quinta-feira, 10 de abril de 2025

BDM Matinal Riscala 1004

 *Rosa Riscala: Recuo forçado*


…. Foram cinco pregões de quedas históricas nos mercados em NY – e em todo o mundo – antes que Trump jogasse a toalha para não ir a nocaute em sua luta obsessiva pelas tarifas. Nesta 4ªF, após mais uma retaliação da China, que revidou os 104%, elevando sua taxa aos produtos americanos para 84%, veio finalmente a trégua na guerra comercial. Ao mesmo tempo em que voltou a aumentar as tarifas para os chineses, agora em 125%, Trump derrubou as tarifas recíprocas aos demais países para 10%, por um período de 90 dias, causando euforia nos investidores globais. No fim da tarde, em entrevista no Salão Oval, mandou vários recados de conciliação a Xi Jinping, dizendo que espera dele um telefonema e que tem “certeza de que chegarão a um acordo muito bom para os dois países.


… Derramando-se em elogios, Trump disse que Xi é “uma das pessoas mais inteligentes do mundo”, que tem com ele “excelente relação”, que “não o culpa” pelo déficit dos EUA, e sim aos seus antecessores na Casa Branca, e que o acordo do TikTok “ainda está na mesa”.


… Mas não vai ser tão fácil dobrar Xi, que nesta 4ªF anunciou que China e UE discutirão cooperação no setor automotivo, em especial, de veículos elétricos. O anúncio foi feito pelo Ministério do Comércio chinês. Resta saber se ainda será confirmado pelos europeus.


… O resumo da ópera: Trump acreditou que conseguiria implementar ao seu modo sua política tarifária, não conseguiu e teve que recuar, pressionado por uma crise que o deixou isolado e começava a ameaçar o próprio império americano sob sua liderança.


… No X, Mohamed El-Erian (Allianz) escreveu que foi o mercado de títulos do Tesouro dos Estados Unidos que convenceu Trump a recuar no tarifaço, e “quão perto ele chegou da linha que separa a volatilidade selvagem dos preços do mau funcionamento”.


… Os Treasuries estavam sob pressão desde o Liberation Day e economistas vinham alertando para a falta de liquidez do mercado, o que parecia sinalizar falta de confiança no governo dos EUA e nos ativos que são considerados os mais seguros do mundo.


… Especulações de que a China estaria vendendo seus títulos americanos, em retaliação às tarifas de Trump, aumentavam a tensão.


… É verdade que as incertezas ainda devem permanecer, mas têm uma chance de se acomodarem à medida que os EUA negociem agora acordos mais razoáveis e que a China volte ao cenário econômico mundial. A pausa de 90 dias dirá o que vem pela frente.


… Entre as primeiras reações, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, elogiou a decisão de Trump de pausar as tarifas e disse que iniciará, imediatamente, negociações sobre uma nova relação econômica e de segurança com os Estados Unidos.


… “A pausa nas tarifas recíprocas anunciada pelo presidente Trump é um alívio bem-vindo para a economia global”, disse ele, que havia anunciado uma taxa de 25% para todos os carros americanos que entrassem no Canadá.


… O membro do Conselho do BCE Francois Villeroy de Galhau disse que a trégua é “o início de um retorno à razão econômica e um pouco de realismo, após um período de grande imprevisibilidade que joga contra a confiança nos EUA”.


… Já o presidente do Fed/Minneapolis, Neel Kashkari, primeiro Fed boy a falar após a decisão de Trump de suspender as tarifas, disse que, “se a pausa continuar, o impacto sobre a inflação será reduzido”. No entanto, alertou que a barra para cortes de juro continua alta.


… Hoje, mais quatro dirigentes do Fed têm falas públicas que serão acompanhadas com atenção pelo mercado: Lorie Logan/Dallas (10h30), Jeffrey Schmid/Kansas (11h), Michelle Bowman no Senado (11h), Austan Goolsbee/NY (13h) e Patrick Harker/Filadélfia (13h30).   


… As novas medidas, ou o recuo forçado, desencadearam um movimento de forte procura por ativos de risco nos mercados que estavam abertos, reproduzido na abertura dos pregões asiáticos e da Europa. A trégua reduziu os temores de recessão global (abaixo).


ALÍVIO E PÉ ATRÁS – Em NY, o Goldman Sachs disse que não vê mais os EUA em recessão como o seu cenário base. Para o Santander, a pausa torna o cenário para empresas e consumidores americanos “apenas dramático”. Antes era “calamitoso”.


… Analistas do ING estão mais céticos. Acreditam que, entre anúncios e pausas, Trump deve reintroduzir as tarifas recíprocas em breve. O banco holandês diz que “seria uma surpresa se o anúncio desta 4ªF fosse realmente o retorno do bom senso”.


… A incógnita ainda continua sendo a China, que ficou de fora da trégua de Washington.


… Para a Wedbush, especializada em tecnologia, “danos reais já foram causados à economia, mas a China continua o principal obstáculo a ser resolvido, e isso afetará significativamente a indústria de tecnologia e os consumidores americanos no dia a dia”.


… A Capital Economics destacou que, se os últimos aumentos nas tarifas à China (125%) não forem revertidos, podem reduzir à metade as exportações do país para os EUA, com corte entre 1% e 1,5% do seu PIB. O que seria muito negativo para os emergentes (e o Brasil).


… Já para a consultoria Pantheon, a tarifa de 125% dos Estados Unidos sobre a China “é tão gigantesca e desalinhada com a taxa de 10% aplicada a outros países que o comércio bilateral parece destinado a cair vertiginosamente”.


CPI – De volta à rotina dos indicadores, NY acompanha hoje a inflação ao consumidor nos EUA (CPI), que deve subir 0,10% em março, ante 0,20% em fevereiro, e desacelerar a alta em 12 meses para 2,6% (de 2,8% de fevereiro). O dado será divulgado às 9h30.


… Já o núcleo do CPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, deve subir 0,27% no mês, na mediana de 25 projeções coletadas pela Broadcast. A projeção para a taxa anualizada é de 3%, ante avanço de 3,1% na base anual de fevereiro.


… Analistas acreditam que algum efeito das tarifas (ou da expectativa) já deve aparecer no núcleo de preços de bens não relacionados a transporte. Os preços da gasolina e das commodities energéticas devem recuar, com a queda recente do petróleo.


… No mesmo horário, saem os pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA, que devem subir em 223 mil (219 mil na semana passada).


CHINA HOJE – Divulgados nesta 3ªF os dados de inflação em março: CPI recuou 0,1% na base anual, em linha com as estimativas, e o PPI caiu 2,5% na comparação com março de 2024, mais que a previsão (-2,3%).


