segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Bankinter Portugal Matinal 0301

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Esta semana arranca distorcida, embora coincidam alguns desenvolvimentos macro e corporativos pró-mercado. As bolsas tinham ganho serenidade, pouco a pouco e mais rápido do que o esperado, mas hoje não será um bom exemplo disto, porque a entrada em vigor das subidas de impostos alfandegários dos EUA ao Canadá, México e China resultará numa segunda-feira de impacto, com quedas nas bolsas, fortes perdas em criptomoedas, apreciação do dólar e redução das yields das obrigações, que atuarão como refúgio. O receio das consequências de uma possível guerra comercial resultará numa semana em baixa e errática. 

 

No plano mais concencional, hoje sairá a inflação europeia a repetir em +2,4%, mas talvez a Taxa Subjacente melhore uma décima, até +2,6%. Os dados de emprego americano que saem ao longo da semana serão um pouco menos sólidos perante a redução da atividade económico na Califórnia devido aos incêndios. É provável que a Criação de Emprego Não Agrícola de sexta-feira se reduza até ca.150k vs. 256k anterior, com os Ganhos Pessoais a abrandar até +3,8% desde +3,9%. Essa perda de solidez influenciará a favor da Fed voltar a baixar taxas de juros. Além disso, o britânico BoE baixará -25 p.b. na quinta-feira, até 4,50%, e isso talvez ajude um pouco as obrigações e as bolsas. Por fim, a progressiva melhoria de resultados corporativos influenciará no mesmo sentido.  

 

Mas, perante a sensação de uma guerra comercial, as bolsas sofrerão até se comprovar o alcance real dos danos. E é impossível quantificar agora o alcance desses danos, embora provavelmente sejam muito inferiores ao que os futuros do início da manhã transmitem: S&P500 -1,9%, Nq-100 -2,4%, Stoxx600 -2%...  

 

S&P500 -0,5% Nq-100 -0,1% SOX -0,3% ES-50 +0,1% IBEX -0,4% VIX 16,4 Bund 2,46% T-Note 4,52% Spread 2A-10A USA=+28pb B10A: ESP 3,11% PT 2,97% FRA 3,20% ITA 3,55% Euribor 12m 2,519% (fut.2,232%) USD 1,03 JPY 160,0 Ouro 2.785$ Brent 76,5$ WTI 73,9$ Bitcoin -10% (94.167$) Ether -22,9% (2.520$). 

 

FIM

BDM Matinal Riscala 0302

 Escalada tarifária de Trump renova tensão

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[03/02/25]


… As tarifas de 25% impostas pelos EUA ao México e Canadá, e de 10% à China –oficializadas no sábado– afundavam os futuros das bolsas de NY e disparavam o petróleo no pregão asiático. Depois de um início de governo mais amigável, Trump está vindo com tudo. Já ameaçou taxar também os produtos importados da União Europeia, “em breve”. A crise ganha dimensão na semana de agenda movimentada, com a volta dos mercados chineses do feriado do Ano Novo Lunar (na 4ªF), o payroll de janeiro (6ªF) e os balanços de mais duas magníficas: Alphabet e Amazon. Aqui, Petrobras divulga hoje à noite o relatório de produção e vendas do 4Tri. A temporada de resultados começa com os grandes bancos: Santander e Itaú (4ªF) e Bradesco (6ªF). Além disso, a ata do Copom (amanhã) reserva bastante expectativa.


… O BC optou por não se comprometer com um novo guidance e deixou maio em aberto, ganhando liberdade para operar as incertezas da conjuntura externa e do cenário doméstico, com a inflação desancorada, o esfriamento da atividade e as desconfianças fiscais.


… Lá fora, a guerra comercial armada por Trump pede cautela e já leva a contra-ataques, potencializando os riscos.


… As tarifas ao Canadá, México e China entrarão em vigor a partir de amanhã (3ªF).


… O governo de Trudeau já revidou no próprio sábado, impondo também 25% sobre produtos americanos. De um total de US$ 155 bilhões, US$ 30 bilhões entrarão em vigor amanhã (3ªF) e US$ 125 bilhões em 21 dias.


… Em conversa com repórteres na noite deste domingo, Trump alertou que, se o Canadá retaliar, Washington pode colocar novas tarifas sobre o país. Ele vai conversar hoje de manhã com o primeiro-ministro canadense.


