sexta-feira, 21 de março de 2025

Bankinter Portugal Matinal 2101

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: O mercado arrefeceu substancialmente após esse efeito ilusório em alta posterior à reunião da Fed e intervenção de Powell, na quarta-feira à noite. A Fed reviu em baixa as suas estimativas de PIB e em alta as de inflação, mas Powell afirmou que não há que se preocupar com o ciclo, porque não está em risco. Fracos dados objetivos face a um otimismo tranquilizador objetivo. Entende-se que é regular. E o BCE quantifica o impacto dos impostos alfandegários americanos em +0,5% inflação e -0,5% PIB, a olho nu, presume-se. Qualquer estimativa quantificada é sempre melhor do que nenhuma estimativa. Insistimos que todas as partes perdem numa guerra alfandegária; em que a ideia de que uma guerra comercial é de soma zero está errada.


HOJE o mercado continuará frio. Temos Freaky Friday (concentração de atividade a partir das 11/12 h, Fedex transmite guias fracas (-6% aftermarket), Nike margens questionáveis (-5% aftermarket), embora Micron bem (+1% aftermarket), inflação japonesa superior ao esperado (+3,7% vs. +3,5% esperado vs. +4% anterior), a previsível aprovação no Bundesrat dos 500.000M€ em infraestruturas e flexibilização do “limite de dívida” (já aprovado no Bundestag) e a Confiança do Consumidor UE (15h), que se espera -13,0 (é um índice e não uma taxa de variação) vs. -13,6, o que parece demasiado bom com a deterioração dos indicadores de sentimento que já acontece. São muitas referências pequenas e nenhuma potente, portanto o mercado deixar-se-á levar pela inércia em baixas das últimas horas.


A atenção estará em 3 referências importantes da próxima semana: na segunda-feira, PMIs em todo o mundo (que deverão começar a debilitar-se porque são de março); na terça-feira, Confiança do Consumidor americano (também deverá debilitar-se porque é de março: 94,0 esperado vs. 98,3); na sexta-feira, Deflator do Consumo PCE americano (que é de fevereiro e espera-se que repita em +2,5%, MAS a Subjacente a aumentar 1 décima até +2,7%). Portanto, teremos referências fracas sobre confiança/sentimento/ciclo e um indicador americano tendencial de preços a aumentar um pouco. Isso não agradará.


CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: Sessão fraca com volume concentrado a partir das 11/12 h, provavelmente com bolsas a retrocederem um pouco (-0,2%?), mas deixando a sensação de arrefecimento. Talvez a yield das obrigações europeias a reduzirem-se um pouco, mas muito pouco, como efeito contrário inercial. Sem vontade, nem direção realmente definida, embora mais provavelmente em baixa.


S&P500 -0,2% Nq-100 -0,3% SOX -0,7% ES-50 -1% IBEX -0,8% VIX 19,8 Bund 2,78% T-Note 4,25% Spread 2A-10A USA=+28pb B10A: ESP 3,42% PT 3,30% FRA 3,49% ITA 3,85% Euribor 12m 2,348% (fut.2,379%) USD 1,083 JPY 162,0 Ouro 3.030$ Brent 72,1$ WTI 68,2$ Bitcoin -1,9% (84.208$) Ether -1,8% (1.973$).


FIM

quinta-feira, 20 de março de 2025

Bankinter Portugal Matinal 2003

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem à noite, Wall St. encaixou demasiado bem as conclusões da reunião da Fed (repetiu em 4,25/4,50%, como mais do que esperado), tendo em conta que reviu o PIB em baixa (significativamente para 2025: desde +2,1% até +1,7%) e inflação (PCE) em alta (também apreciavelmente em 2025: +2,7% desde +2,5%, com Subjacente até +2,8% desde +2,5%). Por isso, a subida de Nova Iorque de ontem à noite parece um pouco ingénua e explica-se, talvez, pela confirmação de que aplicará mais 2 descidas de taxas de juros este ano (até 3,75/40%), e outras 2 em 2026, e mais uma em 2027, para terminar em 3,00/3,25%. Parece que Nova Iorque está contente enquanto as taxas de juros baixam como esperado, ignorando os restantes fatores: menos crescimento e mais inflação, advertindo a Fed no seu comunicado não só da incerteza sobre a economia a aumentar, mas também fazendo desaparecer a afirmação que incluíam até agora sobre os riscos de inflação e emprego estarem (isto é, estavam) equilibrados. O fundo que transmitiram ontem à noite parece, objetivamente analisado, claramente menos bom do que a subida de Nova Iorque expressa. É como afirmaram: “Bem, sabemos cada vez menos sobre o que acontece, provavelmente cresceremos menos e suportaremos mais inflação, mas o impacto dos impostos alfandegários será transitório e a nossa visão a longo prazo não muda, portanto continuaremos a baixar taxas de juros”. Não parece que isso justifique uma subida alegre de Wall St., mas foi o que aconteceu. 


HOJE é o dia dos indicadores de sentimento mais importantes da semana, que são os que temos de vigiar agora. Temos de os ouvir, porque entramos numa fase delicada devido à aplicação de impostos alfandegários e mudança americana face à Ucrânia. Parece que se deteriorarão, como o fez significativamente a Confiança da Universidade Michigan, na sexta-feira (57,9 desde 64,7 vs. 63,0 esperado, com sérios aumentos nas expetativas de inflação), e o Empire Manufactturing, na segunda-feira (nada menos que -20,0 desde +5,7, esperando-se -1,5). Às 12:30 h, teremos o Philly (8,5 esperado desde 18,1) e às 14 h o Leading Indicator (-0,2% desde -0,3%). Se saírem como parecem, encadearíamos 4 indicadores de sentimento em sério retrocesso desde sexta-feira, e isso seria mau. Porque estes tipos de indicadores são chamados de adiantados precisamente porque adiantam o que veremos depois nos intermédios e atrasados. E é estranho que Powell (Fed) lhes retirasse importância ontem.


