domingo, 30 de novembro de 2025

Nuremberg

 Bruno Astuto

O que esperar de 'Nuremberg', filme com estreia prevista para fevereiro no Brasil

'O desafio não era entender as doenças dos réus, mas sua normalidade'

30/11/2025 04h31  


"Nuremberg”, que tem estreia prevista para fevereiro no Brasil, volta a colocar no centro do debate um tema que sempre assombra a Humanidade: o esforço de explicar o mal. O filme, estrelado por Russell Crowe e Rami Malek, é baseado no livro “O nazista e o psiquiatra,” de Jack El-Hai, e acompanha o capitão e psiquiatra americano Douglas Kelley (Malek) encarregado de avaliar a sanidade mental de 22 oficiais nazistas capturados logo após o fim da Segunda Guerra. Um deles era Hermann Göring (Crowe), talvez o mais sedutor, vaidoso e manipulador entre os homens do alto escalão do Terceiro Reich. Kelley tentou descobrir se havia uma anomalia, um traço clínico, um sinal neurológico que explicassem tamanha crueldade. E, para seu próprio horror, a resposta foi não. Os réus de Nuremberg, do ponto de vista psiquiátrico, eram “comuns”, fanáticos, racionais, ambiciosos, eficientes. Pessoas capazes de amar os filhos ao mesmo tempo em que assinavam ordens que matavam os filhos dos outros.


É justamente essa normalidade que torna “Nuremberg” tão perturbador. O tribunal não mostrou monstros biológicos, mas monstros morais, homens que fizeram escolhas conscientes e se beneficiaram delas. Não havia doença que justificasse aquele projeto de extermínio. Havia método. Havia cálculo. Havia adesão. E talvez por isso tenha me chamado tanta atenção o documentário exibido recentemente no canal britânico Channel 4, “Hitler’s DNA: Blueprint for a Dictator” (O DNA de Hitler: o mapa genético de um ditador). Ele tenta insistir no caminho que Kelley já provara ineficiente: explicar o mal por exames.


O programa apresenta resultados genéticos obtidos a partir de um suposto fragmento de sangue sobre o sofá em que Hitler se suicidou em 1945, um material cuja autenticidade nunca foi comprovada historicamente. Mesmo assim, sob a direção da geneticista Turi King, da Universidade de Bath, do Reino Unido, esse DNA atribuído ao ditador foi sequenciado e analisado como se fosse um material indiscutível. A partir daí, veio o malabarismo metodológico criticado por especialistas, o de transformar dados de ancestralidade e predisposição populacional em diagnósticos retrospectivos individuais. Tudo apareceu no laudo televisivo: predisposição ao autismo, esquizofrenia, transtorno bipolar, uma salada neurodivergente servida como explicação para a origem do mal.


Então volto ao trabalho minucioso do psiquiatra que conviveu com os homens que realmente tomaram as decisões. Kelley disse que o desafio em Nuremberg não era entender as supostas doenças dos réus, mas sua normalidade. Ali ele não encontrou danos cerebrais, traços patológicos ou síndromes raras, mas convicção, estratégia, frieza, escolhas. E é nesse ponto que o documentário e o filme se chocam. Enquanto o primeiro tenta colocar a responsabilidade no laboratório, o filme — e os fatos — a colocam onde ela sempre esteve: na ação humana.


Sei que a palavra “maldade” soa quase antiquada em tempos que celebram vulnerabilidades como se fossem medalhas espirituais, que transformam traumas em passaportes morais e pedem compreensão infinita para tudo. Sei que é dever da História e da Ciência apresentar nuances. Mas oferecer novos pontos de vista não significa distribuir desculpas. Se não houve doença, houve liberdade. Se houve liberdade, houve culpa. Portanto, responsabilidade e crime.


E mais: se o ditador era prisioneiro das próprias síndromes, qual era a síndrome dos milhões que o seguiram? Que anomalia genética explica a multidão que marchou, denunciou, participou, aplaudiu, colaborou?


Nada disso pede laudo. Exige memória.


Porque o mal não se espalha por mutação; ele se espalha por adesão.

Woody Allen 90

 Quem está ao lado de Woody Allen no seu aniversário de 90 anos?


INÁCIO ARAUJO


Às vésperas dos 90 anos que Woody Allen completa neste domingo (30), é quase impossível não indagar como será a comemoração. Viver 90 anos é sempre uma glória, quanto mais para alguém que proclamou publicamente seu medo da morte. Ou por outra, que disse textualmente: "Não tenho nada contra a morte. Só quero não estar presente quando ela chegar." Um desses oximoros que fizeram a sua fama, sem dúvida.


O problema que se impõe hoje é outro. Quem estará a seu lado no dia dos seus 90 anos? Sua imagem foi seriamente manchada desde que sua enteada, Dylan, o acusou de tê-la abusado sexualmente. A discussão sobre o caso durou décadas, tanto a jurídica como a midiática. Seria verdade ou a jovem teria sido influenciada por sua mãe, Mia Farrow, ex-mulher de Allen?


Em tempos de MeToo, ele foi cancelado. Atores que tiveram belos momentos trabalhando com ele, como Michael Caine, acharam melhor se afastar. Atrizes, idem. As que ficaram com ele, sobretudo Scarlett Johnasson, não foram bem-vistas. Falavam de sua relação profissional com o cineasta e comediante. Nunca foram incomodadas por ele.


Com Diane Keaton era um pouco diferente —nem valia a pena criticá-la. Viveu com Woody Allen, fez oito filmes com ele, e basta ver o que ele disse quando ela morreu. Por exemplo, ele não se importava nada, nada mesmo, com o que pudessem dizer de seus filmes. Só o que Keaton dissesse contava.


