segunda-feira, 19 de maio de 2025

Fim do home office

 Venho a comentar sobre isso. Muitíssimos q se prestam a isso, são uns embromadores.


https://www.estadao.com.br/economia/adeus-home-office-interior-trabalho-presencial-exigencia/


*Adeus ao home office e ao interior: trabalho presencial vira exigência para altos executivos*

_60% das oportunidades para C-Levels este ano são presenciais e, mesmo no modelo híbrido, há diminuição de dias de trabalho remoto, apontam levantamentos de consultorias especializadas em recrutamento e seleção_


Por Márcia De Chiara


O mundo corporativo está voltando ao período pré-pandemia. Nos últimos meses, o trabalho presencial voltou a ser uma exigência na contratação de altos executivos, sobretudo em empresas menores e familiares, onde o olho no olho é símbolo de comprometimento do alto staff com os donos. E isso tem causado um certo incômodo na admissão desses profissionais.


Levantamento da consultoria Soul, especializada no recrutamento de altos executivos, mostra que, de todas as vagas que há em aberto na consultoria neste início de ano, entre 55% e 60% são presenciais, por exemplo. Para as demais (de 35% a 40%), há até a possibilidade de home office, porém de apenas um dia na semana.


Nos últimos 12 meses, a Page Executive, unidade de negócios da PageGroup, especializada em recrutamento de executivos de alta liderança, intermediou 44 contratações. Dessas, 26, ou 59% foram vagas para trabalho presencial e 18 (41%) para o modelo híbrido.


O que os recrutadores notaram é que até o híbrido está mudando, com menos dias em home office. Isso tem sido um obstáculo para muitos profissionais se recolocarem no mercado. Durante a pandemia, em busca de mais qualidade de vida, eles foram com a família morar no interior e estabeleceram uma rotina de ir presencialmente ao escritório apenas algumas vezes na semana.


“O número de empresas que diminuiu os dias de home office dobrou no último ano”, afirma Renata Filippi, sócia da Soul Consulting. Até 2023, ela conta que o modelo de trabalho era “mais brando”, de dois dias no presencial e três dias em home office. “Agora vejo grande parte das empresas com quatro dias no escritório e um dia em home office. Dois dias no presencial quase não tem mais.”


A redução no número de dias de trabalho a distância na semana tem deixado os candidatos a vagas de alto escalão desconfortáveis com a perspectiva de ter de alterar a rotina de morar fora da capital, caso a proposta de contratação se efetive.


“Tive algumas recusas (de candidatos) para posições de primeira liderança no início do processo seletivo por essa questão”, conta Paulo Dias, diretor-executivo da Page Executive.


Para posições de diretoria, Renata também tem visto profissionais deixando de aceitar propostas em início de processo seletivo porque a exigência do trabalho presencial pesa, entre outros fatores. “Para cerca de 30% dos candidatos que estão bem colocados na fase inicial, às vezes o processo seletivo não avança por esse motivo. E menos de 5% declina quando tudo está alinhado, apenas por conta do modelo de trabalho.”


Percebendo a mudança de cenário, o executivo Leandro Monsores, de 51 anos, adotou a estratégia de dar preferência para as vagas presenciais, a fim de aumentar as chances de empregabilidade e se recolocar mais rapidamente. Como diretor de Recursos Humanos na companhia alemã de logística DHL Supply Chain, ele trabalhava três dias na semana presencialmente e tinha bastante flexibilidade.


Em 2023, quando deixou a empresa e voltou ao mercado, constatou que a maioria das vagas para C-Level era presencial. Decidiu, então, dar preferência para esse modelo de trabalho. “Se optasse por vagas presenciais, a probabilidade de me recolocar seria mais rápido”, observa.


E foi exatamente o que aconteceu. Faz um mês que Monsores foi contratado para ocupar a posição de diretor de RH na multinacional francesa FM Logistic. Foram quatro meses no mercado em busca de uma nova oportunidade de trabalho. “Se tivesse colocado como quesito o trabalho híbrido, demoraria um ano”, calcula.


