terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

NEWS 0402

 NEWS - 04.02


Congelamento de despesas é teste para Haddad dar choque de credibilidade fiscal / Equipe econômica tem sido orientada a fazer aperto maior no início do ano; economistas projetam contingenciamento de R$ 30 bi a R$ 35 bi- Folha SP 4/2


Adriana Fernandes / Idiana Tomazelli


Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afastar a adoção de novas medidas fiscais, o anúncio de um congelamento robusto de despesas na largada do Orçamento deste ano se transformou na principal aposta para o governo tentar reconstruir a confiança dos investidores na sustentabilidade das contas públicas.


Mesmo antes da votação do Orçamento de 2025, a área econômica já discute a estratégia e tem sido aconselhada a começar o ano com um aperto maior, mirando o centro da meta de déficit zero —o contrário do que foi feito no ano passado.


Integrantes da JEO (Junta de Execução Orçamentária), colegiado que reúne os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) e Esther Dweck (Gestão e Inovação), têm a preocupação em dar sinais que permitam baixar o dólar, segundo pessoas a par das discussões ouvidas pela Folha.


Especialistas em contas públicas apontam que o grande teste para Haddad será conseguir espaço político para fazer um congelamento de despesas que seja capaz de dar um sinal forte, já que o pacote de medidas de contenção de gastos foi considerado insuficiente.


Nesse cenário, o momento da abertura do espaço adicional de despesas, conforme previsto na lei do arcabouço fiscal, passou a ser uma peça fundamental da gestão orçamentária. É que a aceleração da inflação, na reta final de 2024, vai proporcionar ao governo um aumento adicional de R$ 12,44 bilhões no limite de gastos, que poderá ser incorporado ao longo de 2025.


O problema é que o uso do espaço extra depende de receitas suficientes para cumprir a meta fiscal, que é de déficit zero. Se fizer um contingenciamento de despesas agora no início do ano para cumprir a meta fiscal, apontando falta de receitas, o governo não poderia fazer esse crédito orçamentário.


A abertura do crédito poderá vir depois, a depender da fotografia que a JEO tiver do andamento do resultado primário das contas do governo, segundo um participante das reuniões do colegiado de ministros.


Em 2024, ano de eleições municipais, o governo optou em não mirar o centro da meta fiscal e apertou o cinto das despesas no segundo semestre. Agora, a estratégia terá que ser diferente para ajudar o trabalho do Banco Central no controle da inflação e afastar o risco de um ciclo mais longo de alta de juros, admite um ministro de Lula.


Haddad já sinalizou em declarações recentes que vai calibrar a gestão do Orçamento de acordo com a desaceleração do ritmo de crescimento da economia. Além da necessidade de acomodar despesas que ficaram de fora do Orçamento, há incerteza com o risco de frustração da arrecadação num cenário de desaceleração econômica puxada pela alta dos juros.


Algumas receitas que ajudaram a reforçar o caixa em 2024 podem também não se repetir neste ano. Haddad tampouco conseguiu aprovar no Congresso projeto que previa arrecadar mais R$ 21 bilhões neste ano com a maior tributação sobre empresas, e as medidas para compensar a desoneração da folha de salários não estão rendendo o esperado.


"O que o ministro Haddad tinha para fazer de medidas, ele tentou. Agora no segundo tempo do jogo [do mandato presidencial] é muito mais complicado você conseguir aprovar coisas relevantes", diz Felipe Salto, economista-chefe da Warren Rena.


Para ele, a gestão tradicional do orçamento, do contingenciamento e do bloqueio de despesas vai se tornar mais importante neste ano como instrumento para Haddad entregar um resultado fiscal razoável. Em recente relatório sobre política fiscal, Salto e sua equipe projetam a necessidade de um contingenciamento de R$ 35 bilhões.


Um corte dessa magnitude levaria as despesas discricionárias (custeio e investimentos) a um valor nominal semelhante ao observado em 2023 e 2024, e superior ao dos anos de 2020 a 2022, no governo Bolsonaro. A avaliação é que uma contenção de despesas nessa magnitude não causaria prejuízo para o funcionamento da máquina pública.


Além disso, ressalta Salto, um corte de R$ 35 bilhões não estaria infringindo o dispositivo da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), que exige que o congelamento observe a regra de crescimento real de 0,6% das despesas, o piso do arcabouço fiscal. Para atender a LDO, o corte máximo seria de R$ 41,7 bilhões.


Sem a peça aprovada, o governo está executando o orçamento com base da chamada regra do duodécimo (1/12 avos) por mês do que tem para custear a máquina pública. Mas pode apertar mais o cinto das despesas elevando o valor para um patamar de 1/18 avos. Técnicos da área econômica afirmam que, na prática, alguns ministérios já estão executando 1/24 avos, com um aperto maior.


A JEO, no entanto, está fazendo as contas e estuda editar um novo decreto para garantir uma execução das despesas menor neste inicio do ano.


Para Bráulio Borges, economista-sênior da LCA Intelligence e pesquisador-associado do FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), o contingenciamento vai ser a grande peça para a reconstrução da credibilidade fiscal.


"Não há dúvida que ela está no chão, abalada", diz.


De acordo com ele, o contigenciamento e o bloqueio são o principal evento fiscal que pode impactar as expectativas agora no começo desse ano.


Na sua avaliação, uma conta de partida seria a necessidade de R$ 30 bilhões de contingenciamento, olhando só pelo lado da receita. Ele ressalta que a forma de regulamentação das medidas do pacote será importante para calibrar a necessidade do ajuste fiscal deste ano.


 


Análise: Mensagem de Lula ao Congresso tenta afastar ideia de política fiscal frouxa / Presidente busca confrontar decepção com pacote apresentado em novembro do ano passado- Valor 3/2


Lu Aiko Otta


Em meio à crise das emendas de parlamentares ao orçamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou mensagem ao Congresso Nacional na qual diz que não hesitará em lançar mão de bloqueios e contingenciamentos de despesas este ano para alcançar a meta de déficit zero, resultado “crucial” para estabilizar a dívida pública na casa dos 80% do Produto Interno Bruto (PIB) por volta de 2028.


O recado está na mensagem presidencial entregue ao Congresso Nacional, na abertura do ano legislativo.


Num esforço de reconstrução da credibilidade na política fiscal, o texto lista exemplos de medidas duras adotadas para ajustar as contas públicas.


Um exemplo está no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2025, em análise no Congresso Nacional. As projeções apontaram para um aumento de 3,6% nas despesas. No entanto, seguindo a regra do arcabouço, essa expansão foi limitada a 2,5% na proposta.


Esse limite de 2,5% de aumento real será aplicado inclusive a itens como o salário mínimo e as emendas parlamentares ao orçamento, aponta a mensagem. Essa proposta foi o centro do pacote anunciado em novembro passado.


As economias proporcionadas pelo pacote deverão atingir R$ 300 bilhões no período de 2025 a 2030, informa Lula na mensagem aos congressistas. Em 2025 e 2026 o corte de despesas chegará a R$ 70 bilhões.


Por fim, a expectativa do governo é economizar R$ 25 bilhões com as revisões de gastos, “a partir de medidas administrativas que melhoram o alcance das políticas públicas, tornando-as mais eficientes e gerando economia aos cofres públicos.”


Com esses números, o governo busca confrontar a decepção de analistas do mercado com o pacote de novembro, considerado insuficiente para garantir uma trajetória sustentável para a dívida pública. O conjunto, “desidratado” em comparação com o que se discutiu na área técnica, deixou evidente a dificuldade da área econômica em avançar com a agenda fiscal perante o próprio governo. O Congresso aprovou parte do pacote, mas ainda há medidas a serem analisadas.


A mensagem de Lula destaca o resultado fiscal de 2024, “o sexto maior ajuste fiscal do mundo, o terceiro maior entre países emergentes.”


No ano passado, o déficit atingiu 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) - ou 0,4% do PIB, se forem considerados os gastos com a calamidade do Rio Grande do Sul. Mesmo esse número mais elevado é “um dos melhores da década”, informa.


O presidente afirma que mesma condução implementada em 2024 prosseguirá em 2025, com o acionamento das medidas disponíveis para ajustar as contas, como bloqueios e contingenciamentos de despesas.


Integrantes da área econômica têm repetido que, sendo necessário, novas medidas de ajuste serão acionadas. O próprio Lula sinalizou nessa direção, para em seguida dizer que não é esse seu desejo.


A mensagem presidencial é focada no atingimento das metas de resultado primário. Esse, porém, não é o indicador mais considerado pelos especialistas em contas públicas. As atenções estão mais voltadas para a dívida pública, cuja tendência é de alta no curto prazo. O aumento das taxas de juros básicas e a instabilidade no cenário externo tornam esse quadro ainda mais difícil.


Além disso, analistas enxergam riscos à frente. O principal é a proposta de isentar do Imposto de Renda as pessoas com renda de até R$ 5 mil. Embora o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tenha afirmado que a proposta não trará ganho nem perda de receitas, não é possível garantir que o equilíbrio seja mantido pelo Congresso Nacional.


A recente queda nas avaliações positivas do governo acendeu outro sinal de alerta entre os especialistas: o risco de serem adotadas políticas novas com aumento nas despesas.


A mensagem de Lula descreve resultados de uma política fiscal que tem sido praticada a duras penas, graças a medidas impopulares aprovadas por deputados e senadores. A relação do governo com o Congresso Nacional nos próximos meses, a começar com a questão das emendas ao orçamento, dirá muito sobre o futuro dela.


 


ESTADÃO: CONGRESSO SOB NOVA DIREÇÃO DEVE DEIXAR PROJETOS FISCAIS PARA O PLANALTO- 4/2


Com o Congresso Nacional sob novo comando, após as eleições de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para a presidência do Senado e de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a Câmara, no sábado, o consenso entre deputados e senadores é o de que há pouco espaço para a votação de projetos fiscais de autoria das duas Casas, em meio ao impasse sobre as emendas parlamentares.


Assim, iniciativas para melhorar a confiança nas contas públicas dependerão exclusivamente do Executivo, que ainda não dá sinais de que vai enviar novas propostas após a aprovação do pacote do Ministério da Fazenda, em dezembro. A fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada, de que, se depender dele, não tem ajuste fiscal, foi lembrada por parlamentares como uma sinalização ruim por parte do governo.


O entendimento é de que cortar gastos é uma pauta impopular, e o Congresso não será “mais realista do que o rei” nesse assunto. Para o senador Marcos Rogério (PL-RO), da oposição, o governo está se perdendo na pauta econômica, e não pode culpar o Congresso, que tem sido “generoso”. “O problema do governo não é o Parlamento. Este parlamento tem sido até muito generoso com o governo. O problema do governo é o próprio governo.”


A agenda mais urgente do Congresso na economia passa pela aprovação do Orçamento de 2025, que deveria ter sido votado no final de 2024. Além disso, consta na lista de prioridades a conclusão do segundo projeto de regulamentação da reforma tributária, que precisa ser votado no Senado, e a apreciação da proposta de mudança do Imposto de Renda, com a isenção até o limite de R$ 5 mil.


Em reunião ministerial no dia 20 de janeiro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou uma lista com 25 itens que serão prioritários para este e para o próximo ano. Há nela itens que dependeriam do Congresso, como a reforma da Previdência dos militares e a limitação aos supersalários nos Poderes (mais informações em quadro ao lado).


PRIORIDADE. Segundo o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), a agenda econômica é prioridade, mas o governo, antes de pensar em novas medidas de ajuste fiscal, quer esperar para ver os efeitos do pacote aprovado em dezembro. Ele disse que organizou em sua casa um encontro entre Haddad e Alcolumbre para falar das prioridades da equipe econômica.


“A nossa agenda no Congresso é a agenda econômica. O ministro Haddad tem um tripé que conduz a política econômica, que passa pela responsabilidade fiscal, a melhoria do ambiente de negócios e a agenda de transição ecológica. Vamos continuar com essas pautas”, afirmou Randolfe.


Para voltar a tramitar no Congresso, a pauta econômica terá que superar um impasse: as emendas parlamentares, que estão na mira do Supremo Tribunal Federal (STF) devido à falta de transparência.


As lideranças do governo sabem que será preciso superar a questão. “A ideia é fazermos uma concertação entre os novos presidentes (Motta e Alcolumbre), o Supremo e o Executivo (sobre as emendas). Estou muito confiante que faremos um acordo que preserve a transparência, a lisura e tudo aquilo que foi colocado”, afirmou o líder do governo, José Guimarães (PT-CE). (Alvaro Gribel.


 


ESTADÃO: A AGENDA ECONÔMICA DE HADDAD PARA 2025 E 2026 – 4/2


Fortalecimento do arcabouço fiscal, para assegurar expansão sustentável do PIB, desemprego e inflação baixos e estabilidade da dívida.


Início da implantação da reforma tributária sobre o consumo.


Regulamentação da reforma tributária: Lei de Gestão e Administração do IBS, Fundos e Imposto Seletivo.


Reforma tributária sobre a renda com isenção para quem ganha até R$ 5 mil e tributação sobre milionários.


Limitação dos supersalários do funcionalismo.


Reforma da Previdência dos militares.


Projeto de lei da conformidade tributária e aduaneira, com valorização do bom contribuinte e responsabilização do devedor contumaz.


Nova Lei de Falências.


Fortalecimento da proteção a investidores no mercado de capitais.


Consolidação legal das infraestruturas do mercado financeiro.


Resolução bancária.


Mercado de crédito: execução extrajudicial, consignado do E-Social, uso de pagamentos eletrônicos como garantia para empresas e ampliação de garantias em operações de crédito (open asset).


Regulamentação econômica das Big Techs.


Modernização do marco legal de preços de medicamentos.


Pé-de-Meia: permissão ao aluno investir em poupança ou títulos do Tesouro.


Modernização do regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos e das parcerias público-privadas (PPPs).


Nova emissão de títulos sustentáveis, trazendo recursos ao Fundo Clima Avanço na implantação do mercado

de carbono (governança e decreto regulamentador).


Novos leilões do EcoInvest (programa do Tesouro para atrair recursos para projetos ambientais).


Compra pública com conteúdo nacional e programa de desafios tecnológicos para a transformação ecológica.


Estruturação do Fundo Internacional de Florestas Conclusão da taxonomia sustentável brasileira.


Política de atração de datacenter e Marco Legal da Inteligência Artificial.


Plano Safra e Renovagro: aprimoramento dos critérios de sustentabilidade.


Concluir o mapa de investimentos sustentáveis na BIP (Plataforma de Investimentos para a Transformação Ecológica no Brasil


 


Motta define pauta leve para a primeira semana e anuncia regras para evitar votação a toque de caixa / Líderes elegeram o deputado com a promessa de previsibilidade para pauta de votação- O Globo 3/2


Victoria Abel


O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), definiu uma lista com ao menos seis propostas para serem votadas entre terça e quarta-feira. Os projetos e medidas provisórias são de consenso entre os deputados, de acordo com os líderes que participaram da reunião. Motta ainda propôs aos parlamentares que haja ao menos uma sessão obrigatoriamente presencial toda semana, que o início das sessões ocorra sempre as 16h e que as matérias em pauta tenham seus relatórios apresentados até a sexta-feira anterior a votação.


O ritmo acelerado do ex-presidente Arthur Lira (PP-AL) para tocar as pautas em plenário, sem passar por comissões temáticas, e com relatórios divulgados em cima da hora, incomodou parlamentares da esquerda à direita. Virou praxe para Lira discutir com os líderes de partidos projetos que eles avaliavam como relevantes nas manhãs de terça-feira e, muitas vezes no mesmo dia, à noite, levar a proposta diretamente para votação em plenário.


— Essa semana é um pauta tranquila, de acordo. Vamos fazer uma nova reunião de lideres na quarta, para definir a pauta da próxima semana e outros procedimentos, quando teremos mais novidades. A partir dai, colocarmos em prática aquilo que prometemos, que é a previsibilidade, o planejamento das sessões, que é o que a Casa expressou nas reuniões que tive — afirmou o presidente da Câmara.


Entre as propostas pautadas para votação amanhã, está uma medida provisória que abre crédito extraordinário para o Ministério de Desenvolvimento Social, no valor de R$5,1 bilhões, e outra que abre crédito de R$1,6 bilhões para o Ministério da Agricultura. Na quarta, devem ser pautados os projetos que: Institui a Política de Acolhimento e Manejo de Animais Resgatados; e Institui a Política Nacional de Diagnóstico e Combate. Também deve haver votação na quinta-feira, de projetos de acordos internacionais.


— Essa história de pauta em cima da hora, sem ter relatório pronto, sem sabermos. Só entra em pauta propostas com relatórios prontos. Isso ajuda muito — disse o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ).


Ainda pode ser discutido e votado nesta semana uma proposta que dá crédito tributário para exportações feitas por empresários inscritos no Simples Nacional, projeto do Acredita Exportação. Também foi incluída na lista de discussão uma proposta que revoga por completo do decreto que criou as leis trabalhistas (CLT) em 1943. A justificativa é de que o mesmo texto já consta na Constituição de 1988.


— Eu propus ainda um projeto mais firme, que é a discussão do sistema distrital misto, que será levado para a reunião de quarta-feira — disse o líder do PSD, Antonio Brito (BA).


Ao longo desta semana e da próxima, o líderes também irão debater junto com o presidente Motta a composição das presidências das comissões. A previsão é que os colegiados sejam instalados antes do carnaval.


