terça-feira, 2 de dezembro de 2025

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Powell não fala de política monetária*


A agenda de hoje é esvaziada lá fora. No Brasil, é destaque a produção industrial, que deve voltar a crescer em outubro, enquanto o governo tenta apaziguar o clima de guerra no Congresso, que pode atingir a pauta econômica.


… Já em período de silêncio para o Fomc, na próxima quarta-feira (10), Powell não falou de política monetária no evento de ontem à noite, no Hoover Institution. No CME Group, as apostas em corte adicional de 25 pontos-base neste fim ano seguem firmes (88%). Na sexta, o PCE de setembro ainda pode influenciar. Aqui, o mercado continua desafiando a mensagem hawkish de Galípolo e mantém a expectativa majoritária de queda da Selic em janeiro. A agenda de hoje é esvaziada lá fora. No Brasil, é destaque a produção industrial, que deve voltar a crescer em outubro, enquanto o governo tenta apaziguar o clima de guerra no Congresso, que pode atingir a pauta econômica.


GALÍPOLO – Pela segunda vez, em menos de uma semana, o presidente do BC afirmou nesta segunda-feira que pode voltar a subir os juros, se for preciso, e mesmo assim não consegue esvaziar as apostas majoritárias em um corte de 25 pontos-base da Selic em janeiro.


… Em palestra na XP, Galípolo começou dizendo que não tinha nenhuma novidade sobre o que já havia dito na semana passada, quando afirmou toda sua convicção hawkish. De novo, repetiu que a postura do BC tem que ser “humilde e conservadora”.


… “Se há dúvida, o papel do Banco Central é ser conservador”, disse ele, admitindo que “não tem sido simples fazer análise sobre o mercado de trabalho”, embora tenha afirmado que “também é difícil contestar o mercado de trabalho, que se mostra forte”.


… Após a criação de empregos bem abaixo do esperado no Caged, a Pnad renovou recorde da taxa de desemprego em 5,4%.


… Em outro trecho, falou que “a gente ainda não está onde o nosso mandato manda que a gente esteja”, referindo-se à convergência da inflação à meta. E foi ao limite: “O BC vai sempre atuar para buscar o mandato, se tiver que dar doses maiores [de juro], dará.”


… Galípolo reconheceu que o mercado busca um guidance sobre os próximos passos na definição dos juros, “busca uma palavra que dê um direcionamento”, mas descartou que isso acontecerá nesse momento, dizendo que “o Copom não vê necessidade de tal sinalização”.


… Resta ao mercado contar com suas planilhas e fazer suas apostas no timing da inflexão da política monetária, esperar o Copom de dezembro, junto com o Fed (10), que pode ou não trazer um ajuste na mensagem, e, se não vier nada em janeiro, esperar as chuvas de março.


CRISE FORA DE HORA – O clima de guerra entre o governo e o Legislativo ameaça a agenda econômica a poucas semanas do fim do ano, como a pauta do devedor contumaz, o corte de benefícios fiscais e o aumento da taxação das fintechs e das bets.


… Estão ainda fila o Orçamento de 2026 e o PLDO para o ano que vem. O presidente Lula tenta apaziguar o ambiente com o Senado, onde as coisas iam melhores do que na Câmara, até que Davi Alcolumbre foi para o confronto após a indicação de Jorge Messias ao STF.


… Depois de dez dias de crise, Lula entrou pessoalmente na articulação para conseguir a aprovação de Messias e já ontem convidou para almoçar no Alvorada o senador Weverton Rocha (PDT), relator da indicação do AGU e pessoa próxima de Alcolumbre.


… No almoço, Lula começou a mapear os nomes da base aliada que são próximos a Alcolumbre e veem dificuldade para a aprovação do nome de Messias. Entre eles estão Eduardo Braga (AM), Renan Calheiros (MDB-AL) e até o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA).


… O presidente diz que vai conversar com Alcolumbre, mas não agora, porque não age com “a faca no pescoço”, como apurou o Estadão.


… Além de almoçar com Weverton, Lula reuniu-se duas vezes ontem com os ministros mais chegados e pediu que cuidem das votações da lei Antifacção, do Orçamento e da PEC da Segurança, enquanto ele vai conduzir diretamente as conversas com os senadores.


… O presidente tenta adiar a sabatina, marcada por Alcolumbre para o dia 10, justamente para não dar tempo de Messias virar votos a seu favor. Segundo os cálculos do Planalto, Messias está muito próximo de conseguir os 41 votos necessários no plenário.


… Hoje, Messias almoça com senadores de oposição, em evento articulado pela senadora Eudócia Caldas (PL-AL), mãe do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, que, apesar de ser do PL, se aproximou de Lula com a indicação da cunhada, Marluce Caldas, para o STJ.


CONTRA-ATAQUE –A AGU, sob o comando de Jorge Messias, anunciou nesta segunda-feira a criação de um grupo de trabalho para fiscalizar emendas parlamentares, que coordenará a responsabilização, civil e administrativa, por eventuais irregularidades na execução dos recursos.