HOJE também temos taxas de juros: às 08:30 h, Suíça baixará -25 p.b., até 0,25%, e às 12 h, o BoE repetirá em 4,50% depois de ter baixado -25 p.b. a 6 de fevereiro, já que a sua inflação aumentou em janeiro até +3% desde +2,5% (Subjacente em +3,7%) e a de fevereiro sairá a 26 de março, sem que haja estimativa fiável por agora. Veremos se diz algo sobre a inflação. E com isto teremos acabado o realmente importante desta semana, porque amanhã teremos referências de 2.ª linha que provavelmente não moverão o mercado.  


CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: A subida de Nova Iorque é difícil de justificar objetivamente. Os futuros europeus vêm a retroceder um pouco (-0,2%/-0,3%), mas os americanos a subir (+0,4%). As yields das obrigações reduziram-se um pouco ultimamente e isso também é pró-bolsas. Esta divergência entre o que começam a expressar os indicadores de sentimento/adiantados, tornando-se piores, e as subidas das bolsas não nos deixam nada tranquilos. Mas parece que as bolsas aguentarão durante o resto da semana, portanto, provavelmente, esta será a primeira vez que Nova Iorque subirá depois de 4 semanas consecutivas a retroceder e bastante: -2,3%; -3,1%; -1%; -1,7% (Europa um pouco melhor, mas não demasiado: -1,2%; +0,1%; -0,2%; -0,3%). Em qualquer caso, quando não se compreende algo, é melhor se afastar um pouco.


S&P500 +1,1% Nq-100 +1,3% SOX +1% ES-50 +0,4% IBEX +0,4% VIX 19,9 Bund 2,77% T-Note 4,24% Spread 2A-10A USA=+26pb B10A: ESP 3,39% PT 3,26% FRA 3,46% ITA 3,84% Euribor 12m 2,406% (fut.2,375%) USD 1,090 JPY 161,6 Ouro 3.049$ Brent 71,2$ WTI 67,6$ Bitcoin +0,5% (85.777$) Ether -1,2% (2.012$).


FIM

BDM Matinal Riscala 2003

 *Rosa Riscala: BC ajusta guidance e desacelera alta da Selic*


… O PBoC da China manteve as taxas das LPRs de 1 ano em 3,1% e de 5 anos em 3,6%, no final da noite, horas após o Fed afirmar que as tarifas de Trump devem atrasar o processo de desinflação nos EUA e causar crescimento menor. As incertezas justificaram a decisão de deixar o juro americano estável, entre 4,25% e 4,50%. Mas a mensagem do Fomc foi menos hawk do que os investidores temiam e Powell ajudou a sustentar uma boa reação dos mercados, dizendo que a alta dos preços deve ser “transitória”. Hoje, é a vez do BoE decidir a taxa do juro inglês (9h), que deve ser mantida em 4,5%. Aqui, o Copom confirmou o aumento de 100pbs da Selic, para 14,25%, e ajustou o forward guidance para uma alta de menor magnitude na reunião de maio, sinalizando que o fim do ciclo de aperto do juro está próximo.


… Nas primeiras interpretações do mercado, a Selic deverá subir 50pbs no Copom do mês que vem, para 14,75%, e alguns economistas já preveem que pode ser o último aumento. Outros acreditam em mais 50 pbs ou 25pbs em junho, que ficou em aberto.


… O comunicado manteve o tradicional “firme compromisso de convergência da inflação à meta” como condicionante para o tamanho do orçamento total, mas, desde já, uma Selic de 15% deve convergir para o consenso, em consonância com a mediana das estimativas.


… O texto justificou bem o aumento de 100pbs da Selic, mas limitou os motivos da desaceleração no ritmo das altas a uma “incipiente” moderação da atividade e aos efeitos defasados da política monetária, com o juro no maior patamar desde o governo Dilma.


… O esfriamento da atividade, comprovado pelos indicadores do 4Tri, não mereceu ainda estar no balanço de riscos como fator baixista, mas a aposta é de que já está sendo considerado pelo Copom, assim como é pelo mercado financeiro.


… Foi estranho o BC não comentar sobre a recente apreciação do real, com o fechamento do dólar a R$ 5,64 nesta 4ªF, mas o câmbio já pode ter influenciado sua projeção menor da inflação para o horizonte relevante (3Tri/2026), de 4,0% para 3,9%.


… Só o ambiente externo desafiador, em função da política comercial nos Estados Unidos e de seus efeitos, como não poderia deixar de ser, consta como fator baixista, à medida que pode gerar uma onda de recessão global e atingir os emergentes.


… Em suma, o Copom avalia que o cenário atual é marcado por desancoragem adicional das expectativas de inflação, projeções elevadas de inflação, resiliência na atividade e pressões no mercado de trabalho, exigindo uma política monetária mais contracionista.


… Não é exatamente um cenário benigno, mas o fato de estar desenhado na primeira reunião independente de Gabriel Galípolo – após o forward guidance de RCN – deve reforçar a confiança que o mercado está depositando na sua gestão frente ao Banco Central.


… Em NY, o Fed menos hawkish que o esperado, ampliou os ganhos das bolsas e do dólar, enquanto os juros dos Treasuries acentuaram as quedas com a redução do ritmo de resgate de títulos do Tesouro, de US$ 25 bilhões para US$ 5 bilhões em abril.


… Segundo Powell, foi um bom momento para desacelerar a redução do balanço patrimonial, em meio às elevadas incertezas que surgem com as tarifas comerciais do governo Trump. “É difícil saber onde isso vai levar”, disse o presidente do Fed na entrevista.


… Ele admitiu que, com as tarifas, o progresso na queda da inflação será mais demorado, mas considerou difícil, ou mesmo um “desafio”, provar que a inflação vem das tarifas, ou quanto da inflação vem das tarifas. “Saberemos isso [só] daqui a alguns meses.”


… Powell reconheceu que as leituras fortes da inflação de bens surpreendeu, causando elevação nas expectativas de curto prazo. No entanto, disse que as expectativas no longo prazo estão mais ancoradas, o que sugere que a inflação pode ser “transitória”.


… Repetiu que o Fed não precisa ter pressa para reduzir os juros, que está em boa situação para esperar e ter mais clareza do cenário.


… O ajuste no balanço patrimonial do Fed e o gráfico de pontos com as projeções dos dirigentes reduziram de três para dois o número de cortes de juro este ano. No CME, um ajuste de 50pbs é levemente majoritário, com 32%, contra 28% que ainda esperam 75pbs.


