segunda-feira, 7 de abril de 2025

Banho de sangue 2

 Stock markets today


🇭🇰 Hong Kong: -13.6%

🇹🇼 Taiwan: -9.6%

🇯🇵 Japan: -9.5%

🇮🇹 Italy: -8.4%

🇸🇬 Singapore: -8%

🇸🇪 Sweden: -7%

🇨🇳 China: -7%

🇨🇭 Switzerland: -7%

🇩🇪 Germany: -6.8%

🇪🇸 Spain: -6.4%

🇳🇱 Netherlands: -6.2%

🇦🇺 Australia: -6.2%

🇫🇷 France: -6.1%

🇬🇧 UK: -5.2%

🇲🇾 Malaysia: -4.5%

🇵🇭 Philippines: -4.3%

🇮🇳 India: -4.1%

🇷🇺 Russia: -3.8%

🇸🇦 Saudi: -3.3%

🇹🇷 Turkey: -2.8%

Banho de sangue...

 🔎 Veja os principais indicadores às 5h35 (horário de Brasília):


🌏 EUA

* Dow Jones Futuro: -3,17%

* S&P 500 Futuro: -3,30%

* Nasdaq Futuro: -3,65%

🌏 Ásia-Pacífico

* Shanghai SE (China), -7,34%

* Nikkei (Japão): -7,83%

* Hang Seng Index (Hong Kong): -13,22%

* Kospi (Coreia do Sul): -5,57%

* ASX 200 (Austrália): -4,23%

🌍 Europa

* STOXX 600: -5,45%

* DAX (Alemanha): -5,95%

* FTSE 100 (Reino Unido): -4,86%

* CAC 40 (França): -5,38%

* FTSE MIB (Itália): -5,80%

🌍 Commodities

* Petróleo WTI, -3,57%, a US$ 59,78 o barril

* Petróleo Brent, -3,42%, a US$ 63,34 o barril

* Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -3,29%, a 720,00 iuanes (US$ 98,88)

🪙 Criptos

* Bitcoin, -3,74%, a US$ 76.480,97

BDM Matinal Riscala 0704

 Mercados estendem perdas | BDM

www.bomdiamercado.com.br

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[07/04/25]


… O início dos pregões asiáticos foi dramático, com o índice futuro da bolsa de Tóquio acionando o circuit braker, enquanto os futuros de NY ampliavam as perdas do tarifaço de Trump, revidado pela China nas mesmas proporções. A guerra comercial entre Estados Unidos e a China colocou os mercados no modo pânico, por elevar o risco de recessão global. Donald Trump passou o fim de semana na Flórida jogando golfe e, enquanto milhares de americanos foram às ruas para protestar contra seu governo, ele postou em sua rede social: “Nós vamos ganhar, aguardem firmes, não será fácil, mas o resultado final será histórico.” Ninguém sabe o que esperar dessa semana.


… No sábado, entraram em vigor as tarifas de 10% sobre produtos importados pelos Estados Unidos para mais de 180 países. Já as tarifas mais altas, como os 34% para a China e os 20% para países da União Europeia, começam a ser cobradas a partir de 4ªF.


… Pequim marcou para o dia seguinte, 5ªF (11), a data para iniciar as suas tarifas para os produtos americanos que entram no país.


… Além disso, Xi Jinping estabeleceu controles de exportação a sete categorias de itens relacionados a terras raras e incluiu 11 empresas americanas à “lista de entidades não confiáveis”. A China também recorreu à OMC contra as tarifas dos Estados Unidos.


… Na viagem de volta para Washington, ontem à noite, Donald Trump disse aos repórteres no Air Force One que não quebrou o mercado de propósito, mas que, “às vezes, você tem que tomar remédios para consertar alguma coisa [déficits comerciais]”.


… O presidente disse ainda que passou o fim de semana conversando com líderes de tecnologia, incluindo “quatro ou cinco dos maiores”, que falou com muitos líderes europeus e asiáticos, e que eles “estão morrendo de vontade de fazer um acordo”.


… Sem dar detalhes, Trump afirmou que ligou também para a China para resolver os déficits comerciais. A China é a segunda maior fonte de importações dos EUA, depois do México, e o terceiro maior mercado de exportação dos EUA, depois do Canadá e do México.


… Funcionários do alto escalão do governo dos EUA disseram neste domingo que mais de 50 países alvos das novas tarifas já entraram em contato com a Casa Branca para iniciar negociações sobre os impostos de importação abrangentes.


… O principal conselheiro econômico de Trump, Kevin Hassett, reconheceu, no entanto, que outros países estão “zangados e retaliando”.


… As novas tarifas estão atingindo adversários e aliados americanos, incluindo Israel, que está enfrentando uma tarifa de 17%. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu deve visitar a Casa Branca nesta 2ªF para conversar sobre tarifas e a Faixa de Gaza.


… Outro aliado americano, o Vietnã, grande centro de fabricação de roupas, também entrou em contato e, segundo Trump, disse que está disposto a reduzir suas tarifas a zero se conseguir fazer um acordo com os Estados Unidos.


