
Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
sexta-feira, 14 de julho de 2017
A porta que a inflação baixa abre, por Fernando Montero
O esforço fiscal vem se perdendo numa macro duríssima que a inflação baixa pode reverter. Desinflação, recessão e juros altíssimos é duríssimo ao fiscal. A desinflação, em especial, puxa sobremaneira gastos indexados à inflação passada maior. Uma vez lá, em compensação, a inflação baixa é ótima. Não sugerimos que o crescimento com menos juros fará sozinho o ajuste. Apenas que o PIB e juros que esta inflação baixa permitem ajudará mais que o projetado hoje (muito mais que o projetado ontem...). As contas públicas pioraram, mas suas causas melhoraram: o déficit primário sofre hoje por receitas e não por gastos; sua receita frustra mais por desinflação que pela recessão (sofre pelas duas); e essa recessão é demanda (inflação cai) e não oferta (inflação subiria). O teto constitucional é restrição, cumpra-se ou não; plasmou uma limitação orçamentária onde déficits gigantescos fracassavam; forçando um “crowding in” do setor privado que precisará preencher 7% do hiato do PIB (ciclo) e 5% do primário (estrutural). Idem parafiscal por quantidade (fim das capitalizações) e preço (TLP). A inflação baixa contrata inércia baixa; que se soma a hiato enorme enquanto não crescermos (muito) acima do potencial. Os preços corrigiram, as contas externas são recordes e choveu uma safra histórica. O ano eleitoral incerto terá ciclo, inflação e juros baixos e comida barata. Desde que haja uma âncora política mínima, os juros desta economia podem cair a patamares inéditos.
A demora na retomada de 2017, desde que reflita demanda (a inflação cai) e não oferta (a inflação subiria), deixa à frente mais crescimento (mais hiato) com menos juros (hiato e a demanda fraca). Os juros tem o ciclo e, também, o “crowding in” do teto de gastos, seja das restrições de cumpri-lo ou das sanções de não cumpri-lo: o setor privado precisará preencher 7% do hiato do PIB (ciclo) e 5% do primário do governo (estrutural). Nossa macro desinflacionária atesta a folga do PIB e libera juros, aproximando os dois – variável chave nas dinâmicas de dividas.
A recessão absorveu o choque inflacionário de 2015, Ilan ancorou e uma safra magnífica terminou de quebrar a inércia. Seja porque o atual perfil da crise é desinflacionaria ou -mais provável- porque a desinflação contratada se mostra cada vez maior, os próximos 18 meses terão menos inflação e mais câmbio, menos PIB e mais balança, menos emprego e mais estoques agrícolas, preços ajustados, reservatórios e o menor reajuste do salário mínimo na história. A inércia agora é da inflação baixa. No horizonte relevante da política monetária, dissídios e expectativas verão um IPCA médio de 3,7%; alugueis e contratos pegarão um IGP médio de 2%; e o salário mínimo de 2018 (1/2 do fiscal; “serviços domésticos” no IPCA; mercado trabalho etc.) reajustará o INPC em 3,5% de 2017. As incertezas que alongam a estagnação, no curto prazo, não parecem por enquanto comprometer uma âncora política mínima às reformas no meio e longo prazo.
Pode não ser tão distante a convergência do PIB e juros nominais, comportando melhor dinâmica nas dívidas. A desinflação atesta o hiato e ambos permitem cortar os juros que, na falta dos multiplicadores fiscais e parafiscais do passado, e com gastos privados anêmicos, precisarão puxar a retomada cíclica. Se o crédito continua entupido, corta mais. Temos, claramente, a oferta desimpedida durante uma recuperação cíclica que deve ser prolongada, com uma demanda que persistirá fraca (ociosidade e desemprego privado, teto de gastos, déficits primários) e o hiato, enorme. Se é para ter recessão e desinflação, tenhamos seus juros. Eis o espaço (olhando a oferta) e a necessidade (a demanda) para queda dos juros na retomada cíclica. Acreditarmos podermos ter muito menos juros num cenário em que a economia não responde ou, alternativamente, muito mais PIB num cenário onde a economia sim responde. Juros e PIB nominais convergentes contribuem sobremaneira na dinâmica das dívidas que, em definitiva, ditam os tempos do ajuste.