… Em entrevista à ABC News neste domingo, a embaixadora do Canadá nos EUA, Kirsten Hillman, disse que o governo ainda tem esperança de que as tarifas americanas contra o país não entrem em vigor amanhã.


… “Estamos prontos para continuar conversando com o governo Trump sobre isso”, declarou, assegurando que o governo canadense não está interessado em uma escalada na política protecionista contra os EUA.


… Segundo ela, os canadenses estão “perplexos e chocados” com as tarifas impostas pelos EUA.


… Trump também informou que vai se reunir hoje com o governo do México, que havia prometido para esta 2ªF as primeiras medidas contra as tarifas, enquanto a China anunciou que processará os EUA na OMC.


… A UE também não deve escapar das garras de Trump, que ameaça com “algo substancial em breve”. A Comissão Europeia promete dar o troco e responder “firmemente a tarifas injustas ou arbitrárias”.


… Trump ainda prometeu taxar chips e disse que as tarifas sobre o petróleo, gás, aço, alumínio e cobre deverão ser aplicadas até dia 18.


… Diante da artilharia de Trump, o Goldman Sachs enviou relatório para clientes neste domingo em que reconheceu que “o panorama é incerto”, mas avaliou que provavelmente as tarifas impostas serão temporárias.


… Reportagem da Reuters aponta para o risco de um novo abalo no humor do mercado hoje, diante dos riscos que as investidas de Trump representam para as pressões inflacionárias e menor crescimento econômico global.


… No câmbio, o dólar subia ante rivais, com o índice DXY em alta de 1,21%, acima de 109 pontos, e frente às moedas dos emergentes, com destaque para a desvalorização do dólar canadense e do peso mexicano, os primeiros atingidos pelas tarifas.


MAIS AGENDA – A troca de chumbo de Trump eleva as incertezas sobre os próximos passos do Copom, que já contratou nova alta de 1pp da Selic em março, mas ainda tem bastante tempo para decidir o que fazer até maio.


… Parte do mercado passou a especular com a chance de o ciclo de aperto terminar ainda neste primeiro semestre, porque o BC citou a desaceleração da atividade e não se comprometeu com novo guidance, apesar da inflação alta. 


… O investidor vai tentar ler na ata se o BC foi mesmo dovish no comunicado ou só mais cuidadoso nas palavras. Além disso, o mercado ficará de olho em Galípolo, que deve palestrar na 5ªF em evento do BIS na Cidade do México.


… No calendário dos indicadores domésticos, destaque para a produção industrial de dezembro (4ªF), neste momento em que uma série de dados já aponta para uma desaceleração no ritmo de crescimento da economia.


… Do lado da inflação, saem os resultados fechados de janeiro do IGP-DI (6ªF), IPC-Fipe (3ªF) e IPC-S, hoje (8h), quando deve aliviar para 0,06% (mediana de pesquisa Broadcast), contra alta de 0,31% em dezembro.


… Na última 6ªF, diante da volta da cobrança do ICMS pelos Estados, a Petrobras confirmou um reajuste de 6,3% no preço do diesel. Economistas projetam impacto praticamente nulo sobre o IPCA deste ano (+0,01 pp).


… Porém o impacto indireto sobre alimentos, transportes e energia pode provocar o espalhamento da inflação.


… Os dados fechados da balança comercial de janeiro estão programados para 6ªF. Hoje é dia de Focus (8h25). 


EM BRASÍLIA – Lula recebe hoje, às 10h, os presidentes eleitos da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. A nova cúpula do Congresso indica que pretende seguir um caminho conciliatório.


… Analistas ouvidos pelo Broadcast apostam que o comando de Motta, que assumiu falando em responsabilidade fiscal e defendendo as emendas, tende a ser mais favorável à agenda de Lula e de Haddad.


… O deputado possui boa relação política com Padilha, responsável pela articulação do governo no Congresso.


… “Mas não será um mar de rosas. Lula tem que manter o esquema das emendas parlamentares funcionando”, como resumiu o cientista político e professor da Escola de Economia de São Paulo da FGV, Eduardo Grin.


… Lula parabenizou Motta e Alcolumbre e falou em ampliar a parceria “exitosa” entre Executivo e Legislativo.


… Hoje à tarde (14h), o presidente e Haddad participam da sessão solene de abertura do Ano Judiciário, no STF. Na sequência (16h), o ministro da Fazenda vai à sessão conjunta do Congresso que inaugura o ano legislativo.