Quando saiu da antiga empresa mudou-se com a família de Campinas (SP) para Tamboré, no município de Barueri (SP), mais próximo da capital paulista, porque a maioria das vagas eram na cidade de São Paulo.


Na nova empresa, ele tem a opção de trabalhar quatro dias presenciais e um dia remoto. Mas Monsores prefere ir ao escritório todos os dias. “Logística é um setor vivo, a operação tem muitas variáveis e no home office perde-se muita coisa”, avalia.


Várias razões são apontadas pelas empresas para impor o retorno ao trabalho presencial. Entre elas estão aumentar o engajamento, fortalecer a cultura organizacional da companhia e até superar questões de como controlar a produtividade dos funcionários.


No entanto, agora com a superação da crise sanitária, companhias multinacionais estão sentindo os custos adicionais impostos pelo home office, como a obrigatoriedade do pagamento de serviço de internet aos funcionários, vale supermercado para eles se alimentarem em casa, por exemplo. Além da questão do desempenho dos funcionários, a exigência do trabalho presencial visa reduzir essas despesas.


*Flexibilidade*


Apesar de os consultores frisarem que quanto mais alto o cargo de liderança, mais se impõe o trabalho presencial, eles notaram uma certa tendência de flexibilização desse modelo por parte das empresas para esses profissionais. A intenção é acomodar as demandas dos candidatos a altos níveis hierárquicos e manter atratividade pelas vagas.


“Quando a empresa dá a chance de o C-Level ter pelo menos um dia em casa, ele aproveita e quando não há flexibilidade, existe, sim, a busca por outras oportunidades”, ressalta a sócia da Soul.


No caso de profissionais de alta escalão que já estão empregados, a flexibilização pode se traduzir em manter o mesmo nível de remuneração e permanecer num modelo híbrido de trabalho do que ganhar mais e ter de migrar para o presencial.


*Multinacionais X empresas familiares*


A flexibilização do modelo de trabalho é mais comum nas empresas multinacionais, que têm uma estrutura tecnológica robusta para suportar o trabalho remoto. Além disso, já faz parte da rotina dessas companhias políticas globais de bem-estar e gestão por desempenho. No caso da Soul, todas as grandes multinacionais atendidas pela consultoria dão de um a dois dias de home office na semana para os altos executivos.


“As multinacionais têm uma cultura de confiança natural, porque o trabalho é globalizado”, afirma Dias, da Page Executive. Ele observa que a maior parte das companhias que estão no presencial são nacionais e familiares.


Depois da pandemia, existem empresas nacionais e familiares que não precisariam necessariamente voltar ao modelo presencial de trabalho, mas elas estão retornando.


“Na minha percepção, elas aderem (ao presencial) é por insegurança de perderem a cultura que criaram ao longo dos anos, por não confiar no funcionário que está num modelo híbrido e achar que esse profissional vai se dedicar um pouco menos”, diz Dias. Ele pondera, no entanto, que não se trata de um movimento generalizado. Mas há acionistas que querem ter os profissionais sob o olhar do dono.


*Setores*


O movimento de volta ao trabalho presencial para a maioria dos dias da semana entre os altos executivos não é uniforme para todos os setores. Mineração, indústria pesada, construção, engenharia, saneamento, logística, varejo, agronegócio, por exemplo, são setores presenciais por natureza e dificilmente trabalham de forma remota. Portanto, a alta liderança acompanha.


Já segmentos como de tecnologia, startups, educação, comunicação, consultoria, serviços digitais, por exemplo, são muito remotos e permitem que o trabalho seja híbrido, inclusive em cargos de liderança.


O diretor executivo de Recursos Humanos (RH) da Sempre Agtech, empresa de biotecnologia, pesquisa e desenvolvimento intensivo para o agronegócio, Kenny Carvalho, de 41 anos, fez uma mudança radical.


Até julho do ano passado, ele trabalhava no iFood em modelo híbrido, indo presencialmente ao escritório duas vezes na semana. Da sua casa em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, onde morava, até o escritório da empresa, localizado no município de Osasco, gastava muito tempo.


Há oito meses na nova empresa, Carvalho mudou-se do ABC Paulista para Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, onde fica a sede da companhia. A nova rotina é de trabalho 100% presencial. “O remoto não é uma realidade no agro”, diz o executivo.