… Na Europa, a premiê italiana Giorgia Meloni, disse que discordava da ação de Trump, mas que estava “pronta para implantar todas as ferramentas necessárias para apoiar nossos negócios”. Mas são aguardadas ainda as contramedidas dos países da União Europeia.


BCE – Dirigente do Banco Central Europeu, Isabel Schnabel afirmou que o Liberation Day de Trump pode marcar o fim do livre comércio mundial. “Vivemos um Liberation Day que não foi libertador, mas que parece marcar o fim do livre comércio global.”


… Schnabel avaliou que o momento é “perfeito” para fortalecer o papel internacional do euro, afirmando que a moeda é a segunda maior do mundo. “Precisamos atrair os investidores que agora estão procurando alternativas aos investimentos em dólares.”


VAI TUDO SUBIR – As tarifas sobre os principais produtores de moda e muitos materiais usados para fabricar calçados e roupas chocaram os varejistas e as marcas dos Estados Unidos. Espera-se uma enxurrada de aumentos de preços de vestuário.


… Cerca de 97% das roupas e calçados comprados nos EUA são importados, predominantemente da Ásia. Walmart, Gap, Lululemon e Nike são algumas das empresas que têm a maior parte de suas roupas e calçados fabricados em países asiáticos.


…Trabalhar com fábricas estrangeiras manteve os custos de mão de obra baixos para as empresas americanas do setor de moda, mas nem elas nem seus fornecedores estrangeiros provavelmente absorverão novos custos tão altos.


… Para todos os produtos chineses, as tarifas serão de pelo menos 54%. Vietnã, 46%; Camboja, 49%; Bangladesh, 37%; Indonésia, 32%.


… A Índia, a Indonésia, o Paquistão e o Sri Lanka também foram atingidos por altas tarifas e, portanto, não são alternativas imediatas de fornecimento. Se as tarifas persistirem, elas fatalmente chegarão ao consumidor.


… Aumentos de preços estão previstos também para os calçados, já que 99% dos pares vendidos nos EUA são importados.


… Há cálculos de que as botas de trabalho fabricadas na China, que atualmente são vendidas no varejo por US$ 77, subiriam para US$ 115, enquanto os clientes pagariam US$ 220 por tênis de corrida fabricado no Vietnã, que atualmente custa US$ 155.


… No sábado, o governo de Taiwan anunciou um plano para oferecer às empresas e indústrias locais cerca de US$ 2,7 bilhões como apoio para mitigar o impacto das novas tarifas de 32% dos EUA, com isenção apenas para os semicondutores.


JAGUAR LAND ROVER – Também no sábado, a fabricante britânica de carros anunciou que está suspendendo as exportações para os EUA, após a tarifa de 25% sobre veículos importados que será adotada pelo governo de Donald Trump.


… Os veículos são o principal bem exportado pelo Reino Unido aos EUA, com embarques de US$ 10,7 bilhões em 12 meses até setembro.


ROUBINI – O presidente Trump vai recuar, ao menos de forma parcial, reduzindo suas tarifas pela metade, segundo a avaliação feita por Nouriel Roubini, durante encontro de economistas e líderes empresariais na Itália no fim de semana.


… O economista – que ficou famoso por prever a crise mundial de 2028 deflagrada pelo Lehman Brothers – estima que se houver recessão nos EUA o plano do republicano de Fazer a América Grande de Novo “para sempre será destruído”.


… “O custo político de manter seu plano de tarifas é tão alto que é evidente que ele mudará de abordagem em algum momento.”


BRASIL – No Estadão, apesar do alívio com a tarifa de “apenas” 10%, as previsões de ganhos e perdas ainda trazem muitas incertezas e o cenário não deve ser visto como exclusivamente benéfico para o Brasil, como foi a leitura inicial.


… “Começamos a vivenciar uma das maiores fricções, se não for a maior, do comércio global desde o acordo de tarifas de 1947. Todas as relações de comércio estão sendo reavaliadas a partir daqui”, afirma o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato.


… Para ele, as tarifas vão produzir uma desaceleração da economia global, com fluxos de capitais mais retraídos.


… Do ponto de vista da balança comercial, os maiores impactos, se não forem estabelecidas exceções para certos produtos e para o Brasil, estarão nos setores que vendem mais para os EUA, casos de petróleo, café, papel e celulose, aço e ferro e aeronaves.


… Mas dentro desse grupo há expectativas diferentes, alerta o especialista em comércio internacional, Rodrigo Pupo, do MPA Trade Law.


… Por exemplo, entre as commodities agrícolas brasileiras mais vendidas para os EUA, estão o café e o suco de laranja. O café não tem produção nos EUA, já o suco de laranja enfrenta competição local, que vai ser beneficiada por não pagar a tarifa.


… Outro efeito que deve advir da nova configuração depende da reação dos países mais afetados pela nova configuração comercial.


… A União Europeia, a China e nações do Sudeste Asiático estão entre as mais taxadas e podem redirecionar parte da produção que iria para os EUA para países da América Latina, em especial, para um grande mercado como o Brasil.


… Para Renê Medrado (Pinheiro Neto Advogados), o tarifaço pode representar oportunidade ao agronegócio brasileiro, mas ameaça à indústria. “O Brasil é um forte candidato para receber essas exportações que não terão mais os EUA como destino.”