… Em nota divulgada pelo ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, a China prometeu hoje acelerar as negociações com a UE sobre várias questões, enquanto busca laços com parceiros comerciais diante da escalada das tensões com os EUA.


… Na véspera, 3ªF (8), Wentao fez uma videoconferência com o Comissário Europeu para Comércio, Maros Sefcovic, quando concordaram em conduzir negociações sobre preços de veículos elétricos e cooperação em investimentos na indústria automotiva.


… O governo chinês informa que o diálogo ocorreu em paralelo à conversa do premiê Li Qiang com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que levou a preocupação de excesso de oferta de produtos chineses baratos para o bloco europeu.


SERVIÇOS – Após três quedas consecutivas, o volume de serviços prestados (9h) deve registrar estabilidade em fevereiro. A perspectiva de recuo ou estabilidade no período é o cenário base da maioria das casas (12 de 22) consultadas pelo Projeções Broadcast.


HADDAD – Ministro participa nesta 5ªF (9h) da Reunião Extraordinária do Conselho de Administração de Itaipu. Por videoconferência.


LULA – Bem no dia da trégua, o presidente resolveu endurecer a mensagem contra as tarifas de Trump, dizendo aos jornalistas que cobrem sua visita a Honduras que “ou nós vamos para a OMC brigar, onde é o direito da gente brigar, ou a gente vai dar reciprocidade”.


… Segundo Lula, “é o mínimo que se espera de um país, que tenha dignidade e soberania”. Explicou, porém, que antes o Brasil vai “utilizar todas as palavras de negociação que o dicionário permitir”. Mas criticou Trump: “Cada dia ele fala uma coisa.”


… Com a decisão de Trump de adotar tarifa mínima de 10% a todos os países (à exceção da China), o Brasil perde a vantagem comparativa que teria para ganhar novos mercados na exportação de commodities agrícolas.


#FAIL – O passo atrás do presidente Trump gerou uma euforia poucas vezes vista na história dos mercados. A alta do S&P 500 foi a terceira maior do período pós-Segunda Guerra nos Estados Unidos, como anotou a CNBC.


… Em forte queda desde o início da 4ªF, os mercados em Wall Street reagiram de forma imediata à anunciada pausa de 90 dias nas tarifas, com o S&P 500 disparando 9,52% (5.456,90 pontos), enquanto o Nasdaq saltou 12,16% (17.124,97 pontos).


… Foi o melhor dia do S&P 500 desde 2008, um rali que adicionou US$ 4,3 trilhões ao valor de mercado do índice, segundo o Financial Times. E foi o maior ganho do Nasdaq desde 2001. O Dow Jones subiu 7,87% (40.608,45 pontos).


… O chamado Dia da Libertação de Trump durou apenas uma semana. Exatos sete dias após o anúncio das tarifas recíprocas, o presidente americano voltou atrás e deu uma pausa de 90 dias na cobrança das alíquotas dos países que não retaliaram os EUA.


… Nos últimos dias, o presidente americano enfrentou fogo amigo de apoiadores de primeira hora como o megainvestidor Bill Ackman e Elon Musk, que criticaram duramente a política tarifária desenhada pelo conselheiro Peter Navarro.


… Quanto à China, além de ter ficado de fora da pausa, Trump aumentou as taxas sobre seus produtos para 125%, o que ainda prejudica empresas como a Apple e a Tesla, que têm fortes relações com o mercado e a cadeia de suprimentos chinesa.


… A despeito disso, as ações das big techs dispararam, puxadas pela Tesla (+22,69%), Nvidia (+18,72%), Apple (+15,19%), Meta (+15,76%), Amazon (+11,98%), Microsoft (+10,13%) e Alphabet (+9,68%).


… Apesar de Trump ter mudado de ideia temporariamente quanto às tarifas, analistas dizem que as incertezas vão persistir, ainda mais porque não se sabe como vai se desenrolar a relação entre os Estados Unidos e a China.


… O espectro da perda de confiança em ativos americanos ainda ronda o mercado, o que pode ser visto na alta dos juros dos Treasuries, que se manteve mesmo com o alívio nos ativos de risco, com investidores vendendo títulos americanos em busca de liquidez.


… Outros mercados considerados refúgios seguros alternativos aos EUA ganharam força, como os títulos da Alemanha.


… O juro do T-bond de 30 anos chegou a marcar 5%, enquanto o da note de 10 anos subiu a 4,5% nos picos de estresse. Ontem, o yield de 10 anos avançou a 4,333% (de 4,301%) e de 30 anos, a 4,8913% (de 4,774%). O juro da note de 2 anos subiu a 3,891% (de 3,729%).


… Na ata do Fed divulgada ontem, uma fotografia do cenário de 20 dias atrás, os dirigentes mostraram preocupação com o impacto das tarifas. Eles mencionaram a política comercial de Trump 18 vezes no documento, contra uma vez na ata de janeiro.


… Vários dos dirigentes do Fed observaram que os aumentos de tarifas anunciados ou planejados até ali eram maiores e mais abrangentes do que o esperado. E muita coisa aconteceu desde então, incluindo o tal Dia da Libertação.


… No câmbio, o índice dólar DXY ficou estável (-0,05%), a 102,900 pontos, depois de muita volatilidade. Primeiro, a moeda caiu forte com investidores saindo de ativos americanos. Depois da pausa de Trump, houve uma corrida para o dólar.


… O iene caiu 0,75%, a 147,411/US$; o franco suíço cedeu 1,17%, a 0,8583 franco por dólar; o euro ficou praticamente estável (-0,07%), a US$ 1,0948; e a libra subiu 0,33%, a US$ 1,2813. Aqui, o dólar chegou a R$ 6,09 na máxima do dia.


… Desabou 2,87% com a pausa das tarifas, para R$, 5,8473 no fechamento.


… Em abril, a moeda americana ainda ganha 2,49% contra o real, o que dá a medida da cautela que ainda existe quanto a ativos de risco. O Banco Central informou ontem que o Brasil registrou em março uma saída líquida de US$ 8,3 bilhões.


… O valor superou a sangria do período da pandemia e marcou o pior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1982.


… O fluxo cambial negativo foi puxado pela fuga de US$ 12,8 bilhões pela via financeira. Pelo canal comercial, foram registradas entradas de US$ 4,5 bilhões. No ano, o saldo é negativo em US$ 15,8 bilhões.