Até fechar a contratação com a atual empresa, Carvalho conta que estava dando preferência para vagas híbridas. Mas acabou aceitando a vaga presencial por conta do pacote de benefícios maior, incluindo salário. “O presencial não acabou pesando e virou um detalhe.”


O executivo ressalta que tinha interesse pelo segmento agro e pela empresa, que aplica tecnologia ao setor. Além disso, foi contratado para construir a área de RH da companhia. Na sua avaliação, seria complexo criar um time e uma cultura em uma empresa trabalhando remotamente. “Achei mais prudente e produtivo estar presencialmente.”


Desde meados do ano passado até hoje, a oferta de vagas para altos executivos mudou. De cada dez vagas em aberto em junho de 2024, duas eram presenciais e oito híbridas, diz Carvalho. Hoje, por informações obtida de colegas, essa proporção quase inverteu: de cada dez vagas, sete são presenciais e três híbridas.

domingo, 18 de maio de 2025

Como jogo war

 "Como jogo War": 


Livro conta conflitos, reviravoltas e inovações do BTG Pactual


Obra ganha fôlego com narrativa sobre diferenças de personalidade entre fundadores André Esteves e Luiz Cezar Fernandes


15.mai.2025 às 12h00

A história do BTG Pactual é, no fim, a de uma briga de foice pelo poder.


Ao menos é isso o que conta a jornalista Ariane Abdallah em seu novo livro, "De Volta ao Jogo - A História de Sucesso, Dramas e Viradas do BTG Pactual", que será lançado nesta quinta-feira (15) após cinco anos de pesquisas.


"O Pactual era como o jogo 'War': crescia no banco quem demonstrava apetite e habilidade para conquistar territórios, ampliando sua atuação e sua influência sobre os demais", descreve ela a certa altura. Relatos de alianças, rupturas, traições e controvérsias permeiam a obra.


O jogo pelo poder não é um acaso. Para Abdallah, há uma raiz institucional: a ideia de recompensa ao desempenho implementada pelo Pactual, fundado em 1983. Ali foram criadas avaliações rigorosas para oferecer aos funcionários a chance de virar sócios da empreitada, ali buscaram-se as melhores mentes, sem se importar de qual área viessem.


O ambiente de disputa reflete a visão de mundo de suas figuras centrais: Luiz Cezar Fernandes, fundador do Pactual ao lado de Paulo Guedes e André Jakurski, e André Esteves, fundador do BTG. Ambos foram entrevistados para a obra.


A dinâmica da relação entre duas personalidades tão diferentes é a trama mais forte do livro, exemplificada em grandes e pequenos momentos, como a festa de 40 anos do banco, em dezembro de 2023.


O evento, realizado na Hípica de Santo Amaro, em São Paulo, reuniu todos os sócios da história do banco. Cezar, referência de vários dos presentes, subiu ao palco para discursar. Em sua fala, enalteceu a geração no comando à época e rememorou o passado.


"Muito bom, mas melhor a gente ir lá. Senão, daqui a pouco, ele vai achar que é ele que está tocando tudo isso aqui", teria dito Esteves após alguns minutos de discurso, segundo o livro.


Na descrição de Abdallah, Cezar era entusiasmado, caótico e muitas vezes confiante demais: um rolo compressor. Sem formação convencional, insistia naquilo que acreditava até vencer os adversários pelo cansaço e se irritava com opiniões contrárias.


Mas mesmo seus críticos reconheciam que ele era um visionário. Nos anos 1980, já dizia que todos teriam uma tela de computador na mesa de trabalho. Quando quase só se usava telefone ou fax, insistia que os funcionários do banco deveriam checar a caixa de emails sempre.


"[Cezar tinha] uma capacidade fabulosa de entender o mundo sem falar inglês. Um homem que passava a sensação de um quase caipira (…) Ao mesmo tempo, tinha uma sensibilidade para o mundo muito à frente de seu tempo", diz Paulo Bilyk, um ex-sócio do Pactual, a Abdallah no livro.


