quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Paulo Cursino

 Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O país faz fronteira com a gente, já recebemos milhares de refugiados relatando os horrores da ditadura de Nicolas Maduro, com milhares de perseguidos políticos, com uma eleição fraudada diante dos olhos do mundo, o que mais precisaria acontecer na Venezuela para que tomássemos uma atitude e ajudássemos nossos irmãos latinos?

Bem, precisávamos de um presidente de verdade, de um democrata, de um estadista, de um homem. Tudo que Lula não é, nunca foi, e nunca será. Além de fingir não reconhecer a eleição fraudada – pois tudo que Lula fez depois demonstrou o contrário, que ele reconheceu o roubo, afinal é um especialista nisso – deu as costas para o assunto e fez ainda pior: recebeu o narcoditador com honras, em tapete vermelho, tecendo elogios, fazendo piadinhas, em nosso solo pátrio, manchando ainda mais a imagem do Brasil para o mundo. A atitude de Lula com Maduro nunca mudou mesmo com o ditador apertando ainda mais o pescoço dos venezuelanos. Lula sempre manteve o compadrio do banditismo, a da vagabundagem ideológica, a da subserviência com tudo que há de errado sempre.
No ano passado, Maria Corina Machado foi recebida com honras em Oslo para receber seu prêmio Nobel da Paz, pela luta contra a ditadura de Maduro. Em seu discurso, ela defendeu a liberdade não apenas para o seu país, mas para toda a América Latina. Alguém viu Lula parabenizando ou citando Maria Corina? Pelo contrário, Lula a IRONIZOU depois da campanha fraudada por Maduro. Com um parceiro desses, a Venezuela realmente estava lascada, não tinha mesmo com quem contar. E agora estão chiando com a ajuda de Trump? Com o perdão do termo: vão à merda.
Vamos deixar bem claro para quem ainda insiste em ver ideologia em tudo e da forma errada: Trump não é um autocrata, ele foi eleito recebendo o cargo de outro presidente. Maduro não é uma vítima, é um narcoditador sanguinário e fraudador de eleições. Lula não é um democrata e nem um bom político, não passa de um bandidinho esperto e mequetrefe capaz de vender a própria mãe para permanecer no poder e sempre se colocou do lado errado da história. Lamento se você um dia já votou no cara. Tenho orgulho máximo de NUNCA ter acreditado em Lula.
E se você ainda reluta para entender e aceitar tudo isso, é porque frequentou faculdades de humanas demais e acreditou demais na Rede Globo e na Folha de São Paulo. Abra a cabeça, o mundo está mudando, não fique para trás. Aceite e assuma as coisas como elas são. Quem vive de narrativa é autor de novela.

Trump implodiu plano de Lula

 Batista, Vorcaro e o petróleo: Trump implodiu o plano de Lula para 2026


Por Paula Sousa


Se você achava que o Brasil era o país da criatividade, precisa ver como o pessoal do "amor" se superou. Eles conseguiram transformar a ditadura vizinha em um cofre particular, mas esqueceram de combinar com o "xerife" lá no Norte.


Eu juro que tentei focar nos escândalos nacionais, mas os irmãos Batista e o senhor Daniel Vorcaro simplesmente não colaboram. Quando a gente acha que vai focar aqui, as notícias nos puxam para Caracas. E não sou eu quem está inventando: as colunas de Lauro Jardim de hoje escancaram o tamanho da "coincidência".


A dança dos bilhões: O ano mágico de 2024


Imagine que você é um empresário de sucesso. Onde investiria seu suado dinheirinho? Se você for do "círculo íntimo", corre para a Venezuela. Foi exatamente o que fizeram Joesley Batista e Daniel Vorcaro em 2024. A matéria do jornalista Lauro Jardim desta segunda-feira: "Joesley Batista e seus poços de petróleo na Venezuela: sob segredo" , revela que a J&F já é dona de poços por lá. E o Vorcaro? Outra nota de Jardim, "Vorcaro e o petróleo na Venezuela" , confirma que o ex-banqueiro tornou-se sócio de poços onde já foram investidos 150 milhões de dólares.


