terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Golden visa

 Portugal está acelerando o tempo de processamento dos pedidos de golden visa depois que os atrasos começaram a manchar a imagem de um dos programas de residência por investimento mais populares da Europa. A Agência de Integração, Migração e Asilo de Portugal informou aos investidores em potencial que substituirá seu sistema de solicitação baseado em papel por um sistema digital, de acordo com uma cópia do plano vista pela Bloomberg News. Atualmente, há entre 45.000 e 50.000 solicitações de golden visa aguardando análise, segundo dados fornecidos pela AIMA. Clique no link para saber mais.


https://tinyurl.com/bkpw4sn9

O peso do agronegócio

 Itaú: agronegócio representa 21% do PIB brasileiro, considerando-se todas as atividades ligadas ao setor


São Paulo, 10/02/2025 - O agronegócio representa cerca de 21% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, considerando desde a produção primária, o beneficiamento dessa produção, o comércio e o transporte e o uso de recursos envolvidos no processo, aponta análise do Itaú divulgada hoje, tendo como base dados de 2021.


Segundo o banco, se for considerado apenas o PIB agro das divulgações oficiais, o peso do setor na economia é de 6%. "Há, no entanto, outras atividades que também integram o agronegócio", ressalta o relatório assinado por Pedro Renault e André Matcin. "No caso da indústria, há ramos responsáveis por beneficiar de alguma forma o produto que vem diretamente da terra, antes que ele passe por outras etapas das cadeias de valor", observa. Além disso, no segmento de serviços também há parte do comércio e transportes "que têm relação intrínseca com o setor".


Assim, o fato de o agronegócio estar "espalhado transversalmente pela economia" permite se inferir a participação de 21% no PIB brasileiro. O Itaú ressalta também que a parcela do PIB "diretamente identificável" como agronegócio, somando produção primária, agroindústria (apenas os primeiros elos de beneficiamento das cadeias de valor) e serviços de comércio e transporte envolvidos no escoamento da produção, "equivale a quase 15% do PIB".


Em relação aos empregos no País, o agronegócio, sob estes mesmos critérios, contribuiria com 17% da população ocupada, ou pouco mais de 17 milhões de empregos. Além disso, o Itaú analisou a participação do agronegócio nas contas externas. "Estimamos que o agronegócio respondeu por 31% da corrente de comércio brasileira em 2024", diz o documento. "Sob a ótica de saldo comercial, nos últimos 12 meses, o agronegócio brasileiro foi superavitário em cerca de US$ 109 bilhões, sendo o principal vetor de contribuição para o superávit da balança comercial no País, mais do que compensando o déficit existente no agregado dos outros setores."


Ainda conforme a análise do Itaú, entre 2010 e 2021 - período analisado - a participação do agronegócio no PIB brasileiro aumentou de 14,4% para 21,2%, considerando-se toda a cadeia de produção primária (agricultura e pecuária, além de florestas, pesca e aquicultura), beneficiamento, uso de recursos, transporte e comércio. O Itaú observa que "há defasagem" nos dados, que abrangem apenas até 2021. Os analistas dizem também que entre 2023 e 2024 deve ter havido algum recuo na participação do agronegócio no PIB geral do País, em função do recuo do PIB do agronegócio. "Em 2025, projetamos uma expansão de 4,8% da produção primária, o que deveria levar a algum ganho de peso no PIB", diz o Itaú.


Broadcast+

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Pedro Malan

 


Produtividade baixa

 


Call Matinal 1002

 Call Matinal.                                 

10/02/2025 

Julio Hegedus Netto, economista

MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO (07/02)

MERCADOS


Na sexta-feira passada (O7), o Ibovespa fechou em baixa de 1,27%, aos 124.619,40 pontos, com volume financeiro de R$ 21,0 bilhões. Na semana, a queda acumulada foi de 1,20%. Já o dólar à vista fechou em alta de 0,52%, a R$ 5,7936, após oscilar entre R$ 5,7354 e R$ 5,8086. Na semana, porém, a moeda caiu 0,74%. Acreditamos numa semana de muitas oscilações, dada a movimentação do presidente dos EUA, Donald Trump, na questão das tarifas, e a “agenda pesada” de indicadores. 