… Na B3, os juros subiram, mas como os Treasuries, ficaram longe das máximas quando o nervosismo baixou. As vendas do varejo (+0,5%) mais fracas que o esperado (+0,8%) em fevereiro ficaram em segundo plano. Trump era a manchete do dia, mais uma vez.


… No fechamento, o juro do contrato de DI para Jan/26 subia a 14,805% (de 14,765%); o Jan/27 avançava a 14,475% (14,390%); Jan29, a 14,350% (de 14,325%); Jan/31, a 14,600% (de 14,590%); e Jan/33, a 14,700% (de 14,710%).


… Acompanhando NY, o Ibovespa subiu 3,12%, aos 127.795,93 pontos, e de novo com um giro fora do comum, de R$ 40,6 bilhões.


… Todas as ações do índice subiram. Os chamados papéis cíclicos foram os mais beneficiados, como o Grupo Pão de Açúcar, que subiu 18,89% (R$ 3,65). Cogna avançou 11,94% (R$ 2,25) e Magazine Luiza, +11,28% (R$ 9,77).


… Blue chips de commodities se recuperaram de parte do tombo da véspera. Petrobras seguiu a recuperação do petróleo, com o Brent para junho a US$ 65,48 (+4,23%). Petrobras ON, +3,13% (R$ 35,57) e PN, +4,06% (R$ 33,30).


… Vale subiu 5,39%, a R$ 51,85, apesar de o minério ter recuado 3,48% em Dalian.


… Bradesco PN, com +3,74%, a R$ 12,47, puxou as altas entre os principais bancos. Bradesco ON subiu 3,26% (R$ 11,10), Santander valorizou 2,49% (R$ 26,75), Itaú ganhou 1,83% (R$ 31,78) e Banco do Brasil teve elevação de 0,43% (R$ 27,75).


EM TEMPO… SABESP informou que a Câmara de Conciliação de Precatórios da Procuradoria Geral do Município de São Paulo aprovou as duas últimas propostas de acordos para liquidação dos créditos de precatórios, que totalizam R$ 2,48 bilhões.


AZUL. Foram subscritas 1.200.000.063 de novas ações ordinárias e 152.924 novas preferenciais, totalizando R$ 72.688.161,78, no âmbito do seu aumento de capital, aprovado em fevereiro, ao preço de R$ 0,06 (ON) e de R$ 4,50 (PN) por nova ação…


… O início da negociação das novas ações na B3 se dará a partir de hoje 10.


ELETROBRAS esclareceu ontem que dois dos candidatos recomendados pela administração para eleição ao Conselho de Administração pela AGO, no próximo dia 29, Carlos Marcio Ferreira e Pedro Batista de Lima Filho, foram igualmente indicados por acionistas da companhia.


CCR informou que o tráfego total de veículos nas concessões rodoviárias que administra subiu 2,1% em março de 2025 ante o mesmo mês de 2024. No acumulado do ano, houve alta de 1%…


… Nas concessões de mobilidade urbana, houve queda de 0,8% no movimento de março ante igual mês em 2024, com destaque para VLT Carioca (+27,7%) e ViaQuatro (+1,8%). Nos aeroportos, o fluxo foi 4,9% maior na base de comparação anual.


CURY ampliou lançamentos e vendas, refletindo as condições favoráveis para os negócios dentro do programa Minha Casa Minha Vida. A companhia lançou 14 empreendimentos no 1Tri25: 9 em São Paulo e 5 no Rio de Janeiro, totalizando 9,1 mil apartamentos…


… Juntos, representam um valor geral de vendas (VGV) de R$ 2,666 bilhões, aumento de 77,8% sobre o mesmo intervalo de 2024.


ZAMP. Conselho de administração aprovou o encerramento do programa de American Depositary Receipts (ADRs) da companhia. A data efetiva do encerramento do Contrato de Depósito será 12 de maio de 2025.

Dan Kawa

 *Dan Kawa: Trump Piscou*


A quarta-feira foi de forte recuperação do mercado, após Trump pausar parte relevante das tarifas anunciadas na semana passada.


Comentei, há poucos dias, que este seria um vetor importante de estabilização ou reversão da dinâmica do mercado: x.com/DanKawa2/statu….


O roteiro dos ciclos econômicos que comentei no final de semana continua sendo respeitado: x.com/DanKawa2/statu….


Nos últimos dias, vimos uma melhora no balanceamento técnico e de valuation do mercado (comentei aqui: x.com/DanKawa2/statu…) que, adicionados a pausa nas tarifas, levou a uma das altas mais relevantes em um dia já vista nos mercados americanos.


Os EUA pausaram a tarifas por 90 dias para todos os países, menos para a China. Agora, contudo, parece haver um caminho desenhando para a solução deste embate.


Além disso, fica claro que o governo americano é sim sensível a movimentos de mercado e que existe uma pressão do empresariado que apoiou Trump contra medidas vistas como excessivamente agressivas e deletérias a economia.


Ainda me parece cedo para acreditar que o cenário tenha "limpado" completamente. Ainda estamos no meio de um período que será marcado por alta volatilidade e incerteza. A parcimônia e disciplina das alocações precisa ser mantida.


Algum estrago ao crescimento, na forma de aperto das condições financeiras e incerteza de sentimento, parece já ter sido feito. Assim, deveremos ver impactos negativos ao crescimento nos próximos meses, que podem ser vistos como baixistas para o mercado de juros.


Movimentos de queda de mercado são normais ao longos dos ciclos econômicos, assim como as recuperações de mercado. Abaixo, temos alguns exemplos de casos como o que estamos vivenciando nos últimos dias.


A história do "Basis Trade" continua no radar dos investidores, mas ainda sem contágio ou um acidente relevante. O tamanho das alavancagens, contudo, precisa ser monitorada.


No mercado de crédito privado americano, o "delta" de piora foi acentuado, mas o patamar ainda é historicamente baixo. Quanto mais tempo durar a incerteza, maior será o aperto das condições financeiras e mais esse spread poderá abrir.


No mercado de ações, como escrevi ontem, já foram perdidos cerca de $10B de capitalização. Isso gera um efeito riqueza negativo, que aperta as condições financeiras e acarreta em pressão baixista ao crescimento e a inflação.


No Brasil, as vendas no varejo ficaram praticamente dentro das expectativas, mostrando um cenário ainda saudável de crescimento, e sem uma rodada adicional de deterioração do crescimento.


https://x.com/DanKawa2/status/1910246585457373549

Não existe almoço grátis

 O mundo está em choque, porque o dono da festa e os garçons resolveram não mais servir de graça. 

Por décadas, a América comprou de todos, sustentou déficits monstruosos, enquanto os demais países surfavam a onda da exportação fácil e da vantagem injusta. 

