domingo, 30 de novembro de 2025

Nuremberg

 Bruno Astuto

O que esperar de 'Nuremberg', filme com estreia prevista para fevereiro no Brasil

'O desafio não era entender as doenças dos réus, mas sua normalidade'

30/11/2025 04h31  


"Nuremberg”, que tem estreia prevista para fevereiro no Brasil, volta a colocar no centro do debate um tema que sempre assombra a Humanidade: o esforço de explicar o mal. O filme, estrelado por Russell Crowe e Rami Malek, é baseado no livro “O nazista e o psiquiatra,” de Jack El-Hai, e acompanha o capitão e psiquiatra americano Douglas Kelley (Malek) encarregado de avaliar a sanidade mental de 22 oficiais nazistas capturados logo após o fim da Segunda Guerra. Um deles era Hermann Göring (Crowe), talvez o mais sedutor, vaidoso e manipulador entre os homens do alto escalão do Terceiro Reich. Kelley tentou descobrir se havia uma anomalia, um traço clínico, um sinal neurológico que explicassem tamanha crueldade. E, para seu próprio horror, a resposta foi não. Os réus de Nuremberg, do ponto de vista psiquiátrico, eram “comuns”, fanáticos, racionais, ambiciosos, eficientes. Pessoas capazes de amar os filhos ao mesmo tempo em que assinavam ordens que matavam os filhos dos outros.


É justamente essa normalidade que torna “Nuremberg” tão perturbador. O tribunal não mostrou monstros biológicos, mas monstros morais, homens que fizeram escolhas conscientes e se beneficiaram delas. Não havia doença que justificasse aquele projeto de extermínio. Havia método. Havia cálculo. Havia adesão. E talvez por isso tenha me chamado tanta atenção o documentário exibido recentemente no canal britânico Channel 4, “Hitler’s DNA: Blueprint for a Dictator” (O DNA de Hitler: o mapa genético de um ditador). Ele tenta insistir no caminho que Kelley já provara ineficiente: explicar o mal por exames.


O programa apresenta resultados genéticos obtidos a partir de um suposto fragmento de sangue sobre o sofá em que Hitler se suicidou em 1945, um material cuja autenticidade nunca foi comprovada historicamente. Mesmo assim, sob a direção da geneticista Turi King, da Universidade de Bath, do Reino Unido, esse DNA atribuído ao ditador foi sequenciado e analisado como se fosse um material indiscutível. A partir daí, veio o malabarismo metodológico criticado por especialistas, o de transformar dados de ancestralidade e predisposição populacional em diagnósticos retrospectivos individuais. Tudo apareceu no laudo televisivo: predisposição ao autismo, esquizofrenia, transtorno bipolar, uma salada neurodivergente servida como explicação para a origem do mal.


Então volto ao trabalho minucioso do psiquiatra que conviveu com os homens que realmente tomaram as decisões. Kelley disse que o desafio em Nuremberg não era entender as supostas doenças dos réus, mas sua normalidade. Ali ele não encontrou danos cerebrais, traços patológicos ou síndromes raras, mas convicção, estratégia, frieza, escolhas. E é nesse ponto que o documentário e o filme se chocam. Enquanto o primeiro tenta colocar a responsabilidade no laboratório, o filme — e os fatos — a colocam onde ela sempre esteve: na ação humana.


Sei que a palavra “maldade” soa quase antiquada em tempos que celebram vulnerabilidades como se fossem medalhas espirituais, que transformam traumas em passaportes morais e pedem compreensão infinita para tudo. Sei que é dever da História e da Ciência apresentar nuances. Mas oferecer novos pontos de vista não significa distribuir desculpas. Se não houve doença, houve liberdade. Se houve liberdade, houve culpa. Portanto, responsabilidade e crime.


E mais: se o ditador era prisioneiro das próprias síndromes, qual era a síndrome dos milhões que o seguiram? Que anomalia genética explica a multidão que marchou, denunciou, participou, aplaudiu, colaborou?


Nada disso pede laudo. Exige memória.


Porque o mal não se espalha por mutação; ele se espalha por adesão.

Woody Allen 90

 Quem está ao lado de Woody Allen no seu aniversário de 90 anos?


INÁCIO ARAUJO


Às vésperas dos 90 anos que Woody Allen completa neste domingo (30), é quase impossível não indagar como será a comemoração. Viver 90 anos é sempre uma glória, quanto mais para alguém que proclamou publicamente seu medo da morte. Ou por outra, que disse textualmente: "Não tenho nada contra a morte. Só quero não estar presente quando ela chegar." Um desses oximoros que fizeram a sua fama, sem dúvida.


O problema que se impõe hoje é outro. Quem estará a seu lado no dia dos seus 90 anos? Sua imagem foi seriamente manchada desde que sua enteada, Dylan, o acusou de tê-la abusado sexualmente. A discussão sobre o caso durou décadas, tanto a jurídica como a midiática. Seria verdade ou a jovem teria sido influenciada por sua mãe, Mia Farrow, ex-mulher de Allen?


Em tempos de MeToo, ele foi cancelado. Atores que tiveram belos momentos trabalhando com ele, como Michael Caine, acharam melhor se afastar. Atrizes, idem. As que ficaram com ele, sobretudo Scarlett Johnasson, não foram bem-vistas. Falavam de sua relação profissional com o cineasta e comediante. Nunca foram incomodadas por ele.


Com Diane Keaton era um pouco diferente —nem valia a pena criticá-la. Viveu com Woody Allen, fez oito filmes com ele, e basta ver o que ele disse quando ela morreu. Por exemplo, ele não se importava nada, nada mesmo, com o que pudessem dizer de seus filmes. Só o que Keaton dissesse contava.


O escândalo arrefeceu, mas não quer dizer que não volte agora, nos seus 90 anos. Sempre haverá quem se lembre de um filme, "Manhattan", em que um homem maduro —ele mesmo— se apaixona loucamente por uma adolescente. E essa história Allen viveu ao menos uma vez na vida real, com Kristine Engelhardt, então uma jovem de 16 anos. O namoro inspirou o filme.


Nos Estados Unidos dos puritanos do Mayflower, isso seria por si um escândalo. Engelhardt, já senhora, disse que com Allen tudo bem, não se arrependia de ter estado com ele, que não lhe fez mal nenhum, foi muito bom.


A favor dele, contava apenas, a rigor, o fato de Mia Farrow também não ser um primor de equilíbrio. Tanto que, no meio da polêmica, passou a dizer que Ronan, filho dela e de Allen, talvez não fosse filho dele, mas de Frank Sinatra, de quem se divorciou em 1968, mas com quem continuou a manter um caso amoroso. "Caso clandestino", como pontuou o cineasta.


Isso não impediu que ele fosse cancelado. Várias decisões judiciais contrárias não ajudaram o seu caso. O problema, porém, não para aí. Porque é muito mais difícil cancelar uma obra que o coloca entre os grandes comediantes do século 20 do que cancelar, digamos, Harvey Weinstein, o produtor.


O que fazer com tudo o que Allen produziu de relevante nesta vida? Jogar ao mar? É o mesmo que jogar fora boa parte da inteligência americana, do humor judaico, do mito de Manhattan, apenas para começar.


Com comédias, dramas ou comédias dramáticas, Allen foi quem melhor esquadrinhou a complexidade da vida sexual e amorosa —nesta ordem— nas grandes cidades da segunda metade do século passado. Anotou, compreendeu, mas também soube rir da adesão, muitas vezes apenas fingida, às modas intelectuais que se sucediam na época.


Naquele momento, ao contrário de hoje, o movimento era de libertação da sexualidade, com tudo o que isso pode trazer de prazer ou desgosto. Os tempos são outros, não há dúvida. Ainda assim, há algo de irônico no fato de que, ao longo da vida, Allen nunca foi um personagem controverso.


Desde os tempos que escrevia para a TV, nos anos 1950, seu humor já se destacava. Outro comediante célebre, Mel Brooks, lembra que já na época o teor cômico dos dois já era diferente. Allen dava um tiro só, sempre na mosca, lembrou Brooks, enquanto o humor dele mesmo seria do tipo "chumbo grosso" —atirava para todo lado e uma das balas havia de chegar ao alvo.


O primeiro filme Allen que escreveu, "O Que É Que Há, Gatinha?", de 1964, de certo modo confirma essa ideia. Mas o filme era de Peter Sellers e Peter O’Toole e de uma série de atrizes ilustres, a começar por Romy Schneider, sem contar o diretor, Clive Donner. Mas ali ele já introduzia um objeto-chave de sua escrita —a psicanálise.


A história posterior dos dois no cinema confirma essa ideia. Desde "Um Assaltante Bem Trapalhão" (1969), sua primeira direção, Allen impôs o tipo do judeu fraco, feio, esforçado, perseguido e, ainda assim, capaz de ser bem-sucedido.


No filme seguinte, "Sonhos de um Sedutor" (1970), seu primeiro trabalho com Diane Keaton, foi apenas roteirista e ator, mas já o ator principal —trapalhão, sem dúvida, mas também trazia ali o característico traço autoirônico. Em "O Dorminhoco" (1973), como em "A Última Noite de Boris Gruchenko" (1975), entre outros, Keaton já estava de novo ao lado de Allen. O título original do filme seria "Amor e Morte" —os dois temas que mais inquietaram o cineasta ao longo dos anos.


Desses trabalhos nasceu a parceria, a amizade e mesmo o amor entre ambos. A química entre eles pareceu absolutamente perfeita em "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa", de 1977, onde Allen atingiu um dos pontos altos de seu humor em parte pela maneira discretamente sarcástica como olhava para a gente culta e um tanto esnobe de Nova York, que a ele nem sempre parecia tão culta quanto apregoava. Essa comédia dramática —se assim é possível definir— recebeu quatro troféus no Oscar, sendo três para ele —filme, roteiro, direção— e um para Keaton —melhor atriz.


Pouco depois, com "Interiores", de 1979, começa a fase, digamos, bergmaniana de Allen. Mesmo que houvesse alternâncias com filmes menos pesados, demorou um tanto para o cineasta atingir um equilíbrio entre a aproximação com os temas de Ingmar Bergman e a sua própria maneira bem menos grave de estar no mundo. É possível que o equilíbrio entre o que Allen era e o que gostaria de ser tenha sido atingido no belo "Hannah e Suas Irmãs", de 1986.


Quanto ao sexo, ninguém se preocupou em 1979 quando "Manhattan" abordou a paixão fulminante de um homem maduro por uma adolescente. Ao contrário, a publicidade logo mitificou Mariel Hemingway, a neta do escritor Ernest Hemingway. O tempo acabou demonstrando que tantos os publicitários como Allen haviam errado —Mariel não era uma atriz muito talentosa.


Os filmes bem-sucedidos não pararam. Eram quase sempre provocativos no setor vida amorosa, e nele a fluência verbal fazia lembrar Groucho Marx, que se articulava a uma mímica muito pessoal, em que euforia, depressão, mau jeito e sedução se acumulavam.


E inteligência, também. Assim vieram "A Rosa Púrpura do Cairo" (1985), "A Era do Rádio" (1987), "Tiros na Broadway" (1994), "Meia-Noite em Paris" (2012), entre outros. Ora existe evocação do passado, ora dos mistérios da criação. Ora mesmo, como em "Zelig" (1983), da capacidade de adaptação às situações que se apresentam.