… As projeções trimestrais do Fed mostraram aumento da mediana para o núcleo do PCE de 2,5% para 2,8% no 4Tri deste ano, enquanto a mediana das estimativas dos dirigentes apontou para queda da projeção para o PIB de 2,1% para 1,7% no final de 2025.


… Questionado sobre a possibilidade de uma recessão nos EUA, Powell disse que “sempre existe”, e que “aumentaram um pouco, mas em níveis relativamente moderados”. O presidente do Fed disse que é importante “separar os sinais dos barulhos [ruídos]”.


ENFIM, O ORÇAMENTO – O senador Angelo Coronel (PSD), relator do Orçamento de 2025, confirmou a leitura de seu parecer, hoje cedo, na Comissão Mista de Orçamento. O texto será votado em seguida na CMO e pode ir ao plenário à tarde.


… Uma sessão conjunta do Congresso Nacional foi convocada às 15 horas.


… Coronel disse que a demora na votação da LOA, que deveria ter sido apreciada no ano passado, acabou sendo positiva para o governo. “Deu tempo para modificar várias rubricas, até ontem (3ªF) estavam chegando ofícios pedindo modificações.”


… O fato é que o Orçamento destravou após a aprovação da nova resolução sobre a distribuição das emendas parlamentares e do projeto de lei que revalida recursos orçamentários desde 2019, resgatando verbas do orçamento secreto.


MAIS AGENDA – Segunda prévia do IGP-M de março (8h) é o único indicador doméstico previsto para hoje.


… Como destaque, o ministro Fernando Haddad concede duas entrevistas nesta 5ªF: 1) ao programa Bom Dia Ministro, da EBC (8h), e ao vivo para a GloboNews, direto de Brasília (16h30). Ontem à noite, Haddad disse que só comentará o Copom após a Ata.


… Na zona do euro, Christine Lagarde (BCE) discursa no Parlamento Europeu à primeira hora do dia.


… No Reino Unido, a decisão de política monetária do BoE será divulgada às 9h (de Brasília).


… Assim como outros BCs, inclusive o Fed, o presidente do BoE, Andrew Bailey, já defendeu uma abordagem mais “gradual e cautelosa” da política monetária, mencionando as tarifas de Trump, que prejudicam o crescimento e afetam os cortes dos juros.


… Além do BoE, também o BC da África do Sul anuncia decisão para o juro hoje (10h).


… Nos Estados Unidos, saem pedidos de auxílio-desemprego e o índice de atividade industrial do Fed/Filadélfia de março (ambos às 9h30) e vendas de moradias usadas em fevereiro (11h).


… No Japão, o feriado do Equinócio da Primavera fechou os mercados hoje.


BALANÇOS – Automob, Brava Energia, Cemig, Cyrela, Eneva, Hapvida, Hypera, Light, Movida e Petz divulgam resultados nesta 5ªF, 20.


DON´T WORRY, BE HAPPY – Os abalados mercados de ações em NY deram um suspiro de alívio com um Fed menos hawkish do que o esperado e voltaram para o lado comprador.


… A falta de pressa do BC americano em ajustar a política monetária para qualquer lado e os dois cortes de juros ainda na mesa – mesmo com as tarifas de Trump – levaram as bolsas à melhor sessão pós-Fed desde julho passado.


… O Nasdaq avançou 1,41%, aos 17.750,79 pontos, o Dow Jones subiu 0,93% (41.965,74), o S&P 500 avançou 1,08% (5.675,34).


… Estimulado pelo bom humor lá fora e antes do Copom, o Ibovespa anotou a sexta alta consecutiva, acima dos 132 mil pontos (132.508,45) pela primeira vez desde outubro, com ganho de 0,79%. O giro foi de R$ 25,6 bilhões.


… Graças ao desempenho em março (+7,9%), a bolsa acumula alta de 10,16% no ano e está perto de zerar as perdas de 2024 (10,36%).


… Em mais um dia de queda, o dólar descolou do exterior e furou os R$ 5,65, fechando em R$ 5,6480, em baixa de 0,42%, a sétima seguida.


… Powell ajudou o câmbio doméstico e o desmonte de posições defensivas gringas prosseguiu antes de a Selic subir mais 100pb e tornar o carry trade mais atrativo. Destaque ainda para os dois leilões de linha do BC, num total de US$ 2 bilhões, com venda total dos lotes.


… Lá fora, o dólar subiu ante o euro (-0,43%; US$ 1,0899), ficou estável (-0,03%) ante a libra (US$ 1,2994) e caiu ante o iene (+0,33%, 148,796). Na média, o DXY subiu 0,18%, a 103,428 pontos.


… Na mesma toada dos últimos dias, as taxas dos DIs médios e longos caíram, desta vez com ajuda dos Treasuries, enquanto o Jan26 ficou praticamente parado (14,720%, de 14,725% na sessão anterior) à espera do Copom.


… No fechamento, o Jan/27 caiu a 14,400% (de 14,420%), o Jan/29 cedeu a 14,110% (de 14,195%), o Jan/31, a 14,280% (de 14,380%) e o Jan/33, a 14,320% (de 14,410%). O ajuste de hoje ao Copom não deve ser relevante.


… Os juros dos Treasuries inverteram o sinal e passaram a cair depois do Fed e de Powell. O menor ritmo na redução do balanço do BC dos EUA também foi lido como um sinal dovish, levando o retorno da note de 2 anos para abaixo de 4%, em 3,977% (de 4,038%).


… O rendimento da note de 10 anos recuou a 4,246% (de 4,2860%) e o do T-bond de 30 anos caiu a 4,555% (de 4,584%).


… A baixa nos juros domésticos beneficiou ações cíclicas no Ibovespa, como LWSA, +6,15% (R$ 2,76); Vamos, +5,39% (R$ 4,30), Magazine Luiza, +3,98% (R$ 10,43%).


… Petrobras ON subiu 0,48% (R$ 39,52) e PN ficou estável (-0,08%; R$ 36,16), em dia de alta moderada do Brent/maio: 0,31%, a US$ 70,78 por barril, com o impasse na guerra da Ucrânia e tensões no Oriente Médio (Iêmen).