… Em meio à crise de popularidade do governo, sai hoje nova pesquisa presidencial Genial/Quaest.


… Segundo Lauro Jardim (O Globo), o presidente Lula continua muito competitivo, mesmo com a piora na avaliação do governo, depois que a reprovação ultrapassou a aprovação no levantamento anterior.


… A pesquisa de hoje testará pela 1ª vez Gusttavo Lima e Eduardo Bolsonaro como opções da direita.


FISCAL SEMPRE EM ALERTA – Reportagem do Estadão de domingo aponta que os gastos não incluídos no Orçamento/25 pelo governo podem diminuir ou até mesmo anular os efeitos do pacote fiscal aprovado.


… O Orçamento, enviado em agosto do ano passado pelo Poder Executivo, ainda não foi aprovado pelo Legislativo, porque a crise das emendas atrasou a votação, que só deve ser retomada após o carnaval.


LÁ FORA – O BC inglês (BoE) divulga decisão de política monetária na 5ªF. No mesmo dia, o México decide juro.


… Nos EUA, além dos balanços de Alphabet (3ªF) e Amazon (5ªF), o emprego disputa atenção na agenda. Antes do payroll de janeiro (6ªF), saem o relatório Jolts (3ªF) e pesquisa ADP do setor privado (4ªF).


… Hoje, saem o PMI industrial medido pela S&P Global (11h45) e ISM (12h) em janeiro, além dos investimentos em construção em dezembro (12h). O Tesouro divulga às 17h as estimativas trimestrais de empréstimo federal.


… Entre os Fed boys, Raphael Bostic (14h30) e Alberto Musalem (20h30) participam de eventos nesta 2ªF.


… A Opep se reúne hoje para revisar as restrições de fornecimento.


… Ainda nesta 2ªF, o PMI industrial será divulgado na zona do euro (6h), Alemanha (5h55) e Reino Unido (6h30). O CPI da zona do euro sai às 7h.


CHINA HOJE – O PMI/S&P Global industrial caiu a 50,1 em janeiro (final), de 50,5 em dezembro. Amanhã (3ªF) à noite, sai o PMI/S&P Global composto de janeiro. No sábado, tem inflação na China.


JAPÃO HOJE – O PMI industrial recuou a 48,7 em janeiro, contra 49,6 em dezembro. Foi o sétimo mês consecutivo de queda na atividade do setor e o ritmo de contração mais intenso desde março do ano passado.


NÃO SE ABALOU – O dólar chegou à décima queda seguida na 6ªF, na onda do carry trade, atraente para o investidor gringo, e na contramão da moeda no exterior, que subiu após o tarifaço de Trump.


… Na mínima do dia, o dólar por aqui desceu a R$ 5,81 (-0,70%).


… Houve certa volatilidade antes da formação da Ptax, mas a queda se manteve à tarde, com a moeda fechando em baixa de 0,28%, a R$ 5,8366. Na semana, caiu 1,39%; no mês, o recuo foi de 5,56%, o maior desde junho/23 (-5,59%).


… O otimismo de janeiro se estendeu aos juros, que caíram cerca de 100pb, e à bolsa, que teve o primeiro mês positivo após quatro no vermelho.


… Matéria da repórter Aline Bronzati/Broadcast, na 6ªF, mostrou que investidores estrangeiros começam a enxergar um ponto de entrada em determinados ativos brasileiros, apesar do fiscal.


… No momento, o interesse beneficia ativos menos arriscados, mas pode aumentar se houver medidas que contenham o crescimento da dívida e deem mais clareza sobre a trajetória fiscal, segundo banqueiros e executivos.


… Em novo sinal de desaquecimento da economia, a taxa de desemprego no 4Tri24 ficou acima (6,2%) do esperado (6,0%), a 1ª alta após oito quedas seguidas.


… Nos juros, a ponta curta reagiu ao estresse nos Treasuries depois de confirmadas as tarifas dos EUA sobre México, Canadá (25%) e China (10%) e ao reajuste de 6,3% no preço do diesel pela Petrobras.


… Os DIs médios e longos encontraram apoio na queda do dólar e caíram. Também foram amparados pelo déficit um pouco menor do setor público consolidado em 2024, de R$ 47,5 bilhões, contra expectativa de R$ 48,8 bilhões.