E, diga-se, Allen soube adaptar-se como um mestre ao tiroteio que veio no momento em que chegava ao fim o relacionamento com Mia Farrow e ele se preparava para casar com sua enteada (adolescente) Soon-Yi Previn. Tudo começa em 1992. Vários processos judiciais ainda aconteceriam, Allen ainda ganharia um Oscar de roteiro original por "Meia-Noite em Paris" e um Globo de Ouro honorário em 2014.


"Blue Jasmine", em 2013, já traz um quê sombrio e evoca o teatro de Tennessee Williams, com mais humor. O sombrio se manifestaria plenamente em "Roda Gigante", de 2017. Daí por diante, não havia Zelig capaz de contornar os processos perdidos, os cancelamentos, a impossibilidade de produzir.


Não importa que suas atrizes se recusassem, de modo geral, a dizer uma palavra contra ele. As portas fecharam-se. Mesmo a Amazon, que produzira "Um Dia de Chuva em Nova York" (2019), decidiu não distribuir o filme e cancelou um contrato para mais quatro filmes com Allen.


Atropelado pelo MeToo nos Estados Unidos, restou-lhe a Europa, a França em especial, que sempre o acolheu, e onde filmou o estranho "Golpe de Sorte", de 2023, onde aplica em Paris o espírito de Nova York. Tem humor, mas Paris não é Nova York, como aliás lembrou Caetano Veloso em um belo samba —o humor saiu chocho, melancólico.


Com tudo isso, o certo é que Woody Allen chega aos 90 anos sem brilhos e bolhas, firme no casamento com Soon-Yi, com uma bagagem invejável no cinema e na literatura e com o peso da acusação de assédio sexual sempre sobre sua cabeça.


Ele pode dizer que não merecia isso, como Gene Hackman em "Os Imperdoáveis". Mas o outro pistoleiro do filme, vivido por Clint Eastwood, respondia na lata: "Merecer não tem nada a ver com isso." E bam!


Onde ver os principais filmes de Woody Allen no streaming


Bananas (1971)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Tudo o que Você Sempre Quis Saber sobre Sexo, Mas Tinha Medo de Perguntar (1975)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)

Onde ver: Disponível no Prime Video e no Oldflix


Manhattan (1979)

Onde ver: Disponível para aluguel nas plataformas digitais


A Rosa Púrpura do Cairo (1985)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Hannah e Suas Irmãs (1986)

Onde ver: Disponível no Prime Video


A Era do Rádio (1987)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Match Point (2005)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Scoop: O Grande Furo (2006)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Tudo Pode Dar Certo (2009)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Meia-Noite em Paris (2011)

Onde ver: Disponível para aluguel nas plataformas digitais


Para Roma com Amor (2012)

Onde ver: Disponível para aluguel nas plataformas digitais e no canal Diamond Films+ do Prime Video


Blue Jasmine (2013)

Onde ver: Disponível no PlutoTV e para aluguel nas plataformas digitais


Magia ao Luar (2014)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Homem Irracional (2015)

Onde ver: Disponível na Netflix


Um Dia de Chuva em Nova York (2019)

Onde ver: Disponível na Netflix


Golpe de Sorte em Paris (2023)

Onde ver: Disponível no Prime Video


Inácio Araujo

Crítico de cinema da Folha


Foto: O cineasta Woody Allen em foto de 2014 - Damon Winter - 9.jul.14 / The New York Times.


FSP 28.11.2025

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Josué Leonel

 *Cinco assuntos quentes para o Brasil na próxima semana*


Por Josue Leonel


(Bloomberg) -- A próxima semana será guiada por dados econômicos relevantes para as expectativas sobre as taxas de juros no Brasil e no exterior, em meio à tensão política em Brasília. O PIB brasileiro deve ajustar expectativas para o Copom de dezembro, após sinais mais duros do Banco Central e indicadores mistos de emprego. No câmbio, mercado monitora o volume da rolagem de swaps e o pico sazonal de remessas. Indicadores nos EUA, fala de Jerome Powell e decisão da Opep+ sobre petróleo também estarão no radar, em semana que terá ainda o sorteio da Copa do Mundo. Veja destaques:


*PIB e apostas para o Copom*


O PIB do terceiro trimestre sai na próxima semana e deve confirmar desaceleração moderada da atividade, mantendo a avaliação de que a economia ainda opera aquecida. A divulgação ocorre após dados contraditórios do mercado de trabalho e depois das falas mais duras do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que reduziram a precificação de corte da Selic no início de 2026. Além do PIB, saem dados da indústria e expectativas da pesquisa Focus, que também podem ser relevantes para calibrar as apostas na decisão da próxima reunião de política monetária do BC, entre os dias 9 e 10 de dezembro.


*Swaps cambiais e remessas*


O Banco Central definiu que iniciará em 1º de dezembro a rolagem dos swaps que vencem em janeiro e afirmou que ajustará o volume diário conforme a demanda. O mercado ficará de olho no volume dos leilões. No encerramento da rolagem anterior, o BC elevou o volume para 50.000 contratos, indicando rolagem quase integral do vencimento. A rolagem vinha antes sendo feita regularmente com volume de 45.000 swaps. O vencimento total de 2 de janeiro é de 656.000 contratos. O câmbio enfrenta a pressão sazonal de dezembro, mês de fortes remessas de lucros e dividendos — que podem chegar a até US$ 10 bilhões, segundo analistas — ampliadas por debates tributários e pela proximidade do ciclo eleitoral. O fluxo pode aumentar a volatilidade do real e exigir atuações pontuais do BC.


*Dados nos EUA e China, Powell*


Nos EUA, os próximos dias trarão informações importantes para balizar as expectativas de corte de juros do Federal Reserve em dezembro, com destaque para os indicadores de atividade ISM e para os índices de preços PCE e PPI. No fim de semana, também começa o período de silêncio do banco central americano. Na segunda-feira, o presidente do Fed, Jerome Powell, participa de evento. Na China, os PMIs oficiais e privados indicarão a força da recuperação, com impacto direto sobre os preços de commodities. Outro destaque, em 5 de dezembro, é o sorteio para a Copa do Mundo, que será sediada nos três países da América do Norte. A presidente mexicana Cláudia Sheinbaum disse que seu primeiro encontro cara a cara com Donald Trump pode acontecer durante o sorteio, em Washington. Ela afirmou nesta quinta-feira que aguarda o presidente dos EUA e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, confirmarem presença no sorteio antes de decidir se irá comparecer.


*Petróleo e risco geopolítico*


A Opep+ se reúne neste final de semana para discutir ajustes de capacidade e possíveis cortes adicionais para conter a queda do petróleo. Os delegados afirmaram que os países do grupo provavelmente manterão a decisão de suspender o aumento da produção de petróleo no início de 2026. O mercado também acompanha as negociações entre Rússia e Ucrânia, que podem mexer com os preços da commodity. Um possível acordo de paz entre os países pode ter repercussões significativas para o mercado de petróleo, já que qualquer flexibilização das sanções ocidentais abriria espaço para liberar o fornecimento russo, elevando ainda mais oferta.


*Governo x Congresso*


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta crescente desgaste na relação com o Congresso, que culminou na derrubada de uma série de vetos presidenciais. A tensão foi agravada pela resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, além da insatisfação com a distribuição de emendas parlamentares, segundo pessoas com conhecimento do assunto. O governo tenta adiar a sabatina, programada para o dia 10, diante do risco de rejeição, dizem os jornais. As articulações para 2026 também têm peso no cenário político, com os partidos do centrão de olho em uma candidatura da oposição liderada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