PRINCIPAIS MERCADOS, 7h00


Índices futuros dos EUA operando em alta nesta segunda-feira (10), numa semana cheia de indicadores e acompanhando presidente dos EUA, Donald Trump, na sua cruzada por tarifas de importação mais elevadas. Agora, anunciou a taxação de 25% para o aço, alumínio e outros. Pelo Brasil ser um grande exporador, o terceiro à nível global, acabará duramente afetado. 


EUA:

Dow Jones Futuro, +0,13%

S&P 500 Futuro, +0,26%

Nasdaq Futuro, +0,49%


Ásia-Pacífico:

Shanghai SE (China), +0,56%

Nikkei (Japão), +0,04%

Hang Seng Index (Hong Kong), +1,84%

Kospi (Coreia do Sul), -0,03%

ASX 200 (Austrália), -0,34%


Europa:

FTSE 100 (Reino Unido), +0,40%

DAX (Alemanha), +0,31%

CAC 40 (França), +0,26%

FTSE MIB (Itália), +0,35%

STOXX 600, +0,36%


Commodities:

Petróleo WTI, +0,52%, a US$ 71,37 o barril

Petróleo Brent, +0,52%, a US$ 75,05 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,79%, a 826,50 iuanes (US$ 113,10)


NO DIA, 1002


Numa semana repleta de indicadores, toda atenção para o que será dito pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na sua cruzada comercial. 


Hoje, deve anunciar a taxação sobre as importações de aço e alumínio em 25%. Lembremos que o  Brasil é o terceiro exportador e deve ser muito atingido. Além disso, deve aplicar tarifas recíprocas de importação aos seus parceiros comerciais, a serem anunciadas “amanhã ou 4ªF”. Segundo ele, “tarifas são uma opção para lidar com o déficit e que as sobre automóveis estão sempre em consideração”.


Expectativas são de que estas novas tarifas sobre o aço repercutam nas empresas de energia dos EUA, de desenvolvedores eólicos a perfuradoras de petróleo, que dependem de graus especiais de aço não fabricados nos EUA. Muitos compradores e vendedores de aço e alumínio achavam que teriam pelo menos até março para se preparar para qualquer implementação de tarifa. O fato é que a escala das ambições tarifárias gerais de Trump permanece incerta. Na semana passada, ele disse que imporia tarifas sobre outros bens, incluindo produtos farmacêuticos, petróleo e semicondutores, e disse que está considerando taxas de importação contra a UE.


Na agenda semanal, por aqui, destaque para o IPCA de janeiro, as vendas no varejo (PMC IBGE) e o volume de serviços (PMS IBGE) de dezembro. Tudo isso deve influenciar no futuro de DI nesta semana, em paralelo à repercussão da maior oferta de crédito consignado, anunciada por Lula. Nos EUA, é divulgado na quarta-feira o CPI de janeiro, e na quinta-feira, o PPI e os dados dos pedidos iniciais de auxílio-desemprego. Além disso, o presidente do Fed, Jerome Powell, testemunhará perante o Congresso na terça e na quarta-feira, aumentando o foco sobre a política monetária.


Julio Hegedus Netto, economista JHN Consulting 

 

Boa segunda-feira a todos!

Bankinter Portugal Matinal 1002

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Esta semana, inflação americana e Powell (Fed), mas o realmente importante acontecerá durante o fim de semana e estará relacionado com o prémio de risco geoestratégico: a Conferência de Segurança de Munique. 

