sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

ECONOMIA E MATEMÁTICA: A LINGUAGEM DA PRECISÃO E DA DECISÃO RACIONAL

 

Introdução

O debate econômico na mídia é frequentemente sobre retórica e política, mas nos bastidores, a Economia moderna é uma ciência de modelos, equações e estatísticas. A Matemática não é apenas uma ferramenta auxiliar; ela é a linguagem essencial que permite à Economia transcender a opinião, quantificar a Escassez e formalizar a lógica da decisão. Sem a precisão matemática, conceitos como Custo Marginal ou Equilíbrio de Mercado seriam apenas vagos argumentos.

Profundidade Conceitual Simples

Segundo a perspectiva dos Fundamentos de Economia, a Matemática é indispensável para:

  1. Formalização da Teoria: A Matemática permite expressar as teorias econômicas de forma concisa e rigorosa. Por exemplo, a função de Demanda pode ser expressa como uma equação, onde a quantidade demandada é uma função do preço, da renda e dos preços de outros bens. Isso transforma uma ideia em um modelo testável.
  2. Análise de Otimização: A Microeconomia se baseia fortemente no cálculo diferencial para determinar o comportamento ótimo. As empresas buscam maximizar o lucro, os consumidores buscam maximizar a utilidade. O cálculo é usado para encontrar os pontos de máximo e mínimo (como o ponto onde a Receita Marginal é igual ao Custo Marginal, que define a produção ótima).
  3. Econometria e Previsão: A Estatística (um ramo da Matemática) e a Econometria são usadas para processar dados reais, estimar as relações entre variáveis (ex: como um aumento de 1% no PIB afeta o emprego) e validar os Argumentos Positivos através de testes empíricos. Isso permite fazer previsões de cenários futuros.

Impacto no Dia a Dia

Para o gestor, a Matemática transforma a incerteza em risco calculável:

  • Gestão de Riscos: Modelos matemáticos (estatísticos) são usados para quantificar e gerenciar o risco financeiro, desde o cálculo do Valor Presente Líquido (VPL) de um projeto até a modelagem de carteiras de investimento.
  • Otimização de Custos: A pesquisa operacional, baseada em álgebra linear e otimização, ajuda a determinar a alocação mais eficiente de recursos (ex: otimizar rotas de entrega ou a mistura de insumos para minimizar custos).
  • Valoração: A precificação de ativos e a avaliação de empresas exigem o uso de séries temporais, logaritmos e conceitos de valor presente e futuro, todos fundamentais para o Fluxo Monetário.

Conclusão

A Matemática é o alicerce metodológico que confere rigor, precisão e poder de previsão à Economia. Embora as decisões econômicas sejam tomadas por pessoas em um contexto de Política e Direito, a análise das consequências e a busca pela eficiência são guiadas pela lógica quantitativa. Dominar a linguagem matemática é crucial para ir além da retórica e fazer uma análise econômica verdadeiramente estratégica.

Reflexão Pro Seu Dia

Qual ferramenta matemática (VPL, Elasticidade ou Análise de Regressão) você considera a mais subutilizada, mas potencialmente mais valiosa, em sua área profissional?


REFERÊNCIAS:

Autor: Fernando Alencar é estudante de Economia na Universidade Federal de Santa Catarina, com formação em Geopolítica Interdisciplinar pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Seu grande sonho é democratizar o entendimento da economia e proporcionar um conhecimento econômico acessível, evidenciando as conexões entre a economia e diversas outras áreas profissionais.

Livro: VASCONCELOS, Marco Antonio Sandoval de; GARCIA, Manuel Enriquez. Fundamentos de economia. 6. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019.