… A medida atende a uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, em uma ação que trata da transparência de emendas parlamentares. O grupo terá duração de um ano, quando integrantes apresentarão um relatório das atividades.


… As emendas são um dos temas de maior interesse dos parlamentares, para encaminhar recursos aos seus redutos eleitorais.


SEGURANÇA – Em paralelo à crise com Messias, Lula tenta recuperar o protagonismo sobre a pauta da segurança pública, apropriada pela oposição, após o presidente da Câmara, Hugo Motta, dar a relatoria da lei Antifacção ao deputado Guilherme Derrite.


… A proposta passou na Câmara e está no Senado, onde o Planalto espera ajustes do relator Alessandro Vieira, considerado independente.


… Segundo analistas políticos, a segurança será um dos temas prioritários da campanha presidencial em 2026.


FUNCIONALISMO – O governo enviou nesta segunda-feira um projeto de lei para o Congresso que traz uma série de medidas de reestruturação das carreiras do serviço público federal, ao custo de R$ 4,2 bilhões em um ano – despesa já prevista no PLOA de 2026.


O PREJUÍZO DOS CORREIOS – No Estadão, o governo avalia mudar a meta de estatais para 2026, com a crise dos Correios, cujo déficit surpreendeu e obrigou equipe econômica a congelar R$ 3 bilhões em despesas no Orçamento de 2025.


… Tudo o que o governo não quer é limitar o espaço para gastos em pleno ano eleitoral.


… O tema ainda não começou a ser debatido pela Junta de Execução Orçamentária (JEO), no entanto, técnicos da equipe econômica consideram que essa discussão vai ter de acontecer, segundo apurou a reportagem.


… O PLDO/2026 prevê um prejuízo de R$ 6,752 bilhões com estatais, equivalente a 0,05% do PIB.


… Quando o prejuízo é maior do que o estimado, como aconteceu este ano, o governo é obrigado a incorporar a diferença no resultado primário (aferido para a meta fiscal), o que pode levar a um contingenciamento, ou seja, congelamento de despesas.


PRODUÇÃO INDUSTRIAL – O desempenho positivo da indústria extrativa deve puxar a expansão da produção industrial em outubro, que o IBGE solta às 9h. A mediana no Broadcast indica alta de 0,3%, após queda de 0,4% em setembro.


… As projeções variam de recuo de 0,1% a expansão de 1,5%. Na comparação anual, o dado deve crescer 0,2%, contra avanço de 2% observado em setembro de 2024. As estimativas vão de queda de 0,5% a alta de 1,8%.


… À primeira hora do dia (5h), o IPC-Fipe deve indicar expansão de 0,15% em novembro, menos intensa na comparação com o avanço de 0,27% em outubro. As projeções para esta leitura, todas de alta, vão de 0,13% a 0,17%.


LÁ FORA – Com a agenda esvaziada hoje nos Estados Unidos, a fala da vice-presidente de Supervisão do Fed, Michelle Bowman, no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara (12h) é o evento de maior destaque. Mas ela também deve respeitar o período de silêncio do Fomc.


… Na Zona do Euro, saem a preliminar da inflação ao consumidor (CPI) de novembro e a taxa de desemprego de outubro, ambos às 7h.


… Já na Ásia, o Japão e a China divulgam à noite o PMI composto da S&P Global de novembro.


UCRÂNIA – Volodymyr Zelensky deve se encontrar hoje, na Irlanda, com seu principal negociador com os Estados Unidos, Rustem Umerov, para tentar avançar no plano de paz com a Rússia. A Casa Branca disse estar “muito otimista”.


… Em paralelo, o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, é esperado em Moscou para uma reunião com Putin, segundo fontes da AFP.


TARIFAS – O secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, anunciou nesta segunda-feira a redução de certas tarifas previstas no acordo com a Coreia do Sul, incluindo as tarifas sobre automóveis, para 15%. Válido desde ontem.


FRIOZINHO NA BARRIGA – Baixou a ansiedade e a cautela nos mercados globais antes do discurso (vazio) da noite de Powell, o que acabou servindo de pretexto entre os investidores para uma onda de realização de lucros nos negócios.


… As bolsas americanas quebraram a sequência de cinco pregões em alta, o Ibovespa perdeu os 159 mil pontos, o dólar voltou à faixa de R$ 5,35, os juros dos Treasuries subiram e o DI exibiu pressão, também sob o efeito Galípolo.


… Os mercados passaram o dia temendo que Powell repetisse os comentários inconclusivos de um mês atrás, quando apontou que a política monetária não estava em curso predefinido, sem garantia de um corte em dezembro.


… Mas como ele não disse uma só palavra sobre a postura a ser assumida no curtíssimo prazo pelo Fed, o mercado deve se sentir ainda mais livre para avançar na aposta ampla de uma flexibilização na reunião da semana que vem.


