terça-feira, 17 de março de 2026

Alex Ribeiro

 *Master usou empresa ligada a cartel de licitações em desvio*


Fornecedora de kits escolares, artigos para o Exército e cisternas tomou crédito atípico e repassou R$ 385 milhões a fundo da Reag


Por Alex Ribeiro — De São Paulo 16/03/2026 05h03


O Banco Master usou uma empresa ligada a um cartel de licitações públicas para fazer o desvio de R$ 385 milhões de recursos captados de depositantes para fundos administrados pela Reag, revela um levantamento feito pelo Valor em documentos públicos, a partir da comunicação do Banco Central ao Ministério Público sobre operações de crédito supostamente fraudulentas.


*A EBN Comércio, Importação e Exportação Ltda. e o seu controlador, Julio Manfredini🚨*, têm forte atuação em licitações para fornecimento de uma ampla gama de produtos, incluindo kits de uniformes escolares, livros, calçados para o Exército e até cisternas para o alívio da seca no semiárido nordestino - diretamente ou por meio de consórcios com outras empresas.


Em pelo menos um caso a licitação foi resultante de emendas impositivas de bancada no Congresso, que incluíram um pedido direto do então senador do Maranhão Roberto Rocha (Republicanos) para que fosse usada uma ata específica de registro de preços para a compra de 500 cisternas para o Estado.


Uma comunicação de indícios de crimes enviada pelo Banco Central ao Ministério Público em novembro relata que a EBN obteve um empréstimo no Banco Master sem justificativa econômica aparente. Na sequência, a empresa transferiu R$ 385 milhões para o fundo D Mais, administrado pela Reag.


A partir daí, os recursos foram realocados por meio de uma cadeia de fundos, em uma operação que teria servido para desviar o dinheiro para outras finalidades. Essa transação integra um conjunto de operações envolvendo 36 empresas, cujos nomes foram revelados pelo Valor, que teria provocado um desvio total de R$ 11,5 bilhões do Banco Master.


*🚨Manfredini é sócio-administrador da EBN, segundo registro na Junta Comercial de São Paulo (Jucesp).*

*Essa empresa - e o próprio Manfredini 🚨- têm ligações com a Capricórnio S/A, que em 2021 foi condenada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por cartel em licitações públicas destinadas à aquisição de uniformes e kits de materiais escolares para alunos da rede pública de ensino que atuou em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Goiás, entre 2007 e 2012.*


Esse caso deu origem também a um processo criminal em São Paulo sobre suposto crime à lei de licitações, que foi extinto em 2025 porque a Justiça entendeu que o Ministério Público não individualizou as condutas de cada um dos réus. Há também um processo civil por improbidade administrativa, que segue correndo em São Paulo.


Outro processo, no Tribunal de Contas da União (TCU), sobre licitações no Exército, mostra que a Capricórnio era a única acionista da EBN na sua constituição, quando era sociedade anônima - *e que a EBN é sua sucessora, mantendo endereço e 70% do quadro de funcionários. Manfredini foi diretor-presidente da Capricórnio.*


Segundo levantamento feito pelo Valor, a EBN participou de licitações e assinou contratos com o Exército entre 2016 e 2024 para fornecer equipamentos como barracas, uniformes e calçados. Não há suspeitas sobre esses contratos, mas a área técnica do TCU chegou a investigar falhas na fiscalização de calçados entregues pela EBN, sem aplicar nenhuma sanção.


Em pelo menos um caso a licitação foi resultante de emendas impositivas de bancada no Congresso

Além das licitações diretas, a EBN também se associou em cinco consórcios, e sócios de alguns deles são objeto de investigação, incluindo supostas irregularidades no fornecimento de livros didáticos no Rio de Janeiro.


A EBN formou o Consórcio EC - sobre o qual não há nenhuma suspeita de irregularidades documentada - ao lado da CSL Educacional, empresa citada em investigações da Operação Calvário, cujo sócio, Márcio Nogueira Vignoli, foi preso durante a apuração e responde em liberdade.


Um dos contratos da EBN envolve o fornecimento de cisternas no Maranhão, e se destaca por ter sido originado por emendas impositivas de bancada e pelo direcionamento que ocorreu no tipo de edital que deu origem à aquisição, no valor de R$ 2,4 milhões, em 2017.


O senador Rocha, então no PSDB, enviou um ofício ao presidente da Companhia de Desenvolvimento do São Francisco (Codevasf) falando sobre a destinação de R$ 5 milhões em emendas parlamentares para compra das cisternas e solicitou que a empresa manifestasse interesse na ata de registro de preços nº 24/2017 do Instituto Federal de Educação do Ceará (IFCE), campus Maracanaú.


Isso, na prática, fez com que a compra, inicialmente estimada em 2.400 cisternas, mas com a compra efetiva de 500, tomasse carona numa licitação muito menor, feita pelo IFCE, que visava a comprar 50 tanques de armazenamento para o instituto. A princípio, não há irregularidade nesse expediente, que economiza recursos processuais - o que chama a atenção é a solicitação ter partido de um político, e não das áreas técnicas da Codevasf.


O procedimento também exigiu discussões entre os técnicos da Codevasf, porque fugia do padrão do programa Água para Todos, em que a política de distribuição de cisternas segue prioridades definidas. Ao final, as cisternas foram doadas para associações sem fins lucrativos, como sindicatos rurais, que depois fizeram a distribuição das unidades para as famílias beneficiadas.


A EBN afirma que o empréstimo do Master ocorreu de forma absolutamente lícita e foi destinado a obter capital destinado para adquirir uma grande empresa do setor têxtil. Os recursos foram parcialmente aplicados no fundo D Mais, administrado pela Reag, então uma instituição considerada idônea no mercado, para não deixar o recurso parado.


