terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Jeffrey Epstein

 Teria Jeffrey Epstein registrado em foto o abuso de uma criança?


A imagem mostra o milionário abusador sentado, sem camisa e com expressão atrevida, com pernas infantis aparecendo do lado esquerdo. Vilma Gryzinski:


Quando achamos que toda a baixeza de Jeffrey Epstein já foi regurgitada em público, novas surpresas aparecem. A mais intrigante da nova leva de fotos que está sendo revelada sugere algo mais sinistro: o envolvimento direto de uma criança pequena, vista apenas pelas pernas de fora, usando tamancos tipo Crocs de cor preta, nos abusos registrados de menores atraídas para fazer “massagem” no milionário que se suicidou na cadeia em 2019 – ou foi suicidado, como muitos suspeitam. Em outras fotos, que se tornam suspeitas diante do histórico do abusador, ele beija uma menina pequena na cabeça, aconchega outra nos braços e embala uma ruivinha sentado em seu colo numa poltrona de avião. O que podemos concluir disso não é nada misterioso. Ele queria a proximidade de crianças pequenas. Diante de seu currículo, é de arrepiar.


As fotos mais recentes têm sido divulgadas por integrantes da comissão do Congresso que investiga o caso que não acaba nunca . O objetivo mais óbvio de deputados democratas é constranger Donald Trump, cuja amizade com Epstein foi interrompida por uma disputa sobre a compra de um imóvel, segundo o próprio presidente, mas durou o suficiente para deixar traços que, na esperança de muitos oposicionistas, podem comprometer Trump de uma vez por todas. O “desaparecimento” de algumas fotos, nenhuma comprometedora, onde aparece Trump com Epstein ou em sua casa motivou uma nova onda de ataques.


Curiosamente, quem está cada vez mais enrolado é o ex-presidente democrata Bill Clinton, que aparece numa banheira de hidromassagem de sunguinha preta, nadando na piscina com a faz-tudo de Epstein, Ghislaine Maxwell, e com uma jovem de rosto censurado sentada no braço de sua poltrona. Tudo mostra um envolvimento muitíssimo maior do que o admitido por Clinton, quando “lamentou” ter viajado num avião do milionário abusador para a África, já fora da Casa Branca.


O círculo de amizades de Epstein, comprovado com as novas fotos, é impressionante. Michael Jackson, Mick Jagger, o acadêmico esquerdista Noam Chomsky e o profeta direitista Steve Bannon aparecem em situações de proximidades. Bill Gates é mostrado com mulheres jovens muito provavelmente nada relacionadas com as “conversas sobre filantropia” que havia admitido ter mantido com Epstein.


LISTA DOS CANCELADOS


O ex-príncipe Andrew não tem mais onde cair, tendo perdido os títulos de príncipe, duque, conde e barão, além da patente militar honorária de contra-almirante e do palacete onde continua a morar, por pouco tempo, no complexo de propriedades do castelo de Windsor, mas ainda conseguiu surpreender. Uma nova imagem o mostra de smoking, deitado no colo de seis jovens, num lugar estarrecedor: a sala do da mansão real de Sandringham, onde o monarca – na época sua mãe, a rainha Elizabeth, e hoje seu irmão, o rei Charles – recebe a família para a distribuição de presentes e jogos típicos do Natal. É uma espécie de profanação do lugar mais íntimo da família real.


Vinha sendo especulado se Charles cederia aos sentimentos fraternos e convidaria o irmão, agora conhecido apenas como Andrew Mountbatten-Windsor, para passar o Natal com a família se não aparecesse em nenhum compromisso externo. As especulações, obviamente, acabaram. Andrew e a ex-mulher, Sarah, com quem continua dividindo o palacete do qual ambos logo serão despejados, estará no topo da lista dos cancelados da família real provavelmente até o fim da vida – lembrando que vamos descobrindo aos poucos mais vilezas de Epstein, mas Charles provavelmente sabe de muitos outros fatos comprometedores sobre o irmão.


O ex-príncipe é um dos que já foram atingidos pela “maldição de Epstein”. Outro é Larry Summers, ex-secretário do Tesouro de Clinton, obrigado a deixar sua cátedra em Harvard e lugares lucrativos em conselhos de empresas devido ¡à divulgação de e-mails nos quais revela grande intimidade com Epstein, inclusive com pedidos de conselhos sobre como conquistar mulheres.


E como Epstein atraía tantas jovens lindas, dispostas a integrar um verdadeiro harém de meninas muito magras, altas e de preferência loiras – não queria morenas, como no tipo espanhol, nem ninguém com mais de 18 anos, segundo revelou a brasileira Marina Lacerda (dispensada quando completou 17 anos, já considerada fora da idade ideal)?


SEXO TRÊS VEZES POR DIA


Epstein, obviamente, tinha o poder do dinheiro, da lábia, das vantagens que oferecia como pagar alugéis, escola e cursos. “Eu tinha muita confiança nele e acreditava muito nele”, escreveu, em letra quase infantil, uma das meninas, num texto revelado agora, mas que expressa um sentimento muito comum: as aliciadas não se davam conta que estavam sendo exploradas e consideravam Epstein um amigo ou namorado protetor que as instruía em princípios importantes sobre sua vida, como os males da monogamia.


Epstein tinha também um apetite insaciável por novas meninas, transformando as que já estavam a seu serviço em aliciadoras. Todas as suas mansões exibiam salas de massagem, com fotos ou quadros eróticos de garotas nuas. Ele queria ser massageado e masturbado três vezes por dia. Uma das meninas diz que provavelmente era incapaz de fazer sexo com penetração porque tinha um pênis deformado, muito pequeno, com forma de limão.


Como ele se tornou tão rico e influente? Como, mesmo depois de ter sido condenado por crime sexual, continuou a ter ricos e famosos frequentando sua mansão em Nova York e as outras propriedades por onde circulavam constantemente as ninfetas em profusão? O sistema de aliciamento usado com as meninas era replicado, em outros termos, para as pessoas influentes de quem queria se aproximar.


Ele queria, obviamente, ser uma figura única, um mestre da manipulação e infrator de regras sociais, movido a dinheiro e amigos importantes.