… Vale recuou 0,17% (R$ 57,42), seguindo o minério de ferro em Dalian (-2,12%). Entre os bancos, BB cedeu 0,39%, na mínima a R$ 28,39. Os demais subiram: Bradesco ON (+1,16%; R$ 11,35) e PN (+0,89%; R$ 12,41), Santander (+1,01%; R$ 26,97) e Itaú (+0,25%; R$ 32,38).


… Destaque do dia, Vivara saltou 7,57% (R$ 19,18), após o balanço positivo do 4Tri24.


EM TEMPO… PETROBRAS venceu leilão da PPSA para 2 cargas de 500 mil barris de Itapu; cargas arrematadas pela estatal têm previsão de carregamento até julho de 2025.


MINERVA registrou prejuízo líquido de R$1,567 bilhões no 4TRI24 e reverte lucro do 4TRI23; Ebitda somou R4 944 milhões, alta de 55,8% na comparação anual…


… Companhia concluiu recompra e cancelamento de uma parcela das notas sênior (bonds); valor médio ficou em US$ 87, com desconto de 13% sobre o valor de face, e um valor total que supera os US$ 69 mil.


HAPVIDA registrou lucro líquido ajustado de R$ 514,7 milhões no 4TRI, avanço de 98,8% na comparação anual; Ebitda ajustado somou R$ 1,062 bilhão, alta de 19,4% em relação ao mesmo período de 2023.


GUARARAPES registrou lucro líquido de R$ 249,9 milhões no 4TRI, alta de 8,8% na comparação anual; Ebitda somou R$ 565,6 milhões, crescimento de 45% ante mesmo período de 2023.


WILSON SONS registrou lucro líquido de R$ 121,6 milhões no 4TRI, alta anual de 7,2%; Ebitda somou R$ 373,8 milhões, avanço de 41% em relação ao mesmo período de 2023.


POSITIVO registrou lucro líquido de R$ 14 milhões no 4TRI, queda de 92,7% na comparação anual; Ebitda somou R$ 100 milhões, recuo de 61,8% em relação ao mesmo período de 2023.


PETRORECONCAVO teve lucro líquido de R$ 32,4 milhões no 4TRI, queda de 83% ante igual período de 2023. O Ebitda foi de R$ 402,9 milhões, alta anual de 63%, e a receita líquida foi de R$ 843,3 milhões, aumento de 22% em relação ao mesmo intervalo de 2023.


CAIXA SEGURIDADE captou R$ 1,2 bilhão em oferta de ações a R$ 14,75 cada. (fontes do Broadcast)


GRUPO PÃO DE AÇÚCAR contratou empréstimo de 75 milhões de euros (R$ 479 milhões) junto ao banco holandês Rabobank para refinanciamento das dívidas com vencimento no curto prazo.

quarta-feira, 19 de março de 2025

BDM Riscala Matinal 1903

 Fed pode vir hawk e Copom, dove

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[19/03/25]


… A Superquarta concentra quatro das cinco reuniões de política monetária previstas para esta semana. Já no primeiro minuto do dia saiu a decisão do BoJ japonês, que manteve o juro em 0,50%, embora continue reforçando a mensagem de que poderá voltar a subir a taxa. Às 15h será a vez do Fed, que deve deixar o juro americano estável entre 4,25% e 4,50%. Neste caso, a grande expectativa é para o gráfico de pontos e a entrevista de Powell (15h30), que devem confirmar a cautela com as incertezas sobre o impacto das tarifas de Trump para a inflação e a economia dos Estados Unidos. Aqui também, o suspense é com o comunicado do Copom (18h30), que poderá vir mais dovish, após o aumento de 100pbs da Selic, para 14,25%. No final da noite, o PBoC da China define os juros das LPRs de 1 e 5 anos.


… O BC no Brasil deve entregar hoje a nova alta da taxa Selic, contratada ainda na gestão de Roberto Campos Neto, mas a equipe liderada por Gabriel Galípolo – quase toda indicada por Lula – tem, pelo menos, três bons motivos para relaxar a guarda.


… A desaceleração da atividade a partir do 4Tri foi amplamente comprovada pelos indicadores da indústria, do comércio e dos serviços. O câmbio abandonou o pico de estresse e se valorizou. E o mercado parou de pilhar as expectativas de inflação.


… A ênfase que o comunicado dará a esses fatores pode significar uma importante luz sobre as próximas decisões do Copom.


… Ajustada à essa expectativa, a curva de juros na B3 projeta a possibilidade de a Selic terminal não chegar até 15% (leia abaixo).


… A maioria dos economistas (em levantamento do Broadcast) ainda espera um ajuste de 75pbs, com a taxa básica a 15%, mas a boa maré dos mercados domésticos, que tem bombado o Ibov e valorizado o câmbio, pode acabar favorecendo uma aposta mais otimista.


… A Warren Investimentos considera que a Selic a 14,25% já estaria em um nível bastante restritivo e que há espaço para desaceleração do ritmo a 25pbs nas reuniões de maio e junho, o que poderia fazer o Copom encerrar o ciclo de aperto monetário a 14,75%.


… As opiniões sobre o recado do Copom hoje estão divididas entre a sinalização de um ajuste de menor magnitude e a opção de deixar em aberto a trajetória futura da Selic, a depender dos próximos indicadores de inflação e da atividade (data dependent).


… Mas para todo mundo é certo que o ciclo de aperto da Selic está com os dias contados, após a rápida alta de 300pbs desde dezembro.


… Já nos EUA, não há muitas dúvidas de que o Fomc virá hoje com uma mensagem de cautela diante dos riscos de recessão da economia. É o que os dirigentes do Fed vêm repetindo em cada oportunidade, alertando para o impacto incerto das tarifas comerciais.


… Nos futuros dos Fed Funds, investidores ainda acreditam em três cortes de 25pbs do juro neste ano, mas essa é uma aposta que já mudou muito e pode mudar muito mais. Serão dois momentos importantes: a entrevista de Powell e o gráfico de pontos.


… Os investidores querem saber o que projetam para os juros os dirigentes do Fed e quanto estão preocupados com as tarifas e os riscos que podem representar. Um sinal temido é sobre a possibilidade de uma alta da taxa, se a inflação voltar a assustar.


