terça-feira, 7 de abril de 2026

Flavio e seu vice

 *Opções a vice de Flávio Bolsonaro se afunilam em Tereza e Zema; MG pode ser peça-chave para decisão*


Tarifaço de Trump patrocinado por Eduardo pesa na decisão pela senadora, enquanto costura em Minas Gerais deixa situação de ex-governador complexa


Guilherme Caetano


'Nunca fui convidada, se for, vamos pensar’, diz senadora sobre ser vice de Flávio Bolsonaro


BRASÍLIA – Cresce dentro da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a certeza de que o posto de vice na chapa sairá da disputa entre dois nomes: a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo). Cada uma das opções tem prós e contras, e Minas Gerais deve ser o fiel da balança nesse cálculo.


Aqueles que defendem Tereza alegam que sua escolha pode ser um aceno importante ao agronegócio depois de o setor ser atingido pelo tarifaço do governo americano defendido pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).



Eduardo largou seu mandato como deputado federal em março de 2025 para se autoexilar nos Estados Unidos, onde passou a trabalhar por sanções contra o Brasil e o Supremo Tribunal Federal (STF), principalmente o ministro Alexandre de Moraes. O magistrado é o relator da ação que culminou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.


Mencionando uma suposta perseguição contra Bolsonaro, o governo de Donald Trump impôs sanções contra ministros do STF e um carga de 50% de tarifas sobre produtos brasileiros. O prejuízo recaiu sobre setores exportadores, em especial da agricultura e da pecuária.


O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tem dito que torce para que Flávio escolha uma mulher como vice na chapa, de olho em conquistar o eleitorado feminino, em geral refratário à figura de Bolsonaro.


“Nossa senhora, esse assunto não sai da minha frente. Nunca fui convidada. Se eu for, lá na frente nós vamos pensar. Nunca chegou esse convite”, afirmou Tereza Cristina em entrevista ao Estadão.


Já outros avaliam que ter Tereza como vice seria um desperdício, uma vez que os ruralistas votarão em Flávio de qualquer jeito. Também argumentam que a figura do senador é mais palatável às mulheres, diferentemente do pai.


Em relação a Zema, joga a seu favor o peso eleitoral que tem Minas no cenário nacional. Em 2022, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou Bolsonaro no Estado por 50,20% contra 49,80% – quase um empate numérico, depois de o então presidente virar o resultado em 66 cidades mineiras entre o primeiro e o segundo turnos –, enquanto Zema foi reeleito naquele pleito com 56,18% dos votos.


Aliados de Flávio dizem acreditar que, se Zema tivesse conseguido transferir para Bolsonaro ao menos um ponto porcentual desses votos, o então presidente teria sido reeleito. Isso porque Lula saiu nacionalmente vitorioso por uma margem estreita, de 50,90% contra 49,10% do oponente.


O lado negativo, no entanto, está na composição nas chapas no Estado. Se o Partido Novo se coligar com o PL, Zema como vice teria dificuldades para apoiar o seu candidato a sucessor, o ex-vice e atual governador Matheus Simões, cujo partido, o PSD, lançou Ronaldo Caiado à Presidência da República.


Para não perder terreno e se manter competitivo no Estado, o PL filiou na semana passada o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, visando a disputa pelo governo mineiro.


Roscoe é cotado tanto para disputar o governo de Minas Gerais quanto para compor como vice na chapa. Os nomes do atual vice-governador, Matheus Simões (PSD), e do senador Cleitinho (Republicanos) são os mais citados para a composição dessa alternativa.


Sendo vice de Simões (aliança PSD-PL), o movimento de Roscoe possibilitaria a Zema também integrar a chapa de Flávio (numa eventual aliança PL-Novo) e manter o apoio ao seu aliado sem enfrentar desgaste. Por isso, a campanha bolsonarista vê Minas como essencial para se fortalecer na corrida ao Palácio do Planalto.


“Vocês viram hoje o movimento, um senador da República (Carlos Viana) vai para o PSD. O governador do Estado (Simões) é do PSD. O PT hoje tem uma dificuldade de montar o seu palanque lá em Minas, que é um Estado-pêndulo, onde há uma necessidade de fazermos uma escolha certa para termos a vitória não só em Minas, mas em nível nacional, porque Minas reflete o Brasil”, afirmou o senador e secretário-geral do PL, Rogério Marinho (RN), durante a filiação de Roscoe.


Na semana passada, a esquerda também moveu suas peças para tentar se posicionar bem na eleição mineira. O ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, trocou o PSD pelo PSB do vice-presidente Geraldo Alckmin, de olho em disputar o governo de Minas com apoio do presidente Lula.


Em seu discurso, Pacheco afirmou que o evento se tratava de um ato de filiação, e não de lançamento de pré-candidatura, e que as negociações para a montagem da chapa em Minas Gerais começavam a partir daquele momento.


