segunda-feira, 14 de abril de 2025

BDM Matinal Riscala 1404

 Trump recua em tarifas para techs | BDM

www.bomdiamercado.com.br

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[14/04/25]


… A semana é mais curta com a Sexta-Feira Santa, que fecha os mercados também na Europa e nos EUA. Aqui, o investidor emenda com o feriado da 2ªF, 21 de abril. A agenda doméstica é esvaziada, com destaque apenas para a proposta do Orçamento de 2026, que será enviada ao Congresso nesta 3ªF. Lá fora, o BCE anuncia decisão sobre juros (5ªF) e a China divulga o PIB, amanhã à noite. Em NY, a 4ªF é o dia mais importante, com vendas no varejo e uma fala de Powell, que concentrará as atenções em meio às idas e vindas de Donald Trump sobre as tarifas. Em Wall Street, Goldman Sachs divulga balanço antes da abertura e, na Argentina, o peso enfrenta sua prova de fogo.


… No fim da tarde de 6ªF, o ministro da Economia argentino, Luís Caputo, anunciou o fim do limite para que as pessoas físicas comprem dólares pela cotação oficial, que flutuará dentro da banda que tem como piso 1.000 pesos e como teto 1.400 pesos por US$ 1.


… As empresas também poderão transferir dividendos para o exterior sem limites no exercício 2025 com o novo sistema cambial.


… A banda do dólar oficial será reajustada à taxa de 1% ao mês e o relaxamento nos estritos controles cambiais da Argentina, que datam de 2019, era uma exigência para o governo obter um novo empréstimo de US$ 20 bilhões do FMI.


… Na primeira reação, os investidores comemoraram a eliminação da maior parte dos controles como um grande passo para o país voltar aos mercados internacionais de dívida. O ETF Global X MSCI Argentina subiu mais de 5% no pós-mercado.


… Ao anunciar a remoção dos controles cambiais, Caputo insistiu que “não se tratava de uma desvalorização”, mas há um consenso entre os analistas de que haverá uma desvalorização do peso, que pode cair em direção à cotação da taxa do câmbio paralelo.


… Na 6ªF, essa taxa era de 1.375 pesos por dólar, em comparação com a taxa oficial de 1.097 pesos. Alguns especialistas esperam uma desvalorização inicial em torno de 20% a 25%, e já levantam questionamentos sobre um choque da inflação no 2Tri.


… Ao Valor, uma fonte do mercado disse que, “se o efeito dos anúncios for uma corrida à segurança do dólar, os créditos do FMI ficarão longe de serem suficientes”. O FMI desembolsa nesta 2ªF uma parcela inicial de US$ 12 bilhões à Argentina.


… Nos EUA, Trump promete (mais) novidades para hoje, após ter surpreendido na 6ªF à noite com a decisão de suspender as tarifas para smartphones, PCs, servidores e outros produtos de tecnologia, a maioria deles montados na China.


… Na verdade, nem foi o presidente quem fez o anúncio, e, sim, a Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos que divulgou uma lista de produtos isentos da última rodada de tarifas sobre as importações do país.


… Entre os favorecidos estão Apple, Nvidia, Dell e HP, entre outras big techs, que vinham pressionando a Casa Branca, e que agora não terão mais que pagar 145% para os produtos chineses, mas apenas a primeira taxa de 20% aplicados contra o fentanil.


… As exceções abrangem um valor de US$ 385 bilhões em importações de 2024 – ou 12% do total – e incluem US$ 100 bilhões da China, ou 23% das importações em 2024. Para esses eletrônicos, a alíquota média do imposto passou de 45% para 5%.


… A maior isenção global é a categoria que inclui PCs e servidores, com US$ 140 bilhões em importações em 2024, 26% da China. A maior categoria isenta de produtos chineses é a de smartphones, com US$ 41 bilhões em importações em 2024, 81% do total.


… O recuo de Trump com as techs bateu em Xi Jinping, que não perdeu a chance de faturar.


… “Esse é um pequeno passo dos Estados Unidos para corrigir sua ação equivocada de ‘tarifas recíprocas’ unilaterais”, disse o Ministério do Comércio da China em um comunicado publicado em sua conta oficial do WeChat no domingo.


… A nota continua, instando os EUA a “darem um grande passo para abolir completamente a ação errônea e retornar ao caminho correto de resolver as diferenças por meio do diálogo igualitário baseado no respeito mútuo”.


… Coube ao secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, dar as explicações, afirmando que as novas tarifas de smartphones e computadores são “temporárias” e que “esses produtos serão incluídos no setor de semicondutores, em um ou dois meses”.


… Sem dar mais detalhes, afirmou que um aviso será publicado no registro federal ainda esta semana.


… Já Trump saiu falando grosso em sua plataforma de mídia social, dizendo que “NINGUÉM está fora de risco”, que está analisando os semicondutores e “TODA A CADEIA DE SUPRIMENTOS DE ELETRÔNICOS e não seremos reféns de nações hostis como a China”.


… No sábado, ele já havia dito a repórteres no Air Force One que “vamos ser muito específicos na 2ªF”.


OS PREÇOS VÃO SUBIR – O recuo para a importações das techs não alivia a pressão de outros preços do varejo americano, que já estão alertando para uma torrente de aumentos e para a falta de produtos já neste mês, segundo reportagem do Financial Times.


… De acordo com o centro de pesquisa de políticas Budget Lab, da Yale University, algumas lojas se preparam para reajustar seus preços nas próximas duas semanas, diante das tarifas de até 145% para a China, que elevarão seus custos.


… A expectativa é de que esse movimento agravará a inflação persistente que já obrigou muitos consumidores a limitarem seus gastos.


… As primeiras mudanças devem ser sentidas nos corredores de hortifrutigranjeiros dos mercados. Os EUA importam 59% das frutas frescas e 35% dos vegetais que os americanos consomem, de acordo com o Departamento de Agricultura.


… Os varejistas ampliaram seus estoques de roupas e brinquedos e é possível que o consumidor só sinta algum impacto nas prateleiras desses produtos na volta às aulas, no outono. Mas se o consumidor antecipar as compras isso pode levar a aumentos mais rápidos.


EM WALL STREET – Ainda no Financial Times, as tarifas de Trump estão atingindo a confiança dos investidores no ativos americanos pela primeira vez, buscando ações em outros mercados e deixando de acreditar nos títulos do Tesouro e no dólar.


… “Eles estão perdendo o brilho do domínio hegemônico global de que desfrutam há décadas. A confiança desapareceu, ou pelo menos enfraqueceu significativamente, e é difícil imaginar o que poderá trazê-la de volta enquanto Trump estiver na Casa Branca.”


… Segundo a reportagem, o mercado de ações americano carrega risco político pela primeira vez. Os títulos da dívida dos EUA não agem mais como se fossem verdadeiramente isentos de risco. O dólar não está se comportando como um ímã durante períodos de estresse.


… O FT encerra com uma sombria conclusão: “Aconteça o que acontecer, os mercados americanos carregarão uma cicatriz duradoura”.