 

A temporada de publicação de resultados empresariais continua ativa e, por agora, está a apoiar as bolsas, porque os resultados agregados são bons: tendo publicado já ca. 3/5 das empresas americanas avaliadas, o seu EPS médio é +13,3% vs. +7,5% esperado. Isto é, a realidade quase duplica a expetativa. Por isso, voltam a ser, mais um trimestre, um apoio fiável para as bolsas. Não esqueçamos que, a longo prazo, estas evoluem de forma coerente com os resultados empresariais. Dando isto por descontado em positivo, esta semana dependemos basicamente da inflação americana, na quarta-feira, a meio do dia, e do tom de Powell perante o Senado e o Congresso, na terça e quarta-feira, respetivamente. Espera-se que a inflação repita em +2,9%, mas que a Taxa Subjacente retroceda até +3,1% desde +3,2%, portanto pode ser um evento modestamente favorável. 

 

Powell dará a sua visão sobre a situação da economia e será responsabilizado em frente às câmaras pela política monetária da Fed, no que antes se denominava “Discurso Humphrey-Hawkins” semestral. Provavelmente, mostrar-se-á cauteloso e relutante em orientar sobre as seguintes descidas de taxas de juros até ter informação mais fiável em relação ao impacto sobre a inflação e o crescimento das políticas de Trump, principalmente sobre os impostos alfandegários. De facto, hoje serão anunciados impostos alfandegários de 25% às importações de aço e alumínio, as quais têm origem, principalmente, do Canadá (79% do total), México, Brasil, Coreia do Sul e Vietnam. Isso poderá arrefecer um pouco o mercado… mas pouco, porque pesarão mais os seus comentários sobre uma conversa que afirma ter mantido com Putin para terminar a guerra na Ucrânia, sem acrescentar concretização e expressando-se de forma ambígua. 

 

E isto tem relação direta com a Conferência de Segurança de Munique no próximo fim de semana, cuja influência, já para a próxima semana, é imprevisível. Qualquer alusão a um hipotético cessar-fogo reduzirá o prémio de risco geoestratégico e relançaria as bolsas, mas qualquer deceção a respeito conseguiria o contrário. Por isso, é provável que na quinta/sexta-feira ocorra uma retirada de posições que se traduzirá em ligeiros retrocessos. Ou o contrário, porque o desenvolvimento é tão imprevisível como as declarações de Trump. A questão é que, por precaução, as bolsas devem enfraquecer para o final de semana, embora apenas como precaução. Embora hoje iniciem a subir um pouco, animadas por essa ambígua e inconcreta conversa de Trump com Putin. 

 

S&P500 -0,9% Nq-100 -1,3% SOX -1,6% ES-50 -0,6% IBEX -0,3% VIX 16,5 Bund 2,37% T-Note 4,49% Spread 2A-10A USA=+20pb B10A: ESP 3,04% PT 2,89% FRA 3,09% ITA 3,46% Euribor 12m 2,384% (fut.2,160%) USD 1,033 JPY 156,5 Ouro 2.888$ Brent 75,3$ WTI 71,6$ Bitcoin +0,4% (97.281$) Ether -2,4% (2.638$). 

 

FIM

BDM Matinal Riscala 1002

 Brasil deve ser atingido por tarifas de Trump

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*.


[10/02/25]


… O IPCA, as vendas no varejo e o volume de serviços calibram as apostas para a taxa Selic nesta semana, enquanto o aumento do crédito anunciado por Lula concentra o maior foco de risco. Nos EUA, as sabatinas de Powell no Congresso e dados de inflação americana (CPI e PPI) são destaques da agenda, depois que o payroll esvaziou as chances de dois cortes de juro pelo Fed este ano. Mas o dia já começa com pressão sobre o dólar, diante da ameaça de Trump de anunciar ainda hoje a taxação sobre as importações de aço e alumínio em 25%. O Brasil é o terceiro exportador e deve ser atingido. Além disso, prometeu aplicar tarifas recíprocas de importação aos seus parceiros comerciais, a serem anunciadas “amanhã ou 4ªF”. Nesta 2ªF, entraram em vigor as medidas retaliatórias da China contra os EUA, em resposta às tarifas de Trump.


