quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Broadcast - Selic em nov24

 *Projeções Broadcast: ampla maioria do mercado prevê alta de 0,50pp na Selic em novembro*


Por Gabriela Jucá, Daniel Tozzi Mendes e Anna Scabello


São Paulo, 31/10/2024


*Selic em resumo*


- A ampla maioria do mercado espera uma aceleração no ritmo do aperto monetário na reunião de novembro do Comitê de Política Monetária (Copom), com uma alta de 0,50 ponto porcentual na Selic.


- Este é o cenário base de 71 de 73 instituições consultadas (97,3%). Apenas duas casas (2,7%) preveem elevação do juro em 0,25 ponto porcentual no próximo encontro.


- A mediana para a taxa Selic no fim de 2024 segue em 11,75%, igual ao levantamento realizado no dia 26 de setembro, após divulgação do último Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central (RTI).


- As estimativas intermediárias do mercado apontam para mais uma alta de 0,50 ponto no Copom de dezembro e uma elevação de 0,25 ponto no juro básico em janeiro de 2025, quando a taxa deve atingir 12%.


- A mediana para a Selic no fim de 2025 subiu de 10,75% para 11,25%. Já para o segundo trimestre de 2026 - período que deve passar a ser o horizonte relevante na próxima comunicação do Banco Central - a mediana indica juro básico em 10%.


- O Copom divulga a sua decisão de juros na quarta-feira, 6, a partir das 18h30.


*Selic em análise*


A ampla maioria do mercado financeiro prevê uma elevação de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de novembro, saindo do atual nível de 10,75% para 11,25%. Esse é o cenário de 71 de 73 casas (97,3%) que responderam à pesquisa Projeções Broadcast.


A revisão do hiato do produto na reunião de setembro - da neutralidade para o campo positivo - a persistência na desancoragem das expectativas de inflação e as incertezas atreladas à dinâmica da política fiscal corroboram a perspectiva de um aperto no passo na condução da política monetária, observam os economistas.


O economista-chefe do Banco do Brasil, Marcelo Rebelo, espera aceleração no ritmo de alta da Selic a 0,50 ponto em novembro e mais duas altas consecutivas da mesma intensidade. Assim, no cenário do banco, o juro básico vai a 12,25% ao fim do atual ciclo de aperto monetário, previsto para janeiro.


A necessidade de juro mais alto, explica ele, reflete a continuidade da desancoragem das expectativas de inflação, mas, também, o hiato do produto em campo positivo. "Os membros do Copom têm dado repetidas sinalizações de que o plano é de fato buscar a convergência para 3%", afirma.


Rebelo trabalha com a perspectiva de que, no início do ano que vem, o câmbio esteja em um nível mais próximo de R$ 5,40, o que possibilitaria o encerramento do ciclo de alta na Selic já em janeiro. "Se o câmbio ficar mais próximo ao patamar de hoje, é preciso discutir um cenário em que a Selic vá além disso", reconhece. O dólar rompeu o nível dos R$ 5,75 nesta semana. No cenário-base do Banco do Brasil, haverá espaço para a Selic voltar a cair em setembro do ano que vem, levando o juro básico a 11,50% no final de 2025.


O economista sênior da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto, corrobora boa parte do cenário traçado por Rebelo, e também projeta alta de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic no próximo encontro. Ele prevê, porém, mais duas elevações de 0,50 ponto e uma última de 0,25 ponto, levando o juro básico a 12,50% no Copom de março, nível em que a Selic deve ficar estacionada até novembro de 2025.


O economista avalia que, desde a última reunião, em setembro, já se traçava um cenário mais desafiador para a política monetária. "O avanço dos principais condicionantes da inflação apontam para essa necessidade de esse ajuste ser mais célere", justifica Silvio Campos Neto. Ele também cita a piora do cenário externo - com o risco de uma eventual vitória do ex-presidente Donald Trump nas eleições dos EUA - e o estresse do mercado quanto à política fiscal em âmbito doméstico, ambos fatores que contribuíram para o dólar atingir o nível de R$ 5,75. "São mais problemas para o BC", afirma.


O cenário da Tendências também prevê redução da Selic no ano que vem, com o juro atingindo 11,50% no fim do ano.


A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, também estima mais uma elevação de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic em novembro e uma derradeira de 0,50 ponto em dezembro, finalizando o ciclo de aperto monetário com a Selic a 11,75%.


Ela avalia que o ciclo de alta da taxa aconteceu sem necessidade. "Já estava em um nível suficientemente restritivo [de 10,5%] para conter a inflação", diz. Vitoria reconhece, porém, que a taxa de câmbio pode ser mais um vetor de alta para a inflação e, consequentemente, para a taxa de juros, caso continue em deterioração. O Inter prevê redução da Selic a partir do segundo semestre de 2025, com a taxa atingindo 10%.


Contato: gabriela.silva@estadao.com; daniel.mendes@estadao.com; anna.araia@estadao.com


*Colaborou Pedro de Paiva, especial para o Broadcast

Call Matinal ConfianceTec 3110

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

31/10/2024 

Julio Hegedus Netto,  economista.


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE QUARTA-FEIRA (30)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa encerrou o pregão na quarta-feira (30) em queda de 0,07%, a 130.639 pontos. Em outubro, fechou em queda de 0,89%, no ano, recuando 2,64%. Já o dólar encerrou em alta marginal de 0,04%, próximo da estabilidade, a R$ 5,7619. Em outubro, valorização foi de 5,8%, no ano, 18,82%. Vértice da curva de juros segue pressionado, em função do "mal amarrado" pacote fiscal.


Mercados hoje (30): Bolsas asiáticas fecharam, na sua maioria, em queda; bolsas europeias em queda e Índices Futuros de NY na mesma toada.


RESUMO DOS MERCADOS (06h40)


S&P 500 Futuro, +0,23%

Nasdaq, -0,58%

Londres (FTSE 100),-0,70%

Paris (CAC 10), -0,86%

Frankfurt (DAX), -0,58%

Stoxx600, -0,86%

Shangai, +0,43%

Japão (Nikkei 225), -0,50% 

Coreia do Sul (Kospi), -1,45%

Hang Seng, -0,31%

Austrália (ASX), -0,25%

Petróleo Brent, +0,57%, a US$ 72,57

Petróleo WTI, +0,19%, US$ 68,48

Minério de ferro em Dalian, -0,38%, a US$ 109,80.


NO DIA (31)


Nos EUA, hoje é dia dos pedidos de seguro-desemprego e de PCE de outubro, indicador de custo dos gastos das famílias. Amanhã, temos o payroll e a taxa de desemprego. Ontem, o ADP, na geração de empregos privados, veio em 233 mil gerados.


Na Zona do Euro, o CPI registrou 2,0% em outubro, contra 1,7% em setembro, o núcleo, a 2,7%. Já a taxa de desemprego veio em 6,3% da PEA.

  

No BRASIL, com agenda mais leve, o foco estará nas expectativas fiscais. 

 

Aguardam-se cortes de R$ 25,50 bilhões nas despesas, embora esse montante fique abaixo dos R$ 49,50 bilhões necessários para atender às regras fiscais de 2024.


 No front da política, a Câmara dos Deputados rejeitou a proposta de tributação sobre grandes fortunas e finalizou a segunda etapa da reforma tributária, agora seguindo para o Senado. 


AGENDA DO DIA (31)

 

Economia: 🇧🇷

 

09h00: Taxa de desemprego PNAD de set., est. 6,5%, ant 6,6%.

11h30: BCB faz leilão para rolagem de 14.000 contratos de swap cambial.

18h00: Total da dívida federal de set., ant 7036b.

 

Economia: 🇺🇸

 

09:30: Renda pessoal de set., est. 0,3%, ant 0,2%

09h30. Gastos pessoais de set., est. 0,4%, ant 0,2%

09h30. Novos pedidos seguro-desemprego de out., est. 230k, ant 227k.

10h45. MNI Chicago PMI de out, est. 47,0 ant. 46,6.

 

Balanços: 

 

CCR (#CCRO3) pós-mercado

Carrefour Brasil (#CRFB3) pós-mercado

EZTec (#EZTC3) pós-mercado

 Marcopolo (#POMO4) pós-mercado

 

Eventos corporativos:

 

 10h00. AES Brasil (#AESB3): Teleconferência de resultados em português e inglês. 10h00. Cteep (#TRPL4): Teleconferência de resultados em português e inglês. 10h30. Bradesco (#BBDC4): Teleconferência de resultados em português e inglês.

11h00. Weg (#WEGE3): Teleconferência de resultados em português e inglês.

11h30. Auren Energia (#AURE3): Teleconferência de resultados em português e inglês

12h30. Ambev (#ABEV3): Teleconferência de resultados em português e inglês.


Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa quinta-feira e bons negócios!


PS. Em breve, um novo Call Matinal.

Josue Leonel

 *Tech pesa antes de PCE, iene sobe; fiscal no radar: Mercado Hoje*


Por Josue Leonel

(Bloomberg) -- Bolsas externas estendem as perdas da véspera com quedas das ações da Meta e Microsoft, na sequência dos balanços das duas empresas e enquanto investidores aguardam novos resultados de gigantes de tecnologia. No mercado cambial iene se aprecia depois que o Banco do Japão manteve os juros e disse que avalia impacto da moeda fraca na economia. Rendimento dos treasuries tem leve baixa antes de bateria de dados nos EUA que inclui o PCE. Minério tem alta moderada com PMI acima do previsto na China.

No Brasil, Haddad participa de reunião do G20, depois do alívio parcial na sessão anterior com seus comentários sobre convergência com Casa Civil em medidas para reforçar o arcabouço. As medidas devem ser anunciadas semana que vem, segundo a CNN Brasil. No Congresso, Câmara rejeita o imposto sobre grandes fortunas. Juros futuros refletem leilão de prefixados e agenda inclui taxa de desemprego, que deve ter leve queda, e CMN. No corporativo, resultado do Bradesco super estimativas.

No exterior, às 7:30:

S&P 500 Futuro -0,8%

FTSE 100 -0,7%

CAC 40 -0,9%

Nikkei 225 -0,5%

Hang Seng -0,3%

Shanghai SE Comp. +0,4%

MSCI World -0,1%

MSCI EM -0,4%

Petróleo WTI +0,7% a US$ 69,07 barril

Petróleo Brent +0,4% a US$ 72,82 barril

Futuro do minério em Singapura +0,5% a US$ 104,25

Bitcoin -0,8% a US$ 72249,13

*T

 

Internacional

Bolsas recuam com tecnologia antes de PCE; iene sobe com

BOJ, minério com China

* Bolsas europeias e futuros de Nova York estendem as quedas

enquanto os investidores digerem os resultados Microsoft e da

Meta e aguardam os números da Apple e Amazon nesta quinta-feira

* Ações da Microsoft caem no pré-mercado após um guidance

decepcionante para o negócio de computação em nuvem e as da Meta

também cedem com alerta da empresa de piora nas perdas com

inteligencia artificial

* Rendimentos dos treasuries têm baixa leve à espera de bateria

de dados nos EUA, na véspera do relatório de emprego

* Deflator PCE sai às 9:30 e tem estimativa de ligeira

aceleração em setembro; ainda saem indicadores de gastos e renda

pessoal, seguro-desemprego e PMI de Chicago

* Índice dólar tem recuo discreto, mas moeda americana segue a

caminho de seu melhor mês em mais de dois anos, depois que os

investidores reduziram a expectativa de corte de juros do Fed e

diante das apostas na eleição de Donald Trump

* Iene se fortalece e lidera ganhos entre principais moedas

depois que Kazuo Ueda, presidente do Banco do Japão, disse que o

BC avaliará o impacto de uma moeda fraca na economia; BOJ

manteve sua taxa de juros

* Minério de ferro tem leve ganho após PMI indusrtrial que

registrou a primeira leitura expansionista desde abril na China

* Petróleo tem alta moderada com queda dos estoques americanos,

enquanto os investidores seguem com o conflito no Oriente Médio

no radar


Para acompanhar

Leilão do Tesouro e desemprego; relatório da dívida, CMN

* Tesouro oferta prefixados; na semana passada, leilão vendeu

toda oferta de 1,1 milhão de LTN e 800.000 NTN-F, em uma sessão

de queda dos juros futuros

* IBGE divulga às 9:00 taxa de desemprego nacional de setembro,

estimativa de 6,5%, anterior 6,6%

* Convergência entre Fazenda e Casa Civil sobre medidas para

reforçar arcabouço fiscal, segundo Fernando Haddad, levaram

nesta quarta-feira a leve alívio na ponta longa da curva de

juros futuros e no dólar

* Tesouro Nacional divulga o Relatório Mensal da Dívida de

setembro às 18:00. Em agosto, a dívida pública federal caiu 1,5%

em comparação ao mês anterior, para R$ 7,04 tri

* Campos Neto e Haddad participam às 15:00 de reunião do CMN

* BC oferta 14.000 contratos de swap cambial para rolagem a

partir das 11:30

* Balanços hoje: CCR, Carrefour Brasil, EZTec, Marcopolo


Outros destaques

Corte na próxima semana; Câmara rejeita imposto de grandes

fortunas

* Planalto quer anunciar corte de gastos na próxima semana, diz

a CNN Brasil, sem especificar como obteve a informação

** Integrantes das equipes envolvidas nas discussões estão

confiantes de que o presidente Lula comprou a ideia da redução

de despesas e de que é possível voltar ao grau de investimento

das agências de risco até 2026

* Câmara rejeita emenda que pretendia instituir o Imposto sobre

Grandes Fortunas (IGF) e texto vai ao Senado: Agência Câmara

* Câmara altera taxa das blusinhas para garantir devolução de

imposto e isenção para remédio: Valor

* Lula participa às 15:00 de reunião com governadores

* Haddad participa às 9:30 da reunião Ministerial do G20 e às

18:00 se reúne com Marcelo Marangon, CEO Citibank Brasil

* Justiça de SP suspende terceirização de escolas do governo

Tarcísio: Folha

* Aprovada inclusão da agricultura familiar em fundo garantidor:

