quinta-feira, 10 de abril de 2025

Bankinter Portugal Matinal 1004

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Nem 24 horas passaram desde a entrada em vigor dos impostos alfandegários mais restritivos (China, UE…) para que Trump voltasse a recuar, pelo menos parcialmente. Anunciou uma pausa de 90 dias aos impostos alfandegários recíprocos, exceto no caso de China (que os aumenta até 125%), do mínimo global de 10% e sobre aço, alumínio e automóveis anunciados anteriormente. Isto levou a uma forte reação em alta na bolsa americana (+10% S&P 500, +12% Nasdaq 100, +19% SOX), que a Europa não recebeu, visto que o anúncio aconteceu com o mercado fechado. Tampouco teve muito impacto na renda fixa, com o T-Note a continuar a sua escalada na yield (4,32% +3 p.b.), nem no dólar nem no ouro, voltando a superar os 3000 $.


Após esta notícia, poderíamos pensar, erradamente, que as tensões alfandegárias alcançaram o fundo. Contudo, não parece esse o cenário, já que a maior parte destes impostos não estão incluídos na pausa de 90 dias, não é descartável que a China volte a atacar com mais impostos alfandegários como resposta. Agora resta ver como evoluem as negociações entre os países. Além disso, tanto a confiança como a economia global ficaram abaladas a curto prazo e isto começará a ser notável nas guias das empresas nos resultados 1T 2025 (como aconteceu ontem com Delta). Amanhã será a vez dos primeiros bancos: Wells Fargo, JP Morgan e Morgan Stanley.


E depois está o impacto atrasado em preços. Hoje teremos um IPC americano que irá moderar-se (+2,5% esp. desde +2,8% ant. geral e +3,0% esp. desde +3,1% ant. subjacente), mas não receberá os primeiros efeitos da política alfandegária de Trump. Portanto, a atenção focar-se-á mais nos indicadores adiantados de confiança e nas componentes de preços, como é o caso da Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan de amanhã. 


CONCLUSÃO: Hoje, a Europa deverá receber na bolsa a notícia da pausa alfandegária. E se o previsto for cumprido na inflação, poderemos ver alguma pausa nos EUA. Contudo, a confiança está abalada, a visibilidade sobre o desenvolvimento alfandegário é limitada e os riscos geoestratégicos elevados. Portanto, mantém-se a pressão sobre as obrigações americanas a longo prazo e, após uma pausa temporária, sobre as bolsas. Os guidance da temporada de resultados irão clarificar mais sobre a confiança investidora a curto prazo.


S&P500 +9,5% Nq-100 +12,0% SOX +18,7% ES-50 -3,2% IBEX -2,2% VIX 33,6 Bund 2,69% T-Note 4,32% Spread 2A-10A USA=+43pb B10A: ESP 3,37% PT 3,25% FRA 3,41% ITA 3,86% Euribor 12m 2,16% (fut. 2,05%) USD 1,097 JPY 161,2 Ouro 3.122$ Brent 65,1$ WTI 62,0$ Bitcoin -1,5% (81.933$) Ether -3,8% (1.673$).


FIM

quarta-feira, 9 de abril de 2025

BDM Matinal Riscala 0904

 *Rosa Riscala: Trump escala a guerra comercial*


… Os produtos chineses importados pelos Estados Unidos já estão custando 104% mais caros, na escalada da guerra comercial que mudou o cenário da economia global, assim como entraram em vigor as “tarifas recíprocas” mais elevadas anunciadas por Trump no Liberation Day. Também hoje começou a ser cobrada a taxa de 25% imposta pelo Canadá aos veículos americanos, enquanto a União Europeia reúne os países-membros para aprovar a lista de contramedidas em resposta à tarifa de 20% que atingiu o grupo. Há ainda o risco de novas retaliações de Pequim, que prometeu “lutar até o fim”. Com o mundo sob ameaça de recessão, o Brasil já dá sinais de que não sairá ileso.


… Se, inicialmente, o mercado comemorou o fato de o País ter ficado com a alíquota mínima de 10%, acreditando que o agronegócio pode ser favorecido, agora teme pelas elevadas incertezas dessa crise, que puxaram o dólar de volta para os R$ 6 (abaixo).


… Os efeitos das tarifas de Trump foram o tema dominante em painel com gestores e empresários em evento do Bradesco BBI nesta 3ªF, em São Paulo, que reuniu mais de mil investidores e 158 empresas de diversos setores.


… A conclusão dos debates foi que o Brasil não é uma ilha e vai ser arrastado junto com uma provável piora da China.


… “Tem um movimento de placas tectônicas muito relevantes”, disse André Lion (Ibiúna Investimentos), acrescentando que o Brasil pode ser duplamente atingido: pela desaceleração da economia dos EUA e pelo impacto na China. “Certamente vai pegar na gente.”


… Leonardo Linhares (SPX) concordou que a China é o canal que mais preocupa, já que o Brasil é muito dependente do comércio daquele país e uma desaceleração afetará os preços internacionais das commodities. “Não vamos ser uma ilha, não.”


… Segundo o gestor, as medidas mais drásticas de Trump provocaram um choque que tem feito empresários segurarem os investimentos e adiar decisões de negócios. Mas, na sua avaliação, “vai demorar um tempo para Trump entender que errou a mão nas tarifas”.


… Ao contrário das quedas de juro que o mercado em NY projeta (agora já são cinco este ano), Leonardo acredita que o Fed deve ser mais prudente, evitando cortar as taxas de forma significativa. “O Fed não vai querer errar de novo, como errou na pandemia.”


… Também presente ao evento do Bradesco BBI, o ministro Fernando Haddad disse que o Brasil precisa ter prudência nesse assunto. “Não é hora de anunciar medidas, é tentar ver se a poeira baixa, de maneira a nos proteger dessa situação que é muito tensa.”


… Observou que a guerra comercial pega o Brasil sem dívida externa, com reservas cambiais expressivas e saldo comercial robusto. Além disso, acrescentou, os juros estão elevados e há espaço para ação da política monetária se for necessário estimular a economia.


… Citando relatos que ouve no setor produtivo, ressaltou que nenhuma economia entrega o retorno oferecido pelo Brasil, de até 15%.


… Mas Haddad admitiu que as tarifas de Trump contra a China afetam o Brasil de alguma maneira, já que atingem nosso principal parceiro comercial. “Não se consegue escapar de lógica que tem China como alvo sem afetar o resto do mundo.”


ACENO À CHINA – Depois de ter ameaçado dobrar a tarifa para a China, Trump não tinha muito o que fazer se Xi Jiping não recuasse. Teve de cumprir a palavra. Mas por duas vezes, nesta 3ªF, o presidente dos EUA lançou acenos ao governo de Pequim.


… Ainda pela manhã, antes de vencer o prazo que deu para a China remover a tarifa de 34%, Trump disse estar esperando um telefonema da China e, à noite, que ainda espera que a China chegue um acordo e que sempre teve “relações muito boas com Xi Jinping”.


… Em um jantar oferecido pelo Comitê Nacional Republicano do Congresso, o presidente acrescentou ainda respeita o México e o Canadá, mas que eles “trapacearam” com os EUA em questões comerciais e seu trabalho não é aumentar o lucro das empresas estrangeiras.


… Trump insistiu que, “na verdade”, estava sendo gentil com as tarifas e que os EUA farão uma fortuna de US$ 2 bilhões por dia com elas. “Muitos países, mais de 70, já demonstraram interesse em negociar conosco. Agora é a nossa vez de tirar vantagem.”


O DILEMA DO FED – Após Trump dobrar a aposta contra a China, a ferramenta do CME Group elevou para mais de 50% a chance de o Fed retomar as quedas do juro em maio (de 38,5% na véspera), reduzindo as chances de manutenção para 49,3%.