Em gestão de Hugo, líderes propõem votação presencial obrigatória na Câmara / Ideia é que deputados discutam projetos presencialmente ao menos uma vez na semana- CnnBrasil 3/2


Rebeca Borges / Emilly Behnke


Líderes partidários da Câmara dos Deputados realizaram, nesta segunda-feira (3), a primeira reunião do colegiado sob a condução de Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente eleito no último sábado (1º).


Durante o encontro, os deputados discutiram propostas para aumentar a previsibilidade da pauta e melhorar a organização das votações de plenário. Essa foi uma das maiores promessas de Hugo ao longo da campanha à presidência da Casa.


Entre as sugestões apresentadas nesta segunda, está a exigência de votações presenciais durante as sessões de quarta-feira. Se a ideia for concretizada, os deputados não poderão registrar presença e votos pelo aplicativo InfoLeg, e a análise da pauta deverá ocorrer de forma presencial.


O objetivo é garantir que as discussões ocorram com a Casa cheia. Os deputados também propuseram que as sessões tenham início pontualmente às 16h. Segundo os líderes, haverá outra reunião nesta quarta-feira (5) para bater o martelo sobre as propostas.


“Quarta-feira a gente deve aprovar o procedimento geral. Vamos consultar as bancadas, mas é meio que um consenso”, afirmou o deputado Antônio Brito (PSD-BA), líder do PSD. Outra proposta foi de que a pauta do plenário seja decidida ao menos oito dias antes da votação, e que os relatórios sejam divulgados com antecedência.


A ideia é realizar reuniões de líderes toda quinta-feira, no Colégio de Líderes da Câmara dos Deputados. Na gestão de Arthur Lira (PP-AL) à frente da Câmara, as reuniões de líderes ocorriam às terças-feiras, na Residência Oficial da presidência.


“Primeiro ponto: previsibilidade de pauta. Todos os líderes chegaram a um consenso de que tem que ter. Segundo ponto, a necessidade das pautas serem publicadas antes. Terceiro, o plenário passará a ter presença física pelo menos quatro horas por semana, ou até mesmo oito. Nas quartas-feiras e terças das 16h às 20h. A ideia é manter o sistema presencial até as 20h. A partir das 20h, passa a ser Infoleg. Foram ideias que foram trazidas”, explicou Brito.


A primeira sessão deliberativa do ano foi marcada para essa terça-feira (4). Os deputados devem votar duas medidas provisórias que abrem crédito extraordinário.


Na quarta-feira, a pauta deve conter dois projetos. Um deles cria a Política de Acolhimento e Manejo de Animais Resgatados. O outro institui a Política Nacional de Diagnóstico e Combate ao Papilomavírus Humano (HPV) através do teste molecular PCR. Na quinta, o plenário deve analisar acordos internacionais.


Hugo Motta iniciou o mandato no sábado com a promessa de “virar a página” e fazer mudanças nos processos da Casa.


Em contraponto às práticas de Arthur Lira, criticadas por deputados nos últimos anos, Motta prometeu dar previsibilidade à pauta, fortalecer as comissões temáticas, diversificar a indicação de relatores e antecipar as definições de sessões remotas.


Na avaliação dos líderes, Motta sinalizou que as promessas serão cumpridas. “A manutenção do discurso da campanha foi espetacular, porque realmente garante previsibilidade na pauta”, afirmou a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA).


O pedido por uma pauta mais previsível foi feito a Motta por diversos deputados ao longo da campanha à presidência. “ Avalio a reunião como muito produtiva. Acho que vai ter uma mudança para melhor. Ter previsibilidade na pauta. O plenário estava muito esvaziado. É uma forma de prestigiar o plenário e o debate político”, disse o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), após a reunião.


 


FONTES: LULA INDICA A ALCOLUMBRE QUE APROVARÁ PESQUISAS SOBRE EXPLORAÇÃO NA MARGEM EQUATORIAL- Broadcast 3/2


Por Sofia Aguiar e Gabriel Hirabahasi


Brasília, 03/02/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que o governo deve destravar em breve estudos sobre exploração de petróleo na Margem Equatorial, apurou o Broadcast Político.


Os dois conversaram brevemente sobre o assunto nesta segunda-feira, 3, no encontro que tiveram no Palácio do Planalto junto do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).


O Amapá, Estado de Davi Alcolumbre, é um dos principais beneficiados com a exploração de petróleo na Bacia da Foz do Rio Amazonas. O senador já declarou em diversas oportunidades o desejo de ver avançar o projeto na região.


Na semana passada, o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, disse não ser possível prever o prazo para a análise conclusiva do pedido para perfuração na Margem Equatorial. Segundo ele, a Petrobras apresentou um novo pedido em dezembro e ele estava sendo analisado pela equipe do Ibama.


"O plano se baseia em uma nova base de atendimento que está sendo construída e que, segundo a companhia, deverá ser inaugurada no final de março", disse Agostinho ao Broadcast.


O Broadcast mostrou que a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, teve reunião na última quarta-feira no Palácio do Planalto, em Brasília, para tratar da exploração da Margem Equatorial pela Petrobras. Além dela e de Agostinho, participaram os ministros Rui Costa (Casa Civil), Marina Silva (Meio Ambiente), integrantes do Ministério de Minas e Energia e o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan.


 


STF e Congresso pregam harmonia e relação franca, mas mantêm desconfianças / Barroso, Alcolumbre e Hugo Motta reforçam troca de recados, e embate sobre emendas ronda relação entre Poderes- Folha SP 4/2


Os chefes do Legislativo e do Judiciário pregaram harmonia e relação franca entre os Poderes nesta segunda-feira (3), data que marcou a retomada dos trabalhos no Congresso Nacional e no STF (Supremo Tribunal Federal) em 2025, mas mantiveram uma troca de recados indicando a relação de desconfiança entre as instituições após a mudança na cúpula do Parlamento.


As falas dos presidentes Luís Roberto Barroso (STF), Davi Alcolumbre (Senado) e Hugo Motta (Câmara dos Deputados) foram mais um capítulo do embate que tem marcado a relação entre o Legislativo e o Judiciário nos últimos meses em torno das emendas parlamentares.


Alcolumbre afirmou que o Congresso não pode ser "cerceado", Motta citou "respeito às competências" dos Poderes e Barroso, por sua vez, falou em "conversa direta, aberta e franca".


A presença dos ministros do STF Alexandre Moraes e Gilmar Mendes, além do presidente do STF, na solenidade do Congresso foi encarada como abertura de canal de diálogo em busca de uma solução para o impasse das emendas. Os dois magistrados se sentaram na primeira fileira.


O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), disse que Motta (Republicanos-PB) informou que pretende procurar o ministro Flávio Dino, relator de ações que discutem as emendas no STF.


Na mensagem enviada pelo Palácio do Planalto ao Congresso, o presidente Lula (PT) também falou em harmonia e que, em 2025, o Executivo planeja reforçar o diálogo institucional com o Legislativo para alinhar planos de ação em prol do desenvolvimento sustentável do país, estratégia que "inclui direcionar as emendas parlamentares para projetos que sejam prioritários".


"Essa abordagem não só agilizará a implementação das emendas parlamentares, mas também respeitará a autonomia dos Poderes, mantendo a legitimidade, a transparência e a capacidade de rastreamento das ações, levando em conta a obrigatoriedade das emendas e seu papel vital em distribuir os recursos públicos por uma ampla variedade de municípios no Brasil", disse o texto presidencial.


Em sessão de abertura do ano legislativo no Congresso Nacional, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (à dir.), o presidente da Câmara, Hugo Motta (centro), e o presidente do STF, Luís Roberto Barroso (de costas, à esq.) - Pedro Ladeira/Folhapress


Eleito com os votos de 73 dos 81 senadores para presidir o Senado no biênio 2025-2026, Alcolumbre (União Brasil-AP) disse que "a recente controvérsia sobre emendas parlamentares ao Orçamento ilustra a necessidade de respeito mútuo e diálogo contínuo".


"As decisões do Supremo Tribunal Federal devem ser respeitadas, mas é igualmente indispensável garantir que este Parlamento não seja cerceado em sua função primordial de legislar e representar os interesses do povo brasileiro, inclusive, levando recursos e investimentos à sua região."


Mesmo pregando harmonia com o Executivo e o Judiciário, Alcolumbre defendeu que o Congresso "seja a base de todas as decisões" por representar os eleitores e acrescentou que um Legislativo forte é "indispensável" à estabilidade democrática.


"Vamos trabalhar em harmonia com o Executivo e o Judiciário, mas sempre garantindo que a voz do povo, representada aqui neste Parlamento, seja a base de todas as decisões", disse.


"O Executivo, o Legislativo e o Judiciário não são adversários; são pilares que sustentam a nação. Conclamo à harmonia e ao equilíbrio, pois somente assim resguardaremos os direitos e as prerrogativas constitucionais do Congresso Nacional."


Motta reforçou nesta segunda o discurso de harmonia e independência entre os Poderes que tem feito desde a eleição, no sábado (1º). Ele foi escolhido para comandar a Câmara nos próximos dois anos com o apoio de 444 dos 513 deputados federais.


O presidente da Câmara disse que o Brasil está no caminho certo, que vai trabalhar em sintonia com o Senado e que são "dias seguros na política", com temperança, equilíbrio, sobriedade e diálogo.


"Essa independência e harmonia pressupõe o desvelo obstinado no cumprimento das atribuições constitucionais e o respeito às competências dos demais Poderes, norteado sempre pelo interesse público", afirmou.


Em agosto do ano passado, o ministro Flávio Dino determinou que o governo federal suspendesse o pagamento das emendas parlamentares até que o Congresso desse mais transparência e rastreabilidade à distribuição do dinheiro.


Conversa direta


Barroso defendeu a corte e afirmou que não há necessidade de recados entre ele e representantes dos outros Poderes porque a conversa será direta, aberta e franca.


"Alguém me perguntou na entrada se eu havia recebido um recado, ou compreendido um recado. A primeira coisa que me ocorreu foi: entre nós não há necessidade de recados, nós temos conversa direta, aberta e franca de pessoas que se querem bem, que se ajudam e que, quando eventualmente divergirem, vamos ser capazes de sentar em uma mesa institucionalmente e absorvermos a divergência", disse.


A declaração de Barroso foi dada durante a abertura do ano legislativo, com o plenário da Câmara dos Deputados lotado de parlamentares, dois dias depois de os novos presidentes do Congresso darem recados ao STF.


Mais cedo, durante a abertura do ano judiciário no plenário do STF, Barroso fez um discurso de união entre os três Poderes e disse enxergar o Judiciário como imune às paixões políticas. De acordo com ele, as decisões de magistrados têm potencial de dividir a sociedade e, por isso, é natural que gerem insatisfação.


"Todas as democracias reservam uma parcela de poder para ser exercida por agentes públicos que não são eleitos pelo voto popular, para que permaneçam imunes às paixões políticas de cada momento. O título de legitimidade desses agentes é a formação técnica e a imparcialidade na interpretação da Constituição e das leis", disse.


Pela manhã, Lula recebeu a dupla Alcolumbre e Motta no Palácio do Planalto ao lado dos líderes do governo e dos ministros Rui Costa (Casa Civil), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social) e Márcio Macêdo (Secretaria-Geral).


Uma parte do encontro foi aberta à imprensa. Questionado depois por jornalistas sobre o papel de Alcolumbre e Motta na reforma ministerial, Padilha afirmou que o tema ainda não foi tratado por Lula, mas disse que os dois têm influência em seus partidos.


O ministro disse ainda que o imbróglio das emendas parlamentares —tema colocado como prioridade pelos dois eleitos no sábado— não foi discutido.


Victoria Azevedo , Catia Seabra , Renato Machado , Thaísa Oliveira e Ana Pompeu


Para Centrão, Lula buscou mostrar realinhamento ao transmitir encontro com Motta e Alcolumbre / A primeira reunião dos três chefes de Poder foi aberta à imprensa e deputados do Centrão avaliaram que a decisão de fazer uma transmissão do encontro tinha como objetivo passar uma imagem de aproximação e de melhora do ambiente político- Valor 3/2


Marcelo Ribeiro / Murillo Camarotto


O primeiro encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já repercute entre parlamentares do Centrão, que viram uma tentativa do mandatário em mostrar uma perspectiva de melhora do ambiente político e promessa de uma interlocução mais estratégica com a cúpula do Legislativo e lideranças das duas Casas.


Horas após a primeira reunião dos três chefes de Poder, que contou com a presença de ministros e lideranças do governo no Congresso e foi aberta à imprensa, deputados do Centrão avaliaram que a decisão de fazer uma transmissão do encontro tinha como objetivo fazer a fotografia deles juntos e passar a imagem de realinhamento de expectativas, de aproximação e de melhora do ambiente político.


A reunião ocorre em meio à expectativa de Lula promover mudanças no primeiro escalão para contemplar partidos de centro e, consequentemente, ter melhores condições para governar e para emplacar propostas no Legislativo.


Outro aceno destacado por lideranças do bloco do qual legendas de Motta e Alcolumbre fazem parte foi a indicação, em mais de uma oportunidade, de que o Executivo pretende apresentar projeto por projeto à cúpula do Congresso e a líderes partidários antes de encaminha-los para o objetivo. Com isso, apenas o que tivesse a anuência de deputados e senadores seria enviado para o Parlamento.


Nos dois primeiros anos, isso não ocorreu, o que gerou insatisfação do entorno do então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).


Apesar do gesto, deputados do bloco operam em compasso de espera e com desconfiança. “Não basta a palavra. É preciso ações concretas. Só depois disso, o governo ganhará um pouco de credibilidade”, pontuou um interlocutor de Lira.


Bancos dizem a Lula que, sem teto de juros no consignado privado, podem atuar sem garantia do FGTS / Febraban apresentou pleitos sobre novo modelo de empréstimo consignado privado via plataforma e-Social em reunião no Palácio do Planalto; veja demandas- Estadão 4/2


Por Alvaro Gribel e Mariana Carneiro


BRASÍLIA – O setor financeiro afirmou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em reunião no Palácio do Planalto na última quinta-feira, 29, que pode atuar sem a garantia do FGTS caso o governo não estabeleça um teto de juros na remodelagem do crédito privado consignado. O pleito consta em um documento apresentado pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) a Lula e à equipe econômica, ao qual o Estadão teve acesso.


Procurada, a entidade confirmou a veracidade do texto. Já os ministérios da Fazenda e do Trabalho e Emprego (MTE) não quiseram comentar.


O governo prepara um novo modelo de consignado privado no qual os bancos terão acesso às informações dos trabalhadores por meio da plataforma e-Social, não precisando mais ser dependentes de convênios feitos empresa a empresa para emprestar. Com isso, os trabalhadores poderão receber ofertas de várias instituições, porque haverá mais competição, enquanto os bancos terão acesso a uma base maior de clientes.


O teto de juros é a principal preocupação dos bancos – tanto público quanto privados – com as mudanças, porque temem que o governo siga o mesmo modelo do consignado para aposentados do INSS e servidores públicos, que hoje possuem um teto de juros de 1,8% ao mês.


O entendimento das instituições financeiras é de que o mercado de trabalho formal privado tem outra modelagem de risco e que o teto poderia afastar do acesso ao crédito justamente as parcelas da população que mais precisam.


“Caso venha a ser implementado o teto, há risco de os bancos não terem apetite para conceder o novo consignado a trabalhadores de menor renda, de primeiro emprego e com vínculo com empregadores de menor porte ou de maior rotatividade”, afirma a Febraban.


A entidade complementa que, com o teto, seria necessário ter a garantia do FGTS. “No caso de teto de juros, a garantia do FGTS será fundamental para expandir a oferta ao público de maior risco ou rotatividade. Sem teto de juros, os bancos poderiam atuar sem a garantia do FGTS”, dizem.


Auxiliares de Lula nos bancos estatais almejam que a taxa desta nova linha de crédito fique próxima à do consignado do setor público. Eles são contra o teto de juros, mas entendem que o saldo FGTS possa ser dado como garantia a fim de contribuir para que os juros fiquem abaixo de 2% ao mês.


O governo vê resistência dos bancos em usar o FGTS como garantia, uma vez que os recursos são os mesmos utilizados para a linha do saque-aniversário, operação de crédito que ganhou popularidade nos últimos anos e é lucrativa para os bancos. A linha, no entanto, está na mira do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que deseja acabar com a modalidade.


Uma solução intermediária que vem sendo debatida entre o setor financeiro e o governo seria limitar o número de anos que poderiam ser antecipados como garantia do empréstimo.


O saque aniversário permite que os trabalhadores formais possam sacar, uma vez por ano, uma parcela do saldo que possuem no FGTS. A antecipação do saque, por sua vez, é uma modalidade de empréstimo concedida pelos bancos, que antecipam os recursos por meio de cobrança de juros e tendo o saque como garantia. Hoje, há bancos fornecendo linhas com até dez anos de antecipação de saque.


A reunião da última quinta-feira, no entanto, não tratou do FGTS. Além do presidente Lula, o encontro contou com o presidente da Febraban, Isaac Sidney, com CEOs de bancos privados, públicos, além de Marinho e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.


“Nós vamos ter uma ferramenta muito eficiente para permitir a famílias que hoje não têm acesso ao crédito barato, um mecanismo que hoje só está disponível para aposentados e servidores públicos ou daquelas poucas empresas que têm convênios com os bancos para os seus trabalhadores especificamente”, afirmou Haddad após a reunião.