… O mês começou com uma dose de percepção de risco. O índice Dow Jones registrou desvalorização de 0,90%, aos 47.289,33 pontos; o S&P 500 caiu 0,53%, aos 6.812,63 pontos; e o Nasdaq recuou 0,38%, aos 23.275,92 pontos.


… Vindo de um recorde histórico no pregão anterior, ficou fácil de o Ibovespa devolver algum terreno. Fechou em leve baixa de 0,29%, aos 158.611,01 pontos, com giro de R$ 22 bilhões, em dia de destaque para a queda dos bancos.


… Bradesco liderou a fila negativa do setor financeiro, com recuo de 0,78% (ON, a R$ 16,61) e 1,53% (PN, R$ 19,35), seguido por Banco do Brasil (-0,93%, a R$ 22,26). Santander perdeu 0,85%, a R$ 33,91, e Itaú caiu 0,77%, a R$ 41,30.


… Já as blue chips das commodities amorteceram o ritmo de queda da bolsa. Vale subiu 0,77%, a R$ 67,92,  em linha com o minério, e Petrobras interrompeu as quedas firmes despertadas no pregão anterior pelo plano estratégico.


… Na esteira do petróleo, Petrobras ON ganhou 0,63%, a R$ 33,59; e PN, +0,19%, a R$ 31,85. O Brent repercutiu com alta firme de 1,26%, a US$ 63,17, a decisão da Opep+ de manter a produção no primeiro trimestre de 2026.


… O cartel também irá estabelecer um mecanismo para avaliar a capacidade máxima de produção de cada integrante. Além disso, os investidores monitoram as tensões geopolíticas no leste europeu e na Venezuela.


… De volta à bolsa, a primeira prévia da nova carteira do Ibovespa, que entrará em vigor em 5 de janeiro, trouxe a entrada das ações da Copasa e saída dos papéis da CVC. A segunda prévia será apresentada no próximo dia 16.


SESSÃO REPRISE – Como se viu, Galípolo não mudou uma vírgula do discurso que vem mantendo há meses, sem qualquer sinalização antecipada de um corte da Selic, apesar de o mercado continuar botando pressão sobre o BC.


… A curva do DI não deixou de fazer o ajuste em alta a Galípolo e ainda operou em compasso de espera por Powell.


… No fechamento, o contrato de juro para Jan/27 avançou a 13,620% (de 13,572% no pregão anterior); Jan/29 subiu para 12,765% (contra 12,722% na sexta-feira); e Jan/31, 12,990% (12,979%). Já o Jan/33 caiu a 13,130% (13,141%).   


… Lá fora, os juros dos Treasuries também avançaram e a taxa da Note de 10 anos seguiu acima de 4%, em 4,095%, contra 4,014% na Black Friday. O rendimento do papel de 2 anos subiu a 3,535%, de 3,493% na sessão de sexta-feira.


… Também os retornos dos títulos do Tesouro japonês se destacaram em alta, atingindo o maior nível em 16 anos, depois de Kazuo Ueda ter afirmado que o BoJ discutirá “cuidadosamente” um aumento de juros este mês.


… A fala impulsionou o iene à máxima em duas semanas, cotado a 155,51 por dólar, enquanto a moeda americana já é enfraquecida, em outra frente, pela perspectiva de que o Fed relaxe os juros ainda antes de o ano acabar.


… Analistas da FP Markets observam que a chance de Kevin Hassett, conselheiro econômico de Trump, assumir o comando do Fed no ano que vem oferece um “obstáculo considerável ao dólar”, diante da sua orientação dovish.


… O índice DXY fechou em queda marginal de 0,06%, para 99,403 pontos. O euro também operou no zero a zero (+0,09%), a US$ 1,1611, enquanto a libra esterlina registrou desvalorização de 0,15%, negociada a US$ 1,3212.


… No Valor, agentes financeiros mencionaram uma pressão maior no real devido à possível elevação de juros no Japão, o que pode ter engatilhado uma redução de posições favoráveis ao real em estratégias de carry trade.


… Além disso, o câmbio foi influenciado pelas remessas ao exterior típicas de fim de ano, que contribuíram para que o dólar ganhasse força ao longo da tarde. A moeda americana fechou com valorização de 0,46%, valendo R$ 5,3593.


CIAS ABERTAS NO AFTER – VALE realiza hoje seu dia do investidor, às 10h (de Brasília), em Londres, com transmissão ao vivo por vídeo.


CARREFOUR BRASIL aprovou em assembleia geral extraordinária (AGE) o cancelamento do seu registro de companhia aberta categoria “B”…


… O pedido de cancelamento de registro foi protocolado na CVM ontem e está sujeito à sua aprovação.


ULTRAPAR aprovou a distribuição de dividendos intermediários no valor total de R$ 1,08 bilhão, o equivalente a R$ 1 por ação ordinária; proventos serão pagos em 16 de dezembro; ex a partir de 8 de dezembro.