O mais engraçado é o mistério. O Itamaraty colocou sigilo de 5 anos nos telegramas diplomáticos sobre os negócios da J&F na Venezuela. Ué? Se é tudo legítimo, por que esconder? Lula não havia prometido em 2022 que acabaria com os sigilos?


Banco Master: O Novo Queridinho do Planalto


Precisamos falar sobre como o Banco Master, de Vorcaro, se tornou o fenômeno da natureza no governo Lula 3. De um banco discreto, ele saltou para o centro do tabuleiro. O Master se especializou em comprar precatórios — aquelas dívidas que o governo "coincidentemente" decidiu pagar com uma urgência nunca antes vista.


A tese de Lauro Jardim é que o Master não é apenas um banco; é a engrenagem que lubrifica o fluxo entre o orçamento público brasileiro e as "investidas" na Venezuela. O banco cresce, o governo paga precatórios, e o dinheiro flui para os poços venezuelanos. Uma simbiose perfeita.


A evolução da espécie (dos esquemas)


Lula é um visionário. No Lula 1, tivemos o Mensalão (amador). No Lula 2, o Petrolão (estatais). Agora, no Lula 3, atingiram o ápice: o Esquema Transnacional. Por que roubar aqui, onde a justiça bisbilhota, se você pode mandar o dinheiro para a Venezuela via "investimento em petróleo"?


O plano era genial: manda os dólares para o Maduro e o ditador camarada guarda tudo. Quando chegar 2026, esse dinheiro volta "limpinho" para financiar campanhas. A Venezuela não era um país; era o "Banco Central do Foro de São Paulo".


O petróleo que ninguém quer (e o Trump levou)


Mas tem um detalhe técnico: o petróleo da Venezuela é uma porcaria. É extra pesado, viscoso e cheio de metais. Custa entre 70 dólares por barril para extrair. Com o preço de mercado caindo, esse negócio não dá lucro comercial! Então, por que Joesley e Vorcaro colocariam milhões lá? Se não é pelo lucro, é pelo esquema. Ninguém investe 150 milhões de dólares em asfalto líquido se não houver um objetivo político por trás.


O pesadelo americano de Joesley Batista


Aqui o bicho pega para o Joesley. Ao investir em poços que podem ter sido confiscados de empresas americanas no passado, ele entrou em um campo minado. A justiça americana, sob Trump, vê isso como financiamento de ditadura. Se ficar provado que ele usou o sistema financeiro para sustentar o esquema Maduro-Lula, Joesley pode ver seus ativos congelados e encarar o FBI. Por isso a pressa dele em ir a Caracas tentar convencer Maduro a renunciar; foi tentativa de apagar o rastro antes que o xerife chegasse.


A "implosão" do plano de 2026


A prisão de Maduro explodiu o cofre. A análise da CNN também desta segunda-feira fala sobre a "Crise na Venezuela implode plano de Lula para largada de 2026" acerta em cheio: o problema não é só a imagem de "amigo de ditador", é que o fluxo financeiro secou. Sem o dinheiro guardado em Caracas, Lula perde o poder de "incentivo" junto ao Congresso.


A agenda de "entregas" para a eleição travou porque o dinheiro está bloqueado pelo fator Trump. Imagine o Maduro fazendo uma delação premiada em New York... se ele contar como o dinheiro do petróleo financiava o projeto de poder do PT, não haverá sigilo de 100 anos que salve o Planalto.


Enquanto a maioria dos brasileiros se preocupa com o fim do relacionamento de subcelebridades do Instagram, a elite do "capitalismo de compadrio" joga xadrez com o nosso futuro. Defendem a Amazônia aqui, mas investem em óleo sujo em ditadura vizinha. A soberania que defendem nunca foi do povo venezuelano; era a soberania do esquema. Agora, o vidro da redoma quebrou.


(Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 6/1/2026)

Wilson Gomes, FSP

 O ótimo professor Wilson Gomes alerta a esquerda do óbvio ululante, mas não adianta, só leem a mídia petista.