Acesso pelo aplicativo dos bancos


A Febraban também fez outros dois pedidos considerados como determinantes para o sucesso da remodelagem do consignado privado.


Primeiro, que a plataforma do e-Social, a ser criada pela Fazenda, para que os bancos tenham acesso às informações dos trabalhadores, possa ser acessada diretamente pelos aplicativos dos bancos. Há o receio de que os clientes simplesmente desistam de completar o processo por terem de entrar em um site do governo. Além disso, há a preocupação com links falsos que possam levar a um aumento de crimes e fraudes.


“Além da plataforma e-Social, poderia ser ofertada também nos canais próprios das instituições financeiras, uma vez que são os principais canais de oferta de crédito e já possuem jornadas bastante evoluídas para atender clientes e evitar fraudes”, diz a Febraban.


Segundo, que ocorra um período de transição, para que as instituições financeiras consigam migrar clientes que hoje estão com dívidas caras para as novas linhas de consignado.


“Regra de transição: para viabilizar a migração da carteira atual do crédito consignado privado para o novo modelo, a fim de evitar concessão em duplicidade/endividamento acima do permitido legalmente (30%)”, completa o texto.


Consignado privado não decola


Segundo a apresentação da Febraban, o crédito consignado privado tem um saldo total de apenas R$ 40 bilhões no País – muito abaixo do consignado para o setor público, de R$ 365 bilhões, e para aposentados e pensionistas do INSS, de R$ 270 bilhões.


Hoje, segundo a apresentação, há R$ 83 bilhões de estoque de crédito pessoal contratado por pessoas físicas empregadas e que não tem garantia do consignado. Esse é o montante inicial que poderia migrar para o consignado. Se por um lado não representaria “crédito novo”, por outro, tornaria mais barato o custo para os clientes e o risco de inadimplência para os bancos.


Portanto, a conta apresentada pela Febraban, de aumento do crédito consignado privado de R$ 40 bilhões para R$ 120 bilhões, é considerada “conservadora” e leva em conta apenas essa migração.


A inadimplência do consignado do INSS é de apenas 1,6%, e a dos servidores do setor público, de 2,2% –consideradas baixas pela Febraban. Já a do consignado do setor privado atual salta para 7,4%, avaliada como alta.


A remodelagem do produto poderia diminuir o risco de inadimplência, melhorando a carteira dos bancos e a composição de renda das famílias.


Quatro pontos da Febraban


Veja abaixo os quatro pontos considerados determinantes pela Febraban para destravar o crédito consignado privado:


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Integração da plataforma que será criada pelo governo para operacionalizar as linhas com os aplicativos dos bancos, sem que o cliente precise acessar outro site. Há receio de risco de fraudes e que isso dificulte o acesso.

Não implementação de um teto para taxa de juros das linhas, como acontece com o consignado do INSS e dos servidores públicos federais.

Em caso de teto de juros, que haja o uso do saldo do FGTS como garantia, para quitar empréstimos, em caso de demissão. Hoje, já é permitido uso de 10% do saldo e de 100% da multa.

Implementação de regras de transição, para que os bancos consigam migrar clientes que estão hoje no crédito pessoal comum para o crédito consignado.

 


Produção de petróleo e gás da Petrobras cai 3,8% em 2024 / Vendas de combustíveis têm queda de 1,4% no passado, com recuo em gasolina e diesel- O Globo 3/2


Bruno Rosa


A produção de petróleo e gás comercial da Petrobras em 2024 chegou a 2,352 milhões de barris de óleo e gás por dia (boed). O número representa uma queda de 3,8% em relação ao mesmo período do ano passado. O recuo foi puxado pelas paradas para manutenção em campos do pré-sal no fim do ano passado e o declínio natural dos campos do pós-sal, com queda de 20%.


Apesar da queda, a estatal disse que manteve sua meta de produção estabelecida em seu plano de negócios. Além disso, a Petrobras destacou que estabeleceu novos recordes anuais de produção total própria e operada no pré-sal, com 2,2 milhões de boed, respondendo por 81% da produção total da companhia em 2024. No ano passado, a produção no pré-sal teve alta de 0,4%.


Já a produção total operada pela estatal, o que inclui a parte dos sócios nos campos, somou 3,815 boed, uma queda de 1,3% na comparação anual.


"A produção no pré-sal foi recorde em 2024. Antecipamos a entrada em operação do FPSO (navio-pataforma) Maria Quitéria, originalmente previsto para 2025, e, neste início de ano, temos uma novidade, a instalação de um FPSO com capacidade de produção de óleo de 225 Mbpd, o FPSO Almirante Tamandaré, com menores custos e emissões, que tira proveito das características geológicas do pré-sal brasileiro", disse Sylvia dos Anjos, diretora de Exploração & Produção da estatal.


Ela também mostrou otimismo com as novas campanhas de gás. "Destacamos a confirmação de volume recorde de descoberta de gás na Colômbia, ampliando importantes horizontes para o futuro da companhia”, afirmou ela. Em 2024, a produção de gás natural caiu 0,8%.


Vendas têm queda de 1,4% em 2024


O volume total de vendas no mercado interno caiu 1,4% no ano passado, para 1,719 milhão de barris por dia. O resultado foi influenciado pela queda de 4,1% na gasolina e pelo recuo de 2,8% no diesel. Por outro lado, houve alta de 5,8% em querosene de aviação (QAV), nafta (+2,9%) e GLP (+3,9%).


A estatal lembrou que as vendas de diesel recuaram 3,8% no quatro trimestre do ano passado em comparação ao trimestre anterior devido ao menor consumo após o plantio da safra de grãos de verão e à redução da atividade industrial.


Em gás natural, a companhia destacou os efeitos da abertura de mercado e a venda por outras empresas. Segundo a Petrobras, as vendas de gás tiveram queda de 4,1%. Destaque ainda para a redução de 18,8% na importação de gás da Bolívia.


Mas, a venda total de energia elétrica aumentou 24,3%, em função das piores condições hidrológicas que resultaram numa maior necessidade de despacho termelétrico, disse a estatal.


Juros têm queda forte com recuo dos EUA / Acordo entre EUA e México adiou implementação de tarifas; dólar à vista caiu pelo 11º dia- Valor 4/2


Gabriel Caldeira / Maria Fernanda Salinet / Bruna Furlani / Victor Rezende

Temores de uma guerra comercial destravaram a aversão a risco ontem nos mercados globais. O movimento, porém, perdeu força ao longo do dia conforme México - e depois Canadá - ganharam tempo antes da entrada em vigor de novas tarifas comerciais nos Estados Unidos.


Depois de iniciar a sessão em alta pressionados pelas tarifas comerciais contra México, Canadá e China, os juros futuros passaram a cair, à medida em que o mercado voltou a precificar um aperto monetário mais brando no Brasil e passou a ver que a tarifação a produtos vindos do México seria postergada.


Operadores também destacaram que o bom desempenho de ativos - em especial do câmbio - em janeiro abriu espaço para uma redução do prêmio de risco embutido na curva a termo, o que beneficiou, especialmente, os vértices de longo prazo, que fecharam quase 30 pontos-base (0,30 ponto percentual).


Ao fim do pregão, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2026 teve queda de 14,915%, do ajuste anterior, para 14,865%; enquanto a do DI de janeiro de 2031 exibiu forte baixa de 14,675% a 14,39%.


“A mudança sugere que Trump está aberto a atrasar, reverter ou reduzir as tarifas que acabaram de ser anunciadas. Presumivelmente, o mesmo pode ser dito sobre futuras taxas e restrições comerciais. Do ponto de vista de evitar uma desaceleração global, a flexibilidade do presidente em relação aos detalhes com o México pode servir de consolo”, escreveram os estrategistas de renda fixa Ian Lyngen e Vail Hartman, do BMO Capital Markets, em relatório a clientes.


O sobe e desce também marcou os negócios no mercado de câmbio local. O dólar chegou a bater os R$ 5,9048, mas encerrou os negócios com queda de 0,38%, negociado a R$ 5,8153, no menor nível desde 26 de novembro. Foi a 11ª queda consecutiva da moeda americana frente ao real e também a maior sequência desde abril de 2005, de acordo com o Valor Data.


O real acompanhou o movimento externo, em particular a disparada do peso mexicano após o anúncio da presidente Claudia Sheinbaum de que as tarifas seriam adiadas. “Uma mudança que vimos acontecer no fim de janeiro e que também vemos hoje é o retorno da correlação positiva entre o real e as outras moedas emergentes”, diz o chefe da tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, ao observar que, em dezembro, a correlação foi baixa. “Isso significa que a moeda encontrou o seu equilíbrio nos níveis de preço atuais e, agora, anda junto com a oscilação do dólar frente às outras moedas”, completou.


Weigt, inclusive, avalia que o movimento não se mostra somente no movimento da taxa de câmbio, mas também se estende para o desempenho de derivativos relacionados à moeda brasileira. De acordo com ele, a volatilidade implícita de um mês do real subiu de 13,85% na sexta-feira para 14,40% no início da tarde de ontem, enquanto a do peso mexicano está em 16%, já que o México tende a ser o país mais afetado pelas investidas de Trump na questão tarifária.


Depois de iniciar o dia pressionado, o Ibovespa chegou a oscilar com leve viés de alta, mas encerrou a sessão com perdas de 0,13%, aos 125.970 pontos, sem o apoio de ações de blue chips e após notícias de que as tarifas contra produtos do México seriam postergadas.


“Após a posse do novo governo dos EUA, como não houve anúncios e/ou indicações mais incisivas de novas tarifas, o mercado tirou um prêmio de risco considerável desse evento e hoje [ontem] está reprecificando isso”, afirmou o gestor de bolsa macro do fundo ASA Hedge, Diego Chumah.


Em meio ao vaivém de falas de Trump sobre a política tarifária americana, o gestor de ações da Kinea Investimentos, Rafael Oliveira, diz que tem dedicado especial atenção ao que é dito pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que possui “respaldo do mercado”.


Na visão do executivo, Trump deve adotar o mesmo “modus operandi” visto ao longo do primeiro mandato. “É muita bravata e ‘Twitter’. Muita decisão que retrocede 24 horas, 48 horas depois. Há muita volatilidade no mercado”, disse ele.


O gestor da Kinea conta que não fez mudanças na carteira desde a segunda metade do ano passado, quando adotou um portfólio com viés mais defensivo e focado em empresas dolarizadas, mas diz que chegou a se questionar recentemente se não era o momento de fazer uma rotação para ações mais domésticas, que tiveram altas expressivas no mês passado.


“Chegamos a nos questionar, mas achamos que o cenário para a inflação, para o crescimento do PIB e para as expectativas de lucro das empresas é menor do que pensa o mercado. Achamos que tem uma correção para ser feita nas companhias domésticas, especialmente as de consumo”, observa Oliveira, que cita as alocações em Sabesp, Embraer e Copel como as maiores posições.


Já as bolsas americanas fecharam com recuos um pouco maiores do que o Ibovespa, embora tenham diminuído as perdas ao longo do dia. O índice Dow Jones da bolsa de Nova York caiu 0,27%, enquanto o S&P 500 recuou 1,59%. Já o Nasdaq cedeu 1,20%.


O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de outras seis moedas fortes, subia 0,11%, no fim do pregão em Nova York. Ao mesmo tempo, a moeda americana caía 0,90% frente ao dólar canadense, e recuava 1,65% em relação ao peso mexicano no final do dia.


Já os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em dois anos subiam para 4,259%, de 4,216% na sessão anterior. O retorno dos títulos de dez anos do governo americano avançavam a 4,560%, ante 4,541% no último fechamento, depois de apresentarem queda durante boa parte da sessão.


Em nota, Ian Lyngen e Vail Hartman, estrategistas de renda fixa do BMO Capital Markets, observam que a desvalorização dos títulos com vencimento em dois anos reflete a preocupação do mercado de que uma guerra comercial possa dificultar o ciclo de flexibilização de juros pelo Federal Reserve (Fed).


Ambos também notam que a demanda por ativos de longo prazo aumentou, com operadores comprando os títulos com vencimento em dez anos. “O mercado está olhando além do impulso inflacionário de curto prazo das tarifas e começando a considerar o impacto no crescimento global, assim como o que uma desaceleração poderia implicar para as pressões desinflacionárias futuras.”


 


Com recorde de recompras, podem ‘faltar’ ações na bolsa / No ano passado, foram abertos 101 processos desse tipo pelas empresas, quase o triplo de 2023 e o maior patamar desde 2013- Valor 4/2


Nelson Rocco


Os programas de recompra de ações anunciados pelas companhias abertas encerraram 2024 em 101 processos abertos. Esse total representa quase o triplo dos 35 comunicados de recompras informados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pelas empresas no ano anterior. É, disparado, o maior volume desde 2013. Uma das consequências disso é a redução, na B3, do chamado “free-float”, o percentual das ações de uma companhia que está no mercado e não pertence aos controladores. Nesse contexto, há quem acredite que pode haver falta de ações para investir caso a bolsa saia do atual marasmo e volte a subir.


“Na hora que o mercado virar, vão faltar ações”, afirma Christian Keleti, presidente da gestora AlphaKey, apoiado em um estudo próprio usando dados da B3, da agência Bloomberg e dos balanços das empresas. De acordo com ele, a capitalização de mercado do free-float do universo de empresas em que é possível investir na bolsa brasileira diminuiu 13% desde o início de 2022 até o terceiro trimestre de 2024.


Fusões, fechamentos de capital e falências de empresas são fatores que contribuem para esse encolhimento do free-float, mas, nas contas de Keleti, as recompras de ações foram responsáveis por 3 pontos percentuais dessa diminuição. “Se levarmos em conta os comunicados sobre recompra do quarto trimestre, esse percentual deve chegar a 4 ou 5 pontos”, estima o presidente da AlphaKey.


Relatório divulgado há alguns dias pelo Itaú BBA corrobora o enxugamento de papéis na bolsa. Segundo o documento assinado pela equipe de analistas liderada por Daniel Gewehr, o número de processos de recompra no ano passado foi o maior desde 2005. O banco, no entanto, leva em consideração 126 programas. Esses comunicados equivalem a R$ 78,4 bilhões em ações das empresas listadas, a segunda maior marca, perdendo apenas para 2022, quando só a Vale lançou um programa de recompra de R$ 42,1 bilhões. O total daquele ano chegou a R$ 134,7 bilhões.


Para chegar aos cálculos, Keleti separou do universo de pouco mais de 400 companhias com ações negociadas em bolsa apenas as “investíveis”, nas palavras dele, aquelas com capitalização de mercado acima de R$ 300 milhões - o resultado das cotações diárias multiplicado por todas as ações do capital de uma companhia. Esse grupo é representado por 218 empresas, total que era de 254 no início de 2022, data de início das contas de Keleti. “Perdemos quase 40 empresas”, afirma.


Em outros termos, o executivo avalia que o free-float total das companhias que analisa, em média, representa 51% da capitalização de mercado dessas empresas. Isso significa algo em torno de R$ 1,7 trilhão, excluindo-se Petrobras por seu tamanho e características. “Com as recompras, dividendos pagos e a desvalorização das ações, em dois anos e nove meses perdemos R$ 260 bilhões do free-float, de R$ 1,96 trilhão no início de 2022”, calcula.


Ricardo Peretti, estrategista para pessoa física do banco Santander, concorda que as recompras podem levar à falta de ações na bolsa. “Eu não discordo, no sentido de que, nos últimos anos, não tivemos nenhum IPO [oferta inicial de ações, na sigla em inglês] e algumas empresas deslistaram suas ações em bolsa”, complementa. O Santander revisou recentemente suas projeções e é uma das instituições mais otimistas com o desempenho do Ibovespa - o principal índice da B3 - para o final deste ano, com o preço-alvo na faixa de 145 mil pontos, uma valorização de 15,1% na comparação com o fechamento de ontem, com o Ibovespa a 125.970 pontos.


Ele afirma que faz “todo sentido” as empresas recomprarem seus papéis, por dois motivos: reconhecem que seus ativos estão sendo negociados por valores descontados demais e querem passar essa informação aos investidores. “E faz sentido também na alocação de capital.” Ou seja, com a taxa Selic em alta, as empresas não querem tomar riscos tocando outros projetos e avaliam que a melhor opção para investir seus recursos é recomprando os papéis da bolsa.


Segundo Peretti, um dos sintomas dessa escassez de papéis no mercado é o baixo volume de negociações, conhecido pela sigla ADTV. Esse volume médio diário negociado em ações está atualmente na faixa de R$ 23 bilhões. “Mas já estivemos no patamar de R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões”, lembra o estrategista. “O volume teria de aumentar para percebermos a falta [de papéis]. Se ele crescer, poderemos ter novos IPOs”, prevê.


“Realmente, os preços dos papéis estão muito baixos. Pelos fundamentos das companhias, as ações estão muito descontadas”, avalia Gustavo Cruz, estrategista da gestora RB Investimentos. A casa está no grupo dos menos otimistas com o desempenho do Ibovespa neste ano, com estimativas de o índice fechar 2025 na casa dos 135 mil pontos.


Segundo Cruz, as empresas têm ido ao mercado recomprar suas ações exatamente por achar que estão baratas. “Se as empresas veem um desconto muito grande nas cotações, é uma ótima opção de investimento”, afirma.