Entre as fotos mais recentes, há várias mostrando trechos do livro de Nabokov, Lolita, uma obra de arte mostrando como um homem mais velho se apaixona a ponto de se casar com a mãe da menina pré-pubescente, de 12 anos, que o obceca, vindo a se tornar seu “pai” depois que a mulher morre. O livro deu origem à expressão lolita para definir graciosas meninas ainda saindo da infância e entrando na adolescência, cobiçadas por homens pervertidos. Diz o antológico trecho de abertura escrito no corpo de uma jovem não identificada da corte de Epstein: “Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boa para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes”.


PALÁCIO DE PERVERSÕES


Epstein provavelmente se imaginava um personagem de Nabokov, um Humbert Humbert bem sucedido que fatura centenas de “lolitas”. Ironicamente, o personagem fictício e o da vida real terminam morrendo na prisão. Epstein, deixando uma montanha de nomes famosos arrastados para a lama de sua obsessão sexual, que pode ter envolvido crianças pequenas, como faz suspeitar a foto sem camisa, com as pernas infantis ao fundo. A criança cujo rosto é escondido por uma almofada parece ter uma idade na casa dos sete anos.


A única pessoa que sabe de tudo não abre a boca: Ghislaine Maxwell, cumprindo pena de vinte anos por participação ativa no aliciamento de menores.


Na nova leva de fotos, aparece em situações constrangedoras, com os seios quase inteiramente expostos para acomodarem o pé do homem por quem era obviamente apaixonada e a considerava uma velha, agarrada ao mágico David Copperfield com os dois só de roupão, rolando no sofá com Jean-Luc Brunel, o agente francês de modelos que na verdade arrumava jovens lindas e esguias para alimentar a máquina de devorar meninas montada por Epstein. Como ele, também se suicidou na prisão.


Quando e se Ghislaine falar, o mundo tremerá mais ainda do que já chacoalhou até agora sob os pés dos “amigos” de Jeff Epstein, os famosos que não resistiam a uma chance de tirar vantagem, monetária ou sexual, do palácio de perversões aberto por um homem sobre o qual ainda há muito o que revelar.

Helio Shwartsman

 A íntegra: Quanto custa comprar um juiz?

Presentes influenciam decisões, mesmo que presenteados não se deem conta disso

Se ministros do STF descartarem adoção de código de ética cometerão haraquiri moral


Hélio Schwartsman

São Paulo

Quase tão ruim quanto pegar carona em jatinhos de empresários cujos casos julgará, é o juiz insistir que não precisa sujeitar-se a um código de ética porque já é ético. Mesmo que comprássemos pelo valor de face a tese de que nossos valorosos magistrados nunca se vendem, ainda restaria que eles têm um cérebro humano, e cérebros humanos são facilmente sugestionáveis.

A literatura psicológica ensina que viagens, refeições e até brindes de valor irrisório predispõem as pessoas em favor de quem dá o presente, mesmo que elas não se deem conta desse efeito. Até não muito tempo atrás, médicos juravam de pés juntos que não eram afetados pelos mimos fornecidos por laboratórios. Mas aí vieram os dados...

Numa metanálise clássica de 2000 que sempre cito aqui, Ashley Wazana mostrou que pagar uma viagem para um profissional de saúde aumentava entre 4,5 e 10 vezes a probabilidade de ele receitar as drogas produzidas pela empresa patrocinadora.

Ora, se uma viagenzinha de fim de semana mais do que quadruplica a chance de o alvo da investida agir com parcialidade, de que prodígios não será capaz a transferência de R$ 3,6 milhões mensais para o escritório de advocacia da família?

A menos que os ministros queiram cometer um haraquiri moral, têm não só de aceitar um código de ética como fingir que o defendem desde criancinhas. E receio que não possa ser um código de pegada mais idealista como o adotado pela suprema corte alemã, que privilegia a transparência. Dado o estado de coisas por aqui, penso que é preciso também desenhar o que não pode. Jatinhos? Só se for UTI aérea.

Seminários no exterior? Nunca. Não há teoria jurídica que possa ser exibida num hotel luxuoso de Londres que também não possa ser apresentada numa sala abafada de universidade pública brasileira. Regular a ação de advogados-parentes é mais complicado, mas precisamos tentar.

Fica difícil para pobres colunistas como eu defender o Judiciário enquanto instituição se seus mais destacados membros se esmeram em desmoralizá-lo.

Alexandre de Moraes e o Master

 Alexandre de Moraes procurou Galípolo para pedir pelo Master junto ao Banco Central

Relatos sobre contatos de ministro com presidente do BC foram feitos por seis fontes diferentes; mulher de Moraes tinha contrato de R$ 130 milhões com o Master

Por Malu Gaspar — Brasília


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para fazer pressão em favor do Banco Master. Ao menos três dos contatos foram por telefone, mas pelo menos uma vez Moraes se encontrou presencialmente com Galípolo para conversar sobre os problemas do banco de Daniel Vorcaro.


Os relatos sobre as conversas foram feitos à equipe do blog por seis fontes diferentes nas últimas três semanas. Uma delas ouviu do próprio ministro sobre o encontro com Galípolo, e as outras cinco souberam dos contatos por integrantes do BC.


Na versão desses integrantes, Moraes fez pelo menos três ligações para saber do andamento da operação de venda para o BRB e, em julho deste ano, pediu que o presidente do BC fosse ao seu encontro.


Nessa conversa, de acordo com o que o próprio ministro contou a um interlocutor, ele disse que gostava de Vorcaro e, repetindo um argumento que o banqueiro usava muito, afirmou que o Master era combatido por estar tomando espaço dos grandes bancos.


Pediu, ainda, que o BC aprovasse o negócio com o BRB, que tinha sido anunciado em março, mas estava pendente de autorização da autarquia. Naquele momento, já se sabia em Brasília que havia um racha entre diretores do BC sobre decretar ou não intervenção no Master.


Galípolo, então, respondeu a Moraes que os técnicos do BC tinham descoberto as fraudes no repasse de R$ 12,2 bilhões em créditos do Master para o BRB. Diante da informação, segundo os relatos, o ministro teria reconhecido que, se a fraude ficasse comprovada, o negócio não teria mesmo como ser aprovado.


Em 18 de novembro, enquanto a Polícia Federal prendia Vorcaro e outros seis executivos acusados de envolvimento com as fraudes, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master.


Procurados, nem Moraes nem o presidente do BC quiseram comentar.


Conforme informou o blog, o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, tem um contrato de prestação de serviços com o Master que previa o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais durante três anos a partir de janeiro de 2024, que renderia cerca de R$ 130 milhões no total.