"Ao atacar o jornalismo para defender Moraes, a esquerda erra muito feio
Campanha contra Malu Gaspar é politicamente ineficaz; defesa cega do ministro gera assassinato de reputações.
6.jan.2026 às 18h29
Sim, eu sei que esta semana deixamos de ser especialistas em jornalismo investigativo, conspirações da mídia e condutas inapropriadas de membros da Suprema Corte porque nos tornamos experts em direito internacional, democracia e geopolítica.
Mas gostaria de retomar aspectos de um debate ainda incompleto —e decisivo para o futuro da democracia brasileira— que gira em torno das denúncias publicadas por grandes jornais sobre condutas impróprias ou insuficientemente explicadas envolvendo ministros do STF e, sobretudo, do modo como a esquerda reagiu a elas: assumindo a defesa de Alexandre de Moraes por meio de ataques ao jornalismo e à reputação de uma jornalista em particular, Malu Gaspar.
O primeiro ponto que chama a atenção é o empilhamento de fatos. Não se trata de um episódio isolado, de uma frase mal interpretada ou de um indício frágil. São contratos, contatos telefônicos, relações profissionais sensíveis e omissões explicativas que, mesmo considerados separadamente, já exigiriam esclarecimentos públicos. Tomados em conjunto, formam um quadro que, no mínimo, merece escrutínio rigoroso. Afinal, até o negacionismo mais arbitrário tem nos fatos um limite incontornável, e, quando eles são muitos e se acumulam, é difícil fingir que não existem.
O segundo ponto é a pobreza estratégica da defesa. Toda a reação se concentrou numa única tática: afirmar que Malu Gaspar mentiu, que é "lavajatista" e que opera com uma agenda política oculta, supostamente a serviço do golpismo. Trata-se de uma investida moralmente duvidosa e intelectualmente frágil. Não há demonstração de falsidade, não há contestação factual consistente, apenas rótulos e suspeitas projetadas. Fora do círculo militante, isso não se sustenta.
Malu Gaspar entra nesse episódio com um patrimônio reputacional elevado, construído ao longo do tempo, sem histórico de partidarização ou militância disfarçada. Se alguém se dispuser a fazer a pergunta elementar —quem teria mais a ganhar mentindo: a jornalista, os juízes ou os banqueiros envolvidos?—, a aposta racional reafirmaria a credibilidade da jornalista. Atacar essa credibilidade sem prova não a enfraquece, apenas expõe quem a ataca.
Há ainda um efeito perverso aparentemente não levado em conta. Ao mobilizar uma defesa agressivamente partidária de Moraes, a esquerda faz um desserviço ao próprio ministro. Um juiz constitucional depende não apenas da legalidade de seus atos, mas também da aparência de imparcialidade. A adoção repentina e feroz de Moraes pela esquerda só reforça a impressão —ainda que mal-intencionada— de que ele seria um juiz parcial e antidireita. Ser defendido dessa forma é péssimo para a sua reputação institucional.
O problema se agrava quando se adota o assassinato de reputação de jornalistas como tática política legítima. No caso de Malu Gaspar, isso se expressou por um repertório bem conhecido: acusá-la de mentir sem demonstrar em quê; rotular sua apuração como "lavajatista" para dispensar o exame dos fatos; atribuir-lhe uma agenda política oculta, supostamente a serviço do golpismo; tratar o uso de fontes protegidas como prova de má-fé; e reinterpretar reportagens independentes como parte de uma conspiração coordenada da mídia. Não se rebate a informação —tenta-se interditar quem a produziu.
Esse método não é apenas feio, é autodestrutivo. Primeiro, porque iguala moralmente esquerda e extrema direita: o bolsonarismo faz exatamente o mesmo. Segundo, porque jornalistas, como qualquer outro campo profissional, tendem a reagir solidariamente a ataques injustos. O resultado previsível não será o silenciamento, mas mais investigação.
Além disso, foi exatamente esse tipo de jornalismo investigativo —com fontes protegidas, apuração persistente e enfrentamento de poderosos— que expôs o orçamento secreto, a "rachadinha" do clã Bolsonaro, o gabinete do ódio, a interferência política na Polícia Federal, a Abin paralela e, antes disso, práticas graves no governo Temer. O mesmo método revelou fraudes empresariais monumentais e desmontou a Lava Jato a partir da Vaza Jato. Em todos esses casos, a imprensa também foi acusada de conspirar, de ter agenda, de querer "desestabilizar o país". Hoje, poucos duvidam de sua importância democrática.
No fim, a estratégia adotada consegue um feito notável: transformar um escândalo envolvendo banqueiro e relações impróprias de poder num problema da esquerda. É difícil imaginar algo mais estúpido e contraproducente —para a esquerda , para a credibilidade do STF e para a democracia."
Folha de SP, 06/01/26.

