terça-feira, 11 de março de 2025

Bankinter Portugal Matinal 1103

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, clássico movimento de mercado deteriorado, com agressiva venda de bolsas e compra um pouco menos agressiva de obrigações… que não pode ser tão agressiva como a das bolsas porque o futuro aumento de dívida desincentiva o investimento em obrigações, embora, em sentido contrário, o receio de um final abrupto do ciclo económico expansivo global (nada improvável) que afetará os EPSs (lucros empresariais) faça com que se procure refúgio nas obrigações. Em suma, como temos vindo a defender desde inícios de 2025, uma guerra alfandegária junto com défices fiscais e dívida pública superiores (nos EUA devido a descidas de taxas de juros sem demasiados cortes de despesas; na Europa devido a maior despesa em defesa e a irresponsabilidade secular na despesa) não pode resultar em bolsas em alta, porque, nesse contexto, todas as partes perdem, embora uma menos (EUA) do que outras (Europa, China) devido aos seus diferentes níveis de abertura ao exterior (25% vs. 98%, 36%). 


Trump argumenta que, numa segunda fase, isto será reparado graças às descidas de impostos (trará mais défice fiscal, se as despesas públicas não forem seriamente reduzidas) e desregulação (mais riscos futuros abertos, se se excede), mas engana-se. Nessa altura, o ciclo económico já terá sido abalado (menos crescimento e mais inflação) e reverter a situação será complicado. Agora está a tempo de retificar, não depois. Mas o populismo sabe pouco ou nada de economia. E pior ainda quando se alinha moralmente com as autocracias imorais. Não houve nenhum momento na história em que o protecionismo (impostos alfandegários, contingentes) tenha enriquecido o mundo, mas tornou-o mais pobre e fechado em si mesmo. Nisso resultou a Primeira Guerra Mundial. Agora seria diferente? A única forma de minimizar danos é diluir dissimuladamente os impostos alfandegários e voltar a apoiar a Ucrânia até ao final da sua luta pela liberdade…de toda a Europa, onde os EUA têm o seu principal cliente comercial, com 21% das suas exportações e 20% das suas importações. O principal, que parece ter esquecido.


HOJE, clássica subida contrainercial da qual não se deve fiar, porque pode ser uma pequena recuperação se algumas das medidas tomadas não forem revertidas ou diluídas. Impostos alfandegários, principalmente. O melhor seria que Trump não começasse com os impostos alfandegários contra a Europa. Se ele se mantivesse em silêncio, assustado com as consequências do que fez até agora, seria o suficiente para o mercado melhorar. Mas não nos parece, porque Hassett (principal assessor económico de Trump) retirou importância aos receios de recessão, argumentando que o 2T será melhor devido às descidas de impostos. Sim, claro… Com isso, o comercio mundial irá recuperar, com toda a certeza.  


CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: Subida nada fiável. Às 14 h, sairão os JOLTS ou empregos disponíveis; esperam-se 7,63M desde 7,60M e há que analisar com cuidado, porque poderão, hipoteticamente, começar a expressar um pouco de dano no emprego americano, embora sinceramente seja cedo para isso, porque o emprego é um indicador atrasado. Portanto, iremos às cegas até à inflação americana de amanhã, que poderá suavizar-se um pouco (ou não e ser um susto, o que não seria estranho; +2,9% esperado desde +3,0%). Se sair como esperado, o mercado tranquilizar-se-á um pouco. Mas se dececiona, então prolongar-se-ia a preocupação sobre um ciclo económico debilitado, acompanhado de inflação pegajosa e o reajuste das bolsas continuaria. Wall St com -4,5% em 2025 e o razoável seria que a bolsa europeia retificasse os seus +10% atual até, por exemplo, 0% e a partir daí reiniciar, recuperando ou não, eu função da correção das medidas que os EUA adotaram até agora, tanto no plano económico como geoestratégico. Porque se não o fizer, teremos que começar a refletir sobre quais são os níveis de exposição adequados num contexto diferente, decisão de índole estratégica e não tática…


S&P500 -2,7% Nq-100 -3,8% SOX -4,9% ES-50 -1,5% IBEX -1,3% VIX 27,9 Bund 2,81% T-Note 4,19% Spread 2A-10A USA=+31pb B10A: ESP 3,46% PT 3,35% FRA 3,52%

ITA 3,90% Euribor 12m 2,461% (fut.2,392%) USD 1,087 JPY 160,0 Ouro 2.914$ Brent 69,4$ WTI 66,1$ Bitcoin -2,3% (80.278$) Ether -8,4% (1.893$).