“A negociação não seguiu adiante por pontos divergentes não superados, além da complexidade societária”, diz, em nota. Portanto, a EBN liquidou o empréstimo junto ao Banco Master.


Além de licitações diretas, EBN se associou em cinco consórcios, e sócios de alguns deles são objeto de investigação

A Capricórnio tem estrutura independente em relação à EBN, diz a nota da empresa, e foi proposta uma ação anulatória em relação à decisão do Cade. “As ações penais e de improbidade foram todas decididas, até o momento, em favor da Capricórnio.”


Sobre os consórcios, disse que a EBN fez a avaliação por meio de mecanismos de compliance. “No ato de realização do consórcio, a EBN não teve relação com pessoas jurídicas cujos dirigentes foram investigados ou processados criminalmente.” No caso das cisternas, a empresa diz que houve aprovação por todos os órgãos de controle e nega qualquer relação que esteja em desacordo com estrita regularidade.


O senador Roberto Rocha afirma que a adesão à ata de registro de preços do IFCE foi uma decisão administrativa para viabilizar a execução das emendas dentro do cronograma orçamentário, já que a liberação dos recursos ocorre, em geral, no fim do ano. O parlamentar diz que o projeto seguiu as normas técnicas da Codevasf e as exigências legais das emendas impositivas, que seu gabinete manteve contato institucional apenas com o IFCE e que não houve relação com a empresa vencedora da licitação.


A Codevasf diz que não realizou adesão a uma ata de registro de preços cuja licitação já havia sido realizada, mas sim que ainda seria realizada, com ampla concorrência e aquisição dos bens pelo menor preço. “As comunicações entre órgãos para manifestação de intenções de compra são usuais”, afirma.


“Tratando-se de recurso proveniente de emenda parlamentar, a indicação dos beneficiários compete ao autor da emenda”, diz em nota. Ainda assim, diz, adotaram-se parâmetros análogos aos do Programa Água para Todos, o que contribuiu para que a destinação dos recursos priorizasse famílias em situação de vulnerabilidade.


O IFCE afirma que o campus Maracanaú atuou apenas como órgão gerenciador da ata de registro de preços, conduzindo regularmente o pregão e a gestão da ata. Segundo o instituto, a adesão por outros órgãos é permitida em edital e na legislação, cabendo ao órgão aderente - no caso, a Codevasf - analisar a adequação técnica, os quantitativos e a disponibilidade orçamentária. O IFCE diz ainda que não houve empenhos da Codevasf na vigência da ata e que o processo seguiu trâmite regular, com parecer jurídico favorável.


O Exército informa que os contratos com a EBN estão disponíveis no Portal da Transparência e que, até o momento, não foram identificados indícios de irregularidades ou falhas na fiscalização. Afirma ainda que não há processos ou auditorias em andamento no TCU envolvendo contratos com a empresa.


A defesa do controlador do Master, Daniel Vorcaro, disse que não iria se manifestar sobre o tema. A Reag não havia respondido ao pedido de outro lado até o fechamento desta edição, assim como as empresas que compõem os consórcios com a EBN.


https://valor.globo.com/google/amp/financas/noticia/2026/03/16/master-usou-empresa-ligada-a-cartel-de-licitacoes-em-desvio.ghtml

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +1,1% US tech +1,2% US Semis +2% UEM +0,4% España +0,2% VIX 23,5% Bund 2,95%. T-Note 4,24%. Spread 2A-10A USA=+55pb B10A: ESP 3,42% PT 3,39% FRA 3,61% ITA 3,73% Euribor 12m 2,522% (fut.12m 2,846%). USD 1,147. JPY 182,9. Ouro 5.016 $. Brent 103,9$. WTI 96,5$. Bitcoin -5,6% (74.396$). Ether +2,9% (2.336$).


SESSÃO: Ontem, sessão de subidas em ambos os lados do Atlântico, graças a um alívio nos preços do petróleo (Brent -2,8% e WTI -5,1%), embora continuem a ser mais moderadas na Europa (+0,4%) do que nos EUA (+1,1%), que também contou com o apoio de Tecnologia (+1,2%) e Semicondutores (+2%), animados pelo anúncio de Micron (+3,7%) de construir uma nova fábrica em Taiwan, no final deste ano. Os comentários da Agência Internacional da Energia sobre liberar mais reservas caso fosse necessário e os de Trump sobre uma possível aliança de países para reabrir o Estreito de Ormuz aliviaram os preços do petróleo, embora nenhum país tenha aceitado, de momento, unir-se a tal aliança, enquanto vários rejeitaram-na. Trump também garantiu que a guerra terminará em breve, mas não esta semana, e que é provável que adie a sua reunião com Xi Jinping em Pequim, prevista para 31 de março.


Na frente macro tivemos dados bastante fracos, embora tenham ficado para segundo plano. O Empire Manufacturing caiu para terreno negativo (-0,2 desde +7,1% e vs. +3,9 estimado) e a Produção Industrial desacelerou (+0,2% desde +0,7% e vs. +0,1% esperado).


Hoje amanhecemos com novos aumentos no preço do petróleo bruto (Brent +3,8%, até 103,9 $ e WTI +4,8% até 96,5 $), após se saber que o Irão atacou instalações petrolíferas no Iraque e nos Emirados Árabes Unidos, o que volta a piorar o tom do mercado. No plano convencional, hoje tivemos a primeira reunião dos dez bancos centrais desta semana. O Banco Central da Austrália (RBA) subiu taxas de juros em +25 p.b., até 4,10%, em linha com o esperado pelo mercado. Embora a atenção esteja na Fed, que se reúne amanhã (18 h), e no BCE (quinta-feira, 13:15 h). Ambos irão manter taxas de juros (em 3,50%/3,75% e 2,00%/2,15%, respetivamente) e atualizarão o quadro macro. Hoje, o único dado relevante será o ZEW de Sentimento Económico na Alemanha (10 h), do qual se espera uma deterioração forte (39,2 desde 58,3), algo lógico tendo em conta o contexto geoestratégico altamente incerto. 