Imagem: Pngtree

Produtividade no país

 


𝗣𝗿𝗼𝗱𝘂𝘁𝗶𝘃𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲: 𝗼 𝗱𝗮𝗱𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗼 𝗕𝗿𝗮𝘀𝗶𝗹 𝗲𝘃𝗶𝘁𝗮 𝗲𝗻𝗰𝗮𝗿𝗮𝗿

Felipe Rodrigues Martins, CFP®, CEAEnquanto o Brasil produz perto de US$ 21 por hora trabalhada, as economias mais eficientes do mundo produzem entre US$ 90 e US$ 160. O problema não está nas horas trabalhadas. Está no valor entregue.

Produtividade não mede apenas capital ou tecnologia.
Mede comportamento, incentivos e cultura econômica.

A estrutura importa, mas o trabalhador também é parte do sistema. Um ambiente que protege excessivamente o emprego, dificulta demissão, penaliza eficiência e dissocia direitos de entrega cria incentivos claros. Produzir pouco passa a não ter custo relevante. Entregar mais raramente gera recompensa proporcional.

Leis trabalhistas rígidas, alto custo de contratação, judicialização constante e assimetria de risco desestimulam investimento, automação e profissionalização. O empresário aprende a sobreviver, não a escalar. O trabalhador aprende a se proteger, não a performar.

Quando a produtividade é baixa, o crescimento depende de mais horas trabalhadas ou mais gente empregada. Ambos têm limite. O resultado aparece em ciclos curtos, instáveis e sempre decepcionantes.

O câmbio fraco não é acidente político. É reflexo de uma economia que produz pouco valor, exporta baixa sofisticação e importa tecnologia. A moeda traduz produtividade, não discurso.

Salários reais sustentáveis acompanham produtividade. Forçar aumentos sem ganho real gera inflação, informalidade ou destruição de margens. O custo se espalha pela economia inteira.

A desigualdade nasce nesse ponto. Quando se gera pouco valor, a disputa deixa de ser sobre crescimento e passa a ser sobre repartição. O conflito vira estrutural.

Países produtivos combinam capital, tecnologia, educação exigente, meritocracia e mercados de trabalho flexíveis.
O Brasil combina proteção elevada, baixa exigência, pouca cobrança e fraca integração global.

Não é só o Estado.
Não é só o empresário.
Não é só o trabalhador.

É o arranjo inteiro que recompensa pouco valor entregue.

Nenhum país ficou rico distribuindo pouco valor.
Países ricos constroem sistemas onde produzir mais vale a pena, para empresas e para pessoas.

A pergunta real não é se o brasileiro trabalha muito ou pouco.
É por que o Brasil insiste em um sistema que normaliza baixa entrega e chama isso de justiça social.

ECONOMIA E MÉTODO CIENTÍFICO: A BUSCA PELA VERDADE EM UM MUNDO COMPLEXO

 Fernando Alencar 

Introdução

A Economia é uma ciência? Muitos duvidam, pois economistas raramente concordam entre si. No entanto, a divergência não nasce da falta de método, mas da complexidade do objeto de estudo: o ser humano em sociedade. O Método Científico na economia é o que nos permite transformar observações caóticas em leis gerais, utilizando o rigor da lógica e a prova dos dados para validar o que funciona e descartar o que é mera ideologia.

Profundidade Conceitual Simples

Segundo Vasconcelos e Garcia, o método econômico segue os pilares das ciências sociais aplicadas, adaptando o rigor das ciências exatas às limitações da realidade humana:

  1. Observação e Indução: O processo começa com a observação de fatos reais (ex: toda vez que o preço da carne sobe, o consumo cai). A partir desses fatos, o economista induz uma hipótese geral.
  2. Dedução e Modelagem: Com a hipótese em mãos, constrói-se um Modelo Teórico. Aqui, utiliza-se a lógica e a matemática para prever consequências. Se a hipótese for "A", então o resultado esperado sob Ceteris Paribus deve ser "B".
  3. Testes Empíricos (Falsificabilidade): Diferente da física, o economista raramente pode fazer experimentos controlados em laboratório. Ele utiliza a Estatística e a Econometria para olhar para o passado (dados históricos) e verificar se a teoria se sustenta na prática. Uma teoria só é científica se puder ser testada e, potencialmente, refutada pelos fatos.