O perigo é o câmbio; entretanto, chegamos a ter superávit corrente (12 meses até junho), balança de US$ 60 bilhões, investimentos estrangeiros, swaps zerados e US$ 380 bilhões de reservas. O cenário político é risco, mas serão riscos novos porque o PT está enfraquecido (e sua nova matriz envelheceu). A inércia perpetua uma inflação baixa, o hiato continuará puxando para baixo e restará discutir quanto o câmbio poderia puxar para cima com boas contas externas e uma posição fiscal líquida credora em dólar. Neste cenário, a inflação baixa segura o câmbio nominal, enquanto contas externas sólidas deveriam segurar exageros do câmbio real.
Nada do discutido acima refresca o teto, que precisará segurar despesas pelo cumprimento do limite constitucional ou, em sua falta, pelo não cumprimento do limite (as sanções impostas). Será mais difícil tirar o teto constitucional do que foi coloca-lo. O governo que assuma em 2019 terá que: 1) discutir a nova regra de salário mínimo; 2) negociar os próximos anos com o funcionalismo; 3) tocar as reformas etc. Nisto último, o país logrou um consenso (do problema), uma agenda (da solução) e o horizonte da urgência (o teto). Não é pouca coisa. Se o governo não continuar a agenda em 2019, o fará o teto nos anos seguintes.
Economia e política
Estamos vivendo esta simbiose louca entre as várias crises políticas geradas pela Lava-Jato e as outras investigações, na verdade, desde o Mensalão em meados da década passada, e o desempenho da economia.
Desde então, vamos vivendo assim, meio que aos trancos e barrancos, no susto de mais uma investigação, mais uma denúncia, mais um escândalo. Nesta semana não foi diferente. A CCJ avançou com o parecer da denúncia de corrupção passiva para então ser decidido em plenário.
Neste caso, dois terços são os votos necessários para Michel Temer ir para o cadafalso, julgado por 180 dias e possivelmente não retornando.
Em paralelo, tivemos o ex-presidente Lula da Silva, numa longa novela, condenado "oficialmente" pelo juiz Sergio Moro, a nove anos e seis meses. Várias chicanas ainda devem acontecer, até o julgamento dos desembarcadores do 4 TFR daqui a um ano. Aguardemos.
Desde então, vamos vivendo assim, meio que aos trancos e barrancos, no susto de mais uma investigação, mais uma denúncia, mais um escândalo. Nesta semana não foi diferente. A CCJ avançou com o parecer da denúncia de corrupção passiva para então ser decidido em plenário.
Neste caso, dois terços são os votos necessários para Michel Temer ir para o cadafalso, julgado por 180 dias e possivelmente não retornando.
Em paralelo, tivemos o ex-presidente Lula da Silva, numa longa novela, condenado "oficialmente" pelo juiz Sergio Moro, a nove anos e seis meses. Várias chicanas ainda devem acontecer, até o julgamento dos desembarcadores do 4 TFR daqui a um ano. Aguardemos.
Modelos Académicos...
"A parte boa da teoria é que ela sempre funciona dentro dos livros.
A parte ruim é que ela só funciona nos livros.
Nenhum desses acadêmicos saiu dos livros para enfrentar o mercado.
Se mais acadêmicos saíssem do mundo das letras para enfrentar a realidade, poderíamos enxergar as teorias de outra forma."
quinta-feira, 13 de julho de 2017
Em estágio crítico, Lava Jato ganhou mais um bom motivo para continuar, diz The Economist
Em
edição desta semana, a The Economist ressaltou a condenação de Luiz Inácio Lula da
Silva pelo juiz Sérgio Moro. De acordo com a publicação, o atual estágio
da Operação Lava Jato é crítico, não somente por conta da condenação do
petista, mas também pelo início dos debates na CCJ da Câmara sobre a denúncia
contra Michel Temer
Assim, com o establishment político mortalmente ameaçado,
as movimentações para que as investigações na Operação Lava Jato sejam
reprimidas estão montadas, afirma a publicação.