Em suma, o tom do mercado continua a ser pelo que acontece no Irão e em como isso afeta o fornecimento de petróleo global. Após a melhoria do tom de ontem, hoje voltaremos a ter uma sessão de quedas, embora qualquer notícia positiva proveniente do Médio Oriente, sobretudo no que diz respeito à normalização do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, mesmo que não implicasse o fim do conflito, levasse as bolsas a registar uma recuperação. Resta esperar e ver.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Corte de 0,25 ponto da Selic vira consenso*


Ministro do Irã desmente relatos de aproximação diplomática com EUA


… Os mercados globais embarcaram ontem em uma espécie de wishful thinking, na esperança da liberação do fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz e de um possível diálogo entre os Estados Unidos e Irã. Após o fechamento, porém, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, desmentiu relatos na imprensa sobre uma aproximação diplomática e disse que a última vez em que trocou mensagens de texto com o enviado dos EUA, Steve Witkoff, foi antes da guerra. No início da madrugada, o petróleo já disparava quase 3% de novo, às vésperas da bateria de decisões de política monetária da semana. O conflito abalou o consenso para o Copom de amanhã: entre traders e economistas, a aposta principal agora é de corte de só 0,25pp da Selic. Isso se não vier pausa.


O CALL DA GUERRA – Invertendo a precificação até então majoritária que o juro iniciaria o ciclo com queda de meio ponto, o cenário-base para 76% das instituições do mercado ouvidas pelo Broadcast passou a ser de 0,25pp ontem.


… O choque do petróleo, combinado à surpresa com o IPCA de fevereiro acima do esperado, mexeu com previsão de calibragem da política monetária. Na curva a termo, a chance de o BC manter o juro não é desprezível (15%).


… A XP passou a prever que o Copom não vai dar nada nesta quarta-feira, adiando uma flexibilização para abril.


… Na onda de revisões em cima da hora, o Santander, BofA, BTG Pactual, SulAmérica Investimentos e ASA revisaram ontem as suas projeções e esperam agora que o BC só relaxe a Selic em 0,25 ponto amanhã, para 14,75%.


… Semana passada, o Itaú e Tendências Consultoria já haviam ajustado as suas previsões para o recuo mais tímido.


… A Eytse ainda confia que o BC não se deixará levar pela volatilidade de curto prazo, mas não descarta a opção por menos (0,25pp), que sinalizaria falta de convicção, como disse Sérgio Goldenstein ao BDM Live uma semana atrás.


… Para economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, se for para adotar um corte de 0,25 ponto, é melhor nem começar. “Passa a mensagem de um ciclo iniciado de qualquer maneira”, afirmou ao Broadcast.


… A economista-chefe da Buysidebrazil, Andrea Damico, não duvida de 0,25 ponto, devido à maior incerteza no cenário, mas mantém como cenário base uma redução de 0,50 ponto, embasada na apreciação recente do câmbio.


… Na reunião de janeiro do Copom, a cotação do dólar usada no cenário de referência foi de R$ 5,35. Agora, deve cair a R$ 5,20, calcula ela. Apesar do câmbio mais comportado, o mercado sobe a barra para o ajuste total da Selic.


QUEM DÁ MAIS? – Com o petróleo que não quer parar de subir, esvazia-se, cada vez mais, a chance de juro abaixo de 12% no fim do ano. No Focus, a mediana das apostas do mercado voltou a subir ontem, de 12,13% para 12,25%.


… Diante da escalada do barril, o boletim trouxe ainda piora nas projeções para o IPCA deste ano, de 3,91% para 4,10%, ficando mais perto do teto da meta de inflação, de 4,5%. Já a estimativa para o IPCA/27 ficou estável (3,80%).


… Cálculos do Projeções Broadcast com base em modelos do BC indicam que o Copom deve subir a projeção da inflação para o horizonte relevante (terceiro trimestre de 2027) de 3,2% para 3,45% na reunião de amanhã.


… Se confirmada, a alteração deve afastar ainda mais a estimativa para o IPCA do centro da meta, de 3,0%.


… No início de fevereiro, quando ninguém imaginava que a guerra fosse estourar, Galípolo deu sinal verde para o mercado assumir como consenso a aposta de que o ciclo de flexibilização começaria menos conservador (0,5pp).


… Surpreendido pelas circunstâncias, o BC se vê agora na sinuca de bico: ou assume o risco de se manter fiel à sua comunicação, mesmo sem saber em que patamar o petróleo vai se consolidar, ou se dobra aos riscos imediatos.


… Já o Fed, que estava programado para cortar o juro só em junho, ganha tempo para avaliar o efeito da guerra na inflação e no PIB, apesar da pressão de Trump por uma reunião extraordinária para baixar a taxa “agora mesmo”.


TRUMP & XI – O presidente americano pediu para adiar por um mês a cúpula com o líder chinês, alegando que precisa continuar em Washington devido à guerra. A viagem a Pequim estava prevista para o próximo dia 31.


… Em conversa com repórteres, o republicano aproveitou para criticar a falta de apoio da China, Japão e Coreia do Sul nos esforços para a liberação do Estreito de Ormuz e para a resolução do conflito com o Irã no Oriente Médio.


… Aliados da Otan receberam com pouca disposição o pedido de Trump para ajudar na reabertura de Ormuz.


… Alemanha e Itália não querem se envolver. Fora da UE, o Reino Unido manifestou posição mais colaborativa e disse vai pensar. Fora da Otan, o Japão não estaria planejando enviar embarcações de guerra para o Oriente.