Agência Senado

* Lideranças do PT temem que Lula não dispute a Presidência da

República em 2026: Folha


Empresas

Bradesco, Ambev, Hypera, Itaú, Petrobras

* Bradesco: lucro recorrente no terceiro trimestre R$ 5,23 bi,

+13% sobre mesmo período do ano passado, ante estimativa R$ 5,14

bi

* Ambev: Receita líquida terceiro trimestre em linha com

estimativas

* Hypera: EMS retira proposta de OPA e combinação de negócios

* Itaú Unibanco emite R$ 2,8 bi em letras financeiras perpétuas

* Ecopetrol e Petrobras retomarão perfuração de poço na Colômbia

* AES Brasil: Receita líquida 3T supera estimativas

* Klabin elevada a neutra por Goldman

* BRF elevada a outperform por Grupo Santander

* Auren Energia:  Lucro 3T supera estimativas

* Veja mais informações na Agenda do Dia

* Veja aqui como fechou o Mercado


 

 


Para entrar em contato com o repórter:

Josue Leonel em Sao Paulo, jleonel@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis:

Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Patricia Xavier

ITAU PRIVATE NEWSLETTER

 *WP NEWSLETTER | ITAÚ PRIVATE BANK* 


*_REFORMA TRIBUTÁRIA: PLP 108/2024_*


O plenário da Câmara dos Deputados acaba de finalizar a votação dos destaques do PLP. Seguem abaixo as principais decisões tomadas pelos deputados:


1. Foi *rejeitada* a emenda que visava à instituição do *Imposto sobre Grandes Fortunas*.

2. Foi *aprovada* a emenda que dispõe pela incidência do ITCMD sobre quaisquer bens e direitos para os quais se possa atribuir valor econômico, *sem mencionar expressamente os planos de previdência*.

3. Foi *excluída* a disposição que previa a incidência do ITCMD sobre *distribuição desproporcional de dividendos* sem propósito negocial.

4. Foi *excluída* a definição da *base de cálculo do ITBI* como sendo o valor declarado pelo contribuinte.


Lembramos que o PLP ainda passará por análise do Senado Federal. Em caso de alterações, os ajustes poderão ser acatados ou não pelos deputados.


Apenas após sanção presidencial, a lei poderá ser publicada, sendo que novas cobranças de ITCMD deverão respeitar os princípios da anterioridade de exercício e nonagesimal .

BDM Matinal Riscala 3110

 *Rosa Riscala: NY tem PCE e decepção com magníficas*


Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


… Vêm da Ásia as primeiras notícias do dia: o BoJ confirmou o script esperado e manteve o juro em 0,25%. Na China, a indústria voltou ao território de expansão. Nos EUA, a inflação do PCE de setembro (9h30) deve subir 0,2%. Mas o mercado quer saber mesmo é do payroll amanhã, neste momento em que o emprego é observado muito de perto pelo Fed. Do lado dos balanços, Meta e Microsoft repercutiram mal no after hours os guidances e contratam abertura negativa para o Nasdaq. Após o fechamento, saem Apple, Amazon e Intel. Aqui, Bradesco e Ambev soltam seus resultados antes da abertura dos negócios. Na agenda dos indicadores, um dia depois do Caged forte, sai a Pnad contínua do trimestre até setembro (9h). Fora isso, é continuar tendo sangue frio para cumprir a espera pelo pacote de corte de gastos do governo. O mercado vai vivendo um dia de cada vez.


… Haddad participa hoje (9h30), por meio virtual, da abertura da reunião ministerial do G20 Saúde/Finanças.


… Na noite de ontem, depois de uma palestra em evento promovido pelo IDP, em Brasília, ele reclamou a jornalista que existe “uma forçação boba” para as medidas serem divulgadas logo. “Não é assim que funciona.”


… Mais cedo, o ministro havia dito que entende a “inquietação” do mercado, mas que há muita “especulação”.


… Questionado se houve uma decisão na reunião desta 4ªF da Junta de Execução Orçamentária (JEO) sobre o envio das medidas de corte de gastos ao Congresso, o ministro da Fazenda respondeu que “não teve nada”.


… Também presente à reunião da JEO, Tebet defendeu o anúncio do pacote de revisão de gastos em novembro (que começa amanhã) e disse que não há pressa para aprovar porque os impactos são no Orçamento de 2026.


… Segundo ela, o presidente Lula já tem ideia do montante de cortes e das medidas que o pacote incluirá.


… Mesmo sem definição ainda sobre o desenho final, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, reagiu: disse que não foi consultado sobre nada e descartou uma discussão sobre cortar abono salarial e seguro-desemprego.


… “Se [o governo] nunca discutiu comigo e se eu sou responsável pelo tema, o debate destas medidas não existe, a não ser que me demitam”, desafiou. Para ele, mudanças sem consultá-lo seriam uma “agressão”.


… No mercado, os investidores ensaiaram algum alívio frágil (abaixo) com comentários de Haddad de que há convergência entre a Fazenda e a Casa Civil sobre as medidas necessárias para assegurar o arcabouço fiscal.


… Rui Costa confirmou, saindo em defesa do ajuste nas contas. “Quem apostar contra o Brasil vai perder, Lula fará os ajustes para manter o crescimento do País, assegurar investimentos e cumprir o arcabouço fiscal.”


… Enquanto a decisão final não sai, o Estadão apurou que o governo analisa limitar o crescimento para o piso da saúde e educação a 2,5% aa, sem contar a inflação, submetendo essas despesas ao mesmo limite do arcabouço.


… A equipe econômica também colocou o Fundeb no radar. Uma das medidas em estudo é incluir o programa Pé-de-Meia no Fundo, livrando o Poder Executivo de reservar recursos extras para a bolsa do ensino médio.


… Outra proposta em estudo é aumentar a parcela do Fundeb que serve para cumprir o piso da Educação. Hoje, apenas 30% do fundo entra nessa conta. A medida pode abrir um espaço fiscal de R$ 33 bilhões em três anos.


… Em pesquisa realizada pelo Broadcast, a mediana do mercado prevê que o governo anuncie um pacote de redução de gastos de R$ 25,50 bilhões, quase metade do apontado como necessário (R$ 49,50 bilhões).


… Nas mesas de operação, circulou ontem o rumor de que o corte ficará entre R$ 40 bi e R$ 60 bi, informação atribuída à consultoria Arko Advice. O intervalo é maior do que as especulações anteriores: R$ 30 bi a R$ 50 bi.


REFORMA TRIBUTÁRIA – A Câmara concluiu nesta 4ªF a votação do segundo projeto de regulamentação, que agora segue para a análise do Senado. Os deputados rejeitaram a tributação sobre grandes fortunas.


… Os parlamentares também decidiram retirar a cobrança de imposto sobre herança de fundos de previdência privada e ainda sobre a distribuição desproporcional de lucros entre os sócios de empresas.


… Além disso, a maioria da Câmara votou em plenário para autorizar a transferência de créditos de ICMS ou do futuro Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) entre companhias do mesmo grupo econômico.


… Pacheco já manifestou a intenção votar o relatório de regulamentação da reforma no início de dezembro.


… O relator, senador Eduardo Braga, pretendia realizar a primeira audiência pública sobre o texto na próxima 4ªF (dia 6), mas Alcolumbre cancelou as sessões da CCJ na semana que vem, apertando o calendário da reforma.


… O motivo do cancelamento é que o Congresso receberá o P20, encontro dos presidentes dos Parlamentos dos países que integram o G20, que vai durar até o dia 8 de novembro (6ªF da semana que vem).


MAIS AGENDA – A atividade econômica aquecida e o aumento da população ocupada devem garantir novo recuo na taxa de desemprego da Pnad, para 6,5% no trimestre até setembro, de 6,6% no trimestre até agosto.


… O intervalo das projeções dos analistas de mercado em sondagem do Broadcast varia de 6,4% a 6,6%.


… O Tesouro divulga o relatório da dívida de setembro (18h) e, ainda no fim da tarde, o CMN anuncia decisões.


BALANÇOS – O lucro do Bradesco no balanço do 3Tri deve subir 11% na base anualizada e chegar a R$ 5,133 bilhões, de acordo com a média das estimativas no Broadcast. Após o fechamento, saem CCR, Carrefour e EzTec.


LÁ FORA – Nos EUA, a previsão para o auxílio-desemprego (9h30) é de +2 mil pedidos, para 229 mil. O PMI de outubro medido pelo ISM/Chicago sai às 11h45. Na zona do euro, tem o CPI (7h). Colômbia decide juro às 15h.


AFTER HOURS – Meta caiu 3,11%, apesar de a dona do Instagram, WhatsApp e Facebook ter tido lucro e receita acima do esperado. O mercado não gostou da perspectiva de aceleração das despesas com infraestrutura em 2025.


… Microsoft também teve receita e lucro acima do esperado, mas decepcionou a previsão para o crescimento da receita dos serviços em nuvem Azure no 4Tri (entre 31% e 32%, de 34% no 3Tri) e a ação caiu 3,73%.


… O guidance reflete as dificuldades da empresa para colocar data centers online com rapidez suficiente para acompanhar a demanda por serviços de IA.


CHINA HOJE – O dado oficial do PMI industrial avançou a 50,1 em outubro, de 49,8 em setembro. O indicador acima de 50 pontos mostra que a atividade econômica entrou em expansão pela primeira vez desde abril.


… O PMI de serviços avançou de 50 em setembro para 50,2, levemente acima da previsão de 50,1.


… Hoje à noite (22h45), sai o resultado do PMI industrial medido pelo setor privado (S&P Global/Caixin).


VIVENDO NO VAZIO – De concreto, como se viu, não teve nenhuma novidade ontem sobre o anúncio do corte de gastos prometido pelo governo que justificasse a acomodação vivida pelos mercados domésticos à tarde.


… Mesmo assim, como os negócios já andaram estressando demais, faltou disposição para esticar mais a corda.


… No momento mais tenso do pregão, o dólar chegou a encostar em R$ 5,80 (máxima de R$ 5,7927) e corre o risco de bater R$ 6, segundo o economista Eduardo Velho (Equador), se demorar muito para sair o pacote.


… Porém, a poeira baixou no começo da tarde, com o investidor se apegando ao discurso afinado de Haddad e Rui Costa, sinalizando concordância entre as alas econômica e política sobre a necessidade dos cortes.


… É pouco, mas foi alguma coisa para o câmbio estabilizar, com o dólar valendo R$ 5,7634 (+0,03%), em véspera de disputa técnica em torno da ptax e no day after da escalada para o maior nível em mais de dois anos e meio.


… Mas a estabilidade pode ser colocada à prova nos próximos dias não apenas pela forma como a questão fiscal será endereçada, como também pela agenda lotada pela frente (payroll, eleições nos EUA, Fed e Copom).


… O BC informou ontem que o fluxo cambial total na semana passada foi negativo em US$ 1,672 bilhão, resultado da entrada de US$ 15 milhões pela conta comercial e saída de US$ 1,687 bilhão pela via financeira.


… O fluxo total acumulado em outubro está positivo em US$ 244 milhões. No ano, já entraram US$ 6,763 bi.


… Aguardando a definição sobre o conjunto de medidas do governo para reduzir os gastos públicos, os contratos futuros dos juros registraram oscilações modestas na sessão desta 4ªF e fecharam com viés de queda.


… O DI para janeiro de 2026 marcou 12,735% no fechamento (de 12,740% um dia antes); Jan/27 terminou a 12,880% (12,910%); Jan/29, a 12,890% (12,945%); Jan/31, a 12,820% (12,880%); e Jan/33, a 12,740% (12,810%).


… A geração de empregos no Caged em setembro (247.818 vagas) acima do esperado (225 mil) ficou em segundo plano nos negócios e só reforça a aposta de aceleração da dose de alta da Selic para meio ponto.


NO MODO ESTÁTUA – Como os demais ativos, também o Ibovespa optou ontem por não ir nem para frente e nem para trás, na agonia da espera dos investidores pelo anúncio do pacote de corte de gastos do governo.


… Fechou estável (-0,07%), aos 130.639,33 pontos, e com giro desprezível (R$ 17 bilhões). O índice à vista da bolsa chega ao último pregão do mês com queda acumulada de 0,89% em outubro e de 2,64% no ano.