… O DI para janeiro de 2026 subiu a 14,940% (de 14,855% no fechamento anterior) e o Jan/27 avançou a 15,035% (14,980%). Já o Jan/29 caiu a 14,775% (14,865%); Jan/31, a 14,720% (14,870%); e Jan/33, a 14,670% (14,850%).


SEM ÍMPETO – Tudo ia bem no Ibov até o meio da tarde, quando Trump confirmou as tarifas sobre seus principais parceiros comerciais. O anúncio dragou as bolsas de NY e levou junto o índice brasileiro.


… Nem Petrobras, em alta após o reajuste do diesel, salvou o dia.


… O Ibov encerrou em baixa de 0,61%, aos 126.134,94 pontos e giro de R$ 21,6 bilhões. Mas na semana subiu 3,01% e, em janeiro, acumulou ganho de 4,86%, a primeira valorização mensal desde agosto passado.


… Petrobras ON subiu 0,68% (R$ 41,65) e PN teve alta de 0,80% (R$ 37,69), após aumentar em R$ 0,22 o litro (+6,3%) do diesel nas refinarias.


… O combustível estava sem reajuste havia 401 dias. Segundo o Citi, a defasagem ante o mercado internacional caiu de 11% para 4%. Nas contas do BTG, recuou de 10% para 3%.


… Ação da petroleira foi na contramão do Brent/abr, que recuou 0,28%, a US$ 75,67.


… Vale, por sua vez, afetada pela tarifa contra a China, cedeu 1,56%, a R$ 54,17.


… Bancos ficaram mistos. Itaú fechou na mínima, em R$ 33,81 (-0,65%). Bradesco PN caiu 0,41% (R$ 12,09) e Bradesco ON perdeu 0,27% (R$ 11,02). Santander ganhou 0,89% (R$ 25,96) e Banco do Brasil subiu 0,14% (R$ 27,68).


… No topo do ranking positivo, Totvs avançou 4,45% (R$ 34,06). Na outra ponta, Vibra Energia caiu 5,07% (R$ 16,86), após rebaixamento pelo Goldman Sachs, de compra para neutro.


COLOCOU NO PREÇO – A confirmação de que os EUA iriam impor tarifas de importação sobre México, Canadá e China no sábado acabou com a festa dos mercados em NY na 6ªF.


… Os ativos iniciaram o dia bem, mas o caráter imprevisível de uma eventual guerra comercial provocou fuga do risco na segunda metade do pregão.


… As bolsas caíram, o dólar e os juros dos Treasuries subiram, com a note de 10 anos firme acima dos 4,5%.


… No fechamento de NY, o Dow Jones caiu 0,75%, aos 44.544,66 pontos; o S&P 500 cedeu 0,50% (6.040,53) e o Nasdaq perdeu 0,28% (19.627,44). Na semana, o Dow subiu 0,27%, o S&P 500 baixou 1,00% e Nasdaq, -1,64%.


… No mês, as bolsas subiram de forma expressiva, puxada por dados que reforçam a solidez da economia americana e um início de governo Trump menos turbulento que o esperado (agora desandou).


… O Dow subiu 4,70%, o S&P 500, +2,70% e o Nasdaq, +1,64%.


… Na 6ªF, as declarações de Trump acabaram deixando em segundo plano os dados que mostraram aceleração menor que a esperada no custo de mão de obra e a inflação em linha com o previsto nos EUA, embora mais alta.


… O PCE, o índice preferido do Fed, acelerou para 0,3% em dezembro, de 0,1% em novembro, mas ficou dentro do esperado. O mesmo na comparação anual. Subiu de 2,4% para 2,6%, dentro do previsto.


… O núcleo do índice também não trouxe surpresas. Avançou a 0,2%, de 0,1% em novembro, e no confrontou anual repetiu a taxa de 2,8%.


… Os gastos com consumo subiram 0,7% no mês, acima da previsão de 0,5% e da taxa de 0,4% em novembro. A renda pessoal cresceu 0,4%, dentro do esperado, e acima do 0,3% de um mês antes.


… De uma forma geral, os que reforçaram a postura do Fed de não ter pressa em cortar o juro.


… Na esteira das políticas protecionistas de Trump, que podem estimular a inflação, o juro da note de 10 anos subiu a 4,551% (de 4,515%) e o do T-Bond de 30 anos foi a 4,803% (de 4,761%). O da note de 2 anos ficou estável (4,203%).


… O índice DXY subiu 0,53%, a 108,356.  O euro caiu 0,26%, a US$ 1,0383. A libra cedeu 0,18%, a US$ 1,2410. O iene recuou 0,63%, a 155,202/US$, devolvendo o ganho da véspera.