Pacheco já vem se colocando como um contraponto ao bolsonarismo. Ele afirmou naquela ocasião que, à frente do Senado, enfrentou a pandemia de covid-19 (“em que morreram 700 mil brasileiros diante de uma reticência em relação à vacina”) e uma tentativa de golpe (“quando alguns grupos minoritários pretendiam uma ruptura democrática e institucional”), numa crítica velada a Bolsonaro.




https://www.estadao.com.br/politica/opcoes-a-vice-de-flavio-bolsonaro-afunilam-em-tereza-e-zema-e-mg-pode-ser-peca-chave-para-decisao/

Galipolo no Ibre FGV

 ANÁLISE: Galípolo responde aos ataques da ala política do governo Lula ao BC


Alex Ribeiro De São Paulo


 


Num discurso técnico e recheado de parábolas históricas, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, deu hoje uma resposta às alas políticas do governo que dizem que a política de juros altos poderá prejudicar a reeleição do presidente Lula.


Em evento na Fundacão Getúlio Vargas (FGV), no Rio, Galípolo disse que a alta de preços da economia - que corroeu o poder de compra da população nos últimos anos - pode estar por trás da sensação do eleitorado de desconforto com a economia, mesmo com os melhores indicadores no mercado de trabalho da série histórica.


"Os banqueiros centrais não apanham mais só por derrubar a popularidade ou custar a reeleição de um presidente ao subir demais os juros", afirmou. "[Também apanham] porque cortaram demais, provocando impactos na inflação."


Galípolo falou a uma plateia de acadêmicos e economistas no tradicional Seminário Anual de Política Monetária, promovido pelo Centro de Estudos Monetários da FGV/Ibre - e em nenhum momento fez qualquer referência direta às críticas de integrantes do governo Lula à política de juros altos patrocinada pelo Banco Central. A edição deste ano é uma homenagem ao economista José Júlio Senna, principal mobilizador do centro de estudos.


Mas, num discurso que discorreu sobre a conjuntura internacional e o trabalho de banqueiros centrais estrangeiros nas últimas décadas, o subtexto de Galípolo foi a situação do Brasil. O BC brasileiro.:dotou uma postura de cautela no corte de juros depois do início da guerra contra o Irã.


O presidente do BC disse que a dissonância entre os números oficiais da economia - que são positivos - e o sentimento de frustração da população está relacionada ao aumento dos níveis de preços dos últimos anos, depois dos choques causados pela pandemia, pela guerra na Ucrânia, pelo tarifaço de Trump e, mais recentemente, pela nova guerra.


"Nós, banqueiros centrais, somos focados na meta de inflação, enquanto a população está focada no nível de preços", disse Galípolo.


A inflação é medida como o aumento de preços em um determinado período - por exemplo, um ano. Hipoteticamente, um banco central considera que há estabilidade de preços se, num ano, a inflação sobe 10% e, no seguinte, cai para a meta de 3% e se mantém ancorada nesse percentual. Já a população se sente mais pobre depois desses dois anos de inflação, já que os preços subiram mais de 13%.


O desconforto cresce quando a renda não acompanha a alta de preços. Segundo Galípolo, cabe aos bancos centrais evitar esse descompasso, assegurando o ajuste de preços relativos e prevenindo uma espiral de preços e salários que tornaria a inflação mais persistente. A fala é uma resposta indireta a alas políticas do governo que vêm defendendo, junto ao presidente Lula, que a política de juros altos do BC tem prejudicado a popularidade presidencial. O presidente do BC fez um pequeno histórico da política monetária nos Estados Unidos nas últimas décadas para mostrar como, hoje, um banqueiro central pode atrapalhar os planos de reeleição de um presidente também por ter sido descuidado com a inflação.


Décadas atrás, lembrou, alguns banqueiros centrais foram acusados de serem lenientes com a inflação, ajudando politicamente alguns presidentes - esse seria o caso de Arthur Burns, nos anos 1970, que teria cedido às pressões de Richard Nixon para praticar uma política monetária muito relaxada.


Outros teriam sido duros demais, seguiu Galípolo, custando a reeleição de presidentes - caso de George Bush pai, que credita seu fracasso em 1992 a juros muito apertados administrados por Alan Greenspan.


Esse padrão mudou. A sequência de choques ocorridos desde a pandemia fez com que a população passasse a ter maior intolerância com a inflação. Isso teria custado a reeleição de Joe Biden na sua disputa contra Donald Trump, em 2024.


Galípolo lembrou que, no Brasil, alguns especialistas acham que a política monetária leniente com a inflação poderia ter custado a reeleição de Jair Bolsonaro em 2022.