O documento estipulava que a missão do Barci de Moraes Associados era representar os interesses do Master e de Daniel Vorcaro junto ao Banco Central, à Receita Federal, ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e ao Congresso Nacional.


Mas, segundo informação prestada via Lei de Acesso à Informação pelo Cade e pelo BC, nenhuma das instituições recebeu qualquer pedido de reuniões, petições ou quaisquer documentos do escritório em favor do banco de Vorcaro.


Recados

Na última quarta-feira (17), duas semanas depois de decidir que a competência para investigar o Master é do Supremo, avocar para si o processo e ainda decretar sigilo total no caso, Toffoli deu à PF 30 dias para fazer as oitivas, sempre sob o acompanhamento dos juízes auxiliares de seu gabinete.


Os depoimentos ainda não foram marcados, mas há uma tensão entre os técnicos do BC sobre a possibilidade de serem chamados a depor, por temerem sofrer algum tipo de intimidação.


Conforme já publicamos, esses mesmos técnicos informaram aos investigadores do Ministério Público e da Polícia Federal que nunca tinham sofrido tanta pressão política em favor de um único banco como no caso do Master.


Por isso, na entrevista coletiva de final de ano concedida nesta quinta-feira na sede do Banco Central, Galípolo aproveitou uma pergunta sobre o Master para dizer que ele “em especial” está à disposição do Supremo para prestar todos os esclarecimentos sobre a investigação da autarquia sobre a fraude nos créditos repassados ao BRB.


“Eu em especial, como presidente do Banco Central, estou à disposição pra ir lá prestar todo tipo de suporte e apoio ao processo de investigação”, disse Galípolo.


Em outro trecho encaixado propositalmente na fala sobre o Master, Galípolo afirmou que todas as movimentações no caso estão registradas. “Documentamos tudo. Cada uma das ações que foram feitas, cada uma das reuniões, cada uma das trocas de mensagens, cada uma das comunicações, tudo isso está devidamente documentado” .


A ideia, de acordo com fontes que discutiram isso internamente com a cúpula do BC, foi mostrar que a instituição se blindou das pressões registrando todos os movimentos, não só dos técnicos mas também de outros interessados no caso do Master — como por exemplo os políticos.


A interlocutores do governo e do mercado, Galipolo também admitiu ter sofrido pressão, mas afirmou que sempre teve o apoio do presidente Lula para não interromper a apuração.


Na sexta-feira (19), o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus entrou no caso para determinar que o Banco Central (BC) envie esclarecimentos sobre o processo de liquidação do Banco Master. A instituição tem até a terça (23) para remeter os documentos ao TCU.


A decisão se deu por medida cautelar do ministro, no âmbito do processo que investiga uma possível omissão do BC em relação a operações do Banco Master.


A medida, porém, causou estranheza, já que o TCU não tem tem atribuição para atuar em discussões sobre transações entre instituições privadas do sistema financeiro.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Leitura de domingo

 *Leitura de Domingo: Brookfield avalia entrada no mercado de baterias brasileiro*


Por Luciana Collet


São Paulo, 15/12/2025 - O mercado de sistemas de armazenamento de eletricidade pode ser a próxima grande aposta da gestora canadense Brookfield no mercado brasileiro. O grupo, que tem mais de 125 anos de presença no País e história atrelada ao próprio desenvolvimento do setor elétrico nacional, se prepara para apoiar o Brasil em seu próximo salto tecnológico, com a inserção de baterias no sistema interligado nacional (SIN). A empresa está acompanhando de perto os trabalhos para a realização do primeiro leilão de baterias, atualmente previsto para abril de 2026, com vista a participar da disputa.


"Acho que isso criará uma oportunidade muito empolgante", disse à Broadcast  executiva de operações (Chief Operating Officer - COO), do negócio de Energia Renovável & Transição da Brookfield, Natalie Adomait. "Baterias são uma enorme oportunidade para um mercado como o Brasil", completou, citando a abundância de potencial eólico e solar, além da matriz elétrica brasileira, já muito limpa, bem como a perspectiva de que as baterias forneçam mais confiabilidade ao sistema brasileiro.


A executiva canadense é responsável por supervisionar a gestão de ativos e de fundos para o portfólio global da Brookfield, que possui 45 gigawatts (GW) de capacidade operacional e 200 GW de projetos renováveis em todo o mundo.  De acordo com ela, o interesse em baterias tem crescido em todo o mundo, apoiado pela redução dos custos da tecnologia, que baratearam 95% desde 2016.


"Com cada um dos desenvolvedores de renováveis no nosso portfólio, estamos impulsionando o desenvolvimento de estratégias de baterias e construindo equipes que tenham expertise para implantar essa tecnologia, porque a maioria dos mercados já começou a se mover rapidamente em direção a disso, acho que será a tecnologia de crescimento mais rápido em nosso portfólio global nos próximos anos, e, com sorte, o Brasil desempenhará um papel realmente importante nisso nos próximos 12 a 24 meses", afirmou.


De acordo com ela, a Brookfield vem mapeando mercados que ofertem condições mais favoráveis para investimentos na tecnologia e na geração de energia renovável, já que isso deverá permitir um crescimento mais acelerado do novo mercado. Uma preocupação, sinalizou, é que o empreendedor seja compensado pelos benefícios que as baterias podem proporcionar ao sistema, seja do ponto de vista de otimização do custo da geração, seja pela estabilidade ofertada à rede.


Neste sentido, o líder do negócio de Energia Renovável & Transição da Brookfield no Brasil, André Flores, avaliou que a realização do leilão brasileiro de baterias é importante porque garante uma fonte de receita inicial para esses sistemas enquanto o mercado evolui até se tornar mais comercial, o que permitiria também operações mais atreladas à arbitragem de preços entre valores horários da energia mínimos e máximos, ou seja, entre o horário pico da geração solar, no meio do dia, quando há excesso de energia, e o pico da demanda, no início da noite, quando é necessário acionar usinas mais caras.


"Devemos garantir que o mercado esteja dando os incentivos certos para justificar a instalação de baterias atrás do medidor em nossos ativos", disse.


Natalie vislumbra potencial para o desenvolvimento de projetos associados de geração renovável eólica ou solar com baterias, atrelados a contratos de longo prazo (PPA, na sigla em inglês), num modelo já experimentado pela Brookfield na Austrália, em acordo com a BHP. "A Austrália é um dos mercados que está muito à frente na integração de tecnologias em soluções híbridas, mas acho que essa é uma direção que poderíamos ver se as baterias decolarem no Brasil", disse.