BDM Matinal Riscala

Mais hawkish, impossível ​ 28 de novembro de 2025 Por Rosa Riscala e Mariana … A liquidez deve continuar fraca nesta Black Friday, com horários reduzidos nas bolsas de Nova York (fecham às 15h) e no mercado de Treasuries (fecham às 16h), sem indicadores na agenda dos Estados Unidos. No Brasil, saem o resultado primário de outubro e a Pnad Contínua, mas sem esperanças de que possam decidir o Copom de janeiro. Nesta quinta, Galípolo cortou as asas do mercado ao dizer que o BC “não se emociona” com um dado específico – talvez em referência ao Caged, que mostrou criação de empregos bem abaixo do esperado – e que segue perseguindo o centro da meta, leve o tempo que levar. No calendário corporativo, destaque para o Novo Plano de Negócios da Petrobras. CORTOU AS ASAS – “Seguimos vigilantes e conservadores”, disse Galípolo em tom de brincadeira, após seu entrevistador Bruno Serra no evento da Itaú Asset admitir que não conseguiu “arrancar” nenhuma novidade do presidente do BC sobre a política monetária. … Quem assistiu ou acompanhou a palestra achando que poderia vir um recado um pouquinho menos hawkish, ouviu o que não queria. … O dia tinha começado bem, com o Caged de outubro indicando a geração de 85 mil vagas com carteira assinada, abaixo das estimativas do mercado (120 mil) e com forte desaceleração em relação aos empregos criados em setembro (213 mil). … A curva de juros esperou em baixa a fala de Galípolo à tarde, mas zerou as quedas nos contratos curtos assim que ele começou a falar. … Do princípio ao fim, repetiu o discurso de sempre e, embora tenha admitido que as coisas estejam no rumo imaginado pelo BC, disse que elas ainda estão andando “muito lentamente”, que a economia continua “muito resiliente”, mesmo com os juros elevados. … Além disso, afirmou que os juros serão mantidos no nível que for necessário e pelo tempo que for necessário para levar a inflação ao centro da meta de 3%. “Não vejo nenhum dado que surgiu nesse ciclo que promova qualquer mudança de direção para a gente.” … Reprisou a ata do Copom ao dizer que a taxa básica em 15% ao ano “é um patamar restritivo adequado”, e resgatou o alerta de que o “BC jamais vai se furtar de fazer o ajuste que for necessário”, comentando que “no Brasil sempre é possível acontecerem coisas”. … Galípolo ainda acrescentou um novo fator de atenção, ao destacar que o mercado de crédito continua crescendo de maneira “bastante surpreendente”, tendo em vista o nível atual da Selic, o que demanda “vigilância e conservadorismo” do BC. … O fiscal também entrou no mix das preocupações destacadas por ele, quando lançou dúvidas sobre medidas que são neutras para o Orçamento, mas podem ter impacto sobre a demanda e a inflação (como a reforma do Imposto de Renda, por exemplo). … Segundo o presidente do BC, isso “há algum tempo” está presente nas expectativas de inflação do mercado. … Apesar de todo o esforço de comunicação, Galípolo reduziu muito pouco a chance de um corte de 25 pontos-base em janeiro precificada na curva a termo, com um recuo de 80% na véspera para 73% no fechamento dos negócios na B3 (leia mais abaixo). O PESO DA ELEIÇÃO – Em encontros com economistas de São Paulo, nesta quinta-feira, os diretores do BC Diogo Guillen e Paulo Pichetti foram questionados sobre uma possível influência da corrida eleitoral de 2026 no ciclo de afrouxamento monetário da Selic. … Segundo participantes da reunião relataram à Agência Estado, foi manifestada a preocupação de que pode haver algum tipo de estresse na curva de juro e no câmbio em meio ao período pré-eleitoral, aumentando o grau de incerteza com o qual o BC terá que lidar. … As apostas dos economistas presentes sobre o início dos cortes se dividiam entre janeiro, março (maioria) e abril, e quase todos concordam que dificilmente haverá uma sinalização mais sólida por parte do Copom sobre quedas já no próximo comunicado de dezembro. … Quanto ao tamanho do ajuste total, houve também um consenso de que a Selic cairá no máximo a 12% ou 12,5%. … Os economistas consideram que o IPCA tem se mantido relativamente controlado e pode fechar o ano abaixo do teto da meta, de 4,5%, mas alertam que a desaceleração tem sido mais puxada pelos alimentos e pela queda do dólar, enquanto os serviços seguem pressionados. PNAD CONTÍNUA – Um dia depois do Caged bem abaixo das projeções, a taxa de desemprego do trimestre móvel encerrado em outubro, que o IBGE divulga às 9h, promete apontar um mercado de trabalho ainda aquecido. … A expectativa é de taxa de desemprego mais baixa, diante das vagas temporárias de fim de ano. A mediana do mercado indica recuo para 5,5% na Pnad Contínua, que, se confirmada, seria o novo piso da série histórica. … O dado deve interromper três meses de estabilidade em 5,6%. As projeções no Broadcast variam de 5,4% a 5,7%. MAIS AGENDA – Antes da Pnad, o BC divulga às 8h30 o resultado consolidado do setor público em outubro, que deve reverter o saldo negativo de R$ 17,452 bilhões em setembro e registrar um superávit primário de R$ 34,10 bilhões. … As estimativas são todas positivas no Projeções Broadcast e variam de R$ 30,6 bilhões a R$ 37,1 bilhões, após as contas do Governo Central (+R$ 36,5 bilhões) terem sido impulsionadas pela sazonalidade positiva de recolhimento de IRPJ e CSLL. … O dado fiscal será comentado em entrevista de imprensa à tarde, às 15h, para evitar conflito de horário com a coletiva do diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan, que irá detalhar às 10h30 os votos aprovados ontem pelo CMN. … Aneel define hoje a bandeira tarifária de dezembro da conta de luz. PETROBRAS – Na noite de ontem, a companhia anunciou ter aprovado investimentos de capital (capex) de US$ 109 bilhões no plano estratégico dos próximos cinco anos, volume 1,8% menor que os US$ 111 bilhões do plano vigente. … O resultado veio dentro do intervalo esperado por analistas consultados pelo Valor Econômico. … Do total de investimentos anunciados, US$ 81 bilhões estão garantidos, US$ 10 bilhões foram colocados para revisão trimestral até 2027 e outros US$ 18 bilhões serão analisados futuramente pela petroleira. … Para 2026, o capex informado foi de US$ 19,4 bilhões, inferior aos US$ 19,6 bilhões previstos no plano anterior. … Dentro do novo plano estratégico de 2026 a 2030, US$ 78 bilhões serão voltados para o setor de Exploração e Produção (E&P), montante US$ 1 bilhão maior do que o observado no plano vigente, entre 2025-2029. … A estimativa da empresa para a remuneração dos acionistas é de dividendos ordinários entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões, de acordo com o documento enviado à CVM. Dividendos extraordinários não são citados para o período. … Os proventos extras não eram mesmo esperados pelo mercado. A estatal prevê que a geração de caixa para os próximos cinco anos ficará entre US$ 190 bilhões e US$ 220 bilhões. O plano será comentado em webcast às 16h30. GUERRA ABERTA – Em dura derrota para o presidente Lula após a COP30, o Congresso derrubou todos os 52 vetos ao Licenciamento Ambiental que foram colocados em votação, nesta quinta-feira. Outros 11 vetos presidenciais serão avaliados posteriormente. … O revés é mais um reflexo do rompimento do Senado com o Executivo, que tem como motivo a indicação de Jorge Messias ao STF. … Entre os vetos derrubados mais sensíveis à área ambiental está a licença autodeclaratória que não depende de aprovação de órgão ambiental para que uma obra seja executada. Outro veto derrubado trata da autonomia dos Estados para licenciar os empreendimentos. … Ambientalistas reagiram à derrubada dos vetos do Novo Licenciamento Ambiental, dizendo que o autolicenciamento, a flexibilização da proteção da Mata Atlântica e o afastamento de indígenas das consultas colocam em risco as metas assumidas pelo Brasil na COP30. … O Observatório do Clima afirmou que Alcolumbre “traiu” o acordo feito com Lula ao pautar a derrubada dos vetos, lembrando que o presidente baixou a Medida Provisória que acelerava os prazos da Licença Ambiental Especial, criada pelo presidente do Senado. … A ministra Gleisi Hoffmann afirmou que o governo já avalia a possibilidade de judicializar a decisão do Congresso. … Na Folha, Alcolumbre afirmou a aliados ter 60 votos (dos 41 necessários) para rejeitar a indicação de Messias ao STF. O presidente do Senado ameaça com sessão-relâmpago para evitar o mínimo necessário para Messias assumir. ANTIFACÇÃO – Alcolumbre também informou que colocará em votação na próxima semana o projeto de lei Antifacção, aprovado pela Câmara na semana passada com várias mudanças articuladas pela oposição no relatório do deputado Guilherme Derrite (PL). … Com a relatoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o governo esperava o apoio do Senado para recuperar alguns itens da proposta de sua autoria. Mas, diante do clima de guerra com Alcolumbre, isso já não é mais uma garantia. … Alessandro Vieira é considerado um nome independente, sem fortes ligações nem com o governo e nem com a oposição. As principais críticas do Planalto são em relação à questão do financiamento da Polícia Federal e o risco de sobreposição de leis. BOLSONARO –A oposição busca transformar o desgaste entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em uma janela de oportunidade para destravar uma saída legislativa que permita retirar Jair Bolsonaro do regime fechado. … A avaliação é de que o governo perdeu a capacidade de coordenação mínima do Congresso e que, pela primeira vez desde o início da discussão sobre anistia, o ambiente político no Senado se tornou mais favorável do que na Câmara. A ideia é começar pelo Senado. DEVEDOR CONTUMAZ – Na Câmara, o presidente Hugo Motta designou o deputado Antônio Carlos Rodrigues (PL) como o relator do projeto de lei que define punições para contribuintes que não pagam seus débitos de forma intencional e reiterada. … Importante para a equipe econômica, deputados do PT fecharam questão para votar em peso no PL, com 67 votos. … O deputado Lindbergh Farias, com quem Motta rompeu, espera que a operação contra o Grupo Refit – um dos maiores devedores de impostos da União, com dívida estimada em R$ 26 bilhões – leve à votação do projeto do devedor contumaz na próxima terça-feira. LÁ FORA – Saem a leitura preliminar de novembro da inflação ao consumidor (CPI) da Alemanha (10h), as vendas no varejo alemão em outubro (4h), além do PIB do terceiro trimestre da França (4h45), Portugal (8h) e Canadá (10h30). JAPÃO HOJE – A inflação ao consumidor em Tóquio, que é vista como um indicador antecipado da tendência nacional, subiu 2,8% em novembro, mesmo ritmo registrado em outubro, e superou o consenso de 2,7%. … Do lado da atividade, a produção industrial aumentou inesperadamente em outubro, apesar do impacto do tarifaço. O dado cresceu 1,4% em outubro, após a alta de 2,6% em setembro, e contrariou a queda de 0,6% esperada. … Os indicadores reacendem a expectativa de um aperto monetário na próxima reunião do BoJ, dia 19 de dezembro. O HOMEM DE GELO – Incorporado no papel hawkish e insensível aos apelos por corte da Selic, Galípolo mantém a fama de mau, mas nem assim convence a curva a termo a limpar as apostas de queda do juro em janeiro. … O mercado quer esperar até o último momento (dia 10), quando o Copom tem reunião marcada, para ver se não há mesmo esperança de o BC já engatilhar o início do ciclo de desaperto monetário no primeiro encontro de 2026. … Deu para ver que, apesar de Galípolo, continuam bem elevadas (73%) as apostas de flexibilização em janeiro. … Seja como for, a ponta curta dos juros futuros cumpriu ontem o ajuste aos comentários conservadores do presidente do BC, devolveu o alívio observado mais cedo com o Caged e operou com viés de alta na parte da tarde. … O vencimento de Jan/27 subiu a 13,550%, contra 13,523% na véspera, e o Jan/29 foi de 12,705% para 12,720%. … Já os prazos mais longos, que chegaram a operar pela manhã nas mínimas em um ano, acomodaram-se em leve queda para o fechamento: Jan/31, a 13,010% (de 13,024% no pregão anterior); e Jan/33, a 13,190% (de 13,215%). … No câmbio, o dólar corrigiu parte da queda recente (-1,24% nos três pregões anteriores) e subiu 0,33%, de volta à faixa de R$ 5,35, cotado a R$ 5,3521, em meio aos interesses dos comprados na véspera da briga da ptax. … Lá fora, com a liquidez comprometida pelo feriado americano, o índice DXY registrou queda marginal de 0,03%, a 99,561 pontos, enquanto o mercado ignora a cautela e mantém no radar um corte pelo Fed em dezembro. … A libra fechou estável, a US$ 1,3239, interrompendo o alívio com o orçamento britânico. Investidores seguem receosos com a trajetória da dívida do Reino Unido, mesmo após o anúncio de uma série de aumento de impostos. … O euro também operou estável (-0,01%), negociado a US$ 1,1598, e o iene subiu para 156,31 por dólar. EFEITO COLATERAL – O coração de pedra de Galípolo ajudou a roubar as forças do Ibovespa, um dia depois do mais novo recorde histórico da bolsa. Mas a correção foi leve e o índice à vista ainda defendeu a faixa dos 158 mil pontos. … Fechou em baixa de 0,12%, aos 158.359,76 pontos. Reduzido à metade de um pregão normal, o volume financeiro se limitou a R$ 12,4 bilhões, com os mercados em Nova York todos fechados para o feriado do Thanksgiving Day. … Apesar de esvaziada, em alguma medida, a perspectiva de que a Selic saia de 15% no curtíssimo prazo, o bom desempenho das ações da Petrobras ontem ajudou a amortecer a queda do Ibovespa e manter a bolsa perto do pico. … As ações da Petrobras (ON +0,80%, a R$ 34,22; e PN +0,53%, a R$ 32,40) fecharam nas máximas do dia, à espera do anúncio do plano de negócios da estatal para os próximos cinco anos e em linha com o avanço do petróleo. … O barril do Brent para fevereiro fechou em alta de 0,52%, a US$ 62,87, antecipando que, na reunião de domingo, a Opep+ vai manter a produção da commodity estável no primeiro trimestre de 2026, sinalizando cautela com a oferta. … Além disso, os investidores monitoram o andamento das negociações do acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, porém sem expectativa de algo conclusivo no curto prazo. O deadline desejado (ontem) passou sem um desfecho. … O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, irá se reunir com Putin na semana que vem, mas o líder russo já avisou que só irá interromper os ataques se os ucranianos retirarem suas tropas dos territórios reivindicados. … Em pronunciamento em vídeo, Zelensky afirmou que as delegações da Ucrânia e dos Estados Unidos se reunirão nestes próximos dias e também na próxima semana para discutir uma fórmula para a paz e a segurança. … Putin afirmou que Moscou já controla 70% da cidade estratégica de Pokrovsk, no leste da Ucrânia, informação rebatida pelo comando militar de Kiev, que diz estar contra-atacando, com combates intensos na região. … A localidade é chamada de “porta de entrada para Donetsk”, permitindo às tropas russas avançar em direção às duas maiores cidades ainda controladas pela Ucrânia em Donetsk: Kramatorsk e Sloviansk. … De volta ao Ibovespa, os papéis da Vale foram na contramão da alta de 0,44% do minério de ferro e registraram queda moderada 0,38%, a R$ 66,33. Na próxima terça-feira, acontece o Vale Day com investidores, em Londres. … Também a falta de fôlego dos bancos manteve a bolsa em terreno levemente negativo. Itaú perdeu 0,34% (R$ 40,71); Bradesco PN, -0,20% (R$ 19,48); e BB -0,27% (R$ 22,16). Santander unit fechou estável (+0,09%; R$ 34,22). CIAS ABERTAS NO AFTER – VALE aprovou a distribuição de dividendos e JCP, como antecipação de destinação do resultado do exercício de 2025, totalizando R$ 3,5817 por ação ordinária e por ação preferencial da classe especial… … Em 7 de janeiro, será pago o valor de R$ 1,2441/ação, sob a forma de dividendos; em 4 de março, será pago R$ 0,7681/ação, também sob a forma de dividendos, e de R$ 1,5695 por ação, sob a forma de JCP; ex em 12/12… … Pagamentos aos titulares de ADRs ocorrerão a partir de 14 de janeiro e 11 de março, respectivamente, e serão realizados por meio do agente depositário dos ADRs da Vale. ITAÚ. O conselho de administração aprovou o pagamento de dividendos e JCP no montante total de R$ 23,4 bilhões. O dividendo de R$ 1,868223 por ação será pago em 19/12 e o JCP de R$ 0,369750, até 30 de abril. Ex dia 10/12. GPA contratou empréstimo junto ao Rabobank no valor de 75 milhões de euros (R$ 470 milhões) para promover o alongamento integral de dívida com vencimento em julho de 2026. AXIA ENERGIA (ex-Eletrobras) convocou AGE para o próximo dia 19 com o objetivo de submeter a acionistas uma ampla reorganização societária que permitirá a distribuição de até R$ 39,9 bilhões acumulados em reservas de lucro. SANTOS BRASIL informou que foi aprovado em assembleia geral o resgate compulsório da totalidade das suas ações ordinárias ainda em circulação, no âmbito da oferta pública para aquisição de ações (OPA) da companhia… … Preço do resgate compulsório será idêntico a preço da OPA (R$ 14,38), ajustado pela Selic acumulada desde 16/9, dia da liquidação da OPA, até data do efetivo pagamento de preço do resgate, que deve ocorrer em até 15 dias… … Com aprovação do resgate, encerra-se prazo de três meses para aquisições adicionais previsto no edital da OPA. TOTVS informou que sua subsidiária Totvs Large Entreprise Tecnologia celebrou contrato para aquisição da totalidade do capital social da Suri por R$ 28 milhões. AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