ISA ENERGIA obteve anuência do BNDES e evitou vencimento antecipado de três contratos de financiamento, apesar do risco de descumprimento de indicadores financeiros no exercício de 2025.


RUMO. Citi elevou o preço-alvo da ação de R$ 15,50 para R$ 17,00, mantendo a recomendação neutra…


… Banco citou preocupações com o poder de precificação da companhia diante do cenário desafiador para oferta e demanda no setor de logística nos próximos anos.


AMBIPAR confirmou que demitiu 35 funcionários após constatar “falhas graves na execução das melhores práticas de governança e gestão de riscos” na companhia, conforme noticiou o site Pipeline/Valor, no fim de setembro…


… A empresa informou que os executivos dispensados estavam subordinados ao ex-diretor-financeiro João Arruda e que a estrutura organizacional foi desmobilizada…


… Com o objetivo de tornar a estrutura de governança mais “enxuta e eficiente”, a companhia comunicou que está estudando e implementando mudanças neste momento, devendo concluí-las até fevereiro de 2026.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Alex Ribeiro

 https://valor.globo.com/financas/noticia/2025/12/01/analise-periodo-prolongado-deixa-de-funcionar-como-trava-para-cortes-na-selic.ghtml


*Análise: ‘Período prolongado’ deixa de funcionar como trava para cortes na Selic*


_Expectativa do mercado é se Copom vai sinalizar corte para janeiro com retirada de menção a essa expressão na sua comunicação após reunião na semana que vem_


Por Alex Ribeiro, Valor — São Paulo


Com o quase consenso de que os juros vão ficar parados em 15% ao ano, a grande expectativa do mercado é se o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central vai sinalizar na sua reunião na semana que vem um corte para janeiro, com a retirada da comunicação do aviso de que os juros têm que ficar altos por “um período bastante prolongado”.


Em evento nesta manhã na XP Investimentos, porém, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, indicou que não precisa necessariamente modificar esse recado para iniciar um eventual ciclo de baixa na taxa Selic.


“Não sei se a gente tem a necessidade ou obrigação de criar algum tipo de código dentro da comunicação do Banco Central que vá telegrafar quando o Banco Central vai fazer algo”, disse Galípolo.


Uma parte dos analistas econômicos acha que seria um pouco incoerente o Copom dizer, em dezembro, que precisa manter os juros altos por muito tempo e, em janeiro, fazer um corte na taxa básica de juros.


O presidente do BC foi questionado exatamente sobre isso pelo economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale. Mas Galípolo indicou que o Copom não acha que, antes de fazer qualquer coisa, precise mudar a comunicação para dar uma "seta" para o juro.


Segundo ele, cada vez que o BC cita num comunicado que precisa manter os juros altos por um período prolongado, essa contagem de tempo não é “zerada”. Ou seja, quando o Copom disse, na sua reunião de novembro, por exemplo, que os juros devem ficar altos por um período prolongado, isso não significa que esse período prolongado vai se aplicar apenas a partir de novembro. Ele já tinha efeito antes.


Citando um conceito matemático, Galípolo disse que juros funcionam como uma integral no tempo. Isso equivale a dizer que seus efeitos se acumulam continuamente, de modo que manter juros altos por um período prolongado gera um impacto total cada vez maior na economia.


Na prática, a fala de Galípolo tirou um pouco da força que a sinalização de juros altos por muito tempo tinha de “forward guidance”, ou seja, de indicação de passos futuros.


Mas aqui tem um ponto importante: não dá para entender que ele tenha feito uma indicação de baixar os juros apenas porque esvaziou um pouco o caráter desse "forward guidance".


Seu esforço, no evento da XP, foi para enfatizar que o Banco Central está dependente de dados para tomar as suas próximas decisões sobre a taxa de juros. Ele disse e repetiu que o Copom não sabe de antemão o que vai fazer e que vai tomar a decisão com as informações disponíveis em cada uma de suas reuniões.


E ele repisou também o discurso de que o progresso não está na velocidade que ele gostaria. O presidente do BC iniciou sua participação no evento da XP dizendo que não tem nenhum recado novo sobre política monetária em relação ao que havia dito na última quinta-feira – quando ele participou de um evento da Itaú Asset.


Naquela oportunidade, Galípolo disse e repetiu outras duas vezes que vê progressos, mas não na velocidade que gostaria. No evento da XP, ele disse e repetiu a mesma visão: “Entendemos que a gente chegou num patamar em que parece que os 15% estão, sim, produzindo o efeito na inflação, não na velocidade que a gente gostaria.”