O problema, disse, não teria sido a alta de 11,75 pontos percentuais na taxa Selic nos 18 meses que antecederam a eleição - e sim o fato de o BC ter cortado os juros a 2% ao ano no período imediatamente anterior, levando a um surto inflacionário que corroeu a renda da população. "Essa não é mais a sociedade dos anos 80", disse Galípolo. "As pesquisas mostram que essa é uma sociedade que não tolera mais a inflação." O presidente do BC disse muito pouco no evento sobre como vai reagir ao novo choque causado pela guerra. Mas pontuou que, depois do que aconteceu nos últimos anos, todos os banqueiros centrais estão muito mais reticentes a tomar o novo choque de preços como um evento temporário que não precise de combate específico da política monetária. Ao longo do discurso, Galípolo também mandou um recado aos setores do governo que estudam limitar os juros dos cartões de crédito — iniciativa que parte de um diagnóstico de setores da equipe econômica de que a população está descontente com o governo porque um bom pedaço de sua renda está escoando no pagamento de juros altos nessa linha de crédito. Um dos riscos de colocar um teto nos juros é os bancos fazerem uma restrição de crédito. Galípolo citou esse efeito colateral de uma forma muito indireta. Ele lembrou que o ex-presidente americano Richard Nixon fez uma cruzada contra o endividamento e os cartões de crédito nos Estados Unidos — pedindo que a população destruísse seus cartões e enviasse os pedaços à Casa Branca. O resultado foi agravar os efeitos do aperto monetário então levado a cabo por Paul Volcker — e o Produto Interno Bruto (PIB) americano sofreu uma queda anualizada de 8% no terceiro trimestre de 1980. No fim, Nixon acabou perdendo as eleições daquele ano para Ronald Reagan.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Calhordas

 “Deixa eu te dizer uma coisa, meu querido. Quando você entender o que é ser uma pessoa deste tamanho, você vai se lembrar deste dia com muita vergonha. (...) Então a minha recomendação é: me respeite, porque sou um doutor em Antropologia. Não tenho opinião, sou especialista em Harvard. No dia em que você quiser discutir com a gente, traga seu diploma e a sua opinião fundamentada em ciência, aí você discute com um especialista em Harvard”.


Esta foi a fala (lacradora) do tal professor de uma escola particular de São Paulo que, no lugar de refutar com argumentos um aluno do curso secundário - que teve a audácia de defender o agronegócio tupiniquim durante uma palestra de uma militante do PSOL -, resolveu dar-lhe uma 'carteirada', daquelas dignas dos maiores impostores intelectuais.


Mas o pior de tudo mesmo é que a 'carteira' do valente era falsa como uma nota de 3 Reais.  


O sujeito não é formado em Harvard e nem mesmo ao título de 'especialista', que ostenta no currículo (veja link nos comentários), ele faz jus.  O que ele tem é um *certificado* (que lhe custou USD250.00) de conclusão de um cursinho de seis meses, denominado "estudos Afro-latino americanos", emitido por um instituto "lateral" vinculado a Harvard (veja link nos comentários).


Como a Universidade de Harvard já deve estar acostumada com o mau uso que muitos fazem desses *certificados de conclusão* de cursos e seminários, a seguinte observação encontra-se estampada na página do tal referido 'curso':


"Os cursos são voltados para estudantes, ativistas, funcionários públicos, acadêmicos e público em geral, especialmente na América Latina. As aulas são em espanhol e português e os participantes que concluírem o trabalho exigido receberão um certificado emitido pelo Afro-Latin American Research Institute e aprovado pelas instituições participantes. O Certificado leva cerca de seis meses para ser concluído.  ***Por favor, note que este curso não é creditado e não leva a nenhum diploma da Universidade de Harvard.***" (ênfase no original)

Radar da imprensa

 *Radar da Imprensa: Vagas de 1 a 2 salários mínimos puxam expansão do emprego desde 2023*


Folha de S.Paulo - Os trabalhadores que ganham de 1 a 2 salários mínimos representaram sozinhos 87,3% do crescimento da população ocupada de 2023 a 2025, em um movimento que criou empregos no mercado de trabalho para pessoas que estavam desocupadas, segundo especialistas. Em três anos, houve um aumento de 4 milhões no número de ocupados formais e informais nessa faixa de renda, enquanto a ocupação como um todo cresceu 4,6 milhões, segundo dados do IBGE levantados pelo economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4Intelligence.


Broadcast+

Apocalipse do petróleo

 https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/04/03/ft-wall-street-alerta-que-guerra-levara-a-longa-crise-energetica-e-analista-fala-em-apocalipse-do-petroleo.ghtml


*FT: Wall Street alerta que guerra levará a crise energética longa, e analista fala em 'apocalipse do petróleo'*


_Para analistas, há poucos sinais de uma rápida resolução do conflito no Oriente Médio, e escassez de oferta logo deixaria o mercado sem combustíveis de transporte e outros produtos_


Por Jamie Smyth e Myles McCormick, Em Financial Times — Nova York


Wall Street alertou que os preços do petróleo vão subir acentuadamente à medida que a guerra dos EUA no Irã e o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz interrompem as exportações do Oriente Médio por meses.