… Essa expectativa é um sinal de que os investidores parecem estar mais preocupados com o risco de recessão da economia americana do que os riscos inflacionários. Resta saber se o Fed privilegiará o mandato do emprego.


… Para a Fitch, as tarifas restringem a capacidade do Fed de reduzir ainda mais as taxas de juros, dado os choques esperados nos preços.


… Já a Moody’s afirmou nesta 3ªF que as incertezas já afetam a confiança empresarial, freiam investimentos e elevam a volatilidade nos mercados, com quedas nas bolsas e migração de capitais para títulos do Tesouro dos Estados Unidos.


… Em relatório, o Wells Fargo alerta que se as tarifas forem implementadas nos níveis atuais, a inflação nos Estados Unidos deve disparar nos próximos meses, corroendo a renda real e mergulhando o crescimento nos gastos do consumidor em território negativo.


… O banco também cita a provável recessão, mas espera que o Fed só volte a cortar os juros em junho, com 125pbs até o final de 2025.


… Nesta 3ªF, o Morgan Stanley cortou as projeções para o PIB americano para 0,8% (de 1,5%) este ano e 0,7% (de 1,2%) em 2026.


… O estrategista-chefe de FX do Goldman Sachs, Robin Brooks, disse que as tarifas de 104% para a China são “debilitantes” e provocarão um choque enorme. “O risco de resultados extremos para os mercados aumentou com a última decisão de Trump.”


… Pesquisadores da maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock, estão mais cautelosos em relação às ações americanas. “Adotamos uma postura mais prudente no curto prazo, com um horizonte tático de três meses”, escreveram em relatório a clientes.


… O instituto, que reduziu sua exposição a ações dos EUA de “acima da média” para “neutra”, afirma que quanto mais essa incerteza [das tarifas] se prolongar, maior poderá ser o impacto negativo no curto prazo. Para o longo prazo, mantém visão mais otimista.


ZONA DO EURO – As tarifas de Trump afundarão a zona do euro em uma recessão, alertam economistas da Pantheon Macroeconomics, afirmando que o pacote abrangente de tarifas de 20% impostas por Washington levou a um colapso no sentimento do investidor.


… “Enquanto a Europa prepara sua resposta, a confiança provavelmente só irá cair mais”, prevê a consultoria.


… Em entrevista coletiva nesta 3ªF, Trump disse que a União Europeia terá que se comprometer em comprar US$ 350 bilhões em energia dos EUA para obter um alívio das tarifas. Questionado se isso seria suficiente para ele recuar, disse que não.


… As declarações foram uma resposta à fala da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de que a UE havia se oferecido para reduzir a zero as tarifas do bloco sobre carros e produtos industriais importados dos EUA, se o país retribuísse.


ELON MUSK –Nesta 3ªF, voltou suas críticas contra Peter Navarro, mentor intelectual do plano das tarifas e um dos principais assessores econômicos da Casa Branca, dizendo que ele é um “imbecil”. As críticas foram feitas em sua própria plataforma, o X.


… Musk respondeu a um vídeo em que Navarro rebate suas críticas à política tarifária de Trump e o acusa de proteger interesses próprios, uma vez que as peças dos carros da Tesla vêm de diversos países como México, Japão e China.


… Desde o Liberation Day, o patrimônio de Elon Musk teria caído mais de US$ 30 bilhões, conforme as estimativas do The Guardian. Já no


Washington Post, Musk fez apelos pessoais ao presidente Trump no fim de semana para não implantar as tarifas.


DEMOCRATAS REAGEM – Partido Democrata apresentou na Câmara uma resolução questionando a declaração de emergência nacional usada por Trump para impor as tarifas, na tentativa de deter o presidente em sua política.


… O movimento é liderado pelo deputado Gregory Meeks, de Nova York, e precisa da adesão de republicanos, maioria na Casa.


AGENDA – As vendas no varejo são o principal indicador doméstico (9h), com a mediana das estimativas apontando para expansão de 0,80% no conceito restrito, segundo pesquisa Broadcast, após ter oscilado negativamente (-0,1%) em janeiro.


… Já o varejo ampliado pode mostrar estabilidade em fevereiro (0,0%) frente ao crescimento de 2,3% do mês anterior.


… Mais cedo, sai a primeira quadrissemana do IPC-Fipe de abril (março fechou em 0,62%) e o primeiro IPC-S das Capitais (8h). Às 8h30, o Banco Central divulga o estoque de crédito em fevereiro e os níveis de inadimplência no crédito livre.


… Ainda na agenda do Brasil, o IBGE informa o Índice de Preços ao Produtor de fevereiro (9h) e a Abraciclo, a produção de motos (11h).


… Finalmente, às 14h30, o BC divulga os dados do fluxo cambial, que na semana anterior teve saldo negativo de US$ 2,0 bilhões.


LULA – Participa da abertura da Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da CELAC, em Honduras (13h).


LÁ FORA – Fed divulga às 15h a ata da última reunião de política monetária, mas que já vem com validade vencida, antes das tarifas de Trump, quando Powell defendeu a tese (já corrigida por ele) de que a inflação poderia ser transitória.


… Às 11h, o Departamento do Comércio americano informa os estoques no atacado em fevereiro, que podem subir 0,5%.


… Às 11h30, é a vez dos estoques de petróleo do DoE, que têm previsão de alta de 2,1 milhões de barris.


… Às 13h30, o presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, discursa em evento do Clube Econômico de Washington.


… Nesta 3ªF, Austan Goolsbee (Fed/Chicago) disse que o sentimento do consumidor sobre a economia americana “está despencando”, mas que, mesmo com uma visão “péssima” sobre o cenário nos EUA, as pessoas ainda continuam consumindo.


ÁSIA HOJE – Bolsas voltaram a registrar quedas firmes na abertura do pregão asiático, reagindo à nova investida de Trump contra a China.


XEQUE MATE – Terminado o prazo dado por Trump, ontem, a China não retirou as tarifas retaliatórias de 34% sobre os EUA. Pequim ainda disse que não aceitaria a “chantagem” dos Estados Unidos e entrou com recurso contra as medidas na OMC.


… Ato contínuo, a Casa Branca anunciou a alíquota adicional de 50% sobre produtos chineses, com taxa total de 104%, e foi o fim de um breve alívio nas bolsas pelo mundo, que pela manhã subiram, quando havia alguma esperança de negociação entre os dois países.


… Sinais de que os EUA iriam flexibilizar as tarifas para o Japão e a Coreia do Sul encorajaram os investidores, mas tudo ficou ainda pior depois que a Casa Branca disse que Trump quer ver os iPhones sendo fabricados pelos americanos.


… Apple, que tem operações na China e vende grande parte de seus gadgets por lá, saiu de uma alta de 4% para uma queda de 5%. Nas últimas quatro sessões, o papel perdeu 23% de seu valor.


… A baixa do papel puxou as perdas do Nasdaq, que caiu 2,15% (15.267,91 pontos) e do Dow Jones (-0,84%; 37.645,59 pontos).


… O S&P 500 fechou abaixo dos 5.000 pontos (-1,57% a 4.982,78), no menor nível em quase um ano. Mais uma vez, o índice ficou muito perto do bear market, terminando o dia 19% abaixo do recorde alcançando em 19 de fevereiro.


… “As pessoas queriam ficar otimistas, mas perceberam que não tinham motivo para isso”, disse Melissa Brown (SimCorp), à Reuters.


… Ela espera ver na temporada de balanços que começa esta semana em NY muitas avaliações sobre o impacto das tarifas nos guidances das empresas. Os primeiros resultados virão na 6ªF com JPMorgan, Morgan Stanley e Wells Fargo.