FIM

Fritura do Haddad

 Em meio à ‘fritura’, Haddad é cortejado pelo mercado Faria Lima sinaliza portas abertas para receber o ministro caso ele decida sair do governo


Por Neuza Sanches SEGUIR 10 mar 2025, 08h00


 


Fernando Haddad: Faria Lima já dá como certa a saída do ministro da Fazenda ainda este ano (Marcelo Camargo/Agência Brasil) Fernando Haddad, ministro da Fazenda do governo Lula, já tem opções de trabalho caso decida deixar o cargo. O mercado financeiro, especialmente a Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, estaria disposto a recebê-lo com propostas concretas – uma de um grande banco de varejo e outra para ser sócio de uma fintech. Essa abertura reflete a relação pragmática que Haddad construiu com o setor ao longo desses dois anos à frente da pasta, mas também evidencia os crescentes rumores de que sua “fritura” por colegas do próprio governo é vista como sem volta. O desgaste do ministro se intensificou nos últimos meses. Ele foi vencido, por exemplo, na discussão que misturou o pacote de corte de gastos com o anúncio de isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil – promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A falta de clareza sobre a compensação fiscal acabou gerando críticas entre especialistas, e isso foi parar no colo do ministro. Além disso, mudanças mal comunicadas no sistema Pix levaram o governo a recuar após queda significativa no volume de transações, o que expôs falhas na articulação entre o Ministério da Fazenda e outros setores do governo. Outro ponto de pressão é a inflação dos alimentos, que continua afetando duramente os consumidores. Produtos básicos como carne, café e açúcar registraram aumentos expressivos, e levaram o governo a anunciar na semana passada uma série de medidas. A principal delas é a redução a zero do Imposto de Importação sobre vários alimentos. Coube ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento e Indústria, Geraldo Alckmin, fazer o anúncio. Haddad não estava presente. A insatisfação popular com esses aumentos se soma às críticas de aliados políticos e à promoção recente de Gleisi Hoffmann ao cargo de ministra das Relações Institucionais, movimento interpretado como tentativa de fortalecer a articulação política diante das dificuldades econômicas. Não é segredo para ninguém que Gleisi é inimiga das propostas de controle fiscal defendidas pela equipe econômica. Com o menor patamar de popularidade de seus três governos e de olho na campanha à reeleição de 2026, Lula indicou que suas preocupações passam longe das prioridades da Fazenda. Na Faria Lima, a saída de Haddad é vista como inevitável. Apesar das críticas públicas ao governo, o mercado tem demonstrado apreço por sua abordagem fiscalista e pela interlocução direta com investidores. Essa relação pragmática pode facilitar sua transição para o setor privado caso decida abandonar o cargo. Recentemente, Haddad reconheceu publicamente a preocupação do mercado com os gastos públicos e afirmou que medidas mais duras seriam necessárias para conter o aumento da dívida pública. Uma eventual saída de Fernando Haddad seria um duro golpe para o governo Lula, que insiste na narrativa de que “gasto é investimento”. Sem um ajuste fiscal consistente, a economia brasileira corre o risco de permanecer presa ao ciclo de crescimento instável conhecido como “voo de galinha”. A falta de um plano claro para equilibrar as contas públicas coloca em xeque as perspectivas de desenvolvimento sustentável e reforça as incertezas sobre o futuro econômico do País.

segunda-feira, 10 de março de 2025

Resumo

 🏦 *MERCADOS INSTÁVEIS*


Os mercados globais continuam instáveis com o protecionismo de Trump, que ameaça tarifar em 250% os laticínios canadenses. Nos EUA, há receios de recessão, enquanto o Brasil tenta evitar tarifas sobre o aço. A inflação nos EUA e no Brasil segue no radar, testando o rumo da Selic. Lula busca recuperar apoio popular e nomeia Gleisi Hoffmann para articulação política, indicando afastamento do Centrão. No evento do MST, cogitou medidas contra a inflação dos alimentos, gerando temores de intervenção no mercado. A popularidade do presidente cai, e pesquisas indicam empate com Tarcísio em 2026. O governo prepara MPs para crédito consignado e FGTS, injetando recursos na economia. Há ainda discussões sobre redução de tarifas de energia e combustíveis. Haddad atribui dificuldades fiscais à pressão política de grupos empresariais.


*INDICADORES* - O IBGE divulgará indicadores econômicos ao longo da semana, incluindo o IPCA de fevereiro (4ªF), produção industrial (3ªF), volume de serviços (5ªF) e vendas no varejo (6ªF). A produção industrial deve crescer 0,4% em janeiro, após três meses de queda. A Fazenda projeta um PIB de 2,3% em 2024, mas economistas preveem 2,01%. O PIB do 4º trimestre desacelerou para 0,2%, abaixo da expectativa de 0,4%, com destaque para a queda de 1% no consumo das famílias. A possível redução da Selic animou o mercado. Simone Tebet aposta no agro como impulsionador da economia, mas o efeito deve ser limitado ao 1º trimestre. Além do IPCA, a semana trará outros índices de inflação e dados fiscais.


