quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

FÁBIO ALVES: O ‘PAYROLL’ E A PRECIFICAÇÃO DO FOMC DE JANEIRO

Será que o relatório de emprego de dezembro (“payrolls”), que será divulgado na próxima sexta-feira, poderá influenciar a decisão sobre a taxa de juros nos Estados Unidos na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), marcada para os dias 27 e 28 deste mês? No encerramento da semana passada, a precificação da curva de juros estava indicando uma probabilidade de quase 83% de que o Federa Reserve (Fed) irá manter a taxa básica inalterada na reunião do Fomc deste mês. Ou seja, seria preciso uma surpresa muito grande nos dados para fazer o mercado alterar essa precificação e também para influenciar a opinião dos membros votantes do Fomc. “Ninguém deveria ter muita confiança nas suas estimativas [para o ‘payroll’ de dezembro] dada a baixa qualidade dos dados”, diz o chefe de economia para mercados de capitais do Scotiabank, Derek Holt. Ele prevê a criação de apenas 25 mil vagas de trabalho nos EUA em dezembro, com uma taxa de desemprego cedendo para 4,5%. O consenso das estimativas do mercado é para a geração de 53 mil vagas de trabalho, com uma taxa de desemprego de 4,5%. É bom lembrar que a grande surpresa do “payroll” de novembro foi a subida da taxa de desemprego de 4,4% para 4,6%. Isso ocorreu muito em razão das distorções provocadas pelo “shutdown”, ou paralisação da máquina federal americana, quando o governo afastou temporariamente um grande número de servidores. Em novembro, foram criadas 64 mil vagas de trabalho nos EUA, com o ganho salarial médio por hora avançando apenas 0,1% na margem. O economista para EUA do banco JPMorgan, Michael Feroli, observa que se o mercado de trabalho voltar a apertar, com a melhora dos dados, o Fed poderá deixar a taxa de juros inalterada por um período prolongado. “A ata da reunião do Fomc de dezembro já mostrou um Comitê inlciando nessa direção”, observou Feroli, em nota a clientes. “Naquela reunião, os membros do Fomc ainda não tinham visto a alta recente na taxa de desemprego, mas eles provavelmente estavam esperando isso baseado nas suas discussões sobre os dados do mercado de trabalho no setor privado”. A projeção de Feroli é de uma criação de 75 mil vagas de trabalho em dezembro, com a taxa de desemprego mantendo-se em 4,6%. “Será preciso uma taxa de desemprego sólida de 4,6% para convencer o Fomc a cortar de novo os juros”, acrescentou Feroli. A aposta dele é ainda de um corte de juros na reunião do Fomc de janeiro. Mas ele admite que essa aposta é bastante incerta, ou “a close call”, como ele escreveu no seu relatório. “Mas se o Fed pausar em janeiro e o mercado de trabalho começar a apertar de novo no início deste ano, então há um risco material de que o Fed não irá mais cortar os juros em 2026”, disse Feroli. Na ponta mais otimista em relação aos resultados do “payroll” de dezembro está o economista-chefe para EUA da Jefferies, Thomas Simons. Ele prevê a criação de 155 mil vagas de trabalho em dezembro, com a taxa de desemprego recuando para 4,3%. Por ora, seria muito difícil imaginar uma mudança nos “calls” oficiais de economistas de bancos e também na precificação do mercado em razão da divulgação do “payroll” de dezembro. Mesmo uma surpresa nos dados será recebida com certo ceticismo, diante do que aconteceu com a coleta das informações por causa do “shutdown”. Restará para medir a temperatura qualquer avaliação, ou declaração, dos dirigentes do Fed sobre o “payroll” de dezembro. A ver. (fabio.alves@estadao.com) Fábio Alves é jornalista da Broadcast

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