Aliás, a ditadura comunista chinesa e sua projeção econômica é resultado da ação americana.

Agora que Trump propõe reciprocidade nas tarifas — uma medida que visa reindustrializar os Estados Unidos e devolver empregos — o capital especulativo grita, as bolsas derretem e os parasitas geoeconômicos se desesperam. 

Mas no fundo, o pânico não é pelo “caos econômico”. É pelo fim da mamata.


A melhor forma de explicar isso? Uma caricatura:


“Imagine uma festa luxuosa num grande salão. Os convidados? Os países do mundo. O dono da festa, com seus garçons ? Claro, os Estados Unidos. 

Durante décadas, esses garçons serviram champanhe, caviar e quitutes importados, tudo fiado ou até de graça. 

Os convidados brindavam, dançavam, aplaudiam a generosidade americana — e ainda reclamavam da temperatura do vinho.


Até que, um dia, o dono da festa cansou e orientou os garçons a cobrar o preço justo. Trocou o fraque por uma jaqueta jeans, pegou o microfone da banda e disse: ‘A partir de agora, cada um paga o que consome — e se quiser vender aqui, vai ter que comprar também.’


O salão silenciou. Os especuladores derrubaram as taças, os burocratas cuspiram o “foie gras”. 

A orquestra do mercado financeiro desafinou. 

O dono da festa e seus garçons viraram “os vilões”. Mas no fundo, todos sabiam: a festa estava cara demais — só que ninguém queria ser o primeiro a ir embora.”


A justiça, quando chega, costuma incomodar quem sempre viveu da vantagem e às custas dos outros. Mas talvez tenha chegado a hora do mundo aprender a pagar a própria conta.

E olha que Trump foi tão honesto que desde a campanha dizia que essa farra às custas dos EUA 🇺🇸 iria acabar.

Mas o surreal e até soa como um deboche é ver esquerdopatas alardeando que vão retaliar, ou seja, parece a estória do mendigo que reclama porque o doador diminuiu a oferta (dinheiro), porque a família aumentou e as despesas também, e ainda diz: “você vai fazer economia com meu dinheiro? (Diz o mendigo)”

O mundo está vivendo esse tipo de cinismo. (Autor desconhecido)

Bankinter Portugal Matinal 1004

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Nem 24 horas passaram desde a entrada em vigor dos impostos alfandegários mais restritivos (China, UE…) para que Trump voltasse a recuar, pelo menos parcialmente. Anunciou uma pausa de 90 dias aos impostos alfandegários recíprocos, exceto no caso de China (que os aumenta até 125%), do mínimo global de 10% e sobre aço, alumínio e automóveis anunciados anteriormente. Isto levou a uma forte reação em alta na bolsa americana (+10% S&P 500, +12% Nasdaq 100, +19% SOX), que a Europa não recebeu, visto que o anúncio aconteceu com o mercado fechado. Tampouco teve muito impacto na renda fixa, com o T-Note a continuar a sua escalada na yield (4,32% +3 p.b.), nem no dólar nem no ouro, voltando a superar os 3000 $.


Após esta notícia, poderíamos pensar, erradamente, que as tensões alfandegárias alcançaram o fundo. Contudo, não parece esse o cenário, já que a maior parte destes impostos não estão incluídos na pausa de 90 dias, não é descartável que a China volte a atacar com mais impostos alfandegários como resposta. Agora resta ver como evoluem as negociações entre os países. Além disso, tanto a confiança como a economia global ficaram abaladas a curto prazo e isto começará a ser notável nas guias das empresas nos resultados 1T 2025 (como aconteceu ontem com Delta). Amanhã será a vez dos primeiros bancos: Wells Fargo, JP Morgan e Morgan Stanley.


E depois está o impacto atrasado em preços. Hoje teremos um IPC americano que irá moderar-se (+2,5% esp. desde +2,8% ant. geral e +3,0% esp. desde +3,1% ant. subjacente), mas não receberá os primeiros efeitos da política alfandegária de Trump. Portanto, a atenção focar-se-á mais nos indicadores adiantados de confiança e nas componentes de preços, como é o caso da Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan de amanhã. 


CONCLUSÃO: Hoje, a Europa deverá receber na bolsa a notícia da pausa alfandegária. E se o previsto for cumprido na inflação, poderemos ver alguma pausa nos EUA. Contudo, a confiança está abalada, a visibilidade sobre o desenvolvimento alfandegário é limitada e os riscos geoestratégicos elevados. Portanto, mantém-se a pressão sobre as obrigações americanas a longo prazo e, após uma pausa temporária, sobre as bolsas. Os guidance da temporada de resultados irão clarificar mais sobre a confiança investidora a curto prazo.


S&P500 +9,5% Nq-100 +12,0% SOX +18,7% ES-50 -3,2% IBEX -2,2% VIX 33,6 Bund 2,69% T-Note 4,32% Spread 2A-10A USA=+43pb B10A: ESP 3,37% PT 3,25% FRA 3,41% ITA 3,86% Euribor 12m 2,16% (fut. 2,05%) USD 1,097 JPY 161,2 Ouro 3.122$ Brent 65,1$ WTI 62,0$ Bitcoin -1,5% (81.933$) Ether -3,8% (1.673$).


FIM

quarta-feira, 9 de abril de 2025

BDM Matinal Riscala 0904

 *Rosa Riscala: Trump escala a guerra comercial*


… Os produtos chineses importados pelos Estados Unidos já estão custando 104% mais caros, na escalada da guerra comercial que mudou o cenário da economia global, assim como entraram em vigor as “tarifas recíprocas” mais elevadas anunciadas por Trump no Liberation Day. Também hoje começou a ser cobrada a taxa de 25% imposta pelo Canadá aos veículos americanos, enquanto a União Europeia reúne os países-membros para aprovar a lista de contramedidas em resposta à tarifa de 20% que atingiu o grupo. Há ainda o risco de novas retaliações de Pequim, que prometeu “lutar até o fim”. Com o mundo sob ameaça de recessão, o Brasil já dá sinais de que não sairá ileso.


… Se, inicialmente, o mercado comemorou o fato de o País ter ficado com a alíquota mínima de 10%, acreditando que o agronegócio pode ser favorecido, agora teme pelas elevadas incertezas dessa crise, que puxaram o dólar de volta para os R$ 6 (abaixo).


… Os efeitos das tarifas de Trump foram o tema dominante em painel com gestores e empresários em evento do Bradesco BBI nesta 3ªF, em São Paulo, que reuniu mais de mil investidores e 158 empresas de diversos setores.