O escândalo arrefeceu, mas não quer dizer que não volte agora, nos seus 90 anos. Sempre haverá quem se lembre de um filme, "Manhattan", em que um homem maduro —ele mesmo— se apaixona loucamente por uma adolescente. E essa história Allen viveu ao menos uma vez na vida real, com Kristine Engelhardt, então uma jovem de 16 anos. O namoro inspirou o filme.


Nos Estados Unidos dos puritanos do Mayflower, isso seria por si um escândalo. Engelhardt, já senhora, disse que com Allen tudo bem, não se arrependia de ter estado com ele, que não lhe fez mal nenhum, foi muito bom.


A favor dele, contava apenas, a rigor, o fato de Mia Farrow também não ser um primor de equilíbrio. Tanto que, no meio da polêmica, passou a dizer que Ronan, filho dela e de Allen, talvez não fosse filho dele, mas de Frank Sinatra, de quem se divorciou em 1968, mas com quem continuou a manter um caso amoroso. "Caso clandestino", como pontuou o cineasta.


Isso não impediu que ele fosse cancelado. Várias decisões judiciais contrárias não ajudaram o seu caso. O problema, porém, não para aí. Porque é muito mais difícil cancelar uma obra que o coloca entre os grandes comediantes do século 20 do que cancelar, digamos, Harvey Weinstein, o produtor.


O que fazer com tudo o que Allen produziu de relevante nesta vida? Jogar ao mar? É o mesmo que jogar fora boa parte da inteligência americana, do humor judaico, do mito de Manhattan, apenas para começar.


Com comédias, dramas ou comédias dramáticas, Allen foi quem melhor esquadrinhou a complexidade da vida sexual e amorosa —nesta ordem— nas grandes cidades da segunda metade do século passado. Anotou, compreendeu, mas também soube rir da adesão, muitas vezes apenas fingida, às modas intelectuais que se sucediam na época.


Naquele momento, ao contrário de hoje, o movimento era de libertação da sexualidade, com tudo o que isso pode trazer de prazer ou desgosto. Os tempos são outros, não há dúvida. Ainda assim, há algo de irônico no fato de que, ao longo da vida, Allen nunca foi um personagem controverso.


Desde os tempos que escrevia para a TV, nos anos 1950, seu humor já se destacava. Outro comediante célebre, Mel Brooks, lembra que já na época o teor cômico dos dois já era diferente. Allen dava um tiro só, sempre na mosca, lembrou Brooks, enquanto o humor dele mesmo seria do tipo "chumbo grosso" —atirava para todo lado e uma das balas havia de chegar ao alvo.


O primeiro filme Allen que escreveu, "O Que É Que Há, Gatinha?", de 1964, de certo modo confirma essa ideia. Mas o filme era de Peter Sellers e Peter O’Toole e de uma série de atrizes ilustres, a começar por Romy Schneider, sem contar o diretor, Clive Donner. Mas ali ele já introduzia um objeto-chave de sua escrita —a psicanálise.


A história posterior dos dois no cinema confirma essa ideia. Desde "Um Assaltante Bem Trapalhão" (1969), sua primeira direção, Allen impôs o tipo do judeu fraco, feio, esforçado, perseguido e, ainda assim, capaz de ser bem-sucedido.


No filme seguinte, "Sonhos de um Sedutor" (1970), seu primeiro trabalho com Diane Keaton, foi apenas roteirista e ator, mas já o ator principal —trapalhão, sem dúvida, mas também trazia ali o característico traço autoirônico. Em "O Dorminhoco" (1973), como em "A Última Noite de Boris Gruchenko" (1975), entre outros, Keaton já estava de novo ao lado de Allen. O título original do filme seria "Amor e Morte" —os dois temas que mais inquietaram o cineasta ao longo dos anos.


Desses trabalhos nasceu a parceria, a amizade e mesmo o amor entre ambos. A química entre eles pareceu absolutamente perfeita em "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa", de 1977, onde Allen atingiu um dos pontos altos de seu humor em parte pela maneira discretamente sarcástica como olhava para a gente culta e um tanto esnobe de Nova York, que a ele nem sempre parecia tão culta quanto apregoava. Essa comédia dramática —se assim é possível definir— recebeu quatro troféus no Oscar, sendo três para ele —filme, roteiro, direção— e um para Keaton —melhor atriz.


Pouco depois, com "Interiores", de 1979, começa a fase, digamos, bergmaniana de Allen. Mesmo que houvesse alternâncias com filmes menos pesados, demorou um tanto para o cineasta atingir um equilíbrio entre a aproximação com os temas de Ingmar Bergman e a sua própria maneira bem menos grave de estar no mundo. É possível que o equilíbrio entre o que Allen era e o que gostaria de ser tenha sido atingido no belo "Hannah e Suas Irmãs", de 1986.


Quanto ao sexo, ninguém se preocupou em 1979 quando "Manhattan" abordou a paixão fulminante de um homem maduro por uma adolescente. Ao contrário, a publicidade logo mitificou Mariel Hemingway, a neta do escritor Ernest Hemingway. O tempo acabou demonstrando que tantos os publicitários como Allen haviam errado —Mariel não era uma atriz muito talentosa.


Os filmes bem-sucedidos não pararam. Eram quase sempre provocativos no setor vida amorosa, e nele a fluência verbal fazia lembrar Groucho Marx, que se articulava a uma mímica muito pessoal, em que euforia, depressão, mau jeito e sedução se acumulavam.


E inteligência, também. Assim vieram "A Rosa Púrpura do Cairo" (1985), "A Era do Rádio" (1987), "Tiros na Broadway" (1994), "Meia-Noite em Paris" (2012), entre outros. Ora existe evocação do passado, ora dos mistérios da criação. Ora mesmo, como em "Zelig" (1983), da capacidade de adaptação às situações que se apresentam.