AGENDA – É bem fraca a pauta dos indicadores no Brasil, prevendo apenas o IGP-10 de abril amanhã (3ªF), além dos dados semanais do fluxo cambial (4ªF) e, hoje, a pesquisa Focus hoje (8h25) e os números semanais da balança comercial (15h).


… Os diretores do BC Diogo Guillen e Nilton David têm reunião trimestral com economistas do mercado (9h30).


… Em Brasília, os feriados da Páscoa e de Tiradentes esvazia o Congresso, com os parlamentares em suas bases eleitorais. Na Câmara, as sessões plenárias serão virtuais, mas sem votações de impacto. No Senado, não haverá sessões de plenário.


… Está confirmado, no entanto, o encaminhamento ao Legislativo da proposta do governo para o Orçamento de 2026 amanhã (15), que deve prever o retorno do superávit primário no ano que vem, com uma meta de 0,25% (ante 0% deste ano).


… Também não há previsão de julgamentos em plenário no Supremo Tribunal Federal.


… O presidente Lula viaja hoje para o Rio de Janeiro, onde participa da inauguração do novo Campus da Universidade Federal Fluminense, em Campos dos Goytacazes. Amanhã estará em Paracambi e em Rezende (RJ), para uma agenda com a montadora Nissan.


LÁ FORA – A reunião do BCE (5ªF) ocorre em meio a um cenário de grandes incertezas com a política tarifária de Trump. Em meio à tensão comercial, diversos dirigentes da instituição mostraram sinais divergentes em seus pronunciamentos públicos.


… Parte deles defende uma nova queda dos juros, enquanto outros são favoráveis a uma pausa no ciclo de flexibilização monetária.


… Nos EUA, os investidores esperam a fala de Powell (4ªF), como uma oportunidade para ajustarem suas apostas aos juros americanos. O mercado está sendo avisado que não há pressa e o mais apropriado é esperar até que o cenário das tarifas fique mais claro.


… Além de Powell, vários Fed boys têm falas previstas nesta semana, a começar de quatro dirigentes hoje: Tom Barkin/Richmond (13h), Christopher Waller (14h), Patrick Harker/Philadelphia (19h) e Raphael Bostic/Atlanta (20h40).


… Entre os indicadores, os destaques são os dados da atividade econômica, sobretudo as vendas no varejo de março (4ªF), uma vez que a confiança e o sentimento do consumidor americano têm renovado mínimas. No mesmo dia, sai a produção industrial nos EUA.


… Na China (3ªF à noite), os dados de atividade de março, com a produção industrial e as vendas no varejo, além do PIB do 1Tri deste ano serão acompanhados com muita expectativa, diante da piora nas perspectivas de crescimento com o início da guerra comercial.


… Ainda hoje (8h), sai o relatório mensal da Opep e as expectativas de inflação ao consumidor do Fed/NY de março (12h).


EUA VS IRÃ – Os dois países concordaram em prosseguir as negociações sobre o programa nuclear de Teerã, após a primeira reunião de alto nível sobre o tema em muitos anos, ocorrida no sábado, sob mediação do governo de Omã.


… Segundo escreveu no X o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, que liderou a delegação iraniana, as partes concordaram em se reunir novamente esta semana. Os Estados Unidos foram representados por Steve Witkoff, negociador preferido de Trump.


OLHO POR OLHO – As bolsas em Wall Street viveram uma gangorra na 6ªF até o início da tarde, quando sinais de que Donald Trump voltaria atrás com a China em algum grau – o que foi confirmado horas depois – animaram os investidores.


…Pela manhã, Xi Jinping tinha anunciado tarifas de 125% sobre produtos dos EUA em retaliação aos 145% do presidente americano.


… Segundo a Casa Branca, Trump estaria “otimista” com a possibilidade de a China buscar um acordo com os EUA.


… Quando saiu a entrevista de Susan Collins (Fed/Boston) ao Financial Times, dizendo que o BC dos Estados Unidos estaria “preparado para estabilizar o mercado”, se necessário, as ações firmaram alta de vez.


… Se as condições se tornarem desordenadas, o Fed “estará absolutamente preparado” para ajudar a estabilizar os mercados financeiros, disse Collins. Por enquanto, observou que os mercados continuam funcionando bem, sem preocupações gerais com liquidez.


… O Nasdaq liderou os ganhos, com +2,06% (16.724,46). O S&P 500 subiu 1,81% (5,363,36) e o Dow Jones avançou 1,56% (40.212,71). Na semana, o Dow Jones subiu 4,95%, o S&P 500 ganhou 5,7% e o Nasdaq avançou 7,29%.


… Collins trouxe uma mensagem de tranquilidade, mas alertou sobre o risco de desaceleração econômica e inflação com as tarifas.


… Por isso, a cautela fez os yields dos Treasuries, no centro da preocupação sobre a atratividade e a segurança dos ativos americanos, fecharem em alta. O da note de 2 anos foi a 3,975% (de 3,883%) e o retorno do título de 30 anos subiu a 4,870% (4,864%).


… Na semana, o rendimento da note de 10 anos, que chegou a ficar acima de 4,5% na sessão, teve a maior alta em duas décadas, com a liquidação dos papéis que se mostra incessante. Na 6ªF, o juro de 10 anos fechou em 4,484% (de 4,436%).


… “Os mercados continuam carregados de preocupação”, disse Mark Hackett, da Nationwide. “Ainda se busca estabilidade em meio às tensões comerciais e incertezas quanto aos lucros das empresas. Os ganhos nas ações não são um ponto de virada”, afirmou.


… Quanto aos lucros do 1Tri, BlackRock, JPMorgan, Wells Fargo e Morgan Stanley apresentaram bons balanços, com resultados acima do esperado, mas variações de “incertezas”, “desconhecidos” e “turbulência” surgiram em seus comunicados.


… Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, disse esperar “uma confusão” nos títulos do Tesouro que leve a uma intervenção do Fed.


… Outro dirigente do Federal Reserve a falar no dia, Neel Kashkari (de Minneapolis), lembrou que, se os Estados Unidos não fizerem novos acordos comerciais, “vai levar tempo para o mercado financeiro e a inflação se acalmarem”.


… As tarifas já estão mexendo com os ânimos dos consumidores americanos, conforme mostrou a pesquisa da Universidade de Michigan. A preliminar de abril confirmou que a expectativa de inflação para o longo prazo disparou de 5,0% para 6,7%, maior nível desde 1981.


… Para o curto prazo, a expectativa de inflação também subiu, de 4,1% para 4,4%.


… A confiança do consumidor levou um tombo, de 57 em março, para 50,8 em abril, abaixo dos 54,6 esperados. “Os números mostrados por Michigan acendem mais sinais de alerta sobre os gastos do consumidor nas próximas semanas”, disse Carl B. Weinberg (HFE).


… Assim como o mercado de Treasuries, o câmbio não embarcou na animação que tomou conta das bolsas na 6ªF. O dólar continuou caindo em escala global, contra pares e emergentes, diante do temor de recessão provocado pela política tarifária de Trump.


