"...quando o BC investigou os detalhes da fusão, descobriu que o Banco Master não tinha liquidez. Investigadores descobriram que a empresa havia vendido carteiras de crédito sem valor para o BRB por mais de US$ 2 bilhões.
Mas os efeitos do colapso do Banco Master vão além do setor bancário. Isso porque Vorcaro passou anos cultivando laços com a elite brasileira. O caso expôs ligações entre políticos, figurões do mercado financeiro e o Judiciário em Brasília, a capital, prejudicando a reputação do STF e do Congresso.Políticos do Centrão tentaram proteger o Banco Master antes de sua falência. O senador Ciro Nogueira, tentou bloquear uma investigação parlamentar sobre as transações do Banco Master e pressionou pela aprovação de um projeto de lei que daria ao Congresso o poder de demitir o presidente do BC.
Enquanto isso, Ibaneis Rocha, governador do DF, defendeu veementemente a aquisição do Banco Master pelo BRB, apesar das fortes advertências de muitos analistas.
O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, foi o maior doador individual para a campanha de Bolsonaro em 2022 e de Tarcísio de Freitas.
A trama começou a se complicar logo após o BC ordenar a liquidação do Banco Master em novembro. Jhonatan de Jesus, membro do TCU, órgão de auditoria alegou que o Banco Central agiu com muita pressa.
Ele ordenou uma investigação para apurar se o BC poderia ter escolhido alternativas à liquidação. “Esse tipo de interferência na autoridade do Banco Central é incomum e preocupante”.
Quando os investigadores abriram o telefone de Vorcaro, encontraram ainda mais ligações ao poder. O banco havia assinado um contrato de US$ 24 milhões, com duração de três anos, com um escritório de advocacia dirigido pela mulher de Alexandre de Moraes. A vagueza do contrato e as grandes somas envolvidas “não são normais” para os padrões brasileiros, afirma um especialista jurídico.
A situação não é melhor para o colega e Moraes, Dias Toffoli, um juiz que já arquivou outras investigações anticorrupção envolvendo a elite de Brasília. Toffoli viajou em um jato particular com um advogado do Banco Master.
Posteriormente, descobriu-se que Zettel havia investido mais de US$ 1 milhão em um resort que tinha como sócios os irmãos de Toffoli. Não há provas de que Toffoli soubesse do assunto, e ele não se pronunciou publicamente sobre o tema. No entanto, esses laços reforçam a impressão entre os eleitores brasileiros de que o Supremo Tribunal Federal carece de imparcialidade."
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