Operadores e analistas disseram, nesta sexta-feira (3), que havia poucos sinais de uma rápida resolução do conflito, que tem abalado os mercados e elevado o preço do petróleo Brent para acima de US$ 100 por barril. A escassez de oferta logo deixaria o mercado sem combustíveis de transporte e outros produtos, acrescentaram, à medida que a crise se espalha para a economia mais ampla.


Natasha Kaneva, analista do J.P. Morgan, disse, em nota: “Até o fim da próxima semana, esperamos que os cortes na oferta de petróleo bruto se aproximem de 12 milhões de barris por dia, tornando o déficit altamente visível nos mercados físicos.”


“O mercado enfrenta uma escassez aguda de produtos – diesel, combustível de aviação, [gás liquefeito de petróleo] e nafta – que simplesmente não podem ser consumidos porque não estão disponíveis.”


O RBC Capital Markets afirmou que espera que os preços do petróleo superem o pico de US$ 128 atingido poucas semanas após a Rússia lançar sua invasão em larga escala da Ucrânia em 2022 e ultrapassem o recorde de cerca de US$ 147 registrado em 2008.


“Estamos revisando nossa estimativa de duração da guerra com o Irã e os impactos simultâneos nos preços do petróleo”, disse Helima Croft, chefe global de commodities do RBC. O conflito pode “entrar bem pela primavera”, acrescentou.


O Goldman Sachs estima que os fluxos através do Estreito de Ormuz caíram para 600 mil barris por dia, abaixo dos níveis normais superiores a 19 milhões – próximo da produção total de petróleo dos EUA.


Os alertas surgem enquanto a guerra entra em sua terceira semana, com o presidente dos EUA, Donald Trump, dizendo que Washington tem “munição ilimitada” e poderia continuar lutando contra o Irã “para sempre”.


Teerã retaliou lançando ataques contra infraestrutura energética em todo o Golfo e efetivamente fechando o Estreito de Ormuz, a estreita via marítima por onde normalmente passa um quinto do fornecimento de petróleo e gás natural liquefeito.


Um ataque de drone iraniano nesta sexta-feira (3) provocou caos no distrito financeiro de Dubai, enquanto países europeus buscavam abrir negociações com Teerã para retomar os fluxos através do estreito.


*"Apocalipse do petróleo”*


“Fechar o Estreito de Ormuz deveria ser o apocalipse do petróleo”, disse Jim Krane, do Baker Institute da Universidade Rice. “Pode ficar muito pior do que já está.”


O petróleo Brent, referência internacional, subiu cerca de 40% desde que Trump iniciou a guerra. Os preços de tudo, de combustível de aviação a diesel, dispararam na Ásia, Europa e América do Norte. Nos EUA, o preço da gasolina atingiu US$ 3,63 por galão nesta sexta-feira, aproximando-se do patamar crítico de US$ 4 após 13 dias consecutivos de alta.


O J.P. Morgan afirmou que o mercado de petróleo já está sentindo o impacto físico da interrupção de oferta causada pelo fechamento do estreito, apesar dos esforços de Washington e seus aliados para evitar uma crise economicamente prejudicial.


O governo Trump tentou acalmar os mercados propondo escoltas navais e seguros emergenciais para petroleiros que navegam pelo estreito, além de suspender sanções ao petróleo russo e se juntar a outros países do G7 em uma liberação recorde de petróleo de reservas estratégicas.


*Teerã alertou sobre petróleo a US$ 200*


Mas o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, emitiu mensagem desafiadora, na quinta-feira (2), declarando que as forças militares do país manteriam o estreito fechado enquanto busca aumentar sua vantagem contra os EUA e Israel. Teerã alertou o mundo para se preparar para petróleo a US$ 200.


“O novo líder supremo não parece disposto a negociar até extrair um preço mais alto para restabelecer a dissuasão”, disse Daleep Singh, que atuou como vice-conselheiro de segurança nacional para economia internacional no governo de Joe Biden.


Países de toda a Ásia estão entre os mais afetados pelas interrupções de oferta, pois dependem de energia e outras importações que passam pelo estreito. A Austrália disse nesta sexta-feira que liberaria reservas domésticas de combustível para conter possíveis faltas de abastecimento e compras por pânico.


“Preços mais altos de energia vão começar a afetar o comportamento do consumidor”, disse Ben Cahill, pesquisador sênior do Center for Strategic and International Studies. “As pessoas vão abrir mão de algumas viagens não essenciais, seja de avião ou por estrada.”