… O índice DXY recuou 0,99%, a 99,871 pontos, com o euro em forte alta de 1,36%, a US$ 1,1348 e a libra esterlina avançando 0,80%, para US$ 1,3074. O iene japonês subiu 0,69%, a 143,525/US$. Contra o real, o dólar caiu 0,47%, a R$ 5,8708.


… Por aqui, os juros foram na contramão dos Treasuries com a ajuda do câmbio apreciado e do IPCA de março (+0,56%), quase em linha com o esperado (+0,54%), depois de um resultado muito forte em fevereiro (+1,31%).


… Por outro lado, o IBC-Br desacelerou de 0,92% em janeiro para 0,40% em fevereiro, mas bem acima do esperado (0,20%) mostrando que a atividade continuava robusta no início do ano.


… Apesar dos indicadores de atividade, o movimento de revisões para baixo na Selic continua. Na 6ªF foi a vez de o JPMorgan dizer que espera apenas mais um aumento de 50pb na taxa básica de juros, para 14,75%.


… O banco espera que a Selic feche 2025 em 13,75%, contra 15,25% antes. Para o fim de 2026, cortou a taxa de 12,50% para 9,75%. As projeções do IPCA foram mantidas em 5,5% e 3,2% em 2025 e 2026, quando a desaceleração da economia deve ficar mais evidente.


… O DI para janeiro de 2026 caiu a 14,725% (de 14,805% na véspera); o Jan/27 cedeu a 14,310% (de 14,520%); o Jan/29, a 14,225% (de 14,470%); o Jan/31, a 14,500% (de 14,790%); e o Jan/33, a 14,590% (de 14,900%).


 … Como NY, o Ibovespa, teve um dia volátil, com o índice fechando em alta de 1,05%, aos 127.683,40 pontos, puxado por suas blue chips de commodities. Vale registrou +1,67% (R$ 53,66), seguindo a alta do minério de ferro em Dalian (+0,71%).


… Petrobras ON, +1,98% (R$ 33,92) e PN, +1,99% (R$ 31,85), acompanharam o Brent/jun (+2,26%), que subiu a US$ 64,76, na ICE.


… Bancos também avançaram: Bradesco PN (+1,37%; R$ 12,62), Santander (+1,02%; R$ 26,62), Banco do Brasil (+0,87%; R$ 27,80), Bradesco ON (+0,81%; R$ 11,18) e Itaú Unibanco (+0,51%; R$ 31,81).


… Vamos liderou as altas, com +12,73% (R$ 4,87), seguida por SLC Agrícola, 6,01% (R$ 20,12). Na outra ponta, IRB (-6,65%; R$ 44,63); Natura, com -1,16% (R$ 9,37), e CPFL Energia, com -1,15% (R$ 37,71), tiveram as maiores perdas.


EM TEMPO… Conselho de Administração da PETROBRAS elegeu Ricardo Wagner de Araujo para o cargo de Diretor Executivo de Governança e Conformidade (DGC).


TELEFÔNICA informou a alteração sobre o valor de JCP a ser pago por ação anunciado pela companhia em 1º de abril; o recálculo se deve ao programa de recompra de papéis realizado pela empresa…


… Valor líquido recalculado é de R$ 0,1259 por ação ON; inicialmente, valor informado era de R$ 0,1258 por papel.


EZTEC. Lançamentos cresceram 32% no 1TRI, na comparação anual, para R$ 616 milhões.


CARREFOUR. Venda bruta consolidada cresceu 3,6% no 1Tri25, a R$ 28,8 bilhões, sobre 1Tri24. Vendas mesmas lojas subiram 6,9% no Atacadão, e 2,6% nas unidades de varejo…


… No Sam’s Club, as vendas mesmas lojas caíram 3,8%, segundo a prévia operacional divulgada ontem.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!


*com a colaboração da equipe do BDM Online

sábado, 12 de abril de 2025

Resumo do mercado

 📊 Resumo da Semana 


Depois de ver as bolsas em queda livre por cinco pregões seguidos e os investidores colocarem em dúvida a segurança, até então inabalável, dos Treasuries, Donald Trump não conseguiu mais falar que “não liga para os mercados”. A crise se abateu até dentro do seu gabinete, com Elon Musk chamando de “um completo idiota” o conselheiro econômico da Casa Branca, Peter Navarro, responsável pela ideia do plano de tarifas sobre os parceiros comerciais dos EUA. Empresários e outros aliados de Trump também não economizaram críticas. Encurralado nas cordas, à beira de um nocaute, o presidente americano teve que dar um passo atrás em sua guerra comercial. Só não baixou a guarda ainda diante de Xi Jinping. Isso porque ele é seu “amigo”. Imagina se não fosse. 

Bom fim de semana (Téo Takar)


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Gatilhos de mercado

 André Moraes: “Estamos prestes a viver a oportunidade da década na Bolsa”


Análise: Entenda o movimento da Bolsa brasileira neste ano que pode trazer semelhanças com o de 2016


Bruno Nadai


No começo deste ano, o analista técnico André Moraes chamou a atenção do mercado financeiro alertando sobre a grande chance de estarmos começando uma nova era na Bolsa brasileira. Ao final do primeiro trimestre, o Ibovespa acabou subindo mais de 8%. Para ele, o cenário atual guarda semelhança com outros momentos do mercado, como foi o caso do ano de 2016.


Naquela ocasião, mesmo com o pessimismo generalizado do mercado, ele viu sinais que contrariavam o sentimento predominante no mercado.


“Uma queda muito forte acontecia também nos países emergentes e, claro, quando você tem um período tão forte de queda, não só no Brasil como nos países emergentes, é necessário só um gatilho para que aconteça uma explosão imediata do mercado”, diz Moraes.


Ibovespa entre março de 2015 a abril de 2016


Essa leitura, segundo ele, veio de padrões. “A taxa de juros estava lá em cima com o Tesouro Direto pagando o IPCA mais 7,5%, e observando padrões, toda vez que isso acontece, marca um fundo de mercado. Naquele momento, o que eu imaginava é que uma Bolsa no preço que estava e também uma renda fixa no preço que estava, era muito difícil que aquilo se transformasse em um mau investimento”, justifica.


Essa análise precoce seria o início de uma virada histórica. Assim, o que parecia ousadia, na época, se provou uma visão certeira. O gatilho que faltava — o impeachment da então presidente Dilma Rousseff — veio logo depois, e o Ibovespa iniciou um ciclo de alta que duraria cinco anos.


“Foi quando o InfoMoney me chamou para fazer uma matéria que recebeu o nome de ‘O Call da Década’. Era uma possibilidade que foi confirmada e a gente fez uma segunda reportagem falando dessa confirmação que acabou trazendo 5 anos de alta para o mercado”, conta.


O que André Moraes enxerga em 2025


De acordo com Moraes, o cenário atual carrega similaridades com o de 2016, mas com nuances próprias. Ele identifica o início de uma nova era no mercado, que ainda não tem nome, mas já mostra seus sinais.


