,3%, levantando o debate se o BC não estaria superotimista.


… Que fatores o Copom estaria incorporando para manter tanto sangue-frio com as expectativas inflacionárias?


… Seria o câmbio favorável que estaria compensando a pressão da escalada rápida do petróleo? Ou estaria na conta o risco baixista da desaceleração econômica? Neste caso, existe uma outra ponta solta para a ata responder.


… Alguns economistas se questionam se o BC está desqualificando os dados fortes de atividade deste início de ano.


… Se a ideia era passar credibilidade de que o momento de ajustar a política monetária chegou, não deveria ter dado logo de largada um corte de meio ponto? Ou quis ser mais conservador para manter o rigor técnico em ano eleitoral?


… Até que ponto as pressões políticas podem aumentar e qual deve ser o orçamento total do alívio monetário?


… No cenário incerto do momento, de alta volatilidade externa com a ofensiva militar, o mercado espera uma abordagem mais detalhada da ata do Copom para projetar os próximos passos da política monetária, em abril.


… Por enquanto, o consenso do mercado aponta para nova dose de relaxamento de 0,25 ponto da Selic.


… Também a coletiva de Galípolo sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), na quinta-feira, poderá esclarecer pontos importantes, como a questão do juro neutro e a possibilidade de aumento nos preços da gasolina.


… Hoje, às 10h, exatamente duas horas após a divulgação da ata da reunião do Copom, o Bom Dia Mercado reúne especialistas para a segunda edição do BDM Live.


… Os editores Rosa Riscala e Téo Takar estarão acompanhados da jornalista Denise Abarca, editora-adjunta da AE-News/Broadcast, para um debate com os economistas Jason Vieira (Lev DTVM) e Sérgio Machado (MAG).


… Inscreva-se no link e assista com transmissão ao vivo pelo Youtube: https://tinyurl.com/a74kwe39


PACOTE DE BONDADES – Reportagem do Valor informa que o governo federal estuda uma linha de crédito de R$ 15 bilhões para socorrer setores mais afetados por novas tarifas dos Estados Unidos e pela guerra envolvendo o Irã.


… Do total, R$ 10 bi viriam da Lei Orçamentária Anual (LOA) e R$ 5 bi do Fundo de Garantia à Exportação (FGE).


… Uma das alternativas em análise é elevar a subvenção a produtores e importadores de óleo diesel, por meio de uma nova medida provisória, depois da MP que fixou uma subvenção de R$ 0,32 por litro do combustível.


… O governo também aposta na construção de um acordo com governadores para zerar o ICMS sobre o diesel importado. Os Estados ainda demonstram ressalvas à proposta e discutem subvenção direta ao importador.


… Nesse caso, a subvenção seria concedida por cada Estado ao importador, com posterior ressarcimento parcial pela União, em um modelo de divisão de custos – metade arcada pelos Estados e metade pelo governo federal.


… Fontes da Petrobras disseram à Reuters que a companhia descarta, no curtíssimo prazo, um novo aumento no preço do diesel, dentro da estratégia de não repassar automaticamente a volatilidade ao consumidor.


… O Broadcast teve acesso a documento em que o Ministério de Portos e Aeroportos propõe decretos para reduzir a alíquota do PIS/Cofins sobre o querosene de aviação (QAV) e zerar a alíquota do IOF incidente sobre as aéreas.


DÁ PRA CONFIAR? – Trump entrou na quarta semana de guerra contra o Irã disposto a acalmar os mercados, abalados por suas ameaças de escalar os conflitos no Oriente Médio. E conseguiu, derrubando o petróleo abaixo de US$ 100, uma queda de 10% para o Brent.


… Na Bloomberg, também pesaram na decisão do presidente de recuar na intenção de destruir a infraestrutura energética do Irã os alertas de aliados dos Estados Unidos e países do Golfo, em conversas privadas, sobre os perigos de levar adiante o seu intento.


… Esses parceiros disseram que danos permanentes à infraestrutura iraniana resultariam inevitavelmente em um Estado falido após o conflito.


… As negociações para encerrar a guerra foram recebidas com algum ceticismo, mesmo porque autoridades de Teerã negaram conversas com Washington. Mas o prazo de cinco dias dado por Trump ao suspender os ataques foi o que contou nesta segunda-feira.


… Diversos países do Oriente Médio, incluindo Turquia, Arábia Saudita e Omã têm participado de negociações informais com o Irã para tentar conter a guerra e levar a República Islâmica e a coalizão Estados Unidos-Israel a concordarem com um cessar-fogo.


… Trump passou o dia insistindo em comentários otimistas, afirmando que representantes do Irã entraram em contato para iniciar as negociações porque estão ansiosos para chegar a um acordo e que o Estreito de Ormuz poderá ser aberto “muito em breve”.


… Segundo o presidente, as negociações envolvendo seu genro Jared Kushner e o conselheiro Steve Witkoff começaram no sábado, e Teerã teria concordado em entregar o material nuclear do país e não retomar seu programa nuclear.


… O Ministério das Relações Exteriores do Irã, porém, negou qualquer conversa com os Estados Unidos, enquanto o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que as notícias são falsas e “usadas para manipular os mercados financeiros e de petróleo”.


… Apesar de Trump ter dito que “Israel ficará muito feliz com o que temos”, o governo de Netanyahu não vê um fim iminente para a guerra e planeja continuar as operações, evitando apenas atingir ativos energéticos.


… Além disso, segundo o NYT, o Pentágono considera o envio de três mil soldados ao Oriente Médio para dar apoio às operações militares dos Estados Unidos – uma força que poderá ser usada para tomar a Ilha Kharg, principal centro de exportação de petróleo do Irã.


… Reportagem do WSJ revelou que as tropas estão programadas para chegar ao Oriente Médio na sexta-feira, prazo de Trump para um acordo.


NÃO EXISTEM COINCIDÊNCIAS – O FT trouxe matéria levantando a lebre de insider trading no mercado de petróleo.


… Quinze minutos antes de Trump publicar na Truth Social supostas conversas “produtivas” com o Irã, investidores fizeram apostas de meio bilhão de dólares no mercado da commodity, desencadeando o tombo no barril.


… A Casa Branca reagiu à reportagem, disse que não tolera que ninguém lucre ilegalmente com informação privilegiada e que qualquer insinuação de envolvimento sem provas é jornalismo “infundado e irresponsável”.


… Profissionais de mercado admitem que é difícil provar a casualidade, mas que é preciso se perguntar quem teria sido agressivo na venda dos contratos futuros. Como disse um gestor, “alguém acabou de ficar muito mais rico”.


PULOU FORA – Ratinho Junior desistiu de disputar a candidatura à Presidência da República e seguirá no governo do Paraná. O recuo foi calculado para evitar que a administração do Estado saia do comando de seu grupo político.


… A leitura nos bastidores de Brasília é de que o movimento tem relação direta com a entrada do senador Sergio Moro no PL (o evento de filiação marcado está para hoje) e com a reorganização do campo da direita no Paraná.


… Com a saída de Ratinho, o PSD ainda deve decidir se lança ao Planalto o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ou o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Os dois já estavam no páreo e a decisão deve sair até o final do mês.


… Lauro Jardim/O Globo informa que Caiado deve ser o escolhido. De seu lado, Eduardo Leite diz estar “pronto”.


… Depois da desistência de Ratinho, o pré-candidato à Presidência Romeu Zema, que deixou o cargo de governador de Minas, descartou rumores de que trocaria o partido Novo para se colocar como uma alternativa ao PSD de Kassab.


… Após ter assumido a Fazenda com a saída de Haddad para disputar a cadeira de governador de São Paulo, Dario Durigan anunciou ontem que Rogério Ceron deixará o comando do Tesouro e será o número dois da pasta.


… No redesenho, Daniel Leal assume o Tesouro e Úrsula Peres vira secretária-executiva adjunta da Fazenda.


CPI DO INSS – O ministro André Mendonça, do STF, atendeu a um pedido do presidente da comissão, o senador Carlos Viana, e determinou que Davi Alcolumbre prorrogue os trabalhos da CPI, que terminariam esta semana.


… Mendonça mandou o presidente do Senado fazer a leitura do pedido de prorrogação em até 48 horas. Mesmo que Alcolumbre desobedeça ao prazo, o ministro ordenou que a CPI ficará autorizada a continuar as atividades.


… Investigados têm conseguido decisões judiciais para não comparecerem à Comissão, prejudicando os trabalhos.


… O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, e o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção, devem ser os próximos convocados. A CPI também tenta viabilizar o depoimento de Martha Graeff, ex-namorada de Vorcaro.


… A expectativa era de que ela tivesse sido ouvida ontem, mas não foi localizada para prestar depoimento.


MAIS AGENDA – A arrecadação da Receita em fevereiro deve alcançar R$ 219 bilhões, segundo a mediana no Projeções Broadcast, após R$ 325,751 bilhões em janeiro. As estimativas vão de R$ 210 bilhões a R$ 226,6 bilhões.


… Único destaque entre os balanços trimestrais é Boa Safra Sementes, após o fechamento do mercado. A Oi, que divulgaria resultado amanhã, informou na noite de ontem que adiou o seu cronograma, sem data definida.


… Segundo a companhia, o adiamento ocorre devido aos impactos dos eventos relacionados à recuperação judicial.


