segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Jonas Frederighi

 

O artigo sustenta uma tese simples e dura: com produtividade estagnada, o Brasil permanece preso à pobreza relativa. Com base no Observatório de Produtividade da FGV, o autor aponta que, apesar do avanço educacional, a produtividade do trabalho praticamente não sai do lugar há cerca de 15 anos; no longo prazo (1981–2024), o ganho médio anual teria sido muito baixo. Um destaque metodológico importante aparece logo no início: quando a métrica muda de “por pessoa ocupada” para “por hora efetivamente trabalhada”, os ganhos pontuais praticamente desaparecem, sugerindo crescimento baseado mais em quantidade de mão de obra do que em eficiência.

A primeira explicação é o baixo investimento em capital físico e, pior, sua má composição. A taxa de investimento no Brasil ficaria em torno de 17%–18% do PIB, com foco em ativos de menor conteúdo tecnológico e com fraca difusão de automação, inovação e tecnologias digitais. Na prática, isso limita o aumento do “capital por trabalhador” e freia o salto de produtividade que costuma vir de modernização e escala.

A segunda dimensão é o capital humano: a escolaridade média subiu, mas a qualidade da educação permanece baixa e há forte descasamento entre formação e ocupação. Muitos trabalhadores com ensino médio ou superior acabam em funções de baixa complexidade, reduzindo o retorno produtivo do estudo. A terceira (e mais relevante, segundo o texto) é a má alocação de recursos: capital e trabalho não migram com fluidez para as empresas e setores mais produtivos. Informalidade elevada, baixa mobilidade do trabalho, fragmentação produtiva, distorções tributárias e subsídios mal desenhados mantêm firmas pouco eficientes “vivas” e travam o crescimento das mais eficientes. Soma-se a isso uma economia relativamente fechada, com menor competição e difusão tecnológica mais lenta — o que concentra emprego em setores de baixa produtividade.

A conclusão é um chamado de agenda: a reforma dos impostos indiretos aprovada em 2023 pode ajudar ao reduzir distorções e melhorar a alocação, mas não basta para garantir crescimento sustentado, especialmente com dívida pública crescendo. O próximo governo, diz o autor, precisará colocar produtividade no centro da política econômica; caso contrário, mesmo com reforma tributária e ajuste fiscal, o país segue na armadilha do baixo crescimento. CTA prático: transformar esse diagnóstico em checklist de prioridades (investimento e inovação, qualidade/aderência da educação ao trabalho, competição/abertura gradual e redução de distorções que premiam ineficiência) e acompanhar, trimestre a trimestre, indicadores de produtividade por hora, investimento produtivo e realocação setorial — porque sem métrica, a “agenda” vira só slogan.

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