… A conclusão dos debates foi que o Brasil não é uma ilha e vai ser arrastado junto com uma provável piora da China.


… “Tem um movimento de placas tectônicas muito relevantes”, disse André Lion (Ibiúna Investimentos), acrescentando que o Brasil pode ser duplamente atingido: pela desaceleração da economia dos EUA e pelo impacto na China. “Certamente vai pegar na gente.”


… Leonardo Linhares (SPX) concordou que a China é o canal que mais preocupa, já que o Brasil é muito dependente do comércio daquele país e uma desaceleração afetará os preços internacionais das commodities. “Não vamos ser uma ilha, não.”


… Segundo o gestor, as medidas mais drásticas de Trump provocaram um choque que tem feito empresários segurarem os investimentos e adiar decisões de negócios. Mas, na sua avaliação, “vai demorar um tempo para Trump entender que errou a mão nas tarifas”.


… Ao contrário das quedas de juro que o mercado em NY projeta (agora já são cinco este ano), Leonardo acredita que o Fed deve ser mais prudente, evitando cortar as taxas de forma significativa. “O Fed não vai querer errar de novo, como errou na pandemia.”


… Também presente ao evento do Bradesco BBI, o ministro Fernando Haddad disse que o Brasil precisa ter prudência nesse assunto. “Não é hora de anunciar medidas, é tentar ver se a poeira baixa, de maneira a nos proteger dessa situação que é muito tensa.”


… Observou que a guerra comercial pega o Brasil sem dívida externa, com reservas cambiais expressivas e saldo comercial robusto. Além disso, acrescentou, os juros estão elevados e há espaço para ação da política monetária se for necessário estimular a economia.


… Citando relatos que ouve no setor produtivo, ressaltou que nenhuma economia entrega o retorno oferecido pelo Brasil, de até 15%.


… Mas Haddad admitiu que as tarifas de Trump contra a China afetam o Brasil de alguma maneira, já que atingem nosso principal parceiro comercial. “Não se consegue escapar de lógica que tem China como alvo sem afetar o resto do mundo.”


ACENO À CHINA – Depois de ter ameaçado dobrar a tarifa para a China, Trump não tinha muito o que fazer se Xi Jiping não recuasse. Teve de cumprir a palavra. Mas por duas vezes, nesta 3ªF, o presidente dos EUA lançou acenos ao governo de Pequim.


… Ainda pela manhã, antes de vencer o prazo que deu para a China remover a tarifa de 34%, Trump disse estar esperando um telefonema da China e, à noite, que ainda espera que a China chegue um acordo e que sempre teve “relações muito boas com Xi Jinping”.


… Em um jantar oferecido pelo Comitê Nacional Republicano do Congresso, o presidente acrescentou ainda respeita o México e o Canadá, mas que eles “trapacearam” com os EUA em questões comerciais e seu trabalho não é aumentar o lucro das empresas estrangeiras.


… Trump insistiu que, “na verdade”, estava sendo gentil com as tarifas e que os EUA farão uma fortuna de US$ 2 bilhões por dia com elas. “Muitos países, mais de 70, já demonstraram interesse em negociar conosco. Agora é a nossa vez de tirar vantagem.”


O DILEMA DO FED – Após Trump dobrar a aposta contra a China, a ferramenta do CME Group elevou para mais de 50% a chance de o Fed retomar as quedas do juro em maio (de 38,5% na véspera), reduzindo as chances de manutenção para 49,3%.


… Essa expectativa é um sinal de que os investidores parecem estar mais preocupados com o risco de recessão da economia americana do que os riscos inflacionários. Resta saber se o Fed privilegiará o mandato do emprego.


… Para a Fitch, as tarifas restringem a capacidade do Fed de reduzir ainda mais as taxas de juros, dado os choques esperados nos preços.


… Já a Moody’s afirmou nesta 3ªF que as incertezas já afetam a confiança empresarial, freiam investimentos e elevam a volatilidade nos mercados, com quedas nas bolsas e migração de capitais para títulos do Tesouro dos Estados Unidos.


… Em relatório, o Wells Fargo alerta que se as tarifas forem implementadas nos níveis atuais, a inflação nos Estados Unidos deve disparar nos próximos meses, corroendo a renda real e mergulhando o crescimento nos gastos do consumidor em território negativo.


… O banco também cita a provável recessão, mas espera que o Fed só volte a cortar os juros em junho, com 125pbs até o final de 2025.


… Nesta 3ªF, o Morgan Stanley cortou as projeções para o PIB americano para 0,8% (de 1,5%) este ano e 0,7% (de 1,2%) em 2026.


… O estrategista-chefe de FX do Goldman Sachs, Robin Brooks, disse que as tarifas de 104% para a China são “debilitantes” e provocarão um choque enorme. “O risco de resultados extremos para os mercados aumentou com a última decisão de Trump.”


… Pesquisadores da maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock, estão mais cautelosos em relação às ações americanas. “Adotamos uma postura mais prudente no curto prazo, com um horizonte tático de três meses”, escreveram em relatório a clientes.


… O instituto, que reduziu sua exposição a ações dos EUA de “acima da média” para “neutra”, afirma que quanto mais essa incerteza [das tarifas] se prolongar, maior poderá ser o impacto negativo no curto prazo. Para o longo prazo, mantém visão mais otimista.


ZONA DO EURO – As tarifas de Trump afundarão a zona do euro em uma recessão, alertam economistas da Pantheon Macroeconomics, afirmando que o pacote abrangente de tarifas de 20% impostas por Washington levou a um colapso no sentimento do investidor.


… “Enquanto a Europa prepara sua resposta, a confiança provavelmente só irá cair mais”, prevê a consultoria.


… Em entrevista coletiva nesta 3ªF, Trump disse que a União Europeia terá que se comprometer em comprar US$ 350 bilhões em energia dos EUA para obter um alívio das tarifas. Questionado se isso seria suficiente para ele recuar, disse que não.


… As declarações foram uma resposta à fala da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de que a UE havia se oferecido para reduzir a zero as tarifas do bloco sobre carros e produtos industriais importados dos EUA, se o país retribuísse.


ELON MUSK –Nesta 3ªF, voltou suas críticas contra Peter Navarro, mentor intelectual do plano das tarifas e um dos principais assessores econômicos da Casa Branca, dizendo que ele é um “imbecil”. As críticas foram feitas em sua própria plataforma, o X.


… Musk respondeu a um vídeo em que Navarro rebate suas críticas à política tarifária de Trump e o acusa de proteger interesses próprios, uma vez que as peças dos carros da Tesla vêm de diversos países como México, Japão e China.