… A escalada da tensão comercial levou o governo chinês a fazer uma forte depreciação do yuan frente ao dólar, movimento que ajudou a desvalorizar moedas de emergentes exportadores de commodities, em especial o real, que chegou a ser negociado a R$ 6.


… Com alta de 1,48% do dólar, a R$ 5,9979, a moeda brasileira teve o pior desempenho entre as 33 divisas mais líquidas do mundo.


… Ante pares, o dólar cedeu ante da perspectiva de um Fed menos rígido por causa da ameaça de recessão. O índice DXY caiu 0,32%, para 102,924 pontos. O euro subiu 0,16%, a US$ 1,0956; a libra avançou 0,27%, a US$ 1,2771; o iene ganhou 0,96%, a 146,315/US$.


… Apesar do recuo do dólar ante pares fortes, o yuan chinês caiu ao menor nível da história frente ao dólar, cotado a 7,4247 yuans no mercado offshore, ultrapassando pela primeira vez o patamar de 7,4 yuans.


… Nessa perspectiva, os rendimentos das notes de 2 anos caíram para 3,723%, de 3,769% na sessão anterior. Já o yield da note de 10 anos subiu a 4,281% (de 4,177%), enquanto o retorno do título de 30 anos avançou a 4,748% (de 4,624%).


… Segundo analistas nas agências, a fraca demanda em um leilão de notes de 3 anos ajudou a provocar uma liquidação de títulos de longo prazo, especialmente os de 30 anos. Uma preocupação dos investidores é de que a China venda Treasuries em retaliação.


… Na Barron’s, analistas ponderaram que a grande volatilidade vista nos Treasuries e no dólar enviam um alerta sobre eventual recessão, além de um sinal de que os investidores estão perdendo a confiança nos Estados Unidos.


… “A marca Estados Unidos foi manchada. Se estrangeiros com uma enorme de quantidade de ativos americanos decidirem levar o seu dinheiro de volta para casa isso vai se refletir nos Treasuries e no câmbio”, disse Peter Boockvar Bleakley (Financial Group).


… O enfraquecimento da moeda chinesa diminui o seu poder de compra e provoca preocupações sobre a demanda do país por matérias-primas como o minério de ferro. Para o Brasil, que tem elevada exposição à China, é uma preocupação.


… Ruim para a Vale, que caiu 5,48% (R$ 49,20), ajudando a puxar a queda de 1,32% do Ibovespa, aos 123.931,89 pontos. Em Dalian, o preço do minério despencou 3,48%. Petrobras também teve mais um dia difícil, de perdas.


… Em linha com a queda do petróleo, Petrobras ON caiu 3,20% (R$ 34,49) e Petrobras PN, -3,56% (R$ 32,00). Na Ice londrina, o contrato do Brent para junho cedeu 2,16%, com fechamento em US$ 62,82 o barril.


… Em apenas cinco sessões, Petrobras perdeu R$ 80 bilhões em valor de mercado. O market cap está em R$ 429,35 bilhões.


… Operadores relatam saída de capitais de ativos locais. Dados da B3 mostram que os estrangeiros já retiraram R$ 3,605 bilhões da bolsa doméstica em abril, até o dia 4. No acumulado do ano, o fluxo de capital externo está positivo em R$ 7,037 bilhões.


… Bancos também ficaram no vermelho, nesta 3ªF: Bradesco PN (-2,75%; R$ 12,02) e ON (-2,54%; R$ 10,75), Santander (-1,51%; R$ 26,10) e Banco do Brasil (-0,18%; R$ 27,63). A exceção foi Itaú, que ficou estável (+0,03%), em R$ 31,21.


… Magazine Luiza liderou as perdas (-13,41%, R$ 8,78), após o Citi cortar a recomendação do papel e reduzir o preço-alvo para R$ 7,70.


… O câmbio e a aversão global ao risco continuou a acrescentar prêmios de risco nos juros domésticos, que subiram em toda a curva.


… No fechamento, o DI para Jan/26 subiu a 14,765% (de 14,700% na véspera); o Jan/27 avançou a 14,390% (de 14,215%); o Jan/29, para 14,325% (de 14,165%); e o Jan/31, a 14,590% (de 14,480%).


EM TEMPO… PETROBRAS. Ibama informou que houve recebimento em 7/4 da comunicação formal da estatal sobre a conclusão das obras do Centro de Reabilitação e Despetrolização de Fauna de Oiapoque (AP)…


… Órgão disse que solicitação seguirá para avaliação dentro dos trâmites previstos no processo de licenciamento ambiental; data para a vistoria técnica na base ainda será definida.


BANCO MASTER. TCU abriu processo para investigar atuação do Banco Central no caso.


MINERADORAS. STF pode julgar nesta 4ªF seis recursos contra decisão que homologou acordo para reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG)…


… Acordo foi homologado pela Corte em novembro e prevê pagamento de R$ 170 bilhões pelas mineradoras Vale, BHP e Samarco.


BRASKEM. Moody’s rebaixou de Ba2 para Ba3 o Corporate Family Rating (CFR) da companhia e a classificação dos Backed Senior Unsecured Global Bonds da Braskem America Finance Company; perspectiva para ambas foi alterada de negativa para estável.


ELETROBRAS. O advogado Marcelo Gasparino, atual conselheiro da empresa, enviou consulta à CVM questionando regras propostas pelo atual Conselho de Administração para futuras votações no colegiado, a serem acolhidas ou não em assembleia do dia 29/4.


RAÍZEN. Norges Bank Investment Management reduziu participação acionária na companhia de 5,012% para 4,997%, passando a administrar 67.900.514 de papéis PN.


NATURA. Baillie Gifford Overseas Limited atingiu participação de 5,01% na companhia, passando a deter 69,7 milhões de ações ON; segundo dados do formulário de referência mais recente, de 3/4, gestora não detinha participação relevante na empresa.


TENDA registrou Valor Geral de Vendas (VGV) consolidado de R$ 920,9 milhões em lançamentos no 1Tri25, segundo prévia operacional…


… O resultado é 36,3% maior, ante o 1Tri24. O VGV de Tenda somou R$ 818,5 milhões, alta anual de 21,2%. Já a Alea totalizou R$ 102,4 milhões em VGV.


OI. SC Lowy Primary Investments reduziu participação na empresa para 9,8% do capital social, passando a deter 32.339.295 de ações ON.

Bankinter Portugal Matinal 0904

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Europa enganou-se, ontem, ao subir. E quase Nova Iorque também, porque esteve em positivo grande parte da sessão, mas derrubou-se no final. E com alguma força. Agora leem-se artigos bem-intencionados a defender a compra porque são quedas excessivas sem sentido. Estão enganados, porque não realizaram uma análise medianamente reflexiva da situação: o ciclo expansivo está a evoluir para neutro ou até contrativo. Não é algo que poderá acontecer, como há 1 ou 2 meses. Agora é um facto, porque grande parte do dano sobre a confiança está feito. O crescimento económico será muito baixo ou inexistente, a inflação aumentará no 2.º semestre, os bancos centrais não poderão baixar taxas de juros para ajudar (exceto irresponsabilidade monetária, como poderá ser o caso do BCE) e isso acabará por afetar os resultados empresariais (EPS), que são a base do valor das empresas e, por extensão natural, dos índices das bolsas.


A temporada de publicação de resultados americanos começa esta sexta-feira com os bancos (JPMorgan, MStanley e Wells Fargo). De seguida, os restantes setores. Serão resultados do 1T 2025, portanto ainda não estarão afetados. Mas os guidances/guias podem desaparecer, porque as empresas não se atreverão a comprometer-se com nada neste contexto 100% incerto. Isso significa que cancelarão os seus guidances atuais e/ou dirão que ficam sujeitos a revisão total. E as bolsas guiam-se por expetativas, as quais terão desaparecido ou estarão sujeitas a um elevadíssimo grau de confiança. E Trump não retificará a curto prazo. Demonstrou-o ontem à noite, afirmando que os dirigentes de outros países se dirigem a ele a suplicar por acordos.


