quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Eliana Cardoso

 Pondo as barbas de molho…

O que se segue é a tradução de alguns trechos pequenos de um longo artigo de Shanaka Anslem Perera no Substack. A informação pode ser útil mesmo para quem se opõe ao autor.
“A supressão da campanha de defesas aéreas venezuelanas durante o ataque de sábado alcançou o que os teóricos militares chamam de “pontuação perfeita”. A Venezuela possuía um dos mais formidáveis sistemas de defesa aérea integrados da América Latina: doze lançadores S-300VM “Antey-2500” representando o principal sistema de mísseis terra-ar de longo alcance da Rússia com alcances de engajamento teórico de 250 quilômetros, nove baterias de mísseis de médio alcance Buk-M2E capazes de enfrentar alvos a 45 quilômetros, vários sistemas de curto alcance Pechora-2M para defesa pontual e um esquadrão de caças de superioridade aérea Su-30MK2 Flanker-G.
Não fez a menor diferença!
A defesa venezuelana tornou-se irrelevante nos minutos de abertura da operação, permitindo que os operadores da Força Delta conduzissem sua missão como se estivessem em um exercício de treinamento no deserto de Nevada.
O analista Alex Christoforou, comentando sobre a operação, disse o que os diplomatas não podem dizer: “Países ao redor do mundo precisam perceber que no mundo em que vivemos hoje, não há regras. Ataques de decapitação estão definitivamente na mesa. Sequestrar líderes militares está em cima da mesa. No que diz respeito à administração Trump, não há regras. Ele fará o que precisar para vencer.”
A China exigiu respeito pela soberania e não interferência. Mas a China não conseguiu proteger seu parceiro latino-americano mais importante, apesar de sessenta bilhões de dólares em investimentos e uma visita diplomática de alto nível dezoito horas antes da captura. A condenação chinesa sem ação chinesa é um reconhecimento de limitação.
O presidente Putin construiu sua política externa com base na premissa de que a Rússia poderia projetar poder por meio de vendas de armas e parcerias de segurança. Essa premissa morreu com a incapacidade de resposta em Caracas.
Se a credibilidade militar russa sofreu um golpe fatal, o investimento estratégico chinês sofreu um revés igualmente devastador. O momento da operação não foi coincidência. Foi humilhação calculada.
Em 2 de janeiro de 2026, o enviado especial de Xi Jinping, Qiu Xiaoqi, se encontrou com Nicolás Maduro no Palácio de Miraflores. A reunião revisou 600 acordos de cooperação bilaterais. A mídia estatal chinesa descreveu a Venezuela como um “parceiro estratégico inabalável”. A delegação enfatizou os laços profundos entre Pequim e Caracas, a importância da relação com a estratégia latino-americana da China, os bilhões investidos em petróleo e infraestrutura venezuelanos.
Dezoito horas depois, os operadores da Força Delta capturaram Maduro e o extraíram do território venezuelano.
A mensagem não poderia ser mais clara. A proteção diplomática chinesa não significa nada no hemisfério da América. O investimento chinês não compra segurança. A parceria chinesa não oferece nenhum escudo contra o poder americano.”

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