O estrategista da RB Investimentos aponta quatro fatores que contribuem para que o mercado não deslanche dos atuais níveis de 120 mil pontos do Ibovespa. Segundo ele, os fundos de ações e os multimercados têm tido uma fase de resgates, o que reduz o volume de dinheiro que têm para investir. Além disso, o investidor pessoa física não tem mostrado atração por renda variável local e os mais jovens resolveram apostar em criptomoedas. Como terceiro fator, ele diz que os fundos de pensão têm se voltado para investimentos em renda fixa como forma de cumprir suas obrigações atuariais. E, por último, mas não menos importante, os investidores estrangeiros não estão “interessados em Brasil” ultimamente.


Para suprir a falta de ações para serem negociadas, o estrategista do Santander lembra que as companhias podem elevar a liquidez dos seus papéis sem alterar sua estrutura de capital fazendo um desdobramento das ações. Ou seja, aumenta-se a quantidade de ações numa determinada proporção (com o respectivo ajuste no preço do ativo), sem alterar o valor de mercado da companhia em bolsa. As que planejam mudanças no capital podem lançar mão de uma operação de “follow-on”, uma oferta de ações ao mercado, que poderia ser primária, com aumento do capital da empresa e a entrada de novos recursos, ou secundária, com a venda de ações dos controladores.

Em resumo 0402

 📲 As notícias do Resumo

** Correios diz que “taxa das blusinhas” tirou R$ 2,2 bi da empresa em 2024.

** Rodrigo Pacheco é avisado de que deve assumir o Ministério de Alckmin.

** Canadá reage a Trump e também impõe 25% de tarifa sobre EUA.

** Ontario, maior região do Canadá, rompe contrato com SpaceX, de Elon Musk.

** MicroStrategy não compra Bitcoin na semana depois de 12 semanas seguidas

📣 Saiu negócio!

📻 A família Camargo comprou a rádio Transamérica, expandindo seu portfólio de mídia.

🚚 A Perfin comprou 50% da VirtuGNL por R$ 450 milhões.

🧴 A L’Oréal vendeu sua participação de US$ 3,1 bilhões em ações da Sanofi de volta ao grupo farmacêutico.

🌴 Brasil

🗳 Lula lidera em todos os cenários de primeiro e segundo turnos, mostra pesquisa Genial/Quaest. 

💭 Mas curioso notar ali que um candidato único de direita, que agregue as opções listadas (Tarcísio, Marçal, Gusttavo, Zema e Caiado) superaria Lula.

🛢 A Petrobras registrou queda de 9% na produção do pré-sal, no 4º trimestre. 

💭 E nosso todo poderoso pré-sal eventualmente vai acabar. Por isso a pressão enorme pra extrair da Foz do Amazonas. Ibama no relógio!

⚡️ Aneel mantém bandeira verde em fevereiro, sem cobrança extra. 

🛫 Galeão bate recorde de volume e valores de cargas transportadas em 2024. 

🚜 Do Agro

🔒 A Lavoro anunciou o fechamento de 70 lojas no Brasil após prejuízo milionário.

🏛 Com quatro cargos na mesa da Câmara, bancada do agro espera acelerar projetos.

🌎 Muuundo

🇺🇸 EUA, México e Canadá chegam a acordo preliminar sobre tarifas, que serão adiadas em 30 dias, após concessões de países vizinhos a Trump. 

💭 E está dada a cartilha de Trump: tarifas agressivas do dia pra noite até contra aliados e barganha concessões pra voltar atrás. Preparemo-nos. Nossa hora vai chegar.

🔥 Do Private Equity

💰 A Involves, uma SaaS do trade marketing, captou R$ 70 milhões com a Bridge One e usará os recursos para comprar a Datamind, sua concorrente chilena

BDM Matinal Riscala 0402

 Terça-feira, 4 de Fevereiro de 2025.


O TIRA-TEIMA DA ATA

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


… Os mercados estavam fechados quando Trump confirmou uma pausa de 30 dias na adoção de tarifas para o Canadá, como já havia feito mais cedo com o México. A expectativa agora é para um acordo com a China, após a ameaça do presidente americano de elevar “substancialmente” as tarifas a Pequim, se não houver entendimento. Trump quer conversar com Xi Jinping nas próximas horas. O caso da China, que promete retaliar, pode ser mais difícil. Também a UE avisou que responderá “de maneira decisiva” se for alvo das tarifas de Trump. O risco de uma escalada da guerra comercial não está descartado e deve continuar a orientar os mercados de câmbio. Na agenda, destaque para o relatório Jolts e o balanço da Alphabet nos EUA e aqui, para a ata do Copom, daqui a pouco (8h).


… A maior expectativa é para mais detalhes sobre o balanço de riscos, após o comunicado ter colocado a desaceleração da atividade como fator baixista para a inflação. Esse foi um dos pontos mais citados por quem considerou a mensagem dovish.


… O Copom manteve o balanço de riscos com assimetria altista, mas alterou os dois riscos de baixa para a inflação.


… No comunicado de dezembro, pontuou uma desaceleração da atividade global maior que a esperada e os impactos do aperto monetário sobre a desinflação global se mostrarem mais fortes que o esperado.


… Já no comunicado de janeiro, introduziu uma eventual desaceleração da atividade mais acentuada que a projetada e um cenário menos inflacionário para as economias emergentes, como reflexo de choques sobre o comércio internacional.


… Os economistas do mercado também esperam mais considerações do BC sobre a trajetória de elevação da taxa Selic, se há limites para combater a desancoragem das expectativas por meio dos juros e se há preocupações adicionais do Comitê.


… “O mercado quer ver se o Copom segue preocupado em combater a aceleração na inflação e a desancoragem das expectativas ou se há novos pontos de preocupação que justificariam um BC menos duro daqui para frente”, disse Danilo Passos (WHG) ao Broadcast.


… O economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio de Souza Leal, também espera mais detalhes sobre os novos pontos de atenção do BC, em especial, sobre o impacto que o nível elevado de juros pode ter sobre a atividade econômica.


… Já para Alvaro Frasson (BTG) seria importante o Banco Central corrigir na ata o pouco destaque que o comunicado deu à deterioração das expectativas de inflação, que continuaram piorando na pesquisa Focus desta 2ªF (leia abaixo).


… Após o Copom de janeiro, a ampla maioria do mercado espera mais uma elevação da Selic na reunião de março, com alta de 1,00 ponto porcentual, para 14,25%, em linha com o guidance do BC. Este é o cenário base de todas as 49 casas consultadas pela AE.


… A mediana indica a taxa a 14,75% na reunião de maio, encontro que permanece sem indicações futuras da autoridade monetária, e a estimativa intermediária para junho subiu de 15% para 15,25%, mesma estimativa para a reunião de julho.


… A estimativa intermediária para o juro básico ao final de 2025 manteve-se em 15% e as projeções variam de 12,25% a 16,25%.


… Já a mediana para o 3Tri/2026, atual horizonte relevante da política monetária, subiu para 13,13%, entre 10,75% e 15,25%.


PETROBRAS – Os ADRs da estatal exibiram leve alta de 0,20% após o fechamento, apesar de o relatório do 4Tri ter apontado nova queda relevante, de 10,5%, na produção de óleo e gás na comparação com um ano antes.


… O volume médio produzido foi de 2,628 milhões de barris diários (boed) de óleo equivalente.


… Na comparação com o 3Tri, a queda foi de 2,1%, devido ao maior número de paradas de manutenção, que foram compensadas apenas em parte pela entrada em operação de novos navios-plataforma no pré-sal.


… Apesar dos números frustrantes, a piora nas receitas da Petrobras, a ser divulgada dentro do balanço trimestral no fim do mês (dia 26), será atenuada pela melhora na venda de derivados, especialmente gasolina.


… O volume total de vendas de derivados no mercado interno registrou alta anualizada de 1,4% no 4Tri, para 1,758 milhões de barris por dia (Mbpd), com crescimento de 6,1% na gasolina, para 432 mil bpd.


 … Embora o relatório da noite de ontem não tenha empolgado, a Petrobras atingiu dois recordes em 2024.


… A produção total operada no pré-sal atingiu 3,23 milhões de boed, superando a marca de 3,15 milhões de boed de 2023. Além disso, a produção própria no pré-sal também foi recorde: 2,19 milhões de boed.


… Outro assunto que está no radar do investidor em relação à Petrobras é a indicação de Lula, feita ontem a Alcolumbre, de que o governo deve destravar em breve estudos sobre exploração na Margem Equatorial.


… A notícia, ainda não oficial, foi antecipada por Lauro Jardim/O Globo.


… O Amapá, Estado de Alcolumbre, é um dos principais beneficiados com a exploração de petróleo na Bacia da Foz do Rio Amazonas. O senador já declarou em diversas oportunidades o desejo de ver avançar o projeto.


MAIS AGENDA – O dia começa com o IPC-Fipe (5h), que deve desacelerar para 0,28% em janeiro, contra 0,34% em dezembro, segundo a mediana de pesquisa Broadcast. Sem horário, saem os dados de janeiro da Fenabrave.


… À tarde (15h30), o Tesouro publica o Relatório da Dívida de 2024 e o Plano Anual de Financiamento de 2025.


LÁ FORA – Na preparação para o payroll, na 6ªF, o relatório Jolts de vagas abertas nos EUA em dezembro (12h) deve mostrar um recuo discreto, a 8,02 milhões de postos, contra 8,09 milhões em novembro.


… As encomendas à indústria (12h) devem reduzir o ritmo de queda à metade, para 0,2% em dezembro, de 0,4% em novembro. Três Fed boys falam: Raphael Bostic (13h), Mary Daly (16h30) e Philip Jefferson (21h30).


… Após o fechamento, Austan Goolsbee disse que as políticas de Trump podem desacelerar os cortes de juros.


… “Agora temos de ser um pouco mais cuidadosos e prudentes com relação à velocidade com que as taxas do Fed podem cair, porque há riscos de que a inflação comece a subir novamente”, alertou em programa de rádio.


ARRIBA! – Sem parada para tomar fôlego, o real completou ontem onze pregões consecutivos em alta, na sequência de valorização mais longa em 20 anos, diante da tática de negociação de Trump de dar mais tempo ao México.


… Poupado até agora do protecionismo de Washington, o Brasil surge como opção para quem foge da instabilidade do peso mexicano e ainda tem tido a oportunidade de ampliar vendas à China, que já é nosso maior parceiro.


… Mais do que tudo isso, o alívio do dólar por aqui tem respondido ao fluxo positivo de capital estrangeiro, tanto em direção a ativos considerados baratos na bolsa doméstica, como atraído pelas taxas elevadas da renda fixa.


… Desde que o ano começou, a moeda americana já caiu quase 6%, consolidando-se abaixo dos R$ 6.


… Num primeiro momento, os ruídos de Trump sobre a imposição das tarifas pelos EUA sobre importações do Canadá, México e China levaram pressão ao dólar, até R$ 5,9053 na máxima intraday, antes de a poeira baixar.


… A pausa de 30 dias acertada com o governo mexicano aliviou e a moeda americana fechou a R$ 5,8160 (-0,35%).


… Juntou o dólar mais barato com a queda das taxas dos Treasuries e o caminho ficou livre para a curva do DI queimar prêmio de risco, especialmente no miolo e na ponta longa. A curta caiu menos, inibida pelo boletim Focus.


… Em nova rodada de piora nas expectativas de inflação, a mediana para o IPCA 12 meses à frente subiu de 5,64% para 5,74%. Esta medida ganhou importância nas análises do mercado após a regulamentação da meta contínua.


… Ainda no levantamento, as apostas para o IPCA deste ano tiveram alta marginal (5,50% para 5,51%), mas seguem firmes e fortes acima do teto da meta, de 4,50%. A estimativa para o IPCA/26 passou de 4,22% para 4,28%.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 caía para 14,865% (de 14,940% no pregão anterior); Jan/27 recuava a 14,825% (de 15,035%); Jan/29, a 14,445% (de 14,775%); Jan/31, a 14,390% (14,720%); e Jan/33, 14,350% (14,670%).


… Nesta 2ªF, ainda o tom conciliatório das declarações do presidente Lula após reunião com os novos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, ajudou a melhorar a percepção de risco doméstica.


… Lula disse que não mandará nenhum projeto às duas Casas sem anuência dos líderes e da cúpula do Congresso, e assegurou uma relação política harmônica entre os Poderes, enquanto Alcolumbre mandava recado ao STF.


… “A recente controvérsia sobre emendas parlamentares ao Orçamento ilustra a necessidade de respeito mútuo e diálogo contínuo. É indispensável garantir que este Parlamento não seja cerceado em sua função de legislar.”


A COR DO DINHEIRO – Sai hoje o informe da B3 sobre o fluxo de capital estrangeiro em janeiro, que já beira R$ 7 bilhões, marcando uma reviravolta em relação ao ano passado, lembrado pela falta de apetite do k externo.


… Em boa parte, o retorno do interesse neste início de 2025 se deve à movimentação desencadeada pela Cosan com a venda da fatia na Vale. Mas, além disso, a maior simpatia dos gringos pelo Brasil reflete o carry trade.


… Apesar da instabilidade fiscal doméstica, a melhor perspectiva de rentabilidade com a Selic alta tem feito a diferença e pode melhorar ainda mais se Trump aliviar a sua retórica protecionista e facilitar a vida do Fed.


… Ontem, diante da pausa de um mês na imposição das tarifas pelos EUA, o Ibovespa operou flat, em leve queda de 0,13%, aos 125.970,46 pontos e com volume financeiro de R$ 19,5 bilhões.


… Petrobras contrariou a alta do petróleo, com a ação ON em queda de 1,22% (R$ 41,14) e a PN, -0,50% (R$ 37,50). Os papéis podem ter operado em stand-by antes do relatório de produção e vendas, divulgado após o fechamento.


… Na ICE, o Brent/abril subiu 0,38%, a US$ 75,96 por barril, longe da máxima do dia (+3%) depois que a aplicação de tarifas dos EUA sobre o México foi adiada.


… Ontem, a Opep+ decidiu manter a política de aumentar gradualmente a produção a partir de abril.


… Vale inverteu o sinal e zerou as perdas (+0,07%; R$ 54,21), após queda de quase 1% no início da tarde.


… Para analistas ouvidos pelo Broadcast, não há risco direto de a política comercial dos EUA afetar a mineradora, já que a pressão tarifária de Trump pesa mais contra o aço.


… Nos bancos, a contagem regressiva pelos balanços já garante uma dose extra de volatilidade. Ontem, o setor fechou no vermelho. Itaú caiu 0,92%, a R$ 33,48, e Santander, -0,50% (R$ 25,83). Ambos soltam resultados amanhã.


… Bradesco PN registrou -0,17% (R$ 12,07) e Bradesco ON, -0,09% (R$ 11,01). O banco traz seus dados trimestrais na 6ªF. Banco do Brasil perdeu 0,25%, a R$ 27,61.


… A sessão foi favorável para algumas cíclicas por causa do alívio nos juros futuros. Automob liderou as altas, com +3,23% (R$ 0,32). Carrefour subiu 2,75% (R$ 6,36) e Hypera ganhou 2,57% (R$ 18,75).


… Na ponta oposta, Azul afundou 5,65%, a R$ 4,34; Braskem (-5,07%; R$ 13,11) e Marfrig (-4,97%; R$ 15,10).


PASSO ATRÁS – As bolsas em NY voltaram a cair em meio à escalada tarifária de Trump, mas fecharam longe das fortes perdas iniciais depois que o presidente dos EUA adiou a imposição de tarifas sobre o México por 30 dias.


… O Dow Jones caiu 0,27% (44.422,31 pontos); S&P 500 recuou 0,76% (5.994,65); e Nasdaq, -1,20% (19.391,96).


… Apesar da retórica incendiária de Trump, a pausa das tarifas sobre o México e Canadá reforçou a visão de alguns analistas de que está é uma ferramenta de negociação e que os investidores não deveriam reagir exageradamente.


… De forma geral, os profissionais não creem em tarifas duradouras.


… “Não acreditamos em tarifas permanentes sobre aliados dos EUA”, disse Thierry Wizman (Macquarie) à CNBC. “Fazer concessões é uma maneira mais fácil de lidar com Trump, que gosta de fazer acordos”, afirmou.


… Para Wizman, a pressão política e do mercado também deve pesar sobre as decisões do governo, como ocorreu em 2018.


… Seja como for, entre as grandes incertezas da guerra comercial, está a dúvida sobre como a economia dos EUA vai se comportar se esse cenário de materializar.


… Isso se refletiu nos Treasuries, com o juro curto em alta, enquanto os demais caíam.


… O da note de 2 anos subiu a 4,251% (de 4,207% na sessão anterior) e o da note de 10 anos caiu a 4,532% (de 4,536%). O do T-bond de 30 anos cedeu a 4,759% (de 4,788%).


… Para o JPMorgan, uma guerra comercial poderia adicionar 1pp, ou mais, à inflação americana. O Morgan Stanley calcula um aumento de 0,3 a 0,6pp, mais redução no PIB de 0,7 a 1,1 ponto percentual.


… Em relatório, a corretora Charles Schwab disse que, segundo o modelo do Fed, o núcleo de inflação pode ter uma alta adicional de 0,7pp.


… Susan Collins, do Fed/Boston, disse ontem que há risco inflacionário. “Tarifas de base ampla como as anunciadas não provocariam apenas aumento nos preços dos bens finais, mas também nos bens intermediários”, disse.


… Raphael Bostic, do Fed/Atlanta, revelou que empresas consultadas sobre eventuais impactos de tarifas têm afirmado que repassarão 100% dos custos para seus clientes.