LÁ FORA – A leitura preliminar de março do PMI composto sai hoje nos Estados Unidos (9h30), zona do euro (6h), Alemanha (5h30) e Reino Unido (6h30). Michael Barr (Fed) discursa à noite (19h30). O Chile decide juro às 18h.


JAPÃO HOJE – Economistas apontam que a eclosão da guerra já impactou na leitura preliminar do PMI composto, que caiu de 53,9 em fevereiro para 52,5 em março, mas ainda permanece acima do patamar neutro de 50.


… O PMI industrial cedeu de 53 para 51,4 no mesmo período, também em território de expansão e acima da previsão dos analistas de 49 pontos. O PMI de serviços teve queda de 53,8 para 52,8, contra estimativa de 53 pontos.  


ATRÁS DO PREJUÍZO – As bolsas de Nova York reduziram ganhos para as mínimas intraday e os preços do petróleo reduziram as perdas com a negativa do Irã de que iniciou negociações com o governo Trump, mas o saldo do dia foi muito positivo.


… O petróleo tombou 10%, a US$ 95/barril, abaixo de US$ 100 pela primeira vez desde 11/3, com a maior queda diária desde 2022, desarmando as posições defensivas montadas para o fim de semana, diante do risco de uma escalada da guerra, que não se confirmou.


… Negociado na Nymex, o WTI para maio fechou em queda de 10,28%, a US$ 88,13, e, na ICE, o Brent para junho caiu 9,86%, a US$ 95,92.


… Já os ganhos em Wall Street superaram 2% nas máximas do dia, com o índice Dow Jones em alta de 1,38% (46.208,47 pontos) no fechamento; Nasdaq, +1,38% (21.946,76 pontos); enquanto o S&P 500 avançou 1,15% (aos 6.581,00 pontos).


… O dólar e os juros dos Treasuries reverteram a alta da abertura após os primeiros comentários de Trump sobre possível acordo. O juro da T-Note de 10 anos, que atingiu máximas desde julho/2025, fechou a 4,342% (de 4,387% de sexta-feira).


… Já o rendimento da T-Note de 2 anos recuou a 3,854% (3,913% na sessão anterior) e o T-Bond de 30 anos, 4,915% (de 4,944%).


… O ouro, ativo de refúgio diante de instabilidades geopolíticas, aprofundou a queda recente e caiu 3,66%, a US$ 4.407,3/onça-troy.


… Para o Société Générale, a volatilidade e a aversão a risco devem predominar, considerando que, a menos que o Estreito de Ormuz seja reaberto rapidamente, os juros e os custos para importadores de petróleo devem continuar elevados nas próximas semanas.


IBOV E CÂMBIO – Na B3, o Ibovespa subiu firme (+3,24%), aos 181.931,93 pontos, tendo superado os 182.973,41 pontos no pico do dia. Em relação ao nível de abertura (176.220,82, na mínima da sessão), o Ibovespa recuperou quase 6 mil pontos. O giro somou R$ 32,3 bilhões.


… Com o Brent abaixo dos US$ 100, as ações de Petrobras não acompanharam o ritmo das demais blue chips, que subiram em bloco, mas ganharam ímpeto no fim da tarde, com a ON em alta de 0,68% (R$ 50,68) e a PN, de 0,79% (R$ 46,03) no fechamento.


… Os bancos foram destaque: BTG, +4,72% (R$ 55,23); Bradesco ON, +3,98% (R$ 16,44) e PN, +3,66% (R$ 19,00); Santander, +3,11% (R$ 30,16); Banco do Brasil, +2,97% (R$ 23,96); e Itaú PN +2,96% (R$ 42,78). A Vale também apresentou ganho firme (+2,57%; R$ 77,49).


… O câmbio acompanhou a desvalorização global do dólar e voltou a fechar abaixo de R$ 5,25. Caiu 1,29%, a R$ 5,2407. Na mínima, bateu R$ 5,2157. Apesar da queda, a moeda americana ainda acumula ganhos de 2% frente ao real em março.


… Contribuiu a venda pelo BC de US$ 1,8 bilhão em leilão de linha da oferta total, de US$ 2 bilhões para rolagem do vencimento de 2 de abril.


… No exterior, o índice DXY voltou a operar abaixo dos 100 pontos e no final da tarde caía 0,50%, aos 99,140 pontos.


ANTES DA ATA – O bom humor dos mercados levou os juros futuros a recuarem com mais força nas horas finais do pregão. As taxas curtas atingiram novas mínimas no meio da tarde, em sintonia com a curva dos Treasuries e a fraqueza global do dólar.


… A taxa do contrato para janeiro de 2027 cedeu de 14,377% no ajuste anterior para 14,16%. O DI para janeiro de 2029 recuou a 13,77%, vindo de 14,075% no ajuste de sexta-feira. E o DI para janeiro de 2031 caiu de 14,11% para 13,875%.


… Na véspera de o BC divulgar a ata do Copom, o boletim Focus começou a mostrar impactos mais relevantes do conflito nas projeções.


… O consenso de mercado para a alta do IPCA em 2026 subiu de 4,10% para 4,17%. Também houve nova rodada de revisão para a taxa Selic no final do ano, agora estimada em 12,50%, de 12,25% na semana anterior.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS pagou R$ 219,2 milhões à PPSA após a aprovação da redeterminação da jazida compartilhada de Sapinhoá pela ANP, conforme previsto em acordo entre os sócios do campo.


VIBRA ENERGIA. Conselho aprovou distribuição de R$ 393,5 milhões em JCP, equivalente a R$ 0,3299 por ação. Os papéis serão negociados “ex” a partir de 27 de março e o pagamento ocorrerá em 19 de setembro.


REDE D’OR. Conselho aprovou distribuição de R$ 350 milhões em JCP, equivalente a R$ 0,1591 por ação. O pagamento será realizado em 07 de abril, com base na posição acionária de 26 de março.


FLEURY. Grupo encerrou programa de recompra após adquirir 2,3 milhões de ações; o plano havia sido iniciado em fevereiro.


GERDAU. T. Rowe Price Associates passou a deter 5,01% das ações preferenciais da companhia, segundo participação relevante.


RUMO. Moody’s colocou os ratings da companhia em revisão para rebaixamento, citando risco de contágio da controladora Cosan, após o rebaixamento e revisão do rating da holding em meio às incertezas envolvendo a reestruturação da Raízen.


EMBRAER. XP elevou a recomendação das ações de neutra para compra e fixou preço-alvo de R$ 92 por papel (US$ 70 por ADR), citando valuation mais atrativo e carteira de pedidos robusta.


TIM informou que discussões sobre a oferta da Poste Italiane pela Telecom Italia ocorrem no âmbito da controladora e que não possui informações adicionais além das já divulgadas publicamente.


ISA ENERGIA iniciou a operação comercial do Bloco 2 do projeto de transmissão Piraquê (MG), com antecipação de 17 meses frente ao prazo da Aneel; com a energização, passa a receber 91,5% da RAP do empreendimento.


MULTIPLAN concluiu a venda de 10% do BH Shopping por R$ 285 milhões; o comprador não foi divulgado. A empresa permanece com 90% de participação no empreendimento.


LOCALIZA. Gestora Dynamo passou a deter 20,20% do total de ações preferenciais da companhia, conforme comunicado ao mercado.


MOVIDA. Locadora teve lucro líquido de R$ 102,3 milhões no 4TRI25, alta de 64,5% na comparação anual; no ano, o lucro somou R$ 318,4 milhões (+37,5%). A receita líquida do trimestre foi de R$ 3,6 bilhões, crescimento de 12,6%…


… Companhia projeta lucro líquido entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões no 1TRI26, alta de cerca de 54% na comparação anual e acima do consenso de mercado de R$ 70 milhões, segundo a empresa.


EVEN reverteu prejuízo do 4TRI24 e registrou lucro líquido de R$ 44,9 milhões no 4TRI25, com receita líquida de R$ 484,4 milhões (+7,6% na comparação anual).


SANEPAR. Regulador do Paraná propôs destinar integralmente aos consumidores um precatório de R$ 3,94 bilhões recebido pela companhia, por meio de redução tarifária ou investimentos sem custo adicional. A proposta ainda será submetida a consulta pública.


BTG PACTUAL já recuperou R$ 73 milhões após ataque hacker envolvendo recursos no Pix, segundo O Globo. Os valores não eram de clientes, mas de recursos mantidos pela instituição junto ao Banco Central.


AGIBANK registrou lucro líquido de R$ 214,9 milhões no 4TRI25, alta de 9,2% na comparação anual. A receita somou R$ 2,958 bilhões (+38,4%), com carteira de crédito crescendo 43,9% em 12 meses.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Antonio Afonso

 O erro fundamental da mobilidade social


Sempre me disseram que a vida é injusta, que é preciso lutar pela vida, por ter um lugar ao sol. Mas hoje penso que isso é uma grande mentira. Os termos desta luta são uma grande mentira. Desde novo que convivo com os burgueses da minha cidade, pessoas muito pouco preocupadas com essa luta. Sempre vi uns a safar-se sem haver razões objectivas para isso. 


Vejo agora que a ideia de elevador social é uma piada. Há uns que têm lugares marcados no último andar desde que nasceram. Outros que chegaram lá pelas ligações, uns tiveram que pisar muita gente para entrar no elevador. A classe média é uma mentira pegada. A primeira vez que cheguei ao topo percebi logo a farsa. Esta ideia de mobilidade social é uma treta. Mesmo que entres no elevador e metas o dedo no último andar, a subida é sempre provisória. E o convite para desceres à base já está firmado. 