Os recursos para uma iniciativa nesse sentido poderiam vir do fundo de transição catalítica focado em mercados emergentes, o Catalytic Transition Fund (CTF), atualmente em fase de captação e que já tem US$ 2,4 bilhões anunciados, com meta para chegar a US$ 5 bilhões. O foco para a aplicação do capital desse fundo é em energia limpa e ativos de transição e, segundo Natalie, o Brasil será uma região central. Índia, outros países da América Latina e do Sudeste Asiático também fazem parte da estratégia.


Cortes 


Além das regras sobre baterias, a Brookfield também aguarda o avanço das normas sobre o ressarcimento pelos cortes de geração renovável (curtailment), que Natalie considera fundamentais para que o setor de geração volte a ser atraente a novos investimentos.


"Ao redor do mundo, todos estão lidando com isso de maneiras diferentes, e diria que há muitas lições a serem aprendidas", disse, citando exemplos na Coreia do Sul e Índia, onde há foco investimentos em gestão e expansão da rede de transmissão. "Caso contrário, isso continuará a ser considerado no custo e limitará o investimento potencial no futuro se não for gerenciado da maneira certa", acrescentou.


Flores comentou que os níveis de curtailment atualmente vistos no Brasil são significativamente superiores aos observados em outros mercados onde a Brookfield atua. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam que os cortes chegaram próximos a 30% da geração potencial em outubro, alcançando a máxima histórica. "E o impacto no setor é muito maior, porque a compensação atualmente é muito limitada", diz.


Já o atual momento de sobreoferta de energia é visto em perspectiva pela executiva da Brookfield, tendo em vista o potencial crescimento da demanda a partir de data centers e outras grandes cargas. "Somos investidores de longo prazo, não olhamos para ciclos políticos, janelas de investimento de dois anos, ou o que está acontecendo hoje no mercado", diz.


Ela cita, ainda, oportunidades com a tendência de eletrificação das indústrias, além de um movimento de 'desglobalização', com a criação de cadeias de suprimentos mais próximas geograficamente.


"A beleza de um país como o Brasil é que o potencial de recursos é imenso, de uma perspectiva eólica e solar, e quando você combina isso com tecnologias como baterias, sendo capaz, então, de fornecer energia modelada, há muitas oportunidades", acrescentou.


Contato: luciana.collet@estadao.com


Broadcast+

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Semana do Natal tem IPCA-15 e PIB nos EUA*


A entrevista de Bolsonaro ao portal Metrópoles amanhã causa expectativa, já que ele pode confirmar o apoio a Flávio


… As bolsas em NY e os Treasuries operam em horário reduzido na véspera do Natal (quarta-feira), quando o Ibovespa já estará fechado. Os mercados americanos funcionam normalmente na sexta-feira (dia 26), apesar de Trump ter ordenado o fechamento do governo federal neste dia. Na semana mais curta com o feriado natalino, ainda há indicadores importantes na agenda dos Estados Unidos e aqui também, com potencial para projetar os próximos passos do Fed e Copom, enquanto o Legislativo e o Judiciário já estão em recesso, após a alta temperatura das últimas semanas. No apagar das luzes, o Congresso aprovou o Orçamento com superávit pouco acima da meta.


QUEM QUER DINHEIRO? – O texto aprovado prevê um superávit primário de R$ 34,5 bilhões no próximo ano, valor apenas R$ 200 milhões acima do centro da meta fiscal de R$ 34,3 bilhões, que equivale a 0,25% do PIB.


… Na prática, como se sabe, a margem de tolerância permite déficit zero. O projeto, que já seguiu à sanção, fixa despesas em R$ 6,543 trilhões e destina R$ 61 bilhões às emendas parlamentares, 21% a mais do que em 2025.


… Os recursos terão liberação acelerada no primeiro semestre de 2026, ano eleitoral, após regra aprovada na LDO.


… Mas na Folha, Idiana Tomazelli informa que o governo vai vetar ou bloquear as emendas extras aprovadas de última hora pelo Congresso, para recompor a verba de políticas sociais que foram cortadas pelos parlamentares.


… Paralelamente, Flávio Dino continua em pé de guerra com os congressistas.


… Neste domingo, o ministro do Supremo suspendeu a validade de um trecho de projeto aprovado pela Câmara na última quarta-feira que ressuscita as chamadas “emendas de relator”, conhecidas como “orçamento secreto”.


… O artigo estava incluído no texto que corta benefícios fiscais e aumenta a tributação de bets, fintechs e JCP.


… Dino atendeu a um pedido de deputados do Psol e do Rede Sustentabilidade e determinou a suspensão imediata do trecho, caso ele venha a ser convertido em lei após eventual sanção. Lula tem até o dia 12/1 para apreciar.


… O ministro também determinou que a liminar seja submetida ao plenário do STF. A votação deve acontecer a partir de fevereiro, quando o tribunal retornar às atividades. Até lá, o projeto fica suspenso mesmo se Lula sancionar.


… Reportagem do Valor aponta que o governo fez movimentos de reaproximação com o Congresso, após semanas de conflitos, e que agora senadores e deputados deslocaram a crise de relacionamento para o Judiciário.


… A relação vem piorando com as seguidas operações policiais contra congressistas (na última sexta-feira, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, esteve no alvo) e os julgamentos polêmicos, como o que questiona as emendas.


… Já em relação ao Congresso x governo, depois de momentos conturbados ao longo do ano, com a derrubada do IOF, a PEC da Blindagem e a Dosimetria, Lula acionou sua versão paz e amor e telefonou para Motta semana passada.


… Acertou a pauta econômica e escolheu o filho de um aliado de Motta, o deputado Damião Feliciano (União Brasil), como ministro do Turismo, no lugar de Celso Sabino, troca que também o reaproxima do partido, até então rompido.


… Para o presidente da Câmara, a relação está estabilizada e haverá mais diálogo em 2026.


… De seu lado, Alcolumbre disse que aceitará uma conversa com Lula, se for convidado. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, disse que um encontro deve acontecer ainda antes de o ano acabar.


… O presidente do Senado está rompido com o Planalto desde que Lula escolheu Jorge Messias para o STF.


ESPERANDO GODOT – A informação de que Jair Bolsonaro vai dar uma entrevista ao portal Metrópoles amanhã causa expectativa entre os investidores. Será a oportunidade de o ex-presidente confirmar o apoio ao filho.