Nessa situação não é possível pensar que se pode comprar já mais barato simplesmente porque as bolsas caíram rapidamente. Esse não é um argumento suficientemente sólido para um economista medianamente formado. É demasiado fácil dizer que é necessário comprar porque está mais barato. Ainda não chegou o momento. Chegará e haverá uma oportunidade excelente, mas ainda não. Simplesmente porque as avaliações mudaram (isto é, baixaram) sem que ninguém consiga saber exatamente até que ponto. Reconhecer isto é honesto. Por isso, insistimos em refugiar-se para não perder. Porque nem sempre se pode investir para ganhar. Saber quando não fazer nada é a chave para preservar o património e colocá-lo a render, assumindo riscos quando estes podem ser mensuráveis. Fazê-lo quando isso não é possível ou por intuição, simplesmente porque o mercado caiu e pronto, é irresponsável.


Os futuros europeus vêm a cair quase -4% e os americanos quase -2%. Não está de modo algum terminado. Irá agravar-se, a não ser que Trump retifique. Mas só o fará quando começar a ficar sozinho porque os seus acólitos – tão ignorantes quanto ele sobre economia, mas piores do que ele por se terem tornado em súbditos cobardes – sentem uma dor real: perdem dinheiro seriamente (daí Musk já estar assustado e ter mudado a sua mensagem) e a sua reputação pessoal fica destruída ao revelar o seu fracasso por ignorância. Porque o mais perigoso não é não saber, é não querer saber o que se passa. E este é o caso.


Índia e Nova Zelândia baixaram taxas de juros esta madrugada, como esperado e sem que signifique algo em particular. Hoje, às 19 h, Atas da reunião da Fed de 19 de março, que também nos permite ver que, como pensamos, é cada vez mais difícil voltar a baixar taxas de juros perante o aumento da inflação derivado da guerra alfandegária. Amanhã, a inflação americana de março provavelmente retrocederá (+2,6% vs. +2,8%), mas se alguém quiser alegrar-se com isso, enganar-se-ia, porque as tensões inflacionistas não serão percebidas, no mínimo, até ao dado de abril, publicado a 10 de maio. E na sexta-feira, o mais importante: a Confiança da Univ. de Michigan de abril, porque foi o primeiro indicador adiantado americano que, a 14 de março, mostrou um forte debilitamento (57,9 desde 64,7, depois revisto em baixa até 57,0) e com aumentos sérios dos seus componentes de expetativas de inflação a 5 anos (+3,9%, revisto depois até +4,1%) e a 1 ano (+4,9%, também revisto depois até +5,0%). Espera-se 54,5, mas poderá ser pior do que isso e com expetativas de inflação ainda superiores.


Os caçadores de oportunidades enganam-se, porque é cedo, embora isto proporcione uma excelente oportunidade quando for o momento certo… e faremos o impossível para o identificar a tempo. 


S&P500 -1,6% Nq-100 -2% SOX -3,6% ES-50 +2,5% IBEX +2,4% VIX 52,3% Bund 2,63% T-Note 4,44% Spread 2A-10A USA=+66pb B10A: ESP 3,35% PT 3,23% FRA 3,39% ITA 3,85% Euribor 12m 2,107% (fut.2,208%) USD 1,052 JPY 160,7 Ouro 3.017$ Brent 60,4$ WTI 57,1$ Bitcoin -3,8% (76.639$) Ether -7,7% (1.461$). 


FIM

Jornal do Investidor

 🌎🇧🇷🇺🇸 Varejo no Brasil e ata do Fed são destaques do dia


Os produtos chineses importados pelos Estados Unidos já estão custando 104% mais caros, na escalada da guerra comercial que mudou o cenário da economia global, assim como entraram em vigor as “tarifas recíprocas” mais elevadas anunciadas por Trump no Liberation Day. Também hoje começou a ser cobrada a taxa de 25% imposta pelo Canadá aos veículos americanos, enquanto a União Europeia reúne os países-membros para aprovar a lista de contramedidas em resposta à tarifa de 20% que atingiu o grupo. Há ainda o risco de novas retaliações de Pequim, que prometeu “lutar até o fim”. Com o mundo sob ameaça de recessão, o Brasil já dá sinais de que não sairá ileso. (Rosa Riscala)


👉 Confira abaixo a agenda de hoje


Indicadores

▪️ 05h00 – Fipe: IPC da 1ª quadrissemana de abril

▪️ 08h00 – FGV: IPC-S Capitais 1ª quadrissemana de abril

▪️ 08h30 – BC: Estoque de crédito de fevereiro

▪️ 09h00 – IBGE: Varejo e Índice de Preços ao Produtor (fev)

▪️ 11h00 – Abraciclo: Produção e vendas de motos de março

▪️ 11h00 – EUA/Deptº Comércio: Estoques no atacado (fev)

▪️ 11h30 – EUA/DoE: Estoques de petróleo da semana até 4/4

▪️ 13h00 – Rússia/Rosstat: PIB do 4TRI

▪️ 14h30 – BC: Fluxo cambial semanal

▪️ 15h00 – EUA: Ata da reunião de março do Fed

▪️ 22h30 – China/NBS: CPI e PPI de março


Eventos

▪️ 10h00 – Haddad se encontra com o presidente do Comsefaz, Flávio Oliveira

▪️ 11h00 – Gabriel Galípolo (BC) se reúne com Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Luiz Marinho (Trabalho) 

▪️ 13h00 – Honduras: Lula participa da abertura da IX Cúpula de Chefes de Estado da CELAC

▪️ 13h30 – EUA: Tom Barkin (Fed/Richmond) fala em evento


🇺🇸 Dow Jones Futuro cai com a entrada em vigor das tarifas recíprocas de Trump


À meia-noite (horário dos EUA) desta quarta-feira (9), entraram em vigor as tarifas recíprocas impostas pelo presidente Donald Trump, incluindo alíquotas de até 104% sobre produtos chineses. A medida mantém vivos os temores de recessão e abala uma ordem comercial global consolidada há décadas. Os índices futuros de Nova York operam sem direção definida neste momento.


🔎 Veja os principais indicadores às 5h30 (horário de Brasília):


🌏 EUA

* Dow Jones Futuro: -0,58%

* S&P 500 Futuro: -0,30%

* Nasdaq Futuro: +0,12%

🌏 Ásia-Pacífico

* Shanghai SE (China), +1,31%

* Nikkei (Japão): -3,93%

* Hang Seng Index (Hong Kong): +0,68%

* Kospi (Coreia do Sul): -1,74%

* ASX 200 (Austrália): -1,80%

🌍 Europa

* STOXX 600: -3,13%

* DAX (Alemanha): -3,00%

* FTSE 100 (Reino Unido): -2,75%

* CAC 40 (França): -2,76%

* FTSE MIB (Itália): -2,88%

🌍 Commodities

* Petróleo WTI, -3,56%, a US$ 57,46 o barril

* Petróleo Brent, -3,37%, a US$ 60,67 o barril

* Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -2,68%, a 689,00 iuanes (US$ 93,88)

🪙 Criptos

* Bitcoin, +0,65%, a US$ 77.165,53


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terça-feira, 8 de abril de 2025

Bastidores do poder

 O Banco que Fez o Mercado Parar: Os Bastidores do Caso Master


7 de Abril, 2025


SÃO PAULO — O caso do Banco Master escancarou um desconforto antigo do sistema financeiro: mesmo uma instituição média, longe dos holofotes e praticamente desconhecida do público, pode se transformar num vetor de risco sistêmico e mobilizar o alto comando do mercado.