Philipp Heimberger

 Nosso artigo sobre os efeitos macroeconômicos do investimento público nos 27 Estados-membros da UE já foi publicado na "Applied Economics Letters" (em conjunto com Cara Dabrowski ). Apresentamos novas evidências de que choques de investimento público (a) têm efeitos favoráveis sobre a produção (multiplicadores de investimento >1) e o desemprego no curto e médio prazo; (b) não excluir o investimento privado; e (c) não colocar em risco a sustentabilidade da dívida pública.


Link para o artigo: https://lnkd.in/dtdracCS

Versão de acesso livre: https://lnkd.in/dT4uA3rQ



FÁBIO ALVES: O ‘PAYROLL’ E A PRECIFICAÇÃO DO FOMC DE JANEIRO

Será que o relatório de emprego de dezembro (“payrolls”), que será divulgado na próxima sexta-feira, poderá influenciar a decisão sobre a taxa de juros nos Estados Unidos na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), marcada para os dias 27 e 28 deste mês? No encerramento da semana passada, a precificação da curva de juros estava indicando uma probabilidade de quase 83% de que o Federa Reserve (Fed) irá manter a taxa básica inalterada na reunião do Fomc deste mês. Ou seja, seria preciso uma surpresa muito grande nos dados para fazer o mercado alterar essa precificação e também para influenciar a opinião dos membros votantes do Fomc. “Ninguém deveria ter muita confiança nas suas estimativas [para o ‘payroll’ de dezembro] dada a baixa qualidade dos dados”, diz o chefe de economia para mercados de capitais do Scotiabank, Derek Holt. Ele prevê a criação de apenas 25 mil vagas de trabalho nos EUA em dezembro, com uma taxa de desemprego cedendo para 4,5%. O consenso das estimativas do mercado é para a geração de 53 mil vagas de trabalho, com uma taxa de desemprego de 4,5%. É bom lembrar que a grande surpresa do “payroll” de novembro foi a subida da taxa de desemprego de 4,4% para 4,6%. Isso ocorreu muito em razão das distorções provocadas pelo “shutdown”, ou paralisação da máquina federal americana, quando o governo afastou temporariamente um grande número de servidores. Em novembro, foram criadas 64 mil vagas de trabalho nos EUA, com o ganho salarial médio por hora avançando apenas 0,1% na margem. O economista para EUA do banco JPMorgan, Michael Feroli, observa que se o mercado de trabalho voltar a apertar, com a melhora dos dados, o Fed poderá deixar a taxa de juros inalterada por um período prolongado. “A ata da reunião do Fomc de dezembro já mostrou um Comitê inlciando nessa direção”, observou Feroli, em nota a clientes. “Naquela reunião, os membros do Fomc ainda não tinham visto a alta recente na taxa de desemprego, mas eles provavelmente estavam esperando isso baseado nas suas discussões sobre os dados do mercado de trabalho no setor privado”. A projeção de Feroli é de uma criação de 75 mil vagas de trabalho em dezembro, com a taxa de desemprego mantendo-se em 4,6%. “Será preciso uma taxa de desemprego sólida de 4,6% para convencer o Fomc a cortar de novo os juros”, acrescentou Feroli. A aposta dele é ainda de um corte de juros na reunião do Fomc de janeiro. Mas ele admite que essa aposta é bastante incerta, ou “a close call”, como ele escreveu no seu relatório. “Mas se o Fed pausar em janeiro e o mercado de trabalho começar a apertar de novo no início deste ano, então há um risco material de que o Fed não irá mais cortar os juros em 2026”, disse Feroli. Na ponta mais otimista em relação aos resultados do “payroll” de dezembro está o economista-chefe para EUA da Jefferies, Thomas Simons. Ele prevê a criação de 155 mil vagas de trabalho em dezembro, com a taxa de desemprego recuando para 4,3%. Por ora, seria muito difícil imaginar uma mudança nos “calls” oficiais de economistas de bancos e também na precificação do mercado em razão da divulgação do “payroll” de dezembro. Mesmo uma surpresa nos dados será recebida com certo ceticismo, diante do que aconteceu com a coleta das informações por causa do “shutdown”. Restará para medir a temperatura qualquer avaliação, ou declaração, dos dirigentes do Fed sobre o “payroll” de dezembro. A ver. (fabio.alves@estadao.com) Fábio Alves é jornalista da Broadcast