E, diga-se, Allen soube adaptar-se como um mestre ao tiroteio que veio no momento em que chegava ao fim o relacionamento com Mia Farrow e ele se preparava para casar com sua enteada (adolescente) Soon-Yi Previn. Tudo começa em 1992. Vários processos judiciais ainda aconteceriam, Allen ainda ganharia um Oscar de roteiro original por "Meia-Noite em Paris" e um Globo de Ouro honorário em 2014.


"Blue Jasmine", em 2013, já traz um quê sombrio e evoca o teatro de Tennessee Williams, com mais humor. O sombrio se manifestaria plenamente em "Roda Gigante", de 2017. Daí por diante, não havia Zelig capaz de contornar os processos perdidos, os cancelamentos, a impossibilidade de produzir.


Não importa que suas atrizes se recusassem, de modo geral, a dizer uma palavra contra ele. As portas fecharam-se. Mesmo a Amazon, que produzira "Um Dia de Chuva em Nova York" (2019), decidiu não distribuir o filme e cancelou um contrato para mais quatro filmes com Allen.


Atropelado pelo MeToo nos Estados Unidos, restou-lhe a Europa, a França em especial, que sempre o acolheu, e onde filmou o estranho "Golpe de Sorte", de 2023, onde aplica em Paris o espírito de Nova York. Tem humor, mas Paris não é Nova York, como aliás lembrou Caetano Veloso em um belo samba —o humor saiu chocho, melancólico.


Com tudo isso, o certo é que Woody Allen chega aos 90 anos sem brilhos e bolhas, firme no casamento com Soon-Yi, com uma bagagem invejável no cinema e na literatura e com o peso da acusação de assédio sexual sempre sobre sua cabeça.


Ele pode dizer que não merecia isso, como Gene Hackman em "Os Imperdoáveis". Mas o outro pistoleiro do filme, vivido por Clint Eastwood, respondia na lata: "Merecer não tem nada a ver com isso." E bam!


Onde ver os principais filmes de Woody Allen no streaming


Bananas (1971)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Tudo o que Você Sempre Quis Saber sobre Sexo, Mas Tinha Medo de Perguntar (1975)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)

Onde ver: Disponível no Prime Video e no Oldflix


Manhattan (1979)

Onde ver: Disponível para aluguel nas plataformas digitais


A Rosa Púrpura do Cairo (1985)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Hannah e Suas Irmãs (1986)

Onde ver: Disponível no Prime Video


A Era do Rádio (1987)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Match Point (2005)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Scoop: O Grande Furo (2006)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Tudo Pode Dar Certo (2009)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Meia-Noite em Paris (2011)

Onde ver: Disponível para aluguel nas plataformas digitais


Para Roma com Amor (2012)

Onde ver: Disponível para aluguel nas plataformas digitais e no canal Diamond Films+ do Prime Video


Blue Jasmine (2013)

Onde ver: Disponível no PlutoTV e para aluguel nas plataformas digitais


Magia ao Luar (2014)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Homem Irracional (2015)

Onde ver: Disponível na Netflix


Um Dia de Chuva em Nova York (2019)

Onde ver: Disponível na Netflix


Golpe de Sorte em Paris (2023)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Inácio Araujo

Crítico de cinema da Folha


Foto: O cineasta Woody Allen em foto de 2014 - Damon Winter - 9.jul.14 / The New York Times.


FSP 28.11.2025

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Josué Leonel

 *Cinco assuntos quentes para o Brasil na próxima semana*


Por Josue Leonel


(Bloomberg) -- A próxima semana será guiada por dados econômicos relevantes para as expectativas sobre as taxas de juros no Brasil e no exterior, em meio à tensão política em Brasília. O PIB brasileiro deve ajustar expectativas para o Copom de dezembro, após sinais mais duros do Banco Central e indicadores mistos de emprego. No câmbio, mercado monitora o volume da rolagem de swaps e o pico sazonal de remessas. Indicadores nos EUA, fala de Jerome Powell e decisão da Opep+ sobre petróleo também estarão no radar, em semana que terá ainda o sorteio da Copa do Mundo. Veja destaques:


*PIB e apostas para o Copom*


O PIB do terceiro trimestre sai na próxima semana e deve confirmar desaceleração moderada da atividade, mantendo a avaliação de que a economia ainda opera aquecida. A divulgação ocorre após dados contraditórios do mercado de trabalho e depois das falas mais duras do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que reduziram a precificação de corte da Selic no início de 2026. Além do PIB, saem dados da indústria e expectativas da pesquisa Focus, que também podem ser relevantes para calibrar as apostas na decisão da próxima reunião de política monetária do BC, entre os dias 9 e 10 de dezembro.


*Swaps cambiais e remessas*


O Banco Central definiu que iniciará em 1º de dezembro a rolagem dos swaps que vencem em janeiro e afirmou que ajustará o volume diário conforme a demanda. O mercado ficará de olho no volume dos leilões. No encerramento da rolagem anterior, o BC elevou o volume para 50.000 contratos, indicando rolagem quase integral do vencimento. A rolagem vinha antes sendo feita regularmente com volume de 45.000 swaps. O vencimento total de 2 de janeiro é de 656.000 contratos. O câmbio enfrenta a pressão sazonal de dezembro, mês de fortes remessas de lucros e dividendos — que podem chegar a até US$ 10 bilhões, segundo analistas — ampliadas por debates tributários e pela proximidade do ciclo eleitoral. O fluxo pode aumentar a volatilidade do real e exigir atuações pontuais do BC.