… Ou deixar a porta aberta para uma eventual candidatura de Tarcísio de Freitas ao Palácio do Planalto, como o mercado e o Centrão gostariam, caso Flávio Bolsonaro não deslanche nas pesquisas eleitorais até março.


… Em novo racha na família, Michelle se opõe à entrevista. Segundo Mônica Bergamo (Folha), a ex-primeira dama teme que o gesto torne irreversível a candidatura de Flávio e exponha a fragilidade de Bolsonaro diante da base.


… No Globo, Lauro Jardim informou que os médicos querem operar Bolsonaro na quarta-feira. A realização do procedimento cirúrgico para tratar da hérnia e das frequentes crises de soluços foi autorizada por Moraes.


MAIS AGENDA – O IBGE divulga amanhã o IPCA-15 de dezembro, que pega o mercado mais inclinado no momento a apostar em um corte da Selic só em março, apesar de o Copom não ter fechado a porta para uma queda antecipada.


… Puxada pela alta nos preços das passagens aéreas, a prévia da inflação oficial deve acelerar para 0,25% em dezembro, contra 0,20% em novembro, com avanço também na média dos núcleos, segundo o Projeções Broadcast.


… Ainda amanhã, a Aneel define a bandeira tarifária de energia elétrica para janeiro, com efeito sobre a inflação.


… O Santander revisou em baixa, na sexta-feira, a aposta para o IPCA deste ano (de 4,4% para 4,3%) e de 2026 (de 3,9% para 3,8%), citando o câmbio mais apreciado, acomodação das commodities e efeitos cumulativos da Selic.


… Hoje, às 10h30, a Receita divulga a arrecadação de novembro, que deve refletir o bom desempenho do IOF e das receitas previdenciárias. A previsão é de R$ 224,2 bilhões (mediana), após R$ 261,908 bilhões em outubro.


… Também nesta segunda-feira, saem o boletim Focus (8h25) e a pesquisa Firmus referente ao quarto trimestre (10h), que colhe as expectativas de empresas não financeiras sobre a atividade econômica e a inflação.


… Na volta do Natal, o BC divulga na sexta-feira a nota de crédito de novembro, com dados sobre inadimplência. Excepcionalmente por causa do feriado na semana, as informações de fluxo cambial também sairão na sexta-feira.


…  Haddad entrou em férias hoje e fica afastado até 11 de janeiro, segundo autorização publicada no Diário Oficial.


LÁ FORA – Como aqui, amanhã também é o dia mais importante da agenda americana, com o PIB do terceiro trimestre, em que virá embutido o PCE do período. Sai ainda nesta terça-feira a produção industrial de outubro/nov.


… A aposta de pausa do Fed em janeiro continua como a aposta principal (79%) do mercado, embora um corte siga no radar (21%), depois do avanço menor do que o esperado do CPI de novembro, mesmo distorcido pelo shutdown.


… O investidor também mantém no foco a escolha do sucessor de Powell no comando do Fed. O maior receio é com a credibilidade da autoridade monetária, sob risco de um ciclo de queda do juro além do considerado razoável.


… Da ala dovish, o diretor do Fed Christopher Waller teve uma entrevista “produtiva” com Trump na sexta-feira, com ênfase no mercado de trabalho, segundo a CNBC, sugerindo que a criação de empregos está no centro das atenções.


… A impressão positiva, porém, não indica necessariamente que ele seja o favorito para o cargo, disseram fontes.


… A lista de candidatos para assumir a presidência do BC americano foi reduzida a quatro: Kevin Hassett, Kevin Warsh, Waller e Rick Rieder (BlackRock), que será entrevistado semana que vem. Michelle Bowman deixou a disputa.


… Na última sexta-feira, John Williams, presidente do Fed de Nova York, reforçou a percepção de desinflação em curso e emprego estável, e disse não ver urgência em promover uma nova flexibilização monetária em janeiro.


… Já Stephen Miran, Fed boy de Trump, disse o que se espera dele, alertando sobre a fraqueza do mercado de trabalho, enquanto Trump advertia sobre o aumento da taxa de desemprego a 4,5%, maior nível desde 2021.


… Hoje, o Fed de Chicago divulga o índice de atividade nacional de setembro, às 10h30. Na véspera do Natal (quarta-feira), os mercados em Nova York operam em horário reduzido: as bolsas fecham às 15h e os Treasuries, às 16h.      


CHINA HOJE – O PBoC manteve os juros de referência estáveis pelo sétimo mês consecutivo, apesar das vendas no varejo e da produção industrial abaixo do esperado em novembro.


… As taxas para empréstimos de 1 e 5 anos permanecem inalteradas em 3% e 3,5%, respectivamente.


… O anúncio foi feito durante o 14º Congresso Popular Nacional, que durará esta semana toda.


BARRIL DE PÓLVORA – A possibilidade de uma guerra na Venezuela e a chance remota de a Rússia e a Ucrânia alcançarem um acordo de paz entre antes do Natal, como Trump gostaria, continuam no radar do petróleo.


… Depois de um final de semana de negociações em Miami, as tratativas exibiram poucos progressos.


… Zelensky disse que os sinais reais de disposição para Moscou encerrar a guerra são “apenas negativos”, enquanto Putin mantém o discurso de que alcançará os objetivos militares caso Kiev rejeite as condições apresentadas.


… A ofensiva diplomática lançada por Trump esbarra em exigências consideradas incompatíveis pelos dois países.


… Em outra frente de conflito, Trump mantém o bloqueio à saída de petroleiros da Venezuela e não descarta um conflito armado contra Maduro. A escalada das tensões ampliava os ganhos do petróleo ontem à noite (+0,68%).


… Na sexta-feira, o barril já havia emplacado a terceira alta seguida, com o Brent avançando 1,08%, para US$ 60,47. Na semana, porém, a commodity perdeu 1%, repercutindo as preocupações com o aumento da oferta global.


ALÍVIO FRÁGIL – O Ibovespa registrou a segunda sessão seguida de ganhos modestos (+0,35%, a 158.473,02 pontos), com investidores aproveitando alguns papéis que ficaram descontados desde o “Flávio Day”, mas com cautela.


… Tanto que a melhora dos últimos dias não conseguiu apagar o estrago na semana (-1,43%), especialmente de terça-feira, quando a pesquisa Genial Quaest mostrou Flávio à frente de Tarcísio e ambos atrás de Lula.