Bco Master

 😱  *Cláusula do FGC previa suspensão de socorro ao Master em caso de investigação* 

Em documento enviado ao TCU, Banco Central aponta "crise aguda de liquidez" da instituição

Uma cláusula considerada padrão em contratos de crédito de alto risco acabou se tornando peça-chave no colapso do Banco Master. O contrato de empréstimo emergencial firmado entre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a instituição previa a suspensão imediata do socorro financeiro caso o banco ou seu controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro, se tornassem alvo de investigações da Polícia Federal ou do Ministério Público Federal. A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo O Globo.


O dispositivo contratual, descrito por especialistas como uma ferramenta clássica de gestão de risco, permitia ao FGC interromper o apoio em um cenário de deterioração relevante do perfil de crédito do tomador.


A existência dessa salvaguarda ganhou relevância diante da escalada de eventos que, em poucos meses, tornaram insustentável a situação financeira do Master e culminaram na decretação de sua liquidação pelo Banco Central (BC), em novembro de 2025.


Em maio de 2025, segundo apuraram as reportagens, o FGC concedeu ao Master um empréstimo emergencial de R$ 4 bilhões para permitir o pagamento de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), em um momento em que o banco já enfrentava sérios problemas de liquidez e não conseguia realizar novas captações desde março. No mesmo período, o Banco Regional de Brasília (BRB) anunciou a compra de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Master, por R$ 2 bilhões.

https://iclnoticias.com.br/economia/clausula-fgc-suspensao-socorro-master/

Abertura 0701

 *Abertura: ameaça de Trump à Groenlândia reforça cautela antes de dados de emprego dos EUA*


Por Maria Regina Silva e Luciana Xavier*


OVERVIEW. O foco hoje fica em dados de atividade dos Estados Unidos, em dia de agenda escassa no Brasil. Serão informadas a pesquisa ADP de emprego no setor privado e o relatório Jolts sobre vagas criadas, além do PMI/ISM de serviços. No início da noite, a vice-presidente de Supervisão do Federal Reserve (Fed), Michelle Bowman, participa de evento.


NO EXTERIOR. Após recordes na véspera das bolsas, os índices futuros de ações em Nova York, rondam a estabilidade nesta manhã. Na mesma linha estão os rendimentos do Treasuries e o dólar. Na Europa, as bolsas exibem sinais distintos, em meio da dados da região como queda nas vendas do varejo alemão e CPI da zona do euro de dezembro, que voltou á meta do Banco Central Europeu, além monitorarem persistentes ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de anexar a Groenlândia. Investidores aguardam a divulgação da  pesquisa da ADP sobre criação de vagas no mercado de trabalho privado, o relatório Jolts de emprego e o PMI de serviços medido pelo ISM, no momento de sinais de manutenção dos juros pelo Fed na reunião no final deste mês. Já o petróleo amplia perdas, ainda sob influência de comentário de Trump de que "autoridades interinas da Venezuela vão entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos EUA". Ficam no foco a Chevron Corp. e o grupo de private equity Quantum Energy Partners. Há relatos de que reunirão para lançar oferta conjunta pelos ativos internacionais da petrolífera russa Lukoil, que está sob sanções.