*Dados nos EUA e China, Powell*


Nos EUA, os próximos dias trarão informações importantes para balizar as expectativas de corte de juros do Federal Reserve em dezembro, com destaque para os indicadores de atividade ISM e para os índices de preços PCE e PPI. No fim de semana, também começa o período de silêncio do banco central americano. Na segunda-feira, o presidente do Fed, Jerome Powell, participa de evento. Na China, os PMIs oficiais e privados indicarão a força da recuperação, com impacto direto sobre os preços de commodities. Outro destaque, em 5 de dezembro, é o sorteio para a Copa do Mundo, que será sediada nos três países da América do Norte. A presidente mexicana Cláudia Sheinbaum disse que seu primeiro encontro cara a cara com Donald Trump pode acontecer durante o sorteio, em Washington. Ela afirmou nesta quinta-feira que aguarda o presidente dos EUA e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, confirmarem presença no sorteio antes de decidir se irá comparecer.


*Petróleo e risco geopolítico*


A Opep+ se reúne neste final de semana para discutir ajustes de capacidade e possíveis cortes adicionais para conter a queda do petróleo. Os delegados afirmaram que os países do grupo provavelmente manterão a decisão de suspender o aumento da produção de petróleo no início de 2026. O mercado também acompanha as negociações entre Rússia e Ucrânia, que podem mexer com os preços da commodity. Um possível acordo de paz entre os países pode ter repercussões significativas para o mercado de petróleo, já que qualquer flexibilização das sanções ocidentais abriria espaço para liberar o fornecimento russo, elevando ainda mais oferta.


*Governo x Congresso*


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta crescente desgaste na relação com o Congresso, que culminou na derrubada de uma série de vetos presidenciais. A tensão foi agravada pela resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, além da insatisfação com a distribuição de emendas parlamentares, segundo pessoas com conhecimento do assunto. O governo tenta adiar a sabatina, programada para o dia 10, diante do risco de rejeição, dizem os jornais. As articulações para 2026 também têm peso no cenário político, com os partidos do centrão de olho em uma candidatura da oposição liderada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

