segunda-feira, 30 de março de 2020

Visão geral da Conjuntura IPEA

Por José Ronaldo de C. Souza Júnior, Paulo Mansur Levy, Francisco Eduardo de L. A. Santos e Leonardo Mello de Carvalho
A situação mundial passou por uma mudança radical de perspectivas desde que a epidemia do novo coronavírus, inicialmente circunscrita a uma região da China, adquiriu caráter global, transformando-se numa pandemia. O impacto econômico inicial, até meados de fevereiro, ocorreu principalmente no país de origem, porém rapidamente estendeu-se aos mercados financeiros mundiais. Hoje, medidas de isolamento social ou quarentena abrangem quase todos os países, numa escala e velocidade nunca antes vista, nem mesmo em períodos de guerra.
Dado o ineditismo do choque sobre a economia mundial, fazer projeções macroeconômicas com um nível razoável de confiança tornou-se tarefa muito difícil. O grau de incerteza ainda é muito grande mesmo em relação aos aspectos epidemiológicos associados à Covid-19. Nesta visão geral da Carta de Conjuntura, não se pretende avaliar modelos epidemiológicos nem fazer juízo de valor sobre os tipos de medidas de isolamento social implantadas. O objetivo é fazer um diagnóstico da conjuntura econômica, analisar as medidas de política econômica apresentadas para mitigar os efeitos da crise aguda e apresentar previsões para a economia brasileira condicionais a cenários. Em todos os três cenários avaliados, mantemos fixa a hipótese de rápida recuperação parcial da atividade econômica já no terceiro trimestre deste ano. Esta hipótese depende da efetividade das políticas econômicas mitigadoras sendo adotadas no Brasil e no mundo, e de um relativamente rápido avanço no controle da pandemia, que permitiria a retirada gradual das medidas restritivas. O que varia entre os cenários analisados é o tempo necessário de isolamento social. No cenário em que o isolamento duraria mais um mês (até o final de abril), a previsão é que o PIB feche o ano com uma queda de 0,4%. Nos cenários com isolamento por dois e três meses, as quedas do PIB em 2020 seriam ainda maiores, de 0,9% e 1,8%, respectivamente. O custo em termos de PIB é crescente porque, mesmo com meditas mitigadoras bem sucedidas, os riscos de falências e de demissões aumentam quanto maior for o tempo em que as empresas ficam com perda muito grande (ou total) de faturamento.

O PAPEL DAS MICROFINANÇAS NA RECUPERAÇÃO DE DESASTRES

"O microfinanciamento funciona como uma ferramenta de recuperação após desastres? Evidência do Tsunami de 2004" 

Leonardo Becchetti (Universita ́ di Tor Vergata) & Stefano Castriota (Universidade de Perugia) Desenvolvimento Mundial Vol. 39, Nº 6, pp. 898-912, https://lnkd.in/e-ZERuV 

Resumo. — 

"Avaliamos a eficácia do microfinanciamento como uma ferramenta de recuperação após o tsunami, testando o impacto de uma injeção de capital de doadores estrangeiros que recapitaliza um MFI do Sri Lanka e permite que ele refinancie mutuários seriamente danificados pela calamidade. Constatamos que os empréstimos obtidos com o IFM após o evento catastrófico têm um efeito positivo e significativo sobre a mudança na renda real e nas horas trabalhadas semanais, e que o impacto sobre as variáveis de desempenho é significativamente mais forte para os mutuários danificados do que os não danificados. Os resultados se mantêm após o controle dos efeitos de seleção e da heterogeneidade tanto no tempo da intervenção quanto nas características das amostras de tratamento e controle."

XP revisando estimativas

XP REVISA ESTIMATIVA DO IBOVESPA AO FINAL DE 2020 DE 132 MIL PARA 94 MIL PONTOS
Por Fabiana Holtz

 São Paulo, 30/03/2020 - A XP Investimentos revisou sua estimativa para o Ibovespa ao final de 2020 de 132 mil para 94 mil pontos, diante do forte impacto esperado no lucro das empresas.
 "Nessa projeção, o índice atingirá um múltiplo de Preço/Lucro de 10,7x o lucro projetado para 2021, ainda abaixo da média histórica de 12,5x e o pico de 14x", destaca.

 Mesmo diante das fortes altas nas bolsas na última semana, o estrategista chefe da XP, Fernando Ferreira, recomenda cautela ao estimar que os indicadores econômicos e das empresas devem continuar deteriorando nas próximas semanas e o tempo que levará para o retorno a normalidade ainda é incerto. Além disso, as boas notícias, pelo menos nas principais economias, já foram anunciadas.