POR AQUI. O viés negativo dos índices de ações no pré-mercado de Nova York pode estimular correção do Ibovespa, após fechar ontem no segundo maior nível de fechamento da história. Também entra como fator de baixa o recuo de cerca de 1,5% nas cotações do petróleo, embora a alta de 4% do minério, impulsionada por relatos de estímulo à economia por parte de Pequim, sirva como contraponto. Nesta manhã, os ADRs da Vale e o EWZ, principal fundo de índice (ETF) brasileiro negociado em Nova York, têm viés de queda, enquanto os ADRs da Petrobras subiam 0,52% às 7h13. Na falta de novos catalisadores, os juros futuros ficam à mercê do comportamento dos rendimentos dos Treasuries e do câmbio, que pode se ajustar depois de ter emendado o quarto pregão consecutivo na véspera, antes das divulgações dos indicadores de hoje nos EUA.


NA POLÍTICA. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) deve protocolar o requerimento de instauração de uma CPMI para apurar fraudes atribuídas ao Banco Master já na abertura dos trabalhos do Congresso, no dia 2 de fevereiro. O presidente Lula corre para encontrar um nome para substituir Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça, que deve deixar o posto nesta semana. Um dos cotados é Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. Um relatório médico elaborado pela PF e encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, informa que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estava consciente, após sofrer uma queda durante na cela onde está custodiado, em Brasília. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, afirmou que pretende anunciar antes da eleição quem será seu ministro da Economia, caso seja eleito. Ele disse ainda que o irmão Eduardo Bolsonaro - deputado cassado - poderia cuidar das relações internacionais na sua gestão.


AGENDA.


ADP, JOLTS E BOWMAN DO FED SÃO DESTAQUE - Nos EUA saem a pesquisa ADP do mercado de trabalho privado (10h15) e o Relatório Jolts de abertura de vagas no país (12h). O ISM informa o PMI de serviços relativo a dezembro (12h). A vice-presidente de Supervisão do Fed, Michelle Bowman, discursa em evento (18h10). No Brasil, o Banco Central divulga o fluxo cambial semanal (14h30). O presidente Lula participa de eventos em Brasília sobre hospitais e assina contrato empréstimo do Novo Banco de Desenvolvimento, NDB, dos Brics.


O QUE SABEMOS.


EMBRAER - A fabricante de aviões informou que entregou 91 aeronaves no quarto trimestre de 2025, alta de 46,7% em relação ao terceiro trimestre e de 21,3% ante igual período de 2024, quando foram entregues 62 e 75 unidades, respectivamente. No acumulado de 2025, a fabricante entregou 244 aeronaves nos segmentos de Aviação Comercial, Aviação Executiva e Defesa & Segurança, acima das 206 unidades do ano anterior. Na Aviação Comercial, foram 32 novos jatos no quarto trimestre, sendo 15 do modelo E195-E2. No ano, o segmento somou 78 entregas, em linha com o guidance de 77 a 85 aeronaves. A Aviação Executiva registrou 53 entregas no trimestre, com destaque para o Phenom 300, responsável por 23 unidades, e fechou o ano com 155 jatos, no teto das estimativas. Em Defesa & Segurança, a empresa entregou seis aeronaves no trimestre e 11 no ano.


EM TESE: As entregas acima do ano anterior reforçam execução operacional sólida da Embraer, o que pode favorecer hoje as ações da empresa. O resultado sustenta receitas e caixa, enquanto Defesa mantém contribuição estável, apoiando a percepção positiva do mercado. Para o Citi, a Embraer apresentou um "forte" quarto trimestre de entregas de aeronaves, estabelecendo um recorde trimestral, o que reforça, na visão do banco, potencial de crescimento da produção para este ano. O Citi tem recomendação de compra para Embraer e preço-alvo de US$ 77, visando um retorno de 11% em relação ao fechamento desta terça-feira, na Bolsa de Nova York (Nyse).


FUNDOS - A indústria de fundos encerrou 2025 com captação líquida de R$ 88,4 bilhões, segundo dados da Anbima. O patrimônio líquido alcançou R$ 10,7 trilhões, alta de 16,3% em relação a 2024, quando somava cerca de R$ 9,2 trilhões. Apesar do crescimento do estoque, as entradas recuaram aproximadamente 27% frente a 2024, que registrou R$ 121,3 bilhões. No ano, os maiores resgates ocorreram em fundos multimercados, com saída de R$ 58,8 bilhões, e em fundos de ações, com R$ 54,4 bilhões, seguidos por previdência e cambial. Na ponta positiva, a renda fixa liderou, com captação de R$ 84,2 bilhões, além de fundos de investimento em participações, fundos de direitos creditórios, fundos de índice e fundos ligados ao agronegócio. Em dezembro, houve resgate líquido de R$ 66,7 bilhões, puxado pela renda fixa.