… Desde o Liberation Day, o patrimônio de Elon Musk teria caído mais de US$ 30 bilhões, conforme as estimativas do The Guardian. Já no


Washington Post, Musk fez apelos pessoais ao presidente Trump no fim de semana para não implantar as tarifas.


DEMOCRATAS REAGEM – Partido Democrata apresentou na Câmara uma resolução questionando a declaração de emergência nacional usada por Trump para impor as tarifas, na tentativa de deter o presidente em sua política.


… O movimento é liderado pelo deputado Gregory Meeks, de Nova York, e precisa da adesão de republicanos, maioria na Casa.


AGENDA – As vendas no varejo são o principal indicador doméstico (9h), com a mediana das estimativas apontando para expansão de 0,80% no conceito restrito, segundo pesquisa Broadcast, após ter oscilado negativamente (-0,1%) em janeiro.


… Já o varejo ampliado pode mostrar estabilidade em fevereiro (0,0%) frente ao crescimento de 2,3% do mês anterior.


… Mais cedo, sai a primeira quadrissemana do IPC-Fipe de abril (março fechou em 0,62%) e o primeiro IPC-S das Capitais (8h). Às 8h30, o Banco Central divulga o estoque de crédito em fevereiro e os níveis de inadimplência no crédito livre.


… Ainda na agenda do Brasil, o IBGE informa o Índice de Preços ao Produtor de fevereiro (9h) e a Abraciclo, a produção de motos (11h).


… Finalmente, às 14h30, o BC divulga os dados do fluxo cambial, que na semana anterior teve saldo negativo de US$ 2,0 bilhões.


LULA – Participa da abertura da Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da CELAC, em Honduras (13h).


LÁ FORA – Fed divulga às 15h a ata da última reunião de política monetária, mas que já vem com validade vencida, antes das tarifas de Trump, quando Powell defendeu a tese (já corrigida por ele) de que a inflação poderia ser transitória.


… Às 11h, o Departamento do Comércio americano informa os estoques no atacado em fevereiro, que podem subir 0,5%.


… Às 11h30, é a vez dos estoques de petróleo do DoE, que têm previsão de alta de 2,1 milhões de barris.


… Às 13h30, o presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, discursa em evento do Clube Econômico de Washington.


… Nesta 3ªF, Austan Goolsbee (Fed/Chicago) disse que o sentimento do consumidor sobre a economia americana “está despencando”, mas que, mesmo com uma visão “péssima” sobre o cenário nos EUA, as pessoas ainda continuam consumindo.


ÁSIA HOJE – Bolsas voltaram a registrar quedas firmes na abertura do pregão asiático, reagindo à nova investida de Trump contra a China.


XEQUE MATE – Terminado o prazo dado por Trump, ontem, a China não retirou as tarifas retaliatórias de 34% sobre os EUA. Pequim ainda disse que não aceitaria a “chantagem” dos Estados Unidos e entrou com recurso contra as medidas na OMC.


… Ato contínuo, a Casa Branca anunciou a alíquota adicional de 50% sobre produtos chineses, com taxa total de 104%, e foi o fim de um breve alívio nas bolsas pelo mundo, que pela manhã subiram, quando havia alguma esperança de negociação entre os dois países.


… Sinais de que os EUA iriam flexibilizar as tarifas para o Japão e a Coreia do Sul encorajaram os investidores, mas tudo ficou ainda pior depois que a Casa Branca disse que Trump quer ver os iPhones sendo fabricados pelos americanos.


… Apple, que tem operações na China e vende grande parte de seus gadgets por lá, saiu de uma alta de 4% para uma queda de 5%. Nas últimas quatro sessões, o papel perdeu 23% de seu valor.


… A baixa do papel puxou as perdas do Nasdaq, que caiu 2,15% (15.267,91 pontos) e do Dow Jones (-0,84%; 37.645,59 pontos).


… O S&P 500 fechou abaixo dos 5.000 pontos (-1,57% a 4.982,78), no menor nível em quase um ano. Mais uma vez, o índice ficou muito perto do bear market, terminando o dia 19% abaixo do recorde alcançando em 19 de fevereiro.


… “As pessoas queriam ficar otimistas, mas perceberam que não tinham motivo para isso”, disse Melissa Brown (SimCorp), à Reuters.


… Ela espera ver na temporada de balanços que começa esta semana em NY muitas avaliações sobre o impacto das tarifas nos guidances das empresas. Os primeiros resultados virão na 6ªF com JPMorgan, Morgan Stanley e Wells Fargo.


… A escalada da tensão comercial levou o governo chinês a fazer uma forte depreciação do yuan frente ao dólar, movimento que ajudou a desvalorizar moedas de emergentes exportadores de commodities, em especial o real, que chegou a ser negociado a R$ 6.


… Com alta de 1,48% do dólar, a R$ 5,9979, a moeda brasileira teve o pior desempenho entre as 33 divisas mais líquidas do mundo.


… Ante pares, o dólar cedeu ante da perspectiva de um Fed menos rígido por causa da ameaça de recessão. O índice DXY caiu 0,32%, para 102,924 pontos. O euro subiu 0,16%, a US$ 1,0956; a libra avançou 0,27%, a US$ 1,2771; o iene ganhou 0,96%, a 146,315/US$.


… Apesar do recuo do dólar ante pares fortes, o yuan chinês caiu ao menor nível da história frente ao dólar, cotado a 7,4247 yuans no mercado offshore, ultrapassando pela primeira vez o patamar de 7,4 yuans.


… Nessa perspectiva, os rendimentos das notes de 2 anos caíram para 3,723%, de 3,769% na sessão anterior. Já o yield da note de 10 anos subiu a 4,281% (de 4,177%), enquanto o retorno do título de 30 anos avançou a 4,748% (de 4,624%).


… Segundo analistas nas agências, a fraca demanda em um leilão de notes de 3 anos ajudou a provocar uma liquidação de títulos de longo prazo, especialmente os de 30 anos. Uma preocupação dos investidores é de que a China venda Treasuries em retaliação.


… Na Barron’s, analistas ponderaram que a grande volatilidade vista nos Treasuries e no dólar enviam um alerta sobre eventual recessão, além de um sinal de que os investidores estão perdendo a confiança nos Estados Unidos.


… “A marca Estados Unidos foi manchada. Se estrangeiros com uma enorme de quantidade de ativos americanos decidirem levar o seu dinheiro de volta para casa isso vai se refletir nos Treasuries e no câmbio”, disse Peter Boockvar Bleakley (Financial Group).