… A cautela nos Treasuries longos se sobrepôs aos PMIs, que indicaram recuperação na indústria dos EUA.


… O indicador medido pelo ISM subiu de 49,2 em dezembro para 50,9 em janeiro, de uma expectativa de 49,5. O número da S&P Global avançou a 51,2, de 49,4, e previsão de 50. Foi a primeira expansão em sete meses.


… O dólar reduziu a alta após a trégua entre México e EUA. O índice DXY chegou a bater em 109,881 pontos, mas fechou em 108,99 pontos, ainda com ganho expressiva de 0,57%.


… Com a UE na mira de Trump, o euro caiu 0,81%, a US$ 1,0299, a despeito da aceleração do CPI de janeiro no bloco para 2,5% (preliminar), de 2,4% em dezembro.


… Já a libra ficou estável (-0,04%), a US$ 1,2405, em meio a negociações mais amigáveis entre EUA e Reino Unido. Visto como ativo de segurança, o iene subiu 0,25%, a 154,817/US$.


… O dólar canadense fechou estável (+0,08%), a 1,441/US$, enquanto o peso mexicano subiu 1,64%, a 20,339/US$.


EM TEMPO… PETROBRAS recebeu o pagamento contingente (earnout) de R$ 2,161 bilhões dos parceiros nos blocos de Sépia e Atapu. Também recebeu R$ 516 milhões da Karoon Petróleo & Gás referente à venda do campo de Baúna.


MOVIDA cancelou o registro de companhia aberta da Movida Locação. O cancelamento foi aprovado pela CVM.


RUMO. Citi rebaixou a ação de compra para neutro e reduziu o preço alvo de R$ 22,50 para R$ 19,50. Perspectiva para transporte de soja é positiva, mas para o transporte de milho “não é tão promissora”, diz o banco.


KLABIN recebeu primeira parcela, de R$ 800 milhões, prevista em acordo com a Timo. O aporte da segunda parcela de R$ 1,0 bilhão, sujeito a eventuais ajustes, segue previsto para o segundo trimestre.


COPEL. Mercado do segmento de distribuição cresceu 4,7% no 4Tri24 sobre o 4Tri23, para 9.226 GWh…


… O volume é composto pelo mercado cativo, pelo suprimento a concessionárias e permissionárias e pela totalidade dos consumidores livres…


… Segundo a empresa, o crescimento reflete, principalmente, o aumento da atividade econômica e o padrão de consumo mais elevado da base de clientes.


CRUZEIRO DO SUL EDUCACIONAL aprovou a 2ª emissão de debêntures, no valor de R$ 300 milhões. O vencimento é em 5 de fevereiro de 2030.

Bankinter Portugal Matinal 0402

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: ONTEM mal, depois menos mal e, por fim, ficou em fraco, com escassa capacidade para subir. Após o anúncio da entrada em vigor hoje dos impostos alfandegários americanos, as bolsas caíram ca. -2%, mas ao anunciar-se um período para negociar de 30 dias, o mercado subiu desde mínimos para fechar simplesmente com ligeiras quedas. Entre DeepSeek na semana passada e os impostos alfandegários desta, as bolsas vão ajustando-se e aplanando-se depois de um arranque de ano com demasiada força, considerando os níveis alcançados após 2 anos excelentes nos EUA (S&P500 +24,2%/+23,3% em 2023/24), embora mais modestos na Europa (ES-50 8,3%/+6,6%), e as incertezas abertas sobre inflação, taxas de juros, crescimento e geoestratégia. Continuamos a pensar que 2025 será muito completo, que isso manterá elevados os prémios de risco aplicados às avaliações e que, como consequência, as bolsas deverão estar submetidas a erraticidade e avançar pouco, pelo menos até ao verão. Depois, quando o panorama estiver mais centrado, veremos. Por isso, o sucedido nestas duas últimas semanas não nos deve surpreender: no acumulado do ano 2025, Wall St. +1%/+2% e Europa um excessivo ca.+7%.  

 

HOJE, às 15 h temos Pedidos à Fábrica (-0,7% esperado vs. -0,4%) e, principalmente, JOLTS ou Empregos Disponíveis (8,0M vs. 8,01M). Com este último dado começam os resultados de emprego americano desta semana. Amanhã, Inquérito de Emprego Privado ADP (150k vs. 122k); na quinta-feira, Custos Laborais (+3,4% vs. +0,8%) e Produtividade (+1,4% vs. +2,2%); na sexta-feira, Taxa de Desemprego (repetir em 4,1%), Criação de Emprego Não-Agrícola (170k vs. 256k) e Ganhos Pessoais (+3,8% vs. +3,9%). Além disso, na quinta-feira, descida de taxas de juros no Reino Unido: -25 p.b. até 4,50%. Quase nada. Além das publicações de resultados (esta manhã, Palantir, Infineon e BNP bons) e intervenções (hoje, às 14 h, Barkin (Fed) e Lane (BCE); às 18 h, Goolsbee (Fed); e às 20 h, (Bowman (Fed)). Mas é provável que tudo isto fique para segundo plano perante os impostos alfandegários e assuntos relacionados (petróleo, etc.). 

 

Os futuros estão confusos, com retrocessos milimétricos, embora pareça que estão a tentar melhorar. As criptos retrocedem, o USD estável ca.1,03/€, não parece que as yields das obrigações vão continuar a comprimir-se e o petróleo cai -1%/-1,5%, porque a OPEP+ aumentará produção (+120k b/d) a partir de abril após as pressões de Trump. Parece que será uma sessão de aterragem na qual as bolsas poderão retroceder ou subir de forma testemunhal, tentando estabilizar e encaixar a situação. 

 

O seguinte serão os impostos alfandegários sobre a Europa e o ruído terá terminado, aparentemente. Serão feitas negociações e ficarão em algo menos do que o ameaçado. O mercado irá adaptando-se, mas as bolsas ficarão bloqueadas até se avaliarem danos e voltarem a colocar em valor os bons resultados corporativos num contexto de taxas de juros menos baixas, inflação superior ao esperado e um pouco menos de PIB; estas duas últimas consequências derivam das restrições ao comércio, independentemente de serem duras ou assumíveis. Devemos aceitar que as bolsas não deverão avançar quase nada até maio/julho, quando todo este novo contexto se tenha estabilizado. E já o antecipamos na nossa Estratégia 2025. 

 

S&P500 -0,8% Nq-100 -0,8% SOX -1,8% ES-50 -1,3% IBEX -1,3% VIX 18,6 Bund 2,41% T-Note 4,57% Spread 2A-10A USA=+31pb B10A: ESP 3,07% PT 2,91% FRA 3,13% ITA 3,50% Euribor 12m 2,436% (fut.2,143%) USD 1,032 JPY 159,9 Ouro 2.813$ Brent 75,3$ WTI 72,0$ Bitcoin -2,3% (99.476$) Ether -3,4% (2.721$). 

 

FIM

Corretoras na memória

 CORRETORAS BANDEIRANTES 84, WALPIRES 86 , RESENHAS DE MERCADO, LENDAS DA BOLSA.


A Corretora Bandeirantes numero 84, foi uma das mais brilhantes do mercado. Pertencente ao Banco Bandeirantes (ex Nacional do Norte), tinha no Rubinho seu lider operacional, juntamente com o Formiga e o Jorginho.


Como curiosidade, tinha como um de seus diretores o pai do padre Marcelo Rossi, responsavel tambem pela agencia central na Rua Boa Vista onde hoje é o Itau. O Barsi foi um dos principais acionistas do Bandeirantes, onde cansei de encontra lo recebendo gordos dividendos e eu pagando boletos no mesmo caixa. kkkk


WALPIRES CORRETORA 86 


A Walpires,teve sua origem na colonia libanesa, com Wadi Helou e Vicente Matheus, ambos presidentes do Corinthians.


Chega um determinado momento em que Vicente Matheus, vende sua parte para Waldemar Pires, (responsavel na epoca pela venda de Socrates para a Fiorentina) .


A Walpires tinha sua sede na Praça Antonio Prado 21 onde tinha na mesa o grade Lelo, figura conhecidissimo dos operadores de pregão. Já no solo sagrado, tinham nomes fortes como Waldir Alves Teixeira (ex Noroeste), Gaspar (ex Plena do Waltinho Rozna),o Siconha, Julio Peru,Maschietto, Samuca, Boris,Didier, Sidnei Ferreira e tantos outros.


A Walpires contribuiu e muito, com nossa classe, dando guarida a inumeros autonomos, em uma epoca que os bancos unidos queriam por tudo acabar com as Corretoras Independentes, pois alegavam que atrapalhavam suas estrategias. Certa vez com um operador de banco na linha comigo, ele manda que eu passe um lote de Estrela op a 6,40 para outra Corretora combinada com ele,ocorre que o mercado era vendedor a 6,20 . Era isso que eles diziam que nós atrapalhavamos . Por essas e outras ajudados por alguns dissidentes   , eles bancos conseguiram sepultar o viva voz bem antes da informatica .


A Bandeirantes e a Walpires, ficarão sempre gravadas na calçada da fama da Bovespa.


"Essa é uma homenagem a todos que deixaram marcas materiais e imaterias no corpo e na alma de toda uma classe"


Boa semana

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Felipe Salto

 Um contraponto aos cálculos de Marcos Mendes para o déficit público


03/02/2025 05h30


O economista Marcos Mendes publicou, no último dia 24, um artigo na Folha de S.Paulo ("Autópsia do déficit primário de 2024") para contestar o realismo do déficit primário de 0,1% do PIB (Produto Interno Bruto) obtido no ano passado. Esse 0,1% do PIB é obtido a partir da exclusão de R$ 32 bilhões do déficit observado, de R$ 43 bilhões (0,4% do PIB), conforme divulgação do governo. O abatimento trata, mormente, de despesas com o Rio Grande do Sul.


A saber, as regras vigentes determinam a fixação de metas fiscais anuais para o resultado primário (aquele que não inclui os juros da dívida). É possível acompanhar mensalmente esse saldo na Nota de Estatísticas Fiscais do Banco Central, com as principais aberturas do resultado sendo divulgadas pelo Tesouro Nacional.


A ideia de produzir resultados e cálculos alternativos para avaliar a situação fiscal é antiga e está associada à necessidade de cotejar o esforço fiscal a variáveis que traduzam os efeitos do ciclo de atividade econômica sobre as receitas públicas, por exemplo. Quando a economia vai bem, as receitas crescem mais, e, naturalmente, o resultado primário melhora.


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Outro objetivo desses cálculos, para ter claro, é limpar as séries originais de efeitos causados por receitas e despesas atípicas e pela evolução da atividade econômica. Uma terceira frente de contas alternativas ou auxiliares à análise das divulgações regulares é internalizar gastos realizados por fora do Orçamento geral.


Parece ser este último o objetivo de Marcos Mendes. Na verdade, uma mistura de objetivos: limpar o resultado de 2024 dos efeitos de eventos não recorrentes e contabilizar impactos fiscais não contemplados na estatística oficial de resultado primário.


Nas contas de Mendes, o resultado do ano passado poderia chegar a impressionantes 2,1% do PIB (R$ 243,6 bilhões), um déficit bem superior ao 0,4% do PIB divulgado oficialmente. É importante analisar detidamente sua estimativa, especialmente porque, como apontaremos abaixo, há inconsistências em seu cálculo.


Sobre os critérios


De início, é preciso estabelecer critérios claros sobre qual é o conceito de resultado primário adotado, o que o artigo não faz. Isso, pois, adicionar ou subtrair gastos e receitas pode levar, virtualmente, a qualquer saldo. Mas, com qual objetivo? E sob quais critérios?


Ademais, seria essencial adotar parâmetros sistemáticos sobre aquilo que não é recorrente ou para a internalização de determinados dispêndios extraorçamentários. Esses critérios deveriam ser passíveis de serem aplicados para todos os anos, de maneira transparente.


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Por exemplo, ao mesmo tempo em que a rubrica de receitas de concessões contém elementos que não se repetem, sempre surgem novas concessões e receitas de outorgas. Ou, pelo lado dos gastos, certas despesas discricionárias podem ser cortadas de maneira livre, mas ao mesmo tempo são executadas em quase todos os anos.


Correções


A seguir, vamos partir do déficit de Mendes, calculado em R$ 243,6 bilhões, para promover as correções que julgamos apropriadas. Ao final, obteremos um novo número, que poderia ser considerado uma espécie de resultado primário recorrente para o ano de 2024, com método potencialmente replicável para a série histórica do indicador.


Primeiramente, pela comparação estabelecida com o número do governo, o ideal seria excluir receitas e despesas financeiras, afinal, estamos tratando do resultado primário. Assim, como há R$ 40 bilhões de dispêndios financeiros na conta do autor, denominados por ele de gastos parafiscais, subtraímos esse montante da estimativa inicial, chegando a R$ 203,6 bilhões.


Agora, para melhor estabelecer o contraponto ao referido artigo, vamos avaliar o que não é recorrente no resultado primário do ano passado. Do lado dos gastos, os emergenciais, de cerca de R$ 31,5 bilhões, não devem se repetir. Por outro lado, Mendes está correto em incluir dispêndios realizados em 2023 como pertencentes ao resultado recorrente de 2024. Especificamente, os R$ 32,3 bilhões em precatórios e os R$ 6,1 bilhões do Programa Pé-de-Meia. Já os referentes à compensação a Estados e Municípios, de R$ 8,7 bilhões, apesar de inicialmente previstos para 2024, são extraordinários.


Dos R$ 31,5 bilhões emergenciais, Mendes considera que R$ 4,4 bilhões em precatórios de 2025 (referentes ao Rio Grande do Sul) não devem ser contabilizados no déficit primário de 2024, o que é correto. Assim, esses gastos incrementam seu déficit em R$ 27,1 bilhões. Como removemos essas despesas por serem não recorrentes, além da Compensação a Estados e Municípios, o déficit calculado por Mendes já cairia para R$ 167,8 bilhões (203,6 - 27,1 - 8,7).


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Quanto às receitas, seguem nossas observações. A taxação do estoque de fundos exclusivos (R$ 5,7 bilhões líquidos) e a atualização de valores no exterior (R$ 3,8 bilhões líquidos) são não recorrentes, como apontou Mendes.


Sobre a arrecadação oriunda da limitação das compensações tributárias (R$ 24 bilhões), é difícil saber se essa medida angariou, de fato, o montante indicado, além de tal arrecadação ser partilhada com os entes subnacionais. Se assumirmos que toda redução no uso desses débitos deveu-se à mudança legislativa, o efeito teria sido de R$ 12 bilhões, segundo dados da Receita Federal. Então, a questão da partilha se impõe. Assumindo que 70% ficariam para a União, o valor considerado não recorrente seria de R$ 8,4 bilhões, uma diferença de R$ 15,6 bilhões para o número de Mendes.


Já as mudanças nas subvenções do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), antes abatidas na base dos tributos sobre o lucro, não tiveram ainda efeito perceptível, além de não serem totalmente extraordinárias em seus efeitos, uma vez que afetarão estruturalmente as receitas. Para essa questão, Mendes atribuiu efeito de R$ 13 bilhões.


As alterações no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiacais), apesar de terem rendido apenas R$ 400 milhões, deveriam ter impacto perene também. Retirando, assim, mais R$ 29 bilhões do déficit de Mendes, temos um saldo negativo em R$ 138,8 bilhões (167,8-13 -15,6-0,4), agora.


Na sequência, temos rubricas que obrigam à comparação com períodos pregressos, como no caso dos dividendos. Os R$ 31 bilhões retirados pelo autor se referem basicamente a todos os dividendos do último bimestre. Isso não parece razoável. Pode-se até questionar que fatores condicionantes produziram essa elevação das receitas de dividendos, mas subtraí-las a título do quê?


Por isso, optamos por retirar os R$ 31 bilhões do número de Mendes, levando o déficit recorrente para R$ 107,8 bilhões (138,8-31).


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Nas concessões, mais R$ 6 bilhões são acrescentados ao saldo negativo pelo autor. Porém, essa é uma rubrica em que boa parte das receitas é imprevisível, mas algum nível de arrecadação é esperado todo ano. Se juntarmos mais R$ 4,1 bilhões de receitas que deveriam compensar a desoneração da folha, por ordem judicial, o déficit calculado por Mendes cairia para R$ 97,7 bilhões.


Outra ordem judicial, de retenção das emendas, tem valor difícil de aferir, no sentido de ter contribuído para o cumprimento da meta. Além disso, estão entre as discricionárias, cuja dificuldade de classificação como não recorrente já foi descrita acima. Temos agora um déficit de R$ 93,7 bilhões.


Por fim, podemos retirar da conta de Mendes a transação tributária da Petrobras, no valor de R$ 11,9 bilhões. Esse tipo de transação se refere a tributos que deixaram de ser pagos e é um instrumento previsto em lei exatamente para tais situações. Foi criado em 2020. A partir de então, ele é utilizado com frequência.


Em conclusão, partindo dos R$ 243,6 bilhões de déficit de Marcos Mendes, chegamos em algo em torno de R$ 81,8 bilhões, ou 0,7% do PIB, como saldo negativo recorrente. Vale dizer, esse número não seria exatamente novidade.


Teríamos que realizar um ajuste cíclico a esse cálculo para obter o primário estrutural. Isso aumentaria um pouco o déficit, ao considerar parte da arrecadação como resultado apenas da expansão econômica acima de seu potencial. Com isso, teríamos um número próximo de 1% do PIB em termos de déficit estrutural. Esse valor é semelhante ao estimado pela própria Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.