Bankinter Portugal Matinal

Análise Bankinter Portugal SESSÃO: Hoje voltamos a ter uma sessão a meio gás. Embora os EUA reabram após a celebração de Ação de Graças de ontem, só farão meia sessão. Será, portanto, uma sessão semifestiva, em que esperamos movimentos moderados nas bolsas, provavelmente em alta. A atenção muda temporariamente para o consumo, se a IA o permitir, já que hoje começa a campanha de Natal com a Black Friday. Será um bom termómetro da confiança do consumidor americano, num contexto de guerra comercial e após o encerramento da administração americana mais longo da história, e o saldo esperado é bastante decente (+3,7%/+4,2% a/a). Na Europa, teremos inflações de alguns países europeus, entre os quais se destaca o IPC da Alemanha e França, que poderão aumentar uma décima, embora seja pouco provável que influenciem as expetativas de taxas de juros do BCE. Também na Alemanha, hoje poderá ser aprovado um orçamento de despesa em defesa de 2.900 M€. Em suma, hoje temos sessão a meio gás, com escasso volume e onde as bolsas poderão subir timidamente. A ser assim, o S&P500 terminaria novembro sem alterações significativas, depois de ter chegado a cair -4,5% no mês. Novo sinal de como o mercado se recompõe rapidamente após as correções pontuais. Nova Iorque fechada; Tech EUA fechado; Semis EUA Fechado; UE 0,0% Espanha +0,0% VIX 17,2% Bund 2,68% T-Note fechado (4,00% esta manhã) Spread 2A-10A USA=+51pb B10A: ESP 3,16% PT 3,00% FRA 3,41% ITA 3,40% Euribor 12m 2,21% (fut.2,24%) USD 1,158 JPY 181,1 Oro 4.187$ Brent 63,6$ WTI fechado (59,1$ esta manhã) Bitcoin 0,0% (91.373$) Ether -0,1% (3.011$).

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Diario de um economista

 Falemos da elaboração da tese de doutorado. Meu projeto versava sobre como avaliar cerca de 10 países, num período de 1990 a 2018. Neste contexto, objetivo seria pegar dados em painel e analisar como estes países, em maioria, emergentes, conseguiram performar nas suas políticas públicas a contento. 

Problema aqui foi se confrontar com o cipoal de modelos que começavam a ser feitos, e muito se aceleraram nestes últimos anos. Nunca havia me interado sobre programação, muito menos conhecia os modelos macro dinâmicos da fronteira, como o DGSE, Dynamic General Stocastic Economic. Não foi nada fácil ou simples. Até porque eu não teria mais aulas, aceitei uma proposta tutorial, que acabou se mostrando um erro. Há muitos anos não tinha contato com o que havia de mais moderno no meio acadêmico. 

Mercado ansioso

🇧🇷 *Tarcísio: mercado financeiro é muito ansioso, precisa ter calma* Broadcast: - O governador de São Paulo afirmou há pouco, no Annual Meeting realizado pela XP Asset Management, que o anúncio do nome que irá concorrer às eleições presidenciais do próximo ano deverá acontecer no início do próximo ano. _"Eu acredito que saberemos no início do ano que vem"_, respondeu ao mediador que questionou quem será o candidato da direita no próximo ano. Ele seguiu dizendo: _"Precisamos ter um pouco de calma. O mercado é muito ansioso mesmo. O mercado gosta de precificar tudo muito rapidamente"_. Tarcísio expressou compreensão pela preocupação do mercado e reconheceu a justificativa para tal preocupação: _"O mercado está preocupado e tem razão para estar preocupado"_. Neste momento, ele citou que, em caso de reeleição do PT, o partido teria de fazer reformas ou o Brasil vai quebrar. _"Qual a alternativa que essa turma (PT) tem a oferecer para o Brasil?"_, questionou, ressaltando que, se tiver mudança política ano que vem, entrará uma turma que "sabe exatamente o que fazer". Sobre possíveis nomes da direita em 2026, Tarcísio disse que _"não tem ninguém com essa ânsia de ser protagonista"_. _"Não vamos entrar divididos, vamos estar unidos e seremos fortes"_, afirmou o governador. Perguntado sobre a prisão de Jair Bolsonaro, Tarcísio disse é preciso resolver a situação do ex-presidente para pacificar o País. "Precisamos ajudar a grande liderança da direita que é Jair Bolsonaro para 2026", afirmou. *Tarcísio diz que direita pode atrair 'massa de centro' em 26 e que deve 'governar com congresso'* - Tarcísio de Freitas afirmou que o projeto da direita em 2026 terá condições de "angariar simpatia da massa de centro" na eleição presidencial de 2026. Segundo ele, as alternativas que o campo oposicionista colocará na disputa têm "rejeição muito menor" do que a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cuja taxa negativa, afirmou, "está cristalizada". O governador disse esperar uma tentativa dos adversários de colarem no candidato de oposição "algumas bandeiras" associadas ao bolsonarismo, mas avaliou que essa estratégia será "ineficaz" diante do que chamou de "bons quadros" da direita. Tarcísio afirmou que o eleitorado busca "um grande projeto nacional" e que o campo conservador terá condições de apresentá-lo. "Quando você avalia alternativas, você vai perceber que essas alternativas têm uma rejeição muito menor. O Lula tem uma rejeição muito alta, está cristalizada", disse o chefe do Executivo paulista durante o Annual Meeting realizado pela XP Asset Management. "E eu acredito o seguinte: no final, o projeto de país, esse projeto, vai nos dar a possibilidade de angariar simpatia e adesão daquela massa que fica mais ao centro, que tende ora para cá, ora para lá, sem trazer a rejeição." Ele também defendeu a centralidade do Congresso em um eventual governo de oposição. Para o governador, será "fundamental" que o próximo presidente governe em parceria com o Legislativo. Tarcísio classificou o Congresso atual como "absolutamente reformista" e lembrou que a Casa aprovou, nos últimos anos, reformas estruturais e medidas pró-mercado. "Este Congresso que está aí, com alguma renovação, foi o mesmo que aprovou a reforma trabalhista, a reforma tributária, a reforma da Previdência, o marco do saneamento, a Lei do Gás, a autonomia do Banco Central, a Lei das Agências", continuou. "Poucos presidentes, na história recente, tiveram essa habilidade de tornar o Congresso sócio das realizações." Tarcísio afirmou ainda que a disputa de 2026 será marcada por desinformação. "Vai ter muita fake news. O PT gosta muito de fazer isso", declarou, acrescentando que, apesar disso, considera que a população está "mais vacinada" contra estratégias de desconstrução. *Lula tem rejeição acima de 50%; PT não conseguiu lidar com segurança pública* O governador afirmou que o presidente Lula tem uma rejeição acima de 50% e que o PT não conseguiu lidar com a questão da segurança pública. Tarcísio também seguiu com algumas afirmações com relação ao atual governo. "A maioria absoluta da população diz que Lula não deveria disputar reeleição". Avaliou que a população não está se enxergando nas propagandas do realizadas pela PT. *Congresso é absolutamente reformista, disposto a entregar um projeto interessante* Tarcísio de Freitas, afirmou que o atual Congresso é absolutamente reformista e disposto a entregar um projeto interessante para o País e que poucos presidentes tiveram habilidade de tornar o Congresso sócio das realizações. Comentou que será fundamental que o próximo presidente governe com o Congresso. Além disso, ele ressaltou que o Brasil necessita de reforma orçamentária, que vai precisar desvincular receita e que a agenda que deve ser tocada pelo próximo mandatário precisa ser conhecida por todos. O governador disse ainda que uma eventual vitória da direita significa apreciação de câmbio, queda de inflação e juros. *Não acho nenhum absurdo você ter prisão perpétua no Brasil* O governador afirmou ser simpático à prisão perpétua no Brasil diante do elevado número de sucessivos crimes que são praticados por um único criminoso. "Já chegamos a prender ladrão do celular aqui 33 vezes e esse cara é liberado em audiência de custódia", afirmou, acrescentando que o cidadão quer ver o recurso de bens apreendidos voltando para o Estado e sendo utilizado no combate ao crime organizado. "E aí a mudança de legislação é bem-vinda e necessária, algumas mudanças que sejam até radicais. Eu não acho, por exemplo, nenhum absurdo você ter a prisão perpétua no Brasil", disse. Citou como exemplo a eventualmente ser seguido a política de segurança pública do presidente Nayib Bukele, de El Salvador, de tolerância zero ao crime organizado e uso da força bruta para seu combate. "Veja o que foi feito em El Salvador, o que era e o que é", disse. Por Jean Mendes, Geovani Bucci, Altamiro Silva Junior e Cynthia Decloedt

Moody mantém estável nota do BRASIL

A agência Moody's concluiu revisão periódica das notas de crédito soberanas do Brasil, mantendo o rating em Ba1 — um degrau abaixo do grau de investimento — e perspectiva estável. A decisão reflete a resiliência da economia brasileira frente a tarifas internacionais, com impacto limitado graças à diversificação e baixa vulnerabilidade externa. A agência elogia reformas estruturais de governos recentes, mas alerta para polarização política, rigidez orçamentária e Selic em 15% como freios ao upgrade. Pontos positivos incluem crescimento sólido e posição externa favorável, enquanto desafios envolvem custos de dívida elevados e lentidão em reformas fiscais. Para elevar a nota, Moody's cobra consenso por cortes em gastos rígidos e desvinculação de benefícios do salário mínimo.