… Havia expectativa por negociações entre Washington e Pequim que pudessem evitar a guerra comercial, como aconteceu com o México e o Canadá. A Casa Branca chegou a anunciar que Trump conversaria com Xi Jinping, mas descartou o telefonema horas depois.


… Segundo o Ministério do Comércio da China informou na última semana, o gás liquefeito e o carvão exportados para os Estados Unidos serão taxados em 15%, e o petróleo, máquinas agrícolas e veículos de grande potência, em 10%.


… Ao mesmo tempo, Trump veio com novas ameaças de tarifas, falando a repórteres a bordo do avião presidencial, no fim do domingo.


… Disse que a tarifa de 25% sobre importações de aço e alumínio será anunciada nesta 2ªF para todos os países e que, na 3ªF ou 4ªF, em coletiva de imprensa, anunciará também tarifas recíprocas aos países que “estão tirando vantagem dos EUA”.


… Sobre as tarifas às importações de aço e alumínio, a Bloomberg afirmou que podem repercutir nas empresas americanas de energia, de desenvolvedores eólicos a perfuradoras de petróleo que dependem de graus especiais de aço não fabricados no país.


… Compradores e vendedores de aço e alumínio achavam que teriam pelo menos até março para se preparar para uma eventual taxação.


… A agência diz que a escala das ambições tarifárias gerais de Trump permanece incerta, lembrando que ele já falou em taxar outros bens, incluindo produtos farmacêuticos, petróleo e semicondutores, além de considerar taxas de importação contra a UE.


… Neste domingo, em debate eleitoral com o líder da União Democrática Cristã, Friedrich Merz, o chanceler Olaf Scholz reconheceu que a Alemanha será um dos países mais prejudicados por tarifas contra a UE, mas que está preparado para reagir “em até uma hora”.


… Aqui, o presidente Lula também já disse que o seu governo reagiria a uma eventual taxação de Trump.


… Em 2023, o Brasil foi o terceiro maior fornecedor de aço para os EUA, atrás de Canadá e México. Naquele ano, os EUA compraram 18% de todas as exportações brasileiras de ferro fundido, ferro ou aço.


… Durante o primeiro mandato, Trump impôs tarifas de 25% sobre importação de aço e 10% sobre as de alumínio. Mais tarde, revogou as sobretaxas. Mas houve desligamento de fornos e demissões no setor no Brasil.


… Pouco antes de embarcar no Force One, Trump deu entrevista à Fox News, quando reclamou do déficit comercial que o país tem com o México e o Canadá. “Nós temos um déficit com o México de US$ 350 bilhões. Não vou deixar isso acontecer”.


… Voltou também a falar que quer o Canadá para os EUA. “Perdemos todos os anos US$ 200 bilhões para o Canadá.”


… O presidente Trump disse ainda ter conversado com Putin sobre a guerra na Ucrânia, disse que “está fazendo progressos”, e revelou que quer se encontrar presencialmente com o líder russo no “momento apropriado”. Trump falou ainda sobre Gaza.


… “Seria um erro deixar os palestinos voltarem para lá. Não queremos a volta do Hamas. Estou comprometido a comprar e a ser dono de Gaza. Pense em Gaza como um local imobiliário. Outros lugares do Oriente Médio vão construir lugares para os palestinos morarem.”


… Os futuros de NY reagiam em queda às novas ameaças tarifárias de Trump, enquanto o dólar subia.


METRALHADORA GIRATÓRIA – A ameaça de tarifas sobre o aço ocorre em meio a um acordo paralisado pela japonesa Nippon Steel para comprar a US Steel por US$ 14,1 bi, que, se depender de Trump, não irá pra frente.


… Na entrevista no avião presidencial, ele disse que a Nippon pode até investir na US, mas não comprá-la.


… Atirando para todos os lados ontem à noite, sobrou até para o Tesouro. Para Trump, a dívida dos EUA pode ser menor do que se pensa por causa de supostas fraudes do Departamento do Tesouro.