Entre 2019 e 2024, o banco multiplicou por quase trinta vezes sua carteira de crédito, passando de R$1,4 bilhão para mais de R$40 bilhões. Sustentado por uma estratégia agressiva de captação via CDBs de alto rendimento e forte exposição a precatórios, que tem baixa liquidez e alto risco fiscal, o Master até opera com lucros, mas sobre uma fundação de ativos ilíquidos e custo de funding elevado.


A combinação despertou a atenção do Banco Central, do FGC e dos principais players do setor. A partir de 2023, cresceu a pressão de reguladores e do mercado por uma solução: ou o banco se capitalizava, ou seria vendido.


A primeira proposta de aquisição supostamente veio do BTG Pactual, uma oferta de R$1, um valor simbólico, mas com disposição de arcar com o risco e explorar os ativos judiciais do banco, especialmente a carteira de precatórios. Mas foi o BRB (Banco Regional de Brasília) quem formalizou a proposta vencedora onde se propôs pagar até R$2 bilhões por 58,6% do Banco Master, em uma operação condicionada à auditoria e ainda sujeita à aprovação do Banco Central.


O Master, até então discreto, virou protagonista de um enredo que envolve reuniões emergenciais com o BC, divergência entre os grandes bancos privados e articulações políticas em torno de uma operação que pode consumir até 40% do caixa do FGC.


Quem é o Banco Master?


O Banco Master não é exatamente novo, mas sua relevância no sistema financeiro é recente. Fundado há mais de cinco décadas como Banco Máxima, a instituição passou por uma reestruturação completa em 2021, quando adotou o novo nome e uma nova estratégia, sob a liderança de Daniel Vorcaro.


A partir daí, o Master passou a operar com foco na captação de varejo, oferecendo CDBs com taxas acima da média de mercado, em alguns casos, bem acima. Em 2024, os ativos totais saltaram de R$36,1 bilhões para mais de R$63 bilhões, um avanço de 74% em doze meses. O lucro líquido acompanhou o ritmo e dobrou no período, de R$532 milhões para R$1,068 bilhão.


Um modelo que parecia funcionar — até parar de funcionar


Todo esse crescimento foi sustentado por uma lógica simples: captar caro e emprestar ainda mais caro. O banco oferecia CDBs com rentabilidades de até 140% do CDI — em um mercado em que bancos grandes remuneravam a 100%, no máximo 110%. Essa diferença de prêmio trouxe uma multidão de investidores pessoa física, principalmente via plataformas digitais, muitos deles atraídos pela chancela do FGC.


Do outro lado do balanço, o banco alocava esses recursos em duas frentes: crédito consignado para servidores públicos, um mercado com margens apertadas, e, principalmente, precatórios. Segundo executivos que acompanharam a operação por dentro, até 2023 quase metade da carteira de crédito do banco estava vinculada a precatórios federais e estaduais, boa parte ainda sem trânsito em julgado ou com pagamento incerto.


Com essa estratégia, o Master conseguiu crescer sem depender de grandes linhas de crédito interbancárias ou funding institucional. Mas criou, em paralelo, uma fragilidade estrutural, os passivos eram curtos, caros e voláteis; os ativos, longos, incertos e ilíquidos.


O lucro anual bilionário de 2024 impressiona, mas o número tem nuances. Parte expressiva do resultado vem da marcação de ativos a valor de face — prática comum, mas que, em casos como os precatórios, pode inflar artificialmente o balanço. O mesmo vale para operações com fundos de direitos creditórios (FIDCs), em que o risco permanece com o originador, mas os ativos são registrados fora do balanço principal.


Quando o risco deixou de ser apenas contábil



Nos bastidores, o Banco Central vinha acompanhando a escalada do risco com crescente preocupação. Ainda em 2023, técnicos da supervisão do BC passaram a monitorar com mais cuidado a liquidez do banco. O FGC, por sua vez, já havia mapeado que uma liquidação forçada do Master exigiria algo entre R$35 bilhões e R$45 bilhões em cobertura — o que drenaria mais de um terço do caixa disponível do fundo, estimado hoje em R$107,8 bilhões.


A gravidade do cenário não era apenas técnica. O perfil dos investidores — em sua maioria clientes de varejo, com tíquetes de até R$250 mil — transformava o caso em uma bomba política. Um calote, ainda que temporário, poderia levar a uma corrida por saques em bancos médios e fintechs, derrubando a confiança no segmento mais frágil do sistema bancário brasileiro.


Diante disso, começou uma corrida contra o tempo para encontrar uma solução de mercado. 


O BTG ofereceu R$ 1?


Segundo diversos jornais, o BTG Pactual teria feito uma oferta simbólica de R$1 pelo controle do banco, assumindo o risco judicial da carteira de precatórios e, com ajuda do FGC, ele estruturaria uma operação de salvamento, evitando a liquidação. Em troca, o BTG passaria a deter um portfólio que, mesmo com risco elevado, poderia render retornos relevantes — estimativas indicam que só a carteira de precatórios do Master, em valor de face, pode ultrapassar os R$20 bilhões.


Alguns relatos de bastidores, mostraram que a proposta pode ter esbarrado em dois fatores: imagem e controle. Vorcaro relutava em aceitar a venda por um valor simbólico, que poderia ser lido como confissão de insolvência. Além disso, o acordo previa ingerência direta do BTG sobre os ativos do banco, o que esvaziaria por completo a gestão atual.


A operação do BRB: política, risco e oportunidade



Paulo Henrique Costa, presidente do BRB

Enquanto o BTG esperava o avanço de negociações com apoio de bancos grandes — já que a proposta previa injeção emergencial de liquidez via FGC — o BRB apareceu com uma proposta alternativa. Oficializada em 28 de março de 2025, a proposta do banco estatal previa o pagamento de até R$2 bilhões por 58,6% do capital do Master, sendo 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais. A operação foi estruturada com prazo de seis anos para pagamento, condicionada a auditoria e excluindo da transação os ativos ilíquidos mais arriscados, como os precatórios e parte dos FIDCs.


No papel, a proposta do BRB era mais robusta. Mas levantou questionamentos imediatos sobre motivação, governança e riscos potenciais. O banco é controlado pelo governo do Distrito Federal e presidido por Paulo Henrique Costa, ex-Banco do Brasil, homem de confiança do governador Ibaneis Rocha (MDB). Segundo fontes de mercado, parte da diretoria técnica do BRB demonstrou resistência à aquisição, mas a decisão avançou com respaldo político direto do Palácio do Buriti.


A proposta prevê o pagamento escalonado de até R$2 bilhões, diluído ao longo de seis anos, e está condicionada a uma auditoria detalhada nos ativos adquiridos. Ficaram de fora da operação os principais elementos de risco do balanço: precatórios em tramitação e fundos de direitos creditórios com baixa liquidez. O BRB também exigiu a separação jurídica das entidades adquiridas — Master, Will Bank e corretora, por exemplo — em estruturas distintas, blindando riscos cruzados.


Ao fim, o BRB assumiu a parte “bancável” da operação: estrutura tecnológica, canais de distribuição, a carteira de crédito consignado e o relacionamento com o Will Bank — banco digital do grupo com mais de 6 milhões de clientes. Internamente, a aposta é que o braço digital tenha potencial de expansão nacional, com tecnologia madura e presença crescente nas plataformas digitais.


Enquanto isso, R$23 bilhões em ativos de risco seguem sob o guarda-chuva do Master original. Com a separação, a instituição deverá funcionar como uma espécie de “bad bank” informal: sem operação corrente, dedicada exclusivamente à monetização judicial desses ativos ao longo do tempo. 


Nos bastidores, a leitura é de que o governo do Distrito Federal busca posicionar o BRB como protagonista nacional em tecnologia bancária, mesmo que isso signifique correr riscos considerados elevados por instituições privadas.