BTG e Spacex

 *Leitura de Domingo: BTG Pactual é único banco de emergentes em IPO da SpaceX, o maior da história*


Por Aline Bronzati e Altamiro Silva Junior


Nova York e São Paulo, 01/04/2026 - O BTG Pactual é o único banco brasileiro, da América Latina e de mercados emergentes, a integrar o sindicato de bancos que devem participar da aguardada abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) da SpaceX, de Elon Musk, apurou a Broadcast. No total, 21 bancos devem atuar na operação, que pode levantar de US$ 50 bilhões a US$ 75 bilhões e se tornar o maior IPO da história.


Os nomes dos grupos financeiros que vão assessorar a empresa de foguetes de Musk foram revelados pela 'Reuters'. A presença do BTG Pactual no grupo foi confirmada por duas fontes que falaram à Broadcast na condição de anonimato.


A listagem, que tem codinome interno de "Projeto Apex", é esperada como uma das estreias no mercado de ações mais aguardadas em Wall Street. A SpaceX busca avaliação de US$ 1,5 trilhão a US$ 1,75 trilhão e seu IPO deve ocorrer até junho.


Segundo as fontes, a empresa de Elon Musk já fez um pedido confidencial para o IPO na Securities and Exchange Commission (SEC, que regula o mercado de capitais dos EUA).


Morgan Stanley, Goldman Sachs JPMorgan Chase, Bank of America e Citigroup são os bancos coordenadores da operação. Outros 16 bancos vão assessorar a empresa de Musk com papéis secundários. É nesta lista que o BTG Pactual figura ao lado de bancos como UBS, Santander, Wells Fargo, ING, Barclays, Deutsche Bank, dentre outros.


Bancos brasileiros já conseguiram espaço antes em IPOs gigantes nos Estados Unidos. Em 2012, o Itaú BBA integrou o sindicato de bancos que participou da badalada oferta do Facebook, que levantou US$ 16 bilhões.


Procurado, o BTG Pactual não comentou.


Contato: aline.bronzati@estadao.com; altamiro.junior@estadao.com


Broadcast+

Gargalos maritimos e o Brasil

 *Opinião*


Os gargalos marítimos do planeta e seus riscos para o agronegócio brasileiro


Cerca de 80% do comércio mundial, em volume, viaja por mar. E esse comércio depende essencialmente de um número reduzido de gargalos geográficos


Por Marcos Jank

03/04/2026 | 05h30

Atualização: 03/04/2026 | 06h13


Existe uma lição que a história ensina desde o século XV e que a geopolítica contemporânea insiste em reconfirmar: quem controla os estreitos controla o comércio, e quem controla o comércio molda o poder global. Os portugueses entenderam isso quando dominaram Ormuz, Goa e Malaca como as três chaves para o sistema imperial asiático. Seis séculos depois, o mundo ainda gira em torno de sete passagens estreitas e a crise aberta pela  em março de 2026 veio lembrar ao planeta, de forma brutal, que essa lição nunca foi superada.


Cerca de 80% do comércio mundial, em volume, viaja por mar. E esse comércio depende de um punhado de gargalos geográficos: Ormuz, Bab-el-Mandeb, Suez, Malaca, Bósforo, Gibraltar e o Canal do Panamá. São os chamados chokepoints, pontos de estrangulamento onde a geografia se converte em poder. O controle desses gargalos não exige orçamento militar colossal. Basta ter posição geográfica e disposição para usá-la.



Quando o Irã declarou o fechado no início de março, após os ataques coordenados de EUA e Israel contra instalações militares e nucleares iranianas, o mundo acordou para uma realidade que analistas vinham alertando há anos: a globalização não se sustenta sobre estradas. Sustenta-se sobre rotas marítimas que convergem, inevitavelmente, em meia dúzia de passagens críticas.


Quando se fala nesses canais e estreitos, o debate costuma ficar restrito ao . Mas quem olha com cuidado para os fluxos globais de comércio percebe que esses gargalos são igualmente críticos para grãos, proteínas animais, açúcar, celulose, fertilizantes e outros insumos agrícolas. Para um país como o Brasil - que em 2025 exportou US$ 170 bilhões em produtos do e importa praticamente todos os seus fertilizantes -, entender o que passa por cada um desses pontos de estrangulamento é uma questão de estratégia nacional, e não apenas de curiosidade geográfica.


Situam-se no Oceano Índico três grandes estreitos (Bab-el-Mandeb, Ormuz e Malaca), cuja importância estratégica remonta às grandes navegações. Setenta por cento do petróleo do planeta e 50% do tráfego de contêineres do mundo passam por pelo menos um desses estreitos. A eles somam-se o , os estreitos turcos do Bósforo e Dardanelos, o  e o  que, juntos, formam o sistema nervoso do comércio global de commodities. Uma perturbação em qualquer um desses pontos não fica circunscrita a uma região: ela se propaga em cascata por mercados de energia, alimentos e insumos em todo o planeta.