… Não tem dado para ignorar o desinteresse dos investidores estrangeiros pelo Brasil. A fuga de capital externo da B3 já beira os R$ 2 bilhões este mês. No acumulado de 2024, a conta está negativa em R$ 30,177 bilhões.


… A bolsa só registrou leve fluxo positivo em julho e agosto. O início do ciclo de corte de juro pelo Fed tem sido um vilão para os mercados emergentes e, no front doméstico, a questão fiscal reforça a retirada dos recursos.


… Nesta 4ªF, Vale caiu de forma moderada (-0,30%; R$ 62,47), enquanto o minério teve alta modesta de 0,38%.


… Petrobras operou descolada do Brent (+2,20%, US$ 72,16), que reagiu à notícia, via Reuters, de que a Opep+ estuda adiar o aumento de produção programado para dezembro.


… As ações da companhia parecem também ter reagido às incertezas em torno da exploração na Foz do Amazonas, embora a licença para a operação ainda possa sair.


… Apuração do Broadcast informou que a Petrobras segue conversando com o Ibama e tem a expectativa de receber a licença ainda este ano.


… Entre os bancos, Santander (+2,04%; R$ 27,95) recuperou parte da queda da véspera (-5,13%) provocada pelo balanço. Bradesco teve alta discreta antes de seu resultado: ON (+0,30%; R$ 13,19) e PN (+0,33%; R$ 15,03).


… Banco do Brasil teve alta de 0,76% (R$ 26,37). A exceção do setor foi Itaú, que caiu 0,28%, a R$ 35,25.


… Só de o DI não ter subido, já embalou altas firmes nas ações mais sensíveis ao ciclo econômico: CVC disparou 4,35% (R$ 2,16), Magalu subiu 4,01% (R$ 9,60), Carrefour, +3,32% (R$ 7,47), e MRV, +3,02% (R$ 7,17).


… Ainda Cyrela (+3,01%; R$ 21,87), GPA (+2,63%; R$ 3,12) e Yduqs (+2,36%; R$ 10,85) se destacaram.


… Weg liderou as perdas (-5,16%, a R$ 54,00), após balanço do 3Tri abaixo das expectativas. Embraer baixou 2,08% (R$ 49,08) e IRB perdeu 1,73% (R$ 43,14).


PONTO DE EQUILÍBRIO – A primeira leitura do PIB do 2Tri nos EUA, que desacelerou de 3% no 1Tri para 2,8% anualizados, foi considerada robusta e vigorosa, mesmo ficando abaixo dos 3% esperados.


… “O crescimento sólido, mas não exorbitante, enquadra-se perfeitamente no atual cenário econômico”, disse Bret Kenwell (da eToro). “Uma leitura fraca poderia reacender as preocupações sobre a deterioração da economia.”


… Para o BofA, o PIB ainda favorece a possibilidade de uma taxa de juro final mais alta nos EUA.


… Outro driver que, segundo boa parte do mercado, tende a entrar na conta da política monetária é a eleição. Se Trump vencer, é bastante provável que o Fed contrate uma ação mais conservadora contra mais déficit e inflação.


… Embutido no PIB, o PCE trimestral subiu ao ritmo anualizado 1,5%, contra alta de 2,5% no 2Tri. O núcleo do índice aumentou 2,2%, de 2,8% no trimestre anterior.


… Também o dado da ADP apontou que a economia americana segue resiliente. Foram criadas 233 mil vagas no setor privado em outubro, de uma expectativa de 108 mil.


… O número de setembro foi revisado para cima, de 143 mil para 159 mil.


… Os indicadores do dia contribuíram para elevar os retornos dos Treasuries, em especial o da note de 2 anos (de 4,095% para 4,167%), mais sensível à política monetária.


… O juro da note de 10 anos subiu a 4,282% (de 4,254%) e o do T-bond de 30 anos, a 4,492% (de 4,487%).


… Baixas fortes em algumas ações de tecnologia prejudicaram o desempenho das bolsas em NY ontem.


… AMD (fabricante de chips) e Qorvo (de produtos eletrônicos sem fio) divulgaram guidances abaixo do esperado e caíram 10,6% e 27,3% respectivamente.


… Super Micro Computer despencou 32,6% depois que a Ernst & Young abandonou a auditoria da empresa, dizendo não confiar na gestão da SMC.


… O desempenho das três companhias tirou o brilho do resultado acima do esperado da Alphabet (+2,8%) e virou o Nasdaq, que havia renovado pico histórico intraday (18.785,49), mas fechou em queda de 0,56% (18.607,93 pontos).


… Caterpillar decepcionou em lucro e receita e caiu 2,13%, roubando o fôlego do Dow Jones (-0,22%; 42.141,54 pontos, na mínima). O S&P 500 (-0,33%; 5.813,67) seguiu a mesma toada.


… As ações de construtoras subiram com o inesperado aumento de 7,4% nas vendas pendentes de imóveis nos EUA em setembro ante agosto, o maior em quatro anos. A expectativa era de queda de 3,2%.


… No embate entre os PIBs, o da zona do euro, acima do esperado, puxou uma alta de 0,43% no euro, a US$ 1,0864, o que foi determinante para a queda do índice dólar (DXY), de 0,31%, a 103,994 pontos.


… A atividade da zona do euro cresceu 0,4% no 3Tri, o dobro do esperado, sobre o 2Tri. O PIB da maior economia da região, da Alemanha, subiu 0,2%, ante expectativa de estabilidade.


… O iene ficou praticamente estável (+0,05%), em 153,307/US$. A libra chegou a subir, mas cedeu 0,24%, a US$ 1,2975, depois da divulgação do orçamento do Reino Unido.


… Para a Capital Economics, o orçamento afrouxa a política fiscal em relação aos planos anteriores e é consistente com um PIB um pouco mais forte, o que pode diminuir o ritmo de queda dos juros pelo BoE.


EM TEMPO… A farmacêutica HYPERA recebeu correspondência da EMS formalizando a retirada da oferta pública de aquisição de ações (OPA) e de combinação de negócios apresentada.


VALE. A Moody´s reiterou o rating da mineradora em Baa2, com perspectiva positiva; agência incorporou acordo de reparação da tragédia do rompimento da barragem de Fundão da Samarco…


… Associações de defesa do consumidor e vítimas da tragédia de Mariana pediram ao STF nova audiência de conciliação para indenizar vítimas por consumo de água “envenenada” com superdosagens proibidas de Tanfloc…


… O produto é usado para tratamento de água. Pedido foi feito após a assinatura de acordo que prevê o pagamento de R$ 167 bilhões pela Vale, BHP e Samarco para reparar danos do rompimento da barragem, em 2015.


PETROBRAS recebeu uma demanda societária em ação popular, solicitando o afastamento de Daniel Cabaleiro Saldanha do cargo de conselheiro fiscal…


… O motivo é “falta de qualificação compatível com o cargo e conflito de interesses”, segundo a ação.


ITAÚ emitiu R$ 2,8 bilhões em letras financeiras subordinadas perpétuas, com opção de recompra a partir de 2029.


CCR arrematou concessão do lote rodoviário da Rota Sorocabana, com oferta de outorga fixa de R$ 1,601 bilhão, ágio de 267.835% em relação ao valor mínimo de R$ 597,5 mil estipulado…


… Concessionária saiu vencedora após disputa acirrada com a EcoRodovias, em leilão na B3…


… Pátria e EPR também participaram do leilão, ofertando R$ 1,09 bilhão e R$ 864 milhões, respectivamente; concessão engloba trechos operados atualmente pela ViaOeste (do Grupo CCR) e estradas sob gestão do DER-SP.


MULTIPLAN concluiu 1ª parcela de compra de ações detidas pela OTPP; foram adquiridas 36 milhões de ações; fechamentos da 2ª e da 3ª parcela serão realizados nos próximos dias…


… Empresa concluiu venda de terreno de 128,6 mil m² em Ribeirão Preto (SP) pelo valor de R$ 25,6 milhões.


ISA CTEEP registrou lucro líquido IFRS de R$ 1,107 bilhão no 3TRI, alta de 135,6% na comparação anual; Ebitda IFRS somou R$ 1,979 bilhão, avanço de 146,6% ante mesmo período de 2023.


AUREN ENERGIA registrou lucro de R$ 270,8 milhões no 3TRI24 e reverteu prejuízo de R$ 838,1 milhões no 3TRI23; Ebitda ajustado somou R$ 484,3 milhões, aumento de 6,9% na comparação anual.


AES BRASIL registrou prejuízo líquido de R$ 73,6 milhões no 3TRI24, revertendo lucro do 3TRI23; Ebitda somou R$ 375,5 milhões, redução de 12,6% em relação ao mesmo período do ano passado.


ENEVA teve geração de energia bruta total de 4.083 GWh no 3Tri24. Também produziu 0,72 bilhão de metros cúbicos (bcm) de gás natural e totalizou 476,5 bcm de total de reservas 2P de gás natural.


KEPLER WEBER registrou lucro líquido de R$ 59,6 milhões no 3TRI, queda de 10,4% na comparação anual; Ebitda somou R$ 97,6 milhões, crescimento de 21% em relação ao mesmo período de 2023.


CAIXA SEGURIDADE. Conselho da sua investida CNP Seguros Holding Brasil (CSH) aprovou a venda de participação no capital social da Wiz Co Participações e Corretagem de Seguros para a Integra Participações por R$ 238,26 milhões…


… Após o fechamento da operação, a Caixa Seguridade deixará de deter, direta ou indiretamente, qualquer participação societária na Wiz.

Matinal MZ

 *Bom dia ☕️*


*🌎Em um novo dia de agenda movimentada, os índices futuros dos EUA operam em baixa nesta quinta-feira (31)*. 


O último pregão de outubro terá como destaque a publicação do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), o indicador de inflação preferido do Federal Reserve (Fed), que deve ajudar a guiar a decisão do banco central na próxima semana, além da divulgação dos resultados das gigantes de tecnologia Apple e Amazon.


*📊Veja o desempenho dos mercados futuros :*


*🇺🇸EUA*


• Dow Jones Futuro: -0,51%

• S&P 500 Futuro: -0,84%

• Nasdaq Futuro: -1,18%


🌏 Ásia-Pacífico


• Shanghai SE (China), +0,42%

• Nikkei (Japão): -0,50%

• Hang Seng Index (Hong Kong): -0,31%

• Kospi (Coreia do Sul): -1,45%

• ASX 200 (Austrália): -0,25%


🌍 Europa


• FTSE 100 (Reino Unido): -0,50%

• DAX (Alemanha): -0,48%

• CAC 40 (França): -0,54%

• FTSE MIB (Itália): -0,47%

• STOXX 600: -0,51%


🌍 Commodities


• 🛢️Petróleo WTI, -0,19%, a US$ 68,48 o barril

• 🛢️Petróleo Brent, -0,19%, a US$ 72,41 o barril

• 🧲Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,38%, a 781,50 iuanes (US$ 109,80)


🪙Bitcoin


• Bitcoin, +0,37%, a US$ 72.183,16


*📚MZ Investimentos*

*🗞️Jornal do Investidor*

Bankinter Portugal 3110

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, sessão em baixa nas bolsas, com Nova Iorque melhor do que Europa. A sessão teve vários catalisadores. Começando no plano macro, o PIB dos EUA voltou a mostrar a força da economia americana (+2,8% t/t anualizado vs +2,9% esperado e +3,0% anterior), apoiada num consumo próspero que surpreendeu para melhor (+3,7% vs +3,3% esp.) e menor pressão pelo lado dos preços, como mostrava o Deflator do PIB (+1,8%). Dados que contrastaram com as modestas taxas de crescimento na Europa (+0,9% a/a vs +0,8% esp. e +0,6% anterior), que, apesar de saírem acima do esperado, não chegou para apoiar as bolsas. Também foi publicado o Inquérito de Emprego Privado ADP, com uma criação de Emprego muito acima do esperado (233k vs 111k esp. e 159k ant.), definindo um precedente para os dados formais de emprego, amanhã. 

 

Em paralelo aos dados macro, continua a imensidão de resultados empresariais. Ontem, no fecho, Meta publicou resultados que, apesar de serem melhores do que o esperado, advertiu que as despesas para o desenvolvimento de IA “irão acelerar significativamente”, e por isso cai -3,0% em aftermarket. Microsoft também publicou uma leitura semelhante: os resultados batem, mas o crescimento da IA não convence e cai -3,7% no mercado fora de hora. O impacto de ambos os resultados será na sessão de hoje. Ontem, o governo espanhol anunciou que irá retirar o imposto às empresas energéticas, portanto esperamos um impacto positivo para o setor na sessão, especialmente em Endesa (Comprar; 22,4€), que será a mais beneficiada pela medida. As Utilities fazem parte das nossas carteiras modelo de ações espanholas, além de ser um dos nossos setores recomendados. 