… Apesar do aumento da aversão ao risco, o peso mexicano teve leve apreciação, enquanto o dólar canadense apresentou um pequeno recuo.


EM TEMPO… PETROBRAS recebeu R$ 1,025 bi da Prio por pagamento contingente (“earnout”) do preço do petróleo de 2024; pagamento corresponde à última parcela recebida pela venda de Albacora Leste.


JBS. Itaú BBA projetou Ebitda ajustado de R$ 9,7 bilhões no 4TRI da companhia, o que posicionará a empresa no topo do seu guidance para 2024.


NATURA informou que seu acionista fundador, Guilherme Peirão Leal, reduziu sua participação na empresa de 7,166% para 4,166%…


… A redução, quando efetivada, será por meio da doação de ações ON a seus filhos, com reserva do usufruto vitalício da integralidade dos respectivos direitos políticos e econômicos; cada um dos donatários passa a deter 1%…


… Leal tem ainda o usufruto político e econômico de 6,54% das ações cuja propriedade é de seus filhos Felipe e Ricardo, totalizando uma fatia de 13,1%.


EZTEC acertou capitalização de R$ 130 milhões em troca de 47% da Adolpho Lindenberg.


TENDA. JPMorgan atingiu participação de 5,03% das ações ON.


ALLOS fará resgate antecipado de debêntures da 5ª emissão no dia 14/2.


CAIXA SEGURIDADE. Oferta de ações deve ser lançada este mês, de acordo com fontes do Broadcast. A ideia é levar a operação a mercado após a publicação do balanço da companhia, prevista para a segunda semana de fevereiro.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Elena Landau

 


Mônica de Bolle 3101

 De: Monica De Bolle from Here’s a Thought <bolle@substack.com>

Data: 28 de janeiro de 2025 

Assunto: Anotações do Caos



[...]

Tenho me mantido longe das notícias e mais longe ainda das notícias das notícias. Dessa vez, estou preferindo experimentar o caos sem qualquer elaboração intelectual—às vezes, ou quase sempre, a mente atrapalha. Emoções se misturam com pensamentos e o intangível ganha forma física. A queimadura da indignação, o suor frio da paranoia, a constrição no peito e nas vísceras da ansiedade. Quando me dei conta de que estava vivendo assim há anos resolvi parar. Infelizmente, a decisão coincidiu parcialmente com o retorno de Trump à Casa Branca.


Imagino que andem lendo por aí as notícias das notícias, ou a reinterpretação de analistas e jornalistas locais sobre aquilo que se passa no império em crise. O populismo é invariavelmente sintoma de degradação. O processo de degradação de um país é gradual, lento, modorrento até. Países não desaparecem após sofrerem degradação, às vezes nem por transformações passam. Mas isso não importa, pois poucas coisas na vida se resumem a resultados. São os processos que ditam ritmos e fluxos. A degradação norte-americana que já se estende por algumas décadas é visível para qualquer pessoa que tenha alguma intimidade com esse país. Na degradação surgem as piores qualidades de uma sociedade. No caso da norte-americana, essas são a hipocrisia, a paranoia, o culto ao dinheiro, o bangue-bangue, a truculência nas relações interpessoais, tenham elas o grau de intimidade que for. A figura do “Ugly American” está personificada no homem que ocupa a Casa Branca e isso não é novidade.

[...]

Voltando a Trump. Tudo que vocês estão lendo realmente está acontecendo. Para além do que vocês estão lendo, há apatia e resignação. Boa parte dessa semi-catatonia se deve à implosão dos Democratas, muito semelhante ao PSDB. Aliás, o que não falta são as semelhanças com a América Latina. Não fosse a região tão presa aos seus complexos de inferioridade, talvez soubesse reconhecer-se como inspiração Trumpista. Trump é familiar para nós pois como ele já tivemos muitos. Essa familiaridade traz uma impressão equivocada de escárnio em alguns setores de nossas sociedades. Digo que o escárnio é equívoco pois ele tende a dar um verniz de bobagem ao caos. O caos nunca deve ser subestimado, mesmo quando o populista é meio burro. Trump não é burro.