EM TESE: Os números da Anbima indicam crescimento do patrimônio, sustentado por juros altos, mas perda de fôlego na captação. A migração para renda fixa e fundos estruturados reforça o viés conservador, enquanto os resgates em ações e multimercados mostram menor apetite a risco.


OVERNIGHT.


TCU/BANCO MASTER - A presidência do Tribunal de Contas da União (TCU) encaminhou uma mensagem aos demais ministros avaliando que a Corte de Contas estaria sob ataque e reforçando que nenhum órgão pode ficar livre do controle externo, de acordo com fontes internas da instituição. A mensagem atribuída ao presidente, Vital do Rêgo, vem após a repercussão sobre o caso Master. As informações foram primeiramente publicadas pela CNN Brasil e confirmadas pela Broadcast. Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.


BC NA MIRA - Instituições e autoridades envolvidas na liquidação do Banco Master foram alvo de uma série de ataques nas redes sociais pouco antes da virada do ano. A ofensiva, concentrada em um período de 36 horas, utilizou contas conhecidas por promover celebridades para questionar a credibilidade de órgãos como o Banco Central e a Febraban em relação ao processo, que está agora sob o escrutínio do Tribunal de Contas da União (TCU).


BRASIL/VENEZUELA - O Brasil teve superávit comercial de US$ 489 milhões com a Venezuela em 2025, segundo a Secex/Mdic. Nos últimos anos, o maior superávit que o Brasil teve com o país vizinho foi em 2015, com saldo de US$ 2,3 bilhões. Desde então, o resultado de exportações e importações, sempre favorável ao Brasil, não ultrapassou a barreira de US$ 1 bilhão.


AZUL - A empresa informou na noite de ontem que concluiu a oferta pública de distribuição primária de ações ordinárias e preferenciais, no âmbito da sua reestruturação financeira nos Estados Unidos, com a oferta totalizando R$ 7,441 bilhões. Assim, o novo capital social da companhia é de R$ 14.573.410.376,60.


TOTVS - O conselho de administração da Totvs aprovou a sexta emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em série única, no valor de R$ 3 bilhões. Os recursos líquidos obtidos com emissão serão integralmente utilizados para a aquisição da totalidade das ações de emissão da Linx Participações e para a gestão ordinária de seus negócios.


AB INBEV - A gigante da cerveja Anheuser-Busch InBev, controladora da Ambev no Brasil, concordou em recomprar uma participação minoritária em suas plantas de contêineres de metal nos EUA por cerca de US$ 3 bilhões, retomando sua parte nas instalações para reforçar a segurança do fornecimento. A cervejaria belga da Budweiser disse nesta terça-feira que exerceu o direito de recomprar sua participação de 49,9% nas plantas, que estavam nas mãos de um grupo de investidores institucionais liderado pela Apollo Global Management.


XAI - A xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk, completou uma rodada de financiamento Série E de US$ 20 bilhões, superando sua meta de US$ 15 bilhões. A empresa por trás do modelo de linguagem Grok disse nesta terça-feira que os investidores na rodada de financiamento incluíram Qatar Investment Authority, Valor Equity Partners, Stepstone Group, MGX e Baron Capital Group, e Fidelity Management & Research Company. A xAI também listou Nvidia e Cisco Investments como investidores estratégicos na rodada.


NVIDIA - A demanda chinesa pelos processadores avançados de inteligência artificial H200 da Nvidia está "bastante alta", disse o CEO da empresa, Jensen Huang, um mês após a administração Trump tomar a decisão controversa de aprovar a venda dos chips na China.