 

Para HOJE, à primeira hora, já publicaram BBVA, CaixaBank e Airbus, entre outros, com um tom bastante positivo, embora com alguma exceção, como Stellantis (Vender; 12,4€), que defraudou em vendas. Contudo, a atenção estará no fecho americano, com a publicação de Apple (EPS 1,593$; +9,10%) e Amazon (1,139$; +37,7%), embora os resultados impactem já na sessão de amanhã. De momento, o crescimento médio do EPS 3T 2024 é de +6,7% vs +5,1% esperado. Na frente macro, às 10h, conheceremos o IPC da UE (+1,9% esp. vs +1,7% anterior) e às 12:30 teremos o Deflator de Consumo Privado (PCE) nos EUA (+2,1% vs +2,2%). O primeiro aumentará, embora por um efeito base menos favorável. Nada preocupante, ainda para mais com o preço do petróleo em 72$/barr. O PCE ao ser de setembro irá desacelerar tanto em taxa geral como na subjacente, dando mais argumentos à Fed para continuar com o processo de descidas de taxas de juros. 

 

Em suma, hoje esperamos uma sessão em baixa, prejudicada pela queda de Meta e Microsoft no aftermarket americano e onde o aumento da inflação europeia não ajudará a melhorar o tom. Além disso, o mercado estará tenso antes da publicação de 2 das 7 Magníficas, no fecho, dos dados de emprego de amanhã e em relação às eleições americanas, que estão a aproximar-se. 

 

Contudo, continuamos a acreditar que o fundo do mercado é positivo, porque: a economia mantém as sólidas taxas de crescimento nos EUA e suficientes na Europa, a inflação está próxima dos objetivos da Fed e do BCE, o que favorecerá que continue o processo de descidas de taxas de juros de ambos os bancos centrais, e tudo isso em consonância com resultados corporativos que apesar de não estarem a ser brilhantes, batem as expetativas. 

 

S&P500 -0,3% Nq-100 -0,8% SOX -3,4% ES-50 -1,3% IBEX -0,7% VIX 20,4% Bund 2,37% T-Note 4,30% Spread 2A-10A USA=+11pb B10A: ESP 3,08% PT 2,77% FRA 3,15% ITA 3,63% Euribor 12m 2,55% (fut.12m 2,146%) USD 1,086 JPY 166,5 Ouro 2.787$ Brent 73,0$ WTI 69,1$ Bitcoin +0,7% (72.844$) Ether +2,2% (2.679$). 

 

FIM

Muito bom

 *Democracia e desesperança* 


" _Como o governo está paralisado pela senilidade ideológica, cabe à direita sensata enfrentar os sabotadores da democracia e lutar para tirar o Brasil do presente atoleiro_ 


Por Luiz Felipe D'Avila 30/10/2024 


https://www.estadao.com.br/opiniao/luiz-felipe-davila/democracia-e-desesperanca/


O World Data Lab, uma instituição de ciência de dados, publicou um estudo sobre a renda de jovens no mundo e revela um dado estarrecedor. Em 2000, o poder de compra de um jovem brasileiro era equivalente ao do jovem mexicano; hoje o poder de compra do brasileiro de 25 anos de idade representa metade do mexicano. Esse é o retrato cruel da degeneração política, econômica e social do Brasil nas últimas duas décadas de governos populistas. Três males abateram o País nesse período.


Primeiro, a miopia ideológica da esquerda e sua visão antimercado transformaram a vida do jovem empreendedor num inferno. A insegurança jurídica e a arbitrariedade do Estado criaram dificuldades burocráticas, judicializaram relações de trabalho e obrigações tributárias e criaram meios de taxar e de expropriar boa parte do ganho dos empreendedores que correram risco e criaram negócios bem-sucedidos. O Estado, capturado pelo corporativismo público e privado, impulsionou o gasto público irresponsável, catapultando o crescimento da dívida pública e obrigando o Banco Central a elevar a taxa de juro para um nível que desencoraja o empreendedorismo. No Brasil, o melhor negócio não é vencer os concorrentes no mercado, mas capturar o Estado e viver à custa de feudos de privilégios estatais. Não é por outra razão que os jovens talentosos buscam oportunidades de trabalhar em outros países que oferecem ambiente de negócio mais amigável e qualidade de vida melhor.


A segunda tragédia é o amor incondicional dos populistas pelo nacional-estatismo. O protecionismo estatal, recheado de subsídios e barreiras comerciais, destruiu a competitividade do País, manteve o Brasil alijado do comércio global e criou uma das economias mais fechadas do mundo. Essa política desastrosa produziu décadas de baixo crescimento econômico. Deixamos de ser o “primo rico” para nos tornarmos o “primo pobre” dos emergentes, como atesta a corrosão do poder aquisitivo dos jovens brasileiros quando comparado aos jovens mexicanos. Na década de 1980, a renda per capita do Brasil era equivalente à da Coreia do Sul; hoje, ela é três vezes menor. Mas o que fez a Coreia do Sul enriquecer? O país investiu na melhoria da educação pública e abriu a economia para o comércio internacional. O Brasil, ao contrário, empobreceu ao insistir em ignorar a educação de qualidade e manter a economia fechada.


A terceira desgraça que abateu o País é o descaso com a educação pública de qualidade para as crianças e jovens. Criamos ilhas de excelência, como a alfabetização plena no município de Sobral (CE), a educação em tempo integral no Espírito Santo e o ensino universitário de ponta no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Mas ilhas de excelência não são capazes de produzir em escala a mão de obra qualificada de que o País precisa na era da revolução tecnológica. No Brasil, 60% das crianças não estão devidamente alfabetizadas aos oito anos de idade e quase metade dos jovens abandona a escola antes da conclusão do ensino médio.


 A tragédia educacional brasileira está espelhada no resultado pífio do País nos exames internacionais de avaliação. O Brasil há anos está nas últimas posições entre os principais países emergentes na avaliação de matemática, ciências e leitura do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). A educação pública de péssima qualidade destrói a mobilidade social, impede o aumento da produtividade do trabalhador e marginaliza o País da produção de conhecimento no século 21.


As eleições municipais mostraram a linha que divide o voto da esperança e da desesperança no País. O primeiro retrata a expectativa do cidadão de melhorar a vida reelegendo bons prefeitos ou optando por mudança da liderança municipal. O segundo revela a absoluta descrença no sistema político e na sua capacidade de oferecer reais alternativas para o País. Esse eleitor busca votar no candidato antissistema, representando pela figura messiânica que vai “acabar com tudo o que está aí” e construir uma nova realidade iluminada pela sua áurea salvacionista.


Se quisermos salvar a democracia das garras dos populistas, é preciso compreender os sentimentos de raiva, indignação e medo que ditam os votos da desesperança. Jovens frustrados com a ausência de crescimento econômico e sem perspectiva de ascensão social por meio da educação de qualidade e do trabalho duro tornam-se presa fácil para aventureiros e populistas que ingressam na política. Como o governo petista está paralisado pela senilidade ideológica e políticas obsoletas, cabe à direita sensata enfrentar os sabotadores da democracia e lutar para tirar o Brasil do presente atoleiro, com educação de qualidade, abertura econômica e líderes políticos comprometidos com promover reformas necessárias para criar um Estado enxuto e eficiente. Como dizia Joaquim Nabuco, “a missão do governo é fazer por meio da política o que a revolução faria pela força”. Se não seguirmos o conselho de Nabuco, a democracia no Brasil não tem futuro"

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Corrupção x STF

 https://www.estadao.com.br/amp/politica/para-74-brasileiros-supremo-tribunal-federal-stf-incentiva-corrupcao-anular-punicoes-operacao-lava-jato-pesquisa-genial-quaest-nprp/?s=08

Carlos Alberto Sardenberg, Para que servem as previsões

O Fundo Monetário Internacional trouxe notícias sobre o Brasil nesta semana. A boa: pela nova projeção, que aparece no Panorama Econômico Mundial, a economia brasileira deverá crescer 3% neste ano. A ruim: a dívida pública continuará subindo neste e nos próximos dois anos, de acordo como relatórioMonitor Fiscal.

O governo, claro, gostou da primeira e rejeitou a segunda.

Mas uma ampla opinião entre economistas brasileiros concorda com as duas informações. Na verdade, é o contrário. O FMI é que chegou agora às projeções já feitas por aqui. É normal.

O fundo produz duas versões por ano do extenso documento que dá uma geral na economia mundial. A instituição tem seus próprios especialistas, mas está claro que se baseia em dados produzidos localmente. E esses dados são gerados toda semana.

O Boletim Focus, publicado toda segunda-feira pelo Banco Central (BC), traz o que se chama de “consenso de mercado”. Não é, pois, a opinião do BC, mas de mais de uma centena de instituições financeiras e consultorias que, toda sexta-feira, enviam seus cenários para o banco. Os técnicos tabulam tudo no fim de semana e chegam às medianas, publicadas no Focus.

Muita gente reclama dos erros nas previsões.O presidente Lula e o ministro Haddad não perdem oportunidade de lembrar que, no início deste ano, o Focus previa umcrescimento bem menor do que de fato vem ocorrendo. Mas é normal, em qualquer país, que previsões sejam refeitas. Elas refletem os dados disponíveis no momento, um quadro que pode mudar.

É possível antecipar com alguma antecedência o tamanho da safra agrícola, incluindo aí previsões do tempo.

Não se prevê, entretanto, um desastre climático, uma mudança brusca que derruba plantações. Do mesmo modo, observando dados sobre a economia mundial, pode-se fazer uma previsão bem aproximada do consumo de energia e, pois, dos preços do petróleo. Até que estoura uma guerra, e lá se vão os prognósticos.

E o dólar? Pelo Boletim Focus, a moeda americana será negociada a R$ 5,42 em 31 de dezembro deste ano. Qual a chance de acertar? Zero. E, se acertar, terá sido por acaso. Sãomuitas variáveis em jogo. Se Trump ganhar, espera-se um dólar mais forte no mundo todo e, pois, a desvalorização das moedas locais, incluindo o real. Se Kamala ganhar, o cenário será diferente. Uma declaração desastrada de Lula—da quelas que rejeitam cortes de gastos—faz subir o dólar e os juros.

Tudo considerado, poderá perguntar o leitor: se é assim, por que fazer previsões? Porque elas indicam as tendências, mostram o que seria o normal, descontadosos eventuais desvios. Por isso, são constantemente refeitas, agregando novos dados. No fim das contas, dá certo.

Neste momento, governo, economistas e FMI concor-

dam que o Brasil crescerá em torno de 3% neste ano.O go-

verno é sempre um pouco mais otimista, mas também ele

esperava menos quando 2024 se iniciou. Quanto às contas

públicas, FMI e boa parte dos economistas brasileiros con-

cordamquehaverádéficitsexpressivosemtodososanosdo

governo Lula. Gastará mais do que arrecada. O ministro

Haddad continua falando em déficit zero, ou perto disso,

mas há muita desconfiançana praça.

Não por causa dele, ministro, mas por causa de Lula, de parte do governo e do Congresso. Neste lado do cenário, ou o pessoal quer gastar ou quer oferecer reduções de impostos e subsidiar certos setores da economia. Combinação ex plosiva: mais gasto, menos receita.

O mercado aprecia quando Haddad declara que as metas do arcabouço fiscal—déficit zero, com ganhos de receita e cortes de gasto —serão cumpridas. Declarações nesse sentido derrubam dólar e juros, empurrama Bolsa para cima. O pessoal desconfia é da capacidade e da força política do ministr de impor essa agenda dentro do governo e no Congresso.

Enquanto permanece a desconfiança, a perspectiva é de crescimento menor em 2025, por causa dos juros altos, consequência dos déficits, da dívida pública em alta.

Viram como é difícil acertar as previsões?

Para que servem as previsões?

blogs.oglobo.globo.com/opiniao

sardenberg@cbn.com.br

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Sobre o pacote fiscal

 *Corte de gastos: Casa Civil e Fazenda chegaram a entendimento e medidas estão sob análise jurídica - Míriam Leitão/OGlobo*


30/10/2024 07h44  

 

 

*A informação que eu obtive nessa manhã é que a Casa Civil e o Ministério da Fazenda já chegaram a um entendimento sobre o conjunto de medidas do ajuste fiscal.* Nesse momento as propostas estão “com a turma do Direito”, como me disse uma fonte, o que significa que elas estão sendo analisadas no aspecto jurídico. Um erro nesse ponto pode derrubar uma boa proposta, como se sabe.

*Houve acordo dentro do governo sobre o princípio de reforçar o arcabouço fiscal . E de que forma será esse reforço? “A dinâmica dos gastos obrigatórios tem que ser compatível com a dinâmica da fórmula do arcabouço”, me disse uma fonte*. Há entendimento sobre a fórmula. E o que falta é exatamente essa análise jurídica.

*O mercado financeiro tem suas ansiedades naturais de quem não pode perder um minuto antes de fazer uma posição na administração de recursos de terceiros. O tempo do governo é outro, e é natural que seja assim porque os processos são estes de formulação, negociação, acordo, avaliação jurídica*. Mas essa importante etapa foi concluída. *Havendo acordo entre a economia e a Casa Civil o presidente pode arbitrar.*

Call Matinal ConfianceTec

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

30/10/2024 

Julio Hegedus Netto,  economista.