… Além das projeções para os juros até 2027, serão divulgadas as estimativas de inflação ao consumidor, do mercado de trabalho, do PIB.


A REFORMA DA RENDA – O projeto de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, assinado nesta 3ªF pelo presidente Lula, foi recebido com alívio pelo mercado financeiro, já que era mais do que esperado e veio redondo, sem apresentar novidades.


… É verdade que o alerta do presidente da Câmara, Hugo Mota, de que haverá modificações na proposta, causa preocupações, sobretudo se os parlamentares não garantirem a tributação dos mais ricos para cobrir os custos da medida, piorando a situação fiscal.


… Para compensar a perda de receita, estimada em R$ 25,84 bilhões em 2026, a proposta prevê mudança de regras para rendas acima de R$ 50 mil mensais, com um imposto mínimo de 10% que incidirá de forma escalonada até as rendas acima de R$ 1,2 milhão/ano.


… A medida vai possibilitar uma ampliação de receita de R$ 25,22 bilhões, além de R$ 8,9 bilhões com a tributação de 10% na remessa de dividendos para o exterior (apenas para os brasileiros domiciliados no exterior).


… Um dos receios era de que a taxa de 10% seria única e aplicada de forma adicional sobre esses contribuintes de faixas mais altas.


… Mas o projeto não prevê isso, e isso um complemento dessa alíquota, que hoje é de apenas 2,54%. Além disso, só quem ganha acima de R$ 1,2 milhão ao ano pagará a alíquota cheia de 10%. Há uma “escadinha” para as faixas anteriores.


… Quem já paga alíquota mínima nas regras vigentes não pagará nada a mais e a tributação conjunta de empresas e pessoas físicas que recebem dividendos não pode ultrapassar 34%. Caso ultrapasse, haverá devolução do IRRF sobre dividendos.


… Um outro efeito é o impacto que essa injeção de recursos para os contribuintes isentos poderá ter sobre a inflação, já que significa mais consumo, ampliando as pressões sobre os preços, juntamente com outras medidas de expansionismo fiscal.


2026 – Na tentativa de recuperar sua popularidade e salvar a reeleição, o presidente Lula politiza o discurso da isenção do IR para as faixas de renda mais baixa, como fez na visita à fábrica da Toyota, no município de Sorocaba, interior de São Paulo.


… “Sabe quem vai pagar para que possamos dar esse benefício para 10 milhões de pessoas? Apenas 141 mil brasileiros que ganham acima de R$ 600 mil por mês. […] Estamos tirando de alguém que tem muito para as pessoas que trabalham muito e não têm nada.”


… Lula levou com ele o ministro Haddad, que citou os programas sociais reabilitados, como Minha Casa, Minha Vida, Luz para Todos, e os novos, como o Pé-de-meia, a isenção do IR para rendas até R$ 5 mil e o novo crédito consignado privado.


CESSAR-FOGO PARCIAL – A notícia de que Putin concordou em suspender os ataques a alvos de infraestrutura energética da Ucrânia por 30 dias, atendendo à proposta de Trump, foi lida como um avanço para a paz, embora seja apenas um primeiro passo.


… Zelensky disse que apoia a proposta de interromper os ataques à infraestrutura energética russa, mas disse esperar que os parceiros de Kiev não cortem a assistência vital para a Ucrânia, após Putin exigir o fim de toda a assistência militar e de inteligência ao país.


… No X, o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, escreveu que “o próximo passo deve ser o cessar-fogo completo e o mais rápido possível”.


… Mais tarde, em entrevista à Fox News, o presidente Donald Trump disse que “é verdade” que seu governo tem interesse em melhorar a relação com a Rússia e com a China, que “ninguém quer que a Rússia e a China fiquem juntos”.


MAIS AGENDA – BC anunciou a realização de leilões de venda de dólares com o compromisso de recompra (linha), hoje e amanhã, com o objetivo de rolar o vencimento de 2 de abril de 2025, no total de US$ 2,0 bilhões (US$ 1 bilhão em cada operação).


… Fazenda divulga Boletim Macrofiscal (9h) e Prisma Fiscal (10h). E o BC, os dados semanais do fluxo cambial (14h30).


BRASÍLIA – Câmara aprovou ontem à noite, por 347 a 114, o projeto que autoriza a liquidação de recursos orçamentários não processados inscritos a partir de 2019, com o resgate de recursos do orçamento secreto. O PL prorroga o prazo de liquidação para o final de 2026.


… Ainda ontem, o ministro Flávio Dino (STF) intimou o Congresso e a AGU a se manifestarem em até dez dias sobre a resolução aprovada na semana passada para regulamentar a execução das emendas parlamentares.


… A resolução abre espaço para que as emendas continuem sendo indicadas por líderes partidários, sem identificar seus padrinhos.


BALANÇOS – Guararapes, Minerva, Petrorecôncavo e Positivo reportam resultados do 4Tri, após o fechamento.


LÁ FORA – A zona do euro informa o CPI de fevereiro (7h), com previsão de +0,5% (de -0,3% em janeiro). O núcleo da inflação deverá ficar em 2,6% na base anual (contra 2,7% em janeiro, na mesma comparação).


… Nos EUA, saem os estoques de petróleo do DoE na semana até 14/03 (11h30).


NA ONDA DA MARÉ – O Ibovespa completou o quinto pregão consecutivo de ganhos, voltando aos 131 mil pontos, e o dólar, seis sessões de quedas, no menor valor desde o final de outubro do ano passado, batendo R$ 5,65 na mínima desta 3ªF.


… Também os juros futuros caíram nos trechos intermediários e longos, enquanto os curtos mantiveram-se perto dos ajustes às vésperas do Copom, que pode sinalizar hoje a desaceleração do ritmo de alta da Selic, após o novo aumento de 100pbs, para 14,25%.


… A expectativa de um ciclo mais curto do aperto monetário, somada aos esforços da China para estimular a sua economia e à percepção de que o Brasil não deverá ser tão afetado pela guerra tarifária de Trump, sustentam o entusiasmo do mercado doméstico.


… Em NY, a alegria das duas últimas sessões durou pouco. As bolsas entraram, de novo, em modo liquidação em meio à cautela antes do Fed. Liderando as perdas, o Nasdaq caiu 1,71%, a 17.504,2 pontos. O dia ruim para as techs puxou as outras bolsas.