“Eu comecei a formatar na minha cabeça o que tinha vivido nos últimos 20 e poucos anos de mercado. ‘Vivi 4 Eras’: a das commodities, o Fim do Brasil, a ressurreição e a da inflação. Agora, acredito que a gente está prestes a viver uma grande onda do mercado, já que de 2021 até agora a gente só caiu. Sim, esta pode ser a oportunidade da década”.


Ele aponta uma combinação de fatores que sustentam essa tese: rali eleitoral (antecipando 2026), moderação no pessimismo, possível estabilização da inflação, juros menores que o previsto pelo mercado, retomada do fluxo estrangeiro e um mercado com menos ações disponíveis, o que poderá gerar uma continuidade de short squeeze.


Além disso, Moraes destaca que, ao contrário dos últimos ciclos eleitorais, o “rali eleitoral” pode ter se iniciado mais cedo. O mercado, segundo ele, está mais rápido e reage antes aos sinais.


“É natural que o mercado também queira precificar um provável rali eleitoral um pouco antes”, afirma, comparando o momento atual ao da eleição de Javier Milei na Argentina, quando o índice local se valorizou 1.400% para quem entrou com antecedência.


Além do fator político, Moraes observa um ambiente de mudança estrutural no comportamento dos investidores estrangeiros, que neste primeiro trimestre do ano voltaram a aplicar no mercado secundário da B3.


Esse tipo de entrada maciça de capital, segundo ele, pode acionar uma dinâmica de escassez no mercado acionário. “O mercado perdeu 50 empresas nos últimos anos. Praticamente 90% das empresas estão recomprando as suas próprias ações, em um volume que é raro de se ver”.


Análise técnica com contexto macroeconômico


Apesar de ser conhecido como analista técnico, André Moraes vai além dos gráficos. Ele sustenta que entender o cenário macro e microeconômico é indispensável para acertar a direção do mercado.


“Eu escuto muita gente falar que o analista técnico só olha para gráfico, mas eu realmente não acredito nisso. Você tem que entender o contexto. Quando você entende o macro, o micro, você consegue usar análise técnica de forma muito mais assertiva. Ela vai te dar o timing”.


Nesse sentido, a análise técnica se torna uma ferramenta de precisão, usada depois que o panorama mais amplo já está claro. A análise técnica aponta os gatilhos, os pontos de entrada, saída e os possíveis alvos, mas ela não explica o “porquê” da movimentação.


“Para operações de day trade, você só precisa de análise técnica e saber a que horas saem os dados econômicos. Agora para uma visão de médio e longo prazo é necessário entender o macro e o micro para também entender a direção mais provável”.


Oportunidade para quem está atento


Moraes acredita que o mercado está prestes a surpreender até mesmo os analistas mais experientes, principalmente se as “engrenagens” macro se encaixarem de forma coordenada: inflação sob controle, teto e início do ciclo de corte de juros, retomada de fluxo estrangeiro e maior confiança institucional.


“Eu não estou falando deste movimento, eu estou falando de um movimento que nem eu imagino a dimensão. Com as variáveis corretas, com a engrenagem toda funcionando, de repente vai surpreender quem gosta de fazer previsões para o Ibovespa no final do ano”.


Ele afirma que o Ibovespa já se aproximou do topo histórico, neste ano, antes do acirramento da crise tarifária entre EUA e China, mas que isso não é o fim da linha, e sim o começo de uma possível onda maior.


Colocando o terceiro princípio da Teoria de Dow em prática, Moraes acredita que saímos da fase de acumulação e estamos vivenciando a segunda fase da tendência de alta.


“Se olharmos para o Ibovespa nos últimos 4 anos, a gente enxerga a fase de acumulação. Entendo eu que essa é a fase de alta é muito sensível; ou seja, se o mercado realmente vai fazer um belo ano, ele nem começou a subir”.



https://www.infomoney.com.br/mercados/andre-moraes-estamos-prestes-viver-oportunidade-da-decada/amp/

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Jose Neumane

 DEU NO ESTADÃO 


José Neumane publicou Excelente  e Necessária Matéria,  contra o Descalabro que assola o Brasil.

Que envolve os Três Poderes. 


Comentario:


Resumo do artigo “O Estado podre e a Nação emparedada” – José Nêumanne (2017)


Publicado em 2017, o artigo de José Nêumanne foi um grito de alerta potente sobre o estágio terminal da decomposição moral do Estado brasileiro. Denunciando a simbiose entre os três Poderes da República e os esquemas de corrupção, o autor desenha um retrato sombrio de um país afundado em cinismo, impunidade e aparelhamento institucional. Inspirando-se em Shakespeare, ele afirma que há algo de podre no Brasil oficial — e que a sociedade brasileira estava cercada, emparedada, sem forças para reagir. A Operação Lava Jato, naquele momento, representava uma última esperança para frear o colapso completo.


Destaques:

 1. Impunidade crônica: O texto mostra como o foro privilegiado virou um mecanismo de autoproteção para políticos corruptos que desejavam manter o poder e a fortuna a qualquer custo.

 2. Conluio institucional: Nêumanne denuncia como os Poderes se blindavam mutuamente para evitar investigações e punir exemplarmente apenas quando inevitável.

 3. Aparato jurídico como escudo: O uso de manobras legais, chantagens regimentais e distorções no funcionamento do Parlamento e da Justiça reforçavam a cultura da impunidade.

 4. Povo emparedado: O cidadão comum, sem foro, sem acesso e sem voz, assistia passivamente ao desmonte das instituições, enquanto os verdadeiros responsáveis seguiam ilesos.


Atualização e constatação:


Infelizmente, o alerta de Nêumanne foi ignorado. O tempo não apenas confirmou suas previsões, como agravou o cenário. O crime organizado retornou ao poder — institucionalizado, mais ousado e mais blindado do que nunca. Cargos, orçamentos, estatais e até cortes superiores foram loteados, e a democracia tornou-se uma encenação onde os mesmos protagonistas de outrora continuam ditando as regras. O Estado não foi saneado; foi capturado. O povo não rompeu os muros que o emparedavam; apenas os pintou de outras cores.


Conclusão e chamada à ação:


O artigo foi um grito de alerta que a maioria preferiu ignorar. E o preço do silêncio coletivo foi alto: a repetição do ciclo. Neste momento, mais do que nunca, é preciso recordar, nomear os fatos e recusar qualquer normalização do absurdo. A história só se repete quando nos recusamos a aprendê-la.


Pergunta final:


Como fomos capazes de esquecer completamente o assalto perpetrado por 20 anos em apenas 5 anos e permitir que essa quadrilha organizada voltasse ao poder? Será que vamos permitir novamente que isso se repita ou vamos compartilhar essa lembrança de forma que nenhum brasileiro jamais se esqueça?

Falcatruas

 Master ‘esconde’ investimentos de risco em fundos; valor pode ser o dobro do que aparece no balanço.  É um bando de bandidos. Só me espanta q mtos dos q ingressaram no banco não soubessem disso...ingênuos ou oportunistas. No mínimo coniventes.