QUEM QUER DINHEIRO? – A partir desta semana, o governo federal anuncia novos programas voltados à aceleração do crédito, enquanto os bancos privados vão na contramão e pisam no freio, diante da piora da inflação e Selic nas alturas.


… Durante agenda na Bahia, na última 6ªF, Lula repetiu que vai anunciar “muitas” políticas de crédito. Segundo ele, quando o dinheiro começar a circular no País, “ninguém aqui vai comprar dólar e depositar no exterior”.


… Reportagem da Folha de sábado informa que o presidente Lula planeja ainda que os bancos públicos tenham forte atuação na oferta do crédito pela nova modalidade do empréstimo consignado privado, prestes a sair.


… O novo modelo será lançado sem a exigência de um teto para os juros, ao contrário da versão para o INSS.


… O esforço para bombar o crédito acontece no contexto de inflação pressionada, especialmente dos alimentos, que tem levado o governo a procurar representantes de setores para cobrar as razões dos reajustes no varejo.


… O mercado vê com preocupação o risco de intervencionismo e as tentativas de segurar a inflação “na marra”.


NÃO TEM SIDÔNIO QUE DÊ JEITO – Mais uma trapalhada na comunicação do governo abriu nova crise na última 6ªF, quando o ministro Wellington Dias cogitou um aumento do Bolsa Família para compensar o impacto da pressão dos alimentos.


… Em entrevista ao portal Deutsche Welle, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome assustou ao revelar que uma alta no valor do repasse do programa assistencial “está na mesa”.


… Antecipou que está preparando um relatório sobre o assunto para apresentar a Lula até o mês que vem.


… Na tentativa de apagar o incêndio, a Casa Civil teve que redigir uma nota às pressas na tarde de 6ªF para desautorizar o ministro e negar que exista qualquer estudo circulando dentro do governo sobre o tema.


… Ao Broadcast, integrantes da equipe econômica disseram que tudo não passa de ruído. Segundo os técnicos, além de não haver espaço orçamentário para um aumento no benefício, a medida pioraria o cenário de inflação. 


… Os desmentidos, porém, não acalmaram o mercado, que já vinha estressado pelo tarifaço de Trump. Na onda de maior nervosismo, o dólar à vista encostou na marca dos R$ 5,80 e o Ibovespa devolveu os 125 mil pontos.


… Os contratos curtos dos juros futuros voltaram a pagar taxas na faixa de 15% (leia mais abaixo). 


… Profissionais do mercado acreditam que, se o governo resolver levar adiante a possibilidade de reajuste do Bolsa Família, a percepção de risco fiscal só vai piorar e que a curva do DI vai cobrar prêmios mais elevados.


… No Focus (8h25), a mediana para a Selic terminal roda em 15%. Foi interessante observar que, durante a reunião de economistas com diretores do BC na 6ªF, ninguém mencionou apostas mais agressivas, de 16%.


… Mas o governo não pode brincar com o fiscal, no risco calculado para não pressionar ainda mais a Selic.


… Segundo apurou o Broadcast, existe o consenso de que os juros mais altos, combinados à retirada de parte dos impulsos fiscais, devem frear o ritmo da atividade econômica, sobretudo no segundo semestre.


… Há divergências, porém, quanto à intensidade da desaceleração. Apesar dos sinais de menor dinamismo, o PIB pode seguir relativamente aquecido pela safra recorde de grãos, mercado de trabalho e herança estatística.


PÉ-DE-MEIA –Em Brasília, o ministro do TCU Augusto Nardes pauta para esta semana a votação de recurso do governo para liberar as verbas do programa, bloqueadas pela Corte por terem sido operadas fora do Orçamento.


… O entendimento do TCU é de que o governo federal não poderia ter operado o programa para o ensino médio, porque se desviou da lei orçamentária e dos limites fiscais ao pagar a bolsa para os estudantes.