A verdadeira mobilidade social reside em dois aspectos individuais e noutro que tem a ver com a engrenagem do mundo. O primeiro aspecto é ter capital. O segundo é ter cultura. É que se és um escravo do dinheiro estás tramado. Tens de ter ativos, casa, património, um negócio, acções e talvez ouro. Tens de ter ativos que valorizem com a inflação. Sem isso és refém de um mestre que está sempre a depreciar. O dinheiro que entra no salário é sempre adiar a precariadade. Andas sempre com a corda ao pescoço. 


O segundo ponto é a cultura. E quando digo cultura não é só saber apreciar a beleza estética de um quadro ou de uma estátua grega. É saberes as forças que movem o intelecto humano, a realidade fundamental que é transversal a todas as culturas. O essencial do génio humano. É saber Dante e Dostoievski não como emblemas de estatuto mas como forças de pensamento. Seres rico e não teres cultura é miserável. 


Dito isto, é preciso notar se és refém de sinais exteriores de riqueza tens sempre um problema. O dinheiro que ganhas não serve para criar património mas para ter estatuto. E isso deixa-te sempre num pequeno passo à beira do abismo. És um Sísifo num jogo absurdo de aparências. Conheço muitos indivíduos que fazem da sua vida a exploração das vaidades humanas, da eterna tendência para seguir atalhos e a inclinação humana para a crendice. Essas figuras são de fugir. A sua única oferta é um rodízio de distracções. Esquece essa gente. Só fazem perder tempo. 


Por fim, se levas a sério tudo isto. A tua missão é simples. Guardar riqueza, guardar conhecimento e guardar sabedoria. Mas para esse processo faça sentido tens de passar este legado à próxima geração. Caso contrário o teu esforço acaba em pó. É isto a mobilidade social: manter a chama viva e passar o legado para a geração seguinte. É por isso que há famílias poderosas. Estas linhagens estão a repetir este processo há centenas de gerações.

Pondé e Buzatto

Buzatto precisa fazer alguns 'disclaimers' antes de postar o texto de Luiz Felipe Pondé na Folha de S. Paulo, datado de 16/03/2026:


1. Eu sempre fui anti-petista, por diversas razões que não vou enumerar aqui; apesar disso, já votei no PT (para prefeito de Campinas, por acreditar na pessoa, não no partido, e deu no que deu);


2. Tampouco sou bolsonarista; critiquei bastante o governo de Bozo, em especial seu desprezo pelo povo durante a pandemia, resultando no Brasil vice-campeão de mortes, com cerca de 2,5% da população mundial;


3. Em vista do desastre que foi o governo Bolsonaro, teria votado em Lula em 2022 (estava fora do Brasil na época) e recomendei a quem me perguntou que votasse em Lula, por razões óbvias;


4. Dado o desenrolar dos acontecimentos este ano, eu novamente recomendaria - e votaria - em Lula num segundo turno em outubro próximo, e talvez até já no primeiro, conforme os candidatos que se apresentarem;


5. Apesar disso tudo, me julgo no direito de concordar com Luiz Felipe Pondé sobre os estragos feitos ao Brasil por 17 anos de PT no poder. Temer tentou arrumar a casa um pouco, meio como aquele piloto de corridas de longa duração que pega um carro detonado e tem que levar aos boxes para ser colocado de novo na disputa, mas foi abatido em plena tentativa de decolagem pela gravação traiçoeira de Joesley Batista; Bolsonaro, bem, aqui nem há o que dizer, é abaixo de qualquer qualificação, foram 4 anos de desastre total.


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O que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Nada


* Oposição tampouco põe a cabeça para fora da lama

* O país, hoje, se transformou no quintal de uma gangue


Luiz Felipe Pondé


Desde 2003, o PT domina o governo federal. Até 2026, o PT esteve no poder federal por 17 anos. Temer por dois anos, Bolsonaro por quatro anos —nenhum deles grande coisa. A pergunta que não quer calar é: nesses 17 anos, o que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Resposta: nada.


Sei, o Bolsa Família. Para um nordestino como eu, o Bolsa Família é nada mais do que o velho voto de cabresto repaginado, que, seguramente, o Lula sabe muito bem o que era. Em troca de um prato de comida, vote no candidato do "coroné".


O Bolsa Família, politicamente, tem duas faces. Uma é a ajuda material para pobres —e não tão pobres que se aproveitam para ganhar um dinheiro fácil sem ter que trabalhar cansativamente; outra é um voto de cabresto, compra descarada de votos. Afora isso, o que o PT fez em 17 anos? Nada que tenha impactado a história recente do país. Sem dúvida, alguns serviços aqui e ali —quem quiser que desfie o rosário.


A última coisa séria que aconteceu no Brasil em termos de alterar a história recente do país e ajudar a população significativamente foi o Plano Real, que, aliás, o PT nunca foi muito a favor na época. A memória, essa infeliz! O Lula se referia ao governo FHC como "herança maldita". Pergunto, como um historiador que não seja vendido ao PT, coisa rara, chamaria a herança que o Brasil recebeu nesses 17 anos?


Vale apontar que a possibilidade de reeleger alguém como presidente muitas vezes —que não é uma invenção petista, há que se reconhecer— é uma herança maldita. Quando alguém, ou um mesmo partido, coloniza o governo federal por décadas, necessariamente, o resultado será catastrófico. Já vivemos essa catástrofe.


Esse processo implicou a transformação do Brasil no quintal de uma gangue. Essa gangue se torna uma hidra que toma quase todos os espaços, formando gerações de lacaios. Uma dessas classes de lacaios do PT é a inteligência pública nacional.


Constatar que os últimos anos do Brasil foram jogados na lata de lixo não implica pôr tudo na conta do PT —a oposição constituída nesses 23 anos tampouco põe a cabeça para fora da lama—, ainda que, tendo ocupado o governo federal por 17 anos, isso deveria aterrorizar sua consciência. O país pasta na lama.


Ainda assim, para além da responsabilidade direta do PT, o país parece condenado ao lixo da história. Nesses anos, o país se tornou quase um narcoestado. O crime organizado, hoje, disputa territorialmente a soberania local, sendo a Amazônia, essa joia do "blábláblá" nacional, parte do objeto da soberania criminosa no país.


O crime se espalha pelo interior do país —sendo as grandes cidades já províncias do crime—, chegando às pequenas cidades. Todo mundo sabe que estamos entregues ao crime.


A corrupção estrutural parece formar quadros profissionais que servirão como ferramenta de normalização de uma sociedade sem lei. Da periferia ao coração do mercado financeiro, sente-se, quase ninguém escapa.


A piora salta aos olhos quando a ideia de normalização passa ao universo da normatização, e a sociedade sem lei parece se tornar uma sociedade em que mesmo a lei serve a alguma forma de corrupção segmentada.


Hoje em dia, o escândalo do banco Master faz a todos —pelo menos àqueles que ainda têm o sentido do olfato ativo— sentir o cheiro de que há algo de podre no reino de Brasília. Corre à solta uma promiscuidade regada a uísque caro. A vergonha na cara parece ser um recurso extinto entre os quadros altos da República.


O cerco se fecha. O argumento da honra vira arma de censura no país. Sob a cortina da falsa honra, poderosos não temem mais fazer o que bem quiser. Onde já se viu o filho de um presidente pedir abertamente a altas autoridades da República para que seu sigilo bancário não seja quebrado por conta de uma investigação da fraude do INSS? Aliás, o que pensar de um país que monta uma gangue para roubar aposentados, essa classe esmagada pela canalhice nacional?


Os bolsonaristas, esses iniciantes na arte de formar gangues políticas, quiseram derrubar a democracia. O fato é que a democracia brasileira está corroída por dentro, e não por ação de uma tentativa de golpe montada por idiotas, mas, sim, por um lento e invisível processo que opera sob o signo de uma microfísica do poder, corrompendo o caráter das altas figuras da República.


Uma quadrilha parece ter tomado o poder no Brasil. Torna-se difícil imaginar quem escapa dessa gangue multifacetada e que ultrapassa os limites ideológicos, apesar de os idiotas insistirem neles. "Em nome do Estado de Direito", perde-se a vergonha na cara.

Ruy Castro

 '1984' versão hoje


RUY CASTRO


Certos livros deveriam ser lidos todo ano. Exemplo: "1984", de George Orwell. Sei de gente que faz isso. Desde sua publicação, em 1949, já vendeu 30 milhões de exemplares –eu próprio comprei vários, inclusive, num leilão, a primeira edição, da Secker & Warburg, de Londres. Pois, seguindo meu próprio conselho, acabo de relê-lo de novo e fiquei ainda mais assustado que da última vez. Com razão –"1984" nunca foi tão atual. Ou Orwell adivinhou tudo ou está sendo seguido à risca.


Vide as teletelas. No livro, elas ficam em todas as paredes, regulando a vida dos cidadãos, e não podem ser desligadas. Hoje estão no nosso bolso ou na palma da mão. São os celulares. Assim como as teletelas, eles nos veem e nos ouvem, queiramos ou não. Já o Grande Irmão é o algoritmo. Sabe tudo sobre nós e nos bombardeia com mensagens dirigidas aos nossos gostos, preferências e, mais que tudo, convicções, permitindo-nos viver numa bolha onde nos sentimos "pertencendo", donde protegidos.