PORTA DA ESPERANÇA – Relatos da passagem de alguns navios pela região, especialmente em direção à Índia, animaram os investidores ontem e ajudaram o petróleo a testar alguma acomodação, depois de todo o rali.


… O secretário Scott Bessent (Tesouro) confirmou que os EUA estão permitindo o trânsito de petroleiros iranianos.


… Trump sinalizou que o secretário de Estado, Marco Rubio, deve anunciar em breve uma possível coalizão militar de aliados americanos para reabrir completamente o Estreito. Ele também retomou o discurso de uma guerra “breve”.


… Em trégua, o mercado preferiu manter a esperança de uma saída diplomática para o conflito.


… Além disso, o diretor executivo AIE, Fatih Birol, afirmou que poderá liberar mais reservas estratégicas da commodity, se for necessário, depois de já ter concordado com a maior liberação de reservas de todos os tempos.


… Segundo ele, ainda há disponível mais de 1,4 bilhão de barris nos estoques de emergência dos membros.


… O Brent para maio caiu 2,84%, mas ainda não se sentiu à vontade para furar os cem dólares e fechou cotado a US$ 100,21 por barril na ICE, enquanto o WTI para abril recuou 5,28%, a US$ 93,50 por barril na Nymex.


AGENDA ESVAZIADA – Entre os poucos destaques, o IGP-10 (9h) deve cair 0,28% em março, após recuar 0,42% em fevereiro. As projeções no Broadcast são todas de queda, de 0,91% a 0,08%. A prévia do IPC-Fipe sai às 5h.


BALANÇOS – EcoRodovias e Taesa divulgam os seus resultados trimestrais depois do fechamento do mercado.


LÁ FORA – Saem o índice alemão Zew de expectativas econômicas de março (7h) e as vendas pendentes de imóveis em fevereiro nos Estados Unidos (11h), que têm previsão de queda de 1,7% contra o mês de janeiro.


LULINHA – A defesa do filho do presidente admitiu ao STF pela primeira vez que ele teve uma viagem a Portugal bancada pelo Careca do INSS, preso sob suspeita de liderar um esquema de desvios em aposentadorias.


… Lulinha negou, porém, ter firmado qualquer negócio ou recebido valores do empresário.


… Entrevistado ontem pelo programa Roda Viva, da TV Cultura, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, afirmou que uma testemunha disse que Lulinha recebia uma mesada de R$ 300 mil do Careca.


… “O governo blindou e nos impediu de quebrar o sigilo fiscal dele”, disse, qualificando de “completo desrespeito” a decisão do ministro Dino. Sobre o Master, Viana defendeu o afastamento de Alexandre de Moraes do Supremo.


HORA DA XEPA – O alívio moderado no petróleo e as supostas sinalizações do Irã, de que gostaria de negociar o fim do confito, serviram de motivos suficientes para os investidores retomarem as compras em Wall Street.


… O Dow Jones subiu 0,83%, aos 46.946,41 pontos; o S&P 500 avançou 1,01%, aos 6.699,13 pontos; e o Nasdaq ganhou 1,22%, aos 22.374,18 pontos. Companhias aéreas e big techs ficaram entre os destaques de alta.


… Bastante sensíveis ao comportamento do petróleo, United (+4,25%), Delta (3,50%) e American Airlines (+1,84%) recuperaram parte das perdas recentes.


… Nvidia subiu 1,65%, após o CEO, Jensen Huang, prever faturamento de US$ 1 trilhão em 2027 com pedidos das novas gerações de chips. A empresa também espera superar neste ano o crescimento divulgado em seu guidance.


… Já Meta fechou em alta de 2,33%, após rumores de que pretende cortar 20% da sua força de trabalho. A empresa classificou a reportagem da Reuters como “especulativa”.


TROPA DE CHOQUE – A melhora na percepção de risco lá fora, com queda do dólar e do rendimento dos Treasuries, já teria sido suficiente para os juros futuros devolverem parte do estresse da última 6ªF.


… Mas o Tesouro ainda achou pouco e decidiu agir, cancelando os leilões de venda de prefixados e títulos atrelados à inflação previstos para esta semana e realizando dois leilões extraordinários para recompra desses papéis.


… Na primeira intervenção, pela manhã, o Tesouro recomprou 70,4% do lote total de prefixados que tinha proposto, com giro de R$ 12,1 bilhões. À tarde, foram recompradas 35,5% das NTN-Bs previstas, somando R$ 15,4 bilhões.


… A atitude injetou liquidez no mercado e ajudou a acalmar os ânimos dos investidores. Resultado: os prêmios dos DIs chegaram a recuar mais de 40 pb nos vencimentos mais longos, em plena semana de Copom.


… Apesar do fechamento da curva durante a sessão, o mercado acredita que o BC adotará um tom mais conservador na 4ªF, diante da incerteza que ainda prevalece no cenário externo, especialmente sobre o petróleo.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 14,070% (de 14,291% no ajuste anterior); Jan/29, 13,535% (contra 13,878%); Jan/31, 13,725% (de 14,110%); e Jan/33, 13,795% (de 14,182%).


SHOW DA VIRADA – O dólar derreteu frente aos pares globais com a suposta sinalização do Irã de acabar com a guerra, junto com alívio no petróleo. Por aqui, a intervenção do Tesouro no mercado de títulos reforçou a queda.


… Como a expectativa de agravamento do conflito no Oriente Médio durante o fim de semana não se confirmou, operadores relataram o desmonte de posições defensivas.


… O dólar fechou em baixa de 1,63%, a R$ 5,2298. Lá fora, o índice DXY devolveu 0,56% e terminou abaixo dos 100 pontos (99,800). O euro subiu 0,81%, para US$ 1,1509, e a libra ganhou 0,76%, a US$ 1,3326.