*DOMÉSTICO* - O Ibovespa fechou em alta de 1,36%, aos 125.034 pontos, impulsionado pela valorização das commodities e pelo PIB do 4º trimestre abaixo do esperado, que reduz a pressão por alta da Selic. Vale, Petrobras e bancos puxaram os ganhos, com destaque para Brava (+10,82%) e Magazine Luiza (+10,55%). A curva de juros precificou taxas abaixo de 15%. O PIB cresceu 0,2% no 4º tri, levando a revisões para baixo nas projeções de crescimento para 2025, com Goldman Sachs prevendo 1,7%. O déficit comercial de US$ 323,7 milhões foi atribuído à compra de uma plataforma de petróleo. O dólar subiu para R$ 5,79 (+0,53%). Investidores seguem cautelosos com possíveis medidas populistas do governo, temendo impacto fiscal.


*RECEIOS* - Os dados fracos do payroll nos EUA (+155 mil empregos em fevereiro) aumentaram temores de recessão, levando o JP Morgan a elevar essa chance para 40% e o Goldman Sachs para 20%. Wall Street reagiu positivamente após declarações de Powell, que afirmou que a economia está "em bom lugar" e que o Fed não tem pressa para mudar os juros. O mercado segue dividido entre cortes em maio ou junho. Nos Treasuries, os rendimentos subiram, enquanto o dólar reduziu perdas. O petróleo avançou após a Rússia se mostrar disposta a negociar um cessar-fogo na Ucrânia.

Amilton Aquino

 Hoje vou falar de polarização, intolerância e fanatismo, um problema mundial que conecta temas aparentemente distintos, como as próximas eleições no Brasil, Trump e o Oriente Médio.


Começo pelo Brasil. É verdade que a revista Veja já não tem grande relevância no debate nacional, mas sua última capa, “O plano T”, que traz o governador Tarcísio de Freitas como aposta do mainstream político e econômico para 2026, aponta na direção certa. Já afirmei aqui, e reafirmo, que ele é nossa melhor opção atualmente. É competente, técnico, tem uma boa percepção dos problemas nacionais e, principalmente, tem traquejo político para transitar da direita bolsonarista menos radical à esquerda que sabe fazer contas - pré-requisito essencial para reduzir a odiosa polarização iniciada por Lula e agravada por Bolsonaro.


O mercado já precificou que Lula vai continuar empurrando com a barriga o ajuste fiscal para 2027, agravando as contas públicas. Ao mesmo tempo, isso aumenta a possibilidade de derrota petista em 2026, o que já começa a refletir nos preços da bolsa, compensando, em parte, a piora no curto e médio prazo.


Enfim, um pouco de “previsibilidade” em meio ao turbilhão que o mundo vive. O problema é viabilizar a candidatura de Tarcísio, já que ele precisará do aval de Bolsonaro para não ser transformado em um novo Judas pelos bolsonaristas. Muitos deles preferem a continuidade do inferno de um presidente “antissistema” paralisado, brigando com todos ao mesmo tempo, a um candidato que saiba dialogar com o tal “sistema” e seja capaz de tocar as reformas urgentes que o país precisa. Vai entender...


Na Síria, um verdadeiro genocídio ocorre há três dias, com mais de mil mortos entre as minorias alauíta e cristã. As imagens são terríveis: pilhas de cadáveres de todas as idades, vítimas da intolerância dos novos governantes, os “moderados” que tomaram o poder recentemente.


Na fronteira com Israel, outra minoria, a drusa, tenta se unir ao Estado judeu para escapar da intolerância islâmica. Para Israel, essa aliança seria positiva, pois aumentaria a zona de buffer que o separa da Síria. O problema é que, se o país comprar essa briga, sua imagem na comunidade internacional se deteriorará ainda mais. Afinal, genocídios reais praticados por muçulmanos contra minorias raramente rendem mais do que notas de rodapé na imprensa. Já qualquer ação israelense, mesmo em legítima defesa, é rapidamente rotulada como genocídio. Melhor deixá-los à própria sorte, infelizmente.


Na Ucrânia, a guerra segue agora com os russos livres para atacar civis indiscriminadamente, pois Trump não apenas suspendeu o envio de munição e foguetes de defesa dos Patriots, como também cortou o acesso dos ucranianos a imagens de satélites de uma empresa norte-americana, cujos serviços foram pagos por Kiev.


Nas redes sociais, seres repugnantes comemoram e culpam a resistência ucraniana por seus próprios males…


O mundo está mesmo muito doente.