… O giro do pregão foi expressivo (R$ 32,3 bilhões), inflado pelo exercício de opções sobre ações, o que também explica a maior volatilidade dos ativos na sessão.


… Entre os grandes bancos, o dia foi de ganhos: Bradesco PN (+0,93%, a R$ 18,50); Itaú PN (+0,92%, a R$ 39,53); e Santander Unit (+0,84%, a R$ 32,32). A exceção foi BB ON (-0,69%, a R$ 21,44).


… Petrobras ON (+0,71%, a R$ 32,68) e PN (+0,36%, a R$ 31,01) seguiram a alta do petróleo, assim como Vale ON (+0,71%, a R$ 70,85) acompanhou o avanço do minério de ferro na China (+0,52% em Dalian, a US$ 110,78/t).


… Braskem PN (+6,56%, a R$ 7,80) puxou a lista de maiores altas do índice, após firmar contratos de R$ 17,8 bilhões com a Petrobras, seguida por CVC ON (+4,12%, a R$ 2,02) e IRB ON (+2,50%, a R$ 53,27).


… CSN Mineração ON (-4,01%, a R$ 5,26) e CSN ON (-3,23%, a R$ 9,23) lideraram as baixas, após a CSN anunciar a venda de fatia de até 11,17% na MRS para sua mineradora por até R$ 3,35 bilhões.


… O dólar à vista até ensaiou uma queda abaixo dos R$ 5,50 com a atuação do Banco Central, que realizou um leilão de linha de US$ 2 bilhões para rolagem de vencimentos de operações anteriores.


… Mas a cautela com o cenário eleitoral e a demanda de empresas para remessas de fim de ano impediram uma correção no câmbio, com a moeda fechando em leve alta de 0,11%, a R$ 5,5297. Na semana, a divisa subiu 2,20%.


… Os juros futuros tiveram um dia de acomodação, diante da falta de novidades sobre os próximos passos do Copom e da pausa no estresse político, que fez as taxas longas acumularem mais de 20 pb no saldo da semana.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,775% (de 13,829% no ajuste anterior); Jan/29, 13,245% (contra 13,335% na véspera); Jan/31, 13,540% (de 13,625%); e Jan/33, 13,660% (de 13,731%).


DIA DE BRUXARIA – As techs se livraram dos boatos de bolha na Inteligência Artificial e deram sequência ao movimento de recuperação, sustentando os ganhos em NY, junto com as ações do setor farmacêutico.


… O Dow Jones subiu 0,38% (48.134,89 pontos); S&P 500 ganhou 0,88% (6.834,50); e Nasdaq avançou 1,31% (23.307,62). Na semana, os índices ficaram mistos: Dow (-0,66%) em baixa; S&P (+0,10%) e Nasdaq (+0,48%) em alta.


… A 6ªF foi dia de “quadruple witching”, com mais de US$ 7,1 trilhões em contratos futuros e opções sobre índices e sobre ações, no maior vencimento da história, segundo informou o Goldman Sachs à CNBC.


… Oracle avançou 6,63%, após o anúncio do acordo com a chinesa ByteDance para transferir o controle do TikTok nos EUA para um grupo de investidores, incluindo a gigante da computação em nuvem.


… Ainda de carona no forte balanço do 1TRI fiscal e nas projeções otimistas de produção de chips, a Micron Technology estendeu o ganho de 10,21% da 5ªF e avançou mais 6,99%.


… No setor da saúde, o acordo de Trump para reduzir os preços dos medicamentos – e evitar a imposição de tarifas como punição – ajudou Moderna (+9,40%) e Eli Lilly (+1,38%), enquanto Johnson & Johnson caiu 0,93%.


… Já a Nike tropeçou feio (-10,54%) após apresentar resultado pior que o esperado no segundo trimestre fiscal e ainda sinalizar que as vendas na China estão fracas.


… Após a polêmica do CPI “poluído” pelo shutdown, que deixou dúvidas se o alívio na inflação é para valer ou se houve uma distorção estatística, a Universidade de Michigan mostrou que, pelo menos, a sensação é de baixa.


… A expectativa de inflação para um ano passou de 4,5% em novembro para 4,2% em dezembro. Foi o quarto recuo seguido e o menor índice em 11 meses. Já para 5 anos, caiu de 3,4% para 3,2%, igualando projeção de janeiro.


… A leitura final do sentimento do consumidor subiu para 52,9 pontos em dezembro, de 51,0 em novembro, mas veio abaixo do consenso, de 53,5 pontos.


… No mercado imobiliário, a NAR mostrou que as vendas de moradias usadas subiram 0,5% em novembro ante outubro, para 4,13 milhões de unidades, pouco abaixo das 4,2 milhões esperadas, em dados ajustados.


TSUNAMI – O dólar disparou diante do iene (+1,23%, a 157,53/US$), mesmo após o BoJ seguir o roteiro e elevar o juro básico japonês para 0,75%, a maior taxa do país em 30 anos.


… Kazuo Ueda disse que o BoJ seguirá elevando os juros, caso a economia e os preços evoluam em linha com as projeções. “A probabilidade de o cenário do BoJ se concretizar está aumentando”, declarou, após a decisão.


… Ueda afirmou ainda que espera que o crescimento dos salários continue no próximo ano e avaliou que o mecanismo de repasse entre salários e preços deve permanecer intacto.


… Por outro lado, observou que é difícil definir o nível da taxa de juros neutra para a economia japonesa, acrescentando que a projeção para essa taxa “deve seguir ampla”.


… Analistas avaliaram que Ueda não deixou claro se o BoJ fará um novo aumento na próxima reunião, o que trouxe frustração para a moeda japonesa.


… “Acho que muitas pessoas estão dizendo que o Banco do Japão não foi duro o suficiente”, comentou Marc Chandler, estrategista-chefe de mercado da Bannockburn Global Forex, à Reuters.


… Diante da fraqueza do iene, o índice DXY subiu 0,16%, para 98,581 pontos, em uma sessão em que o euro ficou de lado (US$ 1,1724), assim como a libra, em leve alta de 0,08% (U$ 1,3391).


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS informou que fez ajustes na proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), “contemplando avanços nos pleitos sindicais”, para tentar encerrar greve nacional iniciada há uma semana.