A Economist ressalta as falas da defesa de Lula, que
aponta que o petista é vítima inocente de "uma investigação politicamente
motivada". Lula permanecerá livre enquanto recorre, mas a sentença torna
mais difícil que ele concorra à presidência novamente em 2018. Além disso,
também intensificará o debate sobre se Lava Jato age de maneira imparcial ou se
é uma "caça às bruxas".
A revista aponta que 157 pessoas foram condenadas até
agora, enquanto o STF autorizou a investigação de dezenas de membros do Congresso.
"Para chegar até aqui, os promotores usaram técnicas que são novidades no País.
Ao usar a prisão preventiva e a delação premiada, eles extraíram confissões e
provas que levaram a acusações contra alguns dos empresários e políticos mais
proeminentes do país", aponta a publicação.
Os críticos alegam que, com essa atuação, a presunção de
inocência é perdida, ao mesmo tempo em que destacam a instabilidade política
causada pelas operações. Outra crítica ocorre com relação ao tão contestado
acordo entre o Ministério Público e os irmãos Batista, da JBS, que foi visto
como muito brando, enquanto a Polícia ainda não conseguiu comprovar muitas
acusações feitas em delações . "O
vazamento seletivo de delações destrói reputações, mesmo que a inocência seja
posteriormente confirmada", aponta a Economist, lembrando ainda que muitos
reclamam sobre a falta de diferenciação entre caixa 2 e recebimento de $$ para
enriquecimento pessoal.
Por outro lado, a publicação britânica destacou que a
Lava Jato revelou uma transgressão generalizada e reverteu uma prática de
longa data no Brasil de não punir o crime de colarinho branco. Além disso, a
força-tarefa da Operação é submetida a uma supervisão judicial estreita,
inclusive do Supremo.
"Muitas das críticas são auto-interessadas. Agora é
direito, também do PT de Lula, reclamar. Se Temer cometeu efetivamente um
crime, qualquer estabilidade que ele oferece é falsa ou carrega um preço
inaceitável. É por isso que as tentativas de controlar as investigações, se
tiverem sucesso, são alarmantes", ressalta a revista.
Lula: 'quem acha que é meu fim vai quebrar a cara'
Já em campanha, Lula deu o tom da campanha para 2018. Além do processo do triplex, o ex-presidente
Lula,71, ainda responde a outras quatro ações na Justiça, sob acusação de
crimes como corrupção, obstrução de Justiça e lavagem de dinheiro. Um dos processos
está sob a batuta de Moro: Lula é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro de propina da Odebrecht, em caso também investigado na Operação Lava Jato. Segundo o Ministério
Público Federal, o ex-presidente se beneficiou de cerca de R$ 12 milhões em
vantagens indevidas pagas pela empreiteira na compra de um terreno que seria
destinado ao Instituto Lula. O petista nega qualquer acerto ilícito e diz que o
terreno jamais pertenceu ao instituto, mas foi apenas visitado durante a
escolha de um imóvel para a instituição. A ação ainda está em fase de instrução.
Mercado financeiro aumenta projeção de déficit nas contas públicas este ano
Instituições financeiras consultadas pelo
Ministério da Fazenda aumentaram a previsão do déficit primário do governo
central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central), neste ano, de
R$ 142,051 bilhões para R$ 145,268 bilhões, valor acima da meta do governo de
déficit de R$ 139 bilhões.
A projeção consta da
pesquisa Prisma Fiscal, elaborada pela Secretaria de Política Econômica do
Ministério da Fazenda, com base em informações de instituições financeiras do
mercado. O resultado foi divulgado hoje (13). Para 2018, a estimativa de
déficit ficou em R$ 129 bilhões, contra R$ 127,446 bilhões, previstos no mês
passado.
A projeção da
arrecadação das receitas federais, este ano, ficou em R$ 1,340 trilhão, contra
R$ 1,345 trilhão, previsto no mês passado.
A pesquisa apresenta
também a projeção para a dívida bruta do governo geral, que na avaliação das
instituições financeiras, deve ficar em 75,6% do Produto Interno Bruto (PIB),
ante a previsão anterior de 75,47% para este ano. Para 2018, a estimativa foi
ajustada de 78,60% para 78,67% do PIB.
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Ailton Braga
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