Vai rolar 1003

 Vai rolar: Semana começa com expectativas de inflação nos EUA

[10/03/25] Os mercados globais seguem sob a montanha-russa do protecionismo de Trump, que ameaça impor tarifa de 250% (isso mesmo, 250%) sobre os produtos lácteos do Canadá, que também levou um tarifaço da China no fim de semana. O presidente americano também não descarta uma recessão nos EUA.


Aqui, o governo tenta evitar a taxação sobre o aço, prevista para vigorar nesta 4ªF (12). O cessar-fogo na Ucrânia continua em pauta. Zelensky reúne-se hoje com representantes dos EUA na Arábia Saudita e Putin diz que aceita conversar, mas quer um acordo de paz “definitivo”.


Na agenda dos indicadores, inflação nos EUA e no Brasil (IPCA), além de dados da indústria, comércio e serviços, que testam as chances de um ciclo mais curto de alta da Selic, após a desaceleração do PIB, enquanto Lula apela ao populismo para turbinar a economia e salvar a reeleição em 2026. (Rosa Riscala)


👉 Confira abaixo a agenda de hoje


Indicadores

▪️ 04h00 – Alemanha: Produção industrial de janeiro

▪️ 08h00 – FGV: IGP-DI de fevereiro

▪️ 08h00 – FGV: Primeira prévia de março do IPC-S

▪️ 08h25 – BC: Pesquisa semanal Focus

▪️ 12h00 – EUA/Fed de NY: Expectativas de inflação de fevereiro

▪️ 15h00 – Brasil: Balança comercial semanal

Eventos

▪️ 12h35 – Fed boy Alberto Musalem discursa

▪️ 15h00 – Lula dá posse a Gleisi na SRI

BDM Matinal Riscala 1003

 *Rosa Riscala: As aventuras de Trump e o populismo de Lula*


… Os mercados globais seguem sob a montanha-russa do protecionismo de Trump, que ameaça impor tarifa de 250% (isso mesmo, 250%) sobre os produtos lácteos do Canadá, que também levou um tarifaço da China no fim de semana. O presidente americano também não descarta uma recessão nos EUA. Aqui, o governo tenta evitar a taxação sobre o aço, prevista para vigorar nesta 4ªF (12). O cessar-fogo na Ucrânia continua em pauta. Zelensky reúne-se hoje com representantes dos EUA na Arábia Saudita e Putin diz que aceita conversar, mas quer um acordo de paz “definitivo”. Na agenda dos indicadores, inflação nos EUA e no Brasil (IPCA), além de dados da indústria, comércio e serviços, que testam as chances de um ciclo mais curto de alta da Selic, após a desaceleração do PIB, enquanto Lula apela ao populismo para turbinar a economia e salvar a reeleição em 2026.


… A inclinação para um governo mais à esquerda já está clara para o mercado, na tentativa de recuperar sua base histórica de apoio, que se distancia nas últimas pesquisas, onde o presidente registra as suas piores marcas de aprovação em três mandatos.


… A nomeação de Gleisi Hoffmann, que toma posse hoje (15h) na Secretaria de Relações Institucionais – encarregada da articulação política – é uma prova de que Lula desistiu do Centrão. Ou de que o Centrão desistiu do governo do PT.


… No evento com o MST, na 6ªF, o presidente modulou um discurso mais alinhado a esse objetivo, cogitando “uma atitude mais drástica” contra a inflação dos alimentos. Levantou a lebre, já que os efeitos do imposto zero de importação devem ser irrelevantes.


… O grande receio é de que o governo – no afã de recuperar a popularidade – recorra a medidas como restrições a exportações ou venha a adotar subsídios ao setor, complicando ainda mais a luta pelo equilíbrio das contas públicas.


… O ministro Fávaro (Agricultura) negou medidas heterodoxas, garantindo que uma intervenção artificial nos preços está descartada, mas poucos dias atrás correu nos bastidores que ele chegou a ameaçar com demissão nos debates sobre o tema em Brasília.


… Em pesquisa do Instituto AtlasIntel, onde a avaliação negativa de Lula subiu de 46,5% em janeiro para 50,8% em fevereiro, com 47% das intenções de voto, o presidente enfrenta um cenário de empate técnico com Tarcísio (49%) em um eventual 2º turno.


… Nesta 4ªF, deve ser publicada a MP do crédito consignado do setor privado, no esforço de manter o consumo em alta, um contrassenso no contexto da luta contra a inflação, mas que passou a ganhar o aval do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.


… Também está para sair a MP do FGTS, que deve injetar em torno de R$ 12 bilhões na economia. 


… Em paralelo, o ministro Alexandre Silveira, muito próximo do presidente Lula, defendeu usar recursos públicos para baixar as contas de luz. A proposta será enviada ao Congresso em até dois meses, segundo ele disse em entrevista ao O Globo.