… Por outro lado, commodities agrícolas têm potencial para fazer o caminho inverso. Com a resposta da China de restringir a importação de produtos agrícolas norte-americanos, o Brasil pode ocupar mais espaços nas vendas para o mercado asiático.


QUE IDEIA… – No Globo, enquanto Alckmin se esforça para não entrar em confronto com Trump, surgem aliados de Lula que já falam em antagonizar com o presidente dos Estados Unidos para recuperar a popularidade perdida.


SEM ANISTIA – Mais da metade dos brasileiros (56%) é contra a anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, aponta pesquisa da Genial/Quaest divulgada neste domingo. Os favoráveis à soltura totalizam 34%.


… Entre quem votou no presidente Lula no segundo turno de 2022, 77% consideram que os envolvidos nas manifestações devem seguir presos. Já os que votaram em Jair Bolsonaro e são contrários a uma anistia totalizam 32%.


… Em outro recorte da mesma pesquisa, 67% dos eleitores estão frustrados com o governo Lula: 36% muito e 31% pouco.


… Os piores índices estão no Sul (76%) e Sudeste (73%), mas no Nordeste, forte reduto do PT, esse desgosto já atinge 55%.


… No domingo, o ato convocado por Bolsonaro na avenida Paulista reuniu quatro governadores: Tarcísio (SP), Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Jr (PR). Monitor da USP estimou a presença de 45 mil pessoas. A PM não divulgou contagem de público.


DATAFOLHA – Outra pesquisa no fim de semana mostrou que o presidente Lula venceria em um eventual segundo turno disputado com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por 48% a 39%. Outros 13% votariam em branco, nulo ou em nenhum dos dois.


… Na mesma pesquisa, o Datafolha simulou uma disputa de segundo turno entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, hoje inelegível após condenação pelo Tribunal Superior Eleitoral. Haddad sairia na frente com 45%, contra 41% de Bolsonaro.


… Haddad também lideraria com 43% se o pleito fosse com Tarcísio (37%).


BANCO MASTER – Na reunião do BC com banqueiros no sábado, São Paulo, uma das hipóteses discutidas foi o BTG assumir uma segunda fatia do Master, de olho nos precatórios, dívidas da União, Estados e municípios que precisam ser pagas por determinação judicial.


… O BTG atua no segmento de crédito de difícil recuperação e, entre os direitos creditórios que estão na carteira do Master e interessam ao banco, está o resultado de uma ação já julgada no TRF-1 e que aguarda a ordem de pagamento de R$ 14 bilhões pela União.


… Em uma das hipóteses de compra de André Esteves, o BTG avança sozinho sobre os ativos do Master, incorporando, além da carteira de precatórios, também a operação de crédito consignado no Credcesta (linha para servidores públicos), segundo o Estadão.


… Esteves articula apoio dos três maiores bancos privados do País – Itaú, Bradesco e Santander – para viabilizar uma solução envolvendo o Banco Master. A proposta prevê o uso de uma linha emergencial do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).


… O instrumento daria ao comprador do Master o fôlego necessário para que a instituição honrasse suas obrigações de curto prazo.


… Apesar da proposta de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), anunciada no dia 28 de março, o Banco Central ainda discute com os bancos soluções para evitar que o Master termine em uma eventual liquidação.


AGENDA DA SEMANA – Os indicadores mais importantes no Brasil ficam para 6ªF, 12, com o IPCA de março e o IBC-Br de fevereiro, que medem a inflação e a atividade e podem ajustar as expectativas para os juros. Na 4ªF, saem vendas no varejo e fluxo cambial.


… Hoje, a Focus (8h25) atualiza as projeções da inflação, Selic, câmbio e PIB, e amanhã, 3ªF, dados do setor público consolidado.


… Nos EUA, a agenda ganha ritmo na 4ªF, com a ata do último Fomc; na 5ªF sai a inflação do consumidor de março (CPI) e, na 6ªF, o PPI, o índice ao produtor, além da confiança do consumidor de Michigan com as expectativas de inflação para um ano e cinco anos.


FED BOYS – Oito dirigentes do Fed têm falas previstas para esta semana, a começar por Adriana Kugler hoje (11h30). Amanhã (3ªF), Mary Daly. Na 4ªF, Thomas Barkin. Na 5ªF, Lorie Logan, Michelle Bowman, Austan Goolsbee e Patrick Harker. E na 6ªF, John Williams.


BALANÇOS EM NY – JP Morgan, Wells Fargo e Morgan Stanley divulgam resultados na 6ªF, dia 11.


… Na Europa, a semana começa com produção industrial e balança comercial na Alemanha nesta madrugada e vendas no varejo na zona do euro (6h). Na 5ªF, saem o PIB, a produção industrial e a balança do Reino Unido, e a inflação na Alemanha.


CHINA – O CPI e o PPI serão divulgados pelo governo de Pequim no final da noite de 4ªF (22h30, hora de Brasília).


JAPÃO HOJE – A Bolsa de Tóquio interrompeu brevemente a negociação de futuros de ações na abertura desta 2ªF, acionando o circuit braker após uma queda acentuada nos ativos desencadeada pelas tarifas de importação impostas pelo governo dos EUA.