FED - O Conselho do Federal Reserve (Fed) divulgou nesta terça-feira as atas de sua recente reunião, de 10 de dezembro, para revisar e determinar as taxas de desconto fornecidas às instituições depositárias através da janela de desconto. Oito dos 12 bancos do Fed votam para manter a taxa de desconto inalterada em dezembro. "No geral, os diretores observaram uma atividade econômica estável, embora as condições variassem entre os setores e distritos", pontuou o BC americano em nota.


China -  As reservas cambiais da China aumentaram em dezembro, encerrando um ano marcado por um crescente superávit comercial que renovou o debate sobre o yuan, que é mantido sob rígido controle. Dados publicados hoje pelo PBoC, como é conhecido o banco central chinês, mostram que as reservas da segunda maior economia do mundo tiveram alta de US$ 11,5 bilhões em dezembro, atingindo US$ 3,358 trilhões. O avanço veio em linha com a previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal.


E NOS MERCADOS.


PETRÓLEO - Os contratos futuros operam em queda de até cerca de 1,5%, ampliando as perdas da véspera, após comentário do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que “autoridades interinas da Venezuela vão entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos EUA”. O mercado também acompanha a pesquisa semanal do Departamento de Energia dos Estados Unidos sobre estoques de petróleo e derivados. Às 7h11, o WTI para fevereiro caía 1,24%, a US$ 56,43, enquanto o Brent para março recuava 0,87%, a US$ 60,17.


FUTUROS DE NY - Os índices futuros de Nova York têm leve queda em sua maioria, após Wall Street acumular ganhos nos dois pregões anteriores. Investidores aguardam uma bateria de indicadores, incluindo a pesquisa ADP sobre criação de empregos no setor privado e o índice de gerentes de compras de serviços medido pelo ISM. Às 7h11, o futuro do Dow Jones subia 0,01%, o do S&P 500 subia 0,29% e o do Nasdaq avançava 0,43%.


BOLSAS DA EUROPA- As bolsas europeias operam sem direção única na manhã desta quarta-feira, enquanto investidores avaliam dados da inflação ao consumidor (CPI) da zona do euro e ponderam os riscos geopolíticos do ataque dos EUA à Venezuela e repetidas ameaças de Washington de anexar a Groenlândia. Às 7h13, Londres caía 0,52%, Paris cedia 0,06% e Frankfurt avançava 0,73%.


TREASURIES - Os rendimentos operam próximos da estabilidade, após avanço na sessão anterior, com o foco voltado para os dados econômicos dos Estados Unidos e para eventuais comentários de uma autoridade do Federal Reserve. Às 7h14, a taxa da T-note de 2 anos estava em 3,459% (de 3,458% ontem), o retorno da T-Note de 10 anos caía a 4,142% (de 4,166%) e o do T-bond de 30 anos recuava para mínima de 4,823% (de 4,854%).


MOEDAS FORTES - O dólar opera perto da estabilidade frente a outras moedas fortes, à espera de dados de inflação da zona do euro e de indicadores do mercado de trabalho dos Estados Unidos. Às 7h15, o euro caía a US$ 1,1687 (de US$ 1,1694 ontem), a libra recuava a US$ 1,3497 (de US$ 1,3505) e o dólar se enfraquecia a 156,48 ienes (de 156,59 ienes). O índice DXY tinha leve alta de 0,01%, a 98,58 pontos.


BOLSAS DA ÁSIA - As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta quarta-feira, à medida que as ações de defesa interromperam um recente rali, em meio a riscos geopolíticos após o ataque dos EUA à Venezuela e de repetidas ameaças de Washington de anexar a Groenlândia. "A incerteza global continua a se aprofundar", disse Tan Boon Heng, do Mizuho Bank, em nota. O índice japonês Nikkei caiu 1,06% em Tóquio. O sul-coreano Kospi avançou 0,57% em Seul. O Hang Seng caiu 0,94% em Hong Kong, e o Taiex cedeu 0,46% em Taiwan. Na China continental, o dia foi de ganhos marginais, de 0,05% do Xangai Composto, e de 0,11% do menos abrangente Shenzhen Composto. Na Oceania, a bolsa australiana ficou levemente no azul: o S&P/ASX 200 subiu 0,15% em Sydney.

Simon Schwartzman