O Desafio do Objeto de Estudo

O grande "problema" do método científico na economia é que os átomos não mudam de comportamento porque leram um livro de física, mas os humanos mudam suas decisões com base em expectativas econômicas. Isso exige que o método seja constantemente revisado para incorporar novas variáveis sociais e comportamentais.

Impacto no Dia a Dia

O pensamento científico é o antídoto contra o "achismo" gerencial:

  • Tomada de Decisão Baseada em Evidências: Um gestor que utiliza o método científico não aceita uma estratégia apenas porque "parece boa". Ele exige dados, testa a hipótese em pequena escala (projeto-piloto) e analisa os resultados antes da expansão.
  • Ceticismo Saudável: O método ensina a questionar correlações espúrias. Só porque as vendas subiram após uma campanha de marketing, não significa que a campanha foi a causa (pode ter sido um fator sazonal ou macroeconômico). O rigor científico busca a causalidade.
  • Modelagem de Cenários: Ao planejar, o executivo científico trabalha com margens de erro e níveis de confiança, reconhecendo a incerteza inerente ao mercado em vez de confiar em previsões deterministas.

Conclusão

O Método Científico é a espinha dorsal da honestidade intelectual na economia. Ele nos obriga a confrontar nossas crenças com a realidade dos dados. Em um mundo de fake news e populismo econômico, o compromisso com o método é o que permite ao profissional de elite identificar as leis invisíveis que realmente movem os mercados e as sociedades.

Reflexão Pro Seu Dia

Qual "verdade absoluta" do seu setor você gostaria de ver testada pelo rigor do método científico para saber se é um fato ou apenas um mito de gestão?


REFERÊNCIAS:

Autor: Fernando Alencar é estudante de Economia na Universidade Federal de Santa Catarina, com formação em Geopolítica Interdisciplinar pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Seu grande sonho é democratizar o entendimento da economia e proporcionar um conhecimento econômico acessível, evidenciando as conexões entre a economia e diversas outras áreas profissionais.

Livro: VASCONCELOS, Marco Antônio Sandoval de; GARCIA, Manuel Enriquez. Fundamentos de economia. 6. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: O ano eleitoral que começou mais cedo*


Lá fora, Trump promete anunciar sucessor de Powell este mês


… A agenda doméstica é irrelevante neste primeiro pregão do ano, mas lá fora vale o destaque para o PMI industrial de dezembro medido pelo setor privado nos Estados Unidos (11h45) e Europa. Trump promete para “algum momento em janeiro” o anúncio do sucessor de Powell e faz pressão por corte dos juros. Mas a aposta ampla do mercado (85%) é de que o Fed não mexerá na política monetária este mês. Aqui, com o emprego ainda bombando e a inflação dos serviços pressionada, é remota a chance de o Copom iniciar o ciclo de queda da Selic já agora em janeiro. Mas a flexibilização pode não passar de março. Do ponto de vista fiscal, os gastos em ano de eleição exigem cautela redobrada e as dúvidas sobre o trade eleitoral, que já estressaram na reta final de 2025, invadem 2026.


PONTO FRACO – Em suas últimas investidas para cortejar a Faria Lima e o setor econômico como um todo, Flávio Bolsonaro vendeu o discurso de responsabilidade fiscal e atacou o déficit das contas públicas no governo Lula.  


… De sua parte, o presidente aposta nas vitrines eleitoreiras populistas (isenção do IR, Auxílio Gás, fim da escala 6×1 e a gratuidade do transporte coletivo) para emplacar a reeleição para o seu quarto mandato no Planalto.


… O capital político de Lula nas pesquisas de intenção de voto continua muito fortalecido e o mercado financeiro se angustia por não saber sequer com qual adversário o presidente brigará na corrida ao Palácio em outubro.