… O circuit breaker paralisa automaticamente as transações por 10 minutos quando o índice futuro está próximo de cair ou subir 8%.


… Em tom conciliador, o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, disse que está analisando as barreiras não tarifárias citadas por Trump, mas que o Japão não fez nada injusto com seu parceiro comercial para que suas exportações sejam taxadas em 24%.


… Ishiba expressou a vontade de visitar os EUA em breve para discutir a política tarifária e voltou a pedir a revisão da medida.


FAIXA DE GAZA – O presidente da França, Emmanuel Macron, se reunirá nesta 2ªF com o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, e o rei Abdullah II da Jordânia, para uma cúpula trilateral no Cairo sobre a situação em Gaza.


MODO PÂNICO ATIVADO – Se na 5ªF, investidores queimaram US$ 2,5 trilhões em valor de mercado das empresas do S&P 500, na 6ªF essa perda subiu a US$ 5,4 trilhões, segundo a Bloomberg. Nas contas do WSJ, a derrocada foi maior: US$ 6,6 trilhões.


… Só as sete magníficas teriam perdido US$ 1,6 trilhão.


… As bolsas reagiram, nos EUA e em todo o mundo, à retaliação anunciada pela China, com tarifa de 34% sobre produtos americanos.


… O Ibovespa, que na véspera tinha conseguido se manter no zero a zero, se juntou ao medo global de recessão e caiu quase 3%.


… O sentimento piorou depois da fala de Jerome Powell. O presidente do Fed disse que as tarifas anunciadas por Trump foram muito maiores que o esperado e que, apesar de haver muita incerteza, os impactos incluem inflação mais alta e crescimento mais lento.


… No fim do dia, o índice de volatilidade VIX fechou com alta de 50,9% (45,31 pontos), nível extremo e só visto em dias de pânico.


… Segundo Powell, as tarifas “podem ter um impacto persistente sobre a inflação”. Mensagem diferente da transmitida na entrevista do Fomc de março, quando ele foi criticado pelo otimismo, prevendo que o impacto seria “transitório”.


… Grandes bancos nos Estados Unidos já começaram a rever suas projeções para preços e atividade.


… JPMorgan cortou a estimativa para o PIB deste ano de +1,3% para -0,3%. O Citi agora espera +0,1%, de +0,6% antes. O JPMorgan ainda vê o PCE em alta de 4,4% e, o Citi, em 3,5% (não mais 2,6%). O desemprego, diz o Morgan, vai aumentar a 5,3% neste ano.


… Não adiantou o payroll vir muito melhor que o esperado. Powell disse que o dado representa “uma economia forte”, mas é passado. Os EUA criaram 228 mil empregos em março, acima do consenso de 140 mil vagas. Mas o medo da recessão falou mais alto.


… Em NY, o S&P 500 caiu 5,97%, para o menor nível em 11 meses, aos 5.074,13 pontos. Das 500 ações, apenas 14 terminaram no azul. E o Nasdaq recuou 5,82% (15.587,79), entrando em bear market, com queda de mais de 20% desde seu recorde em dezembro de 2024.


… Apple (-7%), Nvidia (-7%) e Tesla (-10%) afundaram o índice, as três têm grande exposição à China e estão entre as mais atingidas.


… Outro dado que dá uma ideia do derretimento das techs, o ETF de semicondutores SOXX caiu 16% na semana, o pior desempenho desde setembro de 2001, no estouro da bolha das ponto com, quando o recuo foi de 25%.


… Afetado principalmente por Boeing (-9%) e Caterpillar (-6%), ambos grandes exportadores para a China, o Dow caiu 5,5% (38.313,94).


… Na semana, o S&P 500 perdeu 9,08%, o Nasdaq, -10,02%, e o Dow Jones, -7,86%.


… Na corrida por segurança, o juro das notes de 10 anos voltou a furar 4% no momento de maior nervosismo, mas ainda fechou a 4,015% (de 4,029%); o da note de 2 anos recuou a 3,675% (de 3,692%), e o do T-bond de 30 anos, a 4,298% (de 4,755%).


… O temor de que a guerra comercial acabe numa recessão global empurrou o dólar para cima e, aqui, depois de marcar o menor nível em seis meses na sessão anterior, a moeda disparou 3,68%, a R$ 5,8350. Na semana, subiu 1,27%.


… O índice DXY subiu 0,93%, a 103,023 pontos. O euro caiu 0,52% (US$ 1,0962); a libra, -1,47% (US$ 1,2891). O iene, -0,73% (147,01/US$).


… Esse avanço do dólar sobre outras moedas fortes contribuiu para o derretimento das commodities: o cobre caiu mais de 8%, o ouro cedeu 2,76% e o petróleo chegou ao menor preço desde abril de 2021, fechando em baixa de 6,5%.


… Na B3, os juros futuros superaram a pressão inflacionária do câmbio e estenderam as fortes perdas da sessão anterior, mas com uma queda mais moderada, sob o peso da expectativa de desaceleração global e ciclo de aperto mais curto da Selic.