No país de "1984", o culto ao ódio é obrigatório. As pessoas são instadas a pôr para fora a sua raiva contra indivíduos ou instituições sem saber muito bem por quê. Obedecem aos haters das redes sociais, especialistas em destruir a reputação do inimigo da vez –a contaminação é imediata, e o sujeito se vê, de repente, odiando alguém de quem jamais ouvira falar. No livro, não se tem descanso, porque o país está sempre em guerra contra um inimigo a ser odiado. Só que o inimigo de hoje pode se tornar o aliado de amanhã ou vice-versa. Mas o povo reage de acordo, porque acredita em tudo que lhe injetam.


Como a verdade é agora a mentira, alteram-se textos, imagens e biografias para produzir novos "fatos" –as fake news. O povo de "1984" acredita que a Terra é o centro do Universo, em torno da qual giram o Sol e os planetas. Equivale aos que no Brasil a acham plana, telefonam para ETs, rezam para pneus e negam a pandemia.


O país de "1984" é a URSS de Stálin. Os zumbis bolsonaristas não desconfiam, mas viveriam muito bem nele.


Ruy Castro

Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, é membro da Academia Brasileira de Letras


Imagem: Página de rosto da primeira edição de "1984", livros sobre Orwell e reportagem na revista Manchete, em 1974 - Heloisa Seixas.


FSP 19.03.2026

Anderson Nunes

 *TENSÃO NO IRÃ E JUROS SOB PRESSÃO NO BRASIL - MC 23/03/26*

*Por Anderson Nunes - Analista Político*


*GUERRA NO ORIENTE MÉDIO E INCERTEZA FISCAL ACUAM O MERCADO BRASILEIRO*


A ameaça de uma invasão terrestre dos EUA no Irã e o petróleo acima de US$ 110 colocam o Banco Central sob fogo cruzado, levantando dúvidas se a autoridade monetária subestima o impacto inflacionário global na Selic.


*CONFLITO GLOBAL EM ESCALADA*

A guerra atinge quatro semanas com a ameaça real de envio de tropas terrestres americanas ao Irã e o possível fechamento do Estreito de Ormuz. Essa instabilidade mantém o petróleo em patamares críticos e força investidores globais a buscarem proteção imediata em ativos seguros.


*DESAFIO AO BANCO CENTRAL*

O mercado financeiro aguarda a ata do Copom para entender como o colegiado projeta inflação controlada enquanto os preços dos combustíveis disparam domesticamente. Analistas suspeitam que o BC aposta no desaquecimento da economia local para compensar o choque externo, mas a postura rígida do Banco Central americano sugere que o alívio monetário por aqui pode sofrer interrupções.


*PRESSÃO POLÍTICA E COMBUSTÍVEIS*

O governo federal tenta conter a crise do diesel após o combustível ultrapassar a marca de R$ 7 por litro em diversas regiões do país. O embate sobre a desoneração do ICMS e as acusações de especulação contra distribuidoras adicionam volatilidade ao cenário fiscal e testam a articulação do Planalto com os estados.


*RISCO POLÍTICO COM DELAÇÃO*

A iminente delação do banqueiro Daniel Vorcaro no caso do banco Master gera apreensão em Brasília pelo potencial de atingir figuras do Judiciário, Executivo e do Congresso. Investigações sobre blindagem patrimonial envolvendo cifras milionárias no exterior aumentam o clima de desconfiança institucional em pleno ano eleitoral.


*RADAR CORPORATIVO*


1- Petrobras: A suspensão judicial de licenças ambientais no pré-sal trava a expansão produtiva da estatal e gera insegurança jurídica sobre o cronograma de novos investimentos.

2– Claro e Desktop: A aquisição do controle da Desktop pela Claro por R$ 2,4 bilhões consolida a estratégia de dominância da gigante de telecomunicações no mercado de banda larga.

3- BTG Pactual: O ataque hacker de R$ 100 milhões que motivou a suspensão temporária do Pix expõe vulnerabilidades no sistema, embora o banco tenha recuperado a maioria dos ativos.

4- CSN: O novo empréstimo de US$ 1,2 bilhão busca dar fôlego ao caixa da companhia e permitir a reestruturação de dívidas antes de novos desinvestimentos.

5- Light: O prejuízo líquido de R$ 187 milhões no quarto trimestre reforça os desafios operacionais da distribuidora durante seu complexo processo de recuperação.


O Canal Auxiliando usa as seguintes fontes de notícias: 'Monitor do Mercado, BDM, Broadcast, Valor Econômico, Folha de São Paulo, Estadão, O Globo, BM&C, B3, Revista Oeste, Poder 360, Money Times, Agência CMA, Agência Brasil, Bloomberg, Infomoney, CNN, The Washington Post, The Wall Street Journal, Fox Business, Reuters, Oil Price, Investing e Yahoo Finance'.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Guerra testa ata do Copom e Galípolo*


Escalada da ofensiva levanta dúvidas se o BC estaria subestimando impacto das incertezas externas sobre a inflação projetada


… Confrontando a garantia de Trump de uma guerra rápida, o conflito completa quatro semanas, com relatos de que os americanos preparam o envio de tropas terrestres ao Irã, enquanto a Guarda Revolucionária iraniana ameaça fechar “completamente” o Estreito de Ormuz se os Estados Unidos atacarem instalações energéticas. A escalada da ofensiva estressa o mercado e levanta dúvidas se o Copom não estaria subestimando o impacto das incertezas externas sobre a inflação projetada. A ata, amanhã, além do IPCA-15 de março e a entrevista coletiva de Galípolo, na quinta-feira, para comentar o Relatório de Política Monetária (RPM) ganham interesse redobrado. No pano de fundo, o investidor ainda administra a tensão para o “Vorcaro Day”, à espera da definição da data da delação premiada.


JOGUE A ÂNCORA – O Copom já andava há meses com a bala na agulha para iniciar o ciclo de relaxamento monetário e, como a guerra melou os planos de meio ponto de corte, veio só 0,25 pp, para 14,75%, sem abalar o consenso.


… A novidade do comunicado da semana passada que chamou a atenção do investidor foi o BC ter posado de forma tão pouco cautelosa quanto às projeções para a inflação no horizonte relevante, mesmo com o petróleo nas alturas.


… Economistas querem detalhes na ata sobre como o Copom incorporou um efeito tão marginal nas expectativas para o IPCA do terceiro trimestre de 2027, que subiram de 3,2% para só 3,3%, apesar da turbulência no Oriente.


… Vale entender se o BC está encarando o petróleo acima de US$ 110 como um choque de oferta de curto prazo, ao contrário do Fed, do BCE e do BoE, que na semana passada não deixaram nada barato nos alertas hawkish da guerra.


… Na ferramenta de apostas do CME, o mercado já não duvida que o comitê de Powell possa subir o juro este ano se o custo da investida no Irã se provar muito mais elevado do que Trump e Israel tentaram vender ao mundo.


… O comentário da dirigente do Fed Michelle Bowman, na sexta-feira, de que três cortes nas taxas dos juros americanas continuam no radar em 2026, não sensibilizou os traders a aderirem à expectativa mais dovish.


… Já para a próxima reunião de política monetária do Fed, em abril, as apostas de um aperto monetário não são desprezíveis (12,4% de chance), embora improváveis. A precificação de um alta em outubro encosta em 30%.


… O ciclo de alívio vai sendo colocado à prova com o risco de a ofensiva militar durar meses e não semanas.


… Neste contexto, profissionais de mercado reforçam a surpresa com a percepção de comunicado suave do Copom, que não deu forward guidance, mas deixou a sinalização implícita de que a Selic seguirá caindo na próxima reunião.


… No Projeções Broadcast, a maioria projeta mais uma dose de corte de 0,25 pp do juro em abril, para 14,50%.


… A suspeita é de que o BC esteja confiando no controle inflacionário via desaquecimento da atividade doméstica.


… Disse o comunicado que o período prolongado de manutenção da Selic em nível contracionista deu evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade, criando condição para ajustes na “calibração”.


… Todo mundo espera a ata para saber se o Copom vai alegar que o crescimento em torno de zero do PIB nos últimos trimestres e a taxa de câmbio mais moderada estariam compensando parcialmente o choque do petróleo.


… Também Gabriel Galípolo poderá explorar as justificativas em sua primeira entrevista coletiva do ano, na quinta-feira, quando comentará o Relatório de Política Monetária (RPM) ao lado do diretor do BC Paulo Picchetti.


… O mercado também espera os eventos da semana para calibrar melhor as apostas para o ajuste total da Selic no ano e medir a chance de, mesmo com a guerra, a taxa básica ainda cair 3 pontos até dezembro, para 12% ou menos.


DUAS HORAS DEPOIS – O Bom Dia Mercado vai realizar amanhã, 3ªF, a partir das 10h, o segundo BDM Live. Será um debate apenas duas horas após a divulgação da ata do último Copom, que reduziu a taxa Selic para 14,75%.


… Os editores do BDM Rosa Riscala e Téo Takar recebem Jason Vieira, da Lev DTVM, Sérgio Machado, da MAG Investimentos, e a editora-adjunta do AE-News/Broadcast, a jornalista Denise Abarca.


… Anote na agenda: amanhã, 10h. Inscreva-se pelo link: https://novidade.bomdiamercado.com.br/bdm-live-24-03


BOMBANDO – O Copom se vê desafiado a comentar na ata o potencial impacto dos combustíveis na inflação.