… O S&P 500 recuou 1,06% (5.614,72) e o Dow Jones cedeu 0,62% (41.581,50).


… Tesla, a big tech que mais vem perdendo valor de mercado, levou um tombo de 5,34%, a US$ 225, depois de a RBC Capital Markets cortar o preço-alvo da ação de US$ 320 para US$ 120, citando aumento da concorrência. No ano, o papel acumula -44%.


… Nvidia caiu 3,4% mesmo após apresentar planos de expandir seu reinado na IA com novos robôs e sistemas para desktops.


… O dado de produção industrial (+0,7%) acima do esperado (+0,2%) em fevereiro nos EUA e o salto nas construções de moradias iniciadas no mesmo mês (+11,2%) ficaram em segundo plano.


… Ainda mais porque os dados mostrando aumento nos preços de importação de bens pelos EUA ajudaram a azedar o humor do mercado no contexto da guerra comercial sob Trump. Esses preços subiram 0,4% em fevereiro sobre janeiro, ante expectativa de +0,1%.


… O Ibov deu de ombros para NY e subiu 0,49%, aos 131.474,73 pontos, maior nível desde 16 de outubro (131.749,72) e terceira máxima de fechamento consecutiva do ano. Ainda refletindo os estímulos econômicos na China, Vale avançou 0,74% (R$ 57,52).


… Petrobras sustentou estabilidade – ON, +0,08% (R$ 39,33) e PN, também +0,08% (R$ 36,19) – em meio à queda do Brent (-0,71%; US$ 70,56), depois que Putin concordou em suspender os ataques a alvos de infraestrutura energética da Ucrânia.


… Bancos fecharam mistos: Itaú (+0,53%; R$ 32,30) e Banco do Brasil (+0,14%; R$ 28,50) subiram, enquanto Bradesco ON caiu 0,53% (R$ 11,22) e Santander perdeu 0,48% (R$ 26,70). Bradesco PN terminou o dia praticamente estável (-0,08%, R$ 12,30).


… A maior valorização foi da JBS, com um salto de 17,8% (R$ 38,61), estimulada pelo acordo entre a controladora J&F e o BNDESPar para avançar na listagem de ações da companhia em NY.


… O movimento impulsionou outros frigoríficos. BRF subiu 7,15%, a R$ 19,64, e Marfrig, teve alta de 6,68%, a R$ 15,80.


… Na outra ponta, as maiores baixas do pregão foram de CVC (-3,47%; R$ 1,95), B3 (-3,06%; R$ 12,04) e Vamos (-2,63%; R$ 4,08).


… Ajudou a bolsa o fato de o projeto de isenção do IR para salários de até R$ 5 mil não ter embutido nenhuma novidade fiscal.


… O dólar, inclusive, fez a mínima do dia (a R$ 5,6565) durante a cerimônia de apresentação da medida pelo governo. Fechou em baixa de 0,25%, a R$ 5,6721, na menor cotação desde 24 de outubro (R$ 5,6629).


… A moeda também cedeu lá fora num dia que teve aprovação de pacote de gastos na câmara baixa da Alemanha, além de melhora nas expectativas de empresários do país. O índice ZEW avançou a 51,6 em março, de 26 em fevereiro e ante expectativa de 45.


… O euro subiu 0,56%, a US$ 1,0946. A libra avançou 0,55%, a US$ 1,3006. Na véspera do BoJ, que manteve os juros nesta madrugada, o iene ficou perto da estabilidade (+0,06%), a 149,286/US$. O índice DXY caiu 0,12%, a 103,244 pontos.


… Na B3, os DIs repetiram o movimento da véspera, com queda a partir do Jan/27, seguindo a baixa do dólar e dos yields dos Treasuries.


… O Jan/27 caiu a 14,720% (de 14,485%), o Jan/29, a 14.195% (de 14,315%), o Jan/31, a 14,380% (de 14,500%) e o Jan/33 a 14,410% (de 14,520%). O Jan/26, por sua vez, ficou perto da estabilidade, em 14,725% (de 14,745% na sessão anterior).


… Nos títulos americanos, o juro da note de 2 anos caiu a 4,039% (de 4,048%) e o da note de 10 anos recuou a 4,284% (de 4,302%.


EM TEMPO… ECORODOVIAS teve lucro líquido recorrente de R$ 206,9 milhões no 4Tri (-33,3%) e Ebitda ajustado subiu 12,3% (R$ 1,2 bilhão).


FRAS-LE registrou lucro de R$ 135,1 milhões no 4Tri (+43,8%); Ebitda somou R$ 220,4 milhões (+94,8%).


ENERGISA. Lucro líquido aos controladores aumenta 254,1% no 4Tri, para R$ 1,828 bilhão, enquanto a receita cresce 13,3% ante o 4Tri/24 e o Ebtida ajustado tem queda de 7,9% na mesma base de comparação, somando R$ 1,905 bilhão.


AZZAS (Arezzo e Grupo Soma) negou qualquer discussão sobre compra de participação, cisão ou segregação de negócios da companhia, em resposta aos rumores em torno de supostas divergências envolvendo os acionistas Alexandre Birman e Roberto Jatahy.


HYPERA foi comunicada pelos acionistas João Alves de Queiroz Filho, Maiorem e Votorantim sobre a celebração de acordo de voto para a AGO de 25/4, exclusivamente em deliberações relativas à eleição de membros do Conselho de Administração.


PRIO. Goldman Sachs passou a deter 5,06% do capital social da empresa; volume de 45.316.832 foi atingido por meio de operações de derivativos com liquidação financeira…


… Participação é um incremento sobre os 4,96% atingidos nesta 2ªF (17), cujo valor representava redução de sua antiga participação, de 5,05%.


CYRELA. BlackRock reduziu participação acionária na construtora para menos de 5%; empresa não informou valor que a gestora passou a deter; anteriormente, a BlackRock detinha 6,38% dos papéis da Cyrela, equivalente a 24.496.745 de ações.