*O descompasso entre o petróleo e seus derivados*


No Brasil, temos o hábito de nos preocupar apenas com o acesso aos mercados compradores dos produtos do agronegócio. Raramente nos debruçamos sobre a outra face da equação: a vulnerabilidade nos insumos. A crise de 2026 está expondo, de forma brutalmente clara, essa fragilidade estrutural. E ela tem dois vetores principais: derivados de petróleo e fertilizantes.


O Brasil é hoje uma potência petroleira. A produção atingiu o recorde histórico de 3,8 milhões de barris por dia em 2025, impulsionada pelo pré-sal. Ao mesmo tempo, o país é o sétimo maior consumidor mundial, com cerca de 2,6 milhões de barris diários. O superávit existe, mas é um superávit de petróleo bruto, não de derivados. O parque de refino brasileiro não tem capacidade de processar todo o petróleo pesado do pré-sal em derivados leves como diesel, GLP e querosene de aviação.


A fotografia da dependência brasileira é reveladora. O diesel é o caso mais crítico: as importações respondem por cerca de 25% do consumo interno. Em dez anos, a importação de diesel quase triplicou em quantidade. Para o agronegócio, esse dado é central: o diesel é o combustível do plantio, da colheita e do transporte multimodal.


No caso do GLP, as importações também corresponderam a 25% das vendas internas. O querosene de aviação apresenta dependência externa de 15%. A gasolina é o derivado com menor vulnerabilidade: apenas 8% é importado, graças à mistura de 30% de etanol e à frota de carros flex. Em resumo, somos superavitários em petróleo bruto, mas estruturalmente deficitários no derivado mais estratégico para o agronegócio, o diesel. Isso não é um problema de mercado. É uma fragilidade enorme acumulada por décadas.


Fertilizantes: o calcanhar de Aquiles

Se nos derivados a vulnerabilidade é relevante, nos  ela é existencial para a agricultura. A guerra do Golfo criou uma combinação de fatores bem mais preocupantes do que o impacto da guerra Rússia-Ucrânia em 2022. A região do Golfo concentra algumas das maiores fábricas de fertilizantes do mundo, fazendo com que o Estreito de Ormuz canalize aproximadamente um terço do comércio marítimo global desses produtos, incluindo amônia, ureia e fosfatos.



O Brasil importa 85% dos fertilizantes que utiliza. Com o fechamento do estreito, os preços da ureia dobraram, levando vendedores a suspenderem ofertas num momento em que as importações já haviam atingido o recorde de 45,5 milhões de toneladas em 2025.


O risco se desdobra em três frentes simultâneas, o que o torna particularmente perigoso. Primeiro, o fechamento físico de Ormuz, que faz com que os fertilizantes produzidos no Golfo simplesmente não cheguem ao mercado, sendo que os preços já se aproximam dos níveis de 2022. Segundo, as restrições de exportação de nitrato e sulfato de amônio da Rússia e da China (os dois maiores fornecedores alternativos ao Oriente Médio) para proteger o seu abastecimento doméstico. Terceiro, a destruição de infraestrutura produtiva no Oriente Médio: os conflitos afetaram não apenas as rotas marítimas, mas também instalações de produção em toda a região.


Os produtos de maior risco para o Brasil neste momento são a ureia e, principalmente, o enxofre, cujos preços já vinham subindo antes mesmo do fechamento de Ormuz. O enxofre é insumo indispensável para a produção de fertilizantes fosfatados, e o Brasil depende enormemente do Oriente Médio para supri-lo. Além dos preços altos, que aumentam custos e reduzem margens da agricultura, corremos um risco concreto de desabastecimento no plantio da safra 2026/2027.


Uma tempestade de múltiplas frentes

Para o Brasil, um dos maiores exportadores mundiais de soja, milho, proteínas animais, celulose, algodão, açúcar e café, a crise em Ormuz é uma ameaça concreta que afeta tanto o lado da oferta quanto o da demanda. O Brasil exportou US$ 12,6 bilhões em produtos agropecuários para o Oriente Médio em 2025. Para o Irã foram US$ 3 bilhões, com destaque para 9 milhões de toneladas de milho, 23% das exportações brasileiras do cereal em 2025.


Pelo lado dos custos, o fechamento de Ormuz elevou imediatamente os fretes e os seguros marítimos. O cenário a partir de agora depende muito da duração do conflito. Se o estreito for reaberto até maio, o impacto mais severo recairá sobre os EUA, que entram em breve no período crítico de plantio. Se a abertura demorar mais alguns meses, pode comprometer a safra 2026/2027, que será plantada a partir de setembro.