O banqueiro queria selecionar o que via como os mais fortes.


"E aí, meu irmão, você é um mosca-morta ou um fodão?", questionava Cezar nas entrevistas de emprego, segundo Abdallah. "Você teve uma vida boa até agora, vai querer se matar de trabalhar?" Também não faltavam comentários homofóbicos e machistas, de acordo com o livro: "Você é gay? Você tem cara de gay".


A intenção era testar a reação dos candidatos. De acordo com a autora, Cezar costumava dizer: "Você joga na parede. Se colar, fica. Se cair, vai embora". Quem ficava era treinado para aprender a ser agressivo e a ganhar dinheiro, mas sem se arriscar demais.


Esteves foi seu pupilo mais importante —ao mesmo tempo, não poderia ser alguém mais diferente. Era o "nerd", o menino cerebral e interessado que aprendia mais rápido do que os outros, descreve a autora. Teve uma ascensão fulminante no banco.


Ele teve participação essencial na aquisição do Pactual pelo UBS, em 2006. No meio da crise do subprime, em 2008, o banco suíço o chamou a Londres para liderar a divisão global de renda fixa.


A fusão, no entanto, gerou atritos: conflitos por causa da diferença na maneira de trabalhar, do choque entre a formalidade e informalidade entre suíços e brasileiros. Esteves resolveu sair e fundou o BTG com outros sócios, em 2008.


Um plano era usar a crise do subprime como uma oportunidade para comprar o Pactual. Deu certo no ano seguinte: assim nasceu o BTG Pactual, que se tornaria o maior banco de investimentos da América Latina.


"No dia do anúncio, Esteves telefonou para Luiz Cezar Fernandes, de quem havia se distanciado na última década, e fez questão de reconhecer os méritos do fundador, sobretudo o sistema de meritocracia implantado por ele", relata a autora. Cezar, que havia deixado o banco em 1999, ficou emocionado com o reconhecimento.


Na narrativa da autora, o que ambos têm em comum é estarem sempre em busca do próximo passo, de onde está o que ninguém vê agora.


Mas também os une a experiência de que chegar ao topo pode ser algo traiçoeiro.


Cezar foi obrigado a vender sua parte no Pactual em 1999 para pagar dívidas e anos mais tarde teve de recorrer a Esteves para não perder sua amada Fazenda Marambaia, uma propriedade de 2,5 milhões de metros quadrados em Petrópolis (RJ) que iria a leilão. Era o símbolo do poder de sua vida. O ex-estagiário aceitou ajudá-lo.


Esteves, por sua vez, se viu envolvido no maior escândalo político dos últimos 20 anos no Brasil: a Operação Lava Jato.


Delatado pelo então senador Delcídio do Amaral, ele foi preso em 2015, acusado de supostamente atrapalhar as investigações. Com a cabeça raspada e sem contato com o dia a dia do banco, Esteves temia pela própria integridade física na penitenciária. Arrumou um jeito de não se desesperar e manter a sanidade mental, diz Abdallah.


Sempre adaptando-se, teria pedido para a advogada do banco lhe comprar uma chuteira para que pudesse jogar bola com os outros presos (ele depois seria chamado para apitar as partidas). Daria conselhos financeiros aos guardas. Usaria o tempo para ler o Código Penal brasileiro e livros sobre Direito. Rascunharia pedidos de habeas corpus para outros presos.


Esteves foi solto após 28 dias. A denúncia contra ele foi arquivada e considerada "confusa" por ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Tornou-se chairman do BTG Pactual.


"A cultura do banco evoluiu ao longo dos anos", afirma a autora. "A meritocracia, a competição e o trabalho intenso permaneceram, mas foram adaptados a um olhar de médio e longo prazos condizente com uma companhia de seu porte [com mais de 8.000 funcionários], em que os objetivos individuais precisam estar alinhados aos do coletivo para a perenidade do grupo."


Segundo a obra, essa mudança "refletia uma visão mais ampla sobre o papel da instituição na sociedade brasileira". "Depois do que passara em Bangu, [Esteves] afirmava ter bons motivos para se mudar para os Estados Unidos ou a Europa com a família em busca de paz. Mas, em vez disso, enfatizava que ficara no Brasil, investindo por meio de seu banco."