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE TERÇA-FEIRA (29)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa encerrou o pregão na terça-feira (29) em queda de 0,37%, a 130.736 pontos. Volume negociado fechou baixo, a R$ 17,0 bi. Já o dólar encerrou em forte alta,  0,92%, a R$ 5,7610. Vértice da curva de juros segue pressionado.


Mercados hoje (30): Bolsas asiáticas fecharam, na sua maioria, em queda, exceção do Japão; bolsas europeias em queda e  Índices Futuros de NY em alta.


RESUMO DOS MERCADOS (06h40)


S&P 500 Futuro, +0,23%

Dow Jones Futuro, +0,05%

Nasdaq, +0,24%

Londres (FTSE 100),-0,46%

Paris (CAC 10), -0,83%

Frankfurt (DAX), -0,43%

Stoxx600, -0,59%

Shangai, -0,61%

Japão (Nikkei 225), +0,96% 

Coreia do Sul (Kospi), -0,82%

Hang Seng, -1,55%

Austrália (ASX), -0,81%

Petróleo Brent, +1,20%, a US$ 71,97

Petróleo WTI, +1,29%, US$ 68,08

Minério de ferro em Dalian, +0,38%, a US$ 110,26.


NO DIA (30)


Dia de mais indicadores de mercado de trabalho nos EUA, desta vez, o índicador do setor privado, o ADP. Ontem, a geração de empregos, pelo relatório Jolts, veio em desaceleração. 


Pelo dados de atividade, os PMIs vieram mistos. O PMI Composto veio em 54,6 contra 54,4, o Industrial, 47,9 para 47,0 e o de Serviços, 55,3 para 55,4.


Por aqui, há toda uma expectativa em torno do pacote de contenção de despesas, ainda sem data. Seguidas reuniões com Lula seguem acontecendo.


Diante disso, os mercados seguem "desconfiados", o dólar acima de R$ 5,70, juro no vértice longo pressionado e bolsa de valores "de lado", com baixo volume.


Indo para a Zona do Euro, o PIB do terceiro trimestre veio em crescimento de 0,4% contra o tri anterior e 0,9% no anualizado.


AGENDA DO DIA (30):


Indicadores: 🌐

05h00. Alemanha/Ifo: índice de sentimento das empresas de setembro

08h00. BCB divulga ata do Copom 

08h00. FGV: Sondagem do consumidor de setembro

08h00. FGV: IPC-S Capitais da 3ª quadrissemana de setembro

11h00. EUA/Conference Board: índice de confiança do consumidor de setembro

14h00. Áustria: Opep lança relatório sobre perspectivas globais para o petróleo


Eventos:

08h30. BCB: Campos Neto faz palestra em evento do banco J. Safra

10h00. EUA: Lula discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU

10h00. EUA/Fed: Michelle Bowman participa de evento


Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa quarta-feira e bons negócios!


PS. Em breve, um novo Call Matinal.

Prensa brasileira

 📰  *Manchetes de 4ªF, 30/10/2024* 

▪️ *VALOR*: Incerteza fiscal e cenário externo levam dólar a R$ 5,76, maior cotação desde março de 2021

▪️ *GLOBO*: Indefinição sobre corte de gastos leva dólar à maior cotação desde 2021  

▪️ *FOLHA*: Haddad diz não ter prazo para cortes; dólar chega a maior valor desde 202            

▪️ *ESTADÃO*: Nunes diz que trabalhará para o MDB não apoiar Lula em 2026

Governo sem projeto

 Governo Lula não tem projeto para o país, diz Temer


Para ex-presidente, protagonismo do Congresso pode conduzir um dia a uma reforma política radical, com mudança do sistema de governo


29.out.2024 às 13h26


O ex-presidente da República Michel Temer, 84, afirma que o governo Lula 3 não tem projeto para o país e que passou um sinal negativo ao mudar as metas do próprio arcabouço fiscal que criou no ano passado.


Mandatário entre setembro de 2016 e dezembro de 2018, Temer instituiu em sua gestão o chamado teto de gastos, que corrigia o gasto do ano corrente pela inflação do anterior, e aprovou a reforma trabalhista, além de ter iniciado as discussões da previdenciária, finalmente aprovada em 2019, no governo Jair Bolsonaro (PL).


"A sensação que eu tenho é que este governo não tem um projeto. Ou, se o tem, tem às escuras, não às claras. Não lança para a população", diz Temer.


O ex-presidente afirma que a fase de radicalização política no Brasil está ficando para trás e que o desempenho positivo de seu partido, o MDB, no último pleito seria prova disso. Temer participou nesta terça-feira (29) do Lide Brazil Conference, em Londres, promovido por Folha, UOL e Lide.


Muitos qualificam seu governo como reformista e tendo sido capaz de estabilizar minimamente a economia, com o teto de gastos. Hoje, temos juros e dólar em alta, com a inflação pressionada. Como avalia o quadro?


Assim que eu cheguei no governo, percebi que a economia não se resolve num passe de mágica. Você não reduz os juros nem a inflação com uma única medida. É preciso uma série delas. Por isso, optamos pelas reformas, começando pelo teto de gastos.


Há o fundamento de que ninguém pode gastar mais do que aquilo que arrecada. Isso já começou a dar uma credibilidade extraordinária, porque o problema da economia está muito na segurança, naquilo que as pessoas alardeiam como sendo segurança jurídica, que nada mais é do que o cumprimento rigoroso do sistema normativo.


E disso decorre também a segurança, a credibilidade social, que permite investimentos. No nosso período, fizemos isso. Especialmente eu relembro a reforma trabalhista, o teto de gastos, o encaminhamento da [reforma da] Previdência, a Lei das Estatais, que recuperou a Petrobras e outras empresas.


Você precisa ter muita unidade no governo, que é uma coisa fundamental. Você não pode ter disputa entre ministérios, como, vez ou outra, eu verifico.


O atual governo criou o chamado arcabouço fiscal e já fez modificações, alterando metas para 2025 e sinalizando que o superávit de 1% do PIB será alcançado só em 2028. Como vê o cenário fiscal neste governo?


Em primeiro lugar, quero dizer o seguinte: a ideia do teto não feneceu. O que era o teto no meu governo? Era aplicar a inflação do ano anterior no novo orçamento. O que é o teto hoje? É a inflação do ano anterior, mais 0,5% a 2,5% [de crescimento real]. Se numericamente isso vai dar certo ou não, eu não saberia dizer. Mas ainda existe a figura do teto.


Agora, é preciso que haja aplicação rigorosa desse teto. Se houver titubeio, mesmo com esse teto modificado, teremos instabilidade. Mudar a meta não é útil.


Uma certa estabilidade legislativa também é importante. Porque também a credibilidade fiscal, econômica e social deriva da não existência permanente de modificações legais. Você acabou de dizer uma coisa que preocupa, essa modificação [no arcabouço].


O governo Lula 3 está terminando o seu segundo ano. Como o sr. o avalia até aqui?



Não vejo ideia de reformas pela frente. Temos a reformatação administrativa, mas está demorando. Eu não pude realizá-la porque eu tive pouco tempo de governo.


Eu não vejo, digamos assim, um projeto, uma meta do governo. Por que que eu tive uma meta? Porque, em um dado momento [2015], na Fundação Ulysses Guimarães, nós resolvemos realizar um documento, que foi chamado "Uma Ponte para o Futuro". Quando eu cheguei ao governo, eu tinha um projeto.


Essas coisas todas que falamos das reformas fundamentais, que resultaram na queda da inflação e da taxa Selic, estavam programadas. Com aquele projeto, fomos fazendo as coisas e isso deu credibilidade. Agora, acho que falta o anúncio de um projeto maior.


Como o Juscelino Kubitschek [presidente de 1956 a 1961], que tinha um plano de metas. As pessoas sabiam para onde o governo estava indo. A sensação que eu tenho é que este governo não tem um projeto. Ou, se o tem, tem às escuras, não às claras. Não lança para a população.


O sr. não teria nada para citar como projeto deste governo?



Por enquanto, não. Não saberia dizer. Evidentemente que há um esforço grande para reduzir a inflação, mas ainda é improdutivo. Você veja que a própria diminuição do desemprego —vários editoriais e jornais disseram— é um produto da reforma trabalhista. Ela produziu mudanças na lei, que levou alguns anos para ter o seu efeito.


Eu confesso que não vejo. Vejo boa vontade, mas não vejo execução e vejo muita divergência. Por exemplo, vejo as dificuldades que o ministro [Fernando] Haddad [Fazenda] tem muitas vezes para levar adiante certos projetos. Isso cria insegurança, o que não é útil para a governabilidade.


Aumentar a arrecadação não é ruim, mas aumentar os gastos é. Por isso que o teto de gastos não permitia a elevação dos gastos públicos. Então, dois pontos: você aumenta a arrecadação; muito bem, sinal que a produção vai indo bem. Mas não pode aumentar os gastos, senão uma coisa elimina a outra. E isso parece que está acontecendo.


O seu partido se saiu bem nas eleições. Teve o segundo melhor resultado em população a ser governada, 36,6 milhões [atrás do PSD, com 37 milhões] e ganhou em São Paulo, o que não ocorria desde 2012. Como avalia o fato de o centrão, do qual o MDB faz parte, ter sido o grande vencedor?


O MDB é o grande partido de centro do país. Sempre foi assim. Desde o momento da Constituinte [1988], quando trouxe o país para o centro. E acho que hoje, mais do que nunca, revelou-se que o centro, caminhando para a direita, prevaleceu.


Segundo ponto, o MDB saiu-se muito bem. Você acabou de dizer que pegou São Paulo, mas mais quatro capitais: Porto Alegre, Belém, Macapá e Boa Vista.


Acho que o MDB estabeleceu uma marca estupenda, que é o fato de o seu eleitor votar com uma despreocupação, sem radicalismo.


O sr. vê o Brasil saindo um pouco desse quadro de acirramento na política? O clima está melhorando?


Acho que essa eleição municipal é demonstrativa disso. Prevaleceu mais a moderação, a tranquilidade, o equilíbrio. O Ricardo Nunes [prefeito reeleito de São Paulo] é um exemplo disso. Embora esteja fora da vida pública, nas conversas que tenho com várias pessoas, vejo que todos estão cansados dessa radicalização.


O sr. fala em centro e fim da radicalização. Tem algum palpite para as candidaturas em 2026? Alguma no seu partido? O que acha do nome do Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo, do Republicanos]?


Não gostaria de nominar. Mas o Tarcísio é uma grande figura, sem dúvida. Seria um bom candidato, moderado. O conheço bem e tive a oportunidade de tê-lo no meu governo [como secretário para programas de parcerias e investimentos]. Faz um bom governo em São Paulo e teve uma vitória, como vimos agora, na eleição do Ricardo Nunes.


Tivemos um aumento vertiginoso do poder de alguns congressistas com as emendas, que somam cerca de R$ 50 bilhões por ano. Vimos que 98% dos 116 prefeitos mais beneficiados foram reeleitos, com uma média de 72% dos votos, grande parte do centrão. Isso não é ruim para a democracia, esse direcionamento financeiro?


Acho que está havendo um protagonismo muito grande do Congresso Nacional. No tocante ao orçamento, ele não só aprova, mas tem emendas impositivas, de bancada, de comissão. Enfim, as mais variadas, que são direcionadas a esses municípios.


Isso pode conduzir um dia a uma reforma política radical, com mudança do sistema de governo, que é a ideia de um semipresidencialismo ou semiparlamentarismo.


Já que uma parte grande do orçamento está sendo direcionada ao Congresso, que ele seja responsável também pelos atos de governo. Porque hoje ele manda essas emendas, mas não tem responsabilidade nenhuma pela governabilidade executiva. Tem só pela governabilidade legislativa.


Mas e a transparência dessas emendas, do poder que esses parlamentares têm? Pois hoje têm nas mãos um instrumento para se perpetuarem no poder.


Há que ter transparência, até porque a Constituição determina a publicidade de todos os atos públicos, significando, portanto, a atuação dos parlamentares no tocante ao orçamento. Aliás, já caiu essa coisa do chamado orçamento secreto. Caiu porque era uma violência extraordinária contra a Constituição.

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2024/10/governo-lula-nao-tem-projeto-para-o-pais-diz-temer.shtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=twfolha

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, Nova Iorque melhor do que a Europa, porque a macro americana saiu como convinha: Confiança do Consumidor inesperadamente sólida (108,7 desde 99,2), mas Vagas Disponíveis JOLTS a enfraquecer (7,44M desde 7,86M, este último revisto em baixa desde 8,04M preliminar). Esta combinação de boa confiança, mas emprego a enfraquecer é quase o mais conveniente para continuar a acreditar que a Fed continuará a baixar taxas de juros, mas sem se preocupar com o facto de o fazer precipitadamente face a um grave enfraquecimento da economia americana, algo que não ocorre de todo. É muito difícil conseguir esta “debilidade boa” estranha para a economia americana que não chegue a arrefecer as expetativas de descidas de taxas de juros, o que arrefeceria, por sua vez, Wall St. Mas parece que estamos perto disso. Isso é bom. 