BDM Matinal Riscala

Mais hawkish, impossível ​ 28 de novembro de 2025 Por Rosa Riscala e Mariana … A liquidez deve continuar fraca nesta Black Friday, com horários reduzidos nas bolsas de Nova York (fecham às 15h) e no mercado de Treasuries (fecham às 16h), sem indicadores na agenda dos Estados Unidos. No Brasil, saem o resultado primário de outubro e a Pnad Contínua, mas sem esperanças de que possam decidir o Copom de janeiro. Nesta quinta, Galípolo cortou as asas do mercado ao dizer que o BC “não se emociona” com um dado específico – talvez em referência ao Caged, que mostrou criação de empregos bem abaixo do esperado – e que segue perseguindo o centro da meta, leve o tempo que levar. No calendário corporativo, destaque para o Novo Plano de Negócios da Petrobras. CORTOU AS ASAS – “Seguimos vigilantes e conservadores”, disse Galípolo em tom de brincadeira, após seu entrevistador Bruno Serra no evento da Itaú Asset admitir que não conseguiu “arrancar” nenhuma novidade do presidente do BC sobre a política monetária. … Quem assistiu ou acompanhou a palestra achando que poderia vir um recado um pouquinho menos hawkish, ouviu o que não queria. … O dia tinha começado bem, com o Caged de outubro indicando a geração de 85 mil vagas com carteira assinada, abaixo das estimativas do mercado (120 mil) e com forte desaceleração em relação aos empregos criados em setembro (213 mil). … A curva de juros esperou em baixa a fala de Galípolo à tarde, mas zerou as quedas nos contratos curtos assim que ele começou a falar. … Do princípio ao fim, repetiu o discurso de sempre e, embora tenha admitido que as coisas estejam no rumo imaginado pelo BC, disse que elas ainda estão andando “muito lentamente”, que a economia continua “muito resiliente”, mesmo com os juros elevados. … Além disso, afirmou que os juros serão mantidos no nível que for necessário e pelo tempo que for necessário para levar a inflação ao centro da meta de 3%. “Não vejo nenhum dado que surgiu nesse ciclo que promova qualquer mudança de direção para a gente.” … Reprisou a ata do Copom ao dizer que a taxa básica em 15% ao ano “é um patamar restritivo adequado”, e resgatou o alerta de que o “BC jamais vai se furtar de fazer o ajuste que for necessário”, comentando que “no Brasil sempre é possível acontecerem coisas”. … Galípolo ainda acrescentou um novo fator de atenção, ao destacar que o mercado de crédito continua crescendo de maneira “bastante surpreendente”, tendo em vista o nível atual da Selic, o que demanda “vigilância e conservadorismo” do BC. … O fiscal também entrou no mix das preocupações destacadas por ele, quando lançou dúvidas sobre medidas que são neutras para o Orçamento, mas podem ter impacto sobre a demanda e a inflação (como a reforma do Imposto de Renda, por exemplo). … Segundo o presidente do BC, isso “há algum tempo” está presente nas expectativas de inflação do mercado. … Apesar de todo o esforço de comunicação, Galípolo reduziu muito pouco a chance de um corte de 25 pontos-base em janeiro precificada na curva a termo, com um recuo de 80% na véspera para 73% no fechamento dos negócios na B3 (leia mais abaixo). O PESO DA ELEIÇÃO – Em encontros com economistas de São Paulo, nesta quinta-feira, os diretores do BC Diogo Guillen e Paulo Pichetti foram questionados sobre uma possível influência da corrida eleitoral de 2026 no ciclo de afrouxamento monetário da Selic. … Segundo participantes da reunião relataram à Agência Estado, foi manifestada a preocupação de que pode haver algum tipo de estresse na curva de juro e no câmbio em meio ao período pré-eleitoral, aumentando o grau de incerteza com o qual o BC terá que lidar. … As apostas dos economistas presentes sobre o início dos cortes se dividiam entre janeiro, março (maioria) e abril, e quase todos concordam que dificilmente haverá uma sinalização mais sólida por parte do Copom sobre quedas já no próximo comunicado de dezembro. … Quanto ao tamanho do ajuste total, houve também um consenso de que a Selic cairá no máximo a 12% ou 12,5%. … Os economistas consideram que o IPCA tem se mantido relativamente controlado e pode fechar o ano abaixo do teto da meta, de 4,5%, mas alertam que a desaceleração tem sido mais puxada pelos alimentos e pela queda do dólar, enquanto os serviços seguem pressionados. PNAD CONTÍNUA – Um dia depois do Caged bem abaixo das projeções, a taxa de desemprego do trimestre móvel encerrado em outubro, que o IBGE divulga às 9h, promete apontar um mercado de trabalho ainda aquecido. … A expectativa é de taxa de desemprego mais baixa, diante das vagas temporárias de fim de ano. A mediana do mercado indica recuo para 5,5% na Pnad Contínua, que, se confirmada, seria o novo piso da série histórica. … O dado deve interromper três meses de estabilidade em 5,6%. As projeções no Broadcast variam de 5,4% a 5,7%. MAIS AGENDA – Antes da Pnad, o BC divulga às 8h30 o resultado consolidado do setor público em outubro, que deve reverter o saldo negativo de R$ 17,452 bilhões em setembro e registrar um superávit primário de R$ 34,10 bilhões. … As estimativas são todas positivas no Projeções Broadcast e variam de R$ 30,6 bilhões a R$ 37,1 bilhões, após as contas do Governo Central (+R$ 36,5 bilhões) terem sido impulsionadas pela sazonalidade positiva de recolhimento de IRPJ e CSLL. … O dado fiscal será comentado em entrevista de imprensa à tarde, às 15h, para evitar conflito de horário com a coletiva do diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan, que irá detalhar às 10h30 os votos aprovados ontem pelo CMN. … Aneel define hoje a bandeira tarifária de dezembro da conta de luz. PETROBRAS – Na noite de ontem, a companhia anunciou ter aprovado investimentos de capital (capex) de US$ 109 bilhões no plano estratégico dos próximos cinco anos, volume 1,8% menor que os US$ 111 bilhões do plano vigente. … O resultado veio dentro do intervalo esperado por analistas consultados pelo Valor Econômico. … Do total de investimentos anunciados, US$ 81 bilhões estão garantidos, US$ 10 bilhões foram colocados para revisão trimestral até 2027 e outros US$ 18 bilhões serão analisados futuramente pela petroleira. … Para 2026, o capex informado foi de US$ 19,4 bilhões, inferior aos US$ 19,6 bilhões previstos no plano anterior. … Dentro do novo plano estratégico de 2026 a 2030, US$ 78 bilhões serão voltados para o setor de Exploração e Produção (E&P), montante US$ 1 bilhão maior do que o observado no plano vigente, entre 2025-2029. … A estimativa da empresa para a remuneração dos acionistas é de dividendos ordinários entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões, de acordo com o documento enviado à CVM. Dividendos extraordinários não são citados para o período. … Os proventos extras não eram mesmo esperados pelo mercado. A estatal prevê que a geração de caixa para os próximos cinco anos ficará entre US$ 190 bilhões e US$ 220 bilhões. O plano será comentado em webcast às 16h30. GUERRA ABERTA – Em dura derrota para o presidente Lula após a COP30, o Congresso derrubou todos os 52 vetos ao Licenciamento Ambiental que foram colocados em votação, nesta quinta-feira. Outros 11 vetos presidenciais serão avaliados posteriormente. … O revés é mais um reflexo do rompimento do Senado com o Executivo, que tem como motivo a indicação de Jorge Messias ao STF. … Entre os vetos derrubados mais sensíveis à área ambiental está a licença autodeclaratória que não depende de aprovação de órgão ambiental para que uma obra seja executada. Outro veto derrubado trata da autonomia dos Estados para licenciar os empreendimentos. … Ambientalistas reagiram à derrubada dos vetos do Novo Licenciamento Ambiental, dizendo que o autolicenciamento, a flexibilização da proteção da Mata Atlântica e o afastamento de indígenas das consultas colocam em risco as metas assumidas pelo Brasil na COP30. … O Observatório do Clima afirmou que Alcolumbre “traiu” o acordo feito com Lula ao pautar a derrubada dos vetos, lembrando que o presidente baixou a Medida Provisória que acelerava os prazos da Licença Ambiental Especial, criada pelo presidente do Senado. … A ministra Gleisi Hoffmann afirmou que o governo já avalia a possibilidade de judicializar a decisão do Congresso. … Na Folha, Alcolumbre afirmou a aliados ter 60 votos (dos 41 necessários) para rejeitar a indicação de Messias ao STF. O presidente do Senado ameaça com sessão-relâmpago para evitar o mínimo necessário para Messias assumir. ANTIFACÇÃO – Alcolumbre também informou que colocará em votação na próxima semana o projeto de lei Antifacção, aprovado pela Câmara na semana passada com várias mudanças articuladas pela oposição no relatório do deputado Guilherme Derrite (PL). … Com a relatoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o governo