O Banco Central pode barrar?



Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central

Sim. A autoridade monetária tem poder de veto sobre operações societárias no sistema financeiro nacional. Mais do que isso, pode condicionar a autorização à apresentação de garantias adicionais, reforço de capital ou ajustes na governança.


Fontes próximas à autarquia indicam que há grande desconforto com a exposição pública da operação e com a forma como ela foi conduzida. O temor é de que uma eventual deterioração da carteira do Master — caso ocorra após a venda — recaia sobre o BRB, comprometendo recursos públicos.


Risco sistêmico? Ainda não. Mas o precedente preocupa.


O modelo e o problema


O caso do Banco Master não é isolado. Ele simboliza uma tendência que se espalhou no pós-pandemia: a multiplicação de bancos médios e plataformas de crédito operando no limite da alavancagem, captando recursos com promessas agressivas de retorno, alavancando via FIDCs e ignorando os fundamentos prudenciais tradicionais.


Em tempos de juros altos, esses modelos crescem rápido. Mas, se o funding encolhe ou a inadimplência sobe, o castelo de cartas desaba. Foi assim com outros bancos médios nos anos 90, no pós-Real. A diferença, agora, é que a exposição ocorre via produtos pulverizados — CDBs vendidos a investidores de varejo com a promessa de segurança.


O que está em jogo agora não é só o futuro do Master ou o preço pago pelo BRB. É a reputação do sistema, a confiança nas emissões bancárias e o papel do Banco Central como guardião do risco sistêmico.


A história ainda não acabou. Mas o roteiro, para quem acompanha o mercado de perto, é inquietantemente familiar.



https://bastidoresdopoder.com/o-banco-que-fez-o-mercado-parar-os-bastidores-do-caso-master/

Bankinter Portugal Matinal 0804

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, a tecnologia conseguiu fechar em positivo e a questão agora é saber se se trata de um descanso no reajuste para um novo contexto mais duro ou, pelo contrário, um pouco melhor. Provavelmente a mudança de Elon Musk, a comentar a “conveniência” de que os EUA cheguem a acordo de impostos alfandegários zero com a UE seja a esperança em que esta subida se apoia, que provavelmente será bastante uma pequena e breve recuperação do preço em queda, porque nada indica que Trump irá retificar de imediato. Musk muda a sua abordagem simplesmente porque o seu papel informal, mas muito influente, de “assessor” de Trump (nem autorizado pelos eleitores nem justificável de uma visão democrática) está a fazer com que ele perca mais dinheiro mais rapidamente do que nunca: Tesla avaliava a 400 $ no fecho de 2024 vs. 233 $ ontem. Quando há um mercado livre de preços, as coisas tornam-se imediatamente claras, porque os debates ideológicos perdem relevância a favor do mais justo e objetivo que existe: a realidade cruel do valor que cria ou destrói. Não há prémios nem castigos, mas causas e consequências. Como a vida. Isso é o que salvará a economia global dos ignorantes, embora não seja de imediato, porque Trump não mudará enquanto não encontrar uma saída digna para o seu orgulho e ego. E isso é difícil de encontrar brevemente. Precisa de alguém para culpar, para que não fique como responsável. Desse ponto de vista, estamos nas melhores mãos: nas de um mercado frio que apenas julga os resultados dos factos.


HOJE não sai nenhuma referência relevante. Em todo o caso, um indicador de frequência semanal que convém prestar atenção porque pode ser considerado adiantado: 12:55 h, Vendas Grandes Retailers EUA, que desacelera desde níveis um pouco superiores a +6% até +4,8% na semana passada, e que poderá começar a desacelerar seriamente de seguida, mas é impossível estimar quanto. Se “falasse” nesse sentido, seria tido em conta para o Consumo Privado americano. Na quinta-feira, sairá a inflação americana de março provavelmente a retroceder até +2,6% desde +2,8%, porque a inflação não receberá nada dos impostos alfandegários até ao seu registo de abril, publicado na segunda semana de maio. É muito provável que volte a aumentar a partir de junho/julho, mas ainda é cedo para que se reflita nos dados. E na sexta-feira, sairá a Confiança da Univ. de Michigan, que é muito importante, porque foi o primeiro indicador adiantado americano que, a 14 de março, mostrou um forte debilitamento (57,9 desde 64,7, mas depois foi revisto em baixa até 57,0) e com aumentos sérios dos seus componentes de expetativas de inflação a 1 ano (+3,9%, revisto depois até +4,1%) e a 5/10 anos (+4,9%, também revisto depois até +5,0%). Na sexta-feira, sairá o seu registo de abril e espera-se 54,5, mas acreditamos que será pior do que isso e com expetativas de inflação ainda piores. 


CONCLUSÃO: Hoje irá subir, mas será uma pequena e breve recuperação do preço em queda. Pelo menos enquanto Trump não se retificar abertamente, algo que consideramos improvável a curto prazo, principalmente depois de ontem ter dado 24 horas à China para retirar os seus impostos alfandegários de represália (34%) ou ser-lhes-ia aplicado outro de 50% (o que lhe vem à cabeça enquanto fala). O mercado colocará as coisas no sítio até ao ponto de fazer Trump corrigir-se, mas isso só acontecerá quando o contexto começar a abandoná-lo por sentir nos seus próprios patrimónios/vidas que acompanhá-lo significa arruinar-se e ser ridículo na área pessoal/social/reputacional, como absolutos ignorantes na área económica. O mau de cometer erros deste tipo no económico é que repará-los não é imediato. O bom é que quando se reverterem, irão surgir excelentes oportunidades para reposicionar-se a preços francamente atrativos. Mas esse momento ainda não chegou. Haverá mais dor antes da situação se reverter. Embora hoje suba um pouco.


S&P500 -0,2% Nq-100 +0,2% SOX +2,7% ES-50 -4,6% IBEX -5,1% VIX 47% Bund 2,63% T-Note 4,17% Spread 2A-10A USA=+44pb B10A: ESP 3,34% PT 3,24% FRA 3,40% ITA 3,86% Euribor 12m 2,210% (fut.1,928%) USD 1,097 JPY 161,9 Ouro 3.039$ Brent 64,8$ WTI 61,34$ Bitcoin +3,5% (79.595$) Ether +2,4% (1.582$). 


FIM

BDM Matinal Riscala 0804

 *Rosa Riscala: Trump dobra a aposta contra a China*


… Trump deu prazo até hoje, ao meio-dia (13h de Brasília), para a China remover a tarifa de 34% anunciada em retaliação aos 34% que os Estados Unidos decidiram cobrar da importação de todos os produtos chineses. Ou, aplicará uma tarifa adicional de 50%, cumulativa, elevando a taxa para 104%, considerando os 20% do início de março, quando os chineses foram penalizados pelo fluxo de opioides para os americanos. A China antecipou que não fará o Trump quer e o Ministério do Comércio avisou nesta 3ªF que, se o governo americano ampliar a taxação, tomará novas “contramedidas resolutas”. A guerra comercial entre as superpotências só piora. Amanhã (9), entram em vigor as tarifas mais altas para a China, países asiáticos e a UE, que também se prepara para aprovar retaliações conjuntas.


… A Comissão Europeia, braço executivo da UE, propôs nesta 2ªF taxar uma série de produtos dos EUA, em resposta às medidas adotadas ao aço e alumínio. A comissão elaborou uma lista robusta de contramedidas, buscando equilibrar o fardo entre os países-membros.


… A relação final e os níveis de tarifas serão submetidos a votação e colocados em prática em duas datas: 15 de abril e 15 de maio.


… O comissário de Comércio da UE, Maros Sefcovic, disse que cerca de 380 bilhões de euros em exportações da UE estão sujeitas a tarifas americanas de 20% ou 25%, e algumas chegam a 27,5%, como no caso dos automóveis de passageiros.


