terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Setor imobiliário

 


O setor imobiliário entra em 2026 num cenário ambíguo: otimismo moderado com a provável queda de juros, mas cautela porque a economia tende a perder ritmo. A memória de 2015–2016 aparece como alerta: juros muito altos derrubam o ânimo das famílias, elevam inadimplência e tornam o crédito “proibitivo” — especialmente fora do Minha Casa, Minha Vida. Com esse pano de fundo, o grande motor do mercado segue sendo o MCMV. Dados citados na matéria mostram o peso do programa: 47% dos lançamentos e 44% das unidades vendidas no País. A leitura dos executivos é direta: o déficit habitacional mantém a demanda acesa e os subsídios sustentam o apetite por novos projetos, inclusive com incorporadoras de alto padrão começando a entrar no segmento econômico (ex.: projeto no Bom Retiro voltado à Faixa 3). Na prática, a estratégia dominante para 2026 parece ser migrar portfólio para o “resiliente” e proteger caixa: mais lançamentos no econômico e foco em vender estoque. A Setin, por exemplo, sinaliza um ano com nove projetos econômicos e apenas um de alto padrão, mantendo a opção de retorno à classe média quando os juros chegarem a um “patamar mais saudável”. Já a Magik LZ aposta na retomada do médio padrão com imóveis entre R$ 700 mil e R$ 2 milhões, apoiada na escassez criada pela redução de lançamentos para esse público, sem abandonar o MCMV. No fator político, há duas visões: a pragmática (“passada a eleição, a vida continua”) e a preocupada com incerteza e clima eleitoral mais “bélico”, que pode travar decisões. O recado operacional para 2026 é simples: quem dominar o jogo de crédito, enquadramento e produto (especialmente no MCMV e na classe média quando o juro ceder) vai capturar demanda reprimida. Para corretores e times: vale escolher uma tese clara (econômico, médio ou estoque), ajustar o discurso ao bolso do cliente e reforçar rotina de qualificação de financiamento — e abrir a conversa: qual segmento deve liderar as oportunidades em 2026 na prática: MCMV, classe média ou queima de estoque?

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