 

O fluxo de resultados é esmagador, destacando Alphabet em positivo e AMD em negativo… mas negativo suave, porque trata-se apenas do guidance, não dos resultados. Entre as restantes grandes da noite/esta manhã, temos ASMI e VISA a bater expetativas; enquanto VW dececionou, que já o esperávamos, mas não tanto. Há muitas mais empresas e percebemos um saldo muito bom a melhorar: com quase 50% das empresas do S&P500 publicadas, o EPS médio do 3T é +5,7% vs +5,1% esperado. É o primeiro dia que começa a bater expetativas. Uma emissão de obrigações americanas a 7 anos foi bem colocada ontem e isso travou o aumento das yields (queda de preços) das obrigações. O yen continua a depreciar-se e não nos surpreenderia que se aproximasse até 155/$ e 170/€, embora não imediatamente. Deve-se à instabilidade política, mas, na realidade, favorece o PIB japonês, que é fortemente dependente da Balança Comercial. 

 

HOJE temos 4 chaves: (i) PIBs 2T UE (10h; +0,8% desde +0,6%) e EUA (12:30h; +2,9% vs +3,0%). (ii) 12:15h Emprego Privado ADP americano, que se espera 111K vs 143K, mas que poderá ser mais fraco do que isso devido aos furacões, efeito que não é mensurável antecipadamente. Se sair mais fraco, melhor para Wall St. (iii) 13h IPC Alemanha, que deverá aumentar até +1,8% vs +1,6%, e assim avisar sobre o que temos vindo a antecipar: que as inflações aumentarão nos próximos meses, regressando a níveis superiores a +2%. (iv) Mais resultados, destacando Meta e Microsoft no fecho americano, influenciando amanhã. 

 

Provavelmente a sessão será fraca, talvez melhor a manhã europeia do que a tarde americana, devido à tensão prévia quanto à Meta e Microsoft e perante a possibilidade de ADP sair excessivamente fraca, embora se explique pelos furacões. Há um pouco de medo a muito curto prazo, enquanto aumenta a probabilidade de Trump ganhar as eleições, a julgar pelas sondagens, e isso seria melhor do que pior para as sessões posteriores a 5 de novembro, caso se saiba de seguida quem ganhou, o que é improvável. Na realidade, esta sensação geral de precaução e confusão continuará a resultar num mercado um pouco errático que no fundo quer subir. 

 

S&P500 +0,2% Nq-100 +1% SOX +2,3% ES-50 -0,4% IBEX -0,9% VIX 19,3% Bund 2,32% T-Note 4,24% Spread 2A-10A USA=+15pb B10A: ESP 3,02% PT 2,71% FRA 3,08% ITA 3,56% Euribor 12m 2,577% (fut.12m 2,146%) USD 1,082 JPY 165,9 Ouro 2.788$ Brent 71,7$ WTI 67,8$ Bitcoin +1,7% (72.319$) Ether +1,6% (2.660$). 

 

FIM

Os cinco conceitos econômicos mais mal compreendidos

 *Os cinco conceitos econômicos mais mal compreendidos*

Por

Patrick Carroll

FEE

24/10/2024 16:19


Apesar de toda a atenção dada à economia pelos grandes meios de comunicação e pelos comentaristas políticos, nossa alfabetização econômica como sociedade ainda deixa muito a desejar. Opinamos sobre questões econômicas constantemente, fazemos solilóquios apaixonados defendendo nossos pontos de vista partidários, mas raramente nos sentamos e realmente tentamos aprender economia.

O resultado dessa disparidade entre atenção e educação tem sido o surgimento de uma série de falácias econômicas, equívocos e saltos de lógica. As pessoas repetem ideias econômicas porque elas soam como senso comum, mesmo quando essas ideias foram desmascaradas repetidamente por aqueles que pensaram sobre elas com um pouco mais de cuidado.

Muitos livros poderiam ser escritos sobre os equívocos econômicos comuns que assolam nossa sociedade. Mas, pelo bem da, bem, economia, teremos que escolher apenas os mais prevalentes desses erros para a análise a seguir. Para esse fim, aqui está minha seleção dos cinco conceitos mais mal-entendidos em economia.


*1) Escassez*


O conceito de escassez parece bem simples: temos desejos virtualmente ilimitados, e no entanto vivemos em um mundo onde os meios para satisfazer esses desejos são limitados. Há um número específicos de carros, computadores, casas, fábricas, médicos e assim por diante. Dedicar mais desses recursos a um fim significa dedicar menos desses recursos a outros fins.

Por mais simples que isso possa parecer, muitos sustentam que a escassez é um fato da vida apenas por causa do sistema econômico em que vivemos. Se tivéssemos um sistema econômico melhor, eles dizem, a escassez não seria mais um problema.

O economista Ludwig von Mises chamou a atenção para essa perspectiva em seu tratado econômico publicado em 1949, "A Ação Humana":

“Aquele que contesta a existência da economia virtualmente nega que o bem-estar do homem seja perturbado por qualquer escassez de fatores externos. Todos, ele sugere, poderiam desfrutar da perfeita satisfação de todos os seus desejos, desde que uma reforma tenha sucesso em superar certos obstáculos trazidos por instituições inadequadas feitas pelo homem. A natureza é generosa, ela generosamente enche a humanidade de presentes. As condições poderiam ser paradisíacas para um número indefinido de pessoas. A escassez é um produto artificial de práticas estabelecidas. A abolição de tais práticas resultaria em abundância.”


Depois de discutir o desenvolvimento histórico dessa posição, Mises dá sua opinião sobre o assunto, não deixando dúvidas sobre sua visão:

“Esse é o mito da abundância e da abundância em potencial. A economia pode deixar para os historiadores e psicólogos explicar a popularidade desse tipo de pensamento positivo e indulgência em devaneios. Tudo o que a economia tem a dizer sobre essa conversa fiada é que a economia lida com os problemas que o homem tem que enfrentar por conta do fato de que sua vida é condicionada por fatores naturais. Ela lida com a ação, ou seja, com os esforços conscientes para remover o máximo possível do desconforto sentido. Ela não tem nada a afirmar com relação ao estado de coisas em um universo irrealizável, e até mesmo inconcebível à razão humana, de oportunidades ilimitadas.”


*2) Ganância*


Outro conceito econômico altamente mal compreendido é a ganância. Especificamente, muitas pessoas parecem acreditar que preços e salários são determinados por quão ganancioso um negócio é. Preços mais altos para bens de consumo e salários mais baixos são, nessa visão, um resultado do aumento da ganância.

Mas isso não faz sentido, porque as empresas presumivelmente eram tão egoístas antes das mudanças quanto depois. “Culpar os preços crescentes na busca pelo lucro é como culpar a gravidade por um acidente de avião”, escreve Dan Sanchez:

"A gravidade está sempre puxando os aviões para baixo. Para explicar um acidente de avião, você tem que explicar o que aconteceu com os fatores que tinham neutralizado previamente essa atração para baixo. Por que a gravidade puxou o avião para baixo, para a Terra, quando o fez, e não antes?

Da mesma forma, as empresas estão sempre buscando lucro e estão sempre prontas para aumentar os preços se isso maximizar os lucros. Para explicar aumentos súbitos de preços, você tem que explicar o que aconteceu com os fatores que anteriormente colocaram um limite nessa pressão ascendente de preços. Por que a busca por lucro impulsionou os preços para o alto recentemente [em 2022] e não em 2019?"

É certamente verdade que o interesse próprio faz parte da economia. Mas não faz sentido explicar mudanças de preços referindo-se à avareza.


*3) Crescimento econômico*


Sir David Attenborough expressou um sentimento muito popular quando disse em 2013: "Temos um ambiente finito — o planeta. Qualquer um que pense que você pode ter crescimento infinito em um ambiente finito é um louco ou um economista."


O problema com esse pensamento é que ele interpreta muito mal o conceito de crescimento em economia.

“Por crescimento, os economistas querem dizer a criação de valor que é objeto de troca no mercado”, escreve Joakim Book. Uma vez que entendemos a perspectiva econômica, fica claro que o crescimento nesse sentido pode ser praticamente infinito, mesmo em um mundo de recursos físicos limitados.

“Embora vivamos em um mundo de um número limitado de átomos”, escrevem Marian Tupy e Gale Pooley em seu livro "Superabundance" (Superabundância, sem edição no Brasil), de 2022, “há maneiras virtualmente infinitas de organizar esses átomos. As possibilidades de criação de novo valor são, portanto, imensas.”

Como Tim Worstall escreve, “O PIB não é feito de minerais — ou qualquer outra coisa física — processados. É valor agregado. O limite do PIB está, portanto, em saber como agregar valor. Assim, embora os recursos físicos sejam obviamente escassos — não haveria uma disciplina chamada economia se não fosse assim — não são os recursos físicos que limitam o crescimento econômico. É o conhecimento.”


*4) Bens públicos*


Para muitas pessoas, um “bem público” é qualquer bem fornecido pelo setor público, ou seja, o governo. Assim, as pessoas consideram estradas e serviços públicos como bens públicos.

Mas, na verdade, isso está errado. Há uma definição estrita de "bem público" na teoria econômica, e ela não tem nada a ver com o fato de que algo é fornecido pelo governo.

Economistas frequentemente classificam bens com base em dois fatores, sua rivalidade e sua exclusividade. Um bem rival é um bem cujo uso de uma pessoa atrapalha o uso de outra pessoa. Por exemplo, a comida seria rival (não podemos comer a mesma comida), enquanto o rádio via satélite seria não rival (meu consumo não tira sua capacidade de consumi-la também).


A exclusividade refere-se à facilidade com que um não pagador pode ser excluído do consumo do bem. Computadores seriam excluíveis, porque é bastante simples impedir que não pagadores os acessem. Mas algo como desviar um asteroide para não colidir com o nosso planeta seria considerado não excluível, porque é muito mais difícil restringir os benefícios apenas àqueles que pagaram por ele.

Com essas duas classificações em mente, os economistas criaram uma grade 2×2 que contém quatro categorias: bens privados, bens comuns, bens de clube e bens públicos. Um bem público, por definição, é um bem que é não rival e não excluível.


Alex Tabarrok esclarece em sua discussão sobre bens públicos:

"Um bem público, como dissemos, é um bem que não é excludente e não é rival. Um bem público não é definido como um bem produzido pelo governo ou pelo setor público. Afinal, se o governo começasse a produzir jeans, isso não tornaria o jeans um bem público. A entrega de correspondência é fornecida pelo governo, mas não é um bem público. A deflexão de asteroide é um bem público, mas na verdade muito pouco dele é fornecido pelo governo."

Se os bens públicos devem ser fornecidos pelo governo — e se sim, quanto — é um assunto de debate constante. Alguns economistas até contestam a utilidade e a solidez de toda essa abordagem de classificação. Mas todos os economistas concordam que a definição de um bem público não tem a ver com se um bem é ou não fornecido atualmente pelo governo.


*5) Capitalismo*


O capitalismo é mais um conceito seriamente mal compreendido por muitas pessoas. Especificamente, as pessoas frequentemente pensam que capitalismo significa apenas fazer o que é bom para grandes empresas. Quando o governo interfere no mercado para ajudar grandes corporações, as pessoas dizem que isso é capitalismo em ação.

Mas nada poderia estar mais longe da verdade. O capitalismo é um sistema econômico caracterizado pela propriedade privada dos meios de produção e a troca livre com o objetivo de obter lucros. Toda interferência governamental no mercado envolve coerção e, portanto, é um afastamento do capitalismo puro.

Os defensores do capitalismo acreditam que o governo não deve proteger as empresas da concorrência de forma alguma. Não deve subsidiá-las ou dar-lhes tarifas protecionistas ou resgatá-las. Não deve regular sua indústria. E não deve dar vantagens fiscais a algumas empresas ou setores em detrimento de outros. O verdadeiro capitalismo não é nepotismo ou corporatocracia, mas o oposto. É um sistema onde a concorrência é uma ameaça sempre presente às grandes empresas, onde as empresas podem falir e onde privilégios governamentais especiais estão ausentes.

“Precisamos separar ser ‘pró-livre empresa’ de ser ‘pró-negócios’”, disse Milton Friedman. “Os dois maiores inimigos do sistema de livre empresa, na minha opinião, foram, por um lado, meus colegas intelectuais e, por outro, os grandes empresários.”

Depois de discutir a visão de seus colegas intelectuais, ele elabora seu argumento sobre os grandes empresários:

"Você não pode colocar um empresário em um palanque... sem que ele diga generalidades sobre a desejabilidade de sistemas de livre iniciativa. Mas quando o assunto são os seus próprios negócios, isso é outra coisa... Quase todo empresário é a favor da livre iniciativa para todos os outros, mas privilégio especial e proteção governamental especial para si mesmo. Como resultado, eles têm sido uma grande força em minar o sistema de livre iniciativa... Pare de se enganar pensando que você pode usar a comunidade empresarial como uma forma de promover a livre iniciativa. Infelizmente, a maioria deles não são nossos amigos nesse aspecto."

Frequentemente, a regulamentação governamental é desejável para grandes empresas específicas, mas é ruim tanto para as empresas quanto para os consumidores em geral e é antitética ao capitalismo genuíno. Quando o governo protege, subsidia ou socorre grandes corporações, isso é um afastamento do capitalismo, não um exemplo de como o capitalismo opera.


