sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

The Economist

 



"...quando o BC investigou os detalhes da fusão, descobriu que o Banco Master não tinha liquidez. Investigadores descobriram que a empresa havia vendido carteiras de crédito sem valor para o BRB por mais de US$ 2 bilhões.

Mas os efeitos do colapso do Banco Master vão além do setor bancário. Isso porque Vorcaro passou anos cultivando laços com a elite brasileira. O caso expôs ligações entre políticos, figurões do mercado financeiro e o Judiciário em Brasília, a capital, prejudicando a reputação do STF e do Congresso.

Políticos do Centrão tentaram proteger o Banco Master antes de sua falência. O senador Ciro Nogueira, tentou bloquear uma investigação parlamentar sobre as transações do Banco Master e pressionou pela aprovação de um projeto de lei que daria ao Congresso o poder de demitir o presidente do BC.

Enquanto isso, Ibaneis Rocha, governador do DF, defendeu veementemente a aquisição do Banco Master pelo BRB, apesar das fortes advertências de muitos analistas.

O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, foi o maior doador individual para a campanha de Bolsonaro em 2022 e de Tarcísio de Freitas.

A trama começou a se complicar logo após o BC ordenar a liquidação do Banco Master em novembro. Jhonatan de Jesus, membro do TCU, órgão de auditoria alegou que o Banco Central agiu com muita pressa.

Ele ordenou uma investigação para apurar se o BC poderia ter escolhido alternativas à liquidação. “Esse tipo de interferência na autoridade do Banco Central é incomum e preocupante”.

Quando os investigadores abriram o telefone de Vorcaro, encontraram ainda mais ligações ao poder. O banco havia assinado um contrato de US$ 24 milhões, com duração de três anos, com um escritório de advocacia dirigido pela mulher de Alexandre de Moraes. A vagueza do contrato e as grandes somas envolvidas “não são normais” para os padrões brasileiros, afirma um especialista jurídico. 

Logo depois, um jornal revelou que Moraes havia telefonado ou se encontrado com Gabriel Galípolo, presidente do BC, diversas vezes antes da liquidação do Banco Master. Moraes afirma que ele e Galípolo se encontraram para discutir assuntos não relacionados ao Banco Master. 

Mesmo assim, seu comportamento autoritário levantou suspeitas. Em janeiro, ele abriu uma investigação contra a UIF e a Receita Federal para apurar se haviam vazado informações sobre o contrato.

A situação não é melhor para o colega e Moraes, Dias Toffoli, um juiz que já arquivou outras investigações anticorrupção envolvendo a elite de Brasília. Toffoli viajou em um jato particular com um advogado do Banco Master.

Posteriormente, descobriu-se que Zettel havia investido mais de US$ 1 milhão em um resort que tinha como sócios os irmãos de Toffoli. Não há provas de que Toffoli soubesse do assunto, e ele não se pronunciou publicamente sobre o tema. No entanto, esses laços reforçam a impressão entre os eleitores brasileiros de que o Supremo Tribunal Federal carece de imparcialidade."

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