… O DI para janeiro de 2026 caiu a 14,665% (de 14,740%); o Jan/27, a 14.190% (de 14,375%); o Jan/29, a 14,030% (de 14,130%); o Jan/31, a 14,350% (de 14,370%); e o Jan/33, a 14,450% (de 14,470%).


… No Ibovespa, que caiu 2,96%, aos 127.256,00 pontos, o recuo das ações foi generalizado. Apenas três subiram. O giro ficou bem acima da média diária, com R$ 31,6 bilhões, dando mais peso ao recuo do dia.


… Destaque positivo, Carrefour disparou 10,77% (R$ 8,23), depois que a varejista elevou de R$ 7,70 para R$ 8,50 o valor do resgate de ação para fechamento de capital. Minerva ganhou 0,15% (R$ 6,47) e Klabin subiu 0,05% (R$ 18,55).


… O resto foi ladeira abaixo. Na esteira da queda de 6,5% do Brent/junho para o menor preço desde abril de 2021 (US$ 65,58 o barril), Petrobras ON teve baixa de 4,19% (R$ 37,73) e Petrobras PN, queda de 4,03% (R$ 34,55).


… Brava Energia recuou 12,92% (R$ 18,34), PetroRecôncavo caiu 8,60%, a R$ 14,35, e Prio cedeu 7,96%, a R$ 33,90.


… Vale desvalorizou 3,99%, a R$ 52,68. Dalian, na China, esteve fechada por um feriado local, mas em Singapura o minério perdeu 2,35%.


… Bancos também tiveram quedas expressivas no pregão de 6ªF. Santander registrou -3,31% (R$ 26,62); Itaú, -2,60% (R$ 31,14), Bradesco ON, -1,93% (R$ 11,17) e PN, -1,10% (R$ 12,57); Banco do Brasil, -1,86% (R$ 27,98).


EM TEMPO… VALE divulgará relatório de produção e vendas do 1TRI em 15/4 e balanço em 24/4.


PETROBRAS recebeu a licença da Secretaria de Estado de Meio Ambiente do AP para operar a Unidade de Atendimento e Reabilitação de Fauna localizada no município de Oiapoque. Falta aprovação do Ibama…


… A unidade no Amapá é uma exigência do Ibama para liberar a busca de petróleo no litoral do estado, no bloco FZA-M-59.


BTG PACTUAL negou due diligence nos ativos do Master e reiterou que nunca fez proposta para aquisição de ativos ou de participação no capital social do banco…


… Comunicado veio em resposta à notícia que circulou na imprensa dando conta de que o BTG teria desistido de comprar o Master após descobrir 80% de “precatórios podres”.


BRB. Fitch colocou em observação ratings B- de emissor em default de longo prazo em moedas estrangeira e local e o rating nacional BBB+(bra) de longo prazo do banco.


MASTER. Fitch colocou observação ratings B+ de emissor em default de longo prazo em moedas estrangeira e local e a nota A-(bra) para o racional de longo prazo do banco.


OI eleva em 42% a previsão de remuneração para o conselho e diretoria no triênio de 2025 a 2027…


… A previsão é destinar até R$ 199 milhões para o pagamento do conselho de administração, da diretoria estatutária e do conselho fiscal, de R$ 139,7 milhões em valores nominais nos anos de 2022 a 2024.


EQUATORIAL ENERGIA vendeu a totalidade das ações de emissão da Equatorial Transmissão S.A para a Verene Energia S.A (companhia de portfólio da canadense CDPQ), conforme fato relevante enviado à CVM…


… De acordo com o documento, o enterprise value da operação é de até R$ 9,395 bilhões.


PRIO corrigiu dados do 1Tri; produção média foi de 109,29 mil boed entre janeiro e março e não de 108,09 mil, como foi antes divulgado…


… A Prio informou que o Goldman Sachs detém 5% em posição de derivativos da companhia. Segundo os investidores, as movimentações não objetivam alterar a composição do controle ou a estrutura administrativa da Prio.


AMBIPAR. CVM estendeu prazo para pedido de OPA para até 7/5.


AMAZON. Dará início, nesta semana, à implantação em grande escala da sua constelação de satélites, a ser usada para serviço de internet rápida e com baixa latência em qualquer lugar do planta – modelo de operação semelhante ao da Starlink, de Musk…


… O lançamento dos satélites está programado para quarta-feira, 9 de abril, informou a Amazon.


TESLA BULL. Um dos analistas mais otimistas da Tesla em Wall Street, Daniel Ives, da Wedbush Securities, cortou a sua meta de preço para as ações da companhia em 43%, citando uma “crise de marca” criada pelo CEO, Elon Musk, e pelas tarifas do presidente Trump.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!


*com a colaboração da equipe do BDM Online


AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

Bankinter Portugal Matinal 0704

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Chegados a este ponto, a chave agora é aceitar e interiorizar que o contexto se deteriorou brusca e repentinamente, portanto a prioridade é proteger. Não é o momento para debater sobre a probabilidade de uma retificação das medidas alfandegárias que hipoteticamente permitira que as bolsas subissem. Como ninguém pode adivinhar, esperamos para comprovar quais eram as medidas que Trump adotaria, visto que havia probabilidade de estarmos enganados e que ficasse em mensagens histriónicas, mas com uma materialização diluída, como aconteceu no seu primeiro mandato. Porque não analisamos nenhum processo sério de reflexão, mas sofremos as consequências de decisões pessoais que são resultado de um profundo desconhecimento dos fundamentos económicos mais básicos. Mas não foi assim.