esperava o apoio do Senado para recuperar alguns itens da proposta de sua autoria. Mas, diante do clima de guerra com Alcolumbre, isso já não é mais uma garantia. … Alessandro Vieira é considerado um nome independente, sem fortes ligações nem com o governo e nem com a oposição. As principais críticas do Planalto são em relação à questão do financiamento da Polícia Federal e o risco de sobreposição de leis. BOLSONARO –A oposição busca transformar o desgaste entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em uma janela de oportunidade para destravar uma saída legislativa que permita retirar Jair Bolsonaro do regime fechado. … A avaliação é de que o governo perdeu a capacidade de coordenação mínima do Congresso e que, pela primeira vez desde o início da discussão sobre anistia, o ambiente político no Senado se tornou mais favorável do que na Câmara. A ideia é começar pelo Senado. DEVEDOR CONTUMAZ – Na Câmara, o presidente Hugo Motta designou o deputado Antônio Carlos Rodrigues (PL) como o relator do projeto de lei que define punições para contribuintes que não pagam seus débitos de forma intencional e reiterada. … Importante para a equipe econômica, deputados do PT fecharam questão para votar em peso no PL, com 67 votos. … O deputado Lindbergh Farias, com quem Motta rompeu, espera que a operação contra o Grupo Refit – um dos maiores devedores de impostos da União, com dívida estimada em R$ 26 bilhões – leve à votação do projeto do devedor contumaz na próxima terça-feira. LÁ FORA – Saem a leitura preliminar de novembro da inflação ao consumidor (CPI) da Alemanha (10h), as vendas no varejo alemão em outubro (4h), além do PIB do terceiro trimestre da França (4h45), Portugal (8h) e Canadá (10h30). JAPÃO HOJE – A inflação ao consumidor em Tóquio, que é vista como um indicador antecipado da tendência nacional, subiu 2,8% em novembro, mesmo ritmo registrado em outubro, e superou o consenso de 2,7%. … Do lado da atividade, a produção industrial aumentou inesperadamente em outubro, apesar do impacto do tarifaço. O dado cresceu 1,4% em outubro, após a alta de 2,6% em setembro, e contrariou a queda de 0,6% esperada. … Os indicadores reacendem a expectativa de um aperto monetário na próxima reunião do BoJ, dia 19 de dezembro. O HOMEM DE GELO – Incorporado no papel hawkish e insensível aos apelos por corte da Selic, Galípolo mantém a fama de mau, mas nem assim convence a curva a termo a limpar as apostas de queda do juro em janeiro. … O mercado quer esperar até o último momento (dia 10), quando o Copom tem reunião marcada, para ver se não há mesmo esperança de o BC já engatilhar o início do ciclo de desaperto monetário no primeiro encontro de 2026. … Deu para ver que, apesar de Galípolo, continuam bem elevadas (73%) as apostas de flexibilização em janeiro. … Seja como for, a ponta curta dos juros futuros cumpriu ontem o ajuste aos comentários conservadores do presidente do BC, devolveu o alívio observado mais cedo com o Caged e operou com viés de alta na parte da tarde. … O vencimento de Jan/27 subiu a 13,550%, contra 13,523% na véspera, e o Jan/29 foi de 12,705% para 12,720%. … Já os prazos mais longos, que chegaram a operar pela manhã nas mínimas em um ano, acomodaram-se em leve queda para o fechamento: Jan/31, a 13,010% (de 13,024% no pregão anterior); e Jan/33, a 13,190% (de 13,215%). … No câmbio, o dólar corrigiu parte da queda recente (-1,24% nos três pregões anteriores) e subiu 0,33%, de volta à faixa de R$ 5,35, cotado a R$ 5,3521, em meio aos interesses dos comprados na véspera da briga da ptax. … Lá fora, com a liquidez comprometida pelo feriado americano, o índice DXY registrou queda marginal de 0,03%, a 99,561 pontos, enquanto o mercado ignora a cautela e mantém no radar um corte pelo Fed em dezembro. … A libra fechou estável, a US$ 1,3239, interrompendo o alívio com o orçamento britânico. Investidores seguem receosos com a trajetória da dívida do Reino Unido, mesmo após o anúncio de uma série de aumento de impostos. … O euro também operou estável (-0,01%), negociado a US$ 1,1598, e o iene subiu para 156,31 por dólar. EFEITO COLATERAL – O coração de pedra de Galípolo ajudou a roubar as forças do Ibovespa, um dia depois do mais novo recorde histórico da bolsa. Mas a correção foi leve e o índice à vista ainda defendeu a faixa dos 158 mil pontos. … Fechou em baixa de 0,12%, aos 158.359,76 pontos. Reduzido à metade de um pregão normal, o volume financeiro se limitou a R$ 12,4 bilhões, com os mercados em Nova York todos fechados para o feriado do Thanksgiving Day. … Apesar de esvaziada, em alguma medida, a perspectiva de que a Selic saia de 15% no curtíssimo prazo, o bom desempenho das ações da Petrobras ontem ajudou a amortecer a queda do Ibovespa e manter a bolsa perto do pico. … As ações da Petrobras (ON +0,80%, a R$ 34,22; e PN +0,53%, a R$ 32,40) fecharam nas máximas do dia, à espera do anúncio do plano de negócios da estatal para os próximos cinco anos e em linha com o avanço do petróleo. … O barril do Brent para fevereiro fechou em alta de 0,52%, a US$ 62,87, antecipando que, na reunião de domingo, a Opep+ vai manter a produção da commodity estável no primeiro trimestre de 2026, sinalizando cautela com a oferta. … Além disso, os investidores monitoram o andamento das negociações do acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, porém sem expectativa de algo conclusivo no curto prazo. O deadline desejado (ontem) passou sem um desfecho. … O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, irá se reunir com Putin na semana que vem, mas o líder russo já avisou que só irá interromper os ataques se os ucranianos retirarem suas tropas dos territórios reivindicados. … Em pronunciamento em vídeo, Zelensky afirmou que as delegações da Ucrânia e dos Estados Unidos se reunirão nestes próximos dias e também na próxima semana para discutir uma fórmula para a paz e a segurança. … Putin afirmou que Moscou já controla 70% da cidade estratégica de Pokrovsk, no leste da Ucrânia, informação rebatida pelo comando militar de Kiev, que diz estar contra-atacando, com combates intensos na região. … A localidade é chamada de “porta de entrada para Donetsk”, permitindo às tropas russas avançar em direção às duas maiores cidades ainda controladas pela Ucrânia em Donetsk: Kramatorsk e Sloviansk. … De volta ao Ibovespa, os papéis da Vale foram na contramão da alta de 0,44% do minério de ferro e registraram queda moderada 0,38%, a R$ 66,33. Na próxima terça-feira, acontece o Vale Day com investidores, em Londres. … Também a falta de fôlego dos bancos manteve a bolsa em terreno levemente negativo. Itaú perdeu 0,34% (R$ 40,71); Bradesco PN, -0,20% (R$ 19,48); e BB -0,27% (R$ 22,16). Santander unit fechou estável (+0,09%; R$ 34,22). CIAS ABERTAS NO AFTER – VALE aprovou a distribuição de dividendos e JCP, como antecipação de destinação do resultado do exercício de 2025, totalizando R$ 3,5817 por ação ordinária e por ação preferencial da classe especial… … Em 7 de janeiro, será pago o valor de R$ 1,2441/ação, sob a forma de dividendos; em 4 de março, será pago R$ 0,7681/ação, também sob a forma de dividendos, e de R$ 1,5695 por ação, sob a forma de JCP; ex em 12/12… … Pagamentos aos titulares de ADRs ocorrerão a partir de 14 de janeiro e 11 de março, respectivamente, e serão realizados por meio do agente depositário dos ADRs da Vale. ITAÚ. O conselho de administração aprovou o pagamento de dividendos e JCP no montante total de R$ 23,4 bilhões. O dividendo de R$ 1,868223 por ação será pago em 19/12 e o JCP de R$ 0,369750, até 30 de abril. Ex dia 10/12. GPA contratou empréstimo junto ao Rabobank no valor de 75 milhões de euros (R$ 470 milhões) para promover o alongamento integral de dívida com vencimento em julho de 2026. AXIA ENERGIA (ex-Eletrobras) convocou AGE para o próximo dia 19 com o objetivo de submeter a acionistas uma ampla reorganização societária que permitirá a distribuição de até R$ 39,9 bilhões acumulados em reservas de lucro. SANTOS BRASIL informou que foi aprovado em assembleia geral o resgate compulsório da totalidade das suas ações ordinárias ainda em circulação, no âmbito da oferta pública para aquisição de ações (OPA) da companhia… … Preço do resgate compulsório será idêntico a preço da OPA (R$ 14,38), ajustado pela Selic acumulada desde 16/9, dia da liquidação da OPA, até data do efetivo pagamento de preço do resgate, que deve ocorrer em até 15 dias… … Com aprovação do resgate, encerra-se prazo de três meses para aquisições adicionais previsto no edital da OPA. TOTVS informou que sua subsidiária Totvs Large Entreprise Tecnologia celebrou contrato para aquisição da totalidade do capital social da Suri por R$ 28 milhões. AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