Aluguéis da Faria Lima

 Aluguéis na Faria Lima e Oscar Freire têm a maior valorização do mundo

 


Os aluguéis na Avenida Brigadeiro Faria Lima e na Rua Oscar Freire tiveram as maiores valorizações entre os pontos comerciais do continente e do mundo, de acordo com a Cushman & Wakefield. A consultoria divulgou um relatório em que monitora 141 principais endereços comerciais nas Américas, Europa e Ásia. A Rua Oscar Freire teve a maior valorização do mundo, segundo o levantamento. Há anos, o endereço atrai grifes nacionais e internacionais no bairro dos Jardins, além de algumas lojas conceito, e há anos faz parte do top 30 da Cushman & Wakefield. Em 2025, entretanto, ela subiu quatro posições (de 26º para 22º), com aluguel médio de € 1.128 (R$ 7 mil) por m² por ano, o equivalente a uma alta de 65% sobre o ano anterior. Na Faria Lima, a alta foi de 43% entre 2024 e 2025, com o aluguel médio chegando a € 920 (cerca de R$ 5,7 mil) por m² por ano. Com isso, subiu do 28º para o 25º lugar no ranking dos endereços mais valorizados. Ou seja: o aluguel de um escritório de 1000 m² em um prédio corporativo na região sai por aproximadamente R$ 480 mil por mês, segundo dados da consultoria. “A presença da Faria Lima, em seu trecho sul, é um reflexo direto da valorização acelerada da região, cujos preços pedidos têm ficado quase o dobro da média de São Paulo”, afirmou o líder de pesquisa de mercado da Cushman & Wakefield no Brasil, Dennys Andrade. “Os pontos comerciais escassos na região seguem a tendência, impulsionados por contratos mais longos e por uma demanda muito aquecida de empresas que querem estar nesse endereço”, emendou. Outros endereços brasileiros também apareceram entre os mais valorizados do ranking. São as cariocas Visconde de Pirajá (subiu de 29º para 28º) e Garcia D’Ávila (caiu de 27º para 29º). O bom desempenho dos endereços brasileiros nesse ranking também teve uma forcinha do câmbio, já que o real se valorizou neste ano perante o euro e o dólar — moedas usadas para padronizar a pesquisa da Cushman & Wakefield ao redor do mundo. Nas Américas, o pódium dos endereços mais valorizados não teve alteração desde o último ano. No primeiro lugar, reina absoluta a Quinta Avenida, em Nova York (trecho entre as ruas 49 e 60, o chamado Upper 5th Avenue). Ali o aluguel sai por € 18,3 mil por m² por ano. Na segunda colocação das Américas vem a Madison Avenue (€ 12,3 mil por m² por ano), e na terceira, a Rodeo Drive, em Beverly Hills, Los Angeles (€ 10,2 mil por m² por ano). Já o ponto comercial mais caro do mundo fica em Londres. É a New Bond Street, principal ponto de compras da cidade, com aluguel de € 20,4 mil por m² por ano.

CA Sardenberg

 TEXTO QUE ASSINO EM BAIXO E APLAUDO .


Carlos Alberto Sardenberg

A lei é definitiva, até mudar

O arranjo é conhecido há décadas: o vencimento básico fica abaixo do teto, mas aí se somam os penduricalhos

01/12/2025 00h06  


À primeira vista, parece não existir qualquer exagero ou problema econômico na remuneração dos servidores públicos. Desses, segundo um estudo por amostragem, apenas 1,34% recebem acima do teto constitucional de exatos R$ 46.336,19 mensais. Haveria aí, no máximo, um problema moral — a desigualdade salarial dentro do funcionalismo —, mas nenhum dano econômico substantivo para as finanças do país.


É verdade que existe um problema moral nessa história —, mas não é a desigualdade. Ou, pelo menos, a desigualdade não é o principal desequilíbrio. A verdadeira questão aparece numa segunda vista, quando se olha quem recebe as remunerações acima do teto. São principalmente os juízes — cuja função é fazer cumprir as leis.


Num universo de 4 milhões de servidores ativos e inativos, que receberam 50 milhões de contracheques no período de agosto de 2024 a julho de 2025, foram encontrados nada menos que 21 mil juízes ganhando acima do teto.


A pesquisa foi encomendada por duas organizações — Movimento Pessoas à Frente e República.org — e dirigida por Sérgio Guedes-Reis, da Universidade da Califórnia. Encontrou, no total, 53,5 mil servidores federais, estaduais e municipais com vencimentos mensais acima dos 46 mil. Tudo somado, chega-se a R$ 20 bilhões. Aí já se torna também um problema econômico grave. É só comparar. Neste ano, o governo federal se esforça para limitar em R$ 30 bilhões o déficit de todas as suas contas. E luta no Congresso para conseguir aumentos de impostos que fechem um buraco previsto de R$ 30 bilhões nas contas de 2026.


 

Tem mais: a maior parte dos servidores que recebem acima do teto está no Poder Judiciário, que interpreta e aplica as leis. O arranjo é conhecido há décadas: o vencimento básico fica abaixo do teto. Mas aí se somam os penduricalhos — auxílios e ajudas disso e daquilo, considerados não remuneratórios, mas indenizatórios.