Desde há semanas, temos vindo a insistir em 2 ideias: (i) uma guerra comercial não é um processo de soma zero; todas as partes perdem em maior ou menor medida. E se a mesma avançar, como o fez, o ciclo económico poderá tornar-se contrativo. (ii) Reduzir riscos é uma grande ideia, tal como temos vindo a insistir (ainda mais). Embora já o tenhamos executado (reduzimos exposição ao risco em -10% linear a todos os perfis de clientes a 24 de março), esse foi um movimento de prevenção perante o que considerávamos provável que acontecesse, como efetivamente aconteceu na quinta-feira passada: imposição de medidas alfandegárias que colocam em risco o atual ciclo económico expansivo. Por isso, aplicamos a partir de hoje uma redução de exposição ao risco de certa profundidade: desde o intervalo Defensivo 20%/Agressivo 70% até 0%/40%, visto que acreditamos que o dano desta guerra alfandegária será semiestrutural ou estrutural, já impossível de reverter/reparar a curto prazo (isto é, em menos de, digamos, 3 meses).


Em relação à semana, o mais relevante será o Índice de Confiança de Michigan de sexta-feira, que foi o primeiro indicador adiantado americano a alertar, a 14 de março, de que algo sério estava a mudar ao retroceder desde 64,7 até 57,9… revisto até 57,0 uns dias depois e que se espera que retroceda até 54,0 no seu registo de abril de sexta-feira. E veremos como saem os seus componentes de inflação, agora em +4,9% a 1 ano e +3,9% a 5/10 anos… De forma complementar, hoje sairá o Sentix da UE (Confiança do Investidor) provavelmente a retroceder bastante, enquanto na quinta-feira teremos uma inflação americana de março que poderá suavizar-se um pouco (+2,6% vs. +2,8%), e que será quase ignorada porque as repercussões sobre a inflação tardarão, pelo menos, 2 meses a chegar.


Em suma: (i) o essencial: reduzir exposição ao risco. (ii) O acessório imediato: a Confiança da Universidade do Michigan, na sexta-feira.


Em situações como esta, “preocupar-se” deve levar a “ocupar-se” e reagir. Perante a pergunta “Não terão terminado as quedas depois dos retrocessos tão severos desde quinta-feira?” A resposta é NÃO. Insistimos, é semiestrutural e pode chegar a ser estrutural se Trump não retificar rapidamente. Mas é improvável que o faça, a não ser que veja o enorme dano que causa à riqueza (património/poupanças) dos seus próprios votantes. E o mercado irá demonstrá-lo. Esta madrugada, Nikkei -7%, HK -12% e os futuros com quedas de -3%/-4%, com o petróleo -10 $ em 2 dias perante a possibilidade de um ciclo económico contrativo, obrigações extracompradas (yield T-Note < 4%) e volatilidade disparada (VIX 45%). A objetividade (e crueldade) de um mercado livre é a melhor medicina para quem impõe medidas guiadas pela sua própria ignorância.


S&P500 -6% Nq-100 -6,1% SOX -7,6% ES-50 -4,6% IBEX -5,8% VIX 45,3 Bund 2,59% T-Note 3,92% Spread 2A-10A USA=+41pb B10A: ESP 3,27% PT 3,15% FRA 3,33% ITA 3,76% Euribor 12m 2,235% (fut.2,058%) USD 1,099 JPY 160,5 Ouro 3.039$ Brent 63,9$ WTI 60,4$ Bitcoin -2,4% (76.924$) Ether -1,9% (1.544$). 


FIM

domingo, 6 de abril de 2025

Quem é quem...

 Quem é quem na negociação do Banco Master: de Vorcaro a Esteves


Nomes à frente de dois bancos privados e um controlado por um governo estadual estão entre os personagens que concentram as atenções em um movimento observado pelo mercado financeiro


Anunciada ao anoitecer da última sexta-feira de março, a compra de uma fatia relevante do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) é, desde então, um dos assuntos mais comentados do mercado financeiro. A aquisição, que ainda depende de aprovação do Banco Central (BC), tem detalhes que despertam discussões, entre eles o fato de o comprador ser um banco estatal.


Outro ponto é o modelo de negócio do banco cuja fatia está à venda, que teve crescimento acelerado com a oferta de CDBs com rentabilidade de 140% sobre o CDI com proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Esse debate concentra alguns personagens principais. Conheça quem é quem:


O mineiro de 41 anos assumiu em janeiro de 2018 o comando da Máxima, fundada em 1974 como corretora de valores e títulos mobiliários. Além de mudar o nome da companhia para Banco Master, Daniel Vorcaro expandiu os negócios com a compra do Banco Vipal, o crescimento da carteira de crédito e consignado, o lançamento da Kovr Seguradora e a aquisição do controle da fintech will bank, entre outros movimentos.