MAIS AGENDA –O grau de esfriamento da economia poderá ser medido esta semana pelos dados de dezembro das vendas no varejo (5ªF) e do volume de serviços (4ªF). Amanhã, o mercado estará ligado no IPCA de janeiro.


… O índice oficial de inflação deve desacelerar para 0,16%, contra alta de 0,52% em dezembro. O bônus de Itaipu na tarifa de energia elétrica deve contribuir para a desaceleração do resultado do indicador em janeiro.


… Para a inflação em 12 meses, a mediana indica taxa de 4,56% em janeiro, abaixo de dezembro (4,84%).


… Semana reserva ainda as primeiras prévias dos preços em fevereiro: IPC-S (hoje, às 8h) e IPC-Fipe, amanhã.


BALANÇOS –Depois do início movimentado da temporada com os resultados dos bancos, a semana é mais tranquila, com destaque para Usiminas (6ªF). Hoje, BTG Pactual e TIM Brasil soltam os seus números.


… Na 4ªF, é a vez de Suzano, Banrisul, Jalles Machado e Totvs. Na 5ªF, Caixa Seguridade. Na 6ªF, Porto e Raízen.


LÁ FORA – Powell estará no Congresso americano duas vezes esta semana para apresentar o Relatório Semianual de Política Monetária em audiências nas comissão do Senado amanhã (3ªF) e na Câmara na 4ªF.


… Os investidores também estarão de olho nos dados de inflação de janeiro: CPI (4ªF) e PPI (5ªF). Entre os indicadores de atividade econômica nos EUA, saem na 6ªF as vendas no varejo e produção industrial de janeiro.


… Apesar de o payroll ter desacelerado em termos de criação de emprego em janeiro, a pressão salarial ganhou força e o desemprego diminuiu, reduzindo as chances de cortes de juro pelo Fed ao longo deste ano (abaixo).


… Além dos fundamentos econômicos, o Fed reconhece que a abordagem sobre a política monetária também continua condicionada aos potenciais efeitos do tarifaço de Trump sobre a inflação norte-americana.


… No bloco europeu, como parte de um acordo para evitar uma guerra comercial, o Financial Times informou que a União Europeia oferecerá uma redução de tarifas sobre as importações de automóveis dos EUA. 


… No campo geopolítico, Trump antecipou que se encontrará Zelensky na próxima 6ªF. Segundo relatório vazado nos últimos dias, os EUA pressionam a Ucrânia a aceitar um cessar-fogo com a Rússia até a Páscoa.


… Os planos são acompanhados de perto pelo petróleo, que monitora também os relatórios mensais da Opep (4ªF) e da AIE (5ªF). Ainda na agenda da semana, o McDonald´s divulga balanço hoje, antes da abertura.


… Também nesta 2ªF, Lagarde (BCE) participa de debate (11h). Amanhã (3ªF), o presidente do BC inglês (BoE), Andrew Bailey, discursa em evento. Na 6ªF, o BC da Rússia anuncia decisão de política monetária.


CHINA HOJE – A inflação ao consumidor (CPI) registrou alta anualizada de 0,5% em janeiro, acima da previsão de 0,4%. O núcleo subiu pelo quarto mês consecutivo, acelerando de 0,4% em dezembro para 0,6%. 


… O resultado sinaliza possível recuperação após as medidas de estímulo anunciadas pelo governo de Pequim.


… Por outro lado, o índice de preços ao produtor (PPI) caiu 2,3% contra um ano antes (mesmo resultado de dezembro). Economistas previam queda de 2,2%. O dado permanece em deflação por mais de dois anos.


APANHA DE TODO LADO – Os ativos brasileiros encararam uma sinuca de bico na 6ªF, com o exterior fugindo do risco, em meio a escalada tarifária de Trump, e a política doméstica provocando ruído fiscal, mais uma vez.


… Investidores avaliavam se a reciprocidade tarifária a ser anunciada pelos EUA poderia atingir o Brasil, quando no meio da tarde o ministro Wellington Dias veio com aquela história de estudo sobre o aumento no Bolsa Família.