'Como jogo War': livro conta conflitos, reviravoltas e inovações do BTG Pactual


Lavagem de petróleo

 “Lavagem de petróleo”: o escândalo internacional que liga Brasil, China e Venezuela


“No teatro da geopolítica, a fachada vale mais que a verdade. E quando a fachada é o Brasil, é sinal de que a peça é suja.”

 

A Reuters soltou a bomba: mais de 1 bilhão de dólares em petróleo venezuelano foi enviado à China com documentação fraudulenta, registrando o Brasil como país de origem. Em outras palavras, o Brasil foi usado — ou se deixou usar — como fachada do regime chavista. O objetivo: contornar as sanções impostas pelos Estados Unidos à Venezuela. O método: “lavagem de petróleo”.

 

Se confirmado, trata-se de um dos maiores escândalos energéticos internacionais com envolvimento indireto (ou direto) do governo brasileiro. E como sempre, o silêncio oficial é ensurdecedor.

 

A denúncia

A operação foi desvendada por meio de rastreamento marítimo, imagens de satélite, dados alfandegários e documentos internos da estatal venezuelana PDVSA. O que se descobriu?

 

Traders chineses, sob tutela ou influência direta do Partido Comunista Chinês, vêm rotulando petróleo venezuelano como “mistura de betume do Brasil”.

 

Essa classificação permite que o petróleo entre na China sem passar por sanções, pois evita a exigência de cotas de importação aplicadas ao petróleo bruto.

 

Os navios partem da Venezuela, mas alteram seus sinais GPS para simular uma partida de portos brasileiros — prática conhecida como “spoofing”.

 

Os documentos de origem são falsificados. A Petrobras nega qualquer exportação de mistura de betume para a China. A Receita Federal brasileira também não registra esse tipo de embarque.

 

Então de onde vem o petróleo “brasileiro” que abastece refinarias chinesas?

Os fatos que reforçam o escândalo

 

O volume movimentado entre julho de 2024 e março de 2025 é de 1,2 bilhão de dólares.

 

A China importou 2,7 milhões de toneladas métricas de betume “brasileiro”, que, segundo fontes do setor e análises de carga, é o Petróleo Merey, pesado e típico da Venezuela.

 

O caso lembra o episódio das manchas de óleo na costa brasileira em 2019. Na época, análises da UFBA apontaram origem venezuelana. A mídia abafou. O Greenpeace culpou o governo. E depois descobriu-se que os navios envolvidos pertenciam à frota fantasma russa.

 

Os métodos se repetem. O enredo se repete. Os atores também.

 

Brasil: vítima de fraude ou parceiro por omissão?

Essa é a pergunta que a matéria da Reuters deixa no ar e que o governo brasileiro se recusa a responder. A reportagem buscou contato com representantes do governo federal. Nenhuma resposta foi dada.

Silêncio institucional em um caso que envolve:

 

Falsificação de documentos de origem de carga


Uso indevido do nome do Brasil para fins de evasão de sanções


Possível atuação (ou omissão) de estruturas sob responsabilidade do Estado brasileiro

 

Em qualquer país sério, isso geraria uma crise diplomática imediata. No Brasil, gera uma piada de mau gosto — e mais uma “nota de rodapé” em veículos simpáticos ao governo.

 

Foro de São Paulo, China e o velho esquema

Nicolás Maduro é mais do que um ditador. É um operador estratégico do Foro de São Paulo. Lula é mais do que um presidente. Foi garoto-propaganda de Fidel Castro na fundação do Foro e defensor confesso de Maduro. China, Irã e Rússia são os braços logísticos e financeiros dessa aliança informal, que conecta petróleo, drogas, armas, corrupção e agora também “spoofing” marítimo.

 

Quando Lula participa de paradas militares ao lado de Putin e Xi Jinping, não é diplomacia: é alinhamento. Quando o PT assina acordos com o Partido Comunista Chinês, não é cooperação: é convergência ideológica. E quando o Brasil aparece como fachada para Maduro fazer “lavagem de petróleo”, não é acaso. É método.