Em três anos, entre junho de 2021 e de 2024, o patrimônio líquido saltou 7,5 vezes: de R$ 556 milhões para R$ 4,2 bilhões. Esse crescimento teve com motores a oferta de CDBs com retorno de 140% sobre o CDI — bem acima do mercado, que em geral oferece 100% —, com a facilidade de ser assegurado até o valor de R$ 250 mil, em caso de quebra do banco, pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mantido por todo o sistema financeiro.


Banqueiro com perfil que chama a atenção em colunas sociais, é investidor da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Clube Atlético Mineiro, já afirmou ter comprado o Fasano Itaim, na capital paulista.


Ao anoitecer da sexta-feira, 28, formalizou um acordo de venda de 49% das ações ordinárias (com direito a voto) e de 100% das preferenciais (sem direito a voto) para o Banco de Brasília (BRB), banco estatal do Distrito Federal. Pelo acordo, continuaria como controlador do Master, que se tornaria BRB Banco de Investimentos, com 51% de participação com direito a voto, embora o BRB tendo poder de veto em determinados temas.


Antes de tomar posse no Banco de Brasília (BRB), em 31 de janeiro de 2019, Paulo Henrique Costa fez uma carreira de quase duas décadas na Caixa Econômica Federal, entre 2001 e 2018. Deixou o cargo de vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital da Caixa para assumir a presidência do banco controlado pelo governo do Distrito Federal.


Costa anunciou na noite de sexta-feira, 28, a compra, pelo BRB, de 49% das ações ordinárias (com direito a voto) e de 100% das ações preferenciais (sem direito a voto) do Banco Master, por cerca de R$ 2 bilhões.


Diante dos questionamentos que se seguiram ao anúncio da aquisição — ainda dependente de aprovação pelo Banco Central e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) —, Costa afirmou que a análise foi técnica, com o início de compras de carteiras do Master em meados de 2024 e dentro da lógica de expansão do BRB para outras localidades do País.


Ele também afirmou que R$ 23 bilhões em ativos do Master ficariam excluídos do negócio, como a carteira de precatórios, de direitos creditórios, de ações judiciais, de fundos de investimento em ações de empresas. “Para que a gente possa entrar, vai sair o Voiter, vai sair a Cover, vai sair o Banco Master BI”, exemplificou, em entrevista ao Estadão. Na venda, entrariam apenas o banco múltiplo, a fintech will bank e a securitizadora Maximainvest.


Ele afirmou que “todos os CDBs que já estão emitidos serão honrados pelas condições e pelas taxas de juros em que eles foram adquiridos”.


O BRB, autor da oferta de compra de parte do Banco Master, é controlado pelo governo do Distrito Federal. Logo depois do anúncio do negócio, o governador, Ibaneis Rocha (MDB), estimou em entrevista ao Valor Econômico que a aquisição da fatia do Master pelo elevaria os dividendos pagos ao governo do Distrito Federal, em cinco vezes, de R$ 200 milhões para R$ 1 bilhão em 2025.


O governador, no cargo desde janeiro de 2019, disse também que, embora não tivesse participado diretamente das negociações técnicas, a aquisição estava sendo analisada havia seis meses.


Uma das primeiras reações com que o governo do Distrito Federal eventualmente terá de lidar vem do Sindicato dos Bancários de Brasília (Bancários-DF). A entidade afirmou que pedirá ao Banco Central e ao Cade que rejeitem a compra do Banco Master pelo BRB. A informação foi adiantada ao Estadão/Broadcast pelo presidente da entidade, Eduardo Araújo.


O sindicato também não descarta acionar o BRB por vias judiciais. No último sábado, 30, o Bancários-DF afirmou em nota que a compra do Banco Master poderia caracterizar uma possível gestão temerária da diretoria do BRB. A ideia é apresentar uma representação ao BC já nesta quarta-feira, 2, se possível, para demarcar a posição.


Presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, 42 anos, tem um papel-chave para o destino do negócio entre o Banco Master e o BRB. A instituição tem até 360 dias para analisar o processo. O prazo foi criado pela resolução número 108, de 2021, e é válido para a transferência de controle societário ou qualquer alteração no grupo de controle da sociedade, de forma direta ou indireta.


Para a tarefa, conforme apurou o Estadão, o comando do BC mobilizou, internamente, alguns dos chamados “cabeças brancas” — servidores com experiência e que já acompanharam outros casos de fusão, intervenção e saneamento no setor — para participar dos testes de estresse que serão rodados sobre o BRB.


Esses servidores acompanharam casos como liquidações do Econômico, Bamerindus, Nacional e Cruzeiro do Sul, que enfrentaram crise no passado. O objetivo agora é tentar antecipar problemas que possam impactar o sistema financeiro.


Diretores e servidores que passaram pelo mercado financeiro também vão participar do processo de análise, para compor um olhar mais amplo, que incorpore também a expertise da Faria Lima.


Na segunda-feira, 31, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, teve uma reunião com o presidente do conselho de administração e sócio-sênior do banco BTG Pactual, André Esteves. Na pauta, a busca de uma saída alternativa para a compra do Banco Master pelo BRB, e uma das possibilidades que entraram na mesa de avaliações seria por meio de incluir na operação o BTG Pactual, maior banco de investimentos da América Latina.