… Ainda segundo Silveira, “já está na hora” de a Petrobras analisar a redução no preço dos combustíveis, com a queda do petróleo.


… Entrevistado pelo podcast Flow, na noite de 6ªF, o ministro Haddad atribuiu ao ambiente político as dificuldades para reduzir as despesas do governo e melhorar a percepção sobre a economia doméstica.


… O desafio em resolver o fiscal, disse, não está na esfera técnica, nas planilhas, mas sim na pressão política de grupos empresariais organizados. Ele minimizou as divergências com Gleisi e disse que se reunirá com ela esta semana.


MAIS TRUMP – Em entrevista exibida neste domingo pela Fox News, quando questionado sobre o risco de uma recessão este ano, Trump disse que “odeia prever coisas assim”, mas que “há um período de transição”.


… O risco não descartado levava os futuros das bolsas em NY a operarem em queda no final da noite de ontem.


HORÁRIO DE VERÃO –EUA entraram em horário de verão neste domingo, com a Bolsa de NY passando a operar das 10h30 (de Brasília) às 17h. Futuros de petróleo na Nymex, das 10h às 15h30. Cobre, das 9h10 às 14h. E ouro, das 9h20 às 14h30.


… Para acompanhar a mudança de horário, o Ibovespa volta a fechar às 17h a partir de hoje, mas continua abrindo às 10h.


ORÇAMENTO – Amanhã (3ªF), reunião de líderes do Congresso faz a leitura do relatório final da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025, que pode ser votado na semana que vem (dia 19) em plenário.


… O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) foi enviado ao Congresso com R$ 600 milhões para o Auxílio Gás.


… Mas a intenção do governo de ampliar o programa de 5,42 milhões de famílias para mais de 20 milhões de famílias até o final do ano tem um custo estimado de R$ 13,6 bilhões.


MARGEM EQUATORIAL – Ministro Alexandre Silveira (MME) decidiu agir pessoalmente para cobrar do Ibama uma decisão rápida a favor da exploração de petróleo na Margem Equatorial. Ele disse à Coluna do Estadão que irá à sede do órgão, nesta semana.


INDICADORES – Às voltas com os esforços do governo para baixar a inflação e sustentar o PIB, o IBGE divulga o IPCA de fevereiro na 4ªF. Amanhã, sai a produção industrial (3ªF). Na 5ªF, o volume de serviços. E na 6ªF, as vendas no varejo.


… Após três meses consecutivos de retração, a produção industrial deve retornar ao campo positivo em janeiro. Em pesquisa Broadcast, a mediana aponta crescimento de 0,4%%, depois exibir queda de 0,3% em dezembro.


… A Fazenda mantém a expectativa de que o PIB brasileiro cresça 2,3% este ano, mas economistas desconfiam que a visão da equipe econômica está otimista e projetam 2,01% na mediana do boletim Focus, que será atualizada hoje (8h25).


… Divulgado na última 6ªF, o PIB/4Tri surpreendeu os economistas com uma desaceleração (+0,2% na margem) mais acentuada do que a estimada (+0,4%), abrindo caminho para analistas apostarem em Selic abaixo de 15%.


… Chamou a atenção a queda de 1% no consumo das famílias, interrompendo 13 trimestres seguidos de alta, o que sugere que o trabalho do Copom está surtindo efeito. A esperança de o BC aliviar a política monetária caiu bem no Ibovespa (abaixo).


… Confiante, a ministra Simone Tebet acredita que o agro “virá com tudo” este ano, sustentando o fôlego da economia. O mercado concorda que a safra dará um choque positivo, mas o efeito deve se limitar ao 1Tri.


… Guillen (BC) aponta sinais de alguma moderação no ritmo de crescimento da economia, ainda que incipientes.


… Além do IPCA, a semana reserva o IGP-DI/fev, que sai hoje (8h) e deve acelerar a 1,16%, após alta de 0,11% em janeiro. No mesmo horário, sai a primeira prévia de março do IPC-S. Amanhã, tem a parcial do IPC-Fipe.


… Do lado fiscal, é importante conferir na 4ªF o resultados das contas do setor público em janeiro.


BALANÇOS – Destaques da semana são CSN e CSN Mineração (4ªF), Eletrobras, Prio e LWSA (5ªF), além das varejistas: Casas Bahia (4ªF), Magalu e Natura (5ªF). Hoje, após o fechamento: Cosan, Direcional e Rede D’Or.


… Amanhã, sai Azzas. Na 4ªF, é a vez de Cogna, Dexco, SLC Agrícola e Tenda. Os resultados da EzTec e Vittia Fertilizantes saem na 5ªF. Os números trimestrais da Even fecham a semana, na 6ªF após o fechamento.