… O investidor nunca escondeu a sua preferência por Tarcísio, mas o racha entre a direita e o centro, com o lançamento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, embolou ainda mais o meio de campo político.


… O que se diz é que, se o nome de Flávio não decolar nas sondagens até março, a oposição terá que partir para um plano B, no desafio contra um governo Lula 4. O mercado começa o ano ligado nas novidades de Brasília.


… Na véspera do Réveillon, Lula sancionou a LDO com 26 vetos a trechos aprovados pelo Congresso.


… Entre os principais pontos barrados está o aumento do Fundo Partidário desde 2016, o que geraria um impacto de R$ 160 milhões, segundo técnicos. Lula também vetou o resgate de emendas do orçamento secreto (R$ 3 bilhões).


… O mercado continua monitorando os ruídos institucionais entre Lula e Alcolumbre, que teve Jorge Messias como pivô, além do desgaste do STF, potencializado pelo escândalo do Banco Master, na crise que envolveu o BC.   


… Para o alívio do setor privado, o TCU não tem votos suficientes para reverter a liquidação extrajudicial da instituição financeira, apurou o Broadcast. Outra boa notícia é que o BC foi dispensado da acareação na última 3ªF.


… O temor do BC era que a inclusão do diretor Airton de Aquino Santos na acareação se transformasse numa “armadilha processual”, criando argumentos para que diretores e técnicos do BC fossem investigados.


… No confronto de informações, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa afirmou que o banco público do DF não conseguiu recuperar R$ 2 bilhões investidos no Master para comprar falsas carteiras de crédito consignado.


… Vorcaro desmentiu a versão, segundo o Estadão, disse que o BRB “não teve prejuízo algum” na compra de ativos do Master e criticou o BC, afirmando que foi surpreendido” pela liquidação, porque o Master era solvente até 18/11.


… Em resposta ao TCU, o BC justificou a liquidação, apontando “profunda e crônica crise de liquidez”. Os próximos passos da investigação ainda serão seguidos, mas é positivo que o BC já não esteja mais no olho do furacão. 


PROMESSAS DE ANO NOVO – Já faz algumas semanas que têm circulado no mercado apostas superotimistas para o Ibovespa, que poderia se lançar em 2026 à marca inédita dos 200 mil pontos, depois dos recordes em série em 2025.


… Apesar do desafio eleitoral, que ainda pode levar os investidores a passarem nervoso ao longo dos próximos meses, o call dos cortes da Selic, combinado à perspectiva de um Fed mais dovish, pode turbinar a bolsa doméstica.


… A Selic tem quase nenhum espaço para cair agora em janeiro, mas o BC deve afrouxar ainda neste trimestre. Só o fiscal, segundo analistas consultados pela AE, é que deve continuar constrangendo a volta do juro para um dígito.


… A última edição do boletim Focus indicou a Selic convergindo para 9,75% apenas em 2028.


… No exterior, apesar do sinal de pausa em janeiro emitido pelo Fed, a expectativa é de que o juro, hoje a faixa de 3,50% a 3,75%, caminhe para mais perto de 3%, ainda mais com Trump botando pressão sobre o BC americano.


… Em publicação no Truth Social no Natal, o republicano afirmou que “qualquer pessoa que discorde de mim nunca será presidente do Fed”, ao defender uma política monetária mais favorável, segundo ele, aos mercados financeiros.


… Chamou Powell de “incompetente” e “tonto”, às vésperas da divulgação de seu substituto ao comando do Fed.


… Para economistas, os Estados Unidos devem ser beneficiados este ano pelos cortes nos juros e nos impostos, pelo efeito desinflacionário do recuo no tarifaço e pelo boom da Inteligência Artificial, se não tiver bolha para estourar.


MAIS AGENDA – O pregão de estreia do ano tem como destaque o PMI/S&P Global na Alemanha (5h55), zona do euro (6h), Reino Unido (6h30) e EUA (11h45), onde saem ainda os investimentos em construção em novembro (12h).