O Judiciário é um Poder independente, de modo que os tribunais administram seus orçamentos, incluindo a fixação dos salários. Tecnicamente, portanto, há explicações para o extrateto. Para o cidadão comum, entretanto, soa esquisito: se a Constituição, lei maior, diz que o teto é R$ 46 mil, como aqueles 1,34% podem ganhar acima disso? Tanto para tão poucos?


O Congresso Nacional debate propostas de reforma administrativa. E há dificuldades para tratar do caso dos supersalários, recebidos pelos mais altos funcionários dos três Poderes. Eles têm, digamos, muito poder de persuasão.


Por isso o tema é discutido há anos. Vira e mexe, surge uma legislação dizendo, para simplificar, que teto é teto. Mas logo criam-se regras determinando que tais e tais verbas não se incluem sob o teto. Foi em 2016 que a ministra Cármen Lúcia referiu-se aos “puxadinhos” sempre colocados sobre os tetos.


Mas, mudando de assunto, outro tema da semana passada foi a decisão do Congresso a respeito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados, o Propag. Falamos disso porque há uma semelhança formal com a questão dos salários: a regra definitiva, que é definitiva até mudar.


No governo FH (1995 a 2002), o Congresso aprovou uma renegociação das dívidas que os governos estaduais tinham com a União. As novas regras foram generosas com os estados, estabelecendo juros e prazos camaradas. O argumento que justificava isso: é a última renegociação. Muitos governos estaduais não pagaram, e deveriam ser penalizados por isso. Não foram. Ao contrário, foi logo aprovada uma segunda renegociação definitiva, uma terceira e assim por diante. Até chegar ao Propag de hoje, que estabelece ainda melhores condições para os devedores.


Agora vai, se diz, porque o Propag está definido em Lei Complementar, legislação superior, que complementa a Constituição. Definitiva, portanto. Mas, como no caso dos tetos móveis, não perderá quem apostar que essa renegociação das dívidas estaduais é apenas um outro “Pronãopag”. São dribles na lei dentro do setor público. Vai o cidadão tentar coisa parecida.

Não foi a Alemanha que humilhou o Brasil

 NÃO FOI A ALEMANHA QUE HUMILHOU O BRASIL! Raul Holderf Nascimento, Conexão Política, 18.11.2025

A fala do chanceler alemão foi dura, direta, quase cruel para quem ainda insiste em acreditar na fantasia de país potência. Mas foi verdadeira. E verdade, no Brasil, sempre dói mais do que deveria. Quando Friedrich Merz disse em Berlim que nenhum dos jornalistas alemães quis ficar no Brasil e que todos estavam felizes por ter voltado para a Alemanha, o incômodo não está na frase. O incômodo está na realidade que a frase traz.

O Brasil se tornou uma caricatura de si mesmo por causa dos seus próprios políticos. Uma casta que vive distante do povo, blindada em gabinetes, protegida por seguranças, movendo-se entre jatinhos, assessores e palácios. Uma elite institucional que olha para o país como quem observa um território estranho, habitado por gente descartável. O brasileiro comum vive como rato em um labirinto mal planejado, tentando sobreviver aos esgotos a céu aberto, ao transporte público sucateado, às escolas sem estrutura e aos hospitais que funcionam à base de improviso.

Enquanto isso, quem deveria ser responsabilizado pela tragédia cotidiana vive de marketing e de slogans, maquiando a miséria estrutural com campanhas coloridas, promessas recicladas e narrativas de 4 em 4 anos. O ciclo se repete como metástase. A cada eleição o tumor cresce, ganha novos braços, novos rostos, novas justificativas. E o corpo do país continua necrosando.

Os mesmos políticos que entregam o pior de si à população são os que correm para posar como vítimas quando uma crítica internacional detona o óbvio. Tentam sempre a mesma encenação patriótica: somos todos Brasil. Mas não são. Nunca foram. Quando o chanceler alemão critica Belém, a vergonha não é da população paraense, não é do povo honesto e pagador de impostos. A vergonha é exclusivamente dos governantes que entregam, ano após ano, indicadores de país colapsado.

Belém coleta apenas cerca de 20 por cento do seu esgoto. O resto vai parar nos rios, nos igarapés e na porta das casas das famílias que vivem com renda inferior ao mínimo. O Brasil, como um todo, trata menos de 50 por cento do esgoto gerado. São mais de 100 milhões de pessoas sem coleta adequada. Há escolas em que alunos estudam em contêineres, cidades em que metade das ruas não é asfaltada, hospitais onde pacientes dividem macas e esperam meses por uma consulta simples. O país investe menos de 2 por cento do PIB em infraestrutura, enquanto a média de países desenvolvidos supera os 4 por cento. Somos um território gigante com estrutura de república improvisada.