 

Conclusão

Ainda não sabemos se o governo brasileiro está diretamente envolvido na falsificação de origem das cargas. Mas sabemos que:

 

Há falsificação.

O nome do Brasil está sendo usado.

O governo foi avisado.

E está em silêncio.

 

Como diria Lula sobre Maduro: ele “só precisa de uma narrativa”. Pois bem, a narrativa está pronta.


E ela é suja, viscosa e fétida como o petróleo que sai das refinarias da PDVSA.

“A ‘lavagem de petróleo’ é o novo escândalo tropical. Só falta a delação premiada.”


Paulo Henrique Araújo

Fórmula da juventude

 *E se todos estamos apenas programados para morrer?*

E se estamos todos programados para morrer dentro de uma faixa que vai no máximo, por "regra geral", até 95 anos? E se esta "informação" for quebrada? Seríamos vítimas de um "terrível programa"? Poderíamos viver mais? 

Este livro do meu amigo, o médico psiquiatra Dr. Leocádio Gonçalves, fruto de mais de 30 anos de pesquisas, propõe "pensar fora da caixa" em relação ao tempo de vida que pode ter sido programado para todos nós. 

*A Fórmula da Juventude* inova com a *Teoria Informacional do Envelhecimento*, pela qual, o autor demonstra como fomos programados para envelhecer e morrer. E como virar a chave da vida mais longa, quem sabe, eterna neste Plano mesmo!

Tive a honra de fazer o prólogo desta singular obra, que já está disponibilizada na Amazon. E em breve, também em língua inglesa, para que a contra-informação à programação se espalhe pelo mundo. Você vai se surpreender com o que o Dr. Leocádio apresenta.

Boa leitura e bom rejuvenescimento!

...........................

https://rb.gy/s8z6su

sábado, 17 de maio de 2025

JR Guzzo

 *A última coisa que o Brasil precisava era uma Janja*


Por J.R. Guzzo

15/05/2025 às 15:27


Já passou pela sua cabeça, ou pela cabeça de alguém que você conhece, ir a uma reunião de trabalho da empresa e levar a sua mulher junto? E, caso você mesma seja mulher, dá para levar o maridão? Pior ainda, nessa reunião a sua mulher toma a palavra, que ninguém ofereceu, e dispara a falar direto com o presidente da empresa, querendo que ele tome providências sobre coisas que estão acontecendo na sua própria casa. Parece uma dessas piadas de "marido banana". Mas é exatamente assim que anda o Brasil de Lula e Janja.


É uma humilhação, para o Brasil e para os brasileiros, que a mulher do presidente da República se meta como penetra numa reunião oficial. Fica mais constrangedor ainda quando o presidente concorda, em público, com o que a mulher fez – ou é obrigado a dizer que concorda. Mas foi isso o que aconteceu nessa última viagem de Lula à China, já a quinta que faz ali como presidente. Janja se intrometeu numa reunião com o presidente chinês e disse uma cretinice de "400 talheres" – mais uma do seu vasto repertório.


Janja, desta vez, pediu que o presidente Xi Jinping, um dos seres humanos mais ocupados deste mundo, fizesse “alguma coisa” para resolver uma situação que a incomoda – não na China, mas no Brasil. Anda irritada pessoalmente com o Tik Tok, que o seu marido não consegue censurar, e achou uma grande ideia pedir que Xi Jinping faça a censura em seu lugar, já que a plataforma é de origem chinesa. O Tik Tok, segundo ela é “de direita”. Não pode, portando, existir.


Janja não podia ir à reunião com o marido-presidente. Tendo se metido ali, deveria ficar de boca fechada. Tendo aberto a boca, não podia dizer uma coisa tão burra. Como ela vai pedir a intervenção de uma potência estrangeira em assuntos do Brasil? Como pode pedir censura, que é vetada pela Constituição do seu próprio país? Como pode achar que “a direita” é ilegal, e tem de ser reprimida como se fosse um crime – e pelo presidente da China? Pois então: ela conseguiu fazer isso tudo.