*Ganho nos biocombustíveis*


Uma alta persistente nos preços da gasolina e do diesel beneficia o etanol de cana e milho e o  de soja e resíduos animais. Durante anos, esses combustíveis foram tratados como instrumentos de transição climática, por conta de suas menores emissões em relação aos fósseis. A crise de 2026 os recoloca na agenda de segurança energética, à semelhança do que vivemos nos anos 1970. Um país que mistura 30% de etanol na gasolina, 15% de biodiesel no diesel e ainda dispõe de veículos flex está, na prática, reduzindo sua exposição ao choque de Ormuz. O etanol que substitui gasolina e o biodiesel que complementa o diesel importado não são apenas escolhas sustentáveis. São, neste momento, amortecedores de uma crise geopolítica que o Brasil não controla, mas que afeta profundamente sua competitividade agrícola e seus custos de transporte.


O Brasil tem aqui uma vantagem estrutural que poucos países possuem: somos o único grande produtor agrícola do mundo com uma matriz de combustíveis parcialmente renovável e doméstica. Num mundo onde os gargalos marítimos voltaram ao centro do tabuleiro geopolítico, atenuar vulnerabilidades é, em si, uma vantagem competitiva que precisa ser reconhecida, valorizada e ampliada.


*O novo normal*


A crise de 2026 não inventou vulnerabilidades, ela as tornou visíveis. O Brasil tem repetido, em intervalos cada vez menores, o mesmo roteiro: choque geopolítico externo, aumento de custos de insumos, pressão sobre margens do produtor, risco de desabastecimento. Isso aconteceu com a guerra da Ucrânia em 2022 e agora acontece com Ormuz. Cada crise é tratada como excepcional. Mas a recorrência deveria nos dizer algo: não são exceções. São a nova normalidade de um mundo onde a geopolítica voltou a ser o principal fator de risco para as cadeias globais de abastecimento.


Um país que produz 350 milhões de toneladas de grãos por safra, que lidera as exportações mundiais de proteínas animais e que alimenta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo não pode aceitar conviver indefinidamente com 85% de dependência externa em fertilizantes, sem avançar na diversificação de fornecedores, na produção doméstica e na criação de reservas estratégicas. A geografia física muda pouco. A geopolítica - a influência da geografia sobre a política, consideradas as perspectivas e os interesses de cada lado envolvido - muda muito, e agora ainda mais rápido do que no passado. Ormuz continuará sendo Ormuz daqui a cem anos.


O que precisa mudar é a nossa estratégia de segurança de abastecimento. Um agronegócio que alimenta o mundo não pode ter seu calcanhar de Aquiles permanentemente exposto a cada nova turbulência nos gargalos do planeta.


*OS SETE GARGALOS MARÍTIMOS DO PLANETA*


1. Estreito de Ormuz — A Torneira do Mundo (Risco atual: crítico)

Localizado entre o Irã, Omã e os Emirados Árabes Unidos, com apenas 56 km de largura no ponto mais estreito e faixas navegáveis de menos de 8 km, o Estreito de Ormuz é o único acesso marítimo ao Golfo Pérsico e a artéria mais sensível do sistema global de comércio. Por ele transitam cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia (20% do consumo mundial), além de 19% de todo o gás natural liquefeito (GLP) comercializado no planeta, proveniente principalmente do Catar.


Além disso, cerca de um terço do comércio marítimo de fertilizantes do mundo passa por Ormuz — aproximadamente 16 milhões de toneladas. Desse volume, 67% é ureia, o fertilizante nitrogenado mais utilizado no mundo, e 20% é DAP (fosfato diamônico). O estreito também é rota essencial do enxofre e da amônia, insumos críticos para a cadeia de fertilizantes.


Diante do fechamento de Ormuz em março de 2026, o tráfego de petroleiros caiu cerca de 70%, mais de 150 navios ancoraram fora do estreito e o barril de Brent saltou de US$ 70 para US$ 120 e os preços da ureia subiram mais de 50%.


1. Estreito de Bab el-Mandeb — A Porta das Lágrimas (Risco atual: crítico)


Situado entre o Iêmen e Djibuti/Eritreia, com largura de 26 a 32 km, o Bab el-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é a soleira obrigatória para todo o comércio que utiliza o Canal de Suez. Sem ele, navios precisam contornar toda a África pelo Cabo da Boa Esperança, adicionando 10 a 14 dias ao percurso e custos expressivos de frete e seguro.