Bankinter Portugal Matinal

Análise Bankinter Portugal SESSÃO: Hoje voltamos a ter uma sessão a meio gás. Embora os EUA reabram após a celebração de Ação de Graças de ontem, só farão meia sessão. Será, portanto, uma sessão semifestiva, em que esperamos movimentos moderados nas bolsas, provavelmente em alta. A atenção muda temporariamente para o consumo, se a IA o permitir, já que hoje começa a campanha de Natal com a Black Friday. Será um bom termómetro da confiança do consumidor americano, num contexto de guerra comercial e após o encerramento da administração americana mais longo da história, e o saldo esperado é bastante decente (+3,7%/+4,2% a/a). Na Europa, teremos inflações de alguns países europeus, entre os quais se destaca o IPC da Alemanha e França, que poderão aumentar uma décima, embora seja pouco provável que influenciem as expetativas de taxas de juros do BCE. Também na Alemanha, hoje poderá ser aprovado um orçamento de despesa em defesa de 2.900 M€. Em suma, hoje temos sessão a meio gás, com escasso volume e onde as bolsas poderão subir timidamente. A ser assim, o S&P500 terminaria novembro sem alterações significativas, depois de ter chegado a cair -4,5% no mês. Novo sinal de como o mercado se recompõe rapidamente após as correções pontuais. Nova Iorque fechada; Tech EUA fechado; Semis EUA Fechado; UE 0,0% Espanha +0,0% VIX 17,2% Bund 2,68% T-Note fechado (4,00% esta manhã) Spread 2A-10A USA=+51pb B10A: ESP 3,16% PT 3,00% FRA 3,41% ITA 3,40% Euribor 12m 2,21% (fut.2,24%) USD 1,158 JPY 181,1 Oro 4.187$ Brent 63,6$ WTI fechado (59,1$ esta manhã) Bitcoin 0,0% (91.373$) Ether -0,1% (3.011$).

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Diario de um economista

 Falemos da elaboração da tese de doutorado. Meu projeto versava sobre como avaliar cerca de 10 países, num período de 1990 a 2018. Neste contexto, objetivo seria pegar dados em painel e analisar como estes países, em maioria, emergentes, conseguiram performar nas suas políticas públicas a contento. 

Problema aqui foi se confrontar com o cipoal de modelos que começavam a ser feitos, e muito se aceleraram nestes últimos anos. Nunca havia me interado sobre programação, muito menos conhecia os modelos macro dinâmicos da fronteira, como o DGSE, Dynamic General Stocastic Economic. Não foi nada fácil ou simples. Até porque eu não teria mais aulas, aceitei uma proposta tutorial, que acabou se mostrando um erro. Há muitos anos não tinha contato com o que havia de mais moderno no meio acadêmico. 