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Quinta Feira, 27 de Novembro de 2.025.



*Caged e Galípolo são destaques em pregão sem NY*


… Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos fecha os mercados em Nova York e tira a liquidez dos pregões domésticos, inclusive amanhã, quando as bolsas funcionam em horários reduzidos. Investidores saíram para o feriado animados com as chances de corte do juro no Fed de dezembro, validadas pelo Livro Bege. A festa em Wall Street derrubou o dólar frente ao real e contagiou o Ibovespa, que voltou a bater recorde histórico, aos 158 mil pontos, com apostas de que a Selic também começará a cair em janeiro. Após o IPCA-15 um pouco acima do previsto, hoje estão na agenda o IGP-M, dados do Caged e mais uma fala de Galípolo, em evento da Itaú Asset.


EMPREGO DESACELERA – A expectativa para o Caged de outubro, que será divulgado às 14h30, é de criação de 120 mil empregos, segundo a mediana de pesquisa Broadcast, perdendo ritmo em relação a setembro, que registrou saldo positivo de 213 mil vagas.


… O mercado de trabalho robusto tem sido citado de forma recorrente pelo BC como uma pressão inflacionária preocupante e um dos fatores que mantém a inflação de serviços. A taxa de desemprego, que sai amanhã com a Pnad Contínua, se mantém nas mínimas históricas.


… A se confirmar a desaceleração mais consistente prevista em outubro, é provável que o mercado avance nas apostas de queda dos juros no primeiro Copom de 2026, que já são amplamente majoritárias na curva de juros, embora economistas estejam divididos sobre março.


… O que o mercado espera para firmar essa expectativa é que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, adote um tom menos hawkish. Até aqui, ele tem sido duro na queda, insistindo que sua missão é perseguir o centro da meta e que os juros ficarão elevados por um longo tempo.


… A palestra de hoje na Itaú Asset Management, em São Paulo, começa às 15h. O evento é aberto à imprensa e será transmitido online.


IPCA-15 – Nesta quarta-feira, a preliminar da inflação de novembro em 0,20%, pouco acima da mediana esperada (0,18%), causou alguma correção nos juros curtos, que só perderam o viés de alta perto do fechamento (leia abaixo).


… No entanto, o resultado trouxe avaliações divergentes e algumas casas não viram os números com preocupação.


… Para o Santander, as surpresas de alta foram mais concentradas em itens voláteis e o processo de desinflação segue em curso. Também a XP avalia que a desaceleração inflacionária segue sustentada, principalmente, por alimentos e bens industriais.


… A nota de preocupação veio com os serviços intensivos em mão de obra, que avançaram de 6,8% para 7,3% entre outubro e novembro.


IGP-M – Hoje, o Índice Geral de Preços do Mercado deve subir 0,28% em novembro, após cair 0,36% em outubro, impulsionado pelos preços ao produtor, com avanço dos produtos agropecuários e industriais no atacado, segundo economistas.


… A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulga o IGP-M de novembro às 8h.


MAIS AGENDA – O Tesouro divulga às 14h30 o relatório mensal da dívida pública de outubro, com coletiva na sequência (15h).


CMN – Depois do evento da Itaú Asset, Gabriel Galípolo participa de reunião do Conselho Monetário Nacional por meio eletrônico, junto com os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento), com resultados às 18h.


… Diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, participa de evento da FGV em São Paulo (18h30).


PETROBRAS – Investidores aguardam hoje o Novo Plano estratégico da companhia para o período 2026-2030, que, segundo analistas consultados pelo Valor Econômico, deve vir abaixo do atual em valores de investimento.


… O planejamento 2025-2029 previu US$ 111 bilhões, sendo US$ 98 bilhões em projetos em execução e US$ 13 bilhões em empreendimentos cuja implantação dependeria de análise da empresa.


… As estimativas apontam para um montante “ligeiramente” inferior, que ficaria acima dos US$ 106 bilhões, mas abaixo dos US$ 111 bilhões.


… O Novo Plano de Negócios 2026-2030 será comentado em webcast amanhã, sexta-feira, às 16h30, com a presença da diretoria executiva da Petrobras, após ser apreciado pelo conselho de administração nesta quinta-feira (27).


LÁ FORA – Sem Nova York, o destaque vai para a ata do BCE, às 9h30. Saem ainda o índice de sentimento econômico na Zona do Euro em novembro, às 7h, e o indicador de confiança do consumidor alemão em dezembro, na madrugada (4h do Brasil).


MOODY’S – Na revisão periódica do rating do Brasil, no último dia 20, manteve as notas, incluindo o rating Ba1 de longo prazo, sem alterar a perspectiva. A decisão foi anunciada no final da tarde desta quarta-feira.


… A agência avalia que o perfil de crédito do País reflete um equilíbrio entre pontos positivos e negativos: contam a favor, a economia grande e diversificada, com exposição limitada a choques externos, e contra, pagamento elevado de juros, rigidez nos gastos e o peso da dívida pública.


… A Moody’s afirma que as reformas estruturais nos últimos anos fortaleceram as perspectivas de investimento e crescimento, mas observa que a polarização política é uma restrição à formulação de políticas, o que limita os esforços de reforço fiscal.


… Segundo a agência, o rating soberano do Brasil poderia ser elevado se houvesse um consenso para “reformas de gastos mais profundas”, como reduzir a vinculação de receitas e alterar a indexação de benefícios sociais ao salário mínimo, além de mudanças na Previdência.


A POLÍTICA FERVE – O Planalto deve atrasar a mensagem ao Senado que formaliza a indicação do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, ao STF, de modo a evitar que a sabatina seja realizada em meio ao clima de tensão política no Congresso.


… Alcolumbre marcou a sabatina para 10 de dezembro, sem tempo para que Messias faça as visitas costumeiras do beija-mão.


… Embora Lula já tenha anunciado seu nome, nada obriga o presidente a enviar agora a mensagem à CCJ e atrasar essa comunicação oficial seria a estratégia para que a crise entre o governo e o Congresso esteja “distensionada”, segundo apurou o Valor.


… O episódio representa mais um capítulo da crise política entre Planalto e Davi Alcolumbre, que não compareceu ontem à cerimônia no Planalto para a sanção da Reforma do Imposto de Renda. Nem ele foi, nem o presidente da Câmara, Hugo Motta.


… Alcolumbre está rompido com o líder do governo, Jaques Wagner, e Motta, com o líder do PT, Lindbergh.


… O mercado acompanha com preocupação esse ambiente de pé de guerra, que já custou a aprovação no Senado de uma pauta-bomba pautada por Alcolumbre, o projeto de aposentadoria especial dos agentes de saúde, com impacto fiscal de R$ 24 bilhões.


… Fontes do Broadcast apuraram que, na noite de ontem, Motta recebeu Gleisi Hoffmann e o líder do governo na Câmara, José Guimarães, na residência oficial da presidência da Casa, para tratar de pautas de interesse do governo.


BETS E FINTECHS – Votação do PL sobre aumento da taxação das casas de apostas e das fintechs foi marcada para o dia 2 de dezembro na CAE do Senado, após senadores pedirem mais tempo para analisar as mudanças feitas pelo relator Eduardo Braga (MDB).


CAMPEÃO VOLTOU – Após dois pregões mornos em que não conseguiu seguir à risca o ritmo de otimismo em Nova York, o Ibovespa finalmente entrou no clima de festa, descontando a bomba fiscal armada pelo Senado contra Lula.


… O clima político de hostilidade em Brasília foi superado pelo mercado, mais interessado em precificar o horizonte de novo corte dos juros americanos em dezembro e, quem sabe, de um alívio da Selic pelo Copom já em janeiro.


… Desde que Nilton Davi levantou a lebre, dois dias atrás, de que o início do ciclo de desaperto está próximo, o mercado vem ampliando a expectativa de que Galípolo vire o disco e desapegue do tom mais conservador.


… Antecipando a flexibilização monetária aqui e lá fora, o Ibovespa matou a saudade dos recordes e estabeleceu a mais nova marca inédita de fechamento (158.554,94 pontos), além do pico histórico intraday (158.713,52 pontos).


… Acima dos 158 mil pontos pela primeira vez, o índice à vista emplacou alta firme de 1,70% e giro de R$ 27 bilhões.


… Acionado o risk-on, as ações da Vale registraram valorização de 1,49%, desempenho muito superior ao exibido pelo minério de ferro (+0,19%), e fecharam no maior preço em quase dois anos, negociadas a R$ 66,58.


… Também os bancos ajudaram a projetar o Ibovespa para as novas máximas de todos os tempos. Bradesco PN avançou 3,01% (R$ 19,52); Itaú, +2,36% (R$ 40,85); Santander, +1,79% (R$ 34,19); e BB, +1,14% (R$ 22,22).


… Só Petrobras ficou de fora do rali, descolou do petróleo e operou em queda moderada (ON -0,32%, a R$ 33,95; e PN -0,15%, a R$ 32,23), à espera da divulgação do plano estratégico de negócios para os próximos cinco anos.


… A percepção de que as negociações em torno de um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia estão enroladas interrompeu a queda do barril do Brent para entrega em janeiro, que fechou em alta de 1,04%, cotado a US$ 63,13.


… Trump queria ver algo assinado até hoje, mas já recuou e disse que “o prazo final é quando acabar”.


… O enviado presidencial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, vai liderar uma delegação para negociações de paz em Moscou e será recebido por Putin na semana que vem. Segundo a Bloomberg, a data ainda não está marcada.


… Apesar do otimismo da Casa Branca em relação às negociações, dúvidas persistem nas capitais europeias, com a maioria dos aliados ocidentais da Ucrânia concordando que Putin não tem interesse em um cessar-fogo imediato.