… O PMI industrial chinês saiu antes da virada do ano e sinalizou a retomada da expansão da atividade econômica. O índice oficial subiu de 49,2 em novembro para 50,1 em dezembro e surpreendeu analistas, que previam queda a 49.


… O mesmo dado, só que medido pela pesquisa privada da S&P Global, também apontou recuperação: saiu de 49,9 em novembro para 50,1 em dezembro, na recuperação inesperada, já que a previsão era de recuo para 49,7.


OPEP – No domingo, em videoconferência, o cartel e seus aliados devem manter a produção de petróleo inalterada, diante dos crescentes sinais de excesso de oferta global da commodity, apesar dos riscos geopolíticos.


… Continua o impasse nas negociações para um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia. Uma avaliação da CIA concluiu que o governo de Kiev não tentou assassinar Putin em sua residência de campo, como alegado pelo Kremlin.


… A Ucrânia pretendia atingir um alvo militar na mesma região. Editorial do New York Post denunciou a “bravata de Putin”, enquanto Trump ficou “muito irritado” com Moscou e Zelensky acusou a Rússia de querer prolongar a guerra.


AQUI – O dia esvaziado prevê para esta sexta-feira somente a divulgação da prévia do IPC-S pela FGV, às 8h.


ESTOUROU O CHAMPANHE – A bolsa brasileira registrou seu melhor desempenho dos últimos 9 anos, com o Ibovespa encerrando 2025 com ganho de 33,95%, atrás apenas dos 38,9% registrados em 2016.


… O resultado surpreendeu até os analistas mais otimistas, após um ano cheio de turbulências externas, como o tarifaço de Donald Trump, e domésticas, como a questão fiscal, os ruídos políticos e a Selic elevada.


… A festa durou até o último pregão do ano, com o Ibovespa fechando em alta de 0,40%, aos 161.125,37 pontos. O giro do pregão foi típico para essa época, de apenas R$ 16,8 bilhões. No mês, o ganho do índice foi de 1,29%.


… Natura (+3,04%; R$ 7,45) liderou as altas na terça-feira, seguida de GPA (+2,98%; R$ 3,80) e C&A (+2,57%; R$ 12,76). Na outra ponta ficaram Localiza PN (-4,19%; R$ 41,50), Embraer (-1,45%; R$ 88,60) e TIM (-1,39%; R$ 21,34).


… Entre os grandes os bancos, a última sessão de 2025 também foi positiva: Santander Unit subiu 2,10% (R$ 34,06), BB ganhou 0,92% (R$ 21,92), Itaú avançou 0,64% (R$ 39,23) e Bradesco PN marcou alta de 0,17% (R$ 18,19).


… Petrobras foi na contramão do petróleo. A ON subiu 0,74% (R$ 32,57) e a PN teve alta de 0,29% (R$ 30,82). Já Vale seguiu o minério de ferro (-0,44% em Dalian) e recuou 0,22% (R$ 71,96).


ACHOU O TOPO – Depois de vários dias pressionado, o dólar à vista respirou aliviado na última sessão do ano e fechou abaixo dos R$ 5,50, com baixa expressiva de 1,43%, a R$ 5,4890.


… Além da queda na demanda das empresas para enviar lucros ao exterior, o real foi ajudado pela briga de formação da Ptax e pelo clima externo favorável às divisas emergentes, com a recuperação das commodities metálicas.


… Investidores também reagiram à Pnad e ao Caged melhores do que o esperado, mostrando um mercado de trabalho resiliente, que deve levar o Copom a manter a Selic em 15% por mais tempo, favorecendo o carry trade.


… No acumulado de dezembro, o dólar subiu 2,89%, refletindo, além da demanda elevada de remessas de dividendos, o estresse provocado pelo “Flávio Day”, que alterou as expectativas para as eleições de 2026.