Por aqui transitam trigo, milho, arroz, oleaginosas e farelos em ambos os sentidos, além de petróleo, fertilizantes e contêineres que fazem a ligação entre Ásia, Europa e o Oriente Médio. Entre 2023 e 2025, os houthis do Iêmen lançaram ondas de ataques de drones e mísseis contra navios comerciais, reduzindo o tráfego no Canal de Suez pela metade desde 2023. Com a crise de Ormuz em curso, os houthis ameaçam novos ataques, configurando uma dupla ameaça sem precedentes recentes no comércio marítimo global.


1. Estreito de Malaca — A Porta da Ásia (Risco atual: médio)


Entre a Malásia, a Indonésia e Cingapura, o Estreito de Malaca é o corredor mais movimentado do planeta, com 900 km de extensão e apenas 2,7 km no ponto mais estreito. Transporta aproximadamente 25% a 30% de todos os bens comercializados globalmente por via marítima — cerca de US$ 3,5 trilhões anuais —, incluindo 80% do petróleo consumido pela China e volumes expressivos de óleo de palma, arroz, carvão, grãos, minério de ferro e celulose. Em 2025, mais de 100 mil navios atravessaram o estreito.


Não por acaso, Pequim desenvolveu a chamada estratégia do “dilema de Malaca”, investindo em rotas terrestres e marítimas alternativas para reduzir sua vulnerabilidade a um possível bloqueio ocidental. Qualquer escalada de tensões entre China e Estados Unidos pelo domínio marítimo regional poderia perturbar severamente a passagem pelo estreito, com impactos imediatos sobre o fornecimento global de alimentos, energia e insumos industriais.


1. Estreitos do Bósforo e Dardanelos — A Rota dos Cereais no Mar Negro (Risco atual: alto)

Sob controle turco desde a Convenção de Montreux de 1936, esses dois estreitos são o único acesso marítimo entre o Mar Negro e o Mediterrâneo, com apenas 700 metros de largura no ponto mais estreito, no coração de Istambul. Por aqui passam cerca de 20% das exportações globais de trigo — provenientes da Ucrânia, da Rússia e da Romênia —, além de milho, óleo de girassol, fertilizantes russos e petróleo. É por essa rota que o Egito, grande importador de trigo, o Líbano, a Líbia, a Turquia e todo o Oriente Médio e Norte da África recebem boa parte de seus cereais. Uma nova escalada no Mar Negro poderia romper esse equilíbrio e desencadear o maior choque alimentar global desde a crise do petróleo de 1973.


1. Canal de Suez — O Atalho do Comércio Ásia- Europa (Risco atual: alto)

Canal artificial de 193 km construído no Egito, o Canal de Suez é o atalho que poupa mais de 10 mil km de rota entre a Ásia e a Europa, evitando o contorno pelo Cabo da Boa Esperança. Responde por cerca de 10% do comércio marítimo global e 22% de todo o tráfego de contêineres. No sentido norte transitam petróleo, minérios, oleaginosas, farelos e cereais; no sentido sul, cimento, fertilizantes e grãos.


Embora controlado pelo Egito e relativamente protegido de ameaças diretas, o Canal de Suez é totalmente dependente do Bab el-Mandeb para ser acessado por navios vindos do sul.


1. Canal do Panamá — O Canal Atlântico-Pacífico (Risco atual: baixo/médio)

Canal artificial de 82 km que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico na América Central, o Canal do Panamá poupa mais de 8 mil km de rota pelo Cabo Horn ou pelo Estreito de Magalhães. Responde por cerca de 2,5% a 3% do comércio marítimo global, com ênfase em cargas de alto valor — contêineres, automóveis, grãos e gás natural liquefeito. Cerca de 30% dos navios de grãos tipicamente utilizam esse corredor, com destaque para milho, soja, farelo e trigo.


A grande vulnerabilidade é climática: a seca severa de 2023–24 levou o nível do Lago Gatun a mínimas históricas, forçando a Autoridade do Canal a reduzir o número diário de embarcações e levando a uma queda de 42% nos trânsitos em 2024.


1. Estreito de Gibraltar — A Porta do Mediterrâneo (Risco atual: baixo)

Com apenas 14 km de largura entre a Espanha e o Marrocos, Gibraltar é a única saída marítima do Mar Mediterrâneo para o Atlântico e recebe cerca de 100 mil navios por ano. Por aqui transitam grãos e oleaginosas em direção ao sul da Europa e ao Norte da África, azeite de oliva europeu, contêineres e petróleo.


Para o agronegócio, sua importância mais estratégica está nos fosfatos: o Marrocos é o maior exportador mundial. Com o fechamento de Ormuz em 2026 cortando o fornecimento de DAP, enxofre e fosfatos do Golfo Pérsico, Gibraltar ganhou relevância adicional como rota alternativa de fertilizantes fosfatados.

BDM Matinal Riscala

 *Bom dia Mercado* Quinta Feira,09 de Abril de 2.026. *No day after, a fragilidade de um acordo confuso* … Os futuros de Nova York oscilavam...