SINAL VERDE – É verdade que o IPCA-15 levemente acima do esperado impediu que a ponta curta dos juros futuros embarcasse na queda do dólar. Mas não abalou em nada a esperança de que o Copom está perto de amolecer.


… Longe de ter desautorizado as apostas de corte da Selic no primeiro trimestre de 2026, a prévia da inflação oficial manteve viva a disputa entre janeiro x março, que voltará a ser agitada pela próxima rodada de dados de emprego.


… A leitura de 0,20% do IPCA-15 foi a menor para o mês em seis anos, quando subiu 0,14%. Além disso, na comparação anual, o índice desacelerou de 4,94% para 4,50%, acomodando-se no teto da meta do BC.


… Também é boa a notícia de que os preços dos componentes que realmente importam, especialmente alimentos e bens industriais, estão perdendo ritmo. Só falta agora Galípolo parar de ser tão hawkish e dar uma relaxada.


… Perto do ajuste, o contrato de juro para Janeiro de 2027 terminou o pregão em 13,510% (contra 13,504% no dia anterior); Jan/29, a 12,705% (de 12,737%); Jan/31, a 13,015% (de 13,098%); e Jan/33, a 13,210% (de 13,302%).


… Os prazos intermediários e longos acompanharam o alívio externo e o dólar mais fraco, que tenta se consolidar abaixo de R$ 5,40. Ontem, voltou à faixa de R$ 5,33 com o apetite por risco e fechou a R$ 5,3346, queda de 0,78%.


… O real encontrou apoio no diferencial de juro em duas frentes: pelo enfraquecimento global da moeda americana, diante do potencial corte do Fed em dezembro, e pelo iene depreciado, estimulando operações de carry trade.


… A divisa japonesa caiu a 156,43 por dólar com a advertência verbal da premiê, Sanae Takaichi, que vai avaliar se as movimentações cambiais estão de acordo com fundamentos econômicos para tomar as “medidas adequadas”.


… A libra subiu 0,52%, a US$ 1,3239, em reação ao orçamento britânico, que prevê o terceiro maior aumento de impostos desde 2010. O euro ganhou 0,20%, a US$ 1,1598, e o DXY caiu de leve (-0,06%), a 99,600 pontos.


CARTILHA TÁ OK – Se depender do Livro Bege, o Fed pode sim baixar os juros em dezembro, como quase 85% do mercado precifica na ferramenta das apostas do CME, colocando os falcões cada vez mais em uma saia justa.


… O documento apontou ontem queda moderada do emprego, risco de atividade econômica mais lenta nos próximos meses e alta modesta na inflação, um cenário combinado que reforça o terreno dovish para o Fed.


… Outro driver que aumentou a confiança em uma flexibilização monetária no mês que vem foi a forte queda do ISM de Chicago, de 43,8 em outubro para 36,4 em novembro, que se soma às leituras mais fracas do varejo e confiança.


… Isso se traduziu em quedas nos rendimentos dos Treasuries mais longos, ainda que a parte curta tenha oscilado em alta. A taxa da Note de 10 anos furou 4%, a 3,991% (de 4,001%), e a de 2 anos subiu a 3,475%, contra 3,460%.


… Em Wall Street, as bolsas emplacaram a quarta alta consecutiva, no ambiente de otimismo prolongado com o Fed, que tem deixado em segundo plano no mercado o debate sobre o risco de estouro da bolha da inteligência artificial.


… O Dow Jones avançou 0,67%, aos 47.427,12 pontos, S&P 500 ganhou 0,69%, aos 6.812,61 pontos, e Nasdaq subiu 0,82%, a 23.214,69 pontos, embalado pelo setor de tecnologia, com as ações da Nvidia em alta firme de 1,37%.


CIAS ABERTAS NO AFTER – BRB informou que o Banco Central autorizou a posse e o exercício de Nelson Antônio de Souza como presidente da instituição; Souza também terá assento no Conselho de Administração do banco.


CAIXA ECONÔMICA FEDERAL registrou lucro líquido contábil de R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre de 2025. O montante representa uma alta de 15,4% na comparação com o mesmo período de 2024.


VIBRA. Começa ainda neste mês, no Aeroporto Internacional de Salvador, o abastecimento da aviação comercial com SAF (Sustainable Aviation Fuel), resultado de ação liderada pelo governo da Bahia e a companhia…


… Segundo a empresa, primeira a importar SAF em escala comercial no País, o biocombustível será usado em dois voos diários, um da Gol e outro da Latam.


ASSAÍ. Ativa Investimentos reiterou a recomendação de compra para o papel e elevou o preço-alvo de R$ 15 para R$ 18; para a corretora, empresa manteve a atratividade, apesar do cenário desafiador.


ZAMP vai emitir 150 mil debêntures, em sua 11ª operação, e espera arrecadar R$ 150 milhões.


ONCOCLÍNICAS. Representantes de Josephina III e de Centaurus TRS, que formam as Entidades Centaurus, tiveram participações reduzidas em razão do aumento de capital, mesmo que mantidas quantidades de ações de cada uma…


… A Josephina III continua com 207.498.778 de ações ordinárias, que passaram a equivaler 18,31%, ante 31,38%…


… A exposição econômica (posição vendida) da Centaurus TRS, equivalente a 102.914.808 de papéis, decorrente de instrumento derivativo de liquidação financeira (total return swap), foi reduzida de 15,79% para 9,08% do capital.


ENGIE obteve autorização do Operador Nacional do Sistema (ONS) para início da operação comercial do trecho Morro do Chapéu II – Poções III, do Sistema Asa Branca, no Centro-Sul da Bahia, a partir desta quarta-feira (26)…


… O trecho representa 33% da Receita Anual Permitida (RAP) do projeto, caracterizando o marco inicial de operação.

Resumo BDM

 👀 *Resumo BDM - Sem NY- Veja em poucos parágrafos os temas que marcam esta quinta-feira, 27/11, no mercado financeiro*


◼️ Com NY fechada pelo feriado de Ação de Graças, o mercado perde liquidez após o rali da véspera, com o Ibovespa em novo recorde acima dos 158 mil e o dólar em queda de 0,78%, a R$ 5,3346.


◼️ Os mercados domésticos seguiram o entusiasmo de NY, com o Livro Bege confirmando as expectativas de novo corte de juro em dezembro: Dow Jones +0,67%, S&P 500 +0,69% e Nasdaq +0,82%.


◼️ O dado mais esperado do dia é o Caged de outubro, às 14h30, com previsão de desacelerar a criação de empregos e reforçar as apostas em queda da Selic em janeiro, que já são majoritárias na curva de juros.


◼️ No foco também está a participação de Galípolo na Itaú Asset, às 15h. Investidores esperam um tom menos duro. Até aqui, ele mantém a defesa do centro da meta e sinaliza juros altos por mais tempo.


◼️ Após o IPCA-15, sai hoje o IGP-M, que deve subir 0,28% puxado pelo atacado. Ainda na agenda, o Tesouro divulga o relatório da dívida (14h30), o CMN faz reunião (resultados às 18h) e Guillen participa de evento da FGV (18h30).


◼️ No exterior, saem a ata do BCE, o sentimento econômico da zona do euro e a confiança do consumidor alemão.


◼️ Brasília segue em ebulição. Lula deve atrasar o envio da indicação de Jorge Messias ao STF para evitar sabatina em meio ao conflito com Alcolumbre e dar mais tempo para o beija-mão do indicado do presidente.


◼️ O ambiente tenso já resultou na aprovação da pauta-bomba dos agentes de saúde no Senado. Ontem, Davi Alcolumbre não foi à cerimônia da Reforma do IR no Planalto. Nem Hugo Motta compareceu.


◼️ A Petrobras divulga hoje seu Plano Estratégico 2026–2030, que deve vir levemente abaixo do atual. Expectativa é de investimentos é acima de US$ 106 bilhões, mas inferior aos US$ 111 bilhões do plano anterior (Valor).


◼️ No fim do dia, a Moody’s manteve o rating Ba1 do Brasil e destacou entraves fiscais e rigidez de gastos como freios para elevação da nota soberana, em sua revisão periódica da nota de crédito.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,7% US tech +0,9% US semis +2,8% UEM +1,5% España +1,4% VIX 17,2% Bund 2,67% T-Note 3,99% Spread 2A-10A USA=+52pb B10A: ESP 3,15% PT 3,00% FRA 3,39% ITA 3,39% Euribor 12m 2,206% (fut.2,281%) USD 1,159 JPY 181,1 Ouro 4.156$ Brent 62,8$ WTI 58,4$ Bitcoin +4,1% (91.232$) Ether +2,9% (3.025$).


SESSÃO: Ontem, as bolsas arrefeceram muito pouco e, efetivamente, foi apenas no final da sessão americana, tendo em conta que para Nova Iorque a semana já estava a terminar, sendo hoje feriado de Ação de Graças e amanhã Black Friday (meia sessão). O mercado regressou ao “modo FOMO” e não pensa em abandoná-lo por agora. O sentimento evoluiu em positivo ao reduzir-se o ceticismo sobre a IA, sair macro americana débil que reforça a expetativa de que a Fed corte taxas de juros em dezembro e falar de paz na Ucrânia. 


O que nos resta saber no resto da semana é pouco estimulante… porque é europeu e Wall St. is game over: hoje, às 10 h, indicadores de confiança (Economia, Consumidor, Empresarial, Industrial…) e amanhã inflações, em geral mais ou menos estáveis (ALE +2,4% vs. +2,3%; FRA +1,0% vs. +0,9%; ITA +1,3% vs. +1,2%; ESP +3,0% vs. +3,1%). Com isso, o mercado não se mexe.


Como hoje arranca formalmente a campanha de Natal nos EUA, é inevitável mencionar que se esperam vendas +3,7%/+4,2% vs. +4,3% em 2024, que é uma expetativa tão normal como pouco emocionante.


CONCLUSÃO: Hoje, sessão tíbia para não dizer aborrecida e irrelevante. Deverá ser plana. Nesta semana de 3 dias recuperámos os retrocessos da semana anterior (Nova Iorque +3,2% vs. -2%; Semis +7,7% vs. 5,9%; Zona Euro +2,6% vs. -3,1%...), que vieram provocados por esse medo, que agora parece diluir-se de que a IA esteja sobreavaliada, castigando toda a tecnologia, mas particularmente os semis. Como já temos defendido reiteradamente, não identificamos sobreavaliações evidentes na tecnologia avaliada, embora possa chegar a acontecer na não avaliada (OpenAI, Anthropic, Mistral, xAI, etc) se as OPVs se realizem a preços imprudentemente ambiciosos. Visto que hoje há pouco conteúdo imediato, acrescentamos na mensagem um gráfico simples que relaciona PER e expansão de EPSs em tech e semis, que mostra que multiplicadores e expansão de lucros não estão descoordenados. 


FIM

Biblioteca dos Saberes

 Fã de Niemeyer, carioca por adoção e nascido em Burkina Faso: conheça Francis Kéré, arquiteto que assina Biblioteca dos Saberes

Ele é o primeiro homem africano a conquistar o Pritzker, principal prêmio da arquitetura mundial. Desde criança sonhava em construir espaços mais funcionais.