Janja, naturalmente, recebeu a resposta adequada: Xi Jinping lhe disse que se a plataforma estava fazendo algo de errado, cabe apenas ao governo do Brasil, e obviamente não ao governo da China, tomar as providências que julgar cabíveis. Lula e os ministros presentes não abriram o bico. De um lado da mesa, havia 5.000 anos de cultura. Do outro havia Janja. Só podia mesmo dar nisso.


O analfabetismo maciço de Lula, como o Brasil tem sentido nos quase vinte anos de seus governos, tem sido uma desgraça para este país. A última coisa que a população precisava, a essa altura, era uma Janja – que leva a ignorância de Lula a extremos nunca atingidos antes, com a interação intensa entre a sua vadiagem mental e a do marido. Já não bastava Lula? Pois agora, com Janja, temos Lula ao quadrado. Aí fica difícil.


Em vez de cuidar da crise no INSS, Lula foi se esconder em Moscou

O resto é o mesmo enredo de filme catástrofe. Janja, mecanicamente, se declarou vítima de “machismo”: todas as críticas, disse ela, foram feitas porque ela é “uma mulher” – e não porque cometeu uma estupidez em estado bruto. Lula, numa tentativa fútil de fugir à imagem de marido velho que vive fazendo o papel de palhaço por causa da mulher mais nova, veio com a fábula que foi “ele” quem pôs o Tik Tok no meio – e ficou resmungando contra os seus ministros, por terem vazado a história. Para rematar a performance, anunciou na frente de todo o mundo que pediu a Xi Jinping uma pessoa de “sua confiança” para vir ao Brasil e resolver o problema do Tik Tok – isso mesmo, o presidente brasileiro pediu a um governo estrangeiro que mande um dos seus funcionários para solucionar um problema do Brasil.

                     

Tudo isso aí fica terrivelmente mais ridículo quando Lula ainda finge uma intimidade que não tem com o presidente da China. Chama o homem de “companheiro Xi Jinping” – uma coisa feia, quando está na cara de todo mundo que Xi Jinping não é “companheiro” dele coisa nenhuma, e nunca vai ser. Só faltava, a essa altura, anunciar como uma grande vitória da sua viagem que o governo brasileiro vai mandar antecipadamente para a China os seus “projetos de infraestrutura” do PAC, caso os chineses queiram “investir” aqui. Ele fez exatamente isso, acredite!


Que PAC? Que projetos? Que obras? 

Mais ainda: imaginem a China enviando com antecipação ao Brasil os seus planos de infraestrutura, para as empresas brasileiras irem investir na China. Pode um negócio desses? É tudo uma comédia gigante, que as elites nacionais fingem levar a sério – e que os brasileiros têm de pagar.

Maria Cristina Fernandes

 A turnê de Lula e a bola de cristal de Bannon

Maria Cristina Fernandes 

Valor Econômico, terça-feira, 13 de maio de 2025 


O ideólogo do trumpismo colocou Lula, Putin e Xi no mesmo balaio num momento em que o presidente brasileiro faz turnê por Rússia e China

 

Steve Bannon foi taxativo ao “Financial Times”: “Donald Trump vai se recandidatar e vai ganhar”. A capacidade preditiva do ideólogo do trumpismo escalou quando ele apostou, duas semanas antes do conclave, na escolha de Robert Prevost para papa. O recuo na guerra comercial só viria dois dias depois, mas Bannon, mesmo sem tratar dela, também pareceu premonitório.

A guerra comercial foi, até aqui, um dos fatores mais determinantes para que Trump tenha chegado aos 100 dias com a mais baixa popularidade dos últimos 80 anos. Não tende a ser visto internamente como o provocador de muito barulho por nada, mas como um presidente que, frente às evidências, foi capaz de recuar e devolver otimismo aos agentes econômicos.

Bannon colocou Xi Jiping, Vladimir Putin e Luiz Inácio Lula da Silva no mesmo balaio: “Xi, Lula e Putin são uma aliança ruim. Eles não se cruzam com Trump. Eles não vão ajudar com a Ucrânia. Eles vão fazer o que estiver no interesse deles”. Não é uma visão exclusiva de Bannon. A ideia de que o Brasil seja visto como parte dessa aliança foi o que levou conselheiros deste governo a sugerir que o país voasse baixo para aproveitar oportunidades sem cutucar a onça com a vara curta.