TIRANDO O ATRASO – A bolsa brasileira pegou carona na melhora de humor em NY, com ajuda do recuo do petróleo e dos potenciais sinais de um possível diálogo entre EUA e Irã, embora o tempo de duração da guerra siga incerto.


… O Ibovespa subiu 1,25%, aos 179.875,44 pontos, com giro de R$ 22,4 bilhões, mais fraco do que a média dos últimos dias. As blue chips avançaram, inclusive Petrobras (PN, +2,04%, a R$ 45,58; e ON, +1,50%, a R$ 50,12).


… Vale registrou ganho de 0,69% (R$ 78,84), em sentido oposto ao do minério (-0,74%). Entre os bancos, tudo azul: Itaú PN (+1,42%; R$ 43,00), BTG (+1,43%; R$ 55,90), Santander (+0,79%; R$ 30,46) e BB (+0,38%; R$ 23,90).


… CSN (+5,42%; R$ 6,03) liderou os ganhos, se recuperando das perdas recentes, assim como Magazine Luiza (+5,35%; R$ 9,84) e Embraer (+4,20%; R$ 76,96).


… Na outra ponta, Porto Seguro (-4,00%; R$ 47,34) reagiu mal à assinatura de acordo com a Oncoclínicas para criar uma nova empresa. RD Saúde (-0,93%; R$ 23,36) e Ultrapar (-0,69%; R$ 25,94) completaram a lista das piores baixas.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS exercerá direito de preferência para adquirir 50% dos campos de Tartaruga Verde e Espadarte por US$ 450 milhões, passando a deter 100% dos ativos.


PRIO obteve autorização do Ibama para perfurar até 14 novos poços no campo de Frade.


SABESP reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,9 bilhão no 4TRI25, estável na comparação anual, com Ebitda de R$ 3,4 bilhões, alta de 13% na mesma base comparativa, e receita líquida de R$ 5,7 bilhões, crescimento de 2,1%…


… A empresa aprovou JCP de R$ 583,5 milhões (R$ 0,829/ação) e aumento de capital de R$ 169,2 mi; ex em 20/3.


NATURA reportou prejuízo líquido de R$ 321 milhões no 4TRI25, queda de 26,8% na comparação anual…


… Considerando operações continuadas, registrou lucro de R$ 186 milhões, revertendo prejuízo de R$ 227 milhões um ano antes…


… Receita líquida caiu 12,1%, para R$ 6,2 bilhões, e o Ebitda passou de negativo em R$ 173 milhões no 4TRI24 para positivo em R$ 444 milhões no 4TRI25.


ASSAÍ. Wlamir dos Anjos deixará a vice-presidência comercial e de logística até 30/04, sendo substituído por Anderson Barres Castilho a partir de 01/05; Sergio Ferraz Leite assumirá a área de operações.


GPA e RAÍZEN foram excluídas dos índices da B3 após pedidos de recuperação extrajudicial.


PETZ. Acionistas aprovaram o cancelamento de registro de companhia aberta após reorganização com a Cobasi; operação ainda depende de aprovação da CVM.


HYPERA. O Fundo Dodgers reduziu a participação para 4,96% das ações ordinárias.


PROFARMA reportou lucro líquido de R$ 38,8 milhões no 4TRI25, alta de 9,1% na comparação anual, com Ebitda ajustado de R$ 119,7 milhões, crescimento de 39,5% na mesma base comparativa.


COGNA realizou leilão para alienação de ações ordinárias provenientes de bonificação aprovada em dezembro de 2025. Foram alienadas 20,8 mil ações, ao valor líquido de R$ 3,16797 cada.


REDE (Energisa) pagará dividendos de R$ 256,8 milhões (R$ 0,10/ação); ex em 18/03.


ÂMBAR ENERGIA concluiu a aquisição da termelétrica Norte Fluminense (827 MW) e do projeto Norte Fluminense 2 (1,8 GW), elevando a capacidade instalada para mais de 7 GW; valor da operação não foi divulgado.


ITAÚSA teve lucro líquido de R$ 4,30 bi no 4º trimestre, alta de 16% em base anual, e aprovou JCP de R$ 1,3 bilhão (R$ 0,116/ação), com pagamento até 31/08. Ex dia 20/3.


BRB. Governo do DF recorreu de liminar que suspendeu lei que permite capitalização do banco com imóveis públicos para cobrir perdas relacionadas ao Banco Master.


CURY. Fábio Cury deixará cargo de CEO e deve ser substituído por Leonardo Mesquita (VP comercial) e Paulo Curi (VP de engenharia), cujos nomes serão levados a assembleia em 17/4. Fábio Cury assumirá presidência do conselho.


MITRE firmou parceria com o grupo Barrière para desenvolvimento de hotel em São Paulo, com investimento de R$ 300 milhões.


MAHLE METAL LEVE reportou lucro líquido de R$ 135,9 milhões no 4TRI25, alta de 22,6% na comparação anual. O Ebitda subiu 19,8%, para R$ 235,6 milhões, e a receita líquida cresceu 0,6%, para R$ 1,325 bilhão.


AZEVEDO & TRAVASSOS. Igor Jefferson Lima Clemente foi eleito presidente do conselho de administração, com mandato até a AGO de 30/04.