*Indo além das más ideias*

A razão pela qual falácias econômicas como essas persistem é por causa de um problema de escassez: uma escassez de conhecimento econômico. Como sociedade, não tomamos tempo para entender os conceitos econômicos que debatemos. Não fizemos nossa lição de casa, e o resultado é que repetimos repetidamente os mesmos pontos de discussão e ideias ruins.

Mas nem toda esperança está perdida. Ao nos comprometermos a melhorar nossa compreensão econômica, podemos nivelar nossos diálogos econômicos e ter debates mais informados. Podemos levar a conversa além de desmascarar falácias comuns e em direção a uma troca genuína de ideias.

A única questão é: estamos dispostos a fazer a nossa parte?


Patrick Carroll é o editor da Foundation for Economic Education

Milei conquistando adesões

 Após quase um ano no cargo, Javier Milei começa, enfim, a ganhar confiança dos CEOs

Executivos têm vislumbre de otimismo com mudanças como redução de limites à importação. Mas sentimento ainda não se converteu em novos projetos

A decisão de Milei de desvalorizar o peso após assumir o cargo em dezembro passado e as medidas de austeridade levaram a economia à recessão.As empresas ficaram com saldos de caixa reduzidos e demanda enfraquecida.

Mas os executivos gostam da forma como o presidente está eliminando medidas protecionistas e reduzindo a burocracia – e começam a ver um caminho para lucros em um mercado que há muito tempo se mostrava frustrante.

Para Alexander Seitz, da Volkswagen, o ponto de virada foi quando Milei facilitou os controles de importação, reduzindo o período de financiamento de 180 para 30 dias. Isso facilita o pagamento previsível aos fornecedores, sem se preocupar com oscilações cambiais.

— As medidas do governo agora estão indo na direção certa —disse Seitz na semana passada em uma entrevista em São Paulo. — Eu me concentro muito mais no meu negócio e posso realmente trabalhar em questões operacionais, e não em questões financeiras complexas.


O otimismo cauteloso de Seitz e outros executivos, de setores como finanças e commodities, tem, no entanto, demorado para se traduzir em novos investimentos.

Muitas empresas se decepcionaram com a anterior guinada da Argentina para políticas pró-mercado, que terminou em 2019, quando o partido peronista derrotou o presidente Mauricio Macri e voltou ao poder. Os investidores dizem que querem ver a remoção completa dos controles cambiais antes de estarem dispostos a se comprometer.

Mas um sentimento crescente está tomando forma de que desta vez é diferente. O Nubank, que em maio se tornou a instituição financeira mais valiosa da América Latina, está reavaliando as perspectivas para a Argentina depois de descartá-la anos atrás. O Mercado Livre, que tem sede no país, tem observado um aumento nas vendas. A atividade de emissão de títulos corporativos também subiu, já que os emissores veem uma onda de demanda.

— É impossível ignorar o que ele está fazendo — disse o CEO do Nubank, David Vélez, sobre os esforços de reviravolta de Milei em uma entrevista durante o Bloomberg New Economy no B20, em São Paulo, na semana passada. —Acho que a velocidade com que a situação na Argentina tem mudado impressionou absolutamente todo mundo.

Mesmo com a economia mergulhada em recessão, as empresas estão otimistas de que uma recuperação inicial não seja mais uma das muitas falsas esperanças da Argentina.

Andre Chaves, chefe da unidade de pagamentos Mercado Pago no Brasil, que pertence ao Mercado Livre, disse que o aumento de vendas do grupo no país está incentivando a empresa a aumentar as atividades de concessão de crédito.

— Agora que as coisas estão melhorando, estamos acelerando novamente muito rápido na Argentina — disse Chaves. — O ambiente de crédito melhorou significativamente e, com um pouco mais de previsibilidade (taxas de inflação e de juros) estamos mais confortáveis em estender mais empréstimos também.

Pobreza ainda atinge metade dos argentinos.

Os executivos ainda têm uma perspectiva econômica moderada para o próximo ano, já que o país emerge de uma de suas piores crises, com mais da metade dos argentinos vivendo na pobreza.

A Argentina ocupa a posição 126 de 190 nações em facilidade de fazer negócios, logo à frente do Irã, de acordo com o Banco Mundial. O investimento estrangeiro continua baixo, e o setor privado cortou empregos formais com carteira assinada por 11 meses consecutivos até julho, segundo dados do governo.

— Não haverá uma explosão milagrosa de crescimento no próximo ano — afirmou Fabian Kon, CEO do Grupo Financiero Galicia, principal banco privado da Argentina, em uma entrevista concedida em 18 de outubro, durante a conferência empresarial Coloquio IDEA, em Mar del Plata. — Mas o importante não é que o país cresça tanto neste primeiro ano, mas que o faça de forma sustentável nos próximos cinco anos.

Polarização política na Argentina: tanto manifestações contra, quanto a favor do governo Milei crescem no país

Apesar das manifestações contra o governo se multiplicarem na Argentina, pesquisa divulgada em maio mostrava que a popularidade de Milei continua em alta, entre 47% e 51% tem uma visão positiva do presidente.

Isso criou um dilema do tipo "o ovo ou a galinha", no qual o governo chama as empresas para contratar e investir, enquanto os executivos pedem que o governo acelere a remoção dos controles de capital. Mas isso é algo que Milei e o ministro da Economia, Luis Caputo, ainda não estão dispostos a fazer, mesmo enquanto tentam delinear um cronograma mais firme antes das eleições de meio de mandato no próximo ano.

Alguns executivos se resignaram à incerteza do plano de Caputo para desmantelar a estrutura dos controles cambiais e de capital da Argentina. Para investir, eles querem ver Milei cumprir sua promessa de remover as restrições enquanto mantém a inflação e o peso sob controle.

— Para aqueles do setor empresarial, cabe a nós sermos pacientes — disse Gabriela Renaudo, que supervisiona as operações da Visa Inc. na Argentina, na conferência de Mar del Plata.

Não se trata apenas de movimentar dinheiro para dentro e fora da Argentina. As empresas também ainda enfrentam dificuldades de recrutamento e retenção que começaram durante o governo anterior. Empresas de tecnologia como a Oracle, que conta com quase 480 funcionários na Argentina, estão ajustando os salários dos trabalhadores em pesos para acompanhar a inflação, enquanto concorrentes no exterior disputam o mesmo grupo de talentos com ofertas de emprego em dólares.

Muitas empresas ainda não investiram em novos projetos após Milei ter aprovado reformas favoráveis aos negócios que oferecem incentivos fiscais para projetos acima de US$ 200 milhões em determinados setores. A maioria dos executivos prevê uma recuperação difícil pela frente.

— Será uma maratona, não uma corrida de 100 metros — disse Gustavo Salinas, CEO da Toyota Motor na Argentina, em uma entrevista. — Eu gostaria de correr os 100 metros e poder vencer, mas é preciso correr devagar e com segurança para chegar aos 42 quilômetros.



https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2024/10/29/apos-quase-um-ano-no-cargo-javier-milei-comeca-enfim-a-ganhar-confianca-dos-ceos.ghtml?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=OGlobo

BDM Matinal Riscala 3010

 *Rosa Riscala: Big techs sustentam NY à espera do payroll e da eleição*


Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


… Alphabet brilhou no after hours em NY, com alta de quase 6%. Já AMD levou um tombo próximo de 8%. Na semana das big techs, que animam recordes do Nasdaq, hoje é a vez de Meta e Microsoft, após o fechamento. Na agenda dos indicadores, sai mais um dado do emprego (pesquisa ADP) e o PIB/3Tri nos EUA, na zona do euro e em vários países da Europa. Aqui, o IGP-M deve acelerar sobre o mês de setembro e o Caged recuar ligeiramente na criação de postos de trabalho. No calendário de balanços, sai WEG, antes da abertura. Lula fala às 11h, em cerimônia sobre a Nova Indústria Brasil, enquanto o mercado aguarda com impaciência as medidas de contenção de gastos, que já estão sendo negociadas com o presidente, mas seguem guardadas a sete chaves.


… Ontem à noite, reuniram-se com Lula no Alvorada os principais nomes da equipe econômica: Haddad, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, e o futuro presidente do BC, Gabriel Galípolo.


… Participaram ainda do encontro o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, como apurou o Broadcast, mas nada vazou sobre a pauta, que, provavelmente, discutiu as propostas de cortes de despesas.


… Mais cedo, nesta 3ªF, Haddad confirmou que as conversas sobre esse pacote avançaram e que teria diversas reuniões com Lula durante esta semana, reforçando que “não há veto do presidente” às propostas dessa agenda.


… O ministro evitou, no entanto, dar uma data para anunciar as medidas. “Não tem uma data, ele [Lula] quem vai definir.”


… Haddad disse que o presidente está pedindo informações “e nós estamos fornecendo as informações que ele está pedindo”.


… Questionado sobre a estimativa de corte de despesas em torno de R$ 30 bilhões a R$ 50 bilhões, o ministro disse que não sabe de onde saiu esse número. “Eu nunca divulguei o número. Não divulgo números. Eles só saem depois da decisão tomada.”


… O mercado já diz que, se vier alguma coisa abaixo de R$ 30 bilhões, o pacote vai decepcionar.


… “O mercado quer apostar em medidas mais estruturais, como cortes no BPC, mas a verdade é que não se sabe de onde virão os cortes. A falta de elementos concretos traz uma certa angústia”, disse a economista-chefe da Capital Markets, Carla Argenta.


… Haddad estaria tomando todos os cuidados para manter as medidas em sigilo, de forma a blindar as críticas (ou o fogo amigo) que possam desidratar o conjunto das propostas. Esse é o grande receio dos investidores.


… Na Folha, a Junta de Execução Orçamentária (JEO) deve se reunir ainda nesta semana para discutir as medidas.


… O ministro Rui Costa (Casa Civil), que integra a JEO juntamente com Fernando Haddad, Simone Tebet e Esther Dweck (Gestão), chegou a marcar um encontro para esta 4ªF à tarde, mas não há confirmação oficial dessa reunião.


… Da agenda do ministro da Fazenda, consta uma reunião de Haddad com Mercadante, às 14h.


… Enquanto os cortes não vêm, o dólar escala e, nesta 3ªF, fechou em R$ 5,7616 no mercado à vista, tendo como pano de fundo um cenário externo cheio de incertezas, sobretudo nos EUA, diante da eleição presidencial indefinida.


… A expectativa de que Trump venha a sair vitorioso na próxima semana contrata efeitos para o ritmo de redução de juros, frente à possibilidade de mais déficit e inflação, o que resultaria em uma ação mais conservadora do Fed.


… A disputa acirrada tende a prolongar o resultado das apurações e tudo indica que o Fomc se reunirá no dia seguinte da eleição, na 4ªF, dia 6, ainda no escuro, assim como todo o mercado americano e o resto do mundo.


REFORMA TRIBUTÁRIA – Mais de dois meses e meio depois da aprovação pela Câmara do texto-base do segundo projeto de regulamentação, os destaques devem ser finalmente votados hoje pelos deputados.


… Arthur Lira vinha segurando a votação, como forma de protesto pela falta de pressa do Senado, que indicava que não estava disposto a apreciar em plenário ainda este ano a primeira etapa da regulamentação da reforma.


… Nesta 3ªF, porém, o Senado divulgou um calendário com a previsão de aprovar o texto em dezembro, o que permitiu destravar a análise da segunda etapa da regulamentação pela Câmara, que cria o comitê-gestor do IBS.


… Em mudanças acertadas com os líderes partidários, o relator da segunda etapa de regulamentação, deputado Mauro Benevides (PDT-CE), fará algumas mudanças no texto já votado pela Câmara em agosto:


… Desistirá da taxação sobre os planos de previdência VGBL e sobre a distribuição desproporcional de lucros, e permitirá transferência de crédito de ICMS/IBS entre empresas do mesmo grupo econômico.


… Duas emendas ainda serão decididas no voto: criação do imposto sobre grandes fortunas e a avaliação a cada cinco anos sobre produtos e serviços com taxação reduzida, para que se debata a eficiência do gasto tributário.


… No Senado, Pacheco citou, que a intenção é de que o relatório da regulamentação da reforma tributária seja lido no dia 27 de novembro e a votação fique para 4 de dezembro na Comissão de Constituição e Justiça da Casa.


… O relator do projeto, senador Eduardo Braga (MDB-AM), disse que o cronograma apresentado pelo presidente do Senado para votação da proposta é “ousado” e que “nós estamos correndo atrás para conseguir cumprir.”


MAIS AGENDA – A mediana do mercado indica que o IGP-M (8h) deve acelerar a 1,51% em outubro, depois de uma alta de 0,62% em setembro. As projeções em pesquisa do Broadcast variam de 0,58% a 1,85%.


… Para o Caged (14h30), a expectativa aponta para a criação líquida de 225.080 vagas com carteira assinada em setembro, diminuindo levemente o ritmo na comparação com agosto (saldo positivo de 232.513 vagas).


… As estimativas para esta leitura variam de 200 mil a 255 mil vagas formais criadas.