A delegação que veio ao Brasil para discutir com o Ministério da Justiça o enquadramento de facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como terroristas é rugido de onça. O carimbo encurtaria caminho para sanções americanas.

Da segunda parte da turnê de Lula entre aliados que desgostam o ideólogo trumpista ainda não se tem o resultado final, visto que a assinatura de acordos acontecerá depois de reunião de Lula com Xi nesta terça. O encontro está sendo acompanhado por toda a imprensa mundial, particularmente a americana.

O “The New York Times” trouxe a declaração de um integrante da chancelaria chinesa sobre as pretensões de Trump junto na região: “O que os povos da América Latina e do Caribe estão buscando é independência e auto-determinação, não a chamada ‘nova doutrina Monroe’”.

O diplomata chinês não se limitou a definir o interesse chinês no encontro mas avançou sobre o que venha a ser o interesse região. Trata-se, porém, de um porta-voz indesejado. Junta-se a declarações da delegação brasileira de que a China, com os acordos desta terça, “vão rasgar o Brasil com estradas”. Compõe o pacote “cutucar a onça”.

Daquilo que foi anunciado nesta segunda, ainda não se identificam investimentos que venham a justificar o risco de tamanha exposição. Depois que, no fim de 2024, 163 operários chineses da BYD na Bahia foram resgatados em condições análogas à escravidão, os novos investimentos automotivos ainda terão que provar que se darão em outras bases. Também terá que se aguardar se o investimento em energia renovável não é desova da superprodução de equipamentos da China. Há um investimento do qual não se pode duvidar que venha a gerar empregos, o da empresa que vai chegar para competir como Ifood, ainda que não seja esse tipo de emprego que vai redimir a juventude nacional.

É a primeira parte da turnê, porém, que abre mais espaço para o carimbo que Bannon quer impor sobre o Brasil. O Palácio do Planalto busca envelopar a ida de Lula a Moscou como parte dos esforços do país pela paz na Ucrânia, a despeito de o presidente brasileiro ter assistido a uma parada em que Vladimir Putin exibiu, juntamente com tropas chinesas, todo seu poderio bélico. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, lá estava, mas o Itamaraty não soltou uma única nota sobre o encontro.

Na mensagem pública dirigida à delegação brasileira durante encontro no Kremlin, Putin não falou de Ucrânia. Na reunião, com 12 de cada lado, Lula incluiu, entre diplomatas e parlamentares, o CEO da Minerva. Valeu-se de explicação tão inusitada quanto a presença de um único empresário: “Temos na nossa delegação um proeminente empresário que se aproximou de mim no Brasil e perguntou: Você vai à Rússia? Gostaria de acompanhá-lo porque sou o principal exportador de carne para a Rússia. Tive o prazer de convidar o sr. Fernando Queiroz para se juntar à nossa delegação e gostaria de aproveitar esta oportunidade para apresentá-lo, presidente”.

É possível que, daqui a um mês, quando Lula for à França para mais um encontro com Macron, possa resgatar o discurso de que o investimento da diplomacia presidencial, na verdade, é pelo multilateralismo. Em seguida, porém, o Brasil sediará o encontro dos Brics, outro caroço de angu para a diplomacia americana.

A paz na Ucrânia ainda desafia Trump, mas o presidente americano embarca nesta terça para o Oriente Médio, onde pode vir a fechar um acordo que leve o Irã a recuar de seu programa nuclear. A hipótese, ainda incerta, de que venha a ser bem-sucedido, abre a possibilidade de um êxito que ecoaria na política doméstica e no mundo, a minimizar a hostilidade que tem despertado.

Bannon define o que está em curso como “a era Trump”, que ainda está muito longe de se acabar e terá pinceladas marcadamente populistas com mais deportação e enfrentamento de corporações. É esta era que a turnê de Lula parece desafiar. Resta a expectativa de que a bola de cristal de Bannon tenha se quebrado depois de Prevost.

Simon Schwartzman