*Felipe Salto é colunista do UOL, economista-chefe da Warren Investimentos e ex-Secretário da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo. Gabriel Garrote é economista pela USP, Mestre em Economia pela FGV e economista da Warren Investimentos.

News 0302

 NEWS - 03.02


Desafio do Congresso em 2025 é aprovar o Orçamento e as 25 prioridades de Haddad / Negociações têm início nesta segunda-feira em reunião de Lula com os novos presidentes das Mesas, Hugo Motta e Davi Alcolumbre- Valor 3/2


Estevão Taiar / Fernando Exman / Caetano Tonet / Renan Truffi / Marcelo Ribeiro /


Gabriela Guido


Definidas as novas mesas diretoras do Congresso Nacional, o governo federal tem agora dois desafios principais na frente econômica: aprovar tanto o Orçamento de 2025 quanto uma série de medidas ao longo do ano consideradas prioritárias pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. As negociações devem começar nesta segunda-feira, com a primeira reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os novos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).


Alcolumbre e Motta foram eleitos no sábado para comandar as casas legislativas, com ampla margem e apoio tanto do governo quanto da oposição. Logo após os resultados, Lula parabenizou publicamente ambos. Integrantes da equipe econômica do governo também esperavam apenas a definição das disputas no Congresso para marcar reuniões com os novos comandantes do Legislativo. Após a eleição, Haddad afirmou por meio de sua conta no X que os dois são “pessoas com disposição de contribuir com nosso país”.


No curtíssimo prazo, o maior desafio é a aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) de 2025, que está em tramitação na Comissão Mista de Orçamento (CMO).


“Os dois presidentes eleitos têm uma grande responsabilidade: entregar para o Brasil o Orçamento”, disse a jornalistas o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, após a eleição de Alcolumbre. Dias licenciou-se do cargo de ministro e reassumiu temporariamente sua cadeira no Senado pelo PT do Piauí para participar da eleição da mesa. “A entrega do Orçamento é a pauta mais importante neste momento.”


Em entrevista coletiva concedida no sábado, o relator do Ploa, Angelo Coronel (PSD-BA), afirmou que o texto ainda tem muitas “pendências”, como a falta de previsão de recursos para os programas Pé de Meia e Gás para Todos. O relator projeta que o Ploa será votado pela CMO em 10 de março. Até que o texto seja sancionado, o governo só poderá executar 1/18 dos gastos mensais previstos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).


Nos bastidores, parlamentares do Centrão apontam dois obstáculos para que o Ploa receba um aval mais célere: as negociações sobre as mudanças no primeiro escalão do governo e novos atos que apaziguem a ainda vigente crise causada pelo bloqueio de emendas parlamentares.


“Todos voltam aos trabalhos com foco na aprovação do Orçamento, mas é preciso um gesto do governo. As conversas sobre a reforma ministerial precisam ganhar ritmo para que o novo desenho da Esplanada supra o apetite de algumas legendas por cargos mais robustos. Também precisamos de acenos mais claros de que o fluxo da chegada de verbas públicas às nossas bases eleitorais será normalizado. Sem isso, é difícil reverter o mau humor de deputados e senadores com o Executivo”, avaliou um líder prestigiado do blocão do qual Alcolumbre e Motta são integrantes.


Em prazos mais longos, a avaliação da equipe econômica é que, das 25 prioridades da frente econômica estabelecidas para este ano, é possível aprovar ou implantar aproximadamente 15 delas. A lista das 25 medidas foi apresentada por Haddad em reunião ministerial comandada em janeiro por Lula.


Nesse grupo de 25 propostas, 14 já estão em tramitação no Congresso ou terão projeto de lei apresentado pelo governo. As outras são mudanças que não precisam da aprovação dos parlamentares, como alterações realizadas por meio de portarias.


A ideia da equipe econômica é que as mudanças que necessitam de aval do Congresso sejam aprovadas ainda neste ano, já que a eleição presidencial de 2026 tende a atrapalhar debates mais amplos. Um desenho inicial estabelecido por integrantes do governo envolve a aprovação da grande maioria dos projetos neste primeiro semestre.


Entre eles, está o projeto de lei complementar que termina de regulamentar em termos legais a reforma tributária sobre consumo, ao instituir o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O texto aguarda despacho da mesa do Senado.


Deputados esperam que eventuais mudanças feitas no texto sejam alinhadas com a Câmara para evitar que a tramitação se arraste por mais tempo do que o previsto, caso seja necessária uma nova apreciação da casa comandada por Motta.


Davi Alcolumbre: para líderes ligados ao presidente do Senado, isenção do IR terá dificuldades para ser aprovada — Foto: Andressa Anholete/Agência Senado - 1/2/2025


Interlocutores do novo presidente da Câmara destacam que tanto ele quanto Alcolumbre teriam o desejo de garantir o avanço da medida rapidamente para conquistar uma primeira marca já nos primeiros meses de suas gestões.


Outros projetos estão ligados à questão fiscal e fazem parte do pacote de ajuste das contas públicas apresentado pelo governo federal em novembro do ano passado. Exemplos são o texto que limita os chamados “supersalários” do funcionalismo público e outro que aumenta a idade mínima de aposentadoria dos militares.


O primeiro será tratado por meio de um projeto protocolado em 2021, que aguarda relatório na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O segundo espera despacho da mesa da Câmara dos Deputados. O assunto deve enfrentar resistência da oposição e da bancada da bala, que promete não economizar nas ferramentas para barrar o avanço da medida.


Há ainda projetos que tratam de infraestrutura e questões microeconômicas, a exemplo da nova Lei de Falências, que aguarda despacho da mesa do Senado, e da modernização dos regimes de concessão e parcerias público-privadas (PPP).


No sábado, o relator da modernização das concessões e PPPs, deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), afirmou que um novo texto está sendo elaborado em conjunto com o Ministério da Fazenda e a iniciativa privada, substituindo um projeto anterior. A expectativa é que o novo texto fique pronto em março. No ano passado, o plenário da Câmara aprovou o requerimento de urgência para acelerar a tramitação.


Para o segundo semestre, o planejamento da equipe econômica estabelece que fique apenas a mais polêmica das medidas: a isenção do Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas que ganham até R$ 5 mil, com a consequente cobrança de uma alíquota efetiva mínima de 10% para pessoas físicas que ganham mais de R$ 50 mil por mês. Promessa de campanha de Lula, a proposta foi apresentada pelo governo em novembro do ano passado, junto com o pacote de ajuste, embora tenha enfrentado resistências da equipe econômica. O texto que trará as mudanças ainda não foi oficialmente apresentado pelo governo.


Mas a isenção do IR, segundo líderes próximos a Alcolumbre, terá dificuldades para ser aprovada. De acordo com as fontes, a proposta de compensação precisará ser melhor trabalhada para não provocar novas reações negativas no mercado e colar no governo a imagem de “taxador”. Aliados de Motta concordam que a proposição deverá enfrentar resistências, mas ponderam que esse ambiente desfavorável poderá ser superado caso o governo consiga comunicar bem as compensações fiscais.


Por outro lado, a equipe econômica tende a enfrentar dificuldades na Câmara para aprovar a proposta contra o chamado “devedor contumaz”, considerado importante para combater o crime organizado e a concorrência desleal. Não há consenso na base em relação ao texto, que tem apoio do setor produtivo e agentes do mercado.


Segundo o Valor apurou, Hugo Motta e o ministro da Fazenda mantêm uma boa relação. A expectativa é que o deputado diga, durante o encontro com o presidente Lula, que a agenda do ministro da Fazenda terá seu apoio. No caso do Senado, Haddad contou com a ajuda do agora ex-presidente da casa, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para se aproximar de Alcolumbre.


“Sem o Davi não teria PEC da Transição, arcabouço fiscal e reforma tributária”, afirmou no sábado durante a sessão o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP).


Lideranças próximas de Alcolumbre avaliam que o governo precisa focar em temas mais consensuais neste primeiro semestre, para garantir a melhora da imagem na condução da pauta econômica.


“O ideal é que sejam pautas com menos teor ideológico”, afirmou uma dessa fontes, acrescentando que têm mais chances de prosperar as propostas voltadas à melhoria do ambiente econômico e medidas microeconômicas.


Entre esses temas, estão justamente a criação do Comitê Gestor do IBS e a nova Lei de Falências. O novo líder do PSD no Senado, Omar Aziz (AM) é cotado para ser o relator do texto que cria o Comitê Gestor.


Em levantamento sobre as 25 medidas, o Centro de Liderança Pública (CLP), instituto de avaliação de políticas públicas, destaca que o pacote tem o potencial de “promover crescimento econômico, ampliar a competitividade do país e atrair investimentos nacionais e estrangeiros”. Mas afirma que as medidas enfrentam “o desafio de coordenação entre diferentes esferas governamentais” e dependem “de tramitações legislativas complexas para sua implementação efetiva”. Das 14 propostas que precisarão da aprovação do Congresso, o CLP é totalmente favorável a quatro e favorável com ressalvas a cinco. Outra é considerada insuficiente, e sobre três o instituto afirma que faltam informações para uma avaliação mais completa. O CLP se diz contrário apenas a uma única medida, a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil mensais.


“No curto prazo, essa reforma poderia até trazer alívio para as faixas de renda mais baixas e médias, mas, no médio e longo prazo, implicaria riscos à sustentabilidade do orçamento público e à busca por um sistema tributário mais amplo e equilibrado”, afirma.


Para além da pauta econômica, Motta afirmou em entrevista coletiva concedida no domingo para veículos da Paraíba que as pautas de costume não são prioridade.


“Essas pautas ideológicas, as pautas de costumes, penso eu que não estão na prioridade do dia. É um debate interessante, às vezes até nos motiva mais do que debater coisas mais burocráticas, mas o que temos visto ao longo do tempo? Essas pautas muito mais dividem o país do que trazem benefícios imediatos”, disse, segundo o portal g1.


Ele também afirmou que o projeto que concede anistia para os envolvidos nas invasões às sedes dos três Poderes em 8 de janeiro será debatido nos próximos dias. O texto está na Câmara.


“É o que mais divide a casa hoje. Temos o PL que defende a votação da anistia, enquanto o PT defende que o assunto não seja votado”, disse. “Será um tema levado para essas reuniões [com líderes] nos próximos dias, e vamos conduzir com a maior imparcialidade possível.”


 


Após eleição de Motta e Alcolumbre, ministros e líderes no Congresso esperam avanço de reforma ministerial- O Globo 3/2


Victoria Abel


Confirmadas as vitórias do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) para comandar, respectivamente, o Senado e a Câmara, integrantes do governo e líderes governistas do Congresso acreditam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve avançar com mudanças na sua equipe de ministros. A expectativa que é que as trocas possam ser anunciadas ainda nesta semana.


De acordo com ministros e líderes governistas ouvidos em caráter reservados, Lula esperava a nova configuração do Legislativo para definir as mudanças em conjunto com deputados e senadores. Nesta segunda-feira, o presidente de se reunir com os novos eleitos.


Aliados de Motta afirmam que o novo presidente da Câmara deve tentar convencer Lula da necessidade de uma mudança na Secretaria de Relações Institucionais do Planalto, órgão responsável pela mediação com o Executivo. Mesmo que a relação de Motta com Alexandre Padilha seja melhor do que a mantida pelo ministro com o ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), a troca é vista como necessária pelo grupo.


Líderes de partidos do Centrão argumentam que Padilha está desmoralizado diante dos demais parlamentares, principalmente por causa do impasse envolvendo as emendas parlamentares do fim de 2024.


O círculo mais próximo de Motta defende ainda que a Secretaria de Relações Institucionais saia das mãos do PT e fique sob o comando de um partido de centro, seja MDB ou PP. O líder do MDB, Isnaldo Bulhões (AL), além de Lira, são dois dos nomes citados como opção para o cargo.


Também é uma reivindicação do Centrão que seja ampliada a representatividade da Câmara na Esplanada dos Ministérios. Lira afirmou em entrevista ao GLOBO na semana passada que o Senado foi priorizado na construção ministerial de 2023.


A mudança na articulação política é considerada a mais fundamental pelos líderes do Centrão, já que há projetos importantes a serem negociados pelo Palácio do Planalto com o Congresso, como a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.


 


Orçamento, PL e Lira podem embolar mapa de comissões / Expectativa é que negociações para a distribuição do comando das comissões sejam encerradas apenas depois do carnaval, em março- Valor 3/2


Marcelo Ribeiro / Murillo Camarotto


Com a chegada de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara, as negociações sobre a distribuição dos comandos das comissões permanentes devem ganhar ritmo a partir desta semana, mas o PL ameaça embolar a construção desse mapa, já que promete requerer o direito de estar à frente de seis colegiados da Casa - um a mais do que nos anos anteriores da atual legislatura. O embate direto entre MDB e União Brasil pela relatoria do Orçamento gera reflexos na definição de quem presidirá a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), principal colegiado da Câmara, o que também deve fazer com que as articulações para a distribuição dos espaços se arraste por algumas semanas.


Segundo apurou o Valor, o tema das comissões deve ser abordado por Motta em sua primeira reunião com líderes partidários, marcada para esta segunda-feira. O novo presidente da Câmara ouvirá as demandas de cada uma das legendas e tentará, a partir daí, avançar na construção de um acordo para que os postos sejam distribuídos a contemplar todas as siglas aliadas. Eleito com 444 votos, Motta contou com o apoio formal de 17 partidos e não quer desagradar a nenhum deles, pelo menos nesse início de gestão.


Apesar da disposição do paraibano em negociar, fontes do Centrão avaliam que dificilmente as presidências das comissões serão assunto encerrado antes de março. A expectativa é que o mapa seja construído ao longo das próximas semanas, mas que o martelo seja debatido apenas após o carnaval.


Articulações para a distribuição dos espaços deve se arrastar por algumas semanas


Um dos obstáculos para a concretização rápida da divisão dos espaços é a disputa entre deputados do União e do MDB pela relatoria do Orçamento, posto que não é designado por Motta, mas tem impactos na definição de quem ficará com a presidência da CCJ.


Em acordo costurado pelo ex-presidente Arthur Lira (PP-AL) ainda em 2023, ficou estabelecido que PT, PL, MDB e União se revezariam á frente da principal comissão da Câmara até 2026. Rui Falcão (PT-SP) e Caroline de Toni (PL-SC) presidiram o colegiado em 2023 e 2024, respectivamente. Em 2025 e 2026, a principal cadeira ficará com os outros dois partidos.


Originalmente, a relatoria do Orçamento ficaria com o União neste ano, mas o MDB pleiteia o posto por ter embarcado na candidatura de Motta antes da legenda de Elmar Nascimento (União-BA), que chegou a colocar seu nome para suceder Lira. Lideranças do União por sua vez, alegam que, apesar do atraso em endossar a postulação do paraibano, entraram na base de apoio do deputado do Republicanos.


A avaliação é que apenas após a resolução desse impasse será possível ter mais clareza sobre a distribuição dos colegiados.


Partido com a maior bancada da Casa, o PL deve recorrer ao regimento interno e exigir o direito de presidir seis comissões no próximo biênio. Em 2023, a sigla fechou um acordo com Lira para destravar as negociações em torno da distribuição dos principais postos na CCJ e na Comissão Mista do Orçamento (CMO). Na época, cedeu o comando de um dos colegiados ao qual teria direito para o PDT.


“É só uma questão de regimento interno. É nosso direito regimental. Não vamos abrir mão de nenhum direito. Pela proporcionalidade, temos direito a seis presidências de comissões. No primeiro biênio, cedemos uma delas em negociação feita pelo nosso ex-líder Altineu Côrtes (PL-RJ), novo vice-presidente da Câmara. Se era o PDT o beneficiado, eu nem sabia. Não é questão de ser contra nenhum outro partido. É só o cumprimento do nosso direito regimental”, explicou o líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ) ao Valor.


O movimento deve provocar reação dos pedetistas. Novo líder do PDT, o deputado Mário Heringer (MG) afirmou que lutará para que a legenda mantenha seus espaços na Casa e nas comissões.


A eventual permanência de Lira no Congresso, caso o alagoano decida não integrar a equipe ministerial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também pode afetar a distribuição das comissões. Isso porque parlamentares do Centrão já adiantam que não aceitarão que o ex-presidente da Casa fique no Legislativo sem ter um papel de destaque. Para isso, seria necessário um redesenho do mapa dos cargos. Esse capítulo, porém, dependeria do eventual convite de Lula e da resposta do deputado do PP.


Os recados do novo presidente da Câmara para Supremo e Lula no discurso de posse- O Globo 3/2


Malu Gaspar


O discurso de posse de Hugo Motta (Republicanos-PB) foi entendido na base governista e na esquerda como símbolo de uma guinada para a conciliação no comando da Câmara dos Deputados, pelas citações a Ulysses Guimarães, à democracia e ao filme “Ainda Estou Aqui”, sobre a família do ex-deputado Rubens Paiva, morto pela ditadura. Mas essa pode ter sido uma conclusão precipitada. Quem conhece bem o deputado e acompanhou a fala com lupa identificou ali vários recados bem preocupantes para o Supremo e para o governo.


Em meio a vários trechos em defesa do Parlamento e das emendas impositivas – que Motta disse terem representado “o fim das relações incestuosas entre Executivo e Legislativo e a afirmação e a independência como resposta” —, uma parte em especial chama a atenção. O trecho em que o novo presidente da Câmara diz ser a favor da transparência, mas “transparência total” de todos os poderes – incluindo, é claro, o Executivo e o Judiciário.