CSN MINERAÇÃO encerrou programa de recompra de ações de até 100 milhões de papéis ordinários; no período, foram adquiridas 53.294.300 de ações ordinárias, o equivalente a 0,97% do capital social da companhia.


GERDAU encerrou programa de recompra de ações, aprovado em 20 de janeiro, após adquirir 1,5 milhão de papéis ordinários, ao preço médio de R$ 15,65 cada, e 63 milhões de papéis preferenciais, ao preço médio de R$ 16,27 cada.


MULTIPLAN informou que concluiu a venda de 20,0% de participação do ParkShopping São Caetano pelo valor de R$ 237,2 milhões. O valor será recebido em três parcelas.


YDUQS aprovou a distribuição de R$ 150 milhões em dividendos intercalares, o equivalente a R$ 0,5691 por ação ordinária, com pagamento até 27 de fevereiro; ex em 29 de dezembro.


COGNA. BlackRock reduziu participação acionária na companhia de 5,03% para 4,90% do total, passando a deter 92.1116.169 de papéis ordinários.


PORTO SEGURO. O conselho de administração aprovou distribuição de juros sobre capital próprio (JCP), relativos ao quarto trimestre de 2025, no montante de R$ 344 milhões, a R$ 0,53 por ação.


TOTVS. Subsidiária Soluções em Software e Serviços TTS celebrou contrato para a aquisição da TBDC Desenvolvimento de Software por R$ 80 milhões.


AXIA ENERGIA informou que foi aprovado em Assembleia Geral Extraordinária o resgate compulsório das ações preferenciais de classe R (PNR) no valor unitário de R$ 1,29.


ENERGISA aprovou incorporação da Rede Power pela Rede Energia, em nova etapa da reorganização societária…


… Adicionalmente, foi aprovado um aumento do capital social da Rede Energia em aproximadamente R$ 2,34 bi mediante a emissão, para subscrição privada, de 457.880.865 de novas ações ordinárias da empresa…


… Também foi autorizada a incorporação de ações de emissão da Denerge pela Nova Denerge, operação que resultou na conversão da Denerge em subsidiária integral da Nova Denerge…


… Ainda, os acionistas aprovaram a incorporação da Energisa Distribuição de Gás Nordeste (EDGNE) pela Energisa Distribuição de Gás (EDG), resultando na extinção da EDGNE, que será sucedida pela EDG em direitos e obrigações.


ISA ENERGIA aprovou a distribuição de R$ 495,2 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,7516 por ação de ambas as espécies, com pagamento em três parcelas de R$ 165,08 milhões (28 de janeiro; 25 de fevereiro e 31 de março).


CEMIG. Subsidiária Cemig SIM concluiu a aquisição de 51% em duas usinas fotovoltaicas de geração distribuída (UFVs) e 100% de um UFV, totalizando 10 megawatts-pico de potência instalada, pelo montante de R$ 52,8 milhões.


COPASA informou que privatização será votada em assembleia de debenturistas da 14ª emissão.


SUZANO HOLDING informou, por meio de fato relevante, a celebração de novo acordo de acionistas que estabelece mudanças relevantes na governança e na estrutura de capital da companhia ao longo das próximas duas décadas.


AMBIPAR. O conselho de administração aprovou os termos e condições do plano de recuperação judicial do grupo. A proposta foi protocolada no processo que tramita na 3ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,9% US tech +1,3% US semis +3,0% UEM +0,3% España +0,2% VIX 14,9% Bund 2,90% T-Note 4,15% Spread 2A-10A USA=+66pb B10A: ESP 3,32% PT 3,19% FRA 3,62% ITA 3,58% Euribor 12m 2,266% USD 1,171 JPY 184,7 Ouro 4.339$ Brent 61,5$ WTI 56,7$ Bitcoin +2,1% (88.142$) Ether +5,2% (2.973$).


Iniciamos a reta final do ano onde a volatilidade e o fluxo de notícias deverão tender a moderar-se. O mais relevante é quase o aumento da tensão entre os EUA e a Venezuela, que está a gerar alguma volatilidade em alguns ativos, como: (i) petróleo, que embora, de momento, aumente +1,17%, pensamos que terminará por levar a queda de preços; e (ii) ouro, em máximos (4.339 $), igual à prata (68,94 $). As bolsas, por sua vez, encontram apoio nas expetativas de mais descidas de taxas de juros da Fed (as nossas expetativas para 2026 apontam até 3 descidas), após uma inflação americana menor do que o esperado na semana passada (2,7% a/a nov. vs. 3,1% esperado) e uma Taxa de Desemprego em alta (4,6% desde +4,4% ant.). 


Assim, iniciamos uma semana curta, com meia sessão na Europa e EUA na quarta-feira (véspera de Natal), e mercado fechado na quinta-feira devido ao feriado de Natal. 


Hoje teremos poucas referências. De facto, as mais relevantes do dia foram conhecidas de madrugada. Dois focos de atenção na Ásia, embora com impacto previsivelmente moderado na Europa e nos EUA: (1) a China manteve taxas de empréstimos a 3 e 5 anos (em 3,0% e 3,5%). (2) O Japão, após a subida de taxas de juros do BoJ, na sexta-feira, a falta de uma mensagem clara sobre próximas descidas debilitava o yen. O Vice-ministro das finanças assinalava a “profunda” preocupação” pela debilidade do yen e não descartam uma intervenção; “gostaríamos de tomar as medidas adequadas contra as medidas excessivas”.


Na nossa opinião, sessão de subidas com o foco em ir assumindo posições para 2026 e o “receio” de ficar de fora (FOMO). Consideramos que em 2026 o mercado estará apoiado por um ciclo expansivo global e uma inflação mais elevada do que o desejável, mas não problemáticas, taxas de juros que continuarão a baixar nos EUA, um menor prémio de risco por geoestratégia e lucros empresariais que aumentarão a duplo dígito baixo.

domingo, 21 de dezembro de 2025

EMBRAER ENCARANDO AIRBUS E BOEING

 *O QUE É PRECISO PARA A EMBRAER CRIAR UM AVIÃO QUE CONCORRA DIRETAMENTE COM BOEING E AIRBUS?*


Por Luciana Dyniewicz, do Estadão


 São Paulo, 21/12/2025 - Especulada há aproximadamente um ano, a possibilidade de a Embraer desenvolver um avião de cerca de 200 lugares, que possa competir diretamente com as gigantes Boeing e Airbus, ganhou força neste mês em meio a comentários do CEO global da Lufthansa, Carsten Spohr. Em visita ao Brasil, o executivo alemão afirmou querer que a fabricante brasileira produza aeronaves maiores e disse que discutiria isso com a direção da Embraer. O apoio - e a encomenda - de companhias aéreas é chave para que o projeto se torne realidade.