… Levantamento da TruckPag, que faz gestão de frotas, aponta que o preço do diesel no Brasil chegou a uma média de R$ 7,22 na quarta-feira passada, contra R$ 5,74 antes da guerra, elevando o sinal de alerta no governo federal.


… O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que participará na quarta-feira de um novo encontro com representantes dos caminhoneiros para discutir os impactos dos preços dos combustíveis.


… O ministro acusou as distribuidoras de repassar aumentos “especulativos” ao consumidor. “Elas não estão pagando a mais pelo óleo diesel, mas estão transferindo. Isso é um crime contra a economia popular”, atacou.


… Depois da MP para ampliar a fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário com multas para quem descumprir a tabela e do anúncio da redução a zero da alíquota de PIS/Cofins no combustível, o ICMS entra no centro do debate.


… Os governadores ainda aguardam uma proposta concreta do governo para a proposta de zerar ICMS sobre a importação do diesel, após a Fazenda sugerir reembolso de metade do valor que não será arrecadado.


… Os detalhes do projeto da equipe econômica, que ainda não formalizado, podem ser discutidos na reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que está marcada para a próxima sexta-feira (dia 27).


NOTÍCIAS DO FRONT – Em sinais de agravamento da guerra, Trump e o Irã intensificam no fim de semana as ameaças de ataques a instalações de energia no Golfo, o que pode ampliar movimentos de fuga de risco no mercado.


… No sábado, o presidente americano ameaçou “obliterar” usinas de energia do Irã caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto em até 48 horas. Se Trump cumprir a ameaça, Teerã prometeu revidar atacando instalações no Golfo.


… Fuzileiros navais americanos e embarcações de desembarque pesado continuam a se deslocar para a região.


… Os riscos ao fornecimento de energia mantinham o petróleo na faixa de US$ 112 no fim da noite de ontem.


O CHUMBO DE VORCARO – Fontes da Bloomberg confirmaram que o banqueiro já assinou um acordo de colaboração com as investigações do caso do banco Master, que poderia abalar a República, em pleno ano eleitoral.


… No Radar/Veja, o que pode vir dos registros de conversas com poderosos do STF e Congresso é “devastador”.


… A intenção da CPMI do INSS era ouvir hoje Martha Graeff, modelo e influenciadora que namorou Vorcaro. Mas congressistas da comissão não localizaram a ex-noiva do banqueiro e avaliam uma condução coercitiva.


 … O banqueiro transferiu para Martha bens que podem superar R$ 520 mi. A PF suspeita de blindagem patrimonial.


… Vorcaro criou uma estrutura jurídica nos EUA tendo a ex-noiva como beneficiária, incluindo uma casa de R$ 450 milhões em Miami, como mostrou o Estadão. A defesa nega e diz que ela não tem imóveis frutos do relacionamento.


MAIS AGENDA – Além da ata do Copom, IPCA-15 e Relatório de Política Monetária (RPM), a semana conta ainda com os dados de emprego da Pnad Contínua (fevereiro), na sexta-feira, que podem ajustar as expectativas para a Selic.


… Termômetro da meta fiscal, o primeiro Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas de 2026 sai amanhã. Existe a possibilidade de a Receita divulgar esta semana a arrecadação referente ao mês passado.


… Na quarta-feira, será publicado o Relatório Mensal da Dívida (RMD) do mês de fevereiro. O CMN se reúne quinta.


… A nota à imprensa do setor externo, com informações sobre o balanço de pagamentos e o Investimento Direto no País (IDP), sai na sexta-feira, quando também a Aneel define a cor da bandeira tarifária de energia elétrica.


… Hoje, saem a prévia do IPC-S (8h), o relatório Focus (8h25) e os dados semanas da balança comercial (15h). Ainda nesta segunda-feira, o BC faz leilão de linha de até Us4 2bilhões, às 10h30, para rolagem do vencimento de abril.


BALANÇOS – JBS é destaque na 4ªF, mesmo dia dos resultados da Oi, Americanas e Equatorial. Hoje é dia de Even e Movida, após o fechamento do mercado. Braskem, JHSF e Petz vêm na quinta. Bradespar, Azul e Vamos, na 6ªF.


LÁ FORA – Com o petróleo em primeiro plano, os indicadores são menos importantes esta semana nos EUA.


… A leitura final de março do índice de sentimento do consumidor americano, medido pela Universidade de Michigan e que traz embutido as expectativas de inflação para 1 ano e 5 anos, é destaque na agenda de sexta-feira.


… Hoje, saem os investimentos em construção em janeiro (11h). Amanhã, o dado preliminar do PMI composto de março sai nos Estados Unidos e zona do euro. Chile (terça), África do Sul e México (quinta) decidem juro na semana.


… A presidente do BCE, Christine Lagarde, participa de evento na quarta-feira.


… No último sábado, Powell enviou agradecimento e discursou por vídeo ao receber o Prêmio Paul Volcker.


… Em meio às pressões de Trump para o Fed cortar os juros, ele defendeu a independência do BC americano ao elogiar Volcker, ex-presidente da instituição, por ter resistido às pressões políticas no início da década de 80.


… À época, Volcker optou pela estratégia de elevar o juro para conter a inflação de dois dígitos, mesmo sob críticas do Congresso e da Casa Branca de Ronald Reagan. “Independência e integridade são inseparáveis”, disse Powell.


SEM FIM – O petróleo até ensaiou um alívio na sexta, com Washington sinalizando possível suspensão das sanções ao produto iraniano que já esteja em petroleiros e Israel dizendo que poderia ajudar a liberar o Estreito de Ormuz.


… Mas, logo a commodity retomou trajetória de alta, com informação da CBS News de que o Pentágono estaria preparando o envio de tropas para atuação terrestre no Irã, o que significa que a guerra ainda está longe do fim.


… Trump estaria planejando ocupar a ilha de Kharg, que responde por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, para pressionar os iranianos a reabrirem o Estreito de Ormuz, segundo fontes da Axios.


… Ainda o vizinho Iraque declarou força maior em todos os campos de petróleo operados no país por empresas estrangeiras, de acordo com a Reuters.


… O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, alertou que poderá levar até seis meses para restabelecer os fluxos normais de exportação de petróleo e gás a partir do Golfo Pérsico.


… O Brent para maio fechou em alta de 3,25%, a US$ 112,19 por barril, enquanto o WTI para o mesmo mês subiu 1,91%, a US$ 94,74. O Brent avançou pela 5ª semana seguida (+8,77%); já o WTI recuou 4,02% na semana.


A MARCHA – Com a guerra sem nenhum sinal de que irá acabar logo, Wall Street optou pela cautela no último pregão, especialmente após a informação de que Trump planeja enviar tropas terrestres ao Irã.


… A volatilidade já estava garantida, afinal era dia de “bruxaria”, com vencimento quádruplo de contratos futuros e opções sobre ações e índices. A alta do petróleo à tarde estimulou ainda mais a busca por posições defensivas.


… O mercado também passou a embutir nos ativos um cenário de Fed mais hawkish.


… O Dow Jones fechou em baixa de 0,96%, aos 45.577,47 pontos; o S&P 500 caiu 1,51% (6.506,48 pontos); e o Nasdaq perdeu 2,01% (21.647,61). Na semana, os índices recuaram 2,11%, 1,90% e 2,07%, respectivamente.


… Apenas sete ações que compõem o Dow Jones resistiram em alta, entre elas, Verizon (+1,01%); Visa (0,64%) e Goldman Sachs (0,50%). Na outra ponta, IBM perdeu 3,43%, junto com Honeywell (-3,29%) e Nvidia (-3,28%).


… Super Micro Computer afundou 33,3% após o governo acusar o cofundador Yih-Shyan Liaw e outras duas pessoas de montarem um esquema de desvio de servidores para a China, violando as leis de controle de exportação.


ANTENA LIGADA – A bolsa brasileira monitorou as notícias da guerra e seguiu o mau humor de NY, mas a queda por aqui foi mais acentuada, com o cenário político voltando a preocupar.


… A expectativa de que haja em breve um “Vorcaro Day” tirou a resiliência do Ibovespa, que vinha subindo 1,5% na semana até quinta, tentando se descolar da forte correção das bolsas americanas.


… O índice fechou em queda firme (-2,25%, aos 176.219,40 pontos), com giro elevado, de R$ 49,5 bilhões, em razão do vencimento de opções sobre ações. Na semana, o Ibovespa acumulou perda de 0,81%.


… Petrobras, que vinha sendo o porto seguro do mercado brasileiro em tempos de guerra, ignorou a nova alta do petróleo e engatou forte correção (ON, -2,39%, a R$ 50,34; e PN, -2,37%, a R$ 45,67).


… Vale (-1,41%; R$ 75,55) ignorou a alta do minério (+1,05%). Os bancos também caíram: BTG (-4,30%; R$ 52,74), Santander (-2,47%; R$ 29,25), Itaú (-1,75%; R$ 41,55), Bradesco PN (-1,66%; R$ 18,33) e BB (-1,02%; R$ 23,27).


… Braskem PNA (-14,21%; R$ 10,20) liderou as perdas, acompanhada de Cyrela PN (-8,93%; R$ 23,25) e ON (-7,60%; R$ 25,05). Na outra ponta ficaram Prio (+3,14%; R$ 67,89), Vivara (+2,20%; R$ 25,59) e Yduqs (+1,38%; R$ 10,27).