Banco tem ao menos R$ 16 bi em precatórios e pré-precatórios, ativos considerados de maior risco para instituições financeiras; procurado, Master não se manifestou


BRASÍLIA – O Banco Master tem pelo menos R$ 16 bilhões em precatórios e pré-precatórios, de acordo com pessoas a par dos números da instituição. O valor é quase o dobro da cifra desses ativos que consta em seu balanço, uma vez que parte deles está alocada em fundos de investimento.


Tanto os precatórios – dívidas que os governos são obrigados a pagar por decisões da Justiça – quanto os direitos creditórios – uma espécie de pré-precatório, porque ainda não há sentença de pagamento – são ativos considerados de risco mais alto para os bancos porque têm baixa liquidez – ou seja, são difíceis de vender no curto prazo caso as instituição financeiras necessitem de recursos para honrar dívidas.


Em seu balanço de 2024, o Master afirma ter R$ 158 milhões em precatórios e R$ 8,5 bilhões em direitos creditórios. O restante desses ativos, segundo fontes envolvidas na operação de venda do banco, estaria alocado em fundos e outras empresas da holding, como os bancos Voiter e Will. Procurado, o Master não se pronunciou.


Master está sob os holofotes do mercado financeiro e de autoridades após ter recebido uma oferta de aquisição de 58% de seu capital total pelo Banco de Brasília (BRB).


Controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, o Master está sob os holofotes do mercado financeiro e de autoridades após ter recebido uma oferta de compra de 58% de seu capital total pelo Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do Distrito Federal.


A operação, estimada em R$ 2 bilhões, ainda precisa ser aprovada pelo Banco Central e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Nesta sexta-feira, 11, Vorcaro se reúne com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.


Desde o início, o BRB descartou a carteira de precatórios do Banco Master e fez uma proposta de compra para outras partes do negócio, como o cartão de crédito consignado.


A engenharia financeira do Master, que alocou boa parte dos seus ativos em fundos, chamou a atenção da KPMG, que auditou e aprovou o balanço do banco. Cerca de um terço do total de ativos está alocado em fundos (R$ 19,5 bilhões), de difícil estimação de preço e de valorização.


Desse total, R$ 10,2 bilhões estão em fundos de investimentos de direitos creditórios, ou seja, de recebimento de dívidas. Dentro do conglomerado do Banco Master SA, há 16 fundos registrados como sendo de direito creditório. Cinco deles são da categoria “não padronizados” – ou seja, podem ter precatórios ou títulos oriundos de dívidas judiciais.


As informações não são totalmente transparentes, uma vez que há fundos que divulgam balanços, enquanto outros apresentam apenas informes trimestrais com variações numéricas.


Um destes fundos é o C3E, que detém R$ 215 milhões em direitos creditórios derivados de uma ação judicial contra a Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE) do Rio Grande do Sul na 1ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre. Ainda não há julgamento da causa, nem data de vencimento estimada.


Há ainda fundos de dívida que não constam no mapa societário do Master SA, mas fazem parte do seu balanço e ajudaram de forma indireta a turbinar o patrimônio do banco no ano passado. Como mostrou o Estadão, o patrimônio do banco dobrou em 2024 – o que contribuiu para manter o Master dentro dos requisitos mínimos exigidos pelo Banco Central para seguir operando.


Entre estes fundos está o AZO – pertencente ao Will Bank, subsidiária do Master –, que possui R$ 724 milhões em precatórios ligados ao Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). No ano passado, o banco registrou uma valorização de 10,85% desse fundo.


Embora o Will faça parte da proposta feita pelo BRB pelo Master, a carteira de precatórios não estaria incluída na transação, assim como direitos creditórios e participações em empresas.


Bancos costumam comprar precatórios de credores pagando valores menores para depois receber as quantias cheias e assim ter lucro. No mercado, os precatórios e pré-precatórios são vendidos com desconto.


No caso dos precatórios, os bancos pagam de 70% a 80% do valor de face (nominal), já que são processos transitados em julgado e que aguardam a liberação da ordem de pagamento. Os pré-precatórios são vendidos a cerca de 20% do valor de face, porque os casos ainda não foram concluídos e há risco de derrota nos tribunais ou de demora maior para a conclusão.


Por isso, esses ativos, embora arriscados, podem ser bastante rentáveis e, portanto, atraentes para as instituições financeiras que tenham menos necessidade de liquidez.


Nos últimos três anos, o Banco Master quase quadruplicou o montante de precatórios e direitos creditórios em seu balanço. O peso desses ativos tem despertado desconfiança nos agentes financeiros sobre a capacidade de o banco fazer frente aos pagamentos elevados de CDBs que tem no curto prazo.


Como mostrou o Estadão, uma norma editada pelo Banco Central em outubro de 2023 abriu uma brecha para que o Master e outras instituições financeiras não fossem obrigadas a contabilizar o risco de precatórios e direitos creditórios que já carregavam em seu balanço. Com isso, o Master pôde continuar operando sem a necessidade de receber mais aportes por parte dos sócios ou ser obrigado a vender ativos.


Os precatórios e direitos creditórios do Master teriam despertado o interesse do Banco BTG Pactual, como mostrou o Estadão.


Pessoas ligadas ao BTG dizem que é possível que o Banco de Brasília (BRB) consiga comprar a fatia do Master que anunciou e que o próprio BTG fique com outra parte, incluindo os precatórios. Essa possibilidade é bem recebida pelo BRB.


Outra hipótese é que o BTG resolva fazer uma proposta para comprar todo o Banco Master. O Credcesta, programa de crédito consignado para servidores públicos e aposentados, interessaria aos dois lados.


A interlocutores, contudo, o banqueiro André Esteves tem afirmado que o BTG nunca fez proposta pelo Master, nem tem interesse em adquirir qualquer ativo do banco. Procurado, o BTG reforçou o fato relevante divulgado ao mercado na semana passada, afirmando que nunca fez proposta, nem due diligence (análise sobre o balanço) para aquisição do banco.


Esteves começou a articular o apoio dos três maiores bancos privados do País – Itaú, Bradesco e Santander –para viabilizar uma solução para o Master. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, mediou uma reunião com os presidentes dessas instituições no último dia 5, em São Paulo.


Fontes do mercado financeiro envolvidas nas negociações acreditam que o Banco Central só aprovará a venda do Master se houver essa solução conjunta incluindo os bancos privados. Esses bancos colocam dinheiro no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), usado como um “seguro” para os títulos pelo Master – que chegou a oferecer CDBs com rendimento de 140% do CDI, bem acima da média do mercado.


Se houver uma intervenção e uma liquidação do banco de Daniel Vorcaro, os maiores bancos poderiam ter de aportar ainda mais dinheiro para “salvar” as garantias do FGC – que cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição bancária. Por isso, os bancos tentam afastar esse cenário.