Se vocês estão lendo esse artigo atrás de especulações, adianto: não faço. Querem saber o que eu acho que vais se passar por aqui? Pois bem, não sei. Se quiserem respostas prontas, leiam as notícias das notícias e as opiniões infundadas, uma quase redundância nos dias de hoje. A única coisa que sei é que a inflação nunca deixa ninguém na mão. Não sei dizer exatamente o que Trump haverá de colher de suas ações, mas sei que as principais serão (e já são) inflacionárias.


Tomem a questão migratória. Independetemente do que o governo Trump consiga viabilizar, ele já promoveu um imenso choque de oferta. Incerteza, dúvida e medo estão tirando trabalhadores das colheitas, dos serviços, das atividades que nenhum norte-americano com certos atributos quer fazer. As pessoas afetadas pela política e pela retórica de Donald Trump atuam nas áreas mais sensíveis para o bolso da população, aquelas que figuram de modo proeminente nos índices de preços. Pressionados pelo choque de oferta migratório e pela epidemia de gripe aviária que deixou de ser monitorada por ordem presidencial, os preços dos alimentos deverão subir expressivamente nos próximos dois meses. Está aí algo que o populista Trump não aprendeu com seus pares mais antigos da América Latina: inflação derruba populistas. Quando não derruba, trava as agendas de “reforma” pois a inflação é o caos em sua forma mais eficiente e arrasadora. Para um governo que criou um departamento, ou ministério, para garantir a tal eficiência, ela se revelará plena na capacidade ímpar de gerar inflação.


Os próximos capítulos devem trazer mais cenas familiares. Por exemplo, as reclamações de Trump quando o Fed resolver interromper o ciclo de quedas de juros. Será que as notícias das notícias tratarão as implicâncias de Trump com Jerome Powell do mesmo modo que trataram as falas de Lula sobre a atuação de Bob Fields Neto? Fiquem de olho por aí e mandem notícias das notícias das notícias. Ou melhor, nada mandem. Só observem. Faz-se muito pouco disso hoje em dia, observar. Todo mundo quer falar, influenciar, sacudir, chacoalhar. É sempre melhor observar. O problema da observação é que ela não traz frutos materiais, portanto existe uma escolha. Escolham bem.

Alex Ribeiro 3101

 ANÁLISE: PIB e venda de dólares ajudaram a conter avanço da dívida bruta


Alex Ribeiro De São Paulo

Há cerca de um ano, os analistas econômicos estimavam que a dívida bruta do governo geral fosse fechar em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Hoje, tomou-se conhecimento, pelos dados oficiais do Banco Central, que a dívida ficou em 76,1% do PIB. Onde está o erro?

Dois fatores principais que não estavam nas contas da mediana dos analistas ajudaram a puxar a dívida bruta para baixo: o crescimento mais forte do que o esperado do Produto Interno Bruto (PIB) nominal e as pesadas vendas de dólares feitas pelo Banco Central no ano passado.


No início de 2024, os analistas econômicos esperavam que o PIB crescesse 2% reais e que a inflação pelo IPCA ficasse em 1,55%. Hoje, a estimativa de PIB real está em 3,49% para o ano passado, e a inflação medida pelo IPCA chegou a 4,83%.


Isso faz uma boa diferença no cálculo da relação dívida/PIB. A dívida bruta fechou o ano de 2024 em R$ 9,984 trilhões, uma expansão nominal de 11,2% no ano. Já o PIB cresceu 7,92%, chegando a R$ 11,810 trilhões.


Fazendo uma regra de três entre a dívida bruta e o PIB, chega-se a uma relação entre dívida e PIB de 76,1%. O avanço do PIB nominal teve um efeito baixista de 5,4 pontos percentuais do PIB na dívida bruta. Se o PIB real tivesse crescido menos, como previsto pelo mercado, e se a inflação fosse menor, a dívida teria crescido para mais de 78% do PIB.


Outro fator que teve uma grande influência em segurar o avanço do endividamento foram as vendas de dólares que o Banco Central fez em dezembro - e também ao longo do ano - para lidar com um surto de fuga de capitais estrangeiros do Brasil.


O Banco Central vendeu US$ 36,260 bilhões ao longo de 2024, dos quais US$ 21,260 bilhões de forma definitiva e US$ 15 bilhões em linhas de dólares, que depois voltam às reservas internacionais. Essa venda de dólares possibilitou que o governo reduzisse em R$ 212,477 bilhões a sua dívida bruta, por meio da redução de operações compromissadas. Sem essas operações, a dívida bruta seria 1,8 ponto percentual do PIB maior no fechamento de 2024.