FUGA PARA SEGURANÇA – O real teve o segundo pior desempenho entre as moedas globais, com investidores buscando proteção antes de mais um fim de semana de guerra e em meio a um cenário de Fed hawkish.


… A expectativa pela delação premiada de Daniel Vorcaro ajudou a acentuar o clima de aversão ao risco. O dólar fechou em alta de 1,79%, a R$ 5,3092. Na semana, acumulou leve baixa de 0,13%.


… Lá fora, a moeda americana avançou frente aos pares (DXY +0,35%, aos 99,587 pontos), como euro (-0,23%, a US$ 1,1559) e libra (-0,74%, a US$ 1,3334). Os juros dos Treasuries dispararam: Note de 10 anos a 4,393%, de 4,253%.


… Aqui,  os juros futuros passaram por forte ajuste de alta, acompanhando a disparada do dólar e dos rendimentos dos Treasuries, em uma combinação de piora de riscos internos e externos.


… No fechamento, o contrato para janeiro de 2027 marcava 14,420% (de 14,014% no ajuste anterior); Jan/29, 14,110% (contra 13,583%); Jan/31, 14,145% (de 13,765%); e Jan/33, 14,130% (de 13,833%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS informou que não foi notificada da decisão da Justiça Federal em Angra dos Reis (RJ) de suspensão imediata da Licença Prévia emitida pelo Ibama para a Etapa 4 do Pré-Sal da Bacia de Santos…


… O projeto prevê a instalação de dez plataformas e a perfuração de 132 poços. A empresa disse que o processo de licenciamento ambiental observou todos os requisitos legais e a companhia atendeu a todas as solicitações…


… Ainda no noticiário da Petrobras, a companhia contratou cerca de 2,6 GW em leilões de reserva de capacidade, garantindo receita anual estimada de R$ 4,45 bilhões entre 2026 e 2031 com nove usinas termelétricas.


CSN anunciou empréstimo-ponte de US$ 1,2 bilhão (SOFR +6%, prazo de até 5 anos) como parte da estratégia de reperfilamento da dívida e antecipação de recursos ligados a desinvestimentos.


TOTVS aprovou pagamento de R$ 104,2 milhões em JCP (R$ 0,18/ação), com pagamento em 10/04. Ex em 26/03.


LIGHT reportou prejuízo líquido de R$ 187 milhões no 4TRI25, revertendo lucro de R$ 1,89 bilhão um ano antes. O Ebitda caiu 17%, para R$ 492 milhões, e a receita líquida avançou 1,3%, para R$ 4,17 bilhões.


ISA ENERGIA aprovou emissão de debêntures de R$ 1 bilhão, prazo de 15 anos, para financiar e reembolsar investimentos no projeto Itatiaia.


AZUL recebeu sua 42ª aeronave Embraer E195-E2, primeira entrega de 2026, com redução de até 26% no CASK e 29% nas emissões, reforçando estratégia de eficiência operacional.


CLARO anunciou que sua controladora, a Claro NXT Telecomunicações S.A., comprou 73,01% do capital social da Desktop, por R$ 2,414 bilhões, ou R$ 20,82 por ação ON.


CARAMURU reportou lucro líquido de R$ 78,6 milhões no 4TRI25, queda de 52,2% na comparação anual. A receita líquida avançou 9,8%, para R$ 2,11 bilhões, e o Ebitda ajustado recuou 62,6%, para R$ 55,4 milhões.


BTG PACTUAL suspendeu temporariamente o Pix após ataque hacker de R$ 100 milhões; banco afirma que nenhuma conta foi comprometida e que a maior parte dos recursos foi recuperada.


ZAMP aprovou grupamento de ações de 1.000 por 1, sujeito à AGE, com objetivo de simplificar estrutura acionária após fechamento de capital.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -1,5% US tech -1,9% US Semis -2,5% UEM -2% España -1,1% VIX 26,8% Bund 3,05%. T-Note 4,98%. Spread 2A-10A USA=+46pb B10A: ESP 3,57% PT 3,53% ITA 3,96% FRA 3,76% ITA 3,79% Euribor 12m 2,658% (fut.12m 3,106%). USD 1,153. JPY 183,9. Ouro 4.221 $. Brent 113,3$. WTI 100,5$. Bitcoin -4,3% (70.811$). Ether -5,3% (2.035$). 


SESSÃO: Hoje o mercado amanhece semi-abalado na frente das bolsas devido à escalada da guerra no Irão. Será um dia péssimo e não parece que possa surgir nada previsível que o amortize. Só resta esperar. Esta madrugada, as bolsas japonesas e chinesa -3,5%, Coreia -6,5%... embora os futuros sobre a bolsa americana parecem mais serenos (-0,9%). Os europeus estão maus, mas, pelo menos, não oferecem um aspeto de rotura (-1,5%/-2%).


Talvez o pior se note nas obrigações. A yield do Bund passou a fronteira de 3% (3,05%) (isto é, preço em baixa), a da obrigação italiana está perto dos 4% (3,96%), a obrigação americana a 2 anos também (3,95%), enquanto a 30A americana testa os 5% (4,98%). O T-Note (O10A) está a 4,42%. O futuro a 1 ano da Euribor 12 meses já superou os 3% (3,106%). Tudo isto significa que as yields das principais obrigações se ampliaram desde sexta-feira de manhã cerca de 15 p.b., em termos gerais, por receio de uma inflação futura muito superior à temida até à semana passada perante a escalada da guerra no Irão nas últimas horas, com represálias e contrarrepresálias numa guerra completamente aberta que só terminará com a neutralização militar absoluta do Irão. O seu regime está disposto a sobreviver a qualquer preço, incluindo autoimolação. Seria conveniente perguntar o que estaria a acontecer se o Irão tivesse conseguido ser potência militar nuclear.


A parte menos má é que o USD se aprecia algo muito razoável, sem transmitir sensação de pânico (1,153/€) e o yen depreciou-se até quase 160/$, mas sem atravessar essa fronteira. E o petróleo Brent sobe até 113 $, mas isso não é grande coisa, tendo em conta as circunstâncias. Quando a guerra na Ucrânia começou, em fevereiro de 2022, chegou a 130 $. Por isso, poderemos dizer que, dentro da sensação de medo, nem todo o mercado está abalado. Mas o seu único fator diretor absoluto é o desenvolvimento de uma guerra que o Irão perderá, mas que, enquanto a perde e se demonstra que o petróleo voltará a ser transportado pelo Estreito de Ormuz/Golfo Pérsico/Golfo de Omã com tensão e relativa fluidez, embora mais caro (90 $ quando terminada a guerra?), esta fase intermédia de plena guerra colocará os preços dos ativos (bolsas e obrigações) francamente atrativos, em “modo oportunidade”. Trump tem pressa para chegar às eleições de meio mandato de novembro com este assunto resolvido (isto é, petróleo pagável, inflação com o pior já para trás e o Irão neutralizado) e Israel sabe que ou o faz agora ou nunca terá outra oportunidade de neutralizar uma ameaça existencial como Irão. Por isso, ambas as partes chegarão até ao final rapidamente, embora menos do que o que parecia. Enquanto isso, o nervosismo é uma má ideia, porque a recuperação posterior do mercado será rápida e podemos deixá-la escapar. Porque o dia depois do Irão será melhor do que o dia anterior.


CONCLUSÃO: Hoje mercado abalado ou semi-abalado e é melhor não fazer nada, a não ser esperar com sangue-frio. O desenvolvimento das ações militares e os resultados que nos chegam dirão tudo. É provável que Wall St., durante a tarde, aguente bastante melhor do que a Ásia e Europa… e melhor do que o que parece. Não há muito mais que se possa dizer num dia como hoje. A não ser que, se uma campanha militar terrestre avançar, o risco seria muito superior e a nossa opinião poderia mudar.


FIM

Merval Pereira

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Briga intestina no STF

Gilmar Mendes começa a tentar montar dentro do Supremo um ambiente que permita, mais adiante, anular o processo do Banco Master assim como fez com todos os processos da Operação Lava Jato

Por Merval Pereira

22/03/2026 04h30  

Ministro André Mendonça durante sessão plenária no STF — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

 


A divergência aberta entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, o decano da instituição, e André Mendonça, o relator do caso do Banco Master, é a evidência de que a crise de legitimidade que atinge o Supremo não se resolverá tão cedo, muito menos agora, quando os dois ministros se manifestaram publicamente sobre teses conceituais, um fustigando o outro. O ministro André Mendonça, já colocado na mídia como o novo guardião da moralidade jurídica, mandou seu recado em evento da OAB do Rio, afirmando, entre outras coisas, que não cabe ao juiz “ser uma estrela”, mas simplesmente agir de maneira certa, e julgar dentro do que é certo.


Um raciocínio aparentemente simplório, mas que, nesta fase em que estamos, é bem recebido por quem ouve, cansado do juridiquês fraudulento e das manhas jurídicas que permitem decisões teratológicas como se fossem sapiências tiradas do fundo da cartola de um mágico decadente. Já o ministro Gilmar Mendes usou seu reconhecido repertório jurídico para, não tendo ambiente favorável a um voto divergente depois que a sua Turma já havia firmado a maioria para manter a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, deu unanimidade à decisão, mas acusou seu colega de usar “conceitos porosos e elásticos” para a decretação de prisões preventivas.