Outra preocupação nesse grupo é que, com a exposição do caso e a falta de uma solução rápida, a carteira do Banco Master comece a se deteriorar e contamine a confiança no setor bancário.


https://www.estadao.com.br/amp/economia/master-esconde-investimentos-de-risco-em-fundos-valor-pode-ser-o-dobro-do-que-aparece-no-balanco/

BDM Matinal Riscala 02

 *Rosa Riscala: Agenda cheia encerra a semana*


… Em meio ao estresse dos mercados em Wall Street, JP Morgan, Wells Fargo e Morgan Stanley abrem a temporada de balanços, antes da abertura. O ânimo dos investidores com a trégua das tarifas não durou 24 horas e os sinais da guerra comercial que Trump mantém com a China voltaram com tudo, refletindo os riscos de inflação e recessão global, que parecem não ter solução a curto prazo. Na agenda tem Lagarde, PPI nos EUA, sentimento do consumidor americano e Fed boys alertando para as incertezas do cenário. No Brasil, são destaques: o IPCA de março e o IBC-Br de fevereiro (ambos às 9h), além de uma entrevista ao vivo de Fernando Haddad à BandNews (8h50).


… Com o mercado novamente negativo, o presidente Trump tentou injetar ânimo nos investidores, repetindo que quer um acordo com a China e restabelecer as relações bilaterais. “Xi Jinping tem sido meu amigo por muitos anos e espero conversar com ele”.


… O presidente chegou a dizer que “autoridades chinesas” já teriam entrado em contato com o governo americano, mas que não poderia revelar quem. “Só posso dizer que estou esperançoso”. Não conseguiu reverter o pessimismo.


… Enquanto isso, as projeções continuam a ser feitas considerando as piores variáveis.


… Para a Capital Economics, a tarifa de 145% imposta pelos Estados Unidos à China pode reduzir o PIB global em até 1% nos próximos dois anos, caso não haja avanços em acordos comerciais. A China seria a mais prejudicada, com retração de 1,2% do PIB.


… Os efeitos indiretos também atingiriam Canadá e México, que seriam afetados pela desaceleração da economia americana. UE, Índia e Japão sofreriam impactos mais contidos, enquanto o Reino Unido praticamente escaparia ileso.


… O economista-chefe do banco BTG Pactual, Mansueto Almeida, afirma que a falta de acordo entre os EUA e a China afeta os preços de commodities e prejudica países da América Latina, como o Brasil, que são grandes exportadores de produtos básicos.


… Segundo ele, além da instabilidade e possível queda no preço das commodities, as incertezas ainda devem dificultar investimentos de empresas no Brasil, uma vez que elas vão buscar moedas mais fortes. “O cenário é delicado.”


… Em entrevista à CNN no final da tarde, o conselheiro econômico da Casa Branca, Peter Navarro, também tentou acalmar os mercados, dizendo que Índia, Austrália e Reino Unido já estão em negociação com os EUA. “Os acordos vão acontecer o mais rápido possível.”


… Hoje, o ministro de Política Econômica e Fiscal do Japão, Ryosei Akazawa, disse que deseja visitar os EUA “o mais rápido possível” para abrir negociações sobre as tarifas aplicadas pela Casa Branca, que, segundo ele, são “uma crise nacional”.


UNIÃO EUROPEIA – A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse ontem que a UE buscará um acordo “completamente equilibrado”, mas alertou estar pronta para expandir dramaticamente a guerra comercial se essas negociações falharem.


… “Estamos desenvolvendo medidas retaliatórias. Há uma ampla gama de contramedidas em estudo e podemos incluir um imposto sobre as receitas de publicidade digital que afetaria grupos de tecnologia como Meta, Google e Facebook.”


… Pouco antes, Trump disse que a União Europeia foi “esperta” ao recuar em retaliações aos EUA. “Viram o que fizemos com a China e resolveram recuar”, disse o presidente, em referência ao aumento das tarifas aos produtos chineses, atualizadas para 145%.


… Trump informou que lidará com a UE como bloco ao negociar as tarifas, descartando acordos individuais com os países membros.


… Enquanto isso, a China fica soltando notícias sobre a aproximação com a Europa (pra cutucar a onça).


… Hoje, o South China Morning Post informa que os líderes da União Europeia estão planejando viajar para Pequim para uma cúpula com o presidente chinês, Xi Jinping, no final de julho.


HADDAD – O ministro deve ser questionado hoje na entrevista à BandNews sobre a crise tarifária nos EUA, mas ele tem tido todo cuidado para tratar do tema, porque o governo brasileiro ainda espera negociar um acordo para os 10% e os 25% do aço e do alumínio.


… Haddad reconhece que há “muita insegurança” sobre o que está acontecendo porque não há uma diretriz clara [de Trump], afirmando que, por ora, não é possível fazer uma avaliação criteriosa. “Vamos aguardar o posicionamento final para saber como proceder.”


… Aos jornalistas nesta 5ªF, Haddad negou estudo na Fazenda ou na Casa Civil para ampliar a tarifa social da energia elétrica, como havia dito o ministro Alexandre Silveira (MME) pouco antes, antecipando que o número de beneficiados aumentaria em 50%.


… Também descartou que haja previsão de alterar a meta de resultado primário para o ano que vem, de um superávit de 0,25% do PIB. A meta estará prevista no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026, que será divulgado na próxima 3ªF (15).


… Haddad admitiu ainda que pode haver uma audiência de conciliação entre governo e Senado no STF sobre a política de desoneração da folha, já que as medidas aprovadas pelo Congresso não foram suficientes para compensar a perda de arrecadação com o benefício.


… O relator da matéria, ministro Cristiano Zanin, acionou o Senado a se manifestar, após ter sido informado pela AGU do risco de prejuízo de R$ 20,23 bilhões para os cofres públicos neste ano, com a prorrogação da renúncia fiscal.


… O governo quer garantir no STF a compensação da perda de receita com a desoneração da folha, seja por meio da revisão do benefício, de um aperto maior na regra para reoneração gradual ou até mesmo exigindo que o Congresso apresente as soluções.


… Essa é uma das preocupações da equipe econômica nos próximos meses.


IPCA – A inflação deve arrefecer para 0,54% em março, após alta de 1,31% em fevereiro. As projeções variam de 0,46% a 0,59%. O IPCA em 12 meses deve subir para 5,46%, de 5,06% até fevereiro. O dado será divulgado pelo IBGE às 9h.


… A saída do efeito rebote do bônus de Itaipu na tarifa de energia elétrica, somada ao alívio no preço de combustíveis, deve contribuir para a desaceleração da alta do IPCA em março, de acordo com economistas consultados pelo Projeções Broadcast.


… De outro lado, o mercado prevê aceleração no grupo Alimentação, como alta de alimentos in natura, como tubérculos, carnes e ovos.


… Também a média dos núcleos deve desacelerar de 0,60% para 0,45% em março, com recuo nos preços livres (0,68% para 0,63%), preços administrados (3,16% a 0,27%), bens industriais (0,40% a 0,24%), serviços (0,82% a 0,59%) e serviços subjacentes (0,69% a 0,63%).