… No ano, o dólar recuou 11,18%, acompanhando a tendência de enfraquecimento global da moeda americana por causa dos cortes de juros do Fed e da maior atratividade do carry trade com a Selic a 15%.


… Lá fora, o dólar ainda registrou negócios no dia 31, com o índice DXY ficando praticamente estável (+0,04%), aos 98,282 pontos. O euro (US$ 1,1746), a libra (US$ 1,3473) e o iene (156,73/US$) mal se mexeram.


… No acumulado de 2025, o DXY recuou 9,4%, o euro subiu 13,4% diante do dólar, a libra avançou 7,6% e o dólar perdeu 0,5% frente ao iene.


ÁGUAS DE MARÇO – Os juros futuros reagiram aos dados de emprego divulgados na 3ªF, que reforçaram a percepção dos economistas de que o Copom não deve aliviar a Selic antes de março.


… A taxa de desemprego medida pela Pnad bateu nova mínima histórica em novembro (5,2%), enquanto o Caged mostrou geração de 85.864 empregos, acima dos 79 mil esperados e estável em relação a outubro (85.147).


… Depois de as taxas atingirem o pico no meio da tarde, a divulgação da ata da última reunião do Fed trouxe alívio aos vencimentos intermediários e longos, em uma sessão marcada pela volatilidade e pelo baixo volume de negócios.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,795% (de 13,782% no ajuste anterior); Jan/29, 13,180% (13,199%); Jan/31, 13,445% (13,507%); e Jan/33, 13,550% (13,636%).


FESTA DA IA – Em NY, as bolsas ainda abriram no dia 31 e registraram perdas moderadas. O Dow Jones caiu 0,63% (48.063,29 pontos). O S&P 500 recuou 0,74% (6.845,50) e Nasdaq encerrou em baixa de 0,76% (23.241,99).


… Em uma sessão esvaziada, o mercado americano operou ainda sob efeito da ata do Fed, divulgada na 3ªF, que mostrou um comitê dividido, com dúvidas sobre os próximos passos até entre os que votaram pela redução do juro.


… A ata afirmou que “alguns participantes” que apoiaram o corte em dezembro também poderiam ter endossado uma manutenção. A maioria avaliou que um alívio adicional pode ser apropriado se a inflação desacelerar.


… No saldo de dezembro, as bolsas americanas tiveram desempenhos divergentes, com o Dow Jones acumulando leve alta de 0,73%, o S&P 500 ficando de lado (-0,05%) e o Nasdaq registrando perda modesta de 0,53%.


… Mas, no balanço de 2025, Wall Street não tem do que se queixar, especialmente diante das incertezas vistas ao longo do ano, como a demora do Fed em iniciar cortes de juros e as polêmicas de Donald Trump com seu tarifaço.


… No ano, o Dow Jones ganhou 12,97%, o S&P 500 subiu 16,39% e o Nasdaq avançou 20,36%. As ações de IA fizeram a alegria dos investidores novamente, apesar do receio de que o setor esteja em uma bolha prestes a estourar.


… Depois de disparar 171% em 2024, Nvidia subiu mais 39% em 2025. Alphabet ganhou 66%, AMD teve alta de 77% e Intel andou 84%. Entre as estrelas da IA no ano que passou, a Palantir avançou 135% e a Micron disparou 240%.


RELUZENTE – Os metais preciosos levaram novo tombo na 4ªF, após o CME Group anunciar, pela segunda vez nesta semana, que aumentaria as margens dos contratos futuros no fechamento por causa da volatilidade do mercado.


… O ouro para março caiu 1,0% no dia, mas subiu 1,8% no mês, fechando a US$ 4.341,10/onça-troy, na Comex. No ano, disparou 64%, maior alta anual desde 1979, embalado por conflitos geopolíticos e os cortes de juros do Fed.


FUNDO DO POÇO – O petróleo recuou na 4ªF, em meio à preocupação com o excesso de oferta global, enquanto o mercado espera a reunião da Opep+, no domingo, quando o cartel deverá manter o atual ritmo de produção.