Não foi à toa que o ministro Gilmar Mendes relembrou a Operação Lava Jato, desmontada por sua combativa ação no Supremo, tão combativa quanto nos anos seguidos de defesa da mesma operação que, na sua opinião, estava desmontando o “estado cleptocrático” instalado pelo PT no país. Disse Mendes em seu voto: “em um passado recente, essas mesmas fórmulas foram indevidamente invocadas pela força-tarefa da Lava Jato para justificar os mais variados abusos e arbitrariedades contra aqueles que, ao talante dos investigadores, eram escolhidos como alvos de persecução penal ancorada em razões políticas e ideológicas".


Gilmar Mendes começa a tentar montar dentro do Supremo um ambiente que permita, mais adiante, anular o processo do Banco Master assim como fez com todos os processos da Operação Lava Jato, abrindo a porteira para que outros juízes usassem a decisão de considerar o então juiz Sérgio Moro parcial no julgamento do caso do triplex do Guarujá contra Lula. O que seria uma decisão pontual, como garantiu Mendes na ocasião, virou a senha para o liberou geral que culminou com todos os condenados libertados, inclusive os que admitiram culpa em delações premiadas que mais tarde foram consideradas, inclusive pelo ministro Dias Toffoli, como resultado de pressão ilegal das autoridades. Até quem devolveu dinheiro roubado recebeu de volta o fruto do roubo.


O raio não cai de novo no mesmo lugar, diz a sabedoria popular, mas com a Justiça brasileira nada é impossível, pois a Lava Jato teve o mesmo fim de outros processos contra corrupção anulados por tecnicalidades. Assim como a empresa da família Toffoli e Lulinha, filho do presidente Lula, foram protegidos respectivamente pelos ministros Gilmar Mendes e Flavio Dino, sob a mesma alegação: a quebra do sigilo dos dois foi feita em bloco, e não individualmente.


Os dois ministros têm em comum o gosto pela política, com planos eleitorais claros para 2030. Mendes tem muito prestígio em seu estado, o Mato Grosso, onde há uma proposta de criação de um município chamado “Gilmarlândia”, e mais cinco anos de mandato. Dino vem da política maranhense, tendo sido governador do estado e mantendo até hoje um grupo político atuante que disputa o poder estadual em uma briga com o atual governador Carlos Brandão, que já foi seu aliado. Pesquisa Atlas Intel/Estadão divulgada ontem mostra que o único juiz da Corte que tem avaliação popular positiva maior que a negativa é André Mendonça. Já o ministro Dias Toffoli é o pior avaliado, seguido de Gilmar Mendes. O ministro Flavio Dino é o que tem uma menor avaliação negativa entre seus pares.


Magistrados com interesses políticos não dá certo. Acusado de agir parcialmente contra Lula, cada manobra partidária de Sergio Moro com o grupo político de Bolsonaro, como agora no Paraná, justifica a acusação.

Leitura de domingo

 *Leitura de Domingo: Fed cogita alta de juros com guerra e Wall Street adia corte para 2027*


Por Aline Bronzati, correspondente


Nova York, 18/03/2026 - As incertezas em torno dos impactos econômicos dos conflitos no Oriente Médio levaram o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed) a debater a possibilidade de um aumento de juros na próxima reunião, em abril. Ao saber que o tema foi alvo do encontro, realizado nesta semana, Wall Street voltou a postergar suas expectativas de retomada de corte nas taxas americanas, agora para 2027.


O Fomc manteve a taxa dos Fed Funds na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, como amplamente esperado pelo mercado. Foi a segunda manutenção consecutiva, após três reduções seguidas no ano passado - em setembro, outubro e dezembro. A decisão, contudo, não teve consenso: o diretor Stephen Miran votou por um corte de 25 pontos-base.


O presidente do Fed, Jerome Powell, alertou para o risco de o salto nos preços do petróleo elevar a inflação geral. Ponderou, contudo, que o cenário é incerto e, portanto, cedo demais para saber o tamanho e a duração dos impactos dos conflitos. Diante do aumento das expectativas de inflação nos EUA no curto prazo, os dirigentes do Fomc debateram a possibilidade de aumento nas taxas na próxima reunião, agendada para abril.


"A possibilidade de que nosso próximo passo possa ser um aumento foi, sim, levantada na reunião, tal como ocorreu no encontro anterior", disse Powell, em coletiva de imprensa, nesta tarde. Apesar disso, a grande maioria dos dirigentes do Fomc não considera a possibilidade de aumento das taxas em seu cenário-base. Mas naturalmente, não descartam nenhuma opção, acrescentou.


"Creio que todos concordam, de fato, que continuaremos a monitorar esses indicadores com extrema atenção, à medida que observamos a materialização dos efeitos do conflito sobre os preços", disse Powell.


Apesar disso, ele reafirmou que a política monetária não segue um curso preestabelecido, e que as decisões serão tomadas a cada reunião. As projeções econômicas do Fed (SEP) continuaram a apontar chances de um corte de juros ainda em 2026.


Segundo Powell, "muito será aprendido até o próximo encontro". "O que acontecer no Oriente Médio será um grande fator", projetou. "É tudo muito incerto", avaliou.


As falas de Powell causaram um novo movimento nas placas tectônicas das projeções de Wall Street, desta vez, para o próximo exercício. O mercado chegou a empurrar de dezembro deste ano para março de 2027 a expectativa de início dos cortes de juros pelo Fed. Na sequência, voltou a ver o último mês do ano como o mais provável para a retomada do ciclo de flexibilização monetária no país.


O Bradesco manteve o cenário de que o Fed deve voltar a reduzir os juros no segundo semestre do ano.


"Nossa previsão de dois cortes nas taxas de juros - em junho e setembro - permanece inalterada, em contraste com os mercados financeiros", disse o economista-chefe para os EUA da Oxford Economics, afirmou Michael Pearce.


Para o canadense TD Bank, o Fed ignorará o choque petrolífero se a transferência de tarifas mostrar sinais de redução. O banco continua projetando três cortes de 25 pontos-base trimestrais, começando em setembro de 2026 e terminando em março de 2027.


Na visão de Powell, assim como a covid-19, o choque no setor de energia por conta dos conflitos no Oriente Médio também é "único". O presidente da Queen's College e conselheiro econômico-chefe da Allianz, Mohamed El-Erian, discorda. "Há boas razões para sugerir que estamos em um mundo de choques mais frequentes e mais violentos", disse ele, que é considerado uma espécie de guru em Wall Street.


Além dos impactos da guerra, a inflação dos EUA deu sinais de piora antes mesmo do início dos conflitos, em 28 de fevereiro. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) nos EUA subiu 0,7% no mês passado ante janeiro e 3,4% em um ano. Ambos vieram bem acima das expectativas de analistas consultados pela FactSet, que esperavam altas de 0,3% e 2,9%, respectivamente.


Em paralelo, os temores de recessão também cresceram em Wall Street, apontam os mercados de previsão. O economista-chefe da Moody's Analytics, Mark Zandi, alertou que os EUA podem entrar em recessão nos próximos 12 meses caso os preços do petróleo continuem elevados. Em nova sessão de alta, o petróleo Brent fechou cotado a US$ 102,85 por barril. O Citi passou a prever que os preços alcancem a faixa de US$ 110 a US$ 120 por barril no curto prazo.


Aliado do presidente Donald Trump, o economista americano e líder do Bureau of Labor Statistics (BLS), EJ Antoni, disse que a maior economia do mundo não será capaz de lidar com os preços do petróleo a US$ 100 por barril. "Simplesmente não é", disse ele, em entrevista ao britânico Financial Times, nesta quarta-feira.


Para o presidente do Fed, a situação atual é "muito difícil", com risco de alta para a inflação e risco de baixa para o emprego. Mas, apesar disso, não há uma situação de estagflação nos EUA, como ocorreu na década de 70. "Essa não é a situação em que nos encontramos", reforçou.


Powell também prometeu liderar o Fed até a aprovação do nome de seu substituto, Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump. Ele também não tem a intenção de deixar o conselho até que a investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ, na sigla em inglês) "esteja bem e verdadeiramente concluída com transparência e finalidade".


"Se meu sucessor não for confirmado até o final do meu mandato como presidente, eu serviria como presidente até que ele seja confirmado", disse. Conforme ele, é o que a lei exige. "É o que fizemos em várias ocasiões, inclusive envolvendo a mim, e é o que vamos fazer nesta situação", concluiu.


Contato: aline.bronzati@estadao.com


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Bens do Vorcaro

 *De mansão a Picasso: veja bens de luxo rastreados no caso Master*


Liquidante do Banco Master rastreia uma série de bens supostamente ligados a Daniel Vorcaro para ressarcir credores. 


O processo de liquidação do Banco Master envolve o rastreamento de uma série de bens, que incluem de quadro de Pablo Picasso a mansões no Brasil e nos Estados Unidos. Os bens foram parar em nomes de empresas, fundos de investimentos e, até, em nome de uma sugar baby.


Os itens constam de documentos do liquidante do banco, tanto no Brasil quanto no exterior, que busca evitar que supostos desvios do Master evaporem, além de mapear o patrimônio que pode ser usado para pagar os credores do banco.


O grosso do dinheiro rastreado está em fundos, como o Astralo 95, que traz cifras bilionárias. No entanto, os bens de luxo adquiridos por Vorcaro, familiares e empresas ligados a ele chamam a atenção por indicarem o estilo ostentação do banqueiro que, depois, viria causar prejuízo bilionário aos seus credores.