“Tem razão os que pregam por mais transparência. Sou o 1º dessa fila. Sou a favor de uma radicalização quando falamos da transparência nas contas que são, por definição, públicas”, afirmou Motta. “Por que este Parlamento, responsável que é pelo orçamento, como determina a Constituição, não oferecer à sociedade uma plataforma integrada de todos os poderes – todos -para que os brasileiros e as brasileiras possam acompanhar todas as despesas em tempo real de todos os poderes?”


A menção à “todos os poderes” é uma referência ao argumento, muito repetido por deputados sobre o embate com o Supremo Tribunal Federal em torno das emendas, de que a Corte prega transparência com o dinheiro aplicado pelo Congresso mas não informa com transparência seus próprios gastos – como por exemplo os gastos com viagens dos ministros, as passagens e hospedagens que eles recebem quando participam de eventos promovidos por empresas e associações no exterior e até mesmo os cachês que eventualmente ganham para fazer palestras.


O recado é também para o Executivo, que protagoniza um outro embate em torno do sigilo imposto a informações sobre agendas e salários de equipes de integrantes do governo, como a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.


“Na questão da transparência, o que não pode haver é opacidades e transparências relativas. Porque o princípio é da igualdade entre os Poderes. “A praça, sempre lembremos, é dos 3 e não de 1 nem de 2 poderes. E quando não é dos 3 não é a praça da democracia”, discursou Hugo Motta.


Aliados do novo presidente da Câmara afirmam que ele não será radical e nem vai botar fogo no circo promovendo crises, mas não pretende ceder ao Supremo na disputa em torno das chamadas emendas impositivas, que somaram R$ 50 bilhões em 2024.


Esse trecho do discurso mostra que ele tem a resposta pronta para o caso de o ministro Flávio Dino, relator do processo sobre as emendas pix, insistir em saber quem são exatamente os autores das emendas, quais os beneficiários e quais os critérios – obrigar todo mundo a abrir seus gastos também.


Outras falas que vão na mesma linha são “ninguém é dono da Constituição” e “passou o tempo do dedo na cara. É hora do olho no olho. O respeito não grita. O respeito ouve e se faz ouvir”.


Nesse contexto, o gesto de Motta de erguer a Constituição e gritar “viva a democracia” como fez Ulysses Guimarães, visto como um aceno contra os golpistas, também pode ser entendido como um alerta contra a “ditadura do Judiciário”.


Isso mostra que o novo presidente da deve tocar sua gestão assim, apostando na ambiguidade (ou na neutralidade) quando for possível, mas impondo limites quando se tratar da defesa das emendas ou do que ele chamou no discurso de “prerrogativas” do Congresso.


Alerta ao governo


No caso do governo, o limite desenhado por Motta tem a ver com a economia. Depois de dizer que nada é pior para os mais pobres do que a inflação e a falta de estabilidade econômicas, ele afirmou que “a estabilidade é a resultante de um conjunto conhecido e consensual de medidas de responsabilidade fiscal. Não se apaga fogo com gasolina. Não existe uma nova matriz de combate ao incêndio. Isso é apenas atear fogo com outro nome. E nosso dever é apagá-lo, pelo bem do povo brasileiro”.


Traduzindo: medidas que representem um afrouxamento da responsabilidade fiscal ou levem a mais gastos não terão chance em sua gestão.


Em resumo, quem achava que o jeito de bom moço e a fala mansa de Motta significam vida mais fácil para o governo Lula na próxima gestão deveria reler o discurso de posse e pensar um bocadinho mais.


 


 MB/SERGIO VALE: ELEIÇÕES NO LEGISLATIVO NÃO TRAZEM GRANDES MUDANÇAS; PROBLEMA É EXECUTIVO- Broadcast 2/2


Por Gabriela Jucá


São Paulo, 02/02/2025 - O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, avalia que as eleições no poder Legislativo - com a liderança de Hugo Motta (Republicanos) na Câmara dos Deputados e de Davi Alcolumbre (União) no Senado - não devem trazer grandes mudanças para o andamento da agenda econômica. "A grande mudança macro que precisaria ser feita, que seria um ajuste fiscal mais agressivo, depende mais do Executivo, que já sinalizou que não deve acontecer", salienta.


Vale considera que a agenda da isenção do Imposto de Renda (IR) para pessoas que recebem até R$ 5 mil mensais deve ser o foco da pauta econômica em 2025, e não deve enfrentar dificuldades para avançar tanto na Câmara como no Senado.


A leitura do economista é de que a Câmara dos Deputados, que tinha uma abordagem política mais agressiva sob a liderança de Arthur Lira (PP), deve ser mais conciliadora com Hugo Motta. Já o Senado, que tinha uma característica mais apaziguadora com Rodrigo Pacheco (PSD), deve vir a se tornar mais negociador com Alcolumbre. "No final, não muda muita coisa. O problema vai continuar sendo o Executivo", frisa.


Vale ainda destaca que as últimas declarações de Gilberto Kassab (PSD) sobre o governo Lula antecipam o processo eleitoral, em um contexto de enfraquecimento do presidente da República. "É um cenário em que Lula chega muito enfraquecido, e estamos vendo um filme de desaceleração da economia, o que deixa a situação mais delicada. Esse enfraquecimento do presidente também paralisa qualquer processo reformista no Congresso, que é de centro-direita. Isso pode colocar mais dificuldade para as agendas que são positivas para o governo", avalia.


 


A lamentação de um graúdo do PT sobre a alta dos juros decretada pelo BC- O Globo 2/2


Por Lauro Jardim


Um importante líder do PT se lamentava na semana passada com a alta de um ponto percentual nos juros decretada pelo BC e com as projeções que apontam para uma recessão no segundo semestre: "Me explica como é que dá para fazer política e vencer eleição assim?".


 


Os desafios para a atividade econômica em 2025 / PIB deve ter desaceleração mais forte a partir do segundo trimestre, num ambiente marcado pelo quadro externo adverso e incertezas fiscais que pressionam juros- Valor 3/2


Sergio Lamucci


A economia brasileira terminou 2024 num ritmo mais fraco do que nos três trimestres anteriores, e a desaceleração da atividade tende a continuar ao longo de 2025, embora a agropecuária deva levar o PIB a um crescimento expressivo no período de janeiro a março. Juros altíssimos e o esgotamento dos estímulos fiscais e de crédito afetarão especialmente os segmentos mais cíclicos da economia, como a indústria de bens de consumo duráveis e grande parte dos serviços, avalia a economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Como pano de fundo, além do cenário externo mais adverso, as incertezas sobre as contas públicas tendem a manter o dólar e os juros de longo prazo em níveis ainda muito elevados, turvando o quadro econômico neste ano.


A perda de fôlego da atividade ficará mais clara no segundo trimestre, e o risco de uma recessão técnica em 2025 - com queda do PIB por dois trimestres consecutivos - é considerável. É um ambiente de muita imprevisibilidade para as empresas, com dólar vólátil e juros básicos muito altos, e em que a inflação se mantém distante da meta de 3%. Projetos de modernização e ampliação da capacidade produtiva podem ser adiados, afetando a retomada do investimento observada em 2024.


O cenário externo será marcado por muita indefinição. Na semana passada, Donald Trump mostrou a que veio, elevando as tarifas de importação sobre México, Canadá e China, depois de algumas semanas em que se criou a expectativa de que o presidente dos EUA poderia ser brando na política comercial. Novas pressões sobre o dólar no mercado global podem aparecer a partir deste mês, o que é negativo para moedas de emergentes como o Brasil.


Ao longo de janeiro, o dólar cedeu por aqui, recuando 5,54% no mês, para R$ 5,8372. Além de o forte fluxo de saída de recursos de dezembro ter ficado para trás, a moeda perdeu força porque Trump não anunciou de imediato aumentos de tarifas de importação sobre os principais parceiros comerciais. O dólar se enfraqueceu no mercado global e a moeda no Brasil caiu abaixo de R$ 6. Esse quadro, porém, tende a mudar. Além de taxar mais as compras provenientes de México, Canadá e China, os EUA devem fazer o mesmo com a União Europeia dentro de um mês ou dois e também planejam implementar uma tarifa universal em abril, diz a Capital Economics, em relatório. Para a consultoria, a imposição de tarifas de 25% para as importações do México e do Canadá e uma taxa extra de 10% para as da China “são apenas o primeiro golpe do que pode se tornar uma guerra comercial global muito destrutiva”. Na visão da Capital, o impacto dessas tarifas e de outras medidas sobre a inflação nos EUA deve ser mais rápido e maior do que se esperava inicialmente. Com isso, a janela para cortes dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) nos próximos 12 a 18 meses acabou de se fechar, diz a consultoria.


Nesse cenário, é possível que o dólar por aqui volte a subir, ou pelo menos interrompa a queda que levou a cotação abaixo de R$ 5,85. Para evitar um quadro mais negativo, seria fundamental que o governo reduzisse as incertezas sobre as contas públicas, ainda o maior fator de pressão sobre o câmbio e sobre os juros de longo prazo. Sem isso, a desaceleração da economia pode ser ainda mais expressiva do que já se desenha.


Nas contas de Silvia Matos, o PIB cresceu no quarto trimestre de 2024 0,7% em relação ao trimestre anterior, depois de ter avançado 0,9% de julho a setembro. Para o primeiro trimestre deste ano, ela espera um crescimento de 1%, mas esse desempenho se deverá principalmente à agropecuária, que poderá ter alta de 10% no período.


O resultado tende a piorar significativamente a partir de abril. Para Silvia, o PIB ficará estável no segundo trimestre, recuando 0,1% no terceiro e crescendo 0,3% no quarto, em todos os casos na comparação com os três meses anteriores, feito o ajuste sazonal. Como os percentuais são baixos, é possível que haja recessão técnica, diz ela.


O mercado de trabalho deu sinais de desaceleração no fim de 2024, como mostraram os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgados na semana passada. Silvia observa ainda que já há “indicação das sondagens setoriais e do consumidor sinalizando perda de fôlego. “As atividades mais cíclicas crescem menos, com desaceleração do consumo de duráveis, impactando a indústria, e os serviços ficam mais fracos também”, afirma ela. Entre os setores não cíclicos, a indústria extrativa deve ir bem, além da agropecuária. Para 2025, há o impacto sobre a atividade da Selic elevada, que poderá superar 15% ao ano, menores estímulos fiscais da União e de crédito e piores condições financeiras (o conjunto formado por indicadores como juros de longo prazo, câmbio, risco-país e ações).


O FGV Ibre estima que a economia cresceu 3,6% em 2024, devendo avançar 1,8% neste ano, com uma variação do PIB bem fraca a partir do segundo trimestre. O número “cheio” de 2025 deverá ser muito influenciado pela herança estatística de 2024, que Silvia estima em 1,3%. Isso significa que, se o PIB não crescer nada em relação ao quarto trimestre do ano passado, o crescimento de 2025 será de 1,3%. Para comparar, a herança estatística de 2023 para 2024 foi de apenas 0,2%, nota Silvia.


A desaceleração da economia em 2025, desse modo, será mais forte do que sugere a previsão de um crescimento para o ano um pouco inferior a 2%. Num momento em que o cenário externo será marcado por grande imprevisibilidade, seria ainda mais importante o governo atuar para reduzir as incertezas, concentradas no front fiscal. Nesse ambiente, é desanimadora, ainda que nada surpreendente, a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na entrevista coletiva na semana passada, afirmando que não pretende adotar novas medidas de contenção de gastos neste ano.


Sergio Lamucci é editor-executivo e escreve quinzenalmente


 


Claudio Adilson Gonçalez  - Renegociação de dívida de Estados é bomba fiscal- Estadão 3/2


É curioso que os analistas observem com lupa qualquer sinal de desarranjo no Orçamento federal e deem pouca importância ao processo de descentralização fiscal que vem se acentuando desde 2020, e que gera enormes incertezas para as contas públicas.


Segundo dados levantados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), as transferências da


União aos Estados e municípios (Fundos de Participação, Fundeb, Auxílios a Estados e municípios, Lei Kandir, Royalties e Participações Especiais, Fundo para o Distrito Federal e Emendas Pix), medidas a preços de setembro de 2024, subiram de R$ 390 bilhões, em 2018, para cerca de R$ 600 bilhões, em 2024, crescimento real de quase 55%. Como as unidades federativas não têm incentivos para poupar, ou seja, gastam da mão para boca, o resultado é expressivo aumento das despesas primárias totais.


Ainda segundo dados da FGV, enquanto a despesa primária da União, descontadas as transferências, cresceu 13,8% em termos reais no terceiro trimestre de 2024 contra a média dos quatro trimestres de 2019, a de Estados e municípios, até o segundo trimestre de 2024 (último dado então disponível), cresceu 38%.


A Lei Complementar n.º 212, de 14/1/2025 (LC), que instituiu o Programa de Pagamento de Dívidas dos Estados com a União, não só ampliou esse processo de descentralização fiscal, como também o estendeu para o longo prazo. Essa LC é extensa e complexa, mas, em resumo, abre várias possibilidades para a redução da taxa de juro real que os Estados pagam por suas dívidas com a União (que montam cerca de R$ 800 bilhões) para o intervalo de zero a 2% ao ano, bem como possibilita a extensão do prazo de amortização para 30 anos. Enquanto isso, para financiar os Estados, a União paga atualmente quase 10% de juro real aos detentores de títulos públicos federais. Ou seja, tratase de um enorme subsídio à custa das finanças federais.


Uma das formas estabelecidas na LC para reduzir a taxa real de juro para zero desses créditos da União é o Estado amortizar até 20% de seu saldo devedor. Mas essa amortização extraordinária não necessariamente deve ser feita por transferências de recursos financeiros para a conta única do Tesouro no Banco Central. É possível transferir ativos de várias naturezas, tais como bens móveis e imóveis, créditos, empresas estatais, entre outros. A LC estabelece apenas que tais ativos devem ser avaliados a preço justo, o que é vago e aumenta a incerteza sobre os impactos dessas operações.


Os mais favorecidos são os Estados com maiores dívidas em valor absoluto: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, ou seja, os mais ricos da Federação.


Se já é difícil estimar os custos e benefícios das políticas públicas conduzidas pelo governo federal, tal avaliação é quase impossível para 27 entes federativos. É isso o que acontece em governos politicamente fracos como o de Lula da Silva. •


Henrique Meirelles - Guardar distância de Lula fará bem a Galípolo- Estadão 3/2


O Banco Central agiu corretamente ao elevar em um ponto porcentual a Selic, para 13,25% ao ano, como havia anunciado que faria. Isso é fundamental para trazer a inflação para a meta de 3% e para ancorar as expectativas. Mas não apenas isso. É importante para Gabriel Galípolo consolidar a imagem de independência logo no início de sua gestão como presidente do BC, em um momento de certa desconfiança na economia brasileira.


Galípolo é o primeiro presidente do Banco Central escolhido sob a lei da autonomia. Foi apontado pelo presidente Lula e desfruta de proximidade com ele. O mercado desconfia da política fiscal do governo e cobrou um preço alto no final do ano por não acreditar nas medidas de controle de despesas. Assim, pode levar tempo para o mercado abandonar qualquer desconfiança de que Galípolo possa fazer algo para ajudar um governo que gasta mais do que deveria. Isso não é bom para um presidente de BC.


Já contei aqui que, ao assumir a presidência do BC em 2003, enfrentei desconfiança semelhante. Demonstramos independência logo de saída – e o mercado entendeu que não haveria leniência com a inflação.


Como disse em uma conferência na semana passada, acredito que, diante deste quadro, Galípolo deveria manter uma distância respeitosa e técnica da Presidência da República. Deveria evitar fazer muitas reuniões com ministros. Faz parte do trabalho de um presidente de Banco Central dar sinais além das decisões técnicas. Fiz bastante isso em meus oito anos no cargo. Em determinados períodos antes de reuniões do Copom, eu recusava convites e chamados para reuniões. Posso dizer que funciona.


O cargo de presidente do BC tem particularidades devido à sua missão institucional e, em certa medida, a lei da independência facilita isso. Guardar certa distância de outras autoridades pode ajudar Galípolo a consolidar a imagem de independência que está construindo e convencer alguns agentes do mercado mais céticos de que não está no cargo para ajudar o governo, mas para trabalhar pela estabilidade da economia. Deve mostrar claramente que fará o que for necessário para trazer a inflação à meta.


O momento da economia é de cautela e certa desconfiança, mas o BC tem totais condições técnicas de levar a inflação para a meta de 3%. É preciso fazer com que o mercado acredite que Galípolo e toda a diretoria tomarão as medidas necessárias para isso, independente da conveniência delas para o governo. Com isso, o BC assumirá o controle das expectativas. •


ESTADÃO/EDITORIAIS: O PACOTINHO FISCAL – 3/2


É sintomático que, ao anunciar em cadeia nacional, no final de novembro, o pacote de “corte de gastos” do governo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não tenha pronunciado uma única vez a palavra “corte”. Deliberadamente ou não, foi sincero. Mesmo em sua idealização original, o pacote não trazia nenhuma redução nas despesas totais da União. Na melhor das hipóteses, desaceleraria o seu crescimento na expectativa de que ele não superasse o crescimento da economia. Como essa expectativa não era sólida, os agentes de mercado se refugiaram no dólar. Agora, o que já não era sólido se desmanchou no ar. À época se dizia que a montanha pariu um rato. Mas até o rato era ilusão de ótica.