… Pegos de surpresa, Fazenda e Casa Civil negaram a informação, mas ainda assim o mercado aprofundou as perdas.


… O dólar voltou aos R$ 5,80 na máxima do dia (R$ 5,8086), para fechar próximo disso, em alta de 0,52%, a R$ 5,7936. Na semana, ainda fechou com queda de 0,74%.


… Embalado pelo dólar e pela alta dos Treasuries, os juros escalaram, com os curtos de volta à marca dos 15%.


… O DI Jan/26 marcou 15,020% (de 14,930% no fechamento anterior); Jan/27 subiu a 15,195% (15,000%); Jan/29, a 14,900% (14,665%); Jan/31, a 14,820% (14,640%); e Jan/33, a 14,770% (14,580%).


… Com perdas em suas principais blue chips, o Ibovespa encerrou o dia em 124.619,40 pontos, baixa de 1,27%. O índice engatou a primeira perda semanal do ano: -1,20%. No acumulado de 2025, ainda ganha 3,60%.


… Bradesco foi destaque de baixa após o balanço do 4Tri com números positivos, mas guidance conservador. A ação PN registrou -3,93% (R$ 11,99) e a ON, -3,12% (R$ 10,88).


… Outros bancos sentiram o mau humor. Santander caiu 2,19% (R$ 26,41). Banco do Brasil baixou 1,31% (R$ 27,78) e Itaú Unibanco desvalorizou 0,73% (R$ 33,92).


… Petrobras ON teve queda de 0,68% (R$ 39,70), Petrobras PN perdeu 0,57% (R$ 36,58), na contramão do Brent/abril, em alta de 0,49%, a US$ 74,66, diante das sanções anunciadas por Trump às exportações de óleo do Irã.


… Vale cedeu 0,54% (R$ 54,83), também na direção contrária ao minério de ferro em Dalian (+0,86%).


… Outras baixas importantes foram de Automob (-7,41%; R$ 0,25), Cosan (-6,14%; R$ 7,18) e Localiza (-6,11%; R$ 29,94). Entre as maiores altas, Totvs (+2,69%; R$ 33,54), Hapvida (+2,64%; R$ 2,33) e Fleury (+1,83%, a R$ 11,69).


VAI PASSAR DE BRAVATA – Uma potencial escalada da guerra comercial nesta semana deixou os investidores com o pé atrás na 6ªF. Se o governo Trump começou num tom mais moderado, agora parece que o caldo vai engrossar.


… Em NY, o mercado já estava tenso com dados sobre o sentimento do consumidor e salários em aceleração, quando Trump falou em “tarifas recíprocas” e desandou os ativos.


… Basicamente, a reciprocidade taxa importações na mesma medida em que as exportações do país são taxadas.


… Ao lado do primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, em reunião na Casa Branca, sequer descartou tarifas contra o país.


… Se aumenta o temor dos investidores sobre o impacto das tarifas na inflação, a percepção dos consumidores sobre os preços também anda preocupante.


… Pesquisa mensal da Universidade de Michigan mostrou que a expectativa de inflação dos americanos para 12 meses saltou de 3,3% em janeiro para 4,3% em fevereiro. Para o horizonte de cinco anos, subiu de 3,2% para 3,3%.


… A confiança do consumidor caiu de 71,1 em janeiro para 67,8 em fevereiro, de expectativa de 72.


… No FedWatch, do CME, ampliou-se a aposta de apenas um corte de 25 pb no juro pelo Fed este ano, de 32% para 35%. Essa possibilidade, de uma redução única, já havia crescido com o payroll.


… Os dados do mercado de trabalho vieram mistos, mas ainda firmes.


… Os EUA criaram um saldo de 143 mil vagas em janeiro, abaixo do 170 mil esperados, mas os empregos de dezembro (de 256 mil para 307 mil) e novembro (212 mil para 261 mil) foram ajustados em 100 mil vagas a mais, no total.