OI. A Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência da Serede – Serviços de Rede, empresa de infraestrutura e manutenção do grupo, no contexto da recuperação judicial da companhia.

segunda-feira, 16 de março de 2026

O PT e o poder Buzatto

 Preciso fazer alguns 'disclaimers' antes de postar o texto de Luiz Felipe Pondé na Folha de S. Paulo, datado de 16/03/2026:


1. Eu sempre fui anti-petista, por diversas razões que não vou enumerar aqui; apesar disso, já votei no PT (para prefeito de Campinas, por acreditar na pessoa, não no partido, e deu no que deu);


2. Tampouco sou bolsonarista; critiquei bastante o governo de Bozo, em especial seu desprezo pelo povo durante a pandemia, resultando no Brasil vice-campeão de mortes, com cerca de 2,5% da população mundial;


3. Em vista do desastre que foi o governo Bolsonaro, teria votado em Lula em 2022 (estava fora do Brasil na época) e recomendei a quem me perguntou que votasse em Lula, por razões óbvias;


4. Dado o desenrolar dos acontecimentos este ano, eu novamente recomendaria - e votaria - em Lula num segundo turno em outubro próximo, e talvez até já no primeiro, conforme os candidatos que se apresentarem;


5. Apesar disso tudo, me julgo no direito de concordar com Luiz Felipe Pondé sobre os estragos feitos ao Brasil por 17 anos de PT no poder. Temer tentou arrumar a casa um pouco, meio como aquele piloto de corridas de longa duração que pega um carro detonado e tem que levar aos boxes para ser colocado de novo na disputa, mas foi abatido em plena tentativa de decolagem pela gravação traiçoeira de Joesley Batista; Bolsonaro, bem, aqui nem há o que dizer, é abaixo de qualquer qualificação, foram 4 anos de desastre total.


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O que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Nada


* Oposição tampouco põe a cabeça para fora da lama

* O país, hoje, se transformou no quintal de uma gangue


Luiz Felipe Pondé


Desde 2003, o PT domina o governo federal. Até 2026, o PT esteve no poder federal por 17 anos. Temer por dois anos, Bolsonaro por quatro anos —nenhum deles grande coisa. A pergunta que não quer calar é: nesses 17 anos, o que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Resposta: nada.


Sei, o Bolsa Família. Para um nordestino como eu, o Bolsa Família é nada mais do que o velho voto de cabresto repaginado, que, seguramente, o Lula sabe muito bem o que era. Em troca de um prato de comida, vote no candidato do "coroné".


O Bolsa Família, politicamente, tem duas faces. Uma é a ajuda material para pobres —e não tão pobres que se aproveitam para ganhar um dinheiro fácil sem ter que trabalhar cansativamente; outra é um voto de cabresto, compra descarada de votos. Afora isso, o que o PT fez em 17 anos? Nada que tenha impactado a história recente do país. Sem dúvida, alguns serviços aqui e ali —quem quiser que desfie o rosário.


A última coisa séria que aconteceu no Brasil em termos de alterar a história recente do país e ajudar a população significativamente foi o Plano Real, que, aliás, o PT nunca foi muito a favor na época. A memória, essa infeliz! O Lula se referia ao governo FHC como "herança maldita". Pergunto, como um historiador que não seja vendido ao PT, coisa rara, chamaria a herança que o Brasil recebeu nesses 17 anos?


Vale apontar que a possibilidade de reeleger alguém como presidente muitas vezes —que não é uma invenção petista, há que se reconhecer— é uma herança maldita. Quando alguém, ou um mesmo partido, coloniza o governo federal por décadas, necessariamente, o resultado será catastrófico. Já vivemos essa catástrofe.


Esse processo implicou a transformação do Brasil no quintal de uma gangue. Essa gangue se torna uma hidra que toma quase todos os espaços, formando gerações de lacaios. Uma dessas classes de lacaios do PT é a inteligência pública nacional.


Constatar que os últimos anos do Brasil foram jogados na lata de lixo não implica pôr tudo na conta do PT —a oposição constituída nesses 23 anos tampouco põe a cabeça para fora da lama—, ainda que, tendo ocupado o governo federal por 17 anos, isso deveria aterrorizar sua consciência. O país pasta na lama.


Ainda assim, para além da responsabilidade direta do PT, o país parece condenado ao lixo da história. Nesses anos, o país se tornou quase um narcoestado. O crime organizado, hoje, disputa territorialmente a soberania local, sendo a Amazônia, essa joia do "blábláblá" nacional, parte do objeto da soberania criminosa no país.


O crime se espalha pelo interior do país —sendo as grandes cidades já províncias do crime—, chegando às pequenas cidades. Todo mundo sabe que estamos entregues ao crime.


A corrupção estrutural parece formar quadros profissionais que servirão como ferramenta de normalização de uma sociedade sem lei. Da periferia ao coração do mercado financeiro, sente-se, quase ninguém escapa.


A piora salta aos olhos quando a ideia de normalização passa ao universo da normatização, e a sociedade sem lei parece se tornar uma sociedade em que mesmo a lei serve a alguma forma de corrupção segmentada.


Hoje em dia, o escândalo do banco Master faz a todos —pelo menos àqueles que ainda têm o sentido do olfato ativo— sentir o cheiro de que há algo de podre no reino de Brasília. Corre à solta uma promiscuidade regada a uísque caro. A vergonha na cara parece ser um recurso extinto entre os quadros altos da República.


O cerco se fecha. O argumento da honra vira arma de censura no país. Sob a cortina da falsa honra, poderosos não temem mais fazer o que bem quiser. Onde já se viu o filho de um presidente pedir abertamente a altas autoridades da República para que seu sigilo bancário não seja quebrado por conta de uma investigação da fraude do INSS? Aliás, o que pensar de um país que monta uma gangue para roubar aposentados, essa classe esmagada pela canalhice nacional?


Os bolsonaristas, esses iniciantes na arte de formar gangues políticas, quiseram derrubar a democracia. O fato é que a democracia brasileira está corroída por dentro, e não por ação de uma tentativa de golpe montada por idiotas, mas, sim, por um lento e invisível processo que opera sob o signo de uma microfísica do poder, corrompendo o caráter das altas figuras da República.