… O enfraquecimento da moeda chinesa diminui o seu poder de compra e provoca preocupações sobre a demanda do país por matérias-primas como o minério de ferro. Para o Brasil, que tem elevada exposição à China, é uma preocupação.


… Ruim para a Vale, que caiu 5,48% (R$ 49,20), ajudando a puxar a queda de 1,32% do Ibovespa, aos 123.931,89 pontos. Em Dalian, o preço do minério despencou 3,48%. Petrobras também teve mais um dia difícil, de perdas.


… Em linha com a queda do petróleo, Petrobras ON caiu 3,20% (R$ 34,49) e Petrobras PN, -3,56% (R$ 32,00). Na Ice londrina, o contrato do Brent para junho cedeu 2,16%, com fechamento em US$ 62,82 o barril.


… Em apenas cinco sessões, Petrobras perdeu R$ 80 bilhões em valor de mercado. O market cap está em R$ 429,35 bilhões.


… Operadores relatam saída de capitais de ativos locais. Dados da B3 mostram que os estrangeiros já retiraram R$ 3,605 bilhões da bolsa doméstica em abril, até o dia 4. No acumulado do ano, o fluxo de capital externo está positivo em R$ 7,037 bilhões.


… Bancos também ficaram no vermelho, nesta 3ªF: Bradesco PN (-2,75%; R$ 12,02) e ON (-2,54%; R$ 10,75), Santander (-1,51%; R$ 26,10) e Banco do Brasil (-0,18%; R$ 27,63). A exceção foi Itaú, que ficou estável (+0,03%), em R$ 31,21.


… Magazine Luiza liderou as perdas (-13,41%, R$ 8,78), após o Citi cortar a recomendação do papel e reduzir o preço-alvo para R$ 7,70.


… O câmbio e a aversão global ao risco continuou a acrescentar prêmios de risco nos juros domésticos, que subiram em toda a curva.


… No fechamento, o DI para Jan/26 subiu a 14,765% (de 14,700% na véspera); o Jan/27 avançou a 14,390% (de 14,215%); o Jan/29, para 14,325% (de 14,165%); e o Jan/31, a 14,590% (de 14,480%).


EM TEMPO… PETROBRAS. Ibama informou que houve recebimento em 7/4 da comunicação formal da estatal sobre a conclusão das obras do Centro de Reabilitação e Despetrolização de Fauna de Oiapoque (AP)…


… Órgão disse que solicitação seguirá para avaliação dentro dos trâmites previstos no processo de licenciamento ambiental; data para a vistoria técnica na base ainda será definida.


BANCO MASTER. TCU abriu processo para investigar atuação do Banco Central no caso.


MINERADORAS. STF pode julgar nesta 4ªF seis recursos contra decisão que homologou acordo para reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG)…


… Acordo foi homologado pela Corte em novembro e prevê pagamento de R$ 170 bilhões pelas mineradoras Vale, BHP e Samarco.


BRASKEM. Moody’s rebaixou de Ba2 para Ba3 o Corporate Family Rating (CFR) da companhia e a classificação dos Backed Senior Unsecured Global Bonds da Braskem America Finance Company; perspectiva para ambas foi alterada de negativa para estável.


ELETROBRAS. O advogado Marcelo Gasparino, atual conselheiro da empresa, enviou consulta à CVM questionando regras propostas pelo atual Conselho de Administração para futuras votações no colegiado, a serem acolhidas ou não em assembleia do dia 29/4.


RAÍZEN. Norges Bank Investment Management reduziu participação acionária na companhia de 5,012% para 4,997%, passando a administrar 67.900.514 de papéis PN.


NATURA. Baillie Gifford Overseas Limited atingiu participação de 5,01% na companhia, passando a deter 69,7 milhões de ações ON; segundo dados do formulário de referência mais recente, de 3/4, gestora não detinha participação relevante na empresa.


TENDA registrou Valor Geral de Vendas (VGV) consolidado de R$ 920,9 milhões em lançamentos no 1Tri25, segundo prévia operacional…


… O resultado é 36,3% maior, ante o 1Tri24. O VGV de Tenda somou R$ 818,5 milhões, alta anual de 21,2%. Já a Alea totalizou R$ 102,4 milhões em VGV.


OI. SC Lowy Primary Investments reduziu participação na empresa para 9,8% do capital social, passando a deter 32.339.295 de ações ON.

Bankinter Portugal Matinal 0904

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Europa enganou-se, ontem, ao subir. E quase Nova Iorque também, porque esteve em positivo grande parte da sessão, mas derrubou-se no final. E com alguma força. Agora leem-se artigos bem-intencionados a defender a compra porque são quedas excessivas sem sentido. Estão enganados, porque não realizaram uma análise medianamente reflexiva da situação: o ciclo expansivo está a evoluir para neutro ou até contrativo. Não é algo que poderá acontecer, como há 1 ou 2 meses. Agora é um facto, porque grande parte do dano sobre a confiança está feito. O crescimento económico será muito baixo ou inexistente, a inflação aumentará no 2.º semestre, os bancos centrais não poderão baixar taxas de juros para ajudar (exceto irresponsabilidade monetária, como poderá ser o caso do BCE) e isso acabará por afetar os resultados empresariais (EPS), que são a base do valor das empresas e, por extensão natural, dos índices das bolsas.


A temporada de publicação de resultados americanos começa esta sexta-feira com os bancos (JPMorgan, MStanley e Wells Fargo). De seguida, os restantes setores. Serão resultados do 1T 2025, portanto ainda não estarão afetados. Mas os guidances/guias podem desaparecer, porque as empresas não se atreverão a comprometer-se com nada neste contexto 100% incerto. Isso significa que cancelarão os seus guidances atuais e/ou dirão que ficam sujeitos a revisão total. E as bolsas guiam-se por expetativas, as quais terão desaparecido ou estarão sujeitas a um elevadíssimo grau de confiança. E Trump não retificará a curto prazo. Demonstrou-o ontem à noite, afirmando que os dirigentes de outros países se dirigem a ele a suplicar por acordos.


Nessa situação não é possível pensar que se pode comprar já mais barato simplesmente porque as bolsas caíram rapidamente. Esse não é um argumento suficientemente sólido para um economista medianamente formado. É demasiado fácil dizer que é necessário comprar porque está mais barato. Ainda não chegou o momento. Chegará e haverá uma oportunidade excelente, mas ainda não. Simplesmente porque as avaliações mudaram (isto é, baixaram) sem que ninguém consiga saber exatamente até que ponto. Reconhecer isto é honesto. Por isso, insistimos em refugiar-se para não perder. Porque nem sempre se pode investir para ganhar. Saber quando não fazer nada é a chave para preservar o património e colocá-lo a render, assumindo riscos quando estes podem ser mensuráveis. Fazê-lo quando isso não é possível ou por intuição, simplesmente porque o mercado caiu e pronto, é irresponsável.