… Sem maiores novidades sobre as negociações entre Rússia e Ucrânia, ou sobre os ataques dos EUA contra a Venezuela, investidores tiveram apenas os dados semanais dos estoques americanos para avaliar.


… Os estoques de óleo bruto caíram 1,934 milhão de barris na semana encerrada em 26/12, segundo o DoE. Analistas projetavam aumento de 100 mil de barris.


… Os estoques de gasolina subiram 5,845 milhões de barris (previsão de +300 mil). Os de destilados cresceram 4,977 milhões de barris (de +800 mil esperados). Em Cushing, a alta dos estoques foi de 543 mil.


… O Brent para março recuou 0,78% na ICE, para US$ 60,85. Em dezembro, cedeu 3,2% e, no ano, afundou 14,3%.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS reduziu o preço do querosene de aviação em 9,4%. O corte já está valendo desde ontem; segundo a empresa, combustível acumulou baixa nominal de 35,2% desde dezembro de 2022…


… Estatal firmou, em 19 de dezembro, contrato com a BRASKEM para ceder à petroquímica espaço para armazenagem de nafta em tanques da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap)…


… Acordo, estimado em R$ 127 milhões, tem vigência a partir de janeiro de 2026 até dezembro de 2030…


… Volume cedido na Refap será reduzido ao longo do contrato, começando em 80 mil metros cúbicos, entre janeiro deste ano e julho de 2028, e passando a 36 mil metros cúbicos até dezembro de 2030.


RAÍZEN. Os acionistas aprovaram a reorganização e a incorporação de quatro empresas: Bioenergia Barra (Biobarra), Bioenergia Rafard, Bioenergia Serra e Bioenergia Araraquara. A decisão foi tomada em AGE realizada ontem.


COSAN captou R$ 4 bilhões com o Bradesco BBI e BTG Pactual e reestruturou a participação na Compass…


… Conselho de administração ainda aprovou aumento de capital no FIP Celeste, fundo exclusivo da empresa gerido pelo BTG Pactual Gestora de Investimentos Alternativos, no valor de até R$ 1,7 bilhão…


… Desse total, até R$ 1,66 bilhão será integralizado mediante conferência pela companhia de 6.957.789 ações de emissão da Moove, representando 19,9% do capital social da Moove, e o restante em moeda corrente nacional…


… Após o aumento de capital no FIP Celeste, a Cosan deterá diretamente 50,1% do capital da Moove.


ASSAÍ aprovou a distribuição de R$ 140 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1043 por ação, com pagamento em 26 de junho; ex em 7 de janeiro.


GPA informou que a Bonsucex Holding, em conjunto com seu acionista Silvio Tini de Araújo, atingiu 10,314% do total das ações ordinárias de emissão da companhia.


PETZ informou que a participação acionária do fundador e diretor-presidente da rede, Sérgio Zimerman, foi reduzida a 38,55%, depois que ele realizou um empréstimo de 11 milhões de ações da companhia sob sua titularidade…


… A atual fatia detida por Zimerman corresponde a 173.915.975 ações ordinárias; adicionalmente, ele possui 11 milhões de instrumentos derivativos referenciados em papéis ordinários, de liquidação exclusivamente financeira.


GRUPO TOKY informou que a EXA Capital se tornará acionista relevante da companhia após a conversão voluntária de debêntures conversíveis em ações. Passará a deter 17.749.430 ações ordinárias, 8,2% do total.


POSITIVO aprovou a distribuição de R$ 25 milhões em dividendos extraordinários, o equivalente a R$ 0,1795 por ação, com pagamento em 30 de janeiro; ex em 7 de janeiro…


… Adicionalmente, também foi aprovado o aumento de capital social em R$ 743,3 milhões, sem emissão de ações e mediante a capitalização do saldo de reservas de lucros na data base de 30 de dezembro de 2024…


… Com o aumento, o capital social da empresa passará de R$ 742,7 milhões para R$ 1,48 bilhão, dividido em 141,8 milhões de ações ordinárias.