O Orçamento de 2025 foi enviado pelo governo ao Congresso em agosto, mas sua aprovação foi adiada e deve acontecer só neste mês. Conforme apurado pelo Estadão/Broadcast, os gastos que precisarão ser incluídos praticamente empatam com os “cortes” projetados no pacote fiscal. Isso porque algumas despesas crescerão mais que o previsto e programas que foram surrupiados da proposta orçamentária original precisarão ser incorporados.


Segundo consultores do Congresso, só o impacto da inflação sobre o reajuste do salário mínimo, que forma a base de cálculo da Previdência Social, deve elevar os gastos com os benefícios em R$ 14 bilhões. As maracutaias do governo para excluir do Orçamento os gastos do Auxílio Gás (R$ 2,8 bilhões) e das bolsas estudantis do programa Pé-de-Meia (R$ 3,6 bilhões) foram desarmadas, e eles também precisarão entrar na conta. Além disso, há os R$ 8 bilhões para o Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais, criado pela reforma tributária para compensar empresas que perderão benefícios concedidos pelos Estados, que também não constavam da proposta orçamentária original. Tudo somado, são pelo menos R$ 28 bilhões, o que absorve praticamente todo o ajuste de R$ 29,4 bilhões estimado pela equipe econômica no pacote fiscal.


Para piorar, o aumento dos gastos pode ser ainda maior, porque a economia projetada pelo governo depende, entre outras coisas, de medidas ainda não aprovadas, como a mudança no regime de aposentadoria dos militares, e medidas administrativas que podem não ser consideradas na proposta orçamentária, como o pente-fino em benefícios sociais.

Para piorar ainda mais, as projeções de arrecadação do governo foram com toda certeza superestimadas. A única dúvida é quanto. Projetos como o do aumento das alíquotas da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido ou o dos Juros Sobre Capital Próprio estão parados no Congresso, e suas receitas dificilmente se concretizarão. As receitas extraordinárias de R$ 28,5 bilhões projetadas para 2025 após a volta do voto de qualidade pró-Receita Federal no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf) são pura miragem.


Para dar uma ideia, dos R$ 55 bilhões que o governo esperava arrecadar em 2024, o Carf entregou só R$ 307 milhões, uma realidade 99,5% menor que a fantasia de Haddad.


Entre as receitas e despesas, a Instituição Fiscal Independente, vinculada ao Senado, calcula que o governo fechará 2025 com um resultado negativo nas contas públicas de 0,7% do PIB, léguas de distância dos 2% de superávit que seriam necessários para estabilizar a dívida pública.


O apetite arrecadatório do Planalto já atingiu o limite de suas possibilidades. De resto, da maneira como o arcabouço fiscal foi projetado, o aumento das receitas eleva automaticamente as despesas obrigatórias, criando um círculo vicioso. Se algum otimista nutria a esperança de que o governo enfrentaria seriamente reformas estruturais pelo lado das despesas, como a revisão da política de aumento real do salário mínimo ou novas regras para os reajustes dos benefícios previdenciários e dos gastos mínimos com saúde e educação, ela morreu em novembro com a apresentação do pacote fiscal. Se o pacote já era apenas um pacotinho em 2024, quem o abre no ano pré-eleitoral de 2025 vê que mesmo o pacotinho está vazio.


O presidente Lula gosta de dizer que, passada a primeira metade do governo, a segunda será dedicada à colheita. Mas na seara fiscal ele só semeou vento.


 


'A dúvida é saber se o Brasil sofrerá taxação geral ou de produtos específicos', diz ex-vice-presidente do Banco Mundial / Para Otaviano Canuto, é questão de tempo até o país ser taxado pelo governo Trump- O Globo 3/2


Carolina Nalin


O governo brasileiro já deve ter se preparado para reagir com tarifas a uma possível imposição tarifária por parte do governo dos Estados Unidos, afirma Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Mundial.


Para o economista, a taxação sobre produtos brasileiros - especialmente aço e alumínio - é apenas questão de tempo, assim como a que vem se desenhando sobre a União Europeia. Ontem Trump, voltou a citar o déficit comercial com o bloco, indicando que deve anunciar algo em breve.


Embora o Brasil possa seguir os passos da China e recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), Canuto aponta que a entidade está paralisada e não será o canal mais eficiente no novo cenário de fragmentação econômica global que se configura.


Canuto, que também é pesquisador do Policy Center for the New South, projeta um choque de preços como efeito imediato do "tarifaço" de Trump. Mas avalia que o Federal Reserve (banco central americano) aguardará a magnitude desses impactos para determinar os próximos passos da política monetária.


Há risco de o Brasil ser atingido por tarifas?


É uma mera questão de tempo. Trump vai anunciar algo sobre a União Europeia. É inevitável que ele não fique só nisso. O Brasil será afetado. Depois da vitória de Trump, vejo duas trajetórias possíveis na área comercial.


Uma delas, de acordo com os termos e a designação do secretário do Tesouro, tem fins transacionais ou seja, uma ameaça para negociar e obter concessões, inclusive no setor comercial dos demais países. Há uma segunda linha, dos que acreditam, de fato, que as tarifas são um mecanismo legítimo para resolver déficits comerciais. Para eles, os déficits comerciais representam um dano à economia americana.


De uma maneira ou de outra, Trump vai ter que compensar esse tiro no próprio pé, estabelecendo tarifas sobre os outros. Isso pode ser o começo de uma história dolorosa. A dúvida apenas é como isso vai chega ao Brasil. Ele pode optar por uma tarifa geral ou por medidas específicas. O nosso pessoal de aço e alumínio tem que estar preocupado agora.


O presidente Lula falou em reciprocidade. Temos condição de responder à altura?


A China vai aplicar (taxas), assim como fez no primeiro mandato do Trump. Até porque a OMC está, na prática, paralisada como órgão apelativo. O tribunal de apelação está incompleto porque os juízes que deveriam ser indicados pelos Estados Unidos não foram nomeados.


Infelizmente, a ordem global está de cabeça para baixo. Nós não temos nesse momento nenhum sistema de regras que prevaleça. Então, por isso mesmo, o Canadá não esperou ação na OMC para responder e já anunciou sua retaliação.


O Brasil pode querer fazer como a China, que prometeu entrar com processo legal, mas as ações unilaterais americanas não vão ser constrangidas esperando pela OMC. Imagino que o governo brasileiro esteja fazendo ou já tenha feito o dever de casa de verificar como poderá jogar tarifas de volta.


O Brasil tem um escopo mais limitado do ponto de vista daquilo que pode fazer feito. Os americanos poderão não usufruir tanto das exportações brasileiras de suco de laranja, de cana-de-açúcar e alguns outros produtos, mas não é tão doloroso. Mas, para o Brasil, pior é não fazer. É claro que isso pode dar lugar a outras rodadas do Trump, mas nós já vimos esse mundo nos anos 1930.


No limite, todo mundo sofre. Ainda que a dor seja um pouco maior no início para os países que vão ser afetados pelas tarifas imediatas do Trump.


Como isso vai afetar o comércio global?


Quando muita gente anteviu essa tendência de fragmentação, esse movimento foi visto como algo que teria um conteúdo regional. Virou moda falar em “nearshoring”, “friend shoring” (prática de transferir a produção para países mais próximos ou considerados aliados políticos ou comerciais). Agora, com essas tarifas do Trump sobre Canadá e México, quer mais “friend shoring” que esse?


A fragmentação tende a aumentar. E não apenas a retaliação em relação aos Estados Unidos, mas se a União Europeia - e ela é meio dividida nisso - resolver retomar políticas de proteção em relação aos chineses, isso vira uma espiral terrível. Mas há nomes mais sensatos na Europa a esse respeito do que Trump.


Aliás, é até possível que esse movimento do Trump acelere outros tipos de acordo regional. A Europa tem anunciado interesse em aprofundar acordos com o México. Assim como finalmente parece que vai ter um acordo com o Mercosul. A arquitetura vai mudar. O movimento de Trump contra os vizinhos, amigos, realmente vai contra qualquer lógica de fragmentação organizada regional e assim por diante.


O que a escalada de tarifas representa para as trocas comerciais?


Os preços vão subir porque as cadeias produtivas não mudam da noite para o dia a configuração de produção. Essas cadeias são integradas. E há também o impacto nas taxas de câmbio. Nãoé fortuito que desde a campanha eleitoral, especialmente após a vitória do Trump, o peso mexicano e o dólar canadense tenham se deteriorado em relação ao dólar americano, antevendo um impacto maior e mais imediato sobre os parceiros comerciais dos EUA.


Além disso, os Estados Unidos têm outros fatores impulsionando o dólar para cima. Tem a perspectiva de que o dólar vai se beneficiar dos juros, que vão continuar mais altos, e podem até subir dependendo da inflação.


Tem a perspectiva de que a excepcionalidade americana vai ser mantida e exacerbada com as políticas de desregulamentação, então tem um lado que explica esse otimismo com a economia americana que reforça o dólar para cima.


Esse choque de preços pode ser parecido com o que vimos na pandemia?


Tem uma controvérsia sobre a magnitude que os especialistas estimam desse choque de preços. Em termos de proporção do PIB americano, as importações não são tão grandes.


Durante a primeira guerra comercial entre os EUA e a China, o efeito sobre os preços nos EUA não foi muito grande porque houve uma substituição de produtos chineses por fornecedores de outros países ou até mesmo por produtos chineses disfarçados, o que acabou reduzindo o impacto em termos de preço nos Estados Unidos.


Agora, dessa vez, dada a abrangência provável, vai ser difícil ignorar. Tem quem já esteja estimando, só com esses anúncios, uma subida de inflação de pouco acima de 2% para 3%. Não estamos falando de hiperinflação, mas tem um pequeno efeito inflacionário nos Estados Unidos.


E se os preços subirem nos EUA, o país não pode acabar “exportando inflação” para o resto do mundo? Ou ainda é cedo para pensar isso?


Sim, essa é uma preocupação. A preocupação será a reação do Federal Reserve parando de baixar juros e talvez até subindo os juros lá adiante. O principal canal de transmissão do impacto americano sobre o Brasil hoje não é tanto pelo comércio direto, mas sim pela política monetária.


Mas como isso vai afetar negativamente a China, aí indiretamente nos pega. Os chineses podem vir a fazer alguma nova rodada de substituição de agricultura americana por agricultura brasileira. Mas o fato é que o menor dinamismo da China impactaria o Brasil e o mundo inteiro, que virou comercialmente dependente da relação com a China.


Com esse cenário, o que podemos esperar para as próximas reuniões do Fed?


Na última reunião, o Fed já sinalizou que pretende esperar antes de tomar novas decisões. Essa reunião ocorreu antes dos anúncios de tarifas do Canadá, México e outros, e o Fed não poderia comentar sobre isso. Mas a fala do presidente Jerome Powell já denota uma ideia de que é preciso esperar para ver o que vem nos próximos meses em termos de impacto inflacionário.


Agora, se Trump ampliar ainda mais as tarifas, isso reforçará a posição do Fed de ficar onde está e não baixar mais os juros.


 


‘Se você não jogar no time de Trump, será punido’, diz Global X / Ex-diretor do Federal Reserve (Fed) Randall Kroszner diz que manutenção da política de juros americana em 2020 tende a pressionar taxa de câmbio em países como o Brasil- Valor 3/2


Eduardo Magossi


O posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá tornar o Brasil menos atraente para os investidores durante a nova gestão de Donald Trump nos Estados Unidos. É o que afirma o analista de investimentos sênior e cogestor de portfólio da Global X, Paul Dmitriev, em entrevista ao Valor durante passagem pelo Brasil. Ucraniano de nascimento, Dmitriev acredita que os investidores globais tendem a preferir neste momento a Argentina, onde o presidente Javier Milei se mostra mais alinhado ao discurso de Trump e tem reformas que ajudam a melhorar o cenário econômico do país.


“Veja o que aconteceu na Colômbia recentemente”, disse ele, referindo-se ao confronto entre o presidente Gustavo Petro e Trump sobre o acolhimento de imigrantes colombianos deportados dos EUA. “Se você não joga no time de Trump, será punido”, disse o profissional, que já teve passagens pelo HSBC e pela Mirae Asset.


Valor: Qual o sentimento de risco dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil durante a nova gestão de Donald Trump?


Paul Dmitriev: Obviamente, Trump irá preferir trocar figurinhas com governos mais alinhados ao pensamento de direita e isso, de certa forma, deixará o Brasil mais vulnerável em relação a outros emergentes da América Latina, como a Argentina de [Javier] Milei, por exemplo. O mundo está criando dois blocos diferentes: um mais liberal, onde Lula seria o exemplo aqui na região, e outro mais à direita, em que Milei está. Além disso, o Banco Central do Brasil começou a subir os juros novamente, o que gera um novo obstáculo para as ações domésticas.


Valor: Então, neste momento, as ações argentinas seriam uma opção melhor do que as brasileiras?


Dmitriev: Sim. Em primeiro lugar, acredito que Trump está muito mais disposto a fazer acordos com Milei, que é alguém que está fazendo mudanças. Alguns dizem ser radicais, mas, na minha visão, são apenas medidas de normalização em um país que foi heterodoxo por muito tempo e isso faz o normal parecer extremo. Mas está funcionando bem porque a Argentina tem um caminho mais claro e eleições de meio mandato em outubro, onde o partido de Milei deve consolidar seu poder e facilitar a aprovação de reformas. As empresas voltaram a crescer, com uma relação preço/lucro das ações de 8 vezes, acima do visto aqui, de 7,6 a 7,9 vezes. Elas estão finalmente pagando dividendos, a inflação desacelerou, companhias estão investindo, consumidores estão gastando mais, bancos finalmente voltaram a emprestar de forma lucrativa... O ímpeto está com a Argentina.


Valor: Qual o problema aqui?


Dmitriev: Eu sou otimista em relação ao Brasil. Está a caminho do ‘grau de investimento’, conseguiu realizar reformas estruturais importantes, como a tributária, previdenciária, trabalhista... Mas as incertezas em relação ao déficit [primário] tiraram o foco do investidor. A relação entre a dívida e o PIB está entre 8% e 9% maior que outros países da região. E, com a incerteza se o governo continuará gastando, as expectativas estão desancoradas e os investidores ficam nervosos. E tudo isso deriva em grande parte da falha de comunicação do governo. E qual o catalizador para mudar isso? As eleições presidenciais ainda estão a dois anos de distância... Até lá precisamos de boas histórias.


Valor: Alguns desses problemas já existiam no governo anterior e os investidores não reagiam tão mal...


Dmitriev: A diferença entre agora e Bolsonaro é que a dívida está maior e as incertezas de para onde ela está indo são grandes. E, em termos de expectativa de inflação, o ambiente é muito diferente do que víamos no governo anterior e há essa falta de clareza do que o governo fará adiante. Parece que ele está apenas colocando ‘band-aid’ em tudo, chutando lata pela rua... E, além disso, temos o Trump.


Valor: Trump pode ser um obstáculo considerável aos investimentos em ativos financeiros no Brasil?


Dmitriev: Veja o que aconteceu na Colômbia com Petro... Ao rejeitar a entrada dos deportados americanos, o presidente da Colômbia entrou em atrito direto com Trump que já aplicou tarifas, o que fez Petro voltar atrás. Mas, nessa gestão, Trump não está para brincadeira. Ou você joga no time dele, ou será punido. A mensagem é clara para toda a América Latina. Dessa vez, ele está mais empenhado em cumprir suas promessas, o que deixa o Brasil bastante vulnerável porque Lula é historicamente um líder ideológico com posições firmes e provavelmente veremos manchetes de que Lula e Trump não se falam mais. Mas, no longo prazo, sou otimista com a bolsa brasileira.


Valor: Por que?


Dmitriev: Hoje, um outro obstáculo é a taxa de juros elevada. Por que arriscar nas bolsas se fundos oferecem retorno de até 17% livre de riscos? E o S&P 500 também tem oferecido retornos excelentes há cerca de uma década e acho que isso não é mais sustentável. Mas, com a inflação voltando para a meta de 3% e o Banco Central voltando a cortar os juros, o que deve acontecer no fim deste ano, os investidores voltarão para as ações, que estão baratas, com múltiplos abaixo da média de cinco a dez anos. O Brasil tem excelentes empresas integradas ao mercado internacional e vemos uma excelente oportunidade de comprar essas empresas ‘high quality’ em um horizonte de três a cinco anos. Agora, o que fará com que os investidores voltem? Será que algo tem que mudar domesticamente? Ou uma melhora nas relações bilaterais?


Valor: E o dólar?


Dmitriev: Quando o dólar enfraquece 1%, as ações dos mercados emergentes sobem 3,5%. No caso do Brasil, a alta é de 4,5%. Mas acredito que o dólar seguirá forte no curto prazo devendo enfraquecer gradualmente ao longo dos próximos quatro anos. Isso é decorrente de empresas que se financiam em dólar. Estamos vendo o dólar subir em função das incertezas em relação às tarifas e políticas de Trump. Possivelmente, os EUA precisarão voltar a elevar os juros porque essas políticas são inflacionárias e isso vai acontecer em um momento em que o Brasil estiver cortando os juros, o que será outro impulso para as bolsas. Por isso, acredito que, em três a cinco anos, o desempenho da bolsa brasileira pode ficar melhor que o da bolsa da Argentina, mas, no prazo de um ano, a Argentina vai ter melhor desempenho.

Simon Schwartzman