… Já a expectativa para a alimentação no domicílio é de alta do núcleo do IPCA (de 0,79% para 1,30%).


… Ainda que os números da inflação agradem, a recente depreciação do câmbio – com as incertezas causadas pelas tensões das tarifas de Trump – surgem como obstáculo para as expectativas de que o BC possa encurtar o ciclo de alta da Selic.


IBC-BR – A mediana do mercado indica expansão de 0,30% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central de fevereiro, após alta de 0,89% em janeiro. A produção agropecuária e o resultado acima do esperado dos serviços prestados devem impulsionar o IBC-Br.


… Os dados serão divulgados pelo Banco Central às 9h, tendo como novidade as aberturas setoriais do indicador.


… Nesta 5ªF, a Pesquisa Mensal de Serviços mostrou alta de 0,8% em fevereiro ante janeiro, superando o teto das estimativas (0,4%).


MASTER – Gabriel Galípolo reúne-se (9h) com o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, na sede do BC em Brasília.


NOS EUA – O Índice de Preços ao Produtor (PPI) de março nos EUA tem estimativa de alta de 0,3% para o núcleo na margem, após -0,1% em fevereiro, subindo para 3,5% na comparação anual (de 3,4% em fevereiro). O dado será divulgado às 9h30.


… Nesta 5ªF, o índice de preços ao consumidor (CPI), com alta de 0,1% do núcleo em março, veio abaixo da mediana (0,3%).


… Às 11h, é importante a preliminar de abril do Índice de Sentimento do Consumidor medido pela Universidade de Michigan, que deverá recuar para 54,0 (57,0 em março). Junto, saem as expectativas de inflação para 1 ano e para 5 anos.


FED BOYS – Mais dois dirigentes do Fed falam hoje Alberto Musalem/St. Louis (11h) e John Williams/NY (12h).


… Na Polônia, a presidente do BCE, Christine Lagarde, participa de coletiva de imprensa do Eurogrupo à primeira hora (6h45).


… Nesta 5ªF, Austan Goolsbee (Chicago) disse que a incerteza pode frear os investimentos. “Há muita ansiedade nas empresas que visito. Temem que a inflação volte a sair do controle, como em 2021.” Disse ainda que a barra para mexer nos juros está “bastante alta”.


… Jeffrey Schmid (Kansas City) disse que está “preocupado que qualquer novo aumento nos preços possa subir ainda mais as expectativas de inflação”, e ressaltou que a política atual e o ambiente econômico tornaram-se “consideravelmente mais complicados”.


… Susan Collins (Boston), que as tarifas, “grandes e abrangentes”, podem elevar o núcleo do PCE para “bem acima de 3% este ano”.


BALANÇOS EM NY – Pesos pesados de Wall Street puxam a fila da temporada de balanços, que estreia daqui a pouco, antes da abertura dos mercados. Além de JPMorgan, Wells Fargo e Morgan Stanley, também a BlackRock divulga resultados.


… A FactSet estima que o setor financeiro registre a quinta maior taxa de crescimento anual dos lucros entre todos os 11 setores do S&P 500 no 1Tri, com 2,3%. A exceção deve ser o mercado de seguros, que deve reportar queda de 15% nos lucros do 1Tri.


… Muitas seguradoras americanas devem reportar perdas no período por conta dos incêndios florestais em Los Angeles, no início do ano. Os prejuízos foram estimados entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões por casas como Evercore ISI e a corretora britânica Aon.


… Reportagem da correspondente da AE em NY, Aline Bronzati, revela que analistas adotaram cautela nas projeções para os lucros devido aos receios com o impacto das tarifas, definindo um corte de 4,2% para o período sobre as estimativas anteriores.


… O grupo conhecido como Sete Magníficas sofreu cortes ainda maiores nas projeções para os lucros, de cerca de 10%, diante dos receios tarifários. Apple, Alphabet (dona do Google), Nvidia, Microsoft, Amazon e Tesla já caíram em bloco nesta 5ªF (abaixo).


NÃO COLOU – Em seu esforço para tranquilizar os mercados, Trump também sugeriu ontem à tarde que a pausa das tarifas recíprocas poderia ser maior que 90 dias. Mas as bolsas em Wall Street não tomaram nota e continuaram caindo.


… A pausa nas retaliações anunciada pela UE também não contribuiu para amenizar o clima.


… A senha para as ações entrarem em nova liquidação, depois da alta histórica da véspera, foi o esclarecimento da Casa Branca de que as tarifas aplicadas à China não somavam 125%, mas sim 145%. Tinham esquecido dos primeiros 20%.


… Liderando as perdas das Sete Magníficas, a ação da Tesla caiu 7,3%. Mas todas sofreram quedas expressivas: a Meta devolveu 6,7%, a Nvidia, -5,9%; Amazon, -5,2%; Apple, -4,3%; Alphabet, -3,53%; e Microsoft, -2,3%.


… O S&P 500 fechou em queda de 3,46% (5.268,05 pontos). Nasdaq, -4,31% (16.387,31). E Dow Jones, -2,50% (39.593,66).


… A deflação do CPI, que seria excelente notícia, foi ofuscada pelo vaivém das tarifas. Mesmo porque, o futuro já começou.


… Analistas não acreditam que a leitura benigna da inflação, antes do anúncio das tarifas recíprocas, seja sustentada nos meses à frente diante da guerra comercial com a China, e mesmo com as relações instáveis com outros países.


… A deflação, então, sugeriu uma diminuição na demanda com o medo de recessão provocada pelo aumento das tarifas de importação.


… Apesar do dado, no fim da tarde o FedWatchTool, da CME, mostrava aposta majoritária (71%) na manutenção dos juros na reunião do Fed em maio. Para todo o ano, as apostas se dividiam entre corte total de 100pbs (33,2%) e de 75pbs (30,7%).


… Investidores seguiram se desfazendo de Treasuries, com consequente alta dos rendimentos. Os juros dos títulos tiveram um momento de alívio após a divulgação do CPI, mas foi só. Depois, apenas o yield da note de 2 anos caiu a 3,845% (de 3,921%).


… O rendimento da note de 10 anos subiu a 4,412% (de 4,352% na véspera) e do título de 30 anos subiu a 4,921% (de 4,891%). Um leilão de bonds de 30 anos teve boa demanda, mas sem conseguir reduzir o juro do papel.


… A liquidação dos títulos do Tesouro americano teria sido o gatilho para o recuo de Trump, à medida que estariam colocando em risco a confiança no governo dos Estados Unidos. Cerca de US$ 8,5 trilhões desses papéis estão nas mãos de países estrangeiros.


… Japão (US$ 1 trilhão), China (US$ 760 bilhões) e Reino Unido (US$ 740 bilhões) são os maiores detentores.


… Também o dólar foi mal. O mercado global voltou a dar preferência a moedas como o iene e o franco suíço. O índice DXY caiu 1,97%, a 100,867 pontos. O euro disparou 2,07%, para US$ 1,1175, e a libra subiu 1,05%, a US$ 1,2948. O iene avançou 1,96%, a 144,529/US$.