Antes do acerto anunciado pelo BRB, Esteves chegou a analisar os ativos do Master, mas não levou a oferta adiante. O Estadão apurou que o BTG já teria iniciado conversas com o Master, desde o fim do ano passado, mas há dúvidas ainda sobre a cobertura da operação — que poderia prever o uso do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para lastrear algum problema com a instituição.



https://www.estadao.com.br/amp/economia/quem-e-quem-na-negociacao-do-banco-master-de-vorcaro-a-esteves/

60 anos....

 SESSENTINHA DO BC

E essa semana comemoramos os 60 anos de nada mais, nada menos, do que o Banco Central do Brasil. Se fosse uma pessoa, estaria perto da aposentadoria, mas, ironicamente, segue firme ditando o ritmo da sua vida econômica (e do seus boletos também).


O Banco Central do Brasil foi criado legalmente em 1964, com a promulgação da Lei nº 4.595, que reorganizou todo o sistema financeiro nacional em meio ao início do regime militar. Sua fundação oficial ocorreu em 31 de março de 1965, data em que passou a operar como autoridade monetária, assumindo funções que até então eram do Banco do Brasil — como o controle da política monetária e da inflação.


Ao longo das décadas seguintes, o BC teve papel central em todas as grandes mudanças da economia brasileira. Em 1986, participou ativamente da implementação do Plano Cruzado, uma tentativa ambiciosa de estabilização monetária e controle da inflação, que infelizmente falhou. Esse foi apenas o primeiro de vários planos econômicos de emergência que marcaram a década de 1980, período de hiperinflação e instabilidade crônica.


Em 1994, o Banco Central teve atuação decisiva na transição para o Plano Real. Coube à instituição gerenciar a política cambial e assegurar o controle dos preços em meio à adoção de uma nova moeda — o Real — que viria a substituir décadas de inflação galopante por um novo padrão de estabilidade.


Cinco anos depois, em 1999, o país enfrentou uma severa crise cambial que levou à adoção do regime de metas de inflação. Foi nesse momento que o Banco Central passou a perseguir metas claras para os índices de preços, com a taxa Selic como principal instrumento de política monetária. Essa mudança representou a modernização da atuação do BC, conferindo maior previsibilidade às suas decisões.


Em 2002, a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva gerou forte volatilidade nos mercados. Diante da crise de confiança, o Banco Central agiu rapidamente com aumento dos juros e uso das reservas cambiais para conter a desvalorização do real, ajudando a evitar um colapso financeiro maior.


Durante a crise financeira global de 2008, o BC teve novamente papel essencial ao implementar medidas de liquidez que garantiram o funcionamento do sistema bancário brasileiro. Enquanto bancos de diversos países quebravam, o Brasil atravessou a turbulência com relativo controle, fruto de uma regulação sólida e atuação firme da autoridade monetária.


A partir de 2013, o BC começou a se reinventar tecnologicamente, com a criação de bases para o que viria a ser o Sistema Financeiro Nacional Digital. Foi uma resposta às fintechs, ao mobile banking e à necessidade crescente de inclusão financeira por meios digitais.


Em 2020, diante da pandemia de Covid-19, o Banco Central reduziu a Selic ao menor nível da história, 2%, e lançou o Pix — um divisor de águas nos pagamentos instantâneos. O sistema se tornou rapidamente um dos mais usados do mundo, transformando radicalmente a forma como brasileiros pagam, transferem e recebem dinheiro.


No ano seguinte, 2021, o Congresso aprovou a autonomia formal do Banco Central, com mandatos fixos para seus dirigentes, não coincidentes com os do Presidente da República. A autonomia buscava blindar a política monetária de pressões políticas e reforçar a credibilidade da instituição.


Em 2022, outra inovação foi colocada de pé: o Open Finance. Coordenado pelo BC, esse sistema permitiu o compartilhamento e a portabilidade de dados financeiros com consentimento do usuário, abrindo espaço para mais concorrência e personalização de serviços no mercado bancário.


Já em 2024, o Banco Central lançou o projeto piloto do Drex — o real digital —, testando a integração entre tecnologia blockchain, finanças públicas e criptoativos de forma regulada, segura e em linha com as tendências internacionais.


Finalmente, em 2025, o Banco Central do Brasil completa 60 anos com um histórico de protagonismo. Da hiperinflação ao controle de preços, do papel regulador à inovação financeira, o BC se tornou uma das instituições mais respeitadas do país. Com a autonomia conquistada, tecnologia de ponta à disposição e novos desafios no horizonte, o BC chega à terceira idade como guardião da estabilidade, catalisador da inovação e peça-chave do futuro da economia brasileira.


Desde a sua fundação em 1965 até abril de 2025, o Banco Central do Brasil (BCB) teve 28 presidentes oficiais. Essa contagem inclui todos os que ocuparam o cargo, considerando também aqueles que exerceram a função de forma interina. E estar nessa cadeira exige não apenas conhecimento técnico, mas nervos de aço para lidar com o vai-e-vem do câmbio, da inflação e, principalmente, das alfinetadas vindas dos políticos.

Luiz César Fernandes

 https://www.youtube.com/watch?v=m_tbJGJdTHQ

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...