Mercado ansioso

🇧🇷 *Tarcísio: mercado financeiro é muito ansioso, precisa ter calma* Broadcast: - O governador de São Paulo afirmou há pouco, no Annual Meeting realizado pela XP Asset Management, que o anúncio do nome que irá concorrer às eleições presidenciais do próximo ano deverá acontecer no início do próximo ano. _"Eu acredito que saberemos no início do ano que vem"_, respondeu ao mediador que questionou quem será o candidato da direita no próximo ano. Ele seguiu dizendo: _"Precisamos ter um pouco de calma. O mercado é muito ansioso mesmo. O mercado gosta de precificar tudo muito rapidamente"_. Tarcísio expressou compreensão pela preocupação do mercado e reconheceu a justificativa para tal preocupação: _"O mercado está preocupado e tem razão para estar preocupado"_. Neste momento, ele citou que, em caso de reeleição do PT, o partido teria de fazer reformas ou o Brasil vai quebrar. _"Qual a alternativa que essa turma (PT) tem a oferecer para o Brasil?"_, questionou, ressaltando que, se tiver mudança política ano que vem, entrará uma turma que "sabe exatamente o que fazer". Sobre possíveis nomes da direita em 2026, Tarcísio disse que _"não tem ninguém com essa ânsia de ser protagonista"_. _"Não vamos entrar divididos, vamos estar unidos e seremos fortes"_, afirmou o governador. Perguntado sobre a prisão de Jair Bolsonaro, Tarcísio disse é preciso resolver a situação do ex-presidente para pacificar o País. "Precisamos ajudar a grande liderança da direita que é Jair Bolsonaro para 2026", afirmou. *Tarcísio diz que direita pode atrair 'massa de centro' em 26 e que deve 'governar com congresso'* - Tarcísio de Freitas afirmou que o projeto da direita em 2026 terá condições de "angariar simpatia da massa de centro" na eleição presidencial de 2026. Segundo ele, as alternativas que o campo oposicionista colocará na disputa têm "rejeição muito menor" do que a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cuja taxa negativa, afirmou, "está cristalizada". O governador disse esperar uma tentativa dos adversários de colarem no candidato de oposição "algumas bandeiras" associadas ao bolsonarismo, mas avaliou que essa estratégia será "ineficaz" diante do que chamou de "bons quadros" da direita. Tarcísio afirmou que o eleitorado busca "um grande projeto nacional" e que o campo conservador terá condições de apresentá-lo. "Quando você avalia alternativas, você vai perceber que essas alternativas têm uma rejeição muito menor. O Lula tem uma rejeição muito alta, está cristalizada", disse o chefe do Executivo paulista durante o Annual Meeting realizado pela XP Asset Management. "E eu acredito o seguinte: no final, o projeto de país, esse projeto, vai nos dar a possibilidade de angariar simpatia e adesão daquela massa que fica mais ao centro, que tende ora para cá, ora para lá, sem trazer a rejeição." Ele também defendeu a centralidade do Congresso em um eventual governo de oposição. Para o governador, será "fundamental" que o próximo presidente governe em parceria com o Legislativo. Tarcísio classificou o Congresso atual como "absolutamente reformista" e lembrou que a Casa aprovou, nos últimos anos, reformas estruturais e medidas pró-mercado. "Este Congresso que está aí, com alguma renovação, foi o mesmo que aprovou a reforma trabalhista, a reforma tributária, a reforma da Previdência, o marco do saneamento, a Lei do Gás, a autonomia do Banco Central, a Lei das Agências", continuou. "Poucos presidentes, na história recente, tiveram essa habilidade de tornar o Congresso sócio das realizações." Tarcísio afirmou ainda que a disputa de 2026 será marcada por desinformação. "Vai ter muita fake news. O PT gosta muito de fazer isso", declarou, acrescentando que, apesar disso, considera que a população está "mais vacinada" contra estratégias de desconstrução. *Lula tem rejeição acima de 50%; PT não conseguiu lidar com segurança pública* O governador afirmou que o presidente Lula tem uma rejeição acima de 50% e que o PT não conseguiu lidar com a questão da segurança pública. Tarcísio também seguiu com algumas afirmações com relação ao atual governo. "A maioria absoluta da população diz que Lula não deveria disputar reeleição". Avaliou que a população não está se enxergando nas propagandas do realizadas pela PT. *Congresso é absolutamente reformista, disposto a entregar um projeto interessante* Tarcísio de Freitas, afirmou que o atual Congresso é absolutamente reformista e disposto a entregar um projeto interessante para o País e que poucos presidentes tiveram habilidade de tornar o Congresso sócio das realizações. Comentou que será fundamental que o próximo presidente governe com o Congresso. Além disso, ele ressaltou que o Brasil necessita de reforma orçamentária, que vai precisar desvincular receita e que a agenda que deve ser tocada pelo próximo mandatário precisa ser conhecida por todos. O governador disse ainda que uma eventual vitória da direita significa apreciação de câmbio, queda de inflação e juros. *Não acho nenhum absurdo você ter prisão perpétua no Brasil* O governador afirmou ser simpático à prisão perpétua no Brasil diante do elevado número de sucessivos crimes que são praticados por um único criminoso. "Já chegamos a prender ladrão do celular aqui 33 vezes e esse cara é liberado em audiência de custódia", afirmou, acrescentando que o cidadão quer ver o recurso de bens apreendidos voltando para o Estado e sendo utilizado no combate ao crime organizado. "E aí a mudança de legislação é bem-vinda e necessária, algumas mudanças que sejam até radicais. Eu não acho, por exemplo, nenhum absurdo você ter a prisão perpétua no Brasil", disse. Citou como exemplo a eventualmente ser seguido a política de segurança pública do presidente Nayib Bukele, de El Salvador, de tolerância zero ao crime organizado e uso da força bruta para seu combate. "Veja o que foi feito em El Salvador, o que era e o que é", disse. Por Jean Mendes, Geovani Bucci, Altamiro Silva Junior e Cynthia Decloedt

Simon Schwartzman