… Entre as moedas emergentes, o dólar levou a melhor e o real continuou com um dos piores desempenhos diários entre seus pares. No mercado à vista a moeda americana subiu 0,88%, a R$ 5,8988. Na máxima, chegou a R$ 5,95.


… Os juros tiveram alta firme nos vencimentos médios e longos, com o mercado avesso ao risco e sob pressão do câmbio.


… O DI Jan/26 ficou estável em 14,805%; o Jan/27 subiu a 14,520% (de 14,475% na véspera); o Jan/29, foi para 14,470% (de 14,350%); o Jan/31, para 14,790% (de 14,600%) e o Jan/33, avançou a 14,900% (de 14,700%).


… Com as tensões crescendo entre Estados Unidos e China, as commodities foram novamente penalizadas, o que é ruim para o Ibovespa, que tem cerca de 35% de seu peso relacionado a empresas de matérias-primas.


… O índice fechou em baixa de 1,13%, aos 126.354,75 pontos, com giro de R$ 25,9 bilhões. Petroleiras levaram a pior, puxadas pela baixa de 3,28% no contrato do Brent com vencimento em junho, que fechou a US$ 63,33 o barril na Ice londrina.


… Petrobras ON (-6,49%; R$ 33,26) e PN (-6,22%; R$ 31,23), foram seguidas por Prio (-8,13%; R$ 32,89), Brava Energia (-6,82%; R$ 16,40) e Petrorecôncavo (-6,30%; R$ 13,38). Vale teve alta de 1,79% (R$ 52,78), seguindo o minério de ferro em Dalian (-3,06%).


… A mineradora também foi favorecida após o BofA elevar a recomendação e aumentar o preço-alvo das ADRs de US$ 11 para US$ 11,5.


… Bancos caíram em bloco: Santander (-1,50%), BB (-0,68%), Itaú (-0,41%), Bradesco PN (-0,16%) e ON (-0,09%).


… Entre as poucas altas do dia, LWSA subiu 4,58%; Magazine Luiza, +4,50%; e Hapvida; +2,78%.


EM TEMPO… ELETROBRAS defendeu eleição de chapa indicada pela administração em carta a acionistas; adoção ou não de voto múltiplo é irrelevante para indicações da União ao CA…


… Processo de indicação e sucessão, liderado por Vicente Falconi, com envolvimento do Comitê de Pessoas, foi criterioso e cuidadosamente estruturado…


… Companhia fez mapeamento para composição da matriz de competência do CA, que apontou necessidade de renovação controlada do colegiado…


… Indicação de Pedro Batista foi solicitada por cinco acionistas; CA considerou desempenho e avaliações de cada conselheiro para reconduções; nome de Ferreira foi indicado por quatro acionistas e incorporado em proposta da Administração.


NEOENERGIA. Energia injetada aumentou 3,6% no 1TRI, na comparação anual, para 22.903 GWh.


CYRELA. Lançamentos chegaram a R$ 3,4 bilhões no 1TRI, valor 183% acima do atingido no mesmo intervalo de 2024.


SANTANDER aprovou distribuição de R$ 1,5 bilhão em JCP, o equivalente a R$ 0,1913 por ação ON, R$ 0,2105 por ação PN e R$ 0,4019 por unit, com pagamento em 8/5; ex em 18/4.

BDM Matinal Riscala 1104

 🌎🇧🇷🇺🇸 IPCA, IBC-Br, Haddad e balanços em NY são destaques


Em meio ao estresse dos mercados em Wall Street, JP Morgan, Wells Fargo e Morgan Stanley abrem a temporada de balanços, antes da abertura. O ânimo dos investidores com a trégua das tarifas não durou 24 horas e os sinais da guerra comercial que Trump mantém com a China voltaram com tudo, refletindo os riscos de inflação e recessão global, que parecem não ter solução a curto prazo. Na agenda tem Lagarde, PPI nos EUA, sentimento do consumidor americano e Fed boys alertando para as incertezas do cenário. No Brasil, são destaques: o IPCA de março e o IBC-Br de fevereiro (ambos às 9h), além de uma entrevista ao vivo de Fernando Haddad à BandNews (8h50).  (Rosa Riscala)


👉 Confira abaixo a agenda de hoje


Indicadores

▪️ 03h00 – Alemanha/Destatis: CPI de março

▪️ 03h00 – Reino Unido/ONS: Produção industrial de fevereiro

▪️ 09h00 – IBGE: IPCA, INPC e INCC/Sinapi de março 

▪️ 09h00 – BC: IBC-Br de fevereiro 

▪️ 09h30 – EUA/Deptº do Trabalho: PPI e Núcleo do PPI de março

▪️ 14h00 – EUA/Baker Hughes: poços e plataformas de petróleo em operação     

▪️ 16h00 – Argentina/Indec: inflação ao consumidor (CPI) de março


Eventos

▪️ 06h45 – BCE: Christine Lagarde participa de coletiva de imprensa do Eurogrupo

▪️ 08h50 – Fernando Haddad concede entrevista à Bandnews 

▪️ 09h00 – Gabriel Galípolo reúne-se com CEO e presidente do Banco Master

▪️ 11h00 – Alberto Musalem (Fed/St. Louis) discursa em evento

▪️ 11h00 – EUA/Univ. Michigan: Índice de Sentimento do Consumidor preliminar de abril

▪️ 12h00 –  John Williams (Fed/NY) discursa em evento


Balanços

▪️ NY/ Antes da abertura: BlackRock, JPMorgan, Wells Fargo e Morgan Stanley


🇺🇸 Dow Jones Futuro cai após China impor tarifas de 125% sobre produtos americanos


Os índices futuros dos EUA operam em baixa nesta sexta-feira (11), com as persistentes preocupações em torno das tarifas comerciais. A China retaliou as tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, elevando de 84% para 125% as taxas sobre produtos norte-americanos.


🔎 Veja os principais indicadores às 5h40 (horário de Brasília):


🌏 EUA

* Dow Jones Futuro: -0,32%

* S&P 500 Futuro: -0,31%

* Nasdaq Futuro: -0,33%

🌏 Ásia-Pacífico

* Shanghai SE (China), +0,45%

* Nikkei (Japão): -2,96%

* Hang Seng Index (Hong Kong): +1,13%

* Kospi (Coreia do Sul): -0,50%

* ASX 200 (Austrália): -0,82%

🌍 Europa

* STOXX 600: -0,68%

* DAX (Alemanha): -0,80%

* FTSE 100 (Reino Unido): -0,06%

* CAC 40 (França): -0,60%

* FTSE MIB (Itália): -1,02%

🌍 Commodities

* Petróleo WTI, +0,25%, a US$ 60,24 o barril

* Petróleo Brent, +0,21%, a US$ 63,46 o barril

* Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,71%, a 708,00 iuanes (US$ 96,79)

Simon Schwartzman