LÁ FORA – Sob o fantasma de uma estagflação, ganham importância redobrada nesta semana nos EUA o CPI (4ªF) e o PPI (5ªF) de fevereiro. Hoje (12h), o Fed de NY informa as expectativas de inflação no mês passado.


… O Fed boy Alberto Musalem discursa em conferência (12h35). Amanhã (3ªF), sai o relatório Jolts de emprego.


… Na 4ªF, Lagarde (BCE) discursa e o Canadá anuncia decisão de juro. Ontem, o ex-presidente do BC canadense, Mark Carney, foi eleito como sucessor do primeiro-ministro Trudeau, em meio à guerra contra Trump.


PETRÓLEO – Estão programados para a semana os relatórios mensais da Opep (4ªF) e da AIE (5ªF).


CHINA HOJE – Divulgada no final de semana, a inflação recuou mais do que o esperado em fevereiro.


… Os preços ao consumidor caíram 0,7% contra igual mês do ano passado. A expectativa dos analistas era de queda menos aprofundada, de 0,5%. O PPI caiu 2,2%, também com recuo mais acentuado do esperado (-2,1%).


… Em meio à guerra protecionista, Pequim anunciou no sábado que aplicará uma tarifa de 100% sobre alguns produtos alimentícios do Canadá, a partir do dia 20, como retaliação a medidas adotadas no ano passado.


PIB DESACELERA – No embalo de NY e da valorização das commodities, o Ibovespa ampliou os ganhos à tarde e se aproximou dos 126 mil pontos, embora não tenha conseguido sustentar a marca no fechamento, em alta de 1,36%, aos 125.034,63 pontos.


… Mas o principal driver foi o PIB/4Tri abaixo do esperado, que confirma a desaceleração da economia, retirando pressão do Copom para futuros aumentos da Selic, favorecendo a bolsa. A alta foi generalizada: só nove dos 87 papéis do Ibov fecharam em baixa.


… Vale (ON +1,46%) e Petrobras (ON +1,22%, PN +1,08%) impulsionaram o índice. Entre os bancos, Santander Unit subiu 2,45%. Lideraram as altas: Brava (+10,82%), Magazine Luiza (+10,55%) e Marcopolo (+6,18%).


… A curva de juros voltou a projetar taxas abaixo de 15% na B3, com queda do DI para janeiro/26 a 14,740% (de 14,804% na véspera), do janeiro/27 a 14,570% (de 14,772%) e do janeiro/29 a 14,535% (de 14,816% no ajuste de 5ªF).


… O PIB/4Tri de 2024 cresceu 0,2% ante o 3Tri, à metade da mediana projetada pelo mercado (+0,40%), com revisões em baixa também dos trimestres anteriores. O dado levou às primeiras mudanças no mercado para o crescimento deste ano.


… O Goldman Sachs, que previa PIB de 2,1% em 2025, passou a prever 1,7%. A Capital Economics, esperava 2,3% e espera agora 1,8%. A projeção da Fazenda para este ano é de 2,3%. O mercado espera 2% na mediana de pesquisa Broadcast após os dados do PIB.


… À tarde, o déficit de US$ 323,7 milhões da balança comercial jogou a favor da bolsa, mas o segundo o MDIC, o saldo negativo no mês de fevereiro só aconteceu por conta da compra de uma plataforma de petróleo. Sem isso, teria registrado superávit de US$ 2,6 bilhões.


… Já no câmbio, o real operou descolado da reação positiva dos demais ativos domésticos e de seus pares emergentes, com o dólar perto da marca de R$ 5,80 que bateu na máxima do dia, negociado no mercado à vista a R$ 5,7902 (+0,53%) no fechamento.


… Investidores continuam com o pé atrás em relação às investidas populistas do governo Lula, acreditando que podem vir surpresas pela frente para piorar a percepção do risco fiscal, como “medidas drásticas” mencionadas pelo presidente contra a alta dos alimentos. 


… Até aqui, a isenção de impostos de importação sobre produtos da cesta básica não assustou pelo impacto, já que cálculos da Warren apontam para perda muito pequena na arrecadação, de até R$ 1 bilhão por ano. O problema é que pode não parar por aí.


O MEDO DE ESTAGFLAÇÃO – Os dados fracos do payroll nos EUA, com a criação abaixo do esperado de empregos em fevereiro (+155 mil), acenderam o alerta de uma possível recessão da economia, em meio ao risco de alta da inflação com as tarifas de Trump.


… Na própria 6ªF, o JP Morgan elevou essas chances de 30% para 40% e o Goldman Sachs, de 15% para 20%. O Goldman explicou a dose limitada porque “a Casa Branca tem a opção de recuar se os riscos de queda começarem a parecer mais sérios.”