 O ponto que mais preocupa, ressalta a XP, é o risco de pequenas empresas ficarem pelo caminho, e não conseguirem sobreviver a um cenário sem nenhuma ou com baixa receita por dois ou três meses. Tal cenário pode levar o País a um número recorde de falências e um aumento exponencial no desemprego.

 Embora acredite que o mundo voltará ao normal em 2021, Ferreira observa que essa crise é diferente de 2008 e a volatilidade deve seguir elevada nos próximos meses.

 O analista ressalta ainda que os pacotes de resgate anunciados até o momento são os maiores da história, e devem "ajudar a aliviar os impactos da crise e evitar uma depressão econômica". Outro ponto positivo, em especial para o mercado de commodities no Brasil, é que a China e a Ásia como um todo começam a dar sinais de voltar ao normal, destaca a XP.

Klabin e Magazine Luiza

 Ao mesmo tempo, a XP elevou as recomendações das ações de Klabin e Magazine Luiza de neutro para compra, após recente correção ao revisar seu cenário econômico e preços-alvo de empresas que estão no seu escopo de cobertura. O preço-alvo da fabricante de papel para embalagens foi ajustado de R$ 20,5 para R$ 18,5, enquanto o da varejista foi mantido em R$ 58.

 Segundo Ferreira, os principais beneficiados no curto prazo são os setores de varejo de alimentos e drogarias, empresas com caixa líquido e baixa alavancagem e empresas de commodities expostas à receitas em dólar e a China, visto que o país já começa a dar sinais de recuperação econômica.

 Todos os setores, afirma o analista, terão algum tipo de impacto, mesmo que indireto. "Esperamos um forte impacto nos números reportados do 1º e 2º trimestre para a maior parte dos setores, mas com preocupações maiores com o setor aéreo e de varejo", conclui.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Luiz A. Esteves

Luiz A. Esteves
KEYNES, IMORTALIDADE E OBITUÁRIOS
Recebi essa charge que - de forma irônica – acaba apresentando um fato estilizado bem conhecido e documentado da história econômica. A resiliência do pensamento de Keynes é realmente incrível. Keynes parece ser o único sobrevivente do longo prazo keynesiano.
Por falar em imortalidade, Keynes foi um grande escritor de biografias e obituários. Em “The Collected Writings of John Maynard Keynes” – uma coleção com 30 volumes editado por Elizabeth Johnson e Donald Moggridge (LINK 1 abaixo) - há 45 biografias escritas por ele, sendo 16 obituários publicados no Economic Journal (prestigioso periódico onde Keynes dividia a função de Editor com Francis Edgeworth). Contudo, o trabalho mais fantástico foi o obituário que ele escreveu para o Alfred Marshall, um Tour de Force de 66 páginas (LINK 2 abaixo).


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quinta-feira, 26 de março de 2020

Rumo à recessão

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Pelo relatório do BACEN nesta quinta-feira temos o crescimento do PIB em intensa revisão por causa do Coronavirus (Covid 19). Pelo lado da oferta, o maior tombo deve acontecer pelo lado da Indústria, revisando de 2,9% de crescimento para -0,5%. As indústrias extrativa mineral e da construção civil deve levar o maior tombo, de 7,5% para 2,4% e de 3,0% para -0,5%, respectivamente. Serviços deve escorregar de 1,7% para 0,90% e o setor agrícola mantendo-se em 2,9%. 

Já pelo lado da demanda, o maior tombo acontece pelo lado dos investimentos, passando de 4,1% a -1,1%. Consumo das famílias deve crescer 0,8% contra 2,3%; e Consumo do governo de 0,3% para 0,2%. 

Ao fim do ano, o governo acredita no crescimento de 0,012% contra projeção de 2,2%. 


Economia norte-americana em recessão

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"De acordo com o modelo macro da Crescat Capital, a recessão americana está apenas no começo, com bastante espaço para evoluir. Enquanto isso, o Fed e o Governo americano continuam "jogando dinheiro do Helicóptero". Conseguirão conter a recessão?"

quarta-feira, 25 de março de 2020

Nouriel Roubini

"O choque para a economia global do COVID-19 foi mais rápido e mais severo que a crise financeira global de 2008 (GFC) e até a Grande Depressão. Nos dois episódios anteriores, as bolsas de valores caíram em 50% ou mais, os mercados de crédito congelaram, as grandes falências se seguiram, as taxas de desemprego subiram acima de 10% e o PIB contraiu a uma taxa anualizada de 10% ou mais. Mas tudo isso levou cerca de três anos para acontecer. Na crise atual, resultados macroeconômicos e financeiros igualmente terríveis se materializaram em três semanas."

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...