Por Cristina Boeckel, g1 Rio - 22/11/2025 


Biblioteca dos Saberes faz parte do projeto Praça Onze Maravilha


O arquiteto Diébédo Francis Kéré, de 60 anos, um dos mais premiados do mundo, é o autor do projeto da Biblioteca dos Saberes, parte da iniciativa da Praça Onze Maravilha. Com uma história em que usa referências locais para melhorar a vida de populações ao redor do mundo, o burkinabè [como o povo de Burkina Faso se refere a si] disse que se considera carioca por adoção.


“Eu tive a mesma conexão em espírito e em ações com o povo do Rio”, disse o arquiteto no lançamento do projeto, na quinta-feira (20).


Kéré é o 1º africano a conquistar o Pritzker, prêmio considerado o “Nobel da Arquitetura”. Nascido em Gando, uma vila de Burkina Faso, Kéré contou que o desejo de ser arquiteto surgiu a partir de um problema na infância: ele sofria com o calor na escola e passou a querer construir lugares melhores para as outras crianças.


“Eu nasci aqui [apontando para a vila onde nasceu em Burkina Faso]. Não tinha muitas oportunidades e tive chance de ter uma educação melhor. Eu fui para a Alemanha e achei que poderia criar algo para meu povo”, contou Kéré.


O pai de Kéré era o chefe da vila onde a família vivia. Ele não sabia escrever, mas queria que o filho mais velho aprendesse.


“Meu pai recebia cartas do governo e não tinha ninguém para ler. Então, em vez de me deixar trabalhando no campo, ele me mandou para a cidade para aprender a ler e escrever”, contou o arquiteto em entrevista ao Fantástico.


Depois, nos anos 1980, ele foi para a Alemanha. Primeiro, fez um curso de carpintaria para, mais tarde, se formar em Arquitetura.


Em 2001, Kéré realizou o sonho de infância. Retornou ao povoado e começou a erguer a escola com a ajuda da comunidade. O projeto conta com materiais da região e usa a iluminação natural.


Da argila ao 'Nobel da Arquitetura': como Francis Keré se tornou o primeiro negro a receber o prêmio Pritzker


O investimento em projetos sustentáveis não ficou restrito a Burkina Faso. Ele assinou projetos semelhantes em vários pontos do mundo, que o levaram ao prêmio Pritzker em 2022.


A honraria, considerada uma das mais importantes do mundo, é destinada aos arquitetos que demonstram em seus trabalhos a união entre talento, visão e comprometimento com o meio onde vivem.


Desde 1979, quando foi criado, 2 arquitetos brasileiros já conquistaram o Pritzker: Oscar Niemeyer, em 1988, e Paulo Mendes da Rocha, em 2006.


Francis Kéré é o autor do projeto da Biblioteca dos Saberes. — Foto: Reprodução/ TV Globo

Francis Kéré é o autor do projeto da Biblioteca dos Saberes. — Foto: Reprodução/ TV Globo

A arquitetura de Niemeyer, inclusive, é uma das referências de Francis Kéré. Ele destacou que é uma honra ter a chance de assinar o projeto de uma biblioteca próxima a uma das mais famosas obras dele.


“A arquitetura brasileira é inspiradora e eu admiro Niemeyer. E tenho a chance de criar um projeto próximo ao Sambódromo, criado por ele. Para mim, é uma grande honra”, destacou.

Biblioteca.


Com mais de 40 mil m², o edifício da Biblioteca dos Saberes terá pilotis, cobogós, jardins suspensos e uma torre circular aberta à luz natural. O espaço contará com teatro, anfiteatro, cozinhas, salas de estudo, áreas expositivas e acervos voltados à memória, patrimônio e expressões populares.


O espaço será instalado na região onde funciona o Terreirão do Samba, perto do monumento a Zumbi dos Palmares e integrado às iniciativas da região da Pequena África.


O anúncio do projeto da biblioteca acontece no ano que o Rio de Janeiro é a Capital Mundial do Livro pela Unesco. A iniciativa tem como objetivo incentivar a leitura.


Kéré esteve pela primeira vez no Rio em maio. Ele percorreu lugares que refletem a cultura do Rio e do Brasil: viu o manto tupinambá, no Museu Nacional de Belas Artes, caminhou pelo jardim de Roberto Burle Marx, conheceu o Edifício Capanema — ícone do modernismo brasileiro —, e esteve na Pedra do Sal com Teresa Cristina e a velha guarda da Portela.


O arquiteto também se encontrou com a escritora Conceição Evaristo, que discursou no lançamento do projeto, na quadra da Estácio de Sá.


“Que venha a biblioteca, onde a movimentação seja humana, abarcando a pluralidade da nossa cidade. Que o morro desça, que a população busque o que lhe pertence como direito cidadão: livros e arte, livros e democracia, livros vivos, livros e humano”, afirmou a escritora.


Projeção de como ficará a Biblioteca dos Saberes — Foto: Divulgação/ Prefeitura do Rio.

SAF Botafogo

 NOTA OFICIAL 


Em resposta às recentes reportagens acerca das medidas judiciais propostas pelas lideranças do Clube Social, a SAF Botafogo vem a público manifestar o seguinte posicionamento:


1. A SAF informa que cumpre integralmente as obrigações estipuladas no acordo firmado por seus acionistas por ocasião da transferência de ações para a Eagle Football e seu acionista majoritário, John Textor.


2. A SAF reitera seus esforços na renegociação e quitação da dívida histórica bilionária do Botafogo de Futebol e Regatas, reconhecida e homologada pelo Poder Judiciário e pelos credores do clube.


3. A SAF Botafogo é pautada por decisões técnicas, com uma gestão qualificada e profissionais de futebol de alto nível, o que permitiu ao clube conquistar a Copa Libertadores e o Campeonato Brasileiro de 2024, alcançar número recorde de participações consecutivas nessa competição continental e elevar o patamar competitivo do Botafogo, que voltou a sonhar com conquistas relevantes. Ao vencer a melhor equipe do mundo e ser indicado entre os cinco melhores clubes do planeta no Ballon d’Or, o Botafogo deixou de ser o outrora grande, porém esquecido. O Botafogo é hoje um clube sobre o qual o mundo fala — o Glorioso e Mais Tradicional do Brasil. Esse feito foi alcançado em apenas três anos de existência da SAF. Superamos, e muito, todas as expectativas do Clube Social e de nossa torcida.


4. A SAF Botafogo repudia os pedidos apresentados ao Poder Judiciário, baseados em alegações inverídicas, sem amparo jurídico, sem fundamento no contrato de investimento ou no acordo de acionistas, e marcados por evidente desconhecimento do direito empresarial e das normas de processo civil, cujos limites de atuação na instância recursal não foram observados.


5. A SAF Botafogo rejeita as imputações feitas à sua gestão, uma vez que grande parte de nosso trabalho tem sido o de sanar equívocos do passado, ao mesmo tempo em que entregamos conquistas inéditas a um clube com mais de 130 anos de história. Nossa gestão é uma gestão vencedora. Há investimento em profissionais e atletas de excelência. Há compromisso em manter o Botafogo entre os principais clubes do mundo. Transformamos a desesperança de nossos torcedores nas mais altas expectativas de sucesso futuro.


6. Atualmente, o foco da SAF Botafogo é concluir com êxito o ano de 2025 e trabalhar por um glorioso 2026, aguardando, em respeito aos seus torcedores, uma rápida e eficiente resolução entre seus acionistas.


7. Cabe destacar que não há qualquer compromisso estabelecido com um clube britânico envolvendo transferência de jogadores do Botafogo, como circularam especulações nas redes sociais. Os benefícios do modelo multiclubes e o interesse de Textor de expandir a rede já são conhecidos, mas qualquer notícia referente ao tema não procede neste momento.


8. A SAF Botafogo permanece sempre aberta ao diálogo com um Clube Social unificado, por entender que este é, certamente, o melhor caminho para resolver conflitos e preservar a imagem institucional da marca Botafogo. Campeonatos se ganham com amor, e esperamos um parceiro, no Clube Social, que compartilhe dessa mesma crença.


SAF BOTAFOGO

Conrado Hübner Mendes

 Ministro banqueirófilo pode julgar banqueiro?


Decisão do STF sobre Vorcaro, seja qual for, exalará todos os cheiros da suspeita

Banqueiro acusado de crimes contra o sistema financeiro patrocinou elites políticas, jurídicas e empresariais


Daniel Vorcaro é acusado de crimes contra o sistema financeiro. Teria praticado as mais desvairadas aventuras com dinheiro público e privado, fundos de previdência estatais, recursos de aposentados, falsificado títulos de crédito, negociado CDBs de contos de fadas.


Sob a condescendência do Banco Central, Cade, Fundo Garantidor de Créditos, além de governos municipais e estaduais que bancaram suas promessas, o Banco Master explodiu e acaba de ser liquidado pelo Banco Central. Vorcaro segue em prisão preventiva enquanto advogados trabalham juridicamente e "sócio-politicamente" para tirá-lo de lá.


O banqueiro costumava ressaltar que um de seus lemas nos negócios era escolher bem as pessoas "com quem se conectar nessa jornada". Levou tão a sério sua jornada que passou a patrocinar elites políticas, jurídicas e empresariais, a financiar o respeito e a admiração da Faria Lima e da praça dos Três Poderes.


Em 2022, no Lide Brazil Conference, de Nova York, Vorcaro financiou jantar de gala para ministros Gilmar Mendes, Luis Roberto Barroso, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski e mais dezenas de pessoas. O Banco Master não estava anunciado como patrocinador oficial, mas havia dinheiro de Vorcaro.


Em 2023, no 1º Fórum Esfera Internacional, realizado em Paris, na presença de Barroso e Gilmar, Vorcaro elogiou o STF como "guardião da democracia". Em 2024, no 2º Fórum Esfera Internacional, ali perto em Roma, com Toffoli, Lewandowski, Barroso e Gonet no recinto, Vorcaro palestrou e alertou que o governo precisava resolver o "buraco das contas públicas".


Em 2024, em Londres, por ocasião do Fórum Jurídico Brasil de Ideias, organizado pelo Grupo Voto com patrocínio do Banco Master, Gilmar, Moraes, Toffoli e Lewandowski ofereceram suas próprias ideias a esse fórum de ideias do encontro lobístico.


As rodas de conversa organizadas por empresas como Lide, Voto, Esfera e IDP contam com a presença de um Brasil muito particular, muito pequeno, muito homogêneo, muito rico. Encontros promíscuos temperados por cotas de diversidade nas mesas públicas, sem cotas nos coquetéis privados. Um Brasil que estabelece uma relação abusiva com a lei.


A configuração de conflitos de interesse nesse novo capítulo da batalha jurídica que enreda o Banco Master e seus sócios, se não traz nada de original, pelo menos ajuda a explicar o óbvio com mais riqueza romanesca.


Ministros do STF tornaram impossível a instituição do STF tomar decisão digna de respeito sobre o Banco Master e seus sócios. Se conceder habeas corpus para tirá-los da prisão, desconfiaremos de favor aos amigos ricos. Se negar habeas corpus, desconfiaremos que foi justamente para prevenir a imagem de favor aos amigos.


Teremos toda razão para duvidar de qualquer despacho que beneficie ou não qualquer desses sujeitos e suas empresas. Porque as condições para aplicação imparcial da lei foram suprimidas pelos ministros que frequentam esse interminável happy hour.