… Em Wall Street, as bolsas só abandonaram as quedas após a fala mais otimista de Powell, destacando que a economia norte-americana está “em bom lugar”. Dow Jones subiu 0,52% (42.801,72 pontos), S&P 500, +0,55% (5.770,20), e Nasdaq, +0,70% (18.196,22).


… Powell, assim como outros dirigentes do BC dos EUA têm feito, mencionou as “grandes incertezas com as políticas” do governo Trump, mas insistiu que não é preciso ter pressa [para mexer nos juros]: “estamos bem posicionados para esperar por maior clareza”.


… Tranquilizou o mercado dizendo ainda que o Fed está “comprometido em cumprir nosso duplo mandato” de estabilidade de preços e maximização de empregos, afirmando que o mercado de trabalho é sólido e os salários estão subindo acima da inflação.


… Em evento, John Williams (Fed/NY) negou que as expectativas de inflação estejam descontroladas, enquanto a dirigente do Fed Adriana Kugler afirmou que pode ser adequado “manter a taxa de juros atual por mais algum tempo” [não sobe, mas também não cai].


… O payroll fraco ajudou a embaralhar ainda mais as expectativas para o futuro dos juros dos EUA. O mercado ainda vê junho como o mês mais provável para um novo corte, mas maio segue como a segunda aposta mais forte, segundo a ferramenta do CME Group.


… Para o ING e o Commerzbank, o payroll ainda poderá influenciar o Fed a uma abordagem mais hawkish nos próximos meses, já que as demissões do DOGE no setor público e a menor disposição das empresas para contratar podem pesar no mercado de trabalho.


… Nos Treasuries, o juro da T-note de 2 anos subia a 3,997% e da T-note de 10 anos avançava a 4,315% no final da tarde, com o investidor se desfazendo de posições defensivas. O rendimento do T-Bond de 30 anos subiu para 4,615%.


… Já no câmbio, o dólar reduziu a queda até o fechamento em NY, com o índice DXY a 103,838 pontos (-0,21%), enquanto o euro subia a US$ 1,0846 e a libra esterlina, a US$ 1,2925. A moeda americana só avançou contra o iene, a 148,01 ienes.


… No petróleo, após perdas de mais de 3% na semana, o Brent/maio avançou 1,29% na 6ªF, para US$ 70,36, e o WTI/abril, +1,02%, cotado a US$ 67,04, com a disposição da Rússia de conversar sobre um cessar-fogo na Ucrânia, desde que haja um acordo de paz definitivo.


EM TEMPO… PETROBRAS desistiu de vender sua unidade de distribuição de combustíveis na Colômbia…


… Conselho de administração aprovou o acordo para encerramento de pendência judicial com a EIG Energy nos EUA, pelo qual Petrobras pagará US$ 283 milhões. A EIG renunciará a qualquer direito relacionado à disputa…


… O valor da contingência está provisionado nas demonstrações financeiras da Petrobras e vem sendo atualizado desde 2022.


VALE. Concorrentes estudam formas de ampliar presença no mercado brasileiro, seja na extração, seja na comercialização de minerais. A Rio Tinto, por exemplo, pesquisa presença de lítio e titânio em Minas Gerais, além de níquel na Bahia e cobre no Mato Grosso (Folha).


BTG realizou leilão para comprar ações em circulação do Banco Nacional, adquirindo 26.806.919 de ações ON e 1.841.715.847 de PN, por um preço de R$ 51,02/lote mil, ao custo de R$ 95,332 milhões. Vai seguir com a OPA para fechar o capital do Nacional.


SANTANDER. Luís Bittencourt, que até então era vice-presidente de Tecnologia e Operações do banco, se tornará líder global da área no chamado Digital Consumer Bank (DCB), frente que consolida as operações digitais na matriz do Grupo Santander…


… O posto de Bittencourt será ocupado por Gilberto Abreu e André Juaçaba assumirá o Corporate. Outra mudança anunciada é a saída de Carlos André, que era vice-presidente da área de Wealth Management desde 2022.


ITAÚ. Realizou emissões de letras financeiras subordinadas perpétuas, no montante de R$ 4,4 bilhões, em negociações com investidores profissionais. As letras financeiras são perpétuas, com opção de recompra a partir de 2030.


NUBANK. Diretor de relações com investidores do banco, Jorg Friedemann, está deixando o cargo e deve assumir um posto de direção a ser anunciado em breve. O Nubank vai buscar um novo diretor de RI no mercado.


ENEVA. Concluiu a reorganização societária aprovada pelos cotistas em 26/02, envolvendo a substituição do seu antigo gestor pela BWGI e a cisão parcial do Eneva FIA, compreendendo ações ordinárias de emissão da Eneva, para outros fundos geridos por terceiros…


… Assim, a participação combinada do Eneva FIA e do Monterey FIA na companhia passou a ser de 271.758.564 ações ordinárias, o que corresponde a aproximadamente 14,06% do total do capital social da Eneva.