Os analistas econômicos não deixaram de prever apenas fatores que baixaram a dívida, mas também fatores altistas para o endividamento.


O mercado não antecipou as pressões inflacionárias e, portanto, que o Banco Central teria que não só parar o ciclo de redução da Selic, como também aumentá-la. O consenso era que a Selic fosse encerrar 2024 em 9% ao ano, mas, no fim, ficou em 12,25% ao ano.


Isso fez com que os encargos com a dívida pública superassem o antecipado. Pelos dados divulgados hoje pelo Banco Central, somaram R$ 950 bilhões, ou o equivalente a 8,05% do PIB. Pelas previsões dos analistas econômicos no início de 2024, deveriam ter ficado em 6% do PIB.


Uma parte do erro de previsão nas estimativas do gasto com juros está ligada à desvalorização não antecipada do real ante o dólar. No início de 2024, os analistas achavam que o dólar fosse encerrar o ano em R$ 5,00, mas acabou ficando em R$ 6,19.


Essa alta do dólar teve efeito negativo na dívida bruta de cerca de 2 pontos percentuais do PIB. Cerca de 1 ponto do PIB está ligado ao pagamento de R$ 116 bilhões que o Banco Central fez ao mercado em seus swaps cambiais, que integram os encargos da dívida bruta. Houve ainda um impacto altista de 1 ponto percentual no estoque da dívida externa bruta, quando convertida em reais.


Entre todos os erros de previsão, o mais importante, do ponto de vista da dinâmica de longo prazo da dívida, foi o fato de o mercado ter superestimado o déficit primário em 2024. Pelo Boletim Focus, a mediana da projeção era 0,8%, e, no fim das contas, ficou na metade disso.


Esse é o indicador mais importante porque, no fim das contas, é o que os governos podem ajustar para se contrapor a outros fatores que fazem a dívida subir, como ciclos econômicos menos favoráveis, quando a economia cresce menos, quando o BC tem que subir os juros para combater um ciclo inflacionário ou quando o dólar tem que subir para fazer um ajuste de preços relativos.


O erro de previsão do mercado para o déficit primário pode ser explicado por vários fatores. Como a economia e a inflação cresceram acima do esperado, o mercado acabou subestimando a arrecadação. O governo também lançou mão de algumas receitas extraordinárias que não estavam nas contas dos analistas. Os especialistas também estavam céticos, no começo do ano, de que o presidente Lula fosse autorizar que a Fazenda fizesse um contingenciamento de despesas.


O fato de a dívida pública ter subido menos do que se esperava é positivo, porque, neste ano de 2025, o ponto de partida é mais baixo. Mas será mais difícil que os fatores que ajudaram a contê-la se repitam. Com a economia sobreaquecida, há menos espaço para o PIB crescer, e o BC fez um aperto monetário para esfriá-la.


A devolução dos US$ 15 bilhões das linhas de dólares feitas pelo BC deve provocar uma pressão altista de perto de 1 ponto do PIB na dívida bruta. Além disso, o ano começa com juros nominais mais altos. Pode ter surpresas baixistas para a dívida? Sim, uma delas é uma aceleração mais forte do que o esperado da inflação e outro um novo desempenho acima do esperado do PIB. Nesses dois casos, porém, a Selic deve se manter alta.

Incerteza econômica

 


JP Morgan

 🇧🇷 *J.P. MORGAN: BANCO ACREDITA QUE MOMENTO DO BRASIL JÁ PASSOU*


O J.P. Morgan mantém uma visão cautelosa sobre o Brasil, destacando que o mercado brasileiro é mais propício para operações de curto prazo do que para investimentos de longo prazo, devido ao encurtamento dos ciclos econômicos. A instituição rebaixou sua recomendação para "Neutro" em novembro, observando uma posterior queda do mercado brasileiro e um desempenho superior do México. 


O banco acredita que o melhor do rali já passou, com o real sendo negociado próximo ao seu valor justo e sem grandes perspectivas de valorização sem avanços significativos no cenário doméstico. Apesar de valuations atrativos, desafios como inflação crescente, desaceleração econômica, incertezas fiscais e impactos da política monetária restritiva seguem como entraves. Embora haja possibilidade de surpresas positivas, como uma inflação mais controlada ou avanços fiscais, o Brasil, isoladamente, não é um catalisador forte para atrair investidores.


#Notícias #TradeNews

Simon Schwartzman