A elite política ignora esses números porque ignora a vida real. E quando confrontada com a verdade, corre para o discurso sentimental, tentando transformar crítica em ataque ao Brasil, como se os brasileiros e seus políticos fossem a mesma coisa. Não são. O povo carrega um fardo que não escolheu. Os políticos carregam privilégios que nunca largam.
No fundo, o país vive um estado permanente de abandono institucional. E o Brasil oficial ensina o Brasil real a sobreviver com migalhas. É por isso que o paralelo com ‘Maior Abandonado’, uma clássica canção de Cazuza, é inevitável. O Estado brasileiro alimenta a população com raspas, restos, migalhas dormidas do pão. E faz isso com a mesma lógica da canção: pequenas porções de ilusão. Mentiras sinceras que interessam. Mentiras sinceras que mantêm o sistema funcionando. Mentiras sinceras que sustentam um país onde a população continua pedindo apenas um pouquinho de proteção, como o maior abandonado.

A política brasileira transformou o cidadão em pedinte de sua própria nação. E enquanto houver um país que aceita viver de migalhas, haverá um estado que entrega apenas raspas e restos. É isso que o chanceler alemão enxergou em poucos dias no Brasil. É isso que os brasileiros conhecem desde que nasceram. O escândalo não está na fala dele. O escândalo está no fato de ele ter dito em voz alta o que o Brasil finge não ver.

Os ultrajantes supersalários

 Os ultrajantes supersalários


O topo do funcionalismo brasileiro é campeão mundial de privilégios. O País jamais será uma democracia decente enquanto se deixar saquear por uma elite estatal predatória

Notas e Informações · 30 nov. 2025
Estadão Edittorial

Em qualquer democracia madura, o relatório do Movimento Pessoas à Frente e República.org com dados comparados sobre o teto salarial no setor público produziria um choque capaz de abalar ministros, presidentes de tribunais e chefes do Ministério Público. No Brasil, passou quase despercebido como mais um capítulo da pornografia fiscal que sustenta a casta que sequestrou o Estado. O documento funciona como biópsia de um organismo tomado por tumores patrimonialistas tão virulentos que já não é possível distinguir a doença da instituição.

Cada número é um tapa na cara do contribuinte. O País gasta R$ 20 bilhões por ano com supersalários. Cerca de 53,5 mil servidores – sendo 31 mil juízes e procuradores – ganham acima do teto constitucional de R$ 46,3 mil, contra zero na Alemanha e menos de 2 mil na França, Itália, Portugal, México, Chile ou Colômbia. O Brasil tem mais superassalariados que os outros dez países analisados somados. A Argentina, segunda no ranking, tem 27 mil, mas enquanto eles consomem US$ 381 milhões (no critério de paridade de poder de compra), o Brasil torra US$ 8 bilhões com seus nababos – mil vezes mais que boa parte das nações europeias.

A perversão é endêmica. Está em todos os indicadores. Em nenhum dos outros países existem retroativos ilimitados, indenizações indiscriminadas ou folgas convertidas em dinheiro. Em todos, as remunerações são definidas ou pelos Parlamentos ou por comissões independentes. Aqui, corporações predatórias se autoconcedem privilégios e ainda posam de vítimas quando chamadas a prestar contas.

Um juiz brasileiro pode ganhar até quatro vezes mais que ministros das Supremas Cortes da Alemanha, da França ou dos EUA. Em um ano, 11 mil magistrados embolsaram mais de R$ 1 milhão – um patamar de remuneração inexistente em sete dos outros dez países. Muitos receberam isso num único mês – cerca de 20 tetos, mais de 300 vezes a média salarial do funcionalismo e um monumento à depredação moral da República. Cerca de 40 mil servidores estão no 1% mais rico do País, o maior contingente entre todos os países analisados.

Nada disso é acidente. É engenharia. É a corrupção institucionalizada por quem deveria defender a lei. Quando o mecanismo remuneratório é desenhado pelos próprios beneficiários, parcelas retroativas acumulam anos de passivos fictícios, e verbas “indenizatórias” – que deveriam ser excepcionais e ressarcir gastos adiantados pelo profissional – são fraudulentamente manipuladas para camuflar subsídios permanentes, burlando não só o teto constitucional, mas também o Imposto de Renda. Os Conselhos do Judiciário e do Ministério Público, que deveriam conter abusos, subverteram-se em usinas de penduricalhos. Não contentes com 60 dias de férias – fora os recessos –, tribunais fabricam “acúmulos de função” que rendem dez dias de folga mensais – que, por sua vez, se transmutam em mais verbas. A Suprema Corte posa de “salvadora da democracia”, mas lidera a corporação na vanguarda da delinquência institucional.