DASA. A rede de diagnósticos vendeu o Hospital São Domingos, no Maranhão, e a Neuro Imagens para a Mederi Participações, além da São Domingos Real State para a Venire Participações. As operações movimentaram R$ 1,2 bi.


CSN concluiu a venda de 6.759.540 ações preferenciais classe B da MRS Logística S.A. para a CSN Mineração. A operação representa 2% do capital da MRS e gerou um total de R$ 599,9 milhões.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Mercado com menor margem

 https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/01/mercado-entra-em-2026-com-margem-menor-para-erro.ghtml


*Mercado entra em 2026 com margem menor para erro*


_Cautela impera na Faria Lima desde o início de dezembro, quando Flávio Bolsonaro anunciou sua pré-candidatura à Presidência_


Por Victor Rezende, Valor — São Paulo


Não estava nos planos nem do próprio mercado o bom desempenho que os ativos domésticos exibiram no ano passado. E, pelas pistas dadas nos últimos pregões de 2025, a aposta majoritária parece ser a de continuidade do rali no Brasil. Ao menos no curtíssimo prazo.


A forte valorização nominal da bolsa brasileira e a expressiva queda do dólar frente ao real nem de perto eram eventos esperados. Na virada de 2024 para 2025, o mais otimista dos agentes esperava que o Ibovespa terminasse o ano em 153 mil pontos — um erro de 8 mil pontos em relação ao nível de fechamento. No câmbio, a expectativa mediana do mercado


O consenso formado no fim de 2024 não apenas subestimou o potencial de recuperação dos ativos locais como superestimou a persistência — e agravamento — dos riscos domésticos.


Claro, o cenário externo foi determinante para consolidar um ambiente positivo para os mercados emergentes e isso não estava na conta dos mercados globais como um todo. Mas, para o início deste ano, a aposta parece ser, novamente, na continuidade, ainda que com um grau de cautela adicional nos mercados domésticos diante dos riscos eleitorais, que já começaram a se materializar nos preços dos ativos financeiros.


A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, anunciada subitamente em 5 de dezembro, escancarou o quanto os agentes estão focados neste tema. Mas, embora a eleição já tenha começado a ser precificada, há uma visão de que pode haver espaço neste começo de ano para uma retirada de parte dos prêmios que foram embutidos nos ativos domésticos em dezembro. Isso, claro, apostando na permanência de um ambiente externo mais tranquilo e na ausência de ruídos políticos mais intensos neste começo de ano. Uma corda bamba.


Ainda que o último pregão do ano seja, em geral, marcado por ajustes técnicos de posições devido à formação da Ptax no câmbio e ao vencimento de títulos prefixados na renda fixa, ele pode ter apontado que o mercado está aberto a testar esse cenário mais positivo. Isso porque os ativos domésticos ficaram, de fato, para trás em relação aos pares desde o “Flávio Day”.


“O sentimento continua construtivo. É verdade que dezembro trouxe sua cota de surpresas, mas nenhuma delas foi grande o bastante para descarrilhar o cenário base de um corte de juros iminente”, avalia um trader da tesouraria de um grande banco local.


“A corrida eleitoral de 2026 já está no radar dos investidores, mas chama atenção o quanto as mesas locais são mais pessimistas em relação a um eventual resultado de esquerda do que os estrangeiros. E esse diferencial vai ser importante quando a volatilidade voltar. Mas, por ora, o Brasil segue oferecendo um ‘carry’ atrativo e o pano de fundo global para emergentes permanece benigno”, diz. “É por isso que estou moderadamente otimista para o início de 2026.”

Carreira em Y

  Quando a carreira em Y funciona, a organização cresce em duas direções: gestão forte e excelência técnica no centro das decisões. Falar d...