MULTIPLAN aprovou cancelamento de 6 milhões de ações ON atualmente mantidas em tesouraria, sem redução do capital social; assim, capital social da companhia passou a ser composto por 513.163.701 de ações ON…


… Companhia aprovou a distribuição de R$ 90 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1548, com pagamento em 24/3; ex desde 5/4/24.


TOTVS aprovou a distribuição de R$ 82 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,14 por ação, com pagamento em 4/4; ex em 25/3.


WEG aprovou a distribuição de R$ 338,6 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,0807 por ação, com pagamento em 13/8; ex em 24/3.


ASSAÍ aprovou programa de recompra de até 8.000.100 de ações ON, representativas de 0,59% do total em circulação.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

STF 2

 https://www.estadao.com.br/opiniao/o-sexto-aniversario-do-inquerito-sem-fim/


"*O sexto aniversário do inquérito sem fim*


_O inquérito das ‘fake news’ chega a seis anos sem que haja qualquer perspectiva de conclusão, o que autoriza a suspeita de que se tornou um instrumento de exercício arbitrário de poder_


O Inquérito 4.781, conhecido como “inquérito das fake news”, completou seis anos de tramitação na sexta-feira passada. Instaurado em 14 de março de 2019 pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, o inquérito tinha como objetivo inicial apurar “fatos e infrações relativas a notícias fraudulentas (fake news) e ameaças veiculadas na internet que têm como alvo a Corte, seus ministros e familiares”. De lá para cá, como restou notório, uma investigação legítima foi transformada em um instrumento ilegítimo de exercício de poder monocrático pelo ministro designado relator, Alexandre de Moraes, em afronta aos mais comezinhos princípios do Estado Democrático de Direito que o mesmo STF diz defender.


Este jornal é insuspeito para fazer as críticas que tem feito à duração e, principalmente, ao sigilo imposto pelo sr. Moraes ao inquérito. O Estadão foi o primeiro veículo da chamada grande imprensa a apoiar a decisão de ofício do ministro Dias Toffoli. Afirmamos nesta página que, na condição de presidente da Corte, era dever de Dias Toffoli defender a instituição, pois “velar pelas prerrogativas do Tribunal” é uma das principais atribuições de seu presidente. E “não há dúvida”, sublinhamos, “de que ameaças a seus ministros e familiares são uma tentativa de subjugar a independência do STF” (ver editorial O sigilo do STF, 16/3/2019).


O fato de ainda termos de fazer essa memória, malgrado o ministro presidente do STF, Luís Roberto Barroso, ter reconhecido, no início de dezembro de 2024, que a conclusão do Inquérito 4.781 “está demorando” porque “os fatos se multiplicaram ao longo do tempo”, diz muito sobre a amplitude de uma investigação que, ao que parece, tem sido conduzida justamente para não ter fim – vale dizer, para ser instrumentalizada como um mecanismo de concentração de poder nas mãos de seu relator, algo que não se coaduna com a mera ideia de uma república democrática. “Fake news” e “desinformação” passaram a ser o que o sr. Moraes acha que é.


Decorrido tanto tempo, convém relembrar por que, afinal, o Inquérito 4.781 foi instaurado de ofício. O STF sofria uma onda de ataques articulados por apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro. Sob o beneplácito, quando não incentivo, do Palácio do Planalto, os ministros do STF e seus familiares passaram a ser atacados e ameaçados pelas hostes bolsonaristas como forma de tolher a independência funcional da Corte e, assim, evitar – pensavam os radicais – a interposição de barreiras legais aos desígnios liberticidas de Bolsonaro, que, à época, ainda em início de mandato, já demonstrava claramente seu inconformismo com as contenções ao exercício do poder que caracteriza qualquer democracia digna do nome.


Mas não demorou para que o STF enxergasse no Inquérito 4.781 um meio de controlar, de forma inconstitucional, o que pode ou não ser publicado na imprensa profissional e nas redes sociais sobre os ministros ou a própria Corte. Em português cristalino: por meio do Inquérito 4.781, o STF, garantidor maior das liberdades constitucionais, tornou-se um órgão de censura. Um mês depois da abertura do inquérito, o ministro relator já impunha censura ao site O Antagonista e à revista Crusoé porque os veículos publicaram uma reportagem, intitulada O amigo do amigo de meu pai, que implicava Dias Toffoli no acordo de colaboração premiada firmado pelo empreiteiro Marcelo Odebrecht. Para lhe fazer justiça, Moraes logo reconheceu seu erro e revogou a censura aos veículos, mas o gênio já havia saído da garrafa.


E assim, de abuso em abuso, de censura em censura, chega-se a quase 2,2 mil dias de uma investigação que, a despeito de sua legitimidade inicial, há muito já deveria ter sido encerrada com o indiciamento de suspeitos sobre os quais recaiam indícios de autoria e materialidade de crimes ou o arquivamento. É inaceitável, a menos que não estejamos mais sob a égide da ordem constitucional democrática, que um inquérito perdure indefinidamente – seja por sua inconsistência material, seja pela conveniência de seu relator."

STF

 https://www.estadao.com.br/opiniao/carlos-alberto-di-franco/a-nefasta-hipertrofia-do-stf/


*A nefasta hipertrofia do STF*


_Quando a Suprema Corte age como polícia, promotoria e tribunal, o risco de abuso de poder se torna evidente_


Por Carlos Alberto Di Franco  17/03/2025


"O Brasil vive tempos inquietantes. A democracia, que deveria se firmar sobre o equilíbrio entre os Poderes, vê-se ameaçada por um protagonismo exacerbado do Supremo Tribunal Federal (STF). Não se trata aqui de uma análise política, mas de um alerta institucional de quem tem consciência da enorme importância e responsabilidade da Corte Suprema.


O tribunal, que deveria ser o guardião da Constituição, tornou-se, na prática, um superpoder, extrapolando suas funções e avançando sobre as prerrogativas do Legislativo e do Executivo. A invasão de competências, longe de fortalecer a Justiça, gera insegurança jurídica e fragiliza a democracia. A liberdade de expressão, pedra angular de qualquer democracia sólida, tem sido relativizada em nome de uma suposta defesa da ordem democrática.


