𝗣𝗿𝗼𝗱𝘂𝘁𝗶𝘃𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲: 𝗼 𝗱𝗮𝗱𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗼 𝗕𝗿𝗮𝘀𝗶𝗹 𝗲𝘃𝗶𝘁𝗮 𝗲𝗻𝗰𝗮𝗿𝗮𝗿Enquanto o Brasil produz perto de US$ 21 por hora trabalhada, as economias mais eficientes do mundo produzem entre US$ 90 e US$ 160. O problema não está nas horas trabalhadas. Está no valor entregue.
Produtividade não mede apenas capital ou tecnologia.
Mede comportamento, incentivos e cultura econômica.
A estrutura importa, mas o trabalhador também é parte do sistema. Um ambiente que protege excessivamente o emprego, dificulta demissão, penaliza eficiência e dissocia direitos de entrega cria incentivos claros. Produzir pouco passa a não ter custo relevante. Entregar mais raramente gera recompensa proporcional.
Leis trabalhistas rígidas, alto custo de contratação, judicialização constante e assimetria de risco desestimulam investimento, automação e profissionalização. O empresário aprende a sobreviver, não a escalar. O trabalhador aprende a se proteger, não a performar.
Quando a produtividade é baixa, o crescimento depende de mais horas trabalhadas ou mais gente empregada. Ambos têm limite. O resultado aparece em ciclos curtos, instáveis e sempre decepcionantes.
O câmbio fraco não é acidente político. É reflexo de uma economia que produz pouco valor, exporta baixa sofisticação e importa tecnologia. A moeda traduz produtividade, não discurso.
Salários reais sustentáveis acompanham produtividade. Forçar aumentos sem ganho real gera inflação, informalidade ou destruição de margens. O custo se espalha pela economia inteira.
A desigualdade nasce nesse ponto. Quando se gera pouco valor, a disputa deixa de ser sobre crescimento e passa a ser sobre repartição. O conflito vira estrutural.
Países produtivos combinam capital, tecnologia, educação exigente, meritocracia e mercados de trabalho flexíveis.
O Brasil combina proteção elevada, baixa exigência, pouca cobrança e fraca integração global.
Não é só o Estado.
Não é só o empresário.
Não é só o trabalhador.
É o arranjo inteiro que recompensa pouco valor entregue.
Nenhum país ficou rico distribuindo pouco valor.
Países ricos constroem sistemas onde produzir mais vale a pena, para empresas e para pessoas.
A pergunta real não é se o brasileiro trabalha muito ou pouco.
É por que o Brasil insiste em um sistema que normaliza baixa entrega e chama isso de justiça social.
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