Bankinter Portugal 1003

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Vem indefinida, embora a Europa possa subir um pouco para imitar o fecho americano um pouco em alta graças ao facto de Powell (Fed) ter descartado uma recessão nos EUA. Mas a tarde americana será em baixa. E certamente esta semana, como há desde duas semanas: alternando subidas com retrocessos, geralmente não violentos em nenhum sentido, mas sem que realmente alguém saiba exatamente como agir, porque é impossível saber o que se passa, além de se tratar de interpretar a ciclotimia de Trump… que pode anunciar uma coisa e o contrário no mesmo dia. Das 10 semanas de 2025, a Europa retrocedeu apenas 3, enquanto Wall St. 7. -3,1% acumulado de Nova Iorque contrastam com +11,7% de Europa, portanto é inevitável perguntar-se quem tem razão. Parece óbvio que se os EUA imporem os impostos alfandegários os restantes sofrem (embora tenha represálias como resposta) e tem um nível de abertura ao exterior inferior ao resto (25% vs. 98% UE), então a Europa não pode evoluir melhor que Wall St. E, se o faz estimulada por mais despesa pública, isso cobrará de forma pesada em termos de dívida/défice fiscal e menor PIB, porque o Consumo Privado e o Investimento ver-se-ão prejudicados por impostos superiores. Mas neste contexto de guerra comercial e geoestratégia errática de bazar, todo o mundo perde, em maior ou menor medida. E os EPSs (lucros empresariais) terminarão por sair prejudicados.


A China entrou formalmente em deflação (IPC -0,7% vs. -0,5% esperado vs. +0,5%, publicado ontem, domingo), o que corrobora a nossa estimativa de que o seu PIB não deve crescer quase nada e que a economia/mercado chinês são, definitivamente, “game over”.   


Apontando para o mais concreto desta semana, temos: (i) reuniões sobre a Ucrânia na Arábia Saudita (cessar-fogo parcial? Drones, mísseis…?), (ii) na quarta-feira, inflação dos EUA a retroceder 1 décima (até +2,9% Geral e +3,2% Subjacente) e descida de taxas de juros no Canadá (-25 p.b., até 2,75%), onde um ex-banqueiro central (Carney) substituirá o demitido Trudeau (portanto, a gestão da sua economia poderá melhorar).


Além desta semana, os seguintes eventos relevantes serão: T18.03 votação na Alemanha para elevar limite da dívida e Q19.03 reuniões da Fed (repetir 4,25/4,50%) e do BoJ (repetir 0,50%), e Q20.03 BoE (repetir em 4,50%). 


A elevação da yield do Bund para níveis próximos a 3% (2,85%; e a O10A ITA a aproximar-se de 4%) é um inconveniente para as avaliações das empresas europeias, embora seja consequência não só da persistência do prémio de risco geoestratégico (Ucrânia), mas também da previsível deterioração do endividamento público pelo maior investimento em defesa. Isto não é melhor, mas pior para a bolsa europeia, embora acumule +11,7% em 2025. A reação das criptos, que são o indicador mais sensível de risco percebido, e o preço mais barato do petróleo transmitem que os riscos se movem em alta e que o ciclo económico global em baixa. Cuidado, insistimos.


CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: Desconfiemos da provável subida das bolsas europeias, hoje. A tarde será débil. Riscos em alta e ciclo económico em baixa não são bons antecedentes para as bolsas. De seguida poderá começar a interpretar-se em negativo a suavização da inflação americana (que provavelmente veremos esta quarta-feira), como precedente de um ciclo económico débil. Não é nada bom que se comece a discutir a possibilidade de uma recessão e muito menos nos EUA, por muito que Powell a descarte. Insistimos em ter cuidado com os riscos assumidos, porque quase tudo depende de assuntos imprevisíveis, como as preocupantes negociações sobre a Ucrânia em formato de geoestratégia de bazar, não de princípios. 


S&P500 +0,6% Nq-100 +0,7% SOX +3,2% ES-50 -0,9% IBEX +0,2% VIX 23,4 Bund 2,85% T-Note 4,29% Spread 2A-10A USA=+31pb B10A: ESP 3,50% PT 3,36% FRA 3,55% ITA 3,91% Euribor 12m 2,481% (fut.2,413%) USD 1,084 JPY 160,2 Ouro 2.914$ Brent 70,1$ WTI 66,8$ Bitcoin -4,2% (82.664$) Ether -2,9% (2.079$).


FIM

Leitura de domingo 2

 *Leitura de Domingo: momento para discutir nova reforma da previdência é 2027, dizem especialistas* Por Anna Scabello, Gabriela Jucá e Fern...