A banqueirofilia não é exclusiva à magistocracia. Mas quando entra no sistema de justiça, corrompe as condições pressupostas no respeito que magistrados nos pedem e na autoridade que exercem.


Texto de Conrado Hübner Mendes na Folha de São Paulo

Professor de direito constitucional da USP, é doutor em direito e ciência política e membro do Observatório Pesquisa, Ciência e Liberdade - SBPC

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Call Matinal 2611

 CALL MATINAL 

26/11/2025 

Julio Hegedus Netto, economista


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO (25/11)

MERCADOS E AGENDA

Nesta terça-feira (25), o Ibovespa fechou em alta de 0,41%, aos 155.814 pontos, refletindo o clima mais positivo nas bolsas globais e maior apetite por risco dos investidores. Já o dólar recuou cerca de 0,35%, encerrando o dia em torno de R$ 5,37–5,38, alinhado à fraqueza da moeda americana no exterior. A curva de juros futuros cedeu levemente na parte média e longa, com o mercado mantendo a leitura de que há espaço para novos cortes de Selic à frente.


PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros dos EUA operam em alta nesta quarta-feira (26), véspera do feriado de Thanksgiving, impulsionados por dados fracos sobre o consumo nos EUA e a ascensão de um nome favorável a cortes nas taxas de juros como possível presidente do Fed, o que levou os mercados a precificar uma redução quase certa do Fed Funds.


MERCADOS 5H30

EUA

Dow Jones Futuro: +0,26%

S&P 500 Futuro: +0,37%

Nasdaq Futuro: +0,48%

ÁSIA-PACÍFICO

Shanghai SE (China), -0,15%

Nikkei (Japão): +1,85%

Hang Seng Index (Hong Kong): +1,17%

Nifty 50 (Índia): +0,13%

ASX 200 (Austrália): +0,81%

EUROPA

STOXX 600: +0,50%

DAX (Alemanha): +0,45%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,29%

CAC 40 (França): +0,54%

FTSE MIB (Itália): +0,43%

COMMODITIES

Petróleo WTI, -0,29%, a US$ 57,78 o barril

Petróleo Brent, -0,37%, a US$ 62,25 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,19%, a 797 iuanes (US$ 112,50)


NO DIA, 2611

Nos EUA, o PCE e o PIB do terceiro tri acabaram adiados para o dia 23 de dezembro, acendendo um sinal para mais um corte de juro pelo FED. Pesquisas indicam 85% de chances disso acontecer. Na agenda de lá, dia de Livro Bege e pedidos de auxilio desemprego. No Brasil, dia de IPCA15, o que deve reforçar também a tese pelo corte de juro no Copom a partir da reunião de janeiro dez2026. Isso anima as bolsas, em bom ciclo de alta. Só continua complicado o front fiscal, ainda mais depois da aprovação do projeto de aposentadoria especial para os agentes de saúde no Senado, com impacto bilionário de R$ 40 bi em dez anos. Este projeto garante aposentadoria integral e paridade nos reajustes com os funcionários da ativa, além de conceder o benefício aos 52 anos. Agora, segue para a Câmara, com a Previdência calculando R$ 24,72 bilhões no mesmo período e a Confederação Nacional de Municípios, R$ 103 bilhões às prefeituras. Alcolumbre nega que este projeto seja uma “pauta-bomba”, citando o Vale-Gás e o Pé-de-Meia como exemplos de propostas do Executivo. A prova de que o clima está feio no Congresso foi dada por novas iniciativas de Alcolumbre, que se apressou em marcar a sabatina de Jorge Messias para o dia 10 de dezembro, na CCJ e no plenário do Senado.  




Agenda Macroeconômica Brasil 


Segunda-feira, 24 de novembro  Índice de Preços ao Consumidor - IPC-S FGV: Consenso 0,24%  

Índice de Confiança do Consumidor FGV: Consenso 88,50  

Relatório Focus do Banco Central  

Arrecadação Tributária Federal: sem consenso | Anterior R$216,7bi | Exp R$262,1bi  

Eventos/Debates Diretores e Presidente do Banco Central

Terça-feira, 25 de novembro  Índice de Preços ao Consumidor - FIPE (Semanal): Consenso 0,20%  

Índice Nacional de Custo da Construção - FGV: Consenso 0,31% | Anterior 0,21%  

Balança de Conta Corrente: Consenso -US$4.600mi | Anterior -US$9.774mi  

Investimento Estrangeiro Direto: Consenso US$6.000mi | Anterior US$10.671mi

Quarta-feira, 26 de novembro  Índice de Confiança da Indústria FGV  

Empréstimos Totais em Aberto - variação mensal: Consenso 1,10%  

Total de Empréstimos em Aberto: Consenso R$6.844bi  

Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) - 12 meses: Consenso 4,49% | Anterior 4,94% | Exp 4,52%  

Mensal: Consenso 0,18% | Anterior 0,18% | Exp 0,22%  

Dívida Federal Total: Consenso R$8.122bi


Quinta-feira, 27 de novembro  Índice Geral de Preços - Mercado (IGPM) FGV - mensal: Consenso 0,28% | Anterior -0,36%  

IGPM FGV - 12 meses: Consenso -0,09% | Anterior 0,92%  

Índice de Confiança do Comércio e Serviços FGV

Resultado Orçamentário do Governo Central: Consenso R$37,4bi | Anterior -R$14,5bi | Exp R$36,8bi 

Sexta-feira, 28 de novembro  Saldo Orçamentário Nominal: Consenso -R$57,4bi | BTG -R$102,2bi  

Saldo Primário do Setor Público: Consenso R$33,4bi | Anterior -R$17,5bi | Exp R$34,6bi  

Taxa de Desemprego Nacional: Consenso 5,60% | Anterior 5,60% | BTG 5,70%  

Criação Formal de Empregos: Consenso 107.500 | Anterior 213.002 | Exp 90.200

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Call Matinal 2511

 

Call Matinal

25/11/2025

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (24/11)

MERCADOS E AGENDA

Nesta segunda-feira (24), o Ibovespa registrou alta tímida de 0,33%, aos 155.277,56 pontos, com volume financeiro de R$ 27,5 bilhões. Já o dólar, depois de 2% na semana passada, registrou “ajuste técnico” e fechou em leve queda de 0,12%, abaixo de R$ 5,40, a R$ 5,3950. Hoje é dia de votação no Congresso do PL da aposentadoria especial dos agentes de saúde. Rombo previsto no Orçamento deve passar de R$ 21 bi.

 

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros dos EUA operam em baixa nesta terça-feira (25), após tentativa de consistente recuperação, impulsionada pelas techs, em meio ao crescente otimismo de que o Fed possa anunciar um corte nas taxas de juros em dez25 (dia 10).

 

 

MERCADOS 5h30

EUA

 

 

Dow Jones Futuro: -0,06%

S&P 500 Futuro: -0,06%

Nasdaq Futuro: -0,14%

Ásia-Pacífico

 

 

Shanghai SE (China), +0,87%

Nikkei (Japão): +0,07%

Hang Seng Index (Hong Kong): +0,69%

Nifty 50 (Índia): +0,17%

ASX 200 (Austrália): +0,14%

Europa

 

 

STOXX 600: +0,25%

DAX (Alemanha): +0,17%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,23%

CAC 40 (França): +0,32%

FTSE MIB (Itália): +0,21%

Commodities

 

 

Petróleo WTI, -0,56%, a US$ 58,51 o barril

Petróleo Brent, -0,62%, a US$ 62,98 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,51%, a 794 iuanes (US$ 111,78)

 

NO DIA, 2511

No radar dos mercados, é crescente a possibilidade de corte de juro em 0,25 pp pelo Fed em dez (dia 10). Na bolsa de apostas, já são 70% a 80% de probabilidade, o que impulsionou os mercados nesta segunda. Mary Daly e Christopher Waller, ambos do board do Fed, acreditam nisso. Em paralelo, uma tênue esperança de  plano de paz para a Ucrânia na quinta-feira, embala os mercados na Europa. Lembremos que esta foi a data que Trump marcou como limite. Na agenda do dia, nos EUA temos PPI, vendas no varejo, ADP semanal e confiança do consumidor do Conference Board. O PCE de setembro, previsto para amanhã, foi adiado para dia 5/12, a tempo da reunião do Fed (10), e a divulgação do PIB/3Tri, postergada para 23/12. No Brasil, saem os dados do setor externo de outubro, enquanto o mercado monitora Gabriel Galípolo em audiência pública no Senado (10h), em ambiente de alta tensão política, diante da votação de uma pauta de bomba fiscal nesta terça-feira (aposentadorias especiais dos agentes de saúde).

 

 

 

 

Agenda Macroeconômica Brasil

 

Segunda-feira, 24 de novembro 

 Índice de Preços ao Consumidor - IPC-S FGV: Consenso 0,24% 

Índice de Confiança do Consumidor FGV: Consenso 88,50 

Relatório Focus do Banco Central 

Arrecadação Tributária Federal: sem consenso | Anterior R$216,7bi | Exp R$262,1bi 

Eventos/Debates Diretores e Presidente do Banco Central

 

 

Terça-feira, 25 de novembro 

Índice de Preços ao Consumidor - FIPE (Semanal): Consenso 0,20% 

Índice Nacional de Custo da Construção - FGV: Consenso 0,31% | Anterior 0,21% 

Balança de Conta Corrente: Consenso -US$4.600mi | Anterior -US$9.774mi 

Investimento Estrangeiro Direto: Consenso US$6.000mi | Anterior US$10.671mi

 

 

Quarta-feira, 26 de novembro 

Índice de Confiança da Indústria FGV 

Empréstimos Totais em Aberto - variação mensal: Consenso 1,10% 

Total de Empréstimos em Aberto: Consenso R$6.844bi 

Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) - 12 meses: Consenso 4,49% | Anterior 4,94% | Exp 4,52% 

Mensal: Consenso 0,18% | Anterior 0,18% | Exp 0,22% 

Dívida Federal Total: Consenso R$8.122bi

 

Quinta-feira, 27 de novembro 

Índice Geral de Preços - Mercado (IGPM) FGV - mensal: Consenso 0,28% | Anterior -0,36% 

IGPM FGV - 12 meses: Consenso -0,09% | Anterior 0,92% 

Índice de Confiança do Comércio e Serviços FGV

Resultado Orçamentário do Governo Central: Consenso R$37,4bi | Anterior -R$14,5bi | Exp R$36,8bi

 

 

Sexta-feira, 28 de novembro 

Saldo Orçamentário Nominal: Consenso -R$57,4bi | BTG -R$102,2bi 

Saldo Primário do Setor Público: Consenso R$33,4bi | Anterior -R$17,5bi | Exp R$34,6bi 

Taxa de Desemprego Nacional: Consenso 5,60% | Anterior 5,60% | BTG 5,70% 

Criação Formal de Empregos: Consenso 107.500 | Anterior 213.002 | Exp 90.200

 

 

 

 

 

Boa terça-feira a todos!

ANÁLISE: Venezuela abre disputa entre Rubio e Vance pela sucessão de Trump

Humberto Saccomandi De Para o Valor, de São Paulo A intervenção americana em andamento na Venezuela tem um componente de política interna am...