Um dos bens rastreados é o quadro Mousquetaire, de Pablo Picasso, comprado em 2019 por U$ 6,4 milhões. A obra de 1967 faz parte de uma série de pinturas de Picasso que se referem ao livro Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas.


Também são citados, dois quadros de Basquiat sem título. Uma das obras, que foi comprada em 2024 por U$ 4,5 milhões, teria causado hesitação em Vorcaro por ele temer referência ao demônio. Durante conversas com a ex-noiva, Vorcaro envia uma série de imagens, incluindo de um Basquiat, como opção para decorar o apartamento do casal.


Os bens entraram na mira do liquidante devido à suspeita de uma tentativa de venda, em meio à crise do Master.


*Mansões, jatinho e iate*


Documentos que tramitam na Justiça dos Estados Unidos também citam uma mansão avaliada em U$ 35 milhões comprada pelo pai e a irmã de Vorcaro. Conforme investigação do liquidante, Henrique e Natalia ocupam os cargos de presidente e vice-presidente da Sozo Real Estate Inc., empresa registrada na Flórida e proprietária de um imóvel de alto padrão em Windermere, nos Estados Unidos.


O imóvel, com 3,5 mil metros quadrados de área construída e equipado com quadra oficial de basquete, pista de boliche e campo de futebol, foi adquirido em 2023. O Metrópoles apurou que Henrique teria procurado pessoas próximas na tentativa de encontrar um interessado em comprar o bem.


Além dessa mansão, a Justiça de São Paulo autorizou, em caráter liminar, a inclusão de ordem de protesto em 16 imóveis ligados aos familiares de Vorcaro.


Outra decisão judicial visa dificultar a venda de hotel de luxo, jatinho e iate supostamente ligados a Daniel Vorcaro. De acordo com a petição do liquidante, um jato Gulfstream G700, o iate Monde Bleu e o Botanique Hotel & Spa teriam sido comprados com dinheiro em tese passado por uma rede de fundos interligados, tais como o Astralo 95, o FIDC Rio Vermelho e o FIP Lunar, para ocultar patrimônio de uso pessoal de Vorcaro.


*De suggar baby e supermodelo*


Em outra ação, são citados mais 19 imóveis, sendo o mais valioso uma mansão em Brasília, avaliada em R$ 36 milhões, em nome da empresa Super Empreendimentos, que era controlada pelo cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, segundo a PF.


No nome da mesma empresa, também é citada uma cobertura duplex no Jardim Paulista, bairro rico de São Paulo, avaliada em R$ 30 milhões. Esse é o mesmo imóvel que Vorcaro chegou a oferecer à modelo Izabel Goulart como um investimento na marca de produtos de beleza que seria lançada por ela, conforme revelado pelo Metrópoles.


Um terceiro imóvel citado em nome da Super Empreendimentos é outro duplex, na Vila Nova Conceição, com valor estimado em R$ 3,2 milhões.


Outro apartamento citado fica em um prédio de luxo na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, também na Vila Nova Conceição, avaliado em R$ 4,3 milhões. O imóvel foi inicialmente adquirido pela Viking Participações, ligada a Vorcaro, e vendido à Super Empreendimentos, que, por sua vez, doou o apartamento a Karolina Santos Trainotti, com quem o banqueiro mantinha um relacionamento.


https://www.metropoles.com/sao-paulo/mansao-picasso-master

Helio Schwartsman

 Entre bispos e reis


HÉLIO SCHWARTSMAN


Eu tive um xadrez do Mequinho, o conjunto bem vagabundo de tabuleiro e peças de xadrez fabricado pela Gulliver. Até tínhamos um tabuleiro melhor em casa, mas, para carregar de um lado para outro, o jogo da Gulliver estava de bom tamanho. Como toda criança que cresceu nos anos 1970, eu não tinha como deixar de admirar os feitos enxadrísticos de Henrique Costa Mecking, o Mequinho, ainda que, em casa, nós o víssemos com certa desconfiança dada sua proximidade com o regime militar.


Mas nunca gostei tanto de xadrez a ponto de estudar teoria e me tornar mais que um jogador medíocre ou de me debruçar sobre a trajetória de Mequinho e tentar entender o que aconteceu com o garoto-prodígio que quase chegou lá. "Entre Bispos e Reis", a biografia de Mequinho escrita por Uirá Machado, resolveu meu segundo problema. O primeiro permanecerá sem solução.


Antes de continuar, o alerta que costumo lançar quando o autor do livro que resenho é meu amigo: não tenho como transcender à benevolência da amizade, então cabe ao leitor aplicar os descontos que julgar necessários.


Voltando ao livro, Uirá não se limita a narrar a ascensão de Mequinho, descrever suas façanhas, as derrotas, a doença, a conversão religiosa, o afastamento dos tabuleiros e a volta, ainda que num nível mais baixo que o da primeira fase. Ele aproveita Mequinho para contar a história do xadrez, sua geopolítica nos tempos da Guerra Fria e até a neurociência por trás da diferença abissal entre jogadores comuns e mestres. Tudo isso sem esquecer os truques sujos que os competidores de alto nível usam para desconcentrar o adversário. Como Uirá conhece tudo de todos os esportes — foi ele quem me explicou o que era um duplo twist carpado sem olhar no Google —, também reflete sobre os fatores que levam a performances de excelência, esportivas e em outras áreas.


"Entre Bispos...", ao tentar capturar as múltiplas faces de uma figura ao mesmo tempo genial, difícil e frágil, também funciona como uma investigação sobre a complexidade humana.


Hélio Schwartsman

Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"


FSP 21.03.2026

sexta-feira, 20 de março de 2026

Fabio Alves

 FÁBIO ALVES: CRESCE TEMOR DE RECESSÃO GLOBAL ENTRE INVESTIDORES


O tombo nos preços de metais industriais, ontem, pode ter sido o primeiro indício de que a preocupação maior dos investidores com o impacto da guerra no Irã sobre as cadeias globais de produção poderá migrar de pressões inflacionárias para uma recessão mundial. Com o conflito no Oriente Médio completando hoje três semanas, é cada vez maior a probabilidade de analistas de bancos e de consultorias internacionais começarem a divulgar novas rodadas de revisões para baixo de crescimento do PIB mundial. Os países da Ásia vão sofrer o maior impacto no PIB, uma vez que dependem não somente de boa parte do petróleo que é escoado pelo Golfo Pérsico, como também de outros insumos importantíssimos para a fabricação de vários produtos finais, como automóveis, embalagens, entre outros. O Golfo Pérsico, por exemplo, é responsável por 15% da produção mundial de polietileno e de 9% de polipropileno. O problema é que, na fotografia de hoje, não há sinais de que os ataques militares pelos Estados Unidos e Israel, com as retaliações pelo Irã à infraestrutura de países ao longo do Golfo Pérsico, estejam próximos de acabar. Na sessão de negócios de ontem, chamou atenção a queda na cotação de alumínio, de 4,4%, a maior em um único dia desde 2018. Mas ao longo da sessão de negócios, o preço do alumínio chegou a cair quase 9%. Esse comportamento é de surpreender porque, logo após o início do conflito no Oriente Médio, o preço do alumínio chegou a disparar 10% na reabertura dos mercados, acompanhando a alta nas cotações de petróleo e de gás natural, diante do temor inicial com a impossibilidade de escoar o produto pelo Estreito de Ormuz. O Golfo Pérsico é responsável por 9% da produção mundial desse metal. Aliás, fica no Bahrein a maior fundição de alumínio do mundo. A Alba, empresa que opera essa fundição, declarou “força maior” para os seus contratos de fornecimento por causa dos ataques do Irã aos países do Golfo. A reversão nos preços do alumínio ontem, passando a cair fortemente, acompanhou o desempenho de outros metais industriais pelo mesmo motivo: quanto mais a guerra no Oriente Médio se prolongar, maior será o impacto na atividade econômica global, com destruição de demanda. “A queda forte nos preços dos metais industriais ontem, com o alumínio caindo quase 9% em determinado momento, é um sinal claro dos temores de recessão”, diz Volkmar Baur, analista do banco alemão Commerzbank. O preço do cobre - metal considerado referência da atividade econômica, por seu uso generalizado na indústria mundial - caiu 2% ontem, acumulando uma perda de quase 9% em março até o pregão de ontem. Aliás, o paládio e a platina acumulam perdas maiores em março até ontem. O paládio caiu ontem 5,5%, levando a queda acumulada em março para 15%. Já a perda acumulada neste mês da platina é de 17%. Nas três primeiras semanas da guerra, a atenção dos mercados globais ficou muito concentrada nas oscilações dos preços de petróleo, afetando o humor dos investidores e o apetite para os ativos de risco. É possível que, a partir de agora, os investidores e analistas comecem a ficar mais sensíveis às oscilações nos preços de metais industriais e de outras matérias-primas, como fertilizantes. Se o conflito no Oriente Médio passar de quatro semanas sem sinal de acabar, mantendo o preço do barril do petróleo Brent acima de US$ 100, é possível que projeções mais sombrias para o desempenho do PIB global comecem a pipocar nas telas dos investidores. A reação nos preços de metais ontem mostrou que a análise dos impactos da guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz poderá dar maior peso ao estrago nas cadeias globais de produção. (fabio.alves@estadao.com) Fábio Alves é jornalista do Broadcast

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Ofensiva no Irã desafia ata do Copom* … Os negócios globais vibraram ontem com a trégua temporária ordenada por Trump, que p...