… Houve ganho salarial anual de 4,1%, de 3,8% esperados. Na comparação mensal, a alta foi de 0,48%, de projeção de +0,3%.


… Dois dirigentes do Fed, Austan Goolsbee (Chicago) e Adriana Kugler, consideraram o mercado de trabalho americano saudável, perto do pleno emprego, permitindo que o Fed segure os juros por mais tempo.


… Em entrevista à CNBC, Neel Kashkari (Fed de Minneapolis), disse que a inflação vai continuar a esfriar em direção à meta de 2%, permitindo um corte de juros “modesto” no fim do ano.


… No mercado de ações, o Nasdaq puxou as perdas, com queda de 1,36%, a 19.523,40 pontos. Amazon (-4,05%) se destacou após guidance que decepcionou investidores. O S&P 500 recuou 0,95% (6.025,99) e o Dow Jones caiu 0,99% (44.303,40).


… O cenário em torno da inflação pressionou os juros dos Treasuries. O da note de 2 anos subiu a 4,286% (de 4,212% na sessão anterior) e o da note de 10 anos avançou a 4,487% (de 4,440%). O do T-Bond de 30 anos subiu a 4,686% (de 4,636%).


… Pressão também no dólar, com o índice DXY em alta de 0,32%, a 108,040 pontos. O euro caiu 0,58% (US$ 1,0327). O BCE divulgou relatório apontando espaço para mais cortes de juros a fim de chegar à taxa neutra.


… A libra caiu 0,27%, a US$ 1,0327. O iene ficou perto da estabilidade (+0,07%), a 151,409/US$.


EM TEMPO… USIMINAS prepara uma queixa contra a CSN na CVM alegando que a companhia teria mentido ao mercado ao declarar que não sabia do prazo para se desfazer das ações da Usiminas até julho do ano passado…


… A disputa é um capítulo da novela que envolve a Ternium, empresa parte do conglomerado italiano Techint, e a própria CSN, referente ao controle da Usiminas.


LWSA celebrou protocolos de justificação com a finalidade de determinar os termos e condições das possíveis incorporações das suas controladas LwK e LwCommerce.


CCR assinou contrato de concessão para exploração do sistema rodoviário “Rota Sorocabana”. O lote foi arrematado no leilão de outubro, com uma oferta de outorga fixa de R$ 1,601 bilhão.


RAÍZEN negou haver qualquer decisão sobre um potencial aumento de capital da companhia, após ser questionada pela B3 e pela CVM sobre notícia veiculada no Valor.


RAÍZEN POWER foi colocada à venda pelo grupo Cosan, visando dar continuidade a redução de seu endividamento…


… A Cosan também quer levantar capital na Rumo, sua empresa ferroviária e de logística, vendendo participação em projetos. O JPMorgan está cuidando da primeira transação e o BTG Pactual, da segunda.


SÃO MARTINHO teve lucro líquido de R$ 157,9 milhões no 3TRI fiscal, queda de 25% na comparação anual; Ebitda subiu 50,4%, para R$ 1,058 bi; receita líquida aumentou 14,6%, para R$ 1,845 bi.


JHSF renovou até agosto de 2026 o programa de recompra de 28,6 milhões de ações, equivalente a 10% dos papéis em circulação.


CURY informou que realizará o resgate antecipado facultativa do total de debêntures da 4ª emissão no dia 17/2.


INTERCEMENT vai entregar hoje à Justiça seu plano de recuperação judicial para reestruturar dívidas de R$ 14,2 bi, envolvendo suas controladoras indiretas, InterCement Participações (ICP) e Mover Participações (Broadcast).


MOOVE. Incêndio atingiu uma fábrica da empresa de lubrificantes, na Ilha do Governador (RJ), no sábado. Não houve vítimas. A Moove, subsidiária do Grupo Cosan, informou que a fábrica não estava em operação.

Simon Schwartzman