Os futuros europeus vêm a cair quase -4% e os americanos quase -2%. Não está de modo algum terminado. Irá agravar-se, a não ser que Trump retifique. Mas só o fará quando começar a ficar sozinho porque os seus acólitos – tão ignorantes quanto ele sobre economia, mas piores do que ele por se terem tornado em súbditos cobardes – sentem uma dor real: perdem dinheiro seriamente (daí Musk já estar assustado e ter mudado a sua mensagem) e a sua reputação pessoal fica destruída ao revelar o seu fracasso por ignorância. Porque o mais perigoso não é não saber, é não querer saber o que se passa. E este é o caso.


Índia e Nova Zelândia baixaram taxas de juros esta madrugada, como esperado e sem que signifique algo em particular. Hoje, às 19 h, Atas da reunião da Fed de 19 de março, que também nos permite ver que, como pensamos, é cada vez mais difícil voltar a baixar taxas de juros perante o aumento da inflação derivado da guerra alfandegária. Amanhã, a inflação americana de março provavelmente retrocederá (+2,6% vs. +2,8%), mas se alguém quiser alegrar-se com isso, enganar-se-ia, porque as tensões inflacionistas não serão percebidas, no mínimo, até ao dado de abril, publicado a 10 de maio. E na sexta-feira, o mais importante: a Confiança da Univ. de Michigan de abril, porque foi o primeiro indicador adiantado americano que, a 14 de março, mostrou um forte debilitamento (57,9 desde 64,7, depois revisto em baixa até 57,0) e com aumentos sérios dos seus componentes de expetativas de inflação a 5 anos (+3,9%, revisto depois até +4,1%) e a 1 ano (+4,9%, também revisto depois até +5,0%). Espera-se 54,5, mas poderá ser pior do que isso e com expetativas de inflação ainda superiores.


Os caçadores de oportunidades enganam-se, porque é cedo, embora isto proporcione uma excelente oportunidade quando for o momento certo… e faremos o impossível para o identificar a tempo. 


S&P500 -1,6% Nq-100 -2% SOX -3,6% ES-50 +2,5% IBEX +2,4% VIX 52,3% Bund 2,63% T-Note 4,44% Spread 2A-10A USA=+66pb B10A: ESP 3,35% PT 3,23% FRA 3,39% ITA 3,85% Euribor 12m 2,107% (fut.2,208%) USD 1,052 JPY 160,7 Ouro 3.017$ Brent 60,4$ WTI 57,1$ Bitcoin -3,8% (76.639$) Ether -7,7% (1.461$). 


FIM

Jornal do Investidor

 🌎🇧🇷🇺🇸 Varejo no Brasil e ata do Fed são destaques do dia


Os produtos chineses importados pelos Estados Unidos já estão custando 104% mais caros, na escalada da guerra comercial que mudou o cenário da economia global, assim como entraram em vigor as “tarifas recíprocas” mais elevadas anunciadas por Trump no Liberation Day. Também hoje começou a ser cobrada a taxa de 25% imposta pelo Canadá aos veículos americanos, enquanto a União Europeia reúne os países-membros para aprovar a lista de contramedidas em resposta à tarifa de 20% que atingiu o grupo. Há ainda o risco de novas retaliações de Pequim, que prometeu “lutar até o fim”. Com o mundo sob ameaça de recessão, o Brasil já dá sinais de que não sairá ileso. (Rosa Riscala)


👉 Confira abaixo a agenda de hoje


Indicadores

▪️ 05h00 – Fipe: IPC da 1ª quadrissemana de abril

▪️ 08h00 – FGV: IPC-S Capitais 1ª quadrissemana de abril

▪️ 08h30 – BC: Estoque de crédito de fevereiro

▪️ 09h00 – IBGE: Varejo e Índice de Preços ao Produtor (fev)

▪️ 11h00 – Abraciclo: Produção e vendas de motos de março

▪️ 11h00 – EUA/Deptº Comércio: Estoques no atacado (fev)

▪️ 11h30 – EUA/DoE: Estoques de petróleo da semana até 4/4

▪️ 13h00 – Rússia/Rosstat: PIB do 4TRI

▪️ 14h30 – BC: Fluxo cambial semanal

▪️ 15h00 – EUA: Ata da reunião de março do Fed

▪️ 22h30 – China/NBS: CPI e PPI de março


Eventos

▪️ 10h00 – Haddad se encontra com o presidente do Comsefaz, Flávio Oliveira

▪️ 11h00 – Gabriel Galípolo (BC) se reúne com Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Luiz Marinho (Trabalho) 

▪️ 13h00 – Honduras: Lula participa da abertura da IX Cúpula de Chefes de Estado da CELAC

▪️ 13h30 – EUA: Tom Barkin (Fed/Richmond) fala em evento


🇺🇸 Dow Jones Futuro cai com a entrada em vigor das tarifas recíprocas de Trump


À meia-noite (horário dos EUA) desta quarta-feira (9), entraram em vigor as tarifas recíprocas impostas pelo presidente Donald Trump, incluindo alíquotas de até 104% sobre produtos chineses. A medida mantém vivos os temores de recessão e abala uma ordem comercial global consolidada há décadas. Os índices futuros de Nova York operam sem direção definida neste momento.


🔎 Veja os principais indicadores às 5h30 (horário de Brasília):


🌏 EUA

* Dow Jones Futuro: -0,58%

* S&P 500 Futuro: -0,30%

* Nasdaq Futuro: +0,12%

🌏 Ásia-Pacífico

* Shanghai SE (China), +1,31%

* Nikkei (Japão): -3,93%

* Hang Seng Index (Hong Kong): +0,68%

* Kospi (Coreia do Sul): -1,74%

* ASX 200 (Austrália): -1,80%

🌍 Europa

* STOXX 600: -3,13%

* DAX (Alemanha): -3,00%

* FTSE 100 (Reino Unido): -2,75%

* CAC 40 (França): -2,76%

* FTSE MIB (Itália): -2,88%

🌍 Commodities

* Petróleo WTI, -3,56%, a US$ 57,46 o barril

* Petróleo Brent, -3,37%, a US$ 60,67 o barril

* Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -2,68%, a 689,00 iuanes (US$ 93,88)

🪙 Criptos

* Bitcoin, +0,65%, a US$ 77.165,53


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