… “Isso representa um aumento significativo na arrecadação de tarifas dos EUA sobre produtos europeus, que deve saltar de 7 bilhões de euros para mais de 80 bilhões de euros/ano. A situação comercial com nosso parceiro mais importante está em ponto crítico.”


… Segundo Sefcovic, desde o início a UE buscou negociações com o governo americano, “mas não podemos esperar indefinidamente”.


… Ao lado de Netanyahu, no Salão Oval, Trump disse que a União Europeia sempre tentou prejudicar os Estados Unidos e que a resposta deles agora às tarifas não é suficiente. “A UE terá que comprar energia dos EUA”, disse o presidente.


… Ainda a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se manifestou sobre a resposta de Bruxelas às tarifas dos EUA. “Nós preferíamos negociar, mas retaliações serão usadas, se necessário”, disse, confirmando que a Europa vai buscar novos mercados.


… No Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney também defendeu a importância de diversificar as relações comerciais com outros países. “Não podemos controlar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas podemos fazer algo no Canadá.”


… Para a Fitch, as tarifas anunciadas pelos EUA sobre as importações de países europeus, incluindo 20% para a União Europeia e 10% para o Reino Unido, enfraquecerão o crescimento da receita e da lucratividade de muitos setores corporativos no continente.


… Segundo a agência, é provável que os setores químico, automotivo e de tecnologia (hardware) sejam os mais afetados na Europa, com os fabricantes de automóveis europeus enfrentando um risco maior na cadeia de suprimentos.


… Já a China reagiu rapidamente às novas exigências de Trump. “Pressionar ou ameaçar a China não é a maneira correta de se envolver conosco. A China protegerá firmemente seus direitos e interesses legítimos”, disse o porta-voz da embaixada chinesa, Liu Pengyu.


… Em entrevista, ele acusou os EUA de unilateralismo, protecionismo e intimidação econômica, e pediu às empresas americanas para que “tomem medidas concretas” para resolver a crise das tarifas. Citou nominalmente a Tesla, de Elon Musk.


… Lin disse que colocar a “América em primeiro lugar”, acima das regras internacionais, prejudica a estabilidade da produção global e da cadeia de suprimentos, e impacta seriamente a recuperação econômica mundial.


… Fez mais, em meio à guerra comercial deflagrada por Trump, a embaixada chinesa publicou no X um discurso do ex-presidente Ronald Reagan, de 1987, no qual ele critica ele afirma que as tarifas parecem patrióticas, mas só funcionam por um curto período.


… À época, Reagan, idolatrado pelos republicanos, afirmou que as altas tarifas levam a retaliações e a uma feroz guerra tarifária, que “as pessoas param de comprar, mercados diminuem e colapsam, negócios e indústrias fecham e milhões perdem o emprego”.


… Chegou-se, portanto, à improvável situação em que a China comunista defende o liberalismo e os EUA, o protecionismo.


ALERTAS EM SÉRIE – Vários alertas são continuamente emitidos sobre o poder inflacionário das tarifas. Nesta 2ªF, a diretora do Federal Reserve Adriana Kugler disse que a inflação voltou a ser a prioridade para o Banco Central americano.


…. O CEO da Blackrock, Larry Fink, disse que as tarifas são mais inflacionárias do que o mercado espera e que os EUA, provavelmente, já estão em recessão. Ele não descarta uma nova queda de 20% no S&P 500, que chegou a entrar em bear market durante o pregão.


… O CEO do JP Morgan, Jamie Dimon, disse que tarifas podem ter consequências negativas duradouras e que vão afetar o crescimento.


… Para o UBS, a inflação induzida por tarifas vai corroer o poder de compra real dos americanos e o impacto na inflação será muito maior do que o registrado em 2018 e 2019. “A inflação vai voltar a subir e atingir seu pico no primeiro semestre de 2026”, prevê.


… Já para o resto do mundo, destaca, essa crise está se tornando mais um choque de crescimento.


… O Goldman Sachs voltou a elevar a probabilidade de recessão nos EUA nos próximos 12 meses, de 35% para 45%, com o “aumento agressivo das tarifas”. O JPMorgan já havia colocado essa chance em 60%.


… O Goldman reduziu a previsão de crescimento do PIB americano em 2025 de 1,5% para 1,3% e prevê que o Fed corte os juros três vezes a partir de junho, chegando a 3,5%-3,75% no cenário-base. “Em caso de recessão, os cortes podem atingir 200 pbs no ano.”


… O banco ressalta que o risco desse cenário é “claramente ascendente” e depende das decisões tarifárias desta semana. “Se a maioria das tarifas for implementada, avisam os analistas, mudaremos nossa previsão para recessão.


… Os chefes de alguns dos maiores bancos do mundo, incluindo o Bank of America, Barclays, Citi, HSBC Holdings e JP Morgan, discutiram no domingo sobre o caos nos mercados financeiros e na economia global gerado pelas tarifas impostas pelo presidente Trump.


… Segundo fontes da Sky News, a reunião, por teleconferência, foi convocada pelo Bank Policy Institute, um grupo de políticas públicas.


AGENDA – Duas prévias de inflação de abril serão divulgadas às 8h: o IPC-S (encerrou março em 0,44%) e o IGP-M (0,29% em março).


… Às 8h30 sai o resultado do setor público consolidado de fevereiro, que deve trazer déficit de R$ 26,250 bilhões na mediana de pesquisa Broadcast, após o superávit de R$ 104,0 bilhões em janeiro. Estimativas vão de -R$ 48,3 bilhões a -R$ 9,3 bilhões.


… Às 9h, o IBGE informa os dados regionais da pesquisa industrial de fevereiro e, às 11h, a Anfavea divulga a produção e vendas de veículos em março. Em fevereiro, a produção foi de 217,4 mil veículos (+23,8%) e as vendas, de 185 mil (+8%).


LULA – Participa do Encontro da Indústria de Construção, em SP (9h30) e da abertura da 100ª edição da Enic e da Feira da Construção Civil e Arquitetura (10h). Às 15h, embarca para Honduras, onde participa da cúpula de chefes de Estado latino-americanos e caribenhos.


GALÍPOLO – Participa de reunião da CPI das Bets no Senado, em Brasília, a partir das 11h.


HADDAD – Participa de painel do 11º Brazil Investment Forum, promovido pelo Bradesco BBI, em São Paulo (17h).


LÁ FORA – A agenda de indicadores é esvaziada; nenhum dado está previsto nos Estados Unidos e na Europa.


… Logo cedo (6h), o vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, faz discurso de encerramento em reunião anual da Associação Bancária da Espanha, e o dirigente do BCE Piero Cipollone participa de audiência sobre euro digital no Parlamento Europeu (11h).


… Às 15h, a presidente do Fed/São Francisco, Mary Day, participa de evento institucional.


TRUMP VS IRÃ – Questionado sobre o Irã na entrevista desta 2ªF, Trump disse que “estamos em conversas diretas [com eles]” e que terá um grande encontro no próximo sábado, sem dar detalhes.


… Após o anúncio de Trump, porém, o Irã rejeitou qualquer negociação direta com os Estados Unidos e afirmou que o diálogo no sábado será realizado com a mediação de Omã, em negociação indireta, como postou no X o chanceler iraniano, Abbas Araqchi.


ÁSIA HOJE – Após o tombo de 8% na véspera, a Bolsa de Tóquio abriu em alta forte nesta 3ªF, repercutindo os sinais da negociação que foi iniciada com os EUA. O primeiro-ministro, Shigeru Ishiba, conversou com Trump e enviará um representante a Washington.


… Na China, o Xangai subia com a notícia de que as estatais chinesas decidiram aumentar a recompra de ações para estimular o mercado.