Uma quadrilha parece ter tomado o poder no Brasil. Torna-se difícil imaginar quem escapa dessa gangue multifacetada e que ultrapassa os limites ideológicos, apesar de os idiotas insistirem neles. "Em nome do Estado de Direito", perde-se a vergonha na cara.

Fernando Dourado

 Contagem regressiva


Eu não sei o que espera "O Agente Secreto" na premiação do Oscar. As categorias são muitas e, se levarmos uma estatueta, chegaremos à segunda-feira de alma lavada. Se vierem duas, teremos um mini carnaval em Recife, a cidade cenário. Quando falo com meus conterrâneos, é evidente que a conversa percorre latitudes que muitos de nós não visitavam há décadas. A grande questão é saber como os estrangeiros reagiram ao filme. Passei pela porta de cinemas que o projetavam em Bruxelas, Paris, Londres e Dublin, nesta última bem ao lado do hotel. Estive tentado a entrar para acompanhar as legendas, para ver como eles traduziam o jargão pernambucano e, sobretudo, qual seria o diapasão das conversas pós filme. Mas não havia tempo para tanto. As críticas eram bastante instigantes em todos os grandes jornais que li. Outra questão candente é como os brasileiros não nordestinos, não pernambucanos e não recifenses captam aquelas alegorias que entrelaçam a mitologia de uma cidade. Conheço pessoas do meu meio aqui em São Paulo que não gostaram nem um pouco. O primeiro indício é dizer que o filme é um pouco longo, que faltou a Kleber Mendonça Filho uma boa tesoura para nos livrar de uns 20 minutos supervenientes. Os recifenses normalmente pensam que o filme poderia durar mais meia hora, e que poderia ter realçado outros ingredientes da época: o futebol, a vida boêmia do porto, um baile de clube e locais icônicos. É assim que a coisa funciona. Entendo quem gosta do filme e entendo também quem não gosta.


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É claro que há uma clivagem que extrapola o que vai nas telas. De novo, há a esquerda e a direita. "O Agente Secreto" agrada mais à esquerda. O filme denuncia um aspecto sombrio da ditadura. O diretor é simpatizante do espectro político canhoto. Logo todo mundo que não gosta de Lula se sente na obrigação de não gostar do filme porque sabe das relações que os ligam. E do horror que o elenco tem ao antecessor do presidente. É humano que assim seja. Não podemos esperar das pessoas uma isenção de magistrado de antigamente, aqueles que honravam a toga e nem a esposa sabia o que lhe passava pela cabeça. Há também um grupo de pessoas que simplesmente não consegue ver graça numa linguagem que é a sua, sem ser. Na dissecação de um tubarão cujo mau cheiro sai das telas e em cujas entranhas jaz uma perna. E mais adiante, o que dizer da alegoria da tal perna moralista e peluda que saltita sua solidão nos parques públicos, chutando e castigando a perversão alheia? Há pessoas muito esclarecidas para umas coisas, mas para quem o Brasil e sua diversidade ainda parece terra estrangeira. Para quem o ideal de País seria uma população que acordasse cedo e dormisse cedo; usasse o crédito com parcimônia e austeridade; poupasse para a educação dos filhos e tivesse como ideal se opor a tudo que saia desse gabarito, inclusive na produção cultural. Esse Brasil consagra a Festa da Uva ou o Festival da Maçã. Come teriyaki na Liberdade, mas se sente mal com os transbordamentos de um povo heterogêneo, que nem sempre respeita o seu breviário.      


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Um amigo oráculo acha que temos uma estatueta garantida, mas esta não é a de melhor ator. Logo, se Wagner Moura for agraciado, teremos feito jus a um bônus. Para mim, a grande alegria é ver alguns endereços de Recife alçados à curiosidade mundial, pelo menos por parte dos cinéfilos. É relativo, sei. Como conto em "A Viagem Imóvel", uma vez fiquei uns dias na Pensió Bellmirall, em Girona, sem me dar conta de que ao lado fora filmada a série "Game of Thrones". É claro que o Centro de Recife é uma espécie de terra arrasada hoje em dia. Em 1977, já havia decadência, mas refulgia aqui e acolá o glamour dos anos 1950-60. Mas quem se aventurar vai gostar de caminhar pelo parque 13 de Maio, pelo casario da rua da Aurora - que está na contracapa de "O Halo Âmbar" - e, com sorte, encontrará um bom cicerone para falar de cinema, dos novos horizontes que a cidade propícia à indústria. Pelo Brasil, por Pernambuco e por Recife, torço sem perder o sono pela consagração do filme com a estatueta. Por Kleber, imagino o que ele mais queira a partir de domingo: esquecer tudo, tirar umas férias, ler bons livros, analisar uns roteiros e voltar ao trabalho porque o ciclo de um filme como este consome 3 anos na vida de uma pessoa - por baixo -, e quem tem o que dizer costuma ter pressa. Imagino que todos aqui neste espaço já tenham visto o filme - quiçá duas vezes -, mas não duvido que alguém ainda não o tenha assistido, por uma das razões acima. Agora vou pedir pela última vez que falemos deste filme e quero ouvir a sua opinião e, sobretudo, os seus sentimentos. O assunto envelheceu, mas é o segundo mais palpitante do momento. Ou seria o terceiro?


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Tudo depende de onde começa e acaba o seu mundo. Como disse Cícero Dias: "Eu vi o mundo... Ele começava no Recife."

Delação premiada e a faxina

 *Contrato bem feito de delação de Vorcaro ajudaria na faxina do país*


14/03/2026 16h16


Uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro, preso preventivamente, e assim como uma eventual concessão de prisão humanitária domiciliar a Jair Bolsonaro (PL) são dois temas candentes neste quadro da vida nacional.