… Apesar da desaceleração esperada para o dado na margem, o ritmo de criação de vagas no Caged ainda aponta para um mercado de trabalho forte, sem sinais de tendência de desaceleração da mão de obra.


… Às 14h30, Campos Neto faz palestra em evento da ANFIDC, em SP, mas não falará de política monetária, porque o Copom já está em período de silêncio. Em Brasília, Lula recebe Magda Chambriard (Petrobras), às 16h.


LÁ FORA – O PIB dos EUA (9h30) deve continuar rodando em uma base sólida, com previsão de crescimento de 3,0% na leitura anualizada do 3Tri. Se confirmado o resultado representará estabilidade em comparação ao 2Tri.


… Às vésperas do Fed, o indicador forte pode endossar a expectativa de corte menor (25pb) do juro semana que vem. Mas ainda falta o payroll. Hoje, vale conferir o relatório ADP (9h15) de empregos no setor privado.


… A expectativa é de que 108 mil vagas tenham sido criadas em outubro, abaixo de setembro (143 mil).


… Ainda nos EUA, as vendas pendentes de imóveis em setembro (11h) têm previsão de +3,2% e os estoques de petróleo do DoE (11h30) devem registrar alta de 1 milhão de barris. Na zona do euro, o PIB/3Tri sai às 7h.


AFTER HOURS – A Alphabet mostrou ontem que os gastos com IA estão dando frutos, com resultado acima do esperado no negócio de computação em nuvem e aumento no uso de seu principal mecanismo de busca, o Google.


… Lucro (US$ 26,3 bilhões) e receita (US$ 88,3 bilhões) acima do esperado no 3Tri fizeram a ação disparar 5,79% no after hours de NY.


… O lucro por ação foi de US$ 2,12, acima do US$ 1,84 esperado, e superior ao US$ 1,55 de um ano atrás.


… Na direção contrária, a ação da AMD despencou 7,63%. A fabricante de chips teve receita acima da expectativa no 3Tri (US$ 6,8 bilhões) e aumento de 158% no lucro, a US$ 771 milhões, sobre o 3Tri23.


… Mas a projeção de receita para o 4Tri ficou em US$ 7,5 bilhões, abaixo das previsões.


… Por fim, a Visa subiu 1,79%, com lucro por ação de US$ 2,65, acima dos US$ 2,58 esperados. A companhia elevou o dividendo trimestral em 13%, para US$ 0,59 por ação.


CHINA – Hoje à noite (22h30), saem os dados oficiais do PMI industrial e de serviços em outubro.


… Em evento ontem, o presidente chinês, Xi Jinping, pediu união de forças para que o pacote de reformas lançado pelo governo de Pequim em julho para impulsionar a economia avance de forma firme e sustentada.


… Ainda no noticiário sobre a China, a UE informou que adotará medidas protecionistas e taxará os veículos elétricos chineses em até 35,3% para proteger os produtores do bloco. De seu lado, a Tesla será taxada em 7,8%.


CHÁ DE CADEIRA – Irritado por estar esperando sentado pelas novidades do pacote de corte de gastos, o dólar rompeu o teto dos R$ 5,70, que vinha sendo respeitado há mais de uma semana, e escalou para perto de R$ 5,80.


 … Há mais de dois anos e meio, desde março de 2021, a moeda americana não ficava tão cara. Em alta firme de  0,92%, fechou valendo R$ 5,7616, com o real amargando o pior desempenho entre as moedas emergentes.


… Faltando uma semana para o Copom, o câmbio no nível em que está agora entra como fator de preocupação inflacionária, já que, como se diz, a população “come dólar”, com o preço batendo diretamente nos alimentos.


… A pressão no câmbio zerou ontem a queda na curva do DI, que voltou a embutir prêmio de risco, no clima de suspense pelo grau de disposição que o governo deve assumir para frear as despesas e estabilizar a dívida pública.


… “Não dá para ficar muito vendido em dólar e juro futuro enquanto o pacote não sair. O governo está com a carta na manga para sancionar ou não no mercado uma queda do DI”, avalia o economista Eduardo Velho (Equador).


… Para o azar dos negócios domésticos, o desconforto com a indefinição fiscal coincide com a agenda pesada nos EUA (payroll e eleições à vista), que tem efeitos diretos aqui e tem deixado o investidor ainda mais à flor da pele.


… Às vésperas do resultado da corrida à Casa Branca, a fuga de capital dos emergentes alcança o seu pico em mais de dois anos, segundo a consultoria Capital Economics, como reflexo do dólar forte e alta dos juros dos Treasuries.


… Em meio à sensibilidade do mercado, o DI para jan/26 marcou 12,740% (de 12,690% na véspera); Jan/27 subiu a 12,910% (de 12,820%); Jan/29, a 12,945% (de 12,840%); Jan/31, a 12,880% (12,800%); e Jan/33, 12,810% (12,720%).


… Campos Neto aproveitou ontem o último dia antes do período de silêncio do Copom para reforçar o recado de que uma queda dos juros depende de um “choque fiscal positivo”, durante evento promovido pelo Lide em Londres.


… Para ele, o patamar da dívida bruta do Brasil é o mais alto entre os países emergentes e o País tem também um dos maiores níveis de juro real, por diferentes métricas. RCN também não escondeu a cautela com a inflação.


… Disse que os preços pararam de convergir no curto prazo e que as expectativas à frente estão desancoradas. Os comentários vieram um dia depois de o Focus apontar que a mediana do IPCA/24 (4,55%) estourou o teto da meta.


…O presidente do BC apontou também que o PIB se mantém aquecido e o mercado de trabalho segue apertado.


… Em meio à precificação dos riscos fiscais, as taxas de NTN-B bateram recorde ontem pelo sétimo leilão seguido. “Será que já é IPCA +7,00% ao ano na Austrália?”, brincou o professor Alexandre Cabral nas redes sociais.


DEMORÔ – Simultaneamente à piora do câmbio e DI com a agenda de corte de gastos que não tem data certa para sair, o Ibovespa perdeu os 131 mil pontos no início da tarde e fechou em queda moderada de 0,37% (130.729,93).


… Outro pivô de baixa para a bolsa foi o Santander. Na estreia da temporada de balanços do setor financeiro, o banco liderou o ranking negativo do Ibovespa, derreteu 5,13%, a R$ 27,39, e contaminou todo o segmento.


… Bradesco, que divulga resultado amanhã, perdeu 1,35% (ON), a R$ 13,15, e 1,45% (PN), a R$ 14,98. Itaú (-1,06%; R$ 35,35) e Banco do Brasil (-0,57%; R$ 26,17) completaram a lista negativa entre as blue chips financeiras.


… Também a virada da Vale para o negativo (-0,35%; R$ 62,66) na segunda metade do pregão tirou fôlego da bolsa.


… Pela manhã, a mineradora operou embalada pelo minério (+0,77%) e relatos de que a China pretende emitir US$ 1,4 tri em dívida nos próximos anos para impulsionar a economia e que pode ampliar este pacote se Trump vencer.


… Um novo estresse dos juros futuros levou boa parte dos ativos sensíveis ao ciclo da economia para o negativo. Foi o caso de Azul (-4,58%, a R$ 5,83), CVC (-3,27%, R$ 2,07), GPA (-3,18%, R$ 3,04) e Hapvida (-2,96%, R$ 3,60).


… Magazine Luiza perdeu 2,53% (R$ 9,23) e Casas Bahia encerrou na mínima de R$ 4,08, com queda de 4,67%.


… Petrobras ON registrou -0,25% (R$ 39,22) e Petrobras PN, -0,22% (R$ 36,01), depois de a petrolífera apresentar queda da produção no 3Tri ante mesmo período de 2023. O Brent /jan não ajudou. Caiu 0,38%, a US$ 70,73/barril.


… Em relatório divulgado ontem, o Goldman Sachs estimou que a petroleira pode anunciar uma distribuição de US$ 4 bilhões em dividendos extraordinários no 4Tri, o que implicaria um rendimento implícito de 4,4%.


… É o ponto médio entre o cenário mais conservador, de uma distribuição adicional de US$ 2 bilhões, e o mais otimista, de até US$ 6 bilhões.


… O cenário mais conservador pressupõe que a administração mantenha uma posição de caixa estável em torno de US$ 13 bilhões.


… Minerva (+3,02%; R$ 5,79) e Marfrig (+2,98%; R$ 15,20) lideraram as altas, ainda apoiadas pela conclusão da compra dos ativos da Marfrig pela Minerva na América do Sul. Embraer subiu 2,41%, a R$ 50,12.


APOSTANDO ALTO – O Nasdaq bateu recorde de fechamento antes mesmo dos balanços das big techs saírem, o que mostra a disposição dos investidores de confiar nas apostas de bons números à frente.


… Essa aposta se pagou em parte logo depois do fechamento, com o balanço da Alphabet agradando tanto, que a ação da empresa disparou quase 6% no after hours de NY. Antes dos números, tinha subido 1,66%.


… Agora, faltam as outras seis magníficas, além de outros pesos-pesados do setor. Ontem, tirando Tesla (-1,14%), seis das ações do grupo magnífico subiram, levando o Nasdaq a 18.712,75 pontos (+0,78%).


… O setor ajudou o S&P 500 a ficar no azul, com +0,16% (5.832,92). O Dow Jones foi na contramão e caiu 0,36%, a 42.233,05. McDonald’s (-0,60%) divulgou números pela manhã, com vendas em mesmas lojas abaixo do esperado.


… Com o mercado focado no resultado das empresas, o relatório Jolts mostrando um número de vagas de trabalho abertas em setembro (7,44 milhões) abaixo do esperado (7,95 milhões) nos EUA ficou em segundo plano.


… Para o ING, o Jolts sinaliza risco de alta para a taxa de desemprego nos próximos meses, o que pode levar o Fed a cortar o juro mais rapidamente.


… O Santander avalia que a volatilidade recente no relatório mostra acomodação no mercado de trabalho dos EUA.


… Seja como for, o consumidor americano não aparenta desânimo. O índice de confiança medido pela Conference Board saltou de 99,2 em setembro para 108,7 em outubro, bem acima da previsão de 99,3.


… Foi o maior ganho mensal desde março de 2021. A alta do índice foi puxada pelo subindicador que mede a avaliação dos americanos sobre o mercado de trabalho e que deu um salto de 14,2 pontos.


… Enquanto isso, uma trégua no “Trump trade”, em especial depois do Jolts, permitiu leve baixa nas taxas dos Treasuries, que também reagiram a um leilão de notes de 7 anos com demanda bem acima da média recente.


… No fim da tarde em NY, o retorno da note de 2 anos recuava a 4,110% (de 4,144% no fechamento anterior) e o da note de 10 anos cedia a 4,264% (de 4,281%). O do T-bond de 30 anos caía a 4,508% (de 4,529%).


… No câmbio, o destaque foi a libra, que subiu 0,22%, a US$ 1,3006, na véspera da divulgação do primeiro orçamento do recém-eleito governo do primeiro-ministro, Keir Starmer.


… Rachel Reeves, ministra das Finanças do país, já sinalizou novas altas de impostos, o que tranquiliza os mercados sobre o compromisso fiscal do atual governo.


… O dólar ficou estável, com o DXY em 104,305 pontos (-0,01%). O euro (US$ 1,0817) não se mexeu e o iene ficou praticamente no zero a zero (-0,09%), a 153,387/US$.


… A Reuters apurou que o BoJ deve evitar alterar sua política monetária ultraflexível hoje à noite. Com a composição do futuro governo do Japão ainda em transição, a incerteza política pode forçar o BoJ a adiar o aumento.


EM TEMPO… Fitch elevou perspectiva dos Ratings de Inadimplência do Emissor (IDRs) da VALE de estável para positiva, após assinatura do acordo de Mariana. A agência reiterou os ratings dos IDRs em ‘BBB’ e ‘AAA(bra)’.


PETROBRAS. Técnicos do Ibama rejeitam novamente licença da empresa para a Foz do Amazonas, mas presidente do órgão, Rodrigo Agostinho, disse que pedido não será arquivado, segundo apurou Folha.


MULTIPLAN. Squadra Investimentos passou a deter 5,01% do total das ações ON da companhia, o equivalente a 28.948.183 de papéis do tipo.


EQUATORIAL. Volume de energia injetada aumentou 5,2% no 3TRI em relação ao mesmo período de 2023, para 17.777 GWh, segundo prévia operacional.


KLABIN aprovou nova política para dividendos, JCP e endividamento. Pela nova regra, os acionistas terão direito a receber, como dividendo obrigatório, 25% do lucro líquido ao fim de cada exercício…


… O conselho de administração ainda definiu que a dívida líquida é resultado da dívida financeira consolidada da empresa, descontada da posição de caixa e equivalentes de caixa.


SLC AGRÍCOLA fará oferta de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) de até R$ 400 milhões.


XAI. A empresa de inteligência artificial de Elon Musk está em negociações com investidores para uma rodada de financiamento que a avaliaria em cerca de US$ 40 bilhões, de acordo com a Dow Jones…


… A startup foi avaliada em US$ 24 bilhões há apenas alguns meses, quando levantou US$ 6 bi.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...