É GUERRA – O dólar voltou para perto dos R$ 6 em um dia de estresse generalizado nos mercados, que se intensificou depois que Trump ameaçou subir a tarifa contra produtos da China em 50% adicionais, caso Pequim não retire retaliação de 34%.


… O Ibovespa (-1,31%; 125.588,09) caiu mais que seus pares em NY, com um giro impressionante de R$ 43,7 bilhões, indicando que a debandada da bolsa brasileira foi forte. Resta saber se a saída foi de dinheiro gringo.


… O dado mais recente da B3 mostra que os investidores estrangeiros retiraram R$ 590,338 milhões da bolsa no dia 3/4, 5ªF. Depois da festa em março, em abril o fluxo está negativo em R$ 1,642 bilhão. No ano, o saldo de k externo ainda está positivo em R$ 9 bilhões.


… Em mais um dia de aversão global ao risco, o dólar, que é visto como ativo de segurança, subiu 1,30%, a R$ 5,9106, depois de ter batido em R$ 5,93 na máxima do dia. Apenas em abril, o dólar já sobe 3,6%, o dá uma ideia do estresse local com a guerra tarifária.


… Contra seis moedas fortes, o índice DXY que mede a força do dólar, avançou 0,23%, a 103,256 pontos. O euro caiu 0,21%, a US$ 1,0939, e a libra esterlina cedeu 1,19%, a US$ 1,2737. O iene japonês recuou 0,49%, a 147,728/US$.


… Além de derrubar os mercados, a possibilidade cada vez menor de acordo com os EUA aumentou especulações entre os investidores de que a China pode recorrer à desvalorização agressiva do yuan para tornar suas exportações mais competitivas.


… Num breve momento de alívio, os mercados globais chegaram a interromper as quedas depois de a CNBC informar que Trump estaria considerando adiar as tarifas em 90 dias. Minutos depois, a Casa Branca negou a notícia, o que fez os ativos voltarem a cair.


… Fake news ou não, o fato é que ao menos em NY o recuo passou a ser bem menos agressivo depois do rumor. O índice Nasdaq fechou com alta leve de 0,10%, a 15.603,26 pontos. O S&P 500 perdeu 0,23% (5.062,25) e o Dow Jones cedeu 0,91% (37.965,60).


… Apesar de certa trégua ontem em NY, a grande incerteza ainda deve pesar sobre os mercados.


… Depois da forte queda nas sessões anteriores, os rendimentos dos Treasuries subiram, em especial depois que Adriana Kugler, do Fed, afirmou que, dos impactos das tarifas, a alta da inflação é uma questão mais urgente que o crescimento econômico.


… O retorno da note de 2 anos avançou a 3,788% (de 3,653%) e o da note de 10 anos, a 4,217% (de 4,006%), enquanto o retorno do título de 30 anos foi a 4,642% (de 4,420%). Esse ajuste influenciou marginalmente a curva de juros na B3.


… Por aqui, as taxas subiram, mas de forma moderada, diante da possibilidade de queda nos preços dos combustíveis após o tombo dos preços do petróleo, o que a ação da Petrobras não gostou, mas poderia dar um alívio na inflação (abaixo).


… No Boletim Focus, ontem, a expectativa do IPCA 12 meses à frente, que ganhou importância com a meta contínua de inflação, caiu pela oitava semana seguida, agora de 5,15% para 5,07%. Também não foram alteradas as medianas para 2025 (5,65%) e 2026 (4,50%).


… A mediana das estimativas de Selic no fim de 2025 permaneceu em 15% e, para 2026, em 12,5%.


… No evento do BC que premiou os Top 5 do Focus ontem, economistas disseram ver a política monetária restritiva por um longo período, embora as opiniões estejam divididas quanto ao grau de aumento da taxa Selic no ciclo atual.


… As expectativas de inflação muito acima da meta de 3% e o gasto fiscal devem impedir uma queda de juro tão cedo, disseram.


… No mesmo evento, o diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, disse que o cenário atual é muito incerto, mas que algo essencial não mudou: o Copom segue desconfortável com a desancoragem das expectativas, que são muito relevantes para o sistema de metas.


… Hoje, Guillen, junto com os diretores Nilton Davi e Paulo Pichetti, fazem reuniões trimestrais com economistas do mercado.


… No fechamento, o juro do DI Jan/26 marcou 14,700% (de 14,665% na sessão anterior); o Jan/27 subiu a 14,215% (de 14,190%); o Jan/29, a 14,165% (de 14,030%); o Jan/31, a 14,480% (de 14,350%); e o Jan/33, a 14,590% (de 14,450%).


… No Ibovespa, Petrobras ON (-5,57%; R$ 35,63) e PN (-3,97%; R$ 33,18) ficaram entre as maiores quedas, com a notícia de que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, estaria pressionando a estatal para reduzir o preço dos combustíveis, segundo a CNN.


… Essa discussão sobre a redução dos preços é alimentada pela contínua queda da cotação do Brent, que ontem ampliou suas perdas de quase 10% da semana passada, recuando mais 2,08%, a US$ 64,21 o barril, na Ice londrina.


… Na volta do feriado na China, o minério de ferro despencou 3,29% em Dalian, para abaixo de US$ 100 a tonelada (US$ 98,86), puxando um recuo de 1,2%, na cotação da Vale, para R$ 52,09 – o que também ajudou a queda do Ibovespa. 


… Entre os bancos, só Itaú subiu (+0,19%), Bradesco PN (-1,67%) e ON (-1,25%); BB (-1,07%) e Santander (-0,45%) caíram.


… Natura (+2,84%), IRB (+2,66%) e BTG (+1,91%) lideraram as altas. Na outra ponta, Magazine Luiza (-6,37%) e Lojas Renner (-4,19%).


EM TEMPO… Após extensas negociações com a Boeing, a GOL concluiu acordo que destrava US$ 235 milhões a credores quirografários.


MERCADO LIVRE anunciou investimentos de R$ 34 bilhões (US$ 6,3 bilhões) no Brasil em 2025; cifra é 48% superior ao recorde do ano anterior, de R$ 23 bilhões, e em dólar, a soma avançou 32%, numa expansão que já tem ocorrido todos os anos.


PETRORECÔNCAVO teve produção de 27,7 mil boed em março, alta de 1,56% em relação a fevereiro, segundo dados operacionais.


ITAÚSA. BlackRock passou a deter 361.197.627 de ações PN de emissão da companhia, representando 5,075% do total.


BANCO DO BRASIL convocou assembleias gerais ordinária e extraordinária para 30/4; serão eleitos os membros do Conselho de Administração, com a troca de cinco dos oito membros, inclusive o presidente do colegiado.


MINERVA. Conselho de Administração aprovou proposta de aumento de capital no valor de até R$ 2 bilhões, com subscrição particular de até 386.847.196 de novas ações ON, pelo preço de emissão de R$ 5,17 por ação…


… Proposta será deliberada em AGE a ser realizada, em primeira convocação, no dia 29/4.


METALÚRGICA GERDAU encerrou programa com aquisição de 6 milhões de ações PN, ao preço médio de R$ 9,36 por ação.


NIPPON & US STEEL. Trump ordenou uma nova análise de segurança nacional do plano da Nippon Steel de adquirir a US Steel, oferecendo uma nova vida para o negócio de US$ 14 bilhões que foi bloqueado pelo ex-presidente Joe Biden…


… A revisão dá ao governo flexibilidade para elaborar um acordo que poderia permitir que as empresas concluíssem o negócio.

ANÁLISE: Venezuela abre disputa entre Rubio e Vance pela sucessão de Trump

Humberto Saccomandi De Para o Valor, de São Paulo A intervenção americana em andamento na Venezuela tem um componente de política interna am...