Sobre o pedido de prisão humanitária domiciliar requerido pelo custodiado Jair Bolsonaro, competirá ao ministro Alexandre de Moraes decidir. Antes disso, deverá ouvir o procurador-geral Paulo Gonet, pois, no processo de execução penal e nos seus incidentes, o Ministério Público atua como parte e também como fiscal do cumprimento da lei.


Atenção: Moraes precisará deixar o fígado e a bile de lado para decidir com imparcialidade.


Indispensável, antes de decidir, que determine a realização de perícia médica especializada, com oportunidade para a defesa técnica de Bolsonaro impugnar com base em laudo divergente.


Pela lei processual, o juiz, no caso Moraes, é o peritus peritorum (perito dos peritos). Vale dizer, não precisará seguir a conclusão de perícia oficial.


Isso não quer dizer que terá porta aberta para uma decisão arbitrária. Neste caso de Bolsonaro, terá de decidir fundamentadamente.


Como é um magistrado e não um médico especialista, terá de se apoiar em conclusões de especialistas.


*Regras elementares*


O preso não pode ser submetido a sanções extras, ou seja, castigos fora dos limites da pena imposta.


A lembrar a responsabilidade do Estado de zelar pela saúde e integridade do preso. O preso está submetido à administração penitenciária e precisa ser submetido a tratamento humano e a uma regra legal e ético-moral.


A propósito, as Nações Unidas possuem e recomendam atenção às "Regras Mínimas para o Tratamento dos Presos", editadas em 1958.


*Moraes como carcereiro*


O juiz da execução penal não é o carcereiro do preso.


Como ensinava a grande jurista Ada Pellegrini Grinover, existe a execução da pena, estribada em título judicial definitivo, e a expiação da pena, estabelecida em regras penitenciárias.


Compete ao Estado, e não ao Poder Judiciário, cuidar da administração e disciplina dos presídios, estabelecer os regramentos disciplinares internos, dispor sobre as visitas, alimentação, rouparia, etc..


Os incidentes com relação à expiação são resolvidos pelo juiz da execução. Não se pede autorização para recebimento de visitas ao juiz. No caso de indeferimento ou deferimento pela administração, cabe ao juiz de execução, ouvido o Ministério Pública, decidir o incidente.


Moraes atropela e delibera sobre tudo, até sobre assuntos relativos à administração penitenciária.


*Vorcaro*


Com a formação na Segunda Turma do STF de maioria para a manutenção da prisão preventiva de Daniel Vorcaro, o banqueiro de políticos e de dois supremos magistrados, especula-se sobre uma busca ao direito premial.


O direito premial é acertado por contrato sujeito a homologação judicial. E o contrato, como se sabe, faz lei entre as partes, como regra.


Atenção. No século 19, o jurista alemão Rudolf Von Ihering intuiu a respeito da necessidade, no campo do direito penal, de se buscar delações premiadas. A ideia vingou. Passou por experiências nos EUA e Itália, esta no combate às máfias.


Ihering, no entanto, alertava dever a matéria premial conter regras precisas — "nem tanto no interesse do aspirante ao prêmio, mas, sobretudo, no interesse superior da sociedade".


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Todos os brasileiros, do Oiapoque ao Chuí, sabem ter Vorcaro corrompido, fornecido benesses negociais, criados laços com poderosos e potentes, obtido vantagens financeiras indevidas, fraudado, enganado, intimidado e pago fortunas para manter uma rede de influências.


Vorcaro tornou-se o banqueiro do STF e dos políticos.


Com efeito. É do interesse público que revele todo o seu esquema e os envolvidos nele. Será uma maneira de não se deixar impunes os crimes.


Um contrato bem feito de delação, com a polícia atenta a checar informações e a veracidade do delatado, ajudará na faxina do Brasil.


Opinião



Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.


https://noticias.uol.com.br/colunas/walter-maierovitch/2026/03/14/a-domiciliar-para-bolsonaro-e-a-delecao-de-vorcaro.htm

O Agente Secreto

 O cinema deve ser uma manifestação livre da arte. 


Ao diretor cabe dominar todo o processo, do produtivo, ao criativo, no acabamento e nos seus últimos e mínimos detalhes. 


Qdo se age de forma arrogante, sem a preocupação de explicar ao expectador, acaba-se perdendo sentido. 


O bom cinema é uma história bem contada. Em O Agente Secreto, há momentos em q achamos q o cinema vai engrenar. Outros, nem tanto.


Qdo o personagem, Marcelo, está indo para o Recife, passa por um posto e se "confronta" com um "presunto", estirado há três dias.


 Nada de polícia, de IML...está lá. Como o filme transcorre em 1977, logo se associa com os "matadores" ou o esquadrão da morte (Escuderie le Cocq). Naquela época, estava no seu ápice, mas isso existe até hje. 


Acaba q o ator chega a uma comunidade de refugiados, meio q fugindo de um empresário inescropuloso e corrupto. 


Não há tanto link com a ditadura, mas para bom entendedor....


Tudo isso me incomoda, pq diretor de esquerda gosta de falar das mazelas históricas da ditadura, mas e nos anos recentes com o ciclo petista? 


Sobre isso, predomina o silêncio. 


O PT também mandava e manda matar...era e é extremamente corrupto. 


Sobre isso, paira o silêncio. Chato isso.


Seria uma banalidade do mal...a história do tubarão e a perna 🦵 é outro devaneio do diretor. 


O q tem a ver com o fio condutor da história? Talvez por toleramos viver numa sociedade violenta e desigual.


Ao fim, parece q boa parte dos críticos de LA não gostou ou não entendeu o filme. 


Fica a dica. Façam cinema para todos, não para as suas panelas ou o próprio umbigo.

Fernando Dourado - Pelo mundo

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