A bestialidade moral é ainda mais violenta que a fiscal. Mais da metade dos servidores ganha até R$ 3,3 mil. Professores, policiais e enfermeiros sobrevivem a pão e água, enquanto o pouco mais de 1% do funcionalismo que acumula R$ 20 bilhões acima do teto opera como senhores feudais impermeáveis ao País real. São justamente as carreiras que engendram suas próprias regras, intimidam parlamentares e obliteram reformas. O teto virou ficção; a exceção, método; o privilégio, “direito adquirido”. O Estado perverteu-se em uma máquina de transferência de renda às avessas; um Moloc regular, previdente e obeso que devora o dinheiro do Brasil que trabalha e produz: pobre paga imposto regressivo, a oligarquia estatal extorque retroativos multibilionários.

Não há espaço para evasivas. Ou a sociedade civil empareda seus representantes eleitos para que extirpem o tumor – redefinindo regras, eliminando penduricalhos, impondo transparência ao abrigo do teto constitucional – ou será asfixiada pela hipertrofia parasitária das corporações estatais. O Brasil jamais se tornará uma democracia decente enquanto tolerar que sua elite burocrática viva como dona do Estado e não como servidora dos cidadãos. •

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,5% US tech +0,8% US semis +1,8% UEM +0,3% Espanha +0,1% VIX 16,4% Bund 2,70% T-Note 4,04% Spread 2A-10A USA=+54pb O10A: ESP 3,18% PT 3,01% FRA 3,41% ITA 3,40% Euribor 12m 2,209% (fut.2,306%) USD 1,159 JPY 180,5 Ouro 4.240$ Brent 63,6$ WTI 59,7$ Bitcoin -5,4% (86.242$) Ether -6,4% (2.828$).


SESSÃO: Prováveis dias de transição e com pouca força, após uma sequência prévia rotundamente alcista (Nova Iorque com 5 sessões consecutivas de recuperação) e até chegarem as referências mais potentes da próxima semana. Arrancamos esta semana com a Cyber Monday e teremos inflação europeia amanhã (previsão de manter em +2,1%) e o PCE americano na sexta-feira (+2,8% vs +2,7%) como referências principais. Mas teremos também alguma orientação sobre o emprego (embora não sejam os dados oficiais: Relatório de Emprego ADP +10k vs +42k) e a Produção Industrial nos EUA (previsão de manter em +0,1%), ambos na quarta-feira. Hoje, às 16h, sai o ISM Industrial americano, provavelmente mais lateral e ainda sem atingir a zona de expansão (49,0 vs 48,7).


O mais relevante, contudo, não será tanto o que sairá esta semana, mas sim na próxima, que conta com 3 dias chave: Terça-feira 9: Resultados da Oracle; Quarta-feira 10: Reunião da Fed (atualmente desconta-se um corte de 25pb para o intervalo 3,50%/3,75%, mas veremos, porque os últimos dados de emprego não foram maus); Quinta-feira 11: Resultados da Broadcom (não tão importantes como os da Nvidia, mas muito relevantes).


Depois disso, no dia 18 teremos as reuniões do Banco de Inglaterra (não é impossível que corte taxas, mas é improvável; taxa atual em 4,00%) e do BCE (manterá em 2,00%/2,15%). No dia 19, será a vez do Banco do Japão (BoJ), que não se espera que suba taxas (atualmente em 0,50%), embora há poucas horas Ueda (Governador) tenha dito que considerarão os prós e contras, deixando o mercado desorientado e levando a uma ligeira apreciação do iene (155,6/$ vs 156,7/$). Isto dará alguma dinâmica a um mercado cambial sem movimentos significativos ultimamente.


Os primeiros números de vendas da Black Friday parecem boas, mas seria prematuro tirar conclusões: +9,1% segundo a Adobe e +10,4% segundo a Mastercard. Parecem melhores do que o esperado para toda a campanha de Natal, para a qual a National Retail Federation espera +3,7%/+4,2% (vs +4,3% em 2024)... mas esta estimativa cobre apenas vendas físicas, não online.


CONCLUSÃO: Hoje espera-se uma sessão suavemente em baixa (¿-0,5%?), mas se a correção fosse mais do que suave, seria melhor. Enfrentamos uns dias mornos, com o mercado numa atitude de cautela e espera, até superarmos a Fed no dia 10 e a Broadcom no dia 11. A partir desse momento, o tom seguramente voltará a melhorar porque se imporá uma atitude geral de reposicionamento para 2026.

Pode surgir algum momento de frustração quando a Rússia voltar a deixar claro que não pensa parar, o que deixará Trump especialmente tenso, já que aspira fechar quase qualquer acordo de paz que possa favorecer a sua figura política para as eleições intercalares de novembro de 2026. No entanto, o mercado posicionar-se-á geralmente em posições longas (compradoras) em bolsa e risco geral para 2026, assumindo que a guerra na Ucrânia será de desgaste e longo prazo, pelo que terá de se habituar a conviver com ela. Outra questão é o que possa suceder a muito curto prazo com a Venezuela… que deveria ser iminente e provavelmente negativo para o mercado, embora o seu desenlace se apresente muito arriscado.


FIM

Simon Schwartzman