A censura disfarçada, sob o pretexto de “combate à desinformação”, tornou-se prática recorrente. Perfis são derrubados, jornalistas são silenciados, cidadãos são intimados sem amplo direito de defesa. O devido processo legal, princípio sagrado em qualquer nação civilizada, parece ser um detalhe incômodo diante da síndrome persecutória de um Judiciário que se transformou em ator político.


O artigo 5º da Constituição Federal estabelece, de forma cristalina, que ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. No entanto, decisões monocráticas do ministro Alexandre de Moraes têm ignorado essa garantia, impondo bloqueios financeiros, prisões arbitrárias e sanções sem a devida tramitação judicial. O inquérito das fake news, do qual o ministro é vítima, investigador e juiz, é um tiro de morte no princípio da imparcialidade, base elementar da Justiça.


O inquérito não apenas atropela o Ministério Público, que constitucionalmente tem a prerrogativa de conduzir investigações, mas também viola direitos fundamentais, impondo censura prévia e restringindo a liberdade de expressão sob justificativas nebulosas. A falta de transparência e de critérios objetivos no processo torna a perseguição política uma ameaça real. Quando a Suprema Corte age como polícia, promotoria e tribunal, o risco de abuso de poder se torna evidente.


Um dos pilares do Estado de Direito é a previsibilidade jurídica. No entanto, o STF tem reiteradamente modificado entendimentos sobre o foro privilegiado sem qualquer respaldo legislativo. A Constituição estabelece regras claras sobre o foro especial para determinadas autoridades, mas o Tribunal, apoiado em crescente politização, reconfigura o ordenamento jurídico sem o devido processo legislativo. Lula, ex-presidente, foi, corretamente, julgado em primeira instância. Agora, Bolsonaro, também ex-presidente e sem foro privilegiado, será julgado pelo STF. Como salientou o ex-ministro Marco Aurélio Mello, o STF, pior do que acontecia na época do regime de exceção, se declarou competente para as ações penais relativas ao 8 de Janeiro. E, até o momento, não existe detentor da prerrogativa de ser julgado criminalmente pelo STF. Decisão extravagante que, mais uma vez, corrói a credibilidade da Corte.


Ao atropelar competências do Congresso Nacional e reinterpretar dispositivos constitucionais conforme interesses momentâneos, o STF age como legislador e compromete a harmonia institucional. O império das leis cede espaço ao império das vontades.


Outro ponto que revela o ativismo preocupante do STF é a sequência de decisões que favorecem a impunidade. A Operação Lava Jato, responsável por revelar esquemas bilionários de corrupção, sofreu sucessivos golpes vindos da Corte. Decisões anulando condenações, reinterpretando prazos prescricionais e desqualificando colaborações premiadas desmontaram a maior iniciativa anticorrupção da história do País.


O mais emblemático desses retrocessos veio com as decisões do ministro Dias Toffoli, que reescreveram a história recente ao declarar nulos processos inteiros, sob a justificativa de supostas irregularidades.


A Transparência Internacional denunciou recentemente à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) o que classificou como um “desmonte das políticas de combate à corrupção” no Brasil.


Réu confesso, Antonio Palocci fechou acordo de colaboração premiada e delatou propinas de R$ 333,59 milhões supostamente arrecadas e repassadas por empresas, bancos e indústrias a políticos de diferentes partidos durante os governos de Lula e Dilma. Pois bem, os crimes foram apagados por uma canetada de Dias Toffoli. Com uma ponta de compreensível melancolia, a Transparência Internacional encerra sua denúncia com a seguinte constatação: “Se o Brasil antes exportava corrupção, agora exporta impunidade”.


É imperativo que o Congresso Nacional retome seu protagonismo e que a sociedade civil esteja atenta. O Brasil precisa de um STF forte, mas dentro dos limites institucionais que a Constituição impõe. A Justiça só cumpre seu papel quando é imparcial e previsível. Quando o arbítrio se traveste de legalidade, a liberdade se torna refém da força. O Brasil precisa despertar. Ainda há tempo."

Bankinter Portugal Matinal 1903

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, Europa conseguiu subir +0,7%, apesar das quedas nos EUA (-1,1%), graças à aprovação por parte do Congresso alemão (Bundestag) da flexibilização do limite da dívida, que abre a porta a um aumento de investimento em defesa e a um plano de infraestruturas de até 500.000M€ a 10 anos. O otimismo gerado por estas medidas vê-se também refletido no ZEW alemão, que melhorou em março até se situar próximo a níveis pré-guerra da Ucrânia (51,6 desde 26,0 ant.). 


Hoje, a atenção está na Fed (18 h). É praticamente certo que manterá taxas de juros no intervalo 4,25%/4,50%, mas o realmente importante será a revisão do quadro macro, num momento em que a preocupação se foca no impacto das medidas alfandegárias de Trump sobre o crescimento. O mais provável é que reveja em baixa o crescimento, desde +2,1% estimado na última revisão para 2025, e em alta a inflação, desde +2,5% anterior. Isto permitirá a Powell manter o tom hawkish das suas últimas comparências. Também em bancos centrais, conhecemos esta madrugada a decisão de taxas de juros do BoJ, que as manteve sem alterações em +0,50% (em linha com o esperado), com uma mensagem cautelosa apesar de uma inflação que se situa em +4% em janeiro. Outro banco central que prefere esperar para ver as consequências das políticas alfandegárias antes de dar os próximos passos. Este será o tom geral a partir de agora entre os principais bancos centrais.


O mais provável é que as bolsas retrocedam hoje. Num contexto de menor crescimento económico, taxas de juros altas durante mais tempo e prémios de risco ainda elevados, há poucos argumentos para que as bolsas subam.


S&P500 -1,1% Nq100 -1,7% SOX -1,6% ES-50 +0,7% VIX 21,7% +1,19pb. Bund 2,82%. T-Note 4,28%. Spread 2A-10A USA=+24,0pb B10A: ESP 3,43% ITA 3,86%. Euribor 12m 2,42% (fut.12m 2,3%). USD 1,091. JPY 163,2. Ouro 3.035$. Brent 70,1$. WTI 67,5$. Bitcoin -2,3% (82.014$). Ether -1,6% (1.905$).


FIM

Ouro se valorizando

 https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/01/ouro-pode-valer-40-vezes-mais-se-dolar-perder-status-de-moeda-de-reserva-global.ghtm...