 Hoje, a Embraer produz aviões de no máximo 146 lugares e um alcance de 5.556 quilômetros. Assim, o maior jato da brasileira compete apenas com os A220, da Airbus, cuja capacidade é de até 160 passageiros.


 Se passar a fabricar aeronaves maiores, a Embraer poderia brigar diretamente com a família do A320, da Airbus, cujos aviões têm de 120 a 244 lugares, e com a do 737, da Boeing, que tem jatos com 126 a 220 lugares. Aeronaves com capacidade para 150 a 180 passageiros são as mais demandadas na história da aviação comercial.


 Procurada para comentar o assunto, a Embraer afirmou, em nota, ter "produtos novos e competitivos em todos os segmentos" e estar focada em aumentar as vendas do portfólio atual. "Em paralelo, continuamos investindo em novas tecnologias, com o objetivo de estarmos prontos para o próximo ciclo de desenvolvimento de produtos no futuro, independentemente do segmento (aviação comercial, executiva ou de defesa). No entanto, não podemos fornecer uma data específica para essa decisão."


 O presidente da empresa, Francisco Gomes Neto, já admitiu que a companhia planeja desenvolver um produto novo, mas ainda não definiu qual será. Em julho, o executivo afirmou ao Estadão que o projeto de criar um novo jato ainda está em fase embrionária.


 "Estamos fazendo estudos para outros produtos para o futuro. Pode ser um avião executivo, um avião comercial, mas são estudos ainda. Não temos resposta sobre o produto que vai ser ou como vamos construir isso."


 Gomes Neto disse ainda que não tinha pressa para desenvolver um novo projeto, dado que quase 25% de seus 4 mil engenheiros estão trabalhando na criação do eVTOL (o carro voador que vem sendo desenvolvido pela subsidiária Eve) e outra parte importante desse time está focada em melhorias do portfólio atual.


 O desenvolvimento de um avião de cerca de 200 lugares demandaria entre US$ 8 bilhões (R$ 43,4 bilhões) e US$ 10 bilhões (R$ 55 bilhões), de acordo com o analista do setor Alberto Valerio, do UBS BB. Se o custo alcançar US$ 10 bilhões, ficaria próximo ao valor atual da companhia no mercado (R$ 59,5 bilhões). "A empresa tem competência para desenvolver um avião como esse. Mas tem um risco", diz Valerio.


 O analista acrescenta que, para desenvolver uma nova aeronave, a Embraer precisaria levantar capital no mercado emitindo ações e dívida, além de fechar parcerias com clientes e fornecedores de peças como motores e GPS. "Também precisaria de garantias de que terá um volume robusto de encomendas por parte das companhias aéreas." Valerio afirma que o ideal seria que "umas três" companhias do porte da Lufthansa fizessem encomendas de cerca de 300 aeronaves cada uma.


 Também analista do setor, André Mazini, do Citi, é outro a afirmar que a Embraer tem capacidade de engenharia para criar um novo avião. "A questão é mais fechar a parte financeira e garantir a capacidade de manutenção no pós-venda. Hoje, essa capacidade é boa, mas precisa continuar avançando", diz ele.


 Mazini afirma ainda que as companhias aéreas "claramente querem sair do duopólio". Como apenas Boeing e Airbus fabricam hoje jatos de 200 lugares, a entrada de uma terceira competidora no mercado poderia pressionar os preços das aeronaves para baixo. Em sua visita ao Brasil neste mês, o CEO da Lufthansa destacou que, se houvesse três fabricantes no segmento, a velocidade de inovação aumentaria. Afirmou também ver espaço no mercado para aviões de melhor qualidade e mais baratos.


 O analista do Citi lembra que executivos da Embraer já sinalizaram que a empresa não assumiria um projeto dessa magnitude sozinha e que gostaria que as companhias aéreas apoiassem o desenvolvimento da aeronave com encomendas. "Um modo para viabilizar o avião seria que as aéreas entrassem com uns US$ 3 bilhões (em encomendas), ajudando a custear o projeto. As fabricantes de motores, como GE, com mais US$ 3 bilhões. O BNDES, com outros US$ 2 bilhões, e a Embraer, com uns US$ 2 bilhões. Aí ficaria mais palatável", diz.


 Os dois analistas dizem acreditar que a companhia não vai tomar uma decisão no curto prazo. Para Valerio, nada será definido até 2027. "Antes de começar algo novo, a Embraer quer amadurecer a Eve." Subsidiária da Embraer que desenvolve um "carro voador", a Eve deve concluir o desenvolvimento e a certificação de sua aeronave no fim de 2027. "A equipe de engenharia está focada nisso", destaca o analista.


 Mazini também afirma que a Embraer pretende fazer com que a Eve "ande com as próprias pernas" antes de assumir um novo desafio. "Eles (a direção da fabricante brasileira) não querem estressar o balanço da empresa com muita coisa ao mesmo tempo."


 O analista pondera que hoje a Eve tem praticamente apenas cartas de intenção de compras. Essas cartas precisam virar pedidos firmes para a empresa receber pré-pagamentos. "Quando isso acontecer, vai entrar dinheiro no caixa. Aí as coisas podem começar a avançar."


 Para Mazini, a Embraer também vai aguardar uma nova geração de motores de aviões ser desenvolvida. O desenho dessa tecnologia deverá ser definido em 2027, e nenhuma fabricante de aeronaves desenvolverá um jato agora usando os motores antigos - daí a necessidade de aguardar. "Não dá para dissociar um novo avião de um novo motor. Não haverá anúncios (por parte da Embraer) agora, porque a empresa precisa de detalhes desse motor."


 Além de um anúncio não ser esperado para breve, o desenvolvimento do avião também não será rápido. As aeronaves colocadas mais rapidamente no mercado levaram cerca de quatro anos desde o momento do anúncio até o primeiro voo. Quando as fabricantes anunciam a realização do novo projeto, porém, elas costumam já estar há algum tempo trabalhando previamente nele.

Leitura de sábado

 *Leitura de Sábado: Privatizações e gestões pró-mercado impulsionam estatais estaduais em 